26 janeiro 2014

Acelerar no novo ano


Como a maioria de nós ele tinha uma licença de porte de arma passada pela Direcção Geral de Viação e insistiu em ser o motorista de ambos os casais para a festa de final de ano. Cabia-me o lugar do morto e entre travagens e acelerações apimentadas com curvas apertadinhas invejei os Tena Lady da minha avó que não colocariam o meu fino vestido acetinado em risco. Valia-nos a chauffage para ter algum conforto que se encontro o estilista que lançou a moda de as senhoras se vestirem como papel de bombons para o réveillon embrulho-o em papel celofane e coloco-o no ponto mais alto da Serra da Estrela.

E como se não bastasse o frio do caraças que rapámos à saída do veículo encontrámos uma sala cheia de rostos frios para aprendermos a não chegar antes do aquecimento dos corpos por diversas produções vinícolas e algumas contorções dos músculos embaladas na música para activar a circulação sanguínea.

Está bom de ver que depois das doze badaladas e doze passas e todos aqueles rituais de subir a cadeiras e dar gritinhos e fazer das esguias taças de champanhe carrinhos de choque e chupar beijos como se de um fôlego se absorvesse o ano inteiro e doravante pudéssemos controlar as nossas vidinhas por todos os poros, ele era mais uma passa mirradita encharcada em vapores etílicos e pronta a ressonar em vale de lençóis. Mesmo sem dotes de cartomancia ou astrologia para me socorrer consegui prever que neste novo ano as suas artes de condução na estrada se equivaliam na cama.

Splash!



Via Bernard Perroud

25 janeiro 2014

Mais uma crise dos mísseis cubanos

«Fala-me com o corpo» - João

"Fala-me com o corpo, porque o corpo não mente. A linguagem é fodida. Os verbos são fodidos. Até as imagens são fodidas. Prestam-se a más interpretações. Mas o corpo não mente. Enrola-te em mim, beija a minha pele, agarra as minhas mãos. Não ligues a palavras incompletas, não tentes encontrar sentido nas frases baralhadas de quem pensa mais depressa do que fala, de quem ensaia um discurso que sai torto. Não leias fotografias cujas cores não têm legenda, nem vídeos de aparente normalidade. Tudo isto são fontes de engano, e o que conta é o que se sente, e o que o corpo conta, no escuro da noite ou na sombra ao abrigo do Sol.

Fala-me com o corpo, cola-o a mim, arrepia-te, arrepia-me. Segura-me com força, aperta-me até partir, gasta-me como gelo que derrete, aquece-me a carne. Desliza em mim, faz-me deslizar em ti. Encaixar, arranhar, doer. As palavras são sempre curtas. As palavras são sempre poucas. Talvez por isso não gostes de perguntas. Não só por isso. Mas talvez também por isso. Talvez também por isso eu também não as aprecie. Embora existam. Muitas. Há sempre perguntas, há sempre coisas que queremos saber, entender, conhecer. Nem sempre uma pergunta que se cala é um interesse que não existe. Por vezes é apenas isso, uma pergunta que se cala, por um qualquer bem que julgamos maior, naquele momento. Nem sempre uma ausência é uma ausência. Às vezes é só a aparência de uma ausência."

João
Geografia das Curvas

Postalinhos do Musée de l'érotisme (Museu do Erotismo) de Paris





"O Museu do Erotismo é bem interessante. Conheces?
Envio-te estas fotografias para te ajudar a organizar o teu Museu.
Beijinho da
Daisy"










Um sábado qualquer... - «Perfeição»



Um sábado qualquer...

24 janeiro 2014

Justin Timberlake - «Tunnel Vision» (versão explícita)

a funda são mora na filosofia [III]




Circulou há dias um vídeo, um TED, com uma speaker de seu nome Lizzie Velasquez, considerada por muitos como "a mulher mais feia do mundo" (a maioria das entradas do google com o seu nome referem este facto; mas a Lizzie está tão a borrifar-se para isto…). Nesse vídeo podemos ouvir a sua história de vida: portadora de uma doença rara que não lhe permite ganhar peso (INVEJA!), lutou desde o primeiro dia de vida contra os preconceitos - até dos médicos que a ajudaram a nascer - e por uma vida digna. Para além da doença rara, teve a sorte de ter uns pais ainda mais raros que nunca baixaram os braços  e a amaram incondicionalmente.

Num outro registo de vídeo, também num TED, Maysoon Zayid, outra mulher rara, com uma paralisia fruto de um parto mal assistido, conta-nos como foi a sua vida, também ela de luta contra o preconceito dos médicos que, à partida, lhe eliminavam do horizonte de vida a possibilidade de andar, de ir à escola… de fazer tudo aquilo que nós gostamos de fazer.

Duas mulheres, raras.

Digam a verdade: estas mulheres dificilmente seriam tidas pelos nossos leitores como objectos de desejo, como mulheres atraentes - mas se e só se elas ficarem imóveis e coladas ao chão, sem abrir a boca. Se a sua imagem, por si, não causa arrebatamento… esperem até as ouvir falar. Esperem até à sua energia ser traduzida por palavras, carregadas de emoções, de estórias vividas na primeira pessoa, que nos fazem rir, que nos fazem chorar. E sentir uma beleza que, diria Saint Exupéry, é essencial e invisível aos olhos.

Numa era em que a imagem é (quase) tudo para todos (confessem… quantos filtros tem a vossa fotografia de perfil do facebook? thank god for instagram!) há que tirar o chapéu a mulheres como Lizzie e Maysoon que se assumem tal como são, ultrapassando preconceitos e arregaçando as mangas para xurdir (entenda-se, fazer pela vida). A sua vida é, diria Leibniz, a melhor das vidas possível.

Quanto a nós, resta-nos desejar ter, um dia, metade da coragem (sim, estas miúdas têm os ditos cujos no sítio, oh se têm), para enfrentar o mundo.

They are the beauty… e quem disser o contrário, esses são the beasts!

Eva portuguesa - «O ponto G»

Tenho saudades tuas.
Isto dito assim parece a declaração culposa de um enamorado. Mas não é.
Não neste caso. Não da forma tradicional.
Tenho saudades das tuas visitas, da forma descarada como pretendes ensinar-me a ter prazer com um cliente.
Da forma atrevida e quase grosseira como me lembras que sou a Eva mas sem com isso me ofenderes ou rebaixares.
Queres que eu me aceite como Eva e que consiga realizar-me como mulher vestindo esta personagem.
Queres ensinar-me a aceitar-me e a desfrutar de todo o gozo que a Eva me pode dar.
E a verdade é que, se não desaparecesses de vez em quando, conseguirias!
Mostraste-me algo em que eu não acreditava: a existência do ponto G.
Tentaste lá chegar tantas vezes e eu nunca me libertava o suficiente. Até que um dia o fiz. E tive o maior e mais sentido orgasmo que alguma vez tivera. E vi o que era a ejaculação feminina. E descobri o meu ponto G. Graças a ti.
Eu, Eva. Porque eu, pessoa, nunca o consegui. Porque na minha vida íntima pessoal não consigo (e isto pode parecer um paradoxo) libertar-me totalmente. Eu... não consigo ser a puta na cama que todos os homens gostam. Quando é para ser puta, só o consigo através da Eva. Assim, não sei onde é o meu ponto G.... apenas o da Eva...
E isto faz toda a diferença, pois o sexo não está entre as pernas mas sim na mente.
E tu apenas te queres mostrar à Eva. Apenas a queres ensinar a ela. Sem pudores, nem críticas mas de uma forma realmente honesta, simples e cruel. Cruel devido à sua simplicidade.
Mas sim, graças a ti a Eva gozou como a... nunca o fez.
Graças a ti, quer uma quer outra acreditam agora num ponto da anatomia feminina que julgavam ser um mito. E se apenas uma o experimentou, a outra anseia pelas tuas próximas visitas para que, mesmo discretamente, possa aprender a lá chegar...
Ensinas-me?....


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

... com amor!

23 janeiro 2014

«Trolhas» - sketch do programa «Camada de Nervos» (Canal Q)

«Pista de enterragem» - Patife

Ela subia alegremente o Chiado, estugando o passo enquanto se abrigava da chuva dentro do seu casaco de capuz vermelho. Toda a gente sabe que uma mulher a passear pelo Chiado armada em capuchinho vermelho é estar a pedi-las. É estar a incitar os instintos naturais do lobo fálico que habita entre as minhas pernas e, no momento a seguir, dentro das pernas delas. Assim que a vislumbrei, toda desempoeiradinha a sacudir o capote avermelhado, o seu destino ficou traçado. Nada podia fazer. Se um capuchinho vermelho atravessa a minha floresta é certo e sabido que vou ter de a afiambrar. Não há como enganar nem podem esperar que nada aconteça. É um pouco como meter a Paula Rego a jogar Pictionary e esperar que ela não saiba o que fazer. Por isso, apressei-me a travar conhecimento com a safada do capuz para provar aquele pitéu de pipi. Quando a levei para casa, imaginei que ao ver o tamanho do meu berimbau a moça tivesse a altivez de espírito de perguntar: "Ó Patife, ó Patife, porque é que tens um pénis tão grande?" Ao que eu responderia: "É para te foder melhor, minha querida". Mas com o tesão que eu estava e antes que o Pacheco levantasse voo, tirei o Boeing das calças e fiz-me à pista de enterragem.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

«Espanca» - por CM

"Teu rosto faz uma careta de dor quando minha mão direita te toca nas tuas nádegas nuas, a dor lancinante intensifica o prazer sexual pulsante através de cada terminação nervosa do teu corpo... Minha mão toca-te uma segunda vez... Teus mamilos alongam-se como fossem sugados... . Uma terceira... Então uma quarta vez... Teus gritos abafados recorrem a berros de cabra «Belo... belo... sim Senhor!» tu choras, «Leva-me... Eu sou a tua submissa, TUA! Faz comigo o que quiseres...» ... Uma coloração vermelha quente irradia de tuas nádegas nuas como que descesses da Torre até Gouveia contra o alcatrão, gemendo de êxtase..."
CM