05 março 2013

Desenhos do Janus

Às vezes, as obras mais bonitas não precisam de cor. 

"Angel Dreams"


"Entwine"
Vejam mais no blog do Janus aqui.

Eva portuguesa - «Dinheiro»

Palavra maldita que nos move, nos faz parar e desesperar...
Um mal necessário quando é pouco, um bem excepcional quando existe em abundância.
Por ele rimos, choramos, lutamos, trabalhamos, fazemos escolhas de vida, enganamos, traímos e até fingimos amar...
Sei que nao é bonito dizer isto, mas é a realidade.
O dinheiro molda- nos, transforma-nos, escraviza-nos. Determina o tipo de vida que podemos ter. Decide aquilo que podemos fazer. Em último caso torna- nos a todos prostitutas...
Mas eu já o sou mesmo... por isso não preciso fingir. Faço o que faco por dinheiro. E no tipo de relações que estabeleço com os meus clientes, melhores ou não tão boas;, no final o que interessa é mesmo o dinheiro que me dão. Se conseguir, paralelamente a isso, uma relação mais íntima com algum, é um bónus! Pois, mesmo com um cliente que me faça sentir bem, se não houver dinheiro, não há encontro.
Mas também tento retribuir o que me é dado da melhor forma que posso: tento ser uma boa amante, uma excelente companhia e oferecer um serviço único que prima pela qualidade.
A minha vida, quando não estou com o meu filho, é quase exclusivamente trabalho. Raros são os dias que tiro, mesmo para mim, sem ser mãe ou a Eva.
Trabalho (ou tento), sempre que posso, 13 h por dia, 7 dias por semana.
E mereço ser recompensada por isso.
Diz o ditado: "Quem madruga, Deus ajuda". Ora, depois de uma semana menos boa, deixo o meu filho entregue aos cuidados de alguém de muita confiança e dedico esta semana inteira, bem como o fim de semana, a trabalhar, trabalhar, trabalhar, tentando compensar o que não consegui realizar na semana anterior.
Espero ter retorno neste acto de boa vontade, disponibilidade e esperança. Mais uma vez, por causa do dinheiro...
Assim, estarei desde hoje, 12/11, atá domingo, dia 18/11, a trabalhar diariamente das 11h à 1h da manhã.
E, para que as possibilidades de concretização sejam maiores e melhores, terei comigo uma colega do Porto, também ela linda, quente e sensual, para fazermos dupla com ou sem show lésbico. Um duo que certamente vos irá fascinar. Eu, loura de olhos verdes, ela morena de olhos azuis, ambas com curvas deliciosas e perigosas, ambas desejosas de agradar...
De mim, já sabem, podem ver as fotos no site Momentos de Prazer, onde estou como Mariana Portuguesa.
Ela anuncia no site Apartado X e é a Margarida.
E, no meio desta vontade e necessidade de ganhar dinheiro, existe também outra subjacente que é a de agradar e ser agradada, de dar e se possível ter prazer...
Porque o dinheiro é o " mal" que nos move, mas não é tudo....


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«dormiria sob a luz dos teus olhos» - Susana Duarte

dormiria sob a luz dos teus olhos,

em ti, anoitecendo

e, em ti, caminhando
por sobre diagramas de linhas cruzadas

anoitecidas
desencontradas
e, talvez,

apenas...
linhas de vidas cruzadas, amibívios

de escolhas e soturnas melodias

anoiteceria em ti, onde as luzes
calam as sombras

e a vida

se refaz, rarefeita que era,
sublime sombra de ténues olhares,

onde anoiteci

em teus olhos, adormeço e sinto
as formas das tuas mãos

que se desenham
e me desenham

e nos projetam lá, onde os olhos sobrevoam
as águas
das nossas línguas

e o suor das nossas mãos

adormeci em ti, e em ti
soube da noite clara e eterna,

ao som das gotas e da chuva que, de teus braços,
desce

iluminando os poros
e dizendo-me quem sou.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Homem com pila...levadiça

Estatueta de África em madeira, com 44,5 cm de altura.
Representa um homem em cima de umas grandes pernas. O seu pénis é articulado. Sobe e desce... cumprimentando quem visita a minha colecção.


04 março 2013

Luís Gaspar lê «Era bom…» de Carlos Drummond de Andrade

"Era bom alisar seu traseiro marmóreo
e nele soletrar meu destino completo:
paixão, volúpia, dor, vida e morte beijando-se
em alvos esponsais numa curva infinita.

Era amargo sentir em seu frio traseiro
a cor do outro final, a esférica renúncia
a toda aspiração de amá-la de outra forma.
Só a bunda existia, o resto era miragem."

Carlos Drummond de Andrade

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

«coisas que fascinam (154)» - bagaço amarelo

a mulher de avental vermelho

Este não é um mundo de Amor.
Hoje sentei-me, logo de manhã, numa mesa do café onde habitualmente ingiro a minha única dose diária de cafeína. A empregada, sempre com aquele avental vermelho que lhe desenha as formas, veio trazer-ma a sorrir. É simpática e bonita, e foi com ela que me apercebi que já não vejo ninguém a sorrir há algum tempo. Foi um estalo na forma como eu próprio me tenho olhado ao espelho todas as manhãs quando lavo a cara. Sem sorrir. Sei que são sempre mulheres a dar-me estaladas destas.
À minha frente, à distância de uma mesa vazia, uma outra mulher mais velha aninhara a sua cabeça na palma da mão. A sua quietude assemelhava-se em tudo a uma estátua que olhava para o horizonte, e eu acompanhei instintivamente o percurso desse olhar. Ia dar a uma máquina de tabaco com um autocolante a avisar que fumar mata prematuramente. A vida também, pensei.
O avental vermelho, com dois seios comprimidos e um doce cheiro a perfume de mulher bonita, debruçou-se sobre a minha mesa para a limpar. Vi uma mão fina passar um pano húmido sobre a superfície negra e depois a chávena de café pousar delicadamente como se fosse uma nave extraterrestre. Por um dia que seja, às vezes apetece-me Amar uma mulher eternamente.

- Oh dona Laura! Que olhar tão triste é esse? Vá para casa ter com o seu homem, que está à sua espera... - disse enquanto se virava para a mulher-estátua, ficando de costas para mim.
- O meu marido?! - respondeu - Este mundo não é um mundo de Amor...

Um rabo pode ser uma escultura perfeita. E eu sorri. Tem piada, há muitos dias que não me vejo a sorrir ao espelho, mas hoje sorri-me a um rabo, de mãos nas ancas como quem manda no mundo. Peguei na chávena de café e abracei-a com uma das mãos, para as aquecer.

- Pois não! - Tornou a dizer o avental - Não é um mundo de Amor. Por isso é que nos temos que apaixonar, para fazer o nosso próprio mundo.

E eu, por dois minutos, apaixonei-me para sempre.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Quem disse que não existe mais homofobia?


No passado dia 12 de Janeiro, duas mulheres sofreram um grande constrangimento no restaurante Victor, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro. As duas foram expulsas por um homem que segurou no ombro de uma delas e mandou que elas saíssem, dizendo que aqui não era permitido. Não se sabe ainda se o homem é cliente ou funcionário do estabelecimento.

Confira a notícia no Jornal O Globo.

Há quem diga que homofobia é coisa do passado, que hoje em dia não há mais nada disso. Engana-se completamente quem pensa assim. Casos assim acontecem com bastante frequência. Há ainda casos mais graves, em que o uso da violência contra homossexuais é praticado sem a menor pena.

O GGB (Grupo Gay da Bahia) divulgou um relatório com os dados de crimes de assassinato contra gays. O relatório, intitulado Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais, registrou 338 assassinatos no Brasil no ano de 2012. Segundo a organização, em 2011 o número de crimes foi menor, resultando em 266 mortes. Percebe-se um aumento considerável de um ano a outro. Com estes índices o Brasil está ocupando a primeira colocação no ranking mundial de assassinatos homofóbicos e transfóbicos. Maiores detalhes sobre o relatório poderão ser obtidos no site do GGB.

Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/

Segundas intenções

Um vinho, uma conversa afiada e uma mão boba.



E claro, muita cara de pau.

Capinaremos.com

03 março 2013

Economia de ponta

A Angelina Jolie estimula-me o crescimento

Umbigo de quebrar proibições



O Rossio era o centro de Lisboa e os nossos catorze anos o umbigo de quebrar proibições. Éramos oito, tudo aos pares como convinha para uma correcta iniciação no mundo do adultos, dispostos a avançar pelos Restauradores para entrar de peito feito no Condes aproveitando a classificação abaixo dos dezoito daquele filme que entrava na categoria dos que os nossos pais tinham corrido a ver após o 25 de Abril.

Previamente acordámos uma distribuição dos lugares na fila, um macho e uma fêmea alternadamente, calhando-me do lado esquerdo o meu louro e ainda a sala não tinha escurecido completamente já a sua mão me desabotoava o botão da camisa para estender os seus dedos sobre as minhas mamas e catapultá-las para fora dos elásticos do soutien a fim de lhe encher a palma com cócegas de mamilo a espevitar-se. E aproveitando o tempo dos anúncios que enchiam ainda o grande ecrã virámos as caras um para o outro para um encontrão de bocas húmidas e línguas feitas esfregonas do céu da boca e zonas adjacentes.

Nos primeiros minutos colámos os olhos à película ansiosos pela descoberta das imagens animadas que as revistas não proporcionavam mantendo as mãos numa rotina automática de elevador no sexo do outro e vimos gajas, gajas e mamas, gajas emplumadas e em reduzidos trajes brilhantes, mamas às bolinhas ou aos losangos pelo efeito das luzes, gajas rodopiando em varões aos quais encostavam as mamas e gajos completamente vestidos nos bastidores a controlar os apetrechos técnicos do espectáculo. E cientes que o Crazy Horse de Paris não era o almejado corpo a corpo contentámos-nos com os nossos em beijos e amassos protegidos pelo escurinho do cinema.


Prostituição - A minha história (III)

Verão de 1997... (...) Estava um fim de tarde quente, fui para casa e jantei desligada do Mundo, acho que só acordei passadas horas, sentada na mesa de um bar, quando me apanhei a olhar os homens de forma diferente, a cabeça a tentar imaginar como seria deitar-me com cada um que passava... Antes desta visita tinha algumas ideias criadas pelo meu imaginário cor-de-rosa de quem seriam as tais acompanhantes/prostitutas de luxo e nada tinham a ver com as normais rapariguinhas fechadas na sala de um escritório, entre desfiles; imaginava-as mulheres impecavelmente arranjadas, com um porte intimidante, conhecidíssimas e respeitadas nos locais mais distintos que quisessem frequentar, imaginavas-as deslumbrantes e capazes de dobrar um homem, à sua passagem, apenas com um olhar. O que eu vi foram raparigas jovens, bonitas, sim, mas com um aspecto absolutamente normal. Durante três dias a minha cabeça moeu o "e se...", durante três dias a minha cabeça imaginou o "e se...", nesses três dias o "e se..." juntou-se a contas de Matemática: x clientes num dia dá um valor y, valor y em sete dias soma um valor z, z valor em quatro semanas perfaz w. W era um valor impensável, durante três dias o "e se" foi-se tornando menos distante. Pensava nas raparigas, tão iguais a mim, com um ar tão normal no que estavam a fazer, e se elas o conseguiam, raparigas assim como eu, se calhar também eu o conseguiria... Na Segunda-Feira, às 11h da manhã, estava a tocar à campainha duas vezes, como me tinham explicado na entrevista. Este "e se..." que não consegui deixar de moer na minha cabeça foi o prólogo do livro da história da minha vida, as contas de Matemática foram a assinatura do contracto. Com o conforto de, a qualquer momento, ser possível mudar de ideias, abriram-me a porta e entrei...

Um empurrãozinho na bunda


O Metrô Rio te dá um empurrãozinho, na bunda, para fazer a sua viagem tranquilamente. Topa?



E aí, é obsceno pra você?

Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/