08 outubro 2005

Escritura

Oh São tu não imaginas a marcação cerrada que ele me fazia. Começou pelos olhares de soslaio para as minhas pernas traçadas a despontar de saias justas. A urgência repetida em me questionar sobre a eficácia dos balancetes, de pé, debruçado sobre a minha secretária, de cada vez que eu vestia um decote mais aberto. O convite para o cafezinho a meio da manhã ou da tarde, para relatar as suas saídas e gostos pessoais, para tirar da minha púcara os nabos que desenhavam o gráfico da minha disponibilidade.

Em seguida, passou a um estado de prontidão, sempre à porta do elevador na minha hora de saída, para me ofertar flores feitas de clipes ou desenhadas em folhas A4 de papel IOR ou armadas num pau de lápis Noris com post-it’s amarelos, estendidas nuns olhos que inegavelmente soletravam “Comia-te toda!”. Depois, vieram os carros de assalto de mensagens enviadas a meio das reuniões de trabalho em que ambos participávamos, com a expressiva inclusão de fotos das suas calças.

É claro que quando se trabalha 10 horas por dia, como era hábito naquela empresa, sobra muito pouco tempo para procurar divertimento fora do local de trabalho e lá acabámos por nos enrolar.
Feitas as contas, o saldo de cama até era muito equilibrado e caso morássemos juntos reduziríamos as despesas de cada um para metade, o que perspectivava um bom investimento, pelo que foi uma questão de acertar uma data nas agendas para assinar a escritura. Ao final da tarde, como se tornou moda, com uns cocktails e uns aperitivos de entrada para estimular o sorriso nos convidados enquanto se despacha a catrefada de fotografias do acto público.

E que tal uma legenda para esta imagem?

Charlie -"Sempre subindo até ao TeSão final!"
Pedro Oliveira - "Isso não é para brincar! Se levares uma esporradela depois não te queixes."
Carbonmonoxide - "Mary Poppins no Deserto das Maravilhas"
Matahary - "Quando eu era miúda, nunca percebi porque se chamava a este jogo «altar ao alho». Agora fez-se luz. Uma imagem vale por 1000 palavras."
1313 - "Que tal?... Trá-lá-lá"
Maria - "Mmmmm... Este é muito curto... Este é mais ou menos... Este é muito fininho... Deixa cá ver este, a ver se cabe..."
São Rosas - "Se as mãos escorregam ainda perco um..."
Maria Árvore - "Salte ao alho e sinta-se nas nuvens!" ou "Menina Azul, foda azul!"
Predatado - "Ó menina, vai lá saltar p'ró caralho!"
Ferralho - "Sempre achei mais engraçados os schtroumpfs mais altos..."
Zeca - "Será que tem pachacha até ao sexto?"
Espectacológica - "Nunca mais é Domingo!"
Xupa-Grelos - "De degrau em degrau vou medindo o pirilau"

Hoje no gira-discos do Vizinho...

Quim Roscas
"O pito da Maria"




Post by O Vizinho

(128) - Walk Between Raindrops

Ela perguntou-me "És sempre assim?" e eu respondi "Quando a companhia é boa" e ela corou e disse "Obrigado, foste fenomenal." Eu esclareci que não tinha acabado a frase anterior e que queria dizer que "quando a companhia é boa sou melhor ainda" e disse-lhe. Ela afastou as pálpebras superiores da inferiores o mais que pôde e pôde muito, tanto que eu pensei que os olhos lhe pudessem cair – era o que acontecia se isto fosse um desenho animado – e depois semicerrou-as, deu um brilho perverso aos olhos e, num fio de voz, não sei se perguntou ou ameaçou "Estás a falar a sério?"
"Não acredito" disse ele. "Não disseste isso?" "Disse" respondi eu, galhofeiro. Ele espantou-se, porque acreditou em mim, e perguntou "E ela?" depois calou-se, estendeu a mão na minha direcção, mostrando-me a palma da sua mão direita, relativamente limpa segundo me pareceu, e voltou a falar "Ela não, tu. O que é que tu lhe respondeste?" "Tentei fazer o meu melhor sorriso trocista e pisquei o olho para o caso do sorriso trocista não ser bem compreendido."
"Mas a companhia não foi boa?" "A melhor" disse eu a pensar que era "a melhor que se pode arranjar." Ela sorriu, felizmente ainda não se lêem pensamentos. "És um brincalhão" anunciou ela, como se dissesse que tenho uma borbulha cheia de pus mal-cheiroso no meio da testa "mas a verdade é que foste óptimo." "Ainda bem que gostaste." Não gosto de tratar as pessoas por tu, mas ela tratou-me e eu achei melhor responder assim, senão lá vinha a conversa, "trata-me por tu" e eu respondia "está bem, vou tentar" e o "vou tentar" inquinava a conversa, provavelmente ela não saberia falar sem me tratar por tu e depois do meu sincero "vou tentar" passaria a verme como um empedernido e chato snob, ainda que das três palavras ela, possivelmente – e este possivelmente é muito importante pois evita um juízo definitivo acerca da pessoa em causa –, só conhecesse o chato, ainda que, possivelmente - e este é um favor que faço a mim próprio - não estivesse muito longe da verdade.
"E depois?" "Depois?" ele abanou a cabeça, sim, sim, depois, "Depois paguei e vim-me embora." "Pagaste?!" "Sim, que remédio." "Pagaste?" "Paguei" "Mas estás a falar de quê?" "E tu?" "Eu pensava que tinhas estado com a gaja." "Estado? Estado como?" "Que a tinhas comido", esclareceu ele. "Comido?" "Sim! Comido! Afinal foste fenomenal em quê?" "Ah! Pensavas que tinha havido um envolvimento amoroso entre nós" "Não" "Então?" "Pensei que tivesse havido um mero envolvimento físico de cariz sexual entre vocês."
"Declamas outro?" "Não, já comprei o livro, leio em casa." "Eu gostava que declamasses outro." Eu fiz o olhar de "O que é que eu ganho com isso?" mas ela ou não percebeu ou fez-se despercebida e eu não declamei.
"A menina desculpe tem o livro dos Fedorentos?" Interrompeu uma velha com mau hálito. "Do Gato Fedorento?" perguntou ela, com uma careta, o mau hálito da velha era poderoso. Eu aproveitei e passei-me, subrepticiamente. A velha disse que era para o neto.

in Garfiar, só me apetece

07 outubro 2005

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Swimmers

RemodelaSÃO no Blog


(via WebPark)
Vou aproveitar para comprar uns móveis novos aqui para o Blog!!

Sinto-me presa... hmmm...


Vigiada pelo Cambralenta

O Charlie não pode ver uma mulher do outro lado das grades:

"Deixa-me libertar-te dessas amarras.
Das sombras meias onde do sonho despertas
Tens nos olhos a ilusão da liberdade
Mas a nudez envolta em grades.
Vem!
Pega na minha mão e sai.
Voa por esse mundo fora
E volta livre na tua entrega
Senhora de ti e do teu querer
Quero amar-te,
mas só posso em liberdade ter-te"

06 outubro 2005

Conseguira eu

Conseguira eu dizer da carne
Do impulso primeiro
Puro, físico, carnal.
Conseguira eu dizer num poema
Corpo vibrante, latejante
Segurá-lo, tomá-lo, dá-lo
Poema e corpo nas tuas mãos.
Conseguira eu que lendo fosses poema
O sentisses, retivesses, aprendesses
E vibrante, latejante o tornasses
Poema e corpo teu.
Conseguira eu despertar o impulso
Puro, primário e primeiro
E sentisses carne lendo palavra
E sentisses corpo, poema, mulher.

Foto: Ewa Brzozowska

E logo vem o Orca com saudades:
"Há que tempos não «esgrimia» com a Encandescente...
eu direi da carne
e sentirei o corpo
eu direi o poema
e sentirei o pulso da palavra dita
e terei do corpo a vontade aflita
de um grito que vibra

e já não retenho o impulso primeiro
primário
proveito que provo de carne
de te querer mulher

conseguira eu dizer-te da carne
o quanto quisera
para te saber
um corpo que sinto
um poema-grito

e afinal mulher."


Mas o
Onanistélico não se fica atrás e pimba:
"Pudera eu conseguir-te,
carnal vontade que o instinto animal repousa no teu corpo. Do teu corpo-poema retiro o gostar de ler-nos, escrevo-me-te, em ti, com o primitivo ser, sentido-te.
Pudera ter um livro de ti."

O Charlie também se vem:
"Agradecimento à Encandescente

Encandescente, mulher poema
Mulher carne da cor do sonho.
Leio-te a alma leio-te o ser.
Leio-te como se fosse eu mulher.
E sabendo-me assim por dentro.
Mulher por mera suposição
Sou mais homem mais poema,
Mais encontro a Mulher quando amo."

O Ferralho remata:
"Gostava de te ler na flor da pele
A poesia dos sentidos exaltados
Escrita na tua carne incandescente
Por mim, poema teu,
Corpo almejado
Emudecendo dizer-te cada palavra
Declamando no teu corpo incendiado
As estrofes inscritas a desejo
Nesse poema, mulher
E corpo teu"

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O Meu Frigorífico
(Façam o favor de enviar a fotografia do vosso
frigorífico para blogotinha@hotmail.com)

Descobertas


A Gotinha descobre cada coisa...

Pela normalização anatómica - 4

A CoNA - Comissão de Normalização Anatómica continua o seu esforço para que o sexo seja cada vez menos confuso e problemático.
Hoje, a CoNA subscreve a proposta do SirHaiva: deve haver sempre uma almofadinha à mão de semear, para colocar debaixo dos joelhos.

Venham-se mais sugestões para a CoNA.

E relembra as três primeiras propostas: 1, 2 e 3.

05 outubro 2005

Dourar a pílula



O Sãozinha também já ouviste falar de que vão deixar de comparticipar os contraceptivos orais, a propósito de os disponibilizar nos hipermercados?... Como sabes, o preservativo até é o meu favorito e o melhor meio anticoncepcional do universo mas esta igualização da pílula e das camisas de vénus nas grandes superfícies parece-me uma promoção de produtos com o prazo de validade a acabar.

Imagina que até já pensei que o avançar para esta medida é uma manifestação de solidariedade para com o Padre Feytor Pinto que ao expressar publicamente concordância com o uso da borrachinha recebeu ameaças anónimas de ser denunciado ao Vaticano.

Mas depois pus-me a fazer contas que a matemática é sempre uma forma de garantir o lado científico das coisas e vá de conferir que os preservativos têm 5% de IVA enquanto que as pílulas, já com IVA incluído, ao serem vendidas com receita médica custam mais ou menos 25% do preço de mercado e São, corrige-me se eu estiver errada mas não estão a querer que o prazer pague mais de 5% de imposto e que a a pílula seja um luxo?...

Mais um anúncio que é um miminho... hmmm...