10 fevereiro 2011

desejo

hoje
fechei os olhos e desejei
desejei-te
desejei-me nos teus braços
no teu corpo
no calor da tua boca

E se uma filha tua quiser ser prostituta?

Lembras-te deste texto da Miss Joana Well sobre a prostituição?
"(...) De uma forma muito simples, esta é a correlação e a página onde se vão escrever os próximos meses: menos dinheiro nos bolsos diminui o número de clientes, menos dinheiro nos bolsos e há mais mulheres que decidem prostituir-se. (...) E isto não vai acontecer num qualquer mundo à parte, é cada vez mais o habitual a prostituta ser a vizinha do lado, a prima, a irmã, a namorada, a esposa."
Nos comentários gerou-se uma discussão muito interessante:
Laura: "(...) devo confessar-te que embora o facto de alguém poder e querer ter relações com diferentes companheiros sexuais não me choque já fazê-lo por dinheiro entristece-me!
Shark: "(A actividade dela não é redutora. A ideia até é precisamente a oposta...)"
Laura: "É sincero isso que diz?! Acha mesmo que a prostituição como actividade não é redutora?! Pois olhe, eu tenho 3 filhas e se uma delas me viesse um dia dizer «Mãe eu sou (ou quero ser) prostituta» eu não ia dar saltos de alegria nem ia incentivá-la de qualquer forma que fosse! Também não iria nunca virar-lhe as costas! NUNCA! Mas esse seria certamente um dos dias mais tristes de toda a minha vida, senão mesmo o mais triste! E olhe que já vivi alguns que não desejo a ninguém! E você, como reagiria?!
Shark: "Reagiria como me compete: sem julgar seja quem for, depois de me certificar tratar-se de uma opção consciente e não forçada. Há alternativas?"
Laura: "Alternativas a quê? À reacção ou à profissão? Na minha visão do mundo e do amor, filha minha sê-lo-á sempre, onde quer que esteja e o que quer que faça, por muito que isso me possa doer! Amar para mim é aceitar o outro como ele é! Por isso não teria outra alternativa senão a de respeitar a sua escolha! Aí estamos de acordo! Quanto à prostituição como profissão as alternativas existem, assim exista liberdade de escolha!
Concluí pois que é o facto de a considerar redutora enquanto actividade profissional que o leva a discordar (...) Mas o que eu quis dizer é que para mim uma mulher que olha para um homem qualquer (mesmo que até aí desconhecido) e se diz (dizendo-lhe depois) apeteces-me, quero-te e vai com ele para a cama. É uma mulher livre! Já uma mulher que olha para um homem (ou mulher, claro) que nada nela desperta (mesmo que não chegue a sentir repulsa) e se diz lá terá de ser (porque vai dar para a renda ou para aquele saco LV) dizendo-lhe depois, «vamos para a cama, é X e com devaneios Y», não é uma mulher livre! É uma mulher que não escuta o seu corpo, antes o amordaça, o ignora e o reduz a moeda de troca!"
shark: "(...) quando aqui reajo à expressão «redutora» falo no encolhimento das pilas. E por isso comentei em tom jocoso e pensei que alguém perceberia que se subentende que a actividade da Miss é mais «alargadora» nessa perspectiva."
Pois... mas a pergunta mantém-se: E se uma filha tua quiser ser prostituta?

Achados de baú: Nus

Mamã Obama



HenriCartoon

09 fevereiro 2011

Quem murcha são as rosas

Nunca percebi aquela mariquice de dizerem que tou murcho quando (nas raras ocasiões em que) permaneço em repouso. Murcho? Mas que conversa é essa? Sou alguma flor?
A malta não tem cuidado nenhum com a terminologia, isso é que é. E eu, falo que não fala, tenho que me aguentar à bronca com todo o tipo de expressões que me achincalham, não bastando já a superficialidade com que me avaliam pelo tamanho enquanto entram numa de que os homens não se medem aos palmos...
Acho que não há respeito nenhum pelas pilas e isso é revoltante porque dão uma no cravo e outra na ferradura, por um lado os gajos agarrados a nós fartam-se de louvar o "seu" desempenho (que afinal é o nosso, que eles só atrapalham) e olham para nós cheios de vaidade das "suas" proezas e por outro tratam-nos como um pedaço de carne pendurada sem utilidade alguma (o que até pode ser verdade noutros casos, tenho ouvido queixas aqui e além, mas não me diz respeito).

Eu sei que pareço uma pila refilona, sempre a protestar e assim. Mas ponham-se no meu lugar e digam lá se não tenho razão...

Reconhecer a Felicidade

Encontrando a minha felicidade na tua, não me apodero do teu Ser, antes ofereço-me à edificação do teu bem estar, ao complemento de ti e ao alcance da tua plenitude.
E se ser feliz poderia ser sonhar e realizar, explodir esse sentimento é despertar no outro toda a grandeza latente, por surgir e exultar nesse espaço as nossas emoções.
Isso é felicidade, isso é Amor, isso é perdermo-nos no outro e encontrarmo-nos em nós.
Um coração engrandecido e nobre não reconhece a felicidade através de si próprio, apenas porque falta-lhe a felicidade de todos os corações que o rodeiam. E assim, será alguém suficientemente feliz e capaz do reconhecimento dessa emoção?

Inspirar (viver) para expirar (escrever) e assim respiro (existo e sou)

Não acredito que a escrita nos queira dedicados por inteiro, depois nada tínhamos para escrever. Acredito, sim, que aos momentos a que nos chama, nos leva inteiros, pelos braços e pernas, pelo ar ou pelo chão; deixa-nos viver para nos cobrar a vida por letras; quer-nos dedicados à vida para ter o que nos cobrar. É como inspirar (viver) para expirar (escrever) e assim respiro (existo e sou). Falo pouco de mim, costumo perguntar-me mais, porque sei pouco de quem sou, de mim só sei como estou, às vezes nem bem sei onde, é um qualquer caminho que sobe, não sei a altura, não sei quanto falta, posso estar em qualquer medida de espaço e tempo. Sei que gostava que as palavras dessem a volta ao Mundo, uma espécie de abraço, mas não sei quantas linhas ainda terei que escrever para somar esses quilómetros todos, sei que as estou a escrever e que as estou a viver e que as que vivo me serão cobradas no papel, um amante exigente que todos os dias me entrega a outros braços para aprender novos beijos que lhe possa dar.

Afinal havia outro...



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08 fevereiro 2011

ConVite EscanCaradaMente Aberto a Todos!



Ler nas linhas, comboio nas mãos

Não está aqui. Ausente. A cabeça num ombro, o cheiro que há-de saber, o braço pelas costas; quando está no lugar certo é assim que se sente o braço e o corpo, como se estivesse arrumado na gaveta dele. Deve estar feliz e não está aqui. Logo volta, pode ser que conte tudo, pode ser que conte nada e ainda assim em incontáveis pontuações.
Não está aqui. Mas onde está? Talvez em segredo numa mão da história de dedos incertos por escrever, linhas nas palmas, dias na pele. Talvez não saiba onde está mas há-de saber, promete, há-de saber. Eu que nem sei de mim, prometo aqui voltar; sem precisar de descobrir, respiro e não me descubro respirar, é aqui que sei sempre onde estou.
Onde estás? O joelho perdido, o pulso abandonado gagueja e pode ser que até aprenda a cantar, ou não; tudo menos a mudez da indecisão, o comboio passa e até se podia saltar, cada pé fora do chão e pode ser assim, pode ser que seja mesmo assim, sem saber bem como é, mas há-de saber, diz que há-de saber.
Não está aqui. Ausente. Foi procurar um bocadinho de si um bocadinho.

Nada

Num momento falas-me
de amor,
noutro ignoras-me:
o amor não é ser ausente,
é manter o presente
como se não fugisse;
como se as palavras
pudessem continuar
a ser as de amor.

Mais de resto, ainda
existe - só - nada:
nada não é amor.

Poesia de Paula Raposo

«Ecstacy in Indian Temple Sculpture Khajuraho»


Nas suas viagens pelo mundo, a Daisy e o Alfredo Moreirinhas visitam locais que eu só conheço de ler e de ouvir falar (e alguns sítios, nem mesmo isso).
Ofereceram-me um livro com 20 postais de esculturas do templo de Khajuraho, na Índia.
Obrigada, Daisi e Alfredo! Fica tão bem na minha colecção...

Berlusconi - A vida é um bordel



HenriCartoon