23 fevereiro 2011

Todos os gigantes que conheci tinham mais frio do que eu

Se me resumo, toda eu sobro em mim, como se ficasse a flutuar-me, demasiado espaço vazio à volta.; se me tento por extenso, aumento-me e já não consigo caber-me de volta, ainda me rebento de tanto tentar. Disto tudo me chega o medo, se não me ando a viver do meu próprio tamanho ainda me descubro a ilusão de mim. Mas, se me penso, os dedos tropeçam-me; se não me penso, os dedos deixam-me para trás, ignoram-me, escrevem-me sem mim; os dedos só se atrevem a voar no instante em que o pensamento se distrai, quando o sentem de olhos fixos ficam mais lentos, mais pesados, arrastam a razão. Queria ir directa a mim, sem resumos ou extensões, directa ao coração do acto. Mas, quando vou, sinto-me como se não me iniciasse, como se me tivesse saltado os preliminares, sinto-me como se não me terminasse, como se tivesse falhado a chave do meu ponto final, como se me faltasse dividir o cigarro pós-coital. Escolho escrever-me pequena, - não um resumo, apenas pequena - tão pequena que toda a roupa do Mundo sobra em mim e fico ali a flutuar; depois de vestir qualquer casaco, hei-de dar por mim nua, toda eu a conseguir morar apenas numa manga, encasacada, tapada, quente, despida, nua. Prefiro assim, uma casca de noz e estarei a salvo de todos os diluvios; qualquer criatura pequenina que encontre, qualquer estranha formiguinha, poderá comigo conversar. Todos os gigantes que conheci tinham mais frio do que eu.

O Navegante de Equinócios

Sim, quem é ele que navega por equinócios? E nas ondas geradas pelo mergulho no teu peito? Ondas que sobem a temperatura em contraste com o Outono amarelo das folhas caídas e brisas frescas.
Quem é ele?
É o mensageiro da vida que conta em fábula o passado que ainda não chegou. A vida que já viveu e ainda não mostrou.
Quem é ele que em sintonia com o universo, cerca o teu acontecer e expia o que dele é pérfido?
Ele é aquele que constrói nos solstícios e navega com os equinócios. Aquele que vive e acompanha os epílogos quando a própria essência deixou de ser manifestada.

Kiss




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Heranças do velho continente



HenriCartoon

22 fevereiro 2011

Sujidade sexual

Tive uma colega na faculdade que teve uma educação tão rígida que era incapaz de ver a realidade. Não era mau ser virgem depois dos vinte, o que estava errado era achar que o sexo era algo de sujo!
Um dia, disse-lhe que a maioria das pessoas se masturbava mas que não admitia. Ela disse que nem pensar! Disse-lhe ainda que o irmão de certeza se masturbava (também já tinha mais de vinte) e ela respondeu-me, escandalizada, que nem pensar o irmão nunca faria isso! Perguntei-lhe que mal é que tinha o irmão masturbar-se e ela ficou muito perturbada, inclusive zangou-se comigo e a partir desse dia manteve-me sempre à distância.
Nunca mais soube dela, mas sempre que se fala em sexualidade, lembro-me dela. Espero sinceramente que a sua primeira experiência tenha sido boa e que tenha ultrapassado essa «sujidade» sexual...

Tranças

Quero ter tranças
e laços de cor rosa;
usar saia
e meias pelo joelho;
rir-me e brincar
no recreio da minha escola.
Não quero crescer,
quero ser eu.

Poesia de Paula Raposo

Equilibristas

Dei a mão ao Menino-Homem e avancei. Lisboa deve ser a cidade de todos os equilibristas, um pé aqui e um pé ali e vamos apenas avançando um pouco, sem tentar caminhar, sem conseguir dançar; ninguém aprendeu. Dizem que as calçadas são assim, as nossas, de pedras que lá caem embriagadas e já não existem bailarinas que nos ensinem a constante graça e beleza de andar em pontas, desafiando qualquer chão. Gosto de agarrar bem a mão, apertar o calor entre elas ou então agarrar um só dedo com força, fica escondido, inteiro, dentro da minha mão pequena, por vezes é preciso agarrar menos para conseguir agarrar mais. Dei a mão e a rua estava escura, os candeeiros tinham silêncio em vez de luz, o vento soprou-me a ausência do mundo e desenhava um desamparo assustador nas folhas das árvores que fazia cair, o vento tem dedos e puxa coisas, muitas coisas. Dei a mão ao Menino-Homem e avancei; pode-se oferecer a pele, um mapa e o caminho; secretamente chamei ali a minha solidão, é assim que se oferece o que só a ausência de tudo nos vê, só ela, verdadeiramente, nos conhece; ser apenas é ser só.

Óculos com pernas de meias de rede e salto alto


21 fevereiro 2011

Imporrta-se de repetirre?

Sempre que lhe perguntavam se estava melhorzinho do seu problema com a ejaculação precoce o imigrante alemão tentava sempre minimizar a coisa alegando que o prroblema não erra constante mas apenas esporrádico...

Design


Daqui

Quando o olho de trás vê

Foi notícia ontem na televisão.
Jessie e Reanin, duas modelos neozelandesas, puseram câmaras de filmar escondidas nos rabiosques das suas calças.
Assim, conseguiram filmar os olhares de quem passava. E no YouTube já têm quase 5 milhões de visualizações.

O Altruísmo do Mocho e da Formiga

São seres atarefados que correm de um lado para o outro.
Meio mochos, meio formigas.
São sábios e trabalhadores que se deslocam em busca - quase fuga não sabem do quê - de um próximo mundo que pretendem salvar.
Cumprimentam-se de forma estranha, olham-se com a ternura de quem se conhece há muitas vidas e ajudam-se com a vontade de quem quer mudar o mundo.
São mochos nas decisões e no intelecto.
São formigas no trabalho que se predispõem a fazer.
Eles correm de um lado para o outro para fugir da areia movediça que lá fora querem cimentar.
Correm atarefados de um lado para o outro, raramente sem direcção, raramente sem apoio, raramente lembrando a sua própria existência.

Ils déconnent - Évelyne Louvre-Blondeau



le blog d'Évelyne Louvre-Blondeau