08 março 2013

Barraco online


Durante o exibicionismo sensual online que fazia no site Fapducams, uma mulher interrompe o seu show e começa a discutir com a filha. Todo o barraco foi registrado por Max Landis, usuário que assistia ao espetáculo ao vivo. Enquanto assistia à discussão, Max gravava com sua câmera e postava comentários na rede social Reddit.

Confira o vídeo:



Obscenatório

Dia da Mulher



HenriCartoon

Menina do Sol



Traças-me o corpo com essa invisível capa de cetim,
abraçando-me num sopro fresco de inverno pálido
que descreve telhados de neve e ramos despidos.
Mas o teu hálito escalda-me o ventre em labaredas,
libertando esse vapor quente e macio que derrete 
as pequenas estalactites que nascem em cada braço de ferro:
o portão do parque ou o arco sobre o caminho prateado,
noutra época verde de folhas de plátanos imponentes
que abrigavam rolas e esquilos, rebentos de morango e alecrim.

Procuro as horas, os dias e os meses, ininterruptamente
como se os devorasse à velocidade dos meus passos nus,
que correm sobre o asfalto de gelo escorregadio...
Mas o minuto demora-se nas quedas que me golpeiam os joelhos e as mãos...
O rosto aninha-se-me nos braços cruzados ao peito quase dormente,
enquanto imagino o regresso dos campos verdejantes 
com os roseirais e as laranjeiras selvagens
saciando-se junto da nascente de água morna e cristalina
que despertara da estação mais fria do ano.

Te amo



Dançando sem César

07 março 2013

O balouço de Fragonard

Les hasards heureux de l'escarpolette, 1767, de Jean-Honoré Fragonard

Como balouça pelos ares no espaço
entre arvoredo que tremula e saias
que lânguidas esvoaçam indiscretas!
Que pernas se entrevêem, e que mais
não se vê o que indiscreto se reclina
no gozo de escondido se mostrar!
Que olhar e que sapato pelos ares,
na luz difusa como névoa ardente
do palpitar de entranhas na folhagem!
Como um jardim se emprenha de volúpia,
torcendo-se nos ramos e nos gestos,
nos dedos que se afilam, e nas sombras!
Que roupas se demoram e constrangem
o sexo e os seios que avolumam presos,
e adivinhados na malícia tensa!
Que estátuas e que muros se balouçam
nessa vertigem de que as cordas são
tão córnea a graça de um feliz marido!
Como balouça, como adeja, como
é galanteio o gesto com que, obsceno,
o amante se deleita olhando apenas!
Como ele a despe  e como ela resiste
no olhar que pousa enviesado e arguto
sabendo quantas rendas a rasgar!
Como do mundo nada importa mais!


Jorge de Sena, Metamorfoses, Lisboa, Moraes Editores, 1963

blog A Pérola

«Trabalhar por cona própria» - Patife

Há já algum tempo que não ia a uma festa organizada pelo meu amigo Xerife. Se há coisa que o gajo sabe é organizar festas, que é como quem diz, encher o antro com esgrouviadas da senisga que, todas misturadas, prometem originar um cocktail de javardice a todos os títulos de louvar. Engalanei-me e lá fui a destilar tesão para a festa repleta de pachacha dondoca. Contudo, ou fiquei demasiado exigente, ou o Xerife ficou com os bifes do lombo só para ele e partilhou apenas as peças de qualidade inferior. Aquilo estava apinhado de mulheres desenxabidas. Assim que entrei senti umas largas dezenas de pares de olhos a comerem-me. Não as condeno. Estavam todas a trabalhar por cona própria. Mas eu não me queria apropriar de nenhuma daquelas pachachas. Encosto-me na varanda a beber à bruta quando, nas minhas costas, ouço uma dondoca dizer que estava com cieiro. E foi aqui que se fez luz. Enchi-me de alento, pois sempre acreditei que o cieiro é a doença do cio e tinha agora uma oportunidade de ouro para testar a minha teoria. Virei-me e é aí que a vejo toda altiva e de sublime beleza. Estava pronto para começar a arte do engate mas nem precisei de usar a minha lábia. Apenas usei a lábia dela. Aliás, levei-a mais depressa para o quarto de hóspedes do que o tempo que demora a soletrar a palavra lábia. Confirmou-se assim o cieiro como a doença do cio. Aquilo foi uma genuína parada de orgasmos. Deitei-me satisfeito pela confirmação da teoria e a congratular-me por ter encontrado uma mulher assim no meio de toda a feiura presente. Não só encontrei uma autêntica agulha num palheiro como ainda consegui enfiar-lhe o Pacheco no buraco.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Estórias de um passado-presente (III)


A decisão estava tomada. Passei sei lá quantas horas de volta de blogs, entrevistas, sites, classificados... Como sempre na minha vida, achei que estava a munir-me de informação que me permitia racionalizar o que se passaria doravante. Boy, I was wrong!!!!

Depois de andar durante dias a ler os anúncios que pediam "acompanhantes", "colaboradoras", "massagistas", no Correio da Manhã, reuni dois ou três que me pareciam adequados. O que acabou por ser o escolhido rezava qualquer coisa como: "Acompanhante, iniciante, casa antiga com clientes estrangeiros". "Estrangeiros restringe o risco de encontrar alguém conhecido. E eu falo inglês fluentemente, não deve haver problema". Liguei. A voz do outro lado tinha um sotaque açucarado de terras de Vera Cruz... Fez-me meia dúzia de perguntas que não recordo. Debitou-me uma morada e um número de telefone e disse-me que aparecesse a meio da tarde, porque segundo ela seria a melhor hora para conversar com calma. Engoli em seco não sei quantas vezes enquanto me vestia e maquilhava para sair. Devo ter mudado de roupa umas dez ou doze vezes, porque não conseguia estabelecer qual seria o figurino mais adequado à "entrevista". Meti-me nos transportes e fui... com o estômago embrulhado com que fico sempre que me sinto ansiosa... Pelo caminho, de phones nos ouvidos, tentava perceber se os alguéns que me olhavam percebiam o ponto de interrogação que tinha dentro da cabeça... até hoje não sei a resposta.

Mimi
blog «Sometimes It Happens...»

«Naruto hentai» - por Luis Quiles


"Naruto Uzumaki contra el Sharingan de los Uchiha.
Es un dibujo estúpido e inofensivo, aún así también me lo han eliminado de DeviantART. Putos conservadores de mierda con doble moral."


Luis Quiles

06 março 2013

A Mara

Senti no ar o aroma inconfundível de um "Rare Rosam", de "Histoires de Parfums". Só alguém muito peculiar faria tal escolha. Pele morena, ar latino, cabelos longos e negros e olhos a condizer. Falava animadamente num grupo, no lobby do hotel onde decorria o congresso. O encantador sotaque, soube-o depois, correspondia à sua proveniência de Santiago do Chile.

Depois de ter aceite o meu convite para falarmos sobre perfumes e sobre a poesia de Neruda, percebi que eu e Mara tínhamos gostos comuns em muitas outras áreas. Partilhávamos uma paixão pelos mesmos costureiros, pelas mesmas músicas, pelas mesmas viagens.

E partilhámos a paixão pela pele dela, quando finalmente continuamos a conversa no quarto. Suave como uma pétala de rosa e cheirando como uma ("Rare Rosam" parecia feito a pensar nela). O cuidado com que tinha tratado daquela pele nos seus vinte e oito anos, era evidente na pureza sem manchas das curvas perfeitas que tinha à minha frente, nua, no lençol.

Quando a massagei entre as coxas, sentia-a a arrepiar-se. Quando os meus dedos subiram um pouco mais, abriu-se para mim, aguardando que a humidade da minha língua se misturasse com a que fluía de dentro de si.

Mara gozou em vagas sucessivas, ainda antes de eu aplicar nela o meu Lelo Soraya. Nessa altura pela primeira vez, a ouvi gritar, abandonando a inibição de quem passa as primeiras horas com alguém que havia conhecido poucas tempo antes entre duas flutes de Veuve Cliquot.

Entregue depois às suas mãos e à sua boca, percebi que o seu conhecimento dos pontos eróticos do corpo feminino era enciclopédico. Não me ouvi a mim própria gritar, mas ela depois afiançou-me que sim, que tinha tido que colocar um dedo nos meus lábios para evitar criar alarme no hotel.

Tomámos um longo banho, falámos sobre poetas chilenos e europeus e saímos as duas, com uma proximidade cúmplice. Ela, cheirando como uma rosa rara. Eu, flutuando presa ao seu aroma.

E quando sentadas a olhar para a lua nocturna, ela me recitou o Bella de Neruda:

Bella, mi bella,
tu voz, tu piel, tus uñas
bella, mi bella,
tu ser, tu luz, tu sombra,
bella,
todo eso es mío, bella,
todo eso es mío, mía, 
cuando andas o reposas,
cuando cantas o duermes,
cuando sufres o sueñas,
siempre,
cuando estás cerca o lejos,
siempre,
era mía, mi bella,
siempre. 

não consegui evitar, e chorei, chorei longamente.


Bela
Blog «As Noites Belas»

«pensamentos catatónicos (284)» - bagaço amarelo

por trás dum pequeno homem

Dizem que por trás dum grande homem há sempre uma grande mulher. Não sei até que ponto isto é verdade, mas também admito que desconfio que a minha definição de grande homem não corresponde à do senso comum. O que eu sei é que, de facto, me farto de ver mulheres escondidas pela pequenez dos homens.
Hoje de manhã tinha um encontro marcado com uma ex-colega de escola. Uma mulher que eu não vejo há mais de vinte anos e de quem, por vários motivos, tenho saudades. Encontrámo-nos aqui, na internet, através duma rede social, assim como quem se cruza na rua e diz "Ah! Já não te via há tanto tempo!". Marcámos um café para hoje e ela não apareceu porque, ao contrário do que estava previsto, o marido dela estava em casa e ele, segundo o que me disse numa rápida conversa telefónica, não gosta que ela saia sozinha para ir ter com um homem.
Não disse nada. Saí na mesma, comprei o jornal e fui tomar um café sozinho a outro sítio qualquer em Matosinhos. Uma rapariga com uns doze ou treze anos estacionou a bicicleta no passeio. Longos cabelos ao vento e um sorriso enorme estampado na cara. Veio ter comigo assim que dobrei o jornal e o coloquei sobre a mesa.

- Olá! O meu pai pediu-me para lhe comprar o jornal. Se me venderes esse por cinquenta cêntimos, eu fico com o resto para mim. Pode ser?

Dei-lhe o jornal para a mão. Claro que não lhe cobrei os cinquenta cêntimos. Ela já me tinha pago com aquela demonstração de que nem tudo está perdido. Espero que daqui a uns anos não esteja a telefonar a um amigo para lhe explicar que não pode sair de casa por causa do marido.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Facebook se desculpa por deletar foto de apoio ao casamento gay


Matéria reproduzida de Diário de Pernambuco


Imagem publicada em página com 295 mil seguidoras recebeu comentários homofóbicos e ameaças de denúncia. Crédito: @gaymarriageusa / Reprodução

Segundo matéria do portal The Guardian, um porta-voz do Facebook pediu desculpas, nesta quarta-feira, pela remoção indevida de uma foto de campanha em favor da legalização do casamento gay. A maior rede social do mundo também se retratou por bloquear o acesso do criador da página Gay Marriage USA, que tem 295 mil curtir.
Murray Lipp recebeu uma notificação de que a imagem de um casal de homens se casando (acima) fora considerada “ofensiva”. A imagem do bispo de uma pequena igreja pentecostal casando com o seu marido nesta quarta-feira levou a uma série de comentários. A imagem foi removida, e junto com ela os posts contra a campanha de legalização do casamento gay. A mensagem enviada a Lipp alertava-o que ficaria sete dias sem poder postar no Facebook, por causa da infração “das políticas e dos padrões da comunidade”.
“Alguém por favor me explique como pode ser aceitável (o casamento) quando um homem e outro homem/uma mulher e outra mulher não podem conceber um filho? É nosso propósito na vida conceber filhos”, dizia um dos comentários da foto, antes de ela ser deletada. “Tenho nojo do estilo de vida deles. É nojento e completamente vil”, lia outro.
Procurado pelo jornal britânico, o Facebook manifestou-se sobre a remoção da imagem e o bloqueio do acesso de Lipp como um engano: “O conteúdo da foto em questão não violava nossos termos, mas foi removida por um erro”.
Lipp diz que vem sofrendo sanções do Facebook há algum tempo, por causa das fotos e dos conteúdos que publica. Na imagem deletada, assim como em outras postagens, comentários homofóbicos ameaçam denunciar os conteúdos da Gay Marriage USA para que o Facebook os remova.
“Nem uma única vez o Facebook me contatou para que eu pudesse responder, (a rede social) simplesmente me bloqueia toda vez, e a cada um o tempo é mais longo. É totalmente injusto que eu tenha que ser punido pela homofobia de outra pessoa”, reclama o criador da página de apoio ao casamento gay nos Estados Unidos.
Segundo o porta-voz da maior rede social do mundo, o procedimento correto seria eliminar os comentários homofóbicos, em vez da foto. “Normalmente esses comentários são revisados separadamente e removidos quando necessário. Neste caso, a fotografia em si foi removida por engano, apesar de não haver nada na imagem que infrinja nossas regras. Pedimos desculpas pelo erro”, declarou.

Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/

Carta de um marido revoltado



Testosterona

Sombras

Foto: Mona Kuhn
 
 
Não precisas de tocar. Podes apenas sentir desejo de o fazer. Deixar que as mãos desenhem no ar as formas do corpo ou do rosto. Recolher de cada traço o molde para que baste apenas fechar os olhos e sentir tudo o que more no desejo. Fazer com as mãos como fazemos com os olhos. Entrar na alma um do outro sem que a pele se toque. Gosto que formes sombras no meu corpo e no meu rosto. Que me beijes sem me tocar. Que guardes todas as formas e cheiros nas pontas dos teus dedos. Assim, quando a luz muda e o tempo estagna redesenhamos os momentos criados na memória das mãos mais maravilhosas que me tocaram o rosto.