24 setembro 2013

Revistas da colecção - 1

Não é fácil listar as mais de 700 revistas que integram a minha colecção.
Mas fica aqui uma primeira parte...

Lote de revistas de Banda desenhada - Portugal (Comix, Moda Foca, BD Voyeur, Gaiola Aberta…) 8
Lote de revistas de Banda desenhada - Brasil (Chiclete com Banana) 2
Lote de revistas de Banda desenhada - Espanha (Kiss, Comix, Wet Comix, El Jueves,…) 6
Lote de revistas de Banda desenhada - França (Fluide Glaciale, Psikopat, BoDoï,…) 4
Lote de revistas de Banda desenhada - E.U.A. (Sizzle) 3
Lote de revistas de Banda desenhada - «Blue» (Itália) 14
Lote de revistas «GQ» (Portugal) 29
Lote de revistas «Photo» (França) - nºs especiais e concursos «Photo Amateurs» 32









23 setembro 2013

«Do esboço até à loja» - French Connection


FRENCH CONNECTION | FROM SKETCH TO STORE from LE BOOK on Vimeo.

«conversa 2015» - bagaço amarelo

Ela - Passei ontem à noite pelo meu ex-namorado e ele fingiu que nem me viu. Ia com a namorada nova dele. Hoje de manhã telefonou-me e explicou-me que a gaja não o deixa falar comigo. Achas normal?
Eu - Acho um absurdo.
Ela - E eu chego à conclusão que namorei dois anos com um banana...
Eu - Ou é um banana, ou ela tem qualquer coisa de muito especial que o faz aceitar isso.
Ela - O que é que pode ser tão especial assim?
Eu - Hum...
Ela - Já percebi. Agora tira esse ar de criança a pensar em doces!


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

A velha anedota



HenriCartoon

Luís Gaspar lê «O bolero do coronel» de António Lobo Antunes

Eu que me comovo

Por tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada
Usei o teu corpo

Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome

Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão
Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias
De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste

Nem sequer gemeste,

Mordeste, abraçaste

Quinhentos escudos
Foi o que disseste

Tinhas quinze anos
Dezasseis, dezassete
Cheiravas a mato

À sopa dos pobres

A infância sem quarto
A suor, a chiclete

Saíste do carro
Alisando a blusa

Espiei da janela

Rosto de aguarela
Coxa em semifusa

Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão
Sobrancelha em asa
Disse: fiz serão

Ao filho e à mulher
Repeti a fruta
Acabei a ceia

Larguei o talher
Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada
Que de olhos em chama

Só tinha na ideia
Teu corpo parado
Na berma da estrada
Eu que me comovo
Por tudo e por nada

António Lobo Antunes
(Lisboa, 1 de Setembro de 1942)
é um escritor e psiquiatra português. Entre 1971 e 1973 viveu em Angola, onde participou, como tenente médico do Exército, na Guerra do Ultramar. Posteriormente exerceu a profissão no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa, até 1985. Em 1979 publicou os primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, que obtiveram grande êxito

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Ciúmes

Mulheres são todas assim.



Muito medo.

Capinaremos.com

22 setembro 2013

«I Fucking Love Ikea» (eu amo mesmo a Ikea, foda-se!) - Erika Lust


I Fucking Love Ikea - soon to be part of Xconfessions.com from Erika Lust on Vimeo.

Escorregar no tapete


Aos primeiros raios do sol de verão acordámos com os corpos enlaçados um no outro e os nossos vizinhos dos andares lateral e inferior puderam ouvir os clamores da nossa massagem matinal.

E com o dever cumprido e a minha preguicite virada para o outro lado, ele escorregou da cama, chinelos e cuecas apanhados do chão e pé ante pé, lá foi escarrapachar os seus slipes pretos na cadeira almofadada ao seu cu e de dedo em riste, zás, ligou o computador acomodado à Microsoft.

Cada dia ele dedicava mais tempo ao computador, ora com olhos embevecidos, ora com esgares interrogativos como se estivesse a partilhar uma discussão com aquele amontoado suave de metais e circuitos integrados. Na ocasião pensei que seria mais preocupante caso se dedicasse a esticar o seu corpinho no sofá para as sessões contínuas da SporTv ensopadas em cerveja branca ou uísque com gelo.

Mas as refeições passaram a ser mudas e sem comunicação visual e até o contacto da pele se tornou um passeio de bicicleta fixa para cumprir os horários de exercício, inodoros e insonorizados. E assim me vi impelida a aprofundar a raiz da questão: comprei um portátil e mergulhei no mundo digital. O fascínio dos pixels, das letras a brilhar como que impressas, o poder de criar imagens sem saber um boi de desenho, a facilidade da comunicação à distância nas velhinhas BBS e depois nos chat's e MSN, tornou-o meu companheiro inseparável.

Sabe Senhor Doutor, ter um pc é ter um orgão excitante e eréctil, sempre ao alcance da mão e afinal, com o tempo, o amor acaba por ser ficção.

«As pedras falam e amam» - por Rui Felício


Por trás dela, como cenário de fundo de palco, uma enorme e grossa porta de castanho enegrecido pelo tempo, toda ouriçada de cravos de ferro pontiagudos como espinhos em lombo de dinossauro.A seus pés, sentados nos degraus da escadaria da Sé Velha, quatro homens de ar sisudo e compenetrado, envoltos em capas negras, extraiam das guitarras sons melancólicos, belos, arrepiantes, que as paredes das casas em frente devolviam chorosos, carregados de saudade.
Era a primeira vez que, na noite escura e naquele mesmo local por onde passaram os maiores nomes da canção académica, uma mulher cantava o fado de Coimbra, contra a opinião dos puristas da tradição, mas com o aplauso dos que entendem que a canção coimbrã deve evoluir e adaptar-se à sociedade estudantil actual, sem peias ou condicionalismos serôdios e ultrapassados pelo tempo.
O timbre cristalino da sua voz, a forma peculiar da interpretação, a beleza da sua elegante silhueta, enriqueceram a melodia, sem olvidar as vozes de antanho, antes melhorando-a.
Finda a serenata, os ecos das guitarras foram esmorecendo sob o pesado silêncio da noite e ela, no seu vestido negro a esvoaçar ao vento, despedindo-se dos artistas que a acompanharam, optou por se afastar sozinha em direcção à Baixa.
Descalçou-se e de pés nus e os sapatos de salto pendurados na mão, ainda com o peito a arfar de prazer pela romântica noite que acabara de viver, foi descendo pensativa a íngreme calçada do Quebra Costas.
Pisando as mesmas pedras frias por onde caminharam Menano, Goes, Bernardino, Zeca Afonso e tantos outros.
Estacou!
Pareceu-lhe ouvir um sussurro vindo das profundezas da calçada. Tensa, apurou os sentidos e, incrédula, ouviu este diálogo entre o calhau rolado, estranhamente mais tépido que os outros, e que o seu pé nu inexplicavelmente acariciava e o degrau de mármore da casa ao lado.
- Sou de rudes origens, nasci na Serra da Estrela e rolei na correnteza do Mondego até chegar a Coimbra onde me poli até ser colocado nesta calçada.
Por aqui passaram homens e mulheres insignes, ricos e pobres, sérios e desonestos, polícias e estudantes. Mas a nenhum deles jamais me afeiçoei.
Agora, porém, estou perdidamente apaixonado.
E tu meu caro mármore, como aqui vieste parar?
- Vim de Estremoz para embelezar os salões da Universidade, do Episcopado, dos Solares das familias burguesas.
Das sobras, fizeram-me degrau desta casa. Orgulho-me de conviver com a aristocracia, ao contrário de ti, pobre calhau rolado sem pergaminhos.
Mas nós as pedras não temos sentimentos. Não compreendo por isso, como dizes estar apaixonado! E por quem o estarias?”, perguntou-lhe trocista o mármore na sua frieza gélida.
O calhau rolado, ronronou, de coração palpitante, envolto num doce prazer e respondeu-lhe:
- Jamais, até hoje, tive a sensação da aveludada pele de um pé nu carinhoso e sensual a afagar-me, como agora mesmo o sinto.
O pé de uma bela mulher romântica, dona de uma voz incomparável, que ainda há pouco fez resvalar por estas pedras como água limpida e fresca, que só um frio e pedante mármore como tu não consegue sentir.
Sim, estou apaixonado por esta jovem e esbelta mulher!

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Foto - Carlos Martins (2005) - olhares.com

Tim Noble e Sue Webster - «Black Narcissus», 2006


Via Danish Principle

19 setembro 2013

«contra a parede» - pequeno filme animado de adams carvalho


contra a parede from adams carvalho on Vimeo.

Suporte de telemóvel

Mulher de pernas dobradas, apenas com luvas e collants.
Suporte de telemóvel que faz parte da minha colecção.


Colecção digitalizada de revistas porno portuguesas

Um visito da minha página no Facebook disponibilizou-me a sua (enorme) colecção de revistas pornográficas portuguesas (a mítica Gina, Tânia, Weekend Sex, Darling Sex, Sex Strip e outras) em formato digital (pdf), o que tem a vantagem de as páginas não se colarem.
E, como ele é vosso amiguinho, deixa-me partilhar convosco a pasta onde estão essas revistas digitalizadas:

Revistas porno portuguesas

Aproveitem que o link não vai estar disponível eternamente...
[actualização] não esteve mesmo muito tempo disponível: "Esta é uma notificação automática do Dropbox para informar que seus links públicos foram temporariamente suspensos por gerar tráfego excessivo". Esta malta, quando afunda, é danada

Assim não se perdem chaves

Crica para veres toda a história
Puxadores de portas em latão


1 página

18 setembro 2013

«Vens buscar-me?» - João

"Havia um socalco relvado e um murete branco, e uma paisagem desimpedida sobre uma parte da cidade ribeirinha, com o Sol de uma tarde ainda de Inverno a fazer brilhar a ondulação das águas doces a misturar-se com as salgadas. Tu estavas sentada em frente, e eu de lado, virado para ti.
– Quero tanto ficar contigo. Deixas?
– Deixo. Claro que deixo, também quero muito – retorqui, enquanto me aproximava do teu ombro, pousando nele a cabeça e segurando as tuas mãos. E prossegui – respeitar-me-ias se fizesse algo diferente?
– Como? Diferente como?
– Respeitar-me-ias, como homem, se fizesse algo diferente do que vou fazer?
Veio o silencio, alguns segundos apenas, e logo depois:
– Mas vens buscar-me? Espero por ti?
– Espera.
– E vens mesmo buscar-me?
– Vais querer? Vais querer que te procure? Como saberei se ainda me queres?
– Se me prometeres que me vens buscar, eu faço-te saber.
– Sim amor. Vou buscar-te – e depois, falando-lhe ao ouvido, enquanto a apertava nos meus braços, disse – estejas onde estiveres, sabes que te quero, e eu sei que me queres – e em voz alta, completei – e quando te for buscar, vou agarrar-te tanto, tanto. E vou perder as minhas mãos no teu cabelo, e vou cheirar-te como um perfume raro, e vou olhar tanto, mas tanto esses teus olhos… – e então as lágrimas pesadas e grossas escorriam do teu rosto, e eu inquietei-me, sofri calado, e tu de novo – quero tanto ficar contigo, e isto é tão pouco – e olhavas para outro lado, não me encaravas, e eu apertei-te de novo contra mim e disse-te:
– Não te percas, não me percas. Não me esqueças, amor. Eu vou-te buscar."

João
Geografia das Curvas

Nó cego

No meu sonho estás amarrada e nos teus olhos não leio qualquer vontade de fugir.

«pensamentos catatónicos (297)» - bagaço amarelo

Hoje, não por acaso

Hoje, não por acaso, lembrei-me dela. Nunca percebi se a Amei sem me apaixonar ou se me apaixonei sem a Amar. Só percebi o meu corpo clandestino, como um fugitivo sem papeis, a querer esconder-se no dela. Assim, sem cartão de cidadão nem passaporte, e ela a deixar sabendo que era ilegal.
Hoje, não por acaso, lembrei-me duma bebedeira de batidos de fruta mais uma guitarra com cinco cordas, um tapete na parede com dois cavalos e um rádio fanhoso a tentar captar a nossa atenção. Depois ela, e eu sem perceber se era a sorte ou o azar que me tinha levado até ali, àquela doce e terminável fonte de prazer.

- E agora? - perguntei

Hoje, não por acaso, lembrei-me do dedo indicador da mão direita dela a trancar-me suavemente os lábios, e os dela a dizerem shhhhhhhhh!, como se o silêncio fosse a única razão para estarmos ali fechados em nós mesmos, por uma só vez.
Hoje, não por acaso, lembrei-me de a ter levado ao autocarro, numa linha qualquer que ligava a rotunda da Boavista à cidade da Maia, e de eu ter ficado ali horas depois de lhe dizer adeus, acreditando que se ali ficasse talvez a tornasse a ver. E a cidade disse shhhhhhhh!
Hoje, não por acaso, lembrei-me que o Amor tem esta mania estúpida de, mais tarde ou mais cedo, nos vir dizer que não é bem assim. Que estávamos enganados e nos devemos sentir gratos por isso. E eu aqui, a concordar com ele, que me sinto grato por ter existido e por me lembrar dele. Hoje, não por acaso.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

«Fazer um minete de silêncio» - o Amigo de Alex


Montagem d'O Amigo de Alex

17 setembro 2013

«Fantasy Reconstituted» (fantasia reconstituida) - Marc Blackie


Fantasy Reconstituted from Marc Blackie on Vimeo.

O que vi hoje...


«Ausência» - Susana Duarte


Faltam-me as pétalas com que escrevo a dor de não te abraçar
na colorida floração de uma primavera dorida
onde a tua voz é espectro de um amar
que não encontra a própria ferida
para, enfim, a curar,
da dor desmedida
da ausência
de ti.



Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Bengala em madeira monóxilo

Bengala artesanal trabalhada em madeira com 90 cm de comprimento, tendo na pega um falo a encimar o corpo de uma mulher.
Sim, sim, eu também tive de ir ver ao dicionário o que quer dizer "monóxilo" - formado de uma só peça de madeira.
Bem... por acaso a bengala chegou partida a 20 cm da base e tive que a colar. Ou seja, agora tenho na minha colecção uma bengala "bióxilo"?!






16 setembro 2013

«Control yourself» (controla-te a ti própria) - Agent Provocateur

Com Melissa George, Chloe Hayward e Elettra Wiedemann

«respostas a perguntas inexistentes (254)» - bagaço amarelo

Conheci-a numa festa qualquer. Nenhum de nós gostava de dançar, nenhum de nós gostava da música demasiado alta, nenhum de nós queria acabar a noite com demasiado álcool no sangue. Acabámos por ficar os dois na cozinha, o local de culto habitual para quem está numa festa sem querer efectivamente estar e sem querer, efectivamente também, não estar. Falámos de nós e, tanto quanto me lembro, de temas tão diversos como a música pop nos anos oitenta, o queijo de cabra francês, a cordilheira dos Andes ou a forma como as Orcas caçam focas bebés.
A festa acabou para todos eram aí umas quatro da manhã. Menos para nós. Como se costuma dizer, a coisa aconteceu. Primeiro comprámos dois grandes copos duma espécie de café na máquina automática duma bomba de gasolina, que bebemos ainda dentro do meu carro minúsculo. Acabámos por aceitar que estávamos os dois a esticar a noite com o mesmo propósito. Ela levou-me para casa dela. Lembro-me, especialmente, do contraste entre o frio dos lençóis e o calor do corpo.

- É tão estranho! - disse ela.
- O quê?!
- Se passasses por mim na rua, serias apenas mais um transeunte sem qualquer tipo de interesse...

E eu a pensar que não. Se passasse por ela na rua seria apenas mais uma transeunte, sim, mas com todo o interesse do mundo. Olharia para ela fingindo que não o estava a fazer. Talvez me baixasse para dar um jeito aos atacadores dos sapatos e, tão certo como eu estar ali, suspiraria pelo menos uma vez.

É sempre essa a diferença entre um homem e uma mulher, pensei. Um homem é sempre um homem qualquer, enquanto aquela mulher é sempre aquela mulher.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Para o Zé» de Adélia Prado

Eu te amo, homem, hoje como

Toda a vida quis e não sabia,

Eu que já amava de extremoso amor

O peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos

De bordado, onde tem

O desenho cómico de um peixe – os

Lábios carnudos como os de uma negra.
Divago quando o que quero é só dizer

Te amo. Teço as curvas, as mistas

E as quebradas, industriosa como uma abelha,
Alegrinha como florinha amarela, desejando

As finuras, violoncelo, violino, menestrel

E fazendo o que sei, o ouvido no teu peito

Para escutar o que bate. Eu te amo, homem, amo
O teu coração, o que é, a carne de que é feito,
Amo sua matéria, fauna e flora,

Seu poder de perecer, as aparas das tuas unhas

Perdidas nas casas que habitamos, os fios
De tua barba. Esmero. Pego tua mão, me afasto, viajo

Pra ter saudade, me calo, falo em latim pra requintar meu gosto:

“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas

o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não

ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.
Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama
Fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.

Te alinho junto das coisas que falam

Uma coisa só: Deus é amor. Você me espicaça como

O desenho do peixe da guarnição de cozinha, você me guarnece,

Tira de mim o ar desnudo, me faz bonita

De olhar-me, me dá uma tarefa, me emprega,
Me dá um filho, comida, enche minhas mãos.

Eu te amo, homem, exatamente como amo o que
Acontece quando escuto oboé.
Meu coração vai desdobrando
Os panos, se alargando aquecido, dando
A volta do mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.
Amo até a barata, quando descubro que assim te amo,

O que não queria dizer amo também, o piolho.
Assim,
 Te amo do modo mais natural, vero-romântico,
Homem meu, particular homem universal.

Tudo o que não é mulher está em ti, maravilha.

Como grande senhora vou te amar, os alvos linhos,

A luz na cabeceira, o abajur de prata;
Como criada ama, vou te amar, o delicioso amor:

Com água tépida, toalha seca e sabonete cheiroso,
Me abaixo e lavo teus pés, o dorso e a planta deles

Eu beijo.

(Poema “Para o Zé” in Poesia Reunida, São Paulo: Siciliano, 1991)

Adélia Prado
Adélia Luzia Prado Freitas (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935) é uma escritora brasileira. Os textos retratam o quotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, num estilo único.

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Culpa do Noé

Eis o motivo da extinção dos unicórnios.



Até teve um relacionamento, mas não procriaram…

Capinaremos.com

15 setembro 2013

Na Ucrânia, o exercício ao ar livre é extremamente agradável

Postalinho frutícola

"Ah, frutinha boa!..."
Luísa M.


Chula fílmica




Quando terminamos e ele se deita de costas, a fumar um cigarro, sou capaz de ficar horas ali, de barriga para baixo, apoiada nos cotovelos, a brincar com os pelinhos grisalhos do seu peito, roçando os mamilos na sua barriga, a ouvir as histórias dos seus vinte anos. De como o «Último Tango em Paris» fez filas intermináveis às portas dos cinemas, com homens e mulheres de todas as idades, dias e dias a fio. De como corriam pelo país as campanhas de alfabetização, os grupos de teatro e de música e até amplas simultâneas de xadrez, acompanhadas de recolhas de fundos em autocolantes para isto tudo e até para a construção de creches e infantários. De como o tempo e o FMI , impuseram o aperto do cinto, o cancelamento do 13º mês e a tristeza solitária passou a encher as sessões contínuas do Odéon e no dia de finados de 1975 foi encontrado Pasolini assassinado numa praia.

Numa traquinice, enfio-lhe rapidamente a minha língua no umbigo e abraço-lhe as ancas escondendo a cara no seu baixo ventre, para levantar a cara de repente e lhe sorrir. Não lhe ofereço chocolates belgas em forma de búzio mas com as mãos em concha vou-lhe teclando as bolsinhas esponjosas e polindo o monumento digno de Cutileiro como se fosse um gelado a derreter no pino do verão, no vão desejo que esses breves instantes iludam a faixa cinzenta de Bruxelas que sustenta verbalmente o crescente preço da gasolina e da electricidade com tudo o resto a seguir o mesmo caminho em bichinha de pirilau, tal qual a falta de aumento de salário que ele ali à minha frente aguenta desde há uns anos com a perspectiva de ter ainda a reforma adiada para uma idade cada vez mais tardia.

Rainha das Copas



Via EcleticaErotica

12 setembro 2013

Sabores tradicionais de Portugal - vai uma... foda?

Artigo no Diário de Notícias sobre a «Foda à Monção»
- crica para ampliares
"Quem não aprecia uma Foda à Monção?
Silêncio...
Passou o choque? Para quem ainda aí ficou a ler o post eu explico tal ordinarice.
A «Foda à Monção» não é mais que cabrito (ou cordeiro) no forno com arroz, o prato mais típico da zona de Monção, regado com «Alvarinho».
Como é tradicional, os habitantes do burgo, que não possuíam rebanhos, dirigiam-se às feiras (coisa que já não existe) para comprar o reixelo. E, como em todas as feiras, havia de tudo, bom e mau. A verdade é que os produtores de gado, quando o levavam para a feira, queriam vendê-lo pelo melhor preço e, para que os reixelos parecessem gordos, punham-lhes sal na forragem, o que os obrigava a beber muita água. Na feira, apareciam com uma barriga cheia de água e pesados, pareciam realmente gordos. Os incautos que não sabiam da manha compravam aqueles autênticos 'sacos de água' e, quando se apercebiam do logro, exclamavam à boa maneira do norte: … mais uma foda!
Daí, tanto se vulgarizou o termo que passou a designar-se, localmente, por foda. De tal modo que é frequente, pelas alturas festivas (Páscoa, Corpo de Deus ou Coca, Senhora das Dores e Natal ou Fim de Ano) ouvir as mulheres: Ó Maria, já meteste a foda? O cliente 'tá reclamar que a foda 'tá a demorar!
Também há quem diga que a origem é outra. Que os maridos, depois de encherem o bandulho, dizem para as esposas que aquilo é melhor que uma foda.
Por isso, quando fores a Monção não te esqueças de comer uma boa... foda.
Imaginem o orgulho que é uma cidadã de Monção andar com um certificado, tipo um crachá, espetado no peito, dizendo algo do género:  faço as melhores fodas de Monção!"
Carlos Miguel

«Johnny Zipper - às suas ordens» - boneco sado-masoquista

Boneco em borracha com fecho tipo zipper metálico na boca, da Cha Cha Cha.
Está numa caixa em formato de jaula.
Sado-masoquismo q.b. na minha colecção.



A lança do leão (ou será leopardo?)

No 5º dia da nossa recente expedição pedestre por terras de Sua Majestade (minha não é, de certeza), passámos pelo castelo de Carlisle, uma bela construção que vigia de perto o curso do rio Eden. Este castelo detém no seu palmarés, ao cabo de uma história de sucessivas alternâncias de posse entre ingleses e escoceses, o título de castelo mais vezes vítima de cerco do Reino Unido e alguns dos episódios que ocorreram neste castelo são da mais pura e dura pornografia.

Sendo tão cobiçado, é natural que a sua guarda tenha sido bastante cuidada, dotando-o de uma guarnição permanente durante largos séculos. Ora, se durante os períodos de guerra, a vida no castelo era tudo menos aborrecida, já durante os interlúdios pacíficos era mais complicado arranjar distracções. Compreende-se pois que, muitos dos soldados desta fortaleza, tenham dedicado os seus períodos de ócio a criar verdadeiras obras de arte nas paredes interiores da torre de menagem do castelo.

Ora, foi precisamente ao admirarmos estes painéis tão copiosamente elaborados que reparámos numa gritante discrepância entre um dos motivos insculturados numa das paredes e o painel interpretativo que se encontrava junto a ela. Conseguem descobrir as diferenças?



Pormenor do painel interpretativo que identifica um "leão ou leopardo coroado, do brasão de armas de Inglaterra", política e moralmente correcto.


O dito leão ou leopardo que, pelos vistos, está não só coroado mas também armado com uma lança em riste. Pela natureza dos motivos ignorados no painel interpretativo quase dá para acreditar que o mesmo foi elaborado pela austera e púdica Rainha Vitória.