11 junho 2012

Pele

Foto: Jacek Pomykalski

Entrego a mais sensível de todas as partes do meu corpo. Ali onde gosto que te percas. Onde todos os meus sentidos se cruzam. Os teus dedos e os teus lábios fundem-se no arrepio da minha pele e naquele momento deixo de existir como corpo mostrando-me em alma. Descobriste-a sem mapa. Encontraste-a quando te deixaste levar apenas pelo desejo e pela vontade. Ali te peço que mores durante os instantes que queiras. Onde não escondo nada e … sou toda tua.

Samsung - «Gesto sedutor»

«três segundos» - bagaço amarelo

A Magda perguntou-me se eu tinha chá em casa e eu sorri. É que tenho sempre chá em casa, apesar de nunca ferver nenhum para mim. Mais do que isso, entre as desarrumadas prateleiras da minha cozinha, alinho sempre num dos cantos todas as caixas de chá que vou comprando, como se fossem livros organizados por autores e estilos. Chego a estar um quarto de hora no supermercado a escolher uma caixa de chá, tentando perceber-lhe o sabor e o aroma, embora depois raramente o chegue a saborear de facto. Abri-lhe, com orgulho escondido, a porta do armário.

- Escolhe! - Ela também sorriu.

Foi assim que nos sentámos na sala, de frente um para o outro, depois de uma noite em que percorremos praticamente todos os bares e tascos da cidade, para ter finalmente algum tempo a sós. O chá dela a fumegar e o gelo do meu uísque Bushmills a derreter lentamente. De certa forma, era o perfeito culminar daquela primeira noite a dois, porque o que eu tinha sentido era mesmo isso: que ela era quente e que eu era frio.
Aliás, foi essa a razão principal para mudarmos tantas vezes de bar. Ela queria estar sempre num onde se pudesse dançar, eu queria um onde pudesse estar sentado a conversar. Nunca o assumimos, mas fomos abdicando das nossas preferências em prol da cara de tédio do outro. Duas pessoas podem viver assim uma noite ou duas, mas não podem viver uma vida. Pelo menos foi o que eu pensei naquele momento e apeteceu-me chorar pela primeira vez.

- Tens música?
- É só escolher. - respondi com o mesmo orgulho disfarçado com que tinha exibido a minha pequena colecção de chá, enquanto apontei para os dois armários repletos de discos compactos, discos de vinil e até cassetes.

Ela desistiu. Provavelmente pensou que, depois daquela noite, não conseguiria encontrar uma só música de que gostasse. Seria como encontrar uma agulha num palheiro. E eu, para não criar ainda uma distância maior, fingi-me despercebido ao olhar indiferente dela para a minha colecção de música
Passei a concentrar-me apenas no essencial, que era o momento presente e que, para mim, consegui calcular em cerca de três segundos. Cada três segundos que passavam era uma oportunidade conseguida ou desperdiçada relativamente ao grande objectivo dessa noite: dormir com ela, abraçá-la ou tocar-lhe. Qualquer coisa.
Ela deu o primeiro gole no chá ao mesmo tempo que eu acabei o meu uísque. Ao dobrar-se para pousar a chávena no chão, através do decote em bico, consegui ver-lhe os seios que pareciam querer saltar do sutiã apertado. Quando se endireitou de novo no sofá, já eu tinha engolido todos os cadáveres das pedras de gelo que tinham sobrado do meu copo, sinal evidente de impaciência.
Levantei-me e pus-me a olhar pela janela, como se ao tirar dali o meu olhar pudesse também expulsar esse estado de ansiedade. Lá fora, a solidão própria da noite povoara as ruas que horas antes percorrêramos de bar em bar. Eu e ela. Senti-a aproximar-se e pôr o braço à volta da minha cintura e retribuí, naturalmente, com o meu braço a envolver-lhe os ombros. Pousei, finalmente, o meu copo cansado de estar vazio. Finalmente, o futuro transformara-se em presente, com o mesmo doce nervosismo intermitente dum dos candeeiros da rua. Medi os ciclos dessa intermitência e do abraço da Magda. Três segundos, é quanto tem o presente.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Bola de pilas


Fap fruit

Até frutas curtem uma pornografia.




No Fap Fap ele faz suco.

Capinaremos.com

10 junho 2012

Sapatilhas alcoólicas


Zapatillas alcohólicas por zanguango83

Umbigo de quebrar proibições



O Rossio era o centro de Lisboa e os nossos catorze anos o umbigo de quebrar proibições. Éramos oito, tudo aos pares como convinha para uma correcta iniciação no mundo do adultos, dispostos a avançar pelos Restauradores para entrar de peito feito no Condes aproveitando a classificação abaixo dos dezoito daquele filme que entrava na categoria dos que os nossos pais tinham corrido a ver após o 25 de Abril.

Previamente acordámos uma distribuição dos lugares na fila, um macho e uma fêmea alternadamente, calhando-me do lado esquerdo o meu louro e ainda a sala não tinha escurecido completamente já a sua mão me desabotoava o botão da camisa para estender os seus dedos sobre as minhas mamas e catapultá-las para fora dos elásticos do soutien a fim de lhe encher a palma com cócegas de mamilo a espevitar-se. E aproveitando o tempo dos anúncios que enchiam ainda o grande ecrã virámos as caras um para o outro para um encontrão de bocas húmidas e línguas feitas esfregonas do céu da boca e zonas adjacentes.

Nos primeiros minutos colámos os olhos à película ansiosos pela descoberta das imagens animadas que as revistas não proporcionavam mantendo as mãos numa rotina automática de elevador no sexo do outro e vimos gajas, gajas e mamas, gajas emplumadas e em reduzidos trajes brilhantes, mamas às bolinhas ou aos losangos pelo efeito das luzes, gajas rodopiando em varões aos quais encostavam as mamas e gajos completamente vestidos nos bastidores a controlar os apetrechos técnicos do espectáculo. E cientes que o Crazy Horse de Paris não era o almejado corpo a corpo contentámo-nos com os nossos em beijos e amassos protegidos pelo escurinho do cinema.

Morada de pedófilos revelada




HenriCartoon

Trompe l'oeil


Dom mágico



Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

09 junho 2012

Homens, aprendam a ver luz infra-vermelha

«respostas a perguntas inexistentes (201)» - bagaço amarelo

gostava de te ver de novo

Uma vez sentei-me contigo num banco de jardim e o mundo fechou-se. Deixou de se fazer ouvir e até de se fazer ver. Lembro-me que, muito de vez em quando, uma leve brisa fazia mexer as folhas das árvores, que nesse movimento agitavam a já fraca luz do Sol. Era o vento a segredar-me que ainda havia vida para além de nós. E eu sorria-lhe a pensar que não.
Talvez tenha sido a primeira vez que me senti apaixonado por ti, porque foi de certeza a primeira que o meu corpo começou a desobedecer à vontade de abraçar alguém. Eu queria abraçar-te mesmo, mas o meu braço nunca me obedeceu. Com a vida, aprendi que é assim que o Amor se faz notar, com o corpo a estancar de forma violenta toda a vontade de quem Ama.
Eu e tu nunca falámos de Amor. Nem do nosso, que não chegou a sê-lo, nem do de qualquer outra pessoa. Falámos, muito provavelmente, de todos os temas possíveis menos desse, o que não terá sido uma coincidência. Assim como, aliás, nunca foi uma coincidência passarmo-nos a sentar um ao lado do outro todos os fins de tarde a partir desse dia. Só hoje, com quarenta anos, é que percebo isso.
De todos os temas abordados entre nós, perdi a conta às vezes que te menti, sempre para te impressionar. Uma vez perguntaste-me se eu já tinha andado de avião e eu contei-te todas as viagens que consegui imaginar. À Noruega, ao Brasil, à Itália e ao Canadá. Contei-te histórias que não eram minhas, mas que tinha ouvido algures em conversas de outros. Acho que acreditaste sempre. Não sei...
Sei que houve uma tarde em que adormeceste no meu ombro e eu petrifiquei durante mais de duas horas, tanto para não te acordar como para prolongar essa rara sensação de te ter para além do verbo. Fechaste o olhos e eu fiquei a ouvir-te respirar. Só isso.
Já não te vejo há mais de vinte anos, nem sequer sei se te lembras de mim. Sei que hoje à tarde, entre a multidão agitada na estação de comboios, pareceu-me ver-te a passar por mim, depois de saíres exactamente do mesmo comboio que eu ia apanhar. Parei por uns breves momentos e virei-me para trás, esbracejei entre uma interminável maré de pessoas para conseguir chegar até ti e, quando finalmente te alcancei, vi que não eras tu.
Foi assim que fiquei a saber que gostava de te ver de novo.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Ratos de computador

Par de ratos de computador com mulheres em lingerie vermelha cujos seios são os botões do rato. Um dos ratos tem uma camisola amarela em tecido, amovível, com a bandeira e a palavra Brasil.


Um sábado qualquer... - «Ser superior»




Um sábado qualquer...

08 junho 2012

New World - «o dia seguinte»

Sorriso com sardas

As palavras queimavam-lhe a garganta, tal como as lágrimas lhe faziam arder os olhos. Calou-se. Primeiro engoliu tudo o que tinha para lhe dizer e calou-se. Depois, secou as lágrimas com as costas das mãos. Enfrentou a dor e a vergonha de tanto lhe doer e cerrou os dentes e os lábios. Engoliu em seco. Tornou a engolir em seco. Mordeu o lábio inferior e suspirou profundamente. A infelicidade de ser quem era naquele momento infiltrava-se por todos os poros e contaminava-lhe corpo e alma. Doía-lhe. Doía-lhe fisicamente. Sentia arrepios de frio e tremores por todo o corpo. Sorriu. Fez um esforço e sorriu. Enfrentou a pena que sentia de si, o seu corpo que vacilava e parecia quer desmoronar-se e o seu ser mais profundo que queria abandonar-se à dor, à inacção, ao desalento e sorriu. Um sorriso forçado, que não passava dos lábios, mas um sorriso.
– Sabe, bem – disse ela, com o sotaque meloso que o derretia desde o primeiro momento em que a conhecera, mostrando-lhe um sorriso complacente, quase maternal, que lhe iluminava o rosto, os olhos, as sardas. – As coisas quando não acontecem é porque não têm de acontecer.
Ele, o bem, esqueceu-se do sorriso, que desapareceu sem deixar rasto, e mostrou em todo o seu esplendor o desgosto que o dominava.
– Eu não acredito no destino – declarou António, que dissera chamar-se Luís. – O destino somos nós que o fazemos, Luísa.
– Heloísa – emendou a mulher, ainda com sotaque mas já sem mel. Não costumava enganar-se nos clientes que abordava mas, naquele caso, parecia-lhe, enganara-se redondamente e perdera vinte minutos como figurante numa encenação manhosa de uma peça muito vista.
– E podemos ser felizes, Heloísa – insistiu Luís enquanto António. – De certeza que podemos chegar a um entendimento, afinal estamos a falar de vinte euros de diferença. Podemos rachar…
– Você assim não racha nada, cara.
– Eu subo dez e você baixa dez e…
– Somos felizes? – A mulher levantou-se.
– Sim – disse o António que falava pelo Luís. – Adoro o teu sorriso com sardas, já te disse?
– Eu só sou feliz quando me pagam o meu preço e sim, já me tinhas dito, há vinte minutos atrás.
Tanto o Luís como o António ficaram embasbacados a olhar para a mulher que, de repente, em pé, perdera o sotaque e seguira sem um adeus embrenhando-se na pequena multidão de homens e mulheres que deambulavam pela sala, eles com cervejas ou copos de whisky na mão, caçadores prestes a ser caçados, e elas com sorrisos e gestos encantadores ou sexualmente explícitos dando ar de presas submissas ou rebeldes, mas todas com ar de quem tem mais do que fazer do que andar por ali a patinhar.

Nenhum dos dois





Meninas WTF

07 junho 2012

As mulheres nunca se esquecem de uma data importante para elas!

«Do meu ponto de picha» - Patife

Confesso que não sou grande fã de mulheres atléticas. Para tonificado já basta o Pacheco. Curvas com a dose certa de flacidez e uma barriguinha ligeiramente proeminente fazem as delícias dos meus sentidos. Além de que a apoteose da essência feminina não anda de mãos dadas com músculos vigorosos e qualidades técnicas superiores em desportos colectivos. Nada de mais turn off que uma mulher que sabe jogar à bola, por exemplo. Foi por isso que alguma dose de enfado quando soube que aquela ganda mamalhuda que me apresentaram na festa era jogadora da bola. Estávamos a conversar amenamente quando, sem pré-aviso, disse de peito cheio, para quem a quisesse ouvir, que era jogadora de futebol. Estremeci mas consegui conter-me. O pior foi quando ela disse que era atacante. Aí não consegui conter-me. É pena… se fosses defesa central, eu estaria sempre à mama. Ela riu-se num ronco meio grunho, pouco sedutor. Bebi de um trago o conhaque que tinha na mão e apressei-me a meter outro na mão. A conversa continuou, não que eu estivesse a prestar grande atenção, até porque estava completamente concentrado naquele par de chuchas a imaginar o Pacheco a mergulhar naquele vasto mamaçal. Mas o facto de ser jogadora de futebol estava a travar-me o ímpeto da fodilhenguice. Do meu ponto de vista talvez fosse mais sensato estar quieto. Mas da minha ponta de picha já não havia volta a dar. Havia apenas foda a dar.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Fruta 87 - Galão claro ou escuro?