13 março 2012

Frasquinhos de perfume do Japão, em diversos materiais

Pequenos frascos em osso, porcelana e vidro.
O frasquinho em vidro é pintado por dentro, à mão, com paciência de Chinês (ou de Japonês), usando pincéis finíssimos.


12 março 2012

Ah, sortudas crianças da Europa do Leste...

«respostas a perguntas inexistentes (194)» - bagaço amarelo

sobre a decisão de Amar

O maior equívoco sobre o Amor é acreditar que ele acontece sem mais nem menos. Não acontece. O Amor é sempre uma decisão, tal como o é deixar de pôr açúcar no café, fazer uma viagem à América do Sul ou ficar a dormir num Domingo à tarde. Decidimos aquilo que vai modelar em grande parte os nossos dias, e normalmente as pessoas que andam sempre mal de Amor são aquelas a quem falta a coragem de tomar uma decisão.
O problemas das decisões é que nem sempre estão certas, e isso deve-se à nossa condição humana. Errar é humano, dizem. Pois nesse aspecto eu devo ser o mais humanos de todos. Passei a vida a tomar decisões erradas das quais, no entanto, não me arrependo. Foram decisões que, apesar de tudo, me foram permitindo Amar. É verdade que talvez tenha tomado algumas decisões menos boas porque, em vez da solidão, sempre fui preferindo os Amores possíveis. À falta de melhor era por eles que me decidia. Ainda bem que o fiz, no entanto, pois foi com eles que aprendi isso mesmo: que o Amor é uma decisão.
Sempre que me acreditava apaixonado por alguém, o meu primeiro pensamento era o de ter esse Amor que estava ali à mão de semear. Foi assim toda a vida, e só percebi esse meu grande erro quando me apaixonei pela Raquel. Quero que este Amor me tenha, pensei. Nessa noite ela ensinou-me que o Amor é maior do que eu e tomei a decisão de a Amar.
A diferença entre um Amor que temos, por muito bom que seja, e um Amor que nos tem a nós, tem exactamente a ver com a capacidade de decidir sobre ele. Perdemos o controle sobre tudo o que nos tem a nós e, por isso, também a capacidade de decidir o seu fim. É que o fim de um Amor também é sempre uma decisão.
Percebem?


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

«A Imaginação Pornográfica» - livro de Susan Sontag


Neste pequeno ensaio (34 páginas) de 1967, Susan Sontag aborda a pornografia vista como "modalidade ou uso menor no interior das artes". Mais especificamente, "o género literário para o qual, na falta de um nome melhor, estou disposta a aceitar (na privacidade do debate intelectual autêntico, não nos tribunais) o duvidoso rótulo de pornografia".
Segundo Susan Sontag, "a avalancha de obras artísticas comerciais vendidas ilegalmente por dois séculos e, agora, cada vez mais, fora de mercado, não impugna a condição de literatura" de livros pornográficos como "Trois Filles de leur Mère, de Pierre Louys, Histoire de l’Oeil e Madame Edwarda, de George Bataille, e as pseudónimas História de O e A Imagem", por exemplo. E adianta: "A proporção de literatura autêntica em relação ao refugo, na pornografia, talvez seja um pouco menor que a proporção de romances de genuíno mérito literário face a todo o volume de ficção subliterária produzida para o gosto popular".
Susan Sontag alerta que "a pornografia é uma doença a ser diagnosticada e uma ocasião para julgamento. É alguma coisa frente à qual se é contra ou a favor". E em que os extremos se tocam: "a mesma abordagem fundamental do tema é partilhada por eloquentes defensores recentes do direito e da obrigação da sociedade em censurar livros sujos e por aqueles que antevêem as consequências perniciosas de uma política de censura, muito piores que qualquer dano causado pelos próprios livros. Tanto os libertários como os presumidos censores concordam em reduzir a pornografia a um sintoma patológico e a uma mercadoria social problemática".
Constata que "a pornografia raramente é vista como mais interessante que textos que ilustram uma interrupção deplorável no desenvolvimento sexual do adulto normal". "A crescente produção de livros “sujos” é atribuída a um legado maligno da repressão sexual cristã e à mera ignorância psicológica", ao "impacto dos drásticos deslocamentos nos modos tradicionais da família e da ordem política" e à "mudança anárquica nos papéis sexuais".
Susan Sontag identifica quatro razões apontadas pelos que excluem a pornografia da literatura:
1) "a maneira completamente unívoca em que os livros de pornografia se dirigem ao leitor, propondo-se a excitá-lo sexualmente, é antitética à complexa função da literatura";
2) "nas obras de pornografia falta a forma de começo-meio-e-fim característica da literatura. Uma peça de ficção pornográfica mal inventa uma indisfarçada desculpa para um início e, uma vez tendo começado, avança às cegas e termina nenhures";
3) "o texto pornográfico não é capaz de evidenciar nenhum cuidado com seu meio de expressão enquanto tal (a preocupação da literatura), uma vez que o propósito da pornografia é inspirar uma série de fantasias não-verbais em que a linguagem desempenha um papel secundário, meramente instrumental";
4) "o tema da literatura é a relação dos seres humanos uns com os outros, seus complexos sentimentos e emoções; a pornografia, em contraste, desdenha as pessoas plenamente formadas (a psicologia e o retrato social), é desatenta à questão dos motivos e de sua credibilidade, e narra apenas as transações infatigáveis e imotivadas de órgãos despersonalizados"...

... e rebate-as nas páginas seguintes deste estudo, acusando os padrões e a hipocrisia existentes: "os valores usualmente aplicados à pornografia são, afinal, os pertencentes à psiquiatria e aos estudos sociais, mais que à arte. (Desde que a cristandade elevou a fasquia e se concentrou no comportamento sexual como a raiz da virtude, tudo aquilo que pertença a sexo tem sido um “caso especial” na nossa cultura, provocando atitudes peculiarmente inconsistentes)". E faz uma comparação nada católica: "a pornografia que é autêntica literatura visa “excitar” da mesma forma que os livros que revelam uma forma extrema de experiência religiosa têm como propósito “converter”".
Defende "que “o obsceno” é uma noção primal do conhecimento humano, algo muito mais profundo que a repercussão de uma aversão doentia da sociedade ao corpo".
Em algumas constatações, Susan Sontag assusta-me. Por exemplo, esta: "Por domesticada que possa ser, a sexualidade permanece como uma das forças demoníacas na consciência do homem – impelindo-nos, de quando em quando, para perto de proibições e desejos perigosos, que abrangem do impulso de cometer uma súbita violência arbitrária contra outra pessoa ao anseio voluptuoso de extinção da consciência, à ânsia da própria morte". E defende que "o tema da pornografia não é, em última instância, o sexo, mas a morte". A morte "é o único fim para a odisseia da imaginação pornográfica quando ela se torna sistemática; vale dizer, quando ela se centra nos prazeres da transgressão, e não no mero prazer". Mas depois, sinto algum alívio: "A pornografia, considerada como uma forma artística ou criadora de arte na imaginação humana, é uma expressão daquilo que William James chamou “mentalidade mórbida”. Mas James, sem dúvida, estava correto quando propôs, como parte de sua definição de mentalidade mórbida, que essa abrangia “uma escala mais ampla” de experiência que a mentalidade saudável".
Susan Sontag conclui: "Se há tantos que oscilam à beira do assassinato, da desumanização, da deformidade e do desespero sexuais, e se devêssemos agir de acordo com esse pensamento, então uma censura que jamais imaginaram os inimigos indignados da pornografia pareceria adequada. Se é esse o caso, não somente a pornografia mas todas as formas de arte e conhecimento autênticas – em outras palavras, todas as formas de verdade – são suspeitas e perigosas".

O texto está disponível para descarregar aqui, em formato pdf.

Saber perdoar

É algo que nosso amigo Jesus Cristo ensinou.




Meninas estão permitidas para fazer cagadas no trânsito.

Capinaremos.com

11 março 2012

"um filme, uma foda"


No dia combinado encontrávamos-nos à porta do cinema que exibia o filme escolhido muito limpinhos e perfumados como manda o manual da sedução e de mão dada mergulhávamos na sala ainda iluminada para o primeiro ritual em que ele retirava os óculos da respectiva caixinha e os ajeitava às orelhas com ambas as mãos.

Saíamos da sala em risinhos cúmplices a debulhar as primeiras impressões do filme e a correr para a saída para acalmar a minha necessidade de acender um cigarro e seguir para outras quatro paredes onde a película aderente fosse o seu corpo no meu. Despi-lo era o grande plano do espanto de uma pele macia à luz coada da tarde pelos cortinados e o suspense do momento em que as suas mãos apalpadeiras de nalgas se intrometeriam entre as minhas coxas percutindo cada milímetro de superfície alagadiça. Talvez as minhas mãos firmadas na cómoda a empinar-me lhe permitissem um melhor enquadramento da sequência em que as suas ancas imprimiam o andamento ronceiro.

O beijo quase sufocante dos seus lábios a desmaiarem nos meus era o prenúncio da última cena em que aproximava o cinzeiro e de uma assentada eu acendia dois cigarros espetando um na boca dele para retomar a crítica do filme que se eu fosse dada à escrita intitularia como "um filme, uma foda".


[Imagem: Cartaz de
O pecado mora ao lado, de 1955]

«Diário de um nudista» - filme (1h11m)


diary_of_a-nudist por crazedigitalmovies

«Cocktail» - por Rui Felício


Passadas dezenas de anos, voltou naquele fim de tarde ao Bar Procópio às Amoreiras.
No ano anterior ao 25 de Abril tinha sido frequentador habitual. Desde então, a vida tinha-o levado para outros locais da cidade.
Em noites de amena cavaqueira e utópicos planos conspirativos, em frente a um cocktail de advocaat e peppermint, numa colorida miscelânea de dourado e verde, sob a tépida luz esmaecida do candeeiro da mesa, coada pelo abat-jour com desenhos de Lautrec, tinha ali travado conhecimento com figuras que viriam, umas, como ele, a permanecerem anónimas, outras a destacarem-se, anos mais tarde, na politica, nas artes, na literatura.
Ali estava agora, no cocktail de lançamento do livro “Colectânea de retalhos beirões”, da autoria de um seu amigo de Coimbra, há anos a viver na Beira Baixa, escritor de traço neo-realista, temperado por uma profunda sensibilidade humana.
Com um copo de whisky na mão, petiscando um bolo de bacalhau, depois uma chamuça, ia cumprimentando com um sorriso ou uma frase de circunstância, quem se lhe dirigia ou o abordava, perguntando-lhe se estava tudo bem, por onde tinha andado, que nunca mais fora visto.
Na obscuridade do Bar, um olhar fugaz, inesperado, semelhante a um raio laser trespassando a nebulosidade do ambiente, fixou-se nos seus olhos por breves instantes.
A dona do olhar era uma bela mulher madura, elegante, bonita, que a sua memória lhe garantia ser ela, a Zélia. Seria mesmo? Tinham namorado há muitos anos, numa época em que fazer amor só devia acontecer depois do casamento, ou, quando muito, se o noivado já estivesse comprometido. Fora disso, tudo se resumia a uns abraços, uns beijos, mais ou menos profundos, levados aos ,limites do convencionalismo, sem os ultrapassar.
O namoro tinha-se desfeito já não sabia porquê.
Aproximaram-se. Sentiu a mão dela agarrar a sua, abraçando-o, e assim ficar longos minutos.
Olhou em redor, receoso que algum dos jornalistas presentes o fotografasse numa situação de intimgidade comprometedora. Ele sabia que se tal viesse a público, a sua mulher não iria tolerar que continuassem a viver juntos. Era certo que a perderia a ela e, ainda pior, perderia o seu cão Buba por quem nutria uma grande amizade. Seria impensável viver sem aquele afável cachorro!
Interrompeu estes pensamentos quando a Zélia o arrastou para fora do Procópio, o fez entrar no carro e o levou para o seu apartamento do Principe Real, dizendo-lhe que, desta vez não iria perder de novo a oportunidade, como aconteceu há tantos anos atrás, de fazer amor com ele. Desta vez ela ia entregar-se-lhe, dar-lhe todo o seu calor, até à completa saciedade de ambos.
Quando acordou ao amanhecer, transpirado, ofegante, cansado, achou-se o homem mais feliz do mundo, no momento em que sentiu a mão a ser lambida pelo seu cão Buba que abanava o rabo ao lado da cama.
Não iria perdê-lo! Tudo não passara de um sonho…

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações


«Au lit, le baiser» - Henri de Toulouse-Lautrec

Um passo adiante


Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

09 março 2012

«coisas que fascinam (138)» - bagaço amarelo

vaivém

Tomamos café. A Sónia pergunta-me como estou. Que estou bem, respondo. A Sónia pergunta-me se ainda estou apaixonado. Faço silêncio com os olhos e ela insiste. E tu, ainda estás apaixonado? Abano a cabeça afirmativamente e sem determinação. Sei que ela não quer saber a resposta, que apenas que eu saiba que ela não está. Então e tu? O Amor foi-se? Ela abana os ombros também afirmativamente.
Fico a pensar na minha pergunta. O Amor foi-se? É a assumpção de que o Amor se vem e se vai como se fosse um passageiro na nossa vida. Na vida de duas pessoas, porque o Amor é sempre isso, a vida de duas pessoas. O meu não se foi, mas também eu tenho medo que um dia destes ele se despeça de mim e saia num apeadeiro qualquer deste tempo que é o meu. Sorrio, talvez nervoso, e digo-lhe que a vida é assim.
Dizemos sempre que a vida é assim quando lhe perdemos o rasto; quando, de facto, nos apercebemos que não sabemos como ela é. Dizendo que ela é assim parece que a estamos a agarrar, mas não estamos. Estamos a escapar-lhe. Sabemos apenas como ela devia ser. Mais nada. E agora sorri a Sónia, talvez nervosa, e abana os ombros, desta vez negativamente. A vida não é assim.
Quando um Amor se vai a vida vai-se com ele. Da mesma forma que quando um Amor se vem a vida vem-se com ele. É assim, no sexo e fora dele, com o alívio de que a vida nunca se vai toda. Vai-se uma parte dela, talvez quase toda, talvez nervosa abanando os ombros esmorecidos. A que resta fica, às vezes, num amigo a quem se pergunta se ainda está apaixonado mesmo que não se queira saber a resposta. Quer-se só dizer que já não se está. E tomar um café.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Paródia Musical ▶ Princesa (Faz Dieta Outra Vez)


Princesa (Faz Dieta Outra Vez)
Versão original por Boss AC
Música parodiada por Ricardo Esteves
Letra e vozes por Ricardo Esteves
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«Acender o bico» - Patife

Está um frio de rachar e ainda melhor para as rachar. É por isso que me é impossível resistir a alguns apelos. Tal como todos os domingos, é sagrado que me ponha numa das esplanadas do Chiado a beber o meu conhaque (sim larguei o whisky há uns meses). Duas mesas à minha frente, uma mocita oferecida atreveu-se a arregaçar as mangas da camisola, imagine-se. É mais que certo que arregaçar as mangas em pleno Chiado é uma incitação óbvia para eu arregaçar o mangalho. Ainda se fosse Verão, poderia haver a dúvida se seria do calor, mas em pleno Inverno está bom de ver que gostas pouco, gostas. Sendo domingo, achei por bem não me sentar na mesa dela e desatar a dizer ordinarices embrulhadas em humor com um laçarote de charme. Por isso sentei-me na mesa dela e comecei a falar de cozinha. Isto porque ela estava a preparar-se para almoçar e à primeira garfada fez um esgar de desprazer gastronómico. Por isso avancei, afirmando que os cozinheiros amadores querem sempre fazer tudo depressa e depois não fica saboroso. Na cozinha, (tal como no cuzinho), é preciso ter paciência. É preciso levar o seu tempo para apurar. Se for à pressa tende a esturricar. (Tanto na cozinha como no cuzinho, sim. Quando era principiante esturriquei alguns assim). Começámos então a falar de cozinha e de cozinhados como quem, na verdade, falava de quecas. Senti-me bem por manter o nível, ainda que dissimulado, em dia sagrado. Gosto muito de fazer analogias com o acto de cozinhar. Até porque é sempre preciso acender o bico. Andámos neste jogo linguístico do toca e foge durante algum tempo. Mas estava bom de ver que a tarde iria acabar no jogo do toca e fode.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Papagaio Ciclope em busca do par perfeito


Alexandre Affonso - nadaver.com

08 março 2012

Feliz Dia Internacional da... Melher!...

"Não crucifiquemos o U. São coisas que acontecem..."



Webcedário no Facebook

«Um carro de sonho. Para a vida real» - Kia Optima

A posta nas forças da Natureza (que não é feminina por mero acaso)


Hoje é o Dia Internacional da Mulher.
E é também o dia em que chega à Terra o efeito da maior tempestade solar dos últimos cinco anos e cujo impacto se faz sentir ao nível da perturbação nas comunicações e na desorientação de sistemas habitualmente tão rigorosos como o GPS.

Se existisse um dia internacional da coerência era hoje também.

um mero acontecimento

O movimento foi involuntário mas quando Justina sentiu no seio o braço de Cesário foi invadida por uma súbita e irreprimível vontade de ir para a borga. Riu-se do trocadilho ainda que, na verdade, não soubesse se o homem se chamava assim. “Tem cara de Cesário” justificou-se, observando a barbicha que emoldurava o rosto bolachudo do homem a quem se encostara quando a composição do metropolitano balançou.
Cesário sorriu embaraçado mas sem mover o braço. Por ele, podiam ficar assim o resto da vida, um seio encostado ao seu braço era coisa que lhe acontecia pouco. “Muito pouco”, pensou, algo frustrado e com a ligeira impressão que todo o episódio que, na realidade, nem um episódio chegava a ser – era um mero acontecimento –, podia provavelmente indiciar que qualquer coisa não ia bem na sua vida sexual – se a tivesse –, na sua vida social e afectiva – que também sabia não ter – e na sua sanidade mental – sentia-se um pervertido mas não conseguia afastar o braço da mama da mulher.
Justina não se sentia mal e, tão furtivamente quanto lhe permitia a proximidade dos rostos e dos corpos, apreciava o dono do braço que lhe amparava a mama. Cesário tirando a barba mal semeada mas impecavelmente aparada e cirurgicamente delineada, os olhos ligeiramente esbugalhados com ar de eterno espanto, que ora se fixavam num ponto longínquo ora se dispersavam descontrolados por tudo o que os rodeavam, o sorriso desequilibrado que tanto parecia ir explodir numa gargalhada demente como no instante seguinte se resumia a um quase imperceptível movimento ascendente das comissuras dos lábios, a falta de gosto na roupa e no penteado e o ar geral de tarado não estava mal de todo e cheirava bem, o que agradou a Justina.
– Isto é uma chatice – reclamou baixinho Justina, dirigindo-se a Cesário, que, nas suas rápidas e confusas deambulações oculares, parecia fixá-la por mero acaso. Sem perceber se ele a ouvira, Justina acrescentou: – Os transportes públicos estão cada vez pior. Este país é um caos.
– Uma chatice – repetiu Cesário, como se tentasse apreender o sentido das palavras e sem lhes dar qualquer entoação. – É um caos.
Justina olhou-o perplexa. “Este homem não podia trabalhar na televisão”, julgou, definitiva: “Está verde.”
Cesário que também se tinha ouvido com a mesma perplexidade – “Pareces um tontinho, McFly”, censurou-se –, decidiu aproveitar a energia que o seio que se mantinha aninhado no seu braço lhe dava e procurou rectificar a impressão que causara na proprietária da mama.
– É verdade – ponderou Cesário, falando pausadamente –, a ausência de uma politica realística de transportes, que deveria assentar nas necessidades dos utentes e não somente em directrizes economicistas, tem causado uma degradação acentuada da qualidade dos nossos transportes colectivos urbanos.
Justina assentiu com a cabeça satisfeita, tinha a mama no braço de um intelectual bem-cheiroso ainda que mal apessoado.
– Rodriga – apresentou-se Justina.
– Ah! – Cesário olhou para a mama no braço e depois para a outra: – E esta?
– Eu é que sou Rodriga – disse a mulher, surpreendida por uma memória recalcada de uma imagem de musgo verde num presépio da sua infância de que se lembrou quando se ouviu. Pasmada, perguntou sem querer: – Já não se fazem presépios, pois não?
Cesário olhou-a como se pretendesse decifrar o verdadeiro sentido da pergunta.
– Presépios? – questionou ele para ganhar tempo, a primeira carruagem estava a chegar a Arroios.
– Sim, com musgo.
Sem saber porquê, Cesário pensou em virilhas mas não nas suas nem nas da mulher cuja mama continuava emprateleirada no seu braço.
– Eu chamo-me Fausto e faço presépios no tempo deles – mentiu Cesário, que, na verdade, foi baptizado como Mauro.
– Com musgo?
– Não, o musgo lembra-me virilhas – confessou Cesário, repugnado.
– Virilhas com musgo?
– Não – respondeu Cesário, abanando a cabeça –, só virilhas. O musgo lembra-me virilhas.
A composição parou com um solavanco provocando com malícia que Justina enfiasse o nariz no cabelo de Cesário.
– O teu cabelo cheira bem, Fausto – apreciou a mulher.
“Arroios” avisou, atrasada, a carruagem.
– Eu vou para Roma – informou Cesário, julgando que a carruagem falava para ele. – Obrigado, é um shampoo – disse, respondendo a Justina.
– Passar o natal?
– Não, Pantene – esclareceu Cesário.
Justina viu a porta fechar e sentiu uma mão na nádega esquerda. Olhou em volta e só viu Cesário. O homem sorria deliciado.
– Azul? – perguntou Justina.
– O quê?
– O Pantene.
– Não, branco.
– O frasco?
– De plástico.
– E Roma?
– Não sei, nunca lá fui.
Justina e Cesário entreolharam-se cúmplices. Sentiam uma afinidade crescente – mais ele que ela na parte do crescente. Justina tirou a mão do bolso de trás das calças de ganga e agarrou o varão com ambas as mãos. Cesário ponderou seriamente em afastar-se para lhe dar espaço mas, apavorado com o facto de poder perder a mama, deixou-se ficar.
– É uma pouca vergonha – referiu Cesário só para continuarem a falar mas com ar sério e ligeiramente ofendido.
Justina ainda procurou perceber do que estava ele a falar seguindo-lhe o olhar errante mas não só não conseguiu como se sentiu enjoada. Era velocidade a mais para olhos que não estivessem habituados.
– O quê? – perguntou, engolindo em seco.
– Isto.
Justina tornou a seguir-lhe o olhar e voltou a sentir-se agoniada.
– O quê? – repetiu, baixando a cabeça e respirando fundo.
– Colocarem varões nos transportes públicos – criticou Cesário.
– Ah! – Justina riu-se. – É só um objecto, Cesário, e os objectos são amorais. É o uso que se lhes dá que é ou não contrário à moral vigente em cada momento. O varão por si só não…
– Cesário?! – interrompeu o homem, melindrado e afastando o seu braço da mama da mulher.
– Quando te vi achei que te chamavas Cesário – explicou a mulher, inclinando-se para voltar a pousar a mama no braço dele.
“Alameda” avisou a tempo a carruagem.
Para atestar que compreendia que Justina lhe chamasse Cesário e lhe perdoava essa fantasia e para demonstrar a sua alegria por voltar a ter uma mama no braço, ainda que agora fosse a outra, Cesário avançou com as sobrancelhas até meio da testa, que recuou temerosa até à esbarrar na franja, que se espetou de imediato numa coesa e intransponível linha defensiva. Cesário sentiu o cabelo levantar como se pusesse a mão num gerador de Van der Graaff mas não ligou, isso acontecia-lhe muito.
Receosa, Justina deu um passo atrás: não gostava de rock progressivo.
Na Alameda, a composição voltou a parar e as portas a abrirem-se escancaradas e sem vergonha. Justina olhou-as com inesperado e mal disfarçado interesse. Assustado com a perspectiva de a perder, Cesário rojou-se aos seus pés. Figurativamente, na verdade, por agora, o homem só pediu:
– Desculpa.
Justina olhou para a porta aberta ainda com olhos de fuga mas hesitou.
– Podes chamar-me Cesário – segredou Mauro, fixando-a, o que, para ele, era como se rojasse aos pés dela.
– Vais para Roma? – perguntou Justina, sorrindo complacente.
– Sim – confirmou Cesário. – E tu?
– Não sei. – Justina encolheu os ombros. – Ia sair aqui.
As portas fecharam-se com inusitado estrondo, impedindo Justina de sair. Mais do que sorrir, Cesário brilhou e cresceu. As portas tornaram a abrir-se. Cesário empalideceu. Justina largou o objecto metálico e cilíndrico que não iremos nomear e deu um passo na direcção de Cesário, que ganhou cor. A mulher, sem parar, piscou-lhe o olho esquerdo e continuou até à porta. Cesário ficou branco, sem pinga de sangue, sem força nas pernas, nem vontade de viver. Então, ela voltou-se para trás e perguntou:
– Vens?
Sem hesitar, ele foi.

Postalinho da Noruega

"Aí vai mais um postalzinho para a tua colecção. Da Noruega, «Mulher Pássaro», do escultor Jorunn Ohnstad.
Beijo.
Daisy"

Brushstrokes 029


07 março 2012

Concurso olhos nos olhos com Kate Upton

Ganha quem conseguir fixar o olhar nos olhos da Kate Upton por mais de 45 segundos.

«conversa 1877» - bagaço amarelo

Ela - O meu ex está sempre a dizer-me que não percebe o que é que falhou no nosso casamento.
Eu - Está?
Ela - Sim, e eu já lhe expliquei que o que falhou no nosso casamento foi precisamente ele não ser capaz de perceber onde é que o casamento falhou.
Eu - Admito que, só assim, também não percebi lá muito bem.
Ela - O facto de eu me sentir muito sozinha quando estava casada com ele, por exemplo, foi um motivo forte.
Eu - Ah! Isso já é um motivo com pés e cabeça.
Ela - Mas o grave foi ele nunca ter sido capaz de perceber isso.
Eu - Podias ter-lhe dito.
Ela - Se eu lhe tivesse dito, tudo o que ele mudasse para alterar as coisas não ia ter qualquer valor.
Eu - Assim dificultas muito as coisas.
Ela - Ninguém disse que manter uma relação é fácil.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Fruta 75 - No papparazzo, please!

Frases do Ricardo Esteves - «Hi, ho, Silver!»



O Ricardo Esteves está no Facebook, no YouTube, no blog Quotidiano Hoje e no Tumblr

06 março 2012

Michelle L'amour interpreta a «5ª Sinfonia de Rabothoven»


Michelle L'amour perform's "BUTTHOVEN'S 5TH SYMPHONY" from franky vivid on Vimeo.

E mais porno para toda a família






Pornos na padaria anteriores.

Blog Farinha Amparo

Eva portuguesa - «Clientes»

Tenho tido vários tipos de clientes.
Uns educados, carinhosos, meigos, gentis, doces, preocupados; verdadeiros seres humanos.
Outros bonitos, corpos perfeitos, bom aspecto, "sarados", bem vestidos, bem falantes.
Alguns boas quecas, excelentes companheiros de alcova, que não precisam de se esforçar muito para me darem verdadeiramente prazer (e por vezes mais do que uma vez! ;) ).
Com sorte, há alturas em que um cliente junta várias destas características, pertencendo a duas ou mesmo três destas categorias.
Depois há os intolerantes, mal-educados, com a mania que são melhores, que fazem questão de me fazer sentir uma puta reles, quer com palavras, quer através de atitudes. É o típico cliente que, tendo uma vida lastimável e se sinta uma porcaria, gosta de vir descarregar isso em cima de nós, achando que somos bichos e estamos ali para fazer tudo o que querem, independentemente da forma que nos façam sentir. São estes que gostam de nos julgar, definindo aquilo que fazemos como "vida fácil", intitulando-nos de cabras mentirosas; cegos e surdos a qualquer tipo de sentimento humano... E são estes que adoram regatear preços, provavelmente achando que ainda devíamos ser nós a pagar-lhes!
E é com estes clientes (e apenas estes) que ponho em prática as técnicas de meditação que aprendi, para assim não lhes cuspir na cara e aguentar uma hora de puro sofrimento em que apenas penso nos 100€ que tanta falta me fazem...
Felizmente, diria que nem 1% dos homens que partilham a minha cama pertencem a esta estirpe em vias de extinção 
(espero eu)...
Aliás, acho que tenho tido muita sorte com os "meus homens", pois cada um à sua maneira tem-me feito sentir especial... Já por mais que uma vez tive a agradável surpresa de, ao abrir a porta, ver surgir uma rosa seguida de um sorriso... por vezes um lanche especial... uma caixa de bombons, recordando a doçura de quem a oferece... o meu perfume preferido, adivinhado, sentido, assimilado... aqueles sapatos da marca xpto que eu andava a namorar, que eram demasiado caros para as minhas posses (e adivinhando o meu número de pezinho de cinderela, como se de um príncipe encantado se tratasse)... uma ajuda extra numa altura de maior aflição minha, mostrando a bondade, humanidade e preocupação de quem o faz... até uma prendinha para o meu filhote, num gesto comovente de quem realmente me conhece e respeita como mãe...
Pequenos grandes gestos de verdadeiros homens, verdadeiros seres humanos, gentis, tolerantes, bondosos, sedutores, generosos, amigos, autênticos, únicos cada um à sua maneira...
Todos eles têm um lugar muito especial no meu coração, meu enquanto Eva e enquanto... e enquanto mãe...
Não é raro pensar neles com um sorriso; e tento sempre fazer com que cada um destes homens magníficos se sinta tão bem e tão especial como me faz sentir a mim... Com cada um individualmente, tento dar o meu melhor, ser aquilo que precisam e desejam e, sobretudo, fazer-lhes sentir que, mesmo que seja apenas por uma hora, nesse espaço de tempo eu me entrego numa dádiva genuína de quem sabe dar valor a quem merece e que sou apenas dele...
E isto não se compra, vende ou aluga, pois é a retribuição genuína e sentida da partilha da felicidade...
A eles agradeço tudo o que tenho, grande parte do que sou e o meu crescimento como ser humano, mulher e Escort...
Por e para eles espero continuar a melhorar...
Para eles dedico esta mensagem...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

32 cartas «Chansons à Boire»

Embora tenha o aspecto de um jogo de cartas, trata-se de uma caixa com 32 "cartas" que têm as letras de «canções para beber» (canções que os Franceses gostam de cantar quando vão para - e estão com - os copos) de um lado e uma ilustração deliciosa do outro lado.



05 março 2012

Quem ganha mais?



HenriCartoon

O que terão aquelas almofadas que lhes faz tanta comichão?...


TranceDance2 por Trance-Dance

«conversa 1876» - bagaço amarelo

Ela - Estou um bocado deprimida com o último gajo com quem fui para a cama.
Eu (risos) - Porquê?
Ela - No fim disse-lhe que tinha sido bom. Enfim, que eu tinha gostado.
Eu - Ainda bem, então.
Ela - Mas ele respondeu-me que sim, que até tinha sido mais ou menos.
Eu - Mais ou menos?! Ena!
Ela - Pois. Expulsei-o logo da cama e de casa.
Eu - Também não era preciso tanto.
Ela - Era, era. Será possível que um homem não tenha um mínimo de sensibilidade?!
Eu - Nem sei que te diga...
Ela - Agora queria era pedir-te uma coisa.
Eu - O quê?
Ela - Que lhe devolvesses as cuecas. É que eu não o quero ver mais.
Eu - Queres que eu vá devolver umas cuecas a um gajo que eu não conheço de lado nenhum?! Claro que não.
Ela - É que senão ele vai lá casa buscá-las e não me apetece vê-lo durante uns tempos.
Eu - Ele que esqueça as cuecas.
Ela - Mandou-me uma mensagem, porque eu não lhe atendo o telefone, a dizer que tem medo que a mulher dele dê pela falta delas.
Eu - A mulher dele?! Ele é casado?!
Ela - Pelos vistos. Eu também não sabia.
Eu - Eu não lhe dou cuecas nenhumas, desculpa lá. E se eu fosse a ti também não dava. Com essa do "mais ou menos", o melhor que podes fazer é pôr as cuecas no lixo e deixar que a mulher dele descubra e se chateie.
Ela - Bem visto. Sabes que às vezes pensas mais como uma mulher do que eu própria?


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Mais alguns poemas eróticos lidos pelo Luís Gaspar

Para nossa satisfação, o Luís Gaspar continua a publicar leituras suas de poemas de vários autores, no seu (e nosso) Estúdio Raposa.
Aqui estão alguns exemplos:




Encandescente – Uma Cantiga de Seguir: “Em redor da vulva”
Bíblia – “Cântico dos Cânticos – 4º”
David Mourão-Ferreira – “Sobre mim cavalgas…”
David Mourão-Ferreira – “Nádegas”

Baixaria na vida da Morte



Capinaremos.com

04 março 2012

Semana especial LGBT no Porta Curtas - «Fabricação Própria - A Desordem do Desejo»

Documentário de Carol Thomé - 2007 - 13 min

Um documentário de carne, osso e desejo.
Refém do próprio corpo, Guta Silveira conta como driblou a natureza. Ou seria o destino? Um retrato da primeira transexual operada legalmente no Brasil. A carne é um peso difícil de carregar.



Link directo para o filme aqui.

Um par de orelhas


Àquela hora da manhã não sei que raio de impulso de nossa senhora dos aflitos me deu para largar a bica e me levantar a interpor-me entre o murro certeiro do grandalhão e a cara dele. Talvez a quase certeza de que os homens não batem a uma mulher a não ser no recato doméstico sem audiências mas adiante.

Ele agradeceu-me polidamente com um novo café e fiz das tripas coração para não lhe berrar que a mim gajo nenhum paga coisa alguma. E ele lá foi abrindo as suas asas de deputado desterrado para a capital e circundado de gente por todos os lados, com propostas de acção, de negócio e de troca de favores a abarrotar-lhe os dias. Nem lhe faltava sexo mesmo que depois lhe pedissem um emprego melhor para si ou alguém da família ou um jeitinho para despachar uma licença na câmara daquele gajo que ele até conhecia. Tanto mais que choviam gajas a colarem-se com o corpinho todo pelo prazer de depois passearem o seu estatuto pelo braço. Às vezes até gastava umas notas valentes com meninas de preço tabelado só para escolher à sua maneira o que pagava.

Recolhi os instintos de o despir e de lhe apaziguar as mágoas com muita transpiração numa confusão de sexos na boca e mãos cravadas em nádegas e até da magia de fazer crescer uma pila dentro de mim em toques sincronizados e espasmódicos de vagina porque ele não precisava de uma foda mas de um par de orelhas amorosas que lhe espantasse a solidão dos dias.

Oslo (Noruega)

"Rebaldaria no Vigeland Sculptures Park.
Postalinho para o blog da Sãozinha,
Do Alfredo e da Daisy"



O abono da família PSD



HenriCartoon

Traumas


Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

02 março 2012

Óscar Alhinho - A Ode do Amor



O Óscar está apaixonado pela Carlota, sendo que esta possui uma cadelita chamada Fiona que adora trepar a tudo o que é pernas.
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✉ ricardoestevestv@gmail.com

«Ou vai ou racha» - Patife

Tenho um nabo magnético e se há coisa de que não me posso queixar é de ter sempre chonas a caírem que nem tordos na ponta do meu pincel. É como se o Pacheco fosse um íman e as chonas fossem frágeis metais em claras dificuldades. O trânsito sexual do meu nabo está sempre em hora de ponta e isso habitua mal um gajo. É por isso com relativa dose de espanto quando não saco uma pachacha em menos de dez minutos. Escusam de alardear para aí ah e o camandro mais o exagero, deves pensar que agradas a gregas e a troianas. É verdade que não. Mas sempre preferi agradar a gretas e a pares de mamas. E na semana passada conheci uma fadista que teve a audácia de se armar em difícil, a sonsa. De nada me valeu meter-me com ela dizendo que se ela era fadista eu era melhor fodista, que nem um sorriso de cortesia lhe consegui arrancar. Mas não virei o nabo à luta. Já perdi muitas batalhas mas nunca perco uma boa guelra. Por isso não lhe dei tréguas. Ainda pensei em soltar as armas de sedução massiva, que é como quem diz, soltar o Pacheco, que ela ficaria boquiaberta de espanto. O que é logo meio caminho mamado. Mas estávamos num bar com algumas pessoas e ela até ia subir ao pequeno palco e cantar a seguir, por isso portei-me convenientemente e só meti a cabeça do Pacheco de fora. Para grandes desafios, grandes cabeças. Quando o estava a meter de fora recordo-me de ter pensado: Bem… Ou vai ou racha. Foi racha. Bem no meio da sua racha.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

«conversa 1875» - bagaço amarelo

Ela - Achas bem que uma mulher ande com um homem vinte anos mais velho?
Eu - Não acho bem nem acho mal. Não acho nada...
Ela - Caraças! Nem se pensares que quando ele tinha vinte anos ela ainda era um bebé?
Eu - Que raio de conversa, sinceramente.
Ela - Tinha esperança que tivesses uma resposta na ponta da língua...
Eu - E para que é que tu querias que eu tivesse uma resposta na ponta da língua?
Ela - Para quando os meus pais me perguntarem o mesmo.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Safe house na Mouraria



HenriCartoon

E deus colocou espinhos

Culpa das mulheres.




Tadinha da Eva.

Capinaremos.com

01 março 2012

O coleccionador de pentelhos




De Recordações da Casa Amarela de João César Monteiro

Hidromassagem

Sexo.
– Sexo?
– Sim, sexo.
– Sexo, o quê?
– Uma das coisas que agora são melhores.
– Desculpa?!
– Não me perguntaste o que é melhor, agora que estamos separados?
– Perguntei.
– É isso.
– O sexo é melhor?
– É. Não achas?
– Se eu acho que o sexo que tu tens, agora que estamos separados, é melhor?!
– Sim, não achas?
– Tu estás a perguntar-me se eu acho que…
– Sim. Estou. Não achas?
– Sei lá… O que eu acho é que tu devias ter vergonha.
– De quê?
– De me estares a dizer isso e a perguntar se eu não acho.
– Tu é que me perguntaste!
– Sim mas não foi agora.
– Mas eu estou a responder-te agora.
– Porque é que tu nunca respondes às coisas quando eu te pergunto?
– Boa pergunta.
– Típico!
– O quê?
– Não respondeste.
– Nisso não melhorámos.
– Tu não melhoraste! Tu!
– Mas no sexo melhorámos.
– Eu melhorei.
– Melhoraste?
– Sim, agora tenho melhor sexo.
– Temos.
– Tenho.
– Apesar de estarmos separados, se temos os dois: temos.
– Sim mas nem sempre ao mesmo tempo.
– Hã?!
– Ah!
– Ah?!
– Agora é que eu percebi.
– Agora é que percebeste o quê?
– O sexo e o facto de me estares a dizer assim.
– A dizer assim, como?
– A anunciares com esse ar…
– Que ar?
– Como se fosse uma coisa boa.
– E é.
– Sim, agora já percebi isso mas, ao princípio, não estava a perceber.
– Eu é que não estou a perceber.
– Ao princípio pensava que estavas a gozar comigo, por isso é que te disse que achava mal estares a dizer-me e a perguntar se eu não achava.
– Porque é que havia de estar a gozar contigo?... Tem sido realmente melhor, não achas?
– Sim, claro. Tem sido realmente melhor.
– O que é?
– O meu soutien?
– Vais-te já embora?
– Tenho de ir… Ah! Está aqui! Queres as tuas cuecas?
– Importaste que eu fique?
– Aqui?
– Sim.
– Não. Fica. Eu é que tenho de me ir mesmo embora.
– Vou aproveitar a banheira de hidromassagem. Não te importas?
– Não, Paulo. Fica… É uma das coisas boas de estarmos separados.
– O quê?
– Fazermos o que nos apetece.
– Isso é verdade.
– Beijos.
– Falamos amanhã?
– Provavelmente… Boa hidromassagem.
– Obrigado… Olha, Ana!
– Diz?
– Só não percebi uma coisa: nem sempre ao mesmo tempo, o quê?
– Nada, depois falamos. Não adormeças na banheira.

Brushstrokes 016

Pensando bem...

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Vida marital


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