

"A Cristina e a Ana Rita decidem de uma vez por todas quem é a chefe da biblioteca"






De uma forma mundana, dir-vos-ei que o acto sexual, em todo o seu esplendor e magnitude, ultrapassa, excede o que de sensitivo demonstra. No momento em que a excitação masculina acontece, desencadeia-se um processo de troca de energia, ou seja, o homem (como um dínamo) inicia inconscientemente nesse momento uma função algo semelhante à do carregador de baterias, transmitindo à mulher a energia que naturalmente se acumula em si, no seu todo. No final, ou seja, quando a bateria feminina se encontra carregada, o organismo da mulher assinala o facto com um orgasmo, responde o organismo masculino com outro. Obviamente que, para que o processo se repita com a frequência saudavelmente necessária, a mãe natura encarregou-se de adiccionar uns «pozinhos» ao processo, fazendo com que as conclusões das recargas deixem nas memórias dos carregadores e nas carregadas um resíduo de prazer sensorial.
Delineou o plano em traços gerais, olhou o relógio e percebeu que teria de se apressar. Já não faltava muito para a hora marcada e tudo teria de funcionar na perfeição. Escreveu previamente as mensagens a enviar no timing exacto. Escolheu o vinho, e deixou a chave da entrada estrategicamente colocada debaixo do tapete. Agora, só faltava preparar o cenário. Espalhou velas pela casa de banho e encheu a banheira de água e espuma. Apagou todas as luzes e aguardou que o toque do telefone lhe indicasse que ele a esperava no carro. Mensagem após mensagem, fê-lo seguir as suas instruções. Subir, abrir a porta, entrar na casa de banho, tirar a roupa, entrar na banheira... Escondida no quarto, esperou pelos sons na água para escolher o momento para aparecer. Despiu-se, pegou nos dois copos, abriu a porta e disse:
- Pst... Há aí lugar para mais alguém?