03 outubro 2013

Revistas da colecção - 5

Da minha colecção faz também parte este lote de 57 revistas pornográficas portuguesas, espanholas, francesas e inglesas dos anos 70 até 2000. Inclui diversos exemplares das revistas Tânia, Gina, Weekendsex, Pedrinho, Francisquinho, Luxúria, Lesbo, Super Lesbo, Mini Lesbo, Prazer Íntimo, etc.





«A da vizinha» - Patife

Este fim de semana fui à praia para aproveitar o fim da época balnear do Pacheco. Assim que chego a uma das minhas praias naturistas de eleição vejo logo uma gaja de papo para o ar. E que grande papo. Completamente rapado e de bordas bem definidas. Qualquer peitinho de frango ficaria invejoso. Deitei-me não muito longe, se bem que se tivesse uma erecção não duvido que o Pacheco lhe cutucasse o ombro. Quando ela se virou e reparou no meu portento de nabo rapidamente entabulámos conversa. Juro que eu estava muito contido, mais preocupado em bronzear o Pacheco, conferindo-lhe um tom dourado próprio da sua majestosa posição social. O problema é que ela meteu o charro à frente dos dois. Dadas as primeiras passas já não me apetecia outra coisa que não fosse aviar-lhe a bichana solarenga até as areias ficarem movediças. Só que levantei o olhar e ao longe consegui vislumbrar uma pachachinha ainda mais perfeita que aquela que eu estava a esbardanar à bruta. A cona da vizinha é sempre melhor que a minha.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Sexistas



Via Testosterona

02 outubro 2013

«Rir contigo» - João

"Acredita que estava mergulhado no meu mais profundo alheamento. Longe de mim, longe de toda a gente, e de ti então, metido num paradoxo. Ao mesmo tempo que distante, por te imaginar a tantos anos-luz de mim, pertinho, porque te trago no pensamento várias vezes por cada tictac. A sombra na porta, a princípio, não me motivou atenção. Era uma sombra apenas. Esta porta tem muitas. E esforço-me muito para as ignorar. Mas esta sombra persistia, e acabou por me puxar, de forma determinada, do buraco negro onde estava escondido. Percebi que existia um par de bonitas pernas nessa sombra, e que havia uma menina marota a olhar para mim, a fazer uma boquinha atrevida e a piscar-me os olhos. E o meu coração disparou.

Sorri e caminhei para ti. Silêncio, mas galopando por dentro. E cheguei-me muito perto. E depois disso mais perto ainda, e ainda antes de te abraçar, as nossas mãos estavam já a tocar-se, e os dedos entrelaçados, e depois beijei-te o pescoço, e ao teu ouvido levei os meus lábios para te dizer «que saudades, amor». E tu, ao meu ouvido também, «anda amor, vem rir-te comigo».

E eu fui."

João
Geografia das Curvas

Estes romanos são loucos... por símbolos fálicos

Se há coisa da qual os romanos eram fãs, para além de convívios que reuniam o melhor das características de um pantagruélico jantar com a animação do jogo Twister, era sem dúvida de símbolos fálicos. Isso ficou bem evidente no decorrer do percurso que fizemos em Junho ao longo da Muralha de Adriano.

A Muralha de Adriano numa das suas secções mais impressionantes, perto de Housesteads.

O cunho extremamente patriarcal da sociedade romana, com a prevalência do pai de família sobre todos os outros membros e o total direito de usufruto dos escravos (homossexualidade também, desde que fosse no papel activo), indiciam logo uma apetência pelo apreço da virilidade como símbolo de poder. Para além disso, os falos eram também considerados amuletos, trazendo sorte e protegendo de maus-olhados os portadores.

Que coisa seria de esperar de uma civilização cuja génese se deve a um falo sobrenatural? Segundo Plutarco, um rei viu aparecer-lhe diante dos olhos um falo que, durante os dias seguintes, não parava de voar em sua casa. Sem saber como interpretar tal prodígio, o rei recorreu a um oráculo que finalmente revelou o que significava aquele impúdico orgão voador. Tratava-se de uma manifestação do deus Marte e tudo o que ele pretendia era... uma virgem. Nada de novo, portanto.

O rei ordenou a uma filha sua que se entregasse ao empertigado deus mas esta, não estando pelos ajustes, enviou uma criada em seu lugar. Do momento de paixão carnal entre a serviçal e o falo nasceriam mais tarde dois irmãos: Rómulo e Remo. Frutos de uma relação não desejada, foram atirados ao Rio Tibre acabando por se salvar, sendo recolhidos e amamentados por uma loba, uma lupa

Curiosamente os bordéis romanos eram conhecidos como lupanários o que leva à questão: o local de trabalho das senhoras, que acolhiam e confortavam os carentes cidadãos romanos, era assim chamado em homenagem à Loba da lenda ou, pelo contrário, esta não teria sido necessariamente uma loba?

O resto é apenas mais uma típica história de irmãos. Um belo dia, Rómulo e Remo envolveram-se numa cena de pancadaria, o primeiro matou o segundo e, não contente, fundou uma cidade que viria a tornar-se o centro do Mundo conhecido alguns séculos mais tarde. 


Uma das 3 representações fálicas encontradas na Muralha no sector do forte de Birdoswald.


Dentro do museu do Forte romano de Birdoswald, um bloco de pedra descontextualizado ostenta mais uma representação fálica.

«dona Elvira» - bagaço amarelo

Começo pelo baloiço do parque. Aquele onde a Helena conseguia sempre baloiçar mais alto do que eu e depois saltava lá de cima até enterrar os pés na areia. Lembro-me de a ver a sacudir as mãos e a dizer-me "outra vez!". E eu, que não tinha coragem para ir tão alto, ficava a vê-la repetir a operação durante uma tarde inteira.

- Não fazes? - perguntava ela de vez em quando.
- Não me apetece! - nunca admiti que tinha medo.

Depois veio o ciclo e uma nova paixão, já diferente da anterior e mais perto do início da puberdade. Não havia baloiço, mas havia um enorme muro onde jogávamos ao equilíbrio. A Maria fazia-o todo quase em bicos de pés, eu caía sempre antes de chegar ao fim. Era grande demais para a minha idade e meio desconchavado. Uma vez ela começou num extremo do muro e eu no outro, até nos encontrarmos algures no meio. Dei-lhe a mão e a voz tremeu-me.

- Gosto de ti!

Ela olhou para mim durante alguns segundos, com aqueles enormes olhos de amêndoa de que nunca mais me esqueci. Atirou-me ao chão e fugiu. Eu chorei escondido num arbusto da escola, sem ninguém me ver. Depois o Filipe deu-me um maracujá, porque eu gostava de maracujás ou pelo menos fingia que sim. Talvez tenha sido a minha primeira desilusão de Amor.
Veio o liceu e mais duas mulheres com quem nunca tive coragem de falar, que não queria cair de mais nenhum muro. Passei por elas durante anos como uma bola perdida numa máquina de flippers, aquela Dona Elvira onde vim a fazer um dos meus melhores amigos depois duma cena de pancadaria entre os dois.
Eu estava a jogar, creio que quase a bater o meu recorde pessoal, e ele deu um pontapé na máquina para accionar o bloqueio automático da mesma. Os dois flippers pararam e eu perdi o jogo. Dei-lhe um encontrão que se veio a transformar em murros e pontapés. Acabámos os dois a sangrar do nariz e expulsos do café por um dos empregados, que nos pediu para nunca mais lá voltarmos.
Passámos a cumprimentarmo-nos nos corredores da escola, já que afinal de contas éramos conhecidos. Primeiro com alguma distância, mas depois o tempo curou a nossa zanga e tornámo-nos amigos. Bebemos as primeiras cervejas juntos e falávamos de Amor como se dominássemos o assunto. Não dominávamos, mas parecia que sim e só ele sabia de quem eu gostava mesmo.
Hoje, tantos anos depois, gostava de lhe poder dizer que uma dessas miúdas é a minha namorada, por quem estou apaixonado como quando andava no liceu. É essa a recordação que eu tenho da escola. De Amores transformados em lágrimas e lágrimas transformadas em abraços. É certo, mais um murro ou um pontapé à mistura.
Talvez hoje a escola não esteja a formar pessoas, não esteja a ensinar-nos a viver com o sucesso e com a derrota, ambos inerentes à própria vida. Talvez a competição instaurada entre alunos seja um erro e talvez a maior parte dos professores não tenha mais forças para realmente o ser.
Há qualquer coisa de errado nisto tudo, menos os putos.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

«Bebé» - um anúncio excepcional da FedEx (empresa de entregas rápidas)

01 outubro 2013

We are our own devil

Este video muito especial, conta com a participação de Georgina Spelvin. Actriz porno, do clássico "The Devil in Miss Jones - 1973". Filme da era dourada da pornografia, quando SIDA e DST'S em geral não eram preocupação. Com entrevista à Srª Spelvin no início do clip e com cenas retiradas do filme durante o video, Paradise Circus é uma bonita e hipnotizante obra de arte.


Paradise Circus - Massive Attack from greekgaylolita on Vimeo.

O Anjo Pornográfico

A descoberta do génio de Nelson Rodrigues tem sido fonte inesgotável de fascínio na minha vida. O seu talento para o aforismo certeiro, expressões pitorescas, personagens inesquecíveis de tão verosímeis, e, sobretudo, a exposição magistral das muitas faces do amor carnal, são garante de horas de delícia e assombro. Comecei pelas crónicas reunidas em "O Reacionário", mas rapidamente mergulhei no universo do seu teatro, das historietas jornalísticas de "A Vida Como Ela É". Todos têm o seu Nelson preferido. O meu é o que trata do papel ambíguo da violência como uma das forças motrizes da paixão sexual.

Deixo aqui um trecho, retirado de Engraçadinha, seus amores e pecados, peça de estalo e escândalo à época, em que se declara uma admiração lésbica de longa data, incluindo um prelúdio de sensualidades pueris, seguido da explosão amorosa do anúncio e a esperada rejeição enojada. Note-se a tesão com que se sugere a agressão final. Serve de mote a esta cena uma das mais célebres frases de Nelson Rodrigues: -"Tarado é toda a pessoa normal apanhada em flagrante."

«Pedras» - Susana Duarte

não posso escrever sobre as pedras

escreverei sobre a pele: a pele dada
em noite de brumas, vivida em solos de
espumas, brancas, da maré que em ti fui.

não posso escrever sobre as pedras

escreverei nos teus olhos as noites
serenadas sob mãos cansadas dos dias
e sôfregas de noites claras. em ti, ainda,

a avidez solitária do lobo que caminha
e devasta desertos de ervas poeirentas,
delas afastando as pedras, piroclastos
da existência, quando, inesperadamente,
a vida nos deixou escrever sobre o pó.

não posso escrever sobre as pedras

antes a luz clara do papel dos teus olhos,
a luminosa sabedoria das palavras
silenciadas no beijo claro que me deste.

escreverei esse beijo em cada olhar
dirigido ao céu que miras, aí, a oriente,
perscrutando o sonho e glorificando
o que antevês em cada movimento,
e nas pegadas de caminhantes invisíveis.

não posso escrever sobre as pedras
caídas dos teus olhos sobre o ferro duro
da existência. mas posso escrever no peito
as noites infindas da memória, tornando-as
sal da existência, caminho onde caminho,
as noites todas da minha vida, e a indefinível
paixão com que delimitas o espaço onde existo.



Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Revistas da colecção - 4

Continuamos a "folhear" as mais de 700 revistas da minha colecção.
Desta vez, temos:

Lote de revistas «The Erotic Review» (Reino Unido) 8
Lote de revistas (Alemanha) 1
Lote de revistas «Com'Out» (Portugal) 8 números que foram publicados, entre Julho/2008 e Fevereiro/2009 8
Lote de revistas «Penthouse» (Portugal) Primeiros 9 números que foram publicados, entre Novembro/2010 e Julho/2011 (algumas com CDs) 9
Lote de revistas porno (Portugal) - 4o Plus, Climax, 69,… 3
Lote de revistas «FHM» (Portugal) Primeiros 25 números que foram publicados (excepto 3 e 21) e números diversos 27
Lote de revistas «Playboy» (Portugal) - 2ª tentativa (Abril/2009 a Agosto/2010) Números 1 a 11 (excepto nº 5) mais números diversos 19









30 setembro 2013

Peta - «Mantenha-se firme e fresco»

«respostas a perguntas inexistentes (255)» - bagaço amarelo

Just in case

Tenho saudades da Sandra. Não sei porquê, mas tenho. Muitas. Já não a vejo há tantos anos que lhes perdi a conta. Na verdade, não faço a mínima ideia se alguma vez a vou ver até ao fim dos meus dias. Perdi-lhe totalmente o rasto e só sei que emigrou para outro país qualquer. Nem sequer a encontro nas redes sociais. O mais provável é ela já não se lembrar de mim.
Eu ouço-lhe a voz, sinto-lhe o cheiro e principalmente ouço-a chamar-me. A Sandra não era apenas uma amiga. Era A Amiga. O pior disto tudo é que nem sequer me despedi dela na última vez que a vi. Não sabia que ela ia desaparecer para sempre e limitei-me a dizer-lhe: "telefono-te um dia destes". Uns dias depois alguém me disse que ela tinha ido viajar por impulso. Uma chatice familiar ou coisa parecida. Nunca mais voltou. Que merda.
Quando ando mais triste é dela que me lembro. Aliás, hoje já confundi quatro ou cinco transeuntes com ela. Abri os olhos e, por um milésimo de segundo, senti a alegria enorme desse improvável encontro. Não era ela, mas deu para perceber o que me vai acontecer se um dia a encontro mesmo. Vou-me sentir feliz. Estou ansioso.
Entretanto despedi-me agora duma amiga que me deu boleia para casa. Parou o carro sem desligar o motor mesmo em frente a minha casa e eu disse-lhe: "telefono-te um dia destes". Depois saí e ela arrancou no seu carro preto que se fundiu na noite escura. Eu subi o elevador, entrei em casa e liguei o computador. Entretanto mandei-lhe uma mensagem pelo telemóvel: "gosto de ti, sabias?". Just in case.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «A tua nudez inquieta-me» de Fernando Assis Pacheco

Há dias em que a tua nudez
é como um barco subitamente entrado pela barra.
Como um temporal. Ou como
certas palavras ainda não inventadas,
certas posições na guitarra
que o tocador não conhecia.
A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo
para um lado misterioso e frágil.
Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe
contorno, peso. Destrói o meu corpo.
A tua nudez é uma violência
suave, um campo batido pela brisa
no mês de Janeiro quando sobem as flores
pelo ventre da terra fecundada.
Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas
com o vocabulário da tua nudez.
Tenho «um pensamento despido»;
maturação; altas combustões.
De mão dada contigo entro por mim dentro
como em outros tempos na piscina
os leprosos cheios de esperança.
E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete
que lanço com mão tremente desastrada
para rebentar e encher a minha carne
de transparência.
Sete dias ao longo da semana,
trinta dias enquanto dura um mês
eu ando corajoso e sem disfarce,
ilumindo, certo, harmonioso.
E outras vezes sucede que estou: inquieto.
Frágil.
Violentado.
Para que eu me construa de novo
a tua nudez bascula-me os alicerces.

(in “A Musa Irregular”)

Fernando Assis Pacheco
(Coimbra, 1 de Fevereiro de 1937 — Lisboa, 30 de Novembro de 1995) foi um jornalista, crítico , tradutor e escritor português.

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Vamos para o céu!

É bom saber



Deus é negão, mano!

Capinaremos.com

29 setembro 2013

«A Special Form of Denial» (uma forma especial de negação) - Marc Blackie


A Special Form of Denial from Marc Blackie on Vimeo.

Pesadelo de uma tarde de verão

Ah, cheira a fruta, sim!

Era uma cozinha branca com as panelas penduradas em pregos na parede. No centro impunha-se uma ampla mesa de madeira maciça para o repasto. Chegámos afogueados, carregadinhos com os sacos plásticos de cenouras, pepinos, beringelas, tomates, limões, laranjas, pêssegos, nêsperas, morangos e depositámo-los ali naquelas tábuas a soltar aromas.

Os trinta e tal graus lá de fora eram felizmente filtrados pelas grossas paredes e pelo algodão das nossas t-shirts. Aquelas mãos enormes sentaram-me na banca de alimentação, esticando os dedos das nádegas aos joelhos, vagarosamente, a afastar o pareo e libertando os meus braços para se estenderem até ao cordelito que brotava dos calções e desafogar aqueles músculos. E naquele bailado de mãos e línguas , desfaleci até atingir a posição de frango em expositor, com a ligeira diferença de que apertei tenazmente tudo o que se atravessava nas minhas coxas.

E íamos ritmadamente balançando na pauta dele até que decidi imprimir outra cadência, que eu não estava ali para ver encher chouriços e apesar do pronto acompanhamento dele, um ligeiro desacerto de sincronismos fez com que o meu alvo ficasse mais acima do que o previsto e o projéctil fosse embater na madeira maciça.

Oh Senhor Doutor e perante a memória daquele guincho dorido peço-lhe a sua orientação: acha que se eu tomar uns drunfuzinhos aprendo a não me mexer e a ficar quietinha?

«As árvores também amam» - por Rui Felício


Por indicação de pessoa amiga do Bairro, há uns anos atrás, fui ler o romance Afrodite, de Isabel Allende.
Da sua leitura, fiquei a saber que a pêra é um fruto erótico, pela forma sensual de mulher que sugere e que originou ao longo dos séculos belíssimas peças de arte.
E que a pêra cortada em finas fatias, numa salada a que se juntem agriões e nozes descascadas, é uma entrada especialmente adequada para um jantar de um casal romântico, podendo ser degustadas com os dedos e aspirado o perfume delicioso que exalam, acordando os sentidos do tacto, do paladar, do cheiro e do desejo.
Pensativo, recuei muitos anos, aos meus tempos de adolescência...
... ... ... ... ... ... ...
Sempre gostei da flor de pessegueiro. E do fruto maduro. São o resultado maravilhoso de uma árvore sensual que me seduz.
Tinha um no meu quintal no Bairro que dava uns deliciosos pêssegos de cor mate e suaves rosáceas vermelhas, aveludado ao toque.
Ao seu lado uma pereira. Dava umas lindas e doces pêras esverdeadas, de pele fina e macia, que ganhavam uma tonalidade pálida, amarelo claro quando maduras...

Todos os anos o milagre da renovação da natureza se repetia.
Até que, num certo ano, ao contrário dos anos anteriores, as pêras se iam dia a dia tornando avermelhadas, quase da cor escarlate, rutilante, do sombreado dos pêssegos.
Não tinha sido feita nenhuma enxertia na pereira. Apenas era podada na altura própria, que a minha mãe sabia quando e como fazê-lo.
Foi um mistério, sem explicação, as pêras nesse ano e nos seguintes terem amadurecido de cor vermelha quando até aí sempre ficavam amarelas, esbatidas.
O assunto foi falado em casa, mas ao fim de uns dias estava esquecido.

Eu, no entanto, adolescente sonhador ainda imberbe, construí uma teoria, até hoje nunca experimentada, mas que ainda me deixa pensativo, apesar da razão me fazer sorrir e abanar a cabeça com ironia.
As árvores são seres vivos, isso é do domínio comum, é verdade assente.
Quis eu, naquela altura, acreditar que elas não ficavam estáticas, de pé, na solidão da noite. Elas possivelmente amavam-se, entreabrindo as copas, estendendo as raízes em contactos e carícias por elas sentidas, mas por nós não perceptíveis...
E que o chilrear matinal da passarada, que eu ouvia do meu quarto, não era só o dos pardais que se acoitavam nas suas ramagens. No meio desse vozear, imperceptíveis, eu achava que se encobriam e misturavam, disfarçados, os últimos gemidos da pereira e do pessegueiro que lentamente se iam esgotando com o dealbar da aurora, depois de uma noite de amor.

Se a minha teoria estivesse certa, ia ter que arranjar agora, companhia para a solitária laranjeira que eu próprio plantei aos meus nove anos de idade, única árvore que ainda se mantém no meu quintal do Bairro.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Fotografia por Pierre Louÿs (1870-1925)


Via mon ami Français Bernard Perroud

28 setembro 2013

Homens, aprendam a dizer as horas em chinês

Descobre as diferenças - há quem diga que só há uma: está no coice!



Revistas da colecção - 3

Continuamos com a lista de mais de 700 revistas da minha colecção de arte erótica.
Aqui, um lote de 212 revistas diversas, desde 1974, que inclui números especiais sobre sexo e erotismo (Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Itália, Alemanha, EUA,…).
Uma curiosidade: a revista Lui que vêem na primeira imagem é dos anos 70. Entretanto, essa revista fechou. Agora, voltou a ser editada. E o primeiro número desta nova série já faz parte (claro!) da minha colecção.






Função quê?!

Estes gajos não podem ver nada que querem logo copiar!
Este blog é que é de serviço púbico!


Um sábado qualquer... - «Quem inventou o amor, me explica por favor 6»



Um sábado qualquer...

27 setembro 2013

«Topless DJ Miss America - Open Air 20.07.2013»


TOPLESS DJ MISS AMERICA -- OPEN AIR 20.07.13 from miriami on Vimeo.

Impressões marcantes

Gostava de saber quantos dildos já foram impressos pela surra nessas novas maquinetas 3D.

Postalinho arqueológico

"Já tinha a ideia de que os arqueólogos são uns tarados.
Numa visita que fiz ao Ecomuseu da Serra da Lousã - Museu Municipal Prof. Álvaro Viana de Lemos, encontrei lá esta pedrinha, que está identificada como sendo um «ídolo fálico» da época romana. Alguém consegue fazer-me um desenho?!"
PM


O nosso novo fundo espiçalista, Triângulo Felpudo, explica a coisa... ou melhor, o coiso:

Escavava um empoeirado e exsudante estagiário na zona de Soutelo em busca de artefactos romanos, quando se deparou com um calhau informe, que bem podia ser um coprólito (cagalhão fossilizado). Já o haviam repreendido por ignorar outros objectos de aspecto igualmente duvidoso, mas sem dúvida remontando ao império. Foi assim que, timidamente, de olhos fechados e nalga apertada, apresentou a coisa ao coordenador da escavação: 
- Que é isto, professor?
A resposta explodiu-lhe na cara, com ventos amorcelados do almoço: 
- Sei lá! Caralho!
Acto contínuo, o estagiário encardido cataloga a pedra sob a designação de "ídolo fálico".

«A inserção intravaginal do pénis masculino» - livro médico/governamental (1950)


Via mon ami Français Bernard Perroud

26 setembro 2013

economia a dar a volta

notícias de hoje
Raim on Facebook

«Domestikia, Chapter 3: La Petite Mort»


Domestikia, Chapter 3: La Petite Mort from Jennifer Linton on Vimeo.

Revistas da colecção - 2

Mais algumas das mais de 700 revistas da minha colecção.

Lote de revistas «Umbigo» (Portugal) - primeiros números 26
Lote de revistas «Maxim», depois «Super Maxim» e mais tarde «Maxmen» Primeiros 14 números, números diversos e especiais 47
Lote de revistas «Playboy» (Brasil) - nºs normais e especiais 35
Lote de revistas «Playboy» (Portugal) - todos os números da 1ª tentativa (Abril/2009 a Agosto/2010) 17 números (1 e 16 repetidos) 19








Poesia erótica em programa pornô de TV

Bianca Jahara visita a III Fresta Literária para matéria do Programa Penetra, do Canal do Sexy Hot.




Obscenatório

Postalinho toalheiro

"Estendal de toalhas numa loja de Ponte de Lima."
Fernando O.


25 setembro 2013

«Preciso de ti» - João

"A caneta de aparo, na mão despida, quer escrever. Olho o papel vazio, com linhas sedentas de qualquer coisa, recordo a tua letra, a tinta que deixaste sobre outros papeis, e deixo a tinta fluir. E preciso de ti. Toda a tinta que deixo para trás naquela folha diz que preciso de ti. Que não há indiferença que me vença, que embora tudo no mundo se transforme, há coisas que não são de esquecer, não são de passar, de deixar cair e serenar como se fossem para nunca viver, sentir, ou querer. Preciso de ti, é quanto sei, não soubesse eu mais nada. Mas sei. Hoje sei muito, muito mais que outrora. Sei porque estou hoje, aqui. Sei porque o amanhã será amanhã, e como ele poderá ser. Sei do tempo, do espaço, das tintas que correm nos papeis, do sangue que corre em nós. Do calor. Do toque. Da magia da serra, do quão bom e refrescante é quando no mesmo espaço estás tu e estou eu. Não soubesse eu mais nada e ainda assim diria que preciso de ti. E que doi acordar. Doi levantar. Doi caminhar por aí, sem te ver, sem te ter, sem nada. Doi andar por aí temendo desvanecer, desaparecer, cair na indiferença que pica, que mata, que reduz a grandeza de tudo o que se teve. Lembras-te de mim? De como era? Não deviamos estar mais perto?

Não é desabafo. Preciso de ti. É plano, é provir, é passo que se dá após outro, e outro e mais uns quantos, e devagar vou lá, e depois de cair, levantar-me-ei de novo, e estou a chegar. Estou a chegar. Preciso de ti. Não digo mal, não digo mal de nada, tudo acontece por uma razão que mal se percebe até que ela nos bate na cara com força. Não leias desabafos nem palavras vãs. Isto é aviso. É acção. É desejar. Vou lá chegar sim. Quem me espera? E até lá, silêncio. Profundo."

João
Geografia das Curvas

De olhos nas brasas

Se os guardas-florestais fossem tão eficazes a toparem incêndios como o são a apanhar-nos em flagrante deleite nem uma árvore ardia neste país.

«conversa 2016» - bagaço amarelo

(ao telefone)

Ela - Ando um bocado em baixo...
Eu - Eu também...
Ela - Vamos beber um copo hoje?
Eu - Eu preciso de alguém que esteja com boa disposição. Se me junto contigo, que também estás em baixo, ainda é pior...
Ela - Ah! É que eu, para ficar bem, preciso de estar com alguém que ainda esteja pior do que eu.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Que bela sigla para um congresso!

O Pedro Fragoso Lopes descobriu este evento brasileiro:  Congresso Nacional de Ambientes Hipermídia para Aprendizagem – CONAhPA

24 setembro 2013

"Cidade dos Porcos"


Sébastien Tellier - Cochon Ville (Official Music Video - Uncensored Version) from Record Makers on Vimeo.

Eva portuguesa - «Demais!»

Achei que já tinha visto tudo o que é podridão do ser humano... enganei-me...
Ao ponto a que as pessoas chegam!
Por pura maldade, por serem pobres de espírito e ressabiados, por terem um fundo tão feio e podre que ninguém os quer...
Sem ganharem nada com a baixeza e cobardia dos actos que praticam...
Então foi assim: recebi um mail (anónimo, claro!) de alguém que conseguiu aceder ao meu facebook pessoal, a dizer que queria muito falar com um familiar meu (de quem conseguiu o nome e contacto através desse acesso ilícito), tratando-me por Eva, o meu nome profissional.
Demais! Claramente uma ameaça de que me iria expor...
Não só contente com isto e logo após eu encerrar a referida conta, esta personagem consegue reactivar a minha conta através de um dispositivo móvel blackberry.
Se ele usasse assim tanto tempo e inteligência para fazer o bem, que excelente pessoa que seria!....
Fui apresentar queixa por invasão de privacidade, ameaça e maus tratos (sim,os psicológicos também contam aos olhos da lei).
O que ganhou ele com isso?... Nada!
Demais!...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«(...)» - Susana Duarte

vou sentar-me sobre as costas dos teus olhos,
e ver-me através deles, sedentos das névoas
das minhas madrugadas. vou sentar-me sobre
os teus braços e, através deles, rever encostas
onde os seios te abraçaram, e foram eternas
as inermes mãos sobre o dorso. vou sentar-me
sobre as dobras da tua voz, onde o silêncio
me chama e a língua me conquista. sobre ela,
desfazer as névoas que, junto ao rio, pairaram,
no instante do atrevimento. a língua de fogo
dos teus dedos, sobre a língua de fogo da água
que sobre ti se deita, exclamando todas as noites
de todas as idades: idades desfiguradas pelo
silêncio que, sob a chuva, se abateu, pronto
que estava o sorriso dos lábio, pronta a boca
para, sobre ti, pairar e, ali, depositar o dia.



Susana Duarte
palavras e imagem
Blog Terra de Encanto