Estatueta em madeira com tronco de mulher e ovos sobre a vagina.
Trabalho de autor português, comprado em 1988 para a minha colecção.
14 dezembro 2013
Postalinhos da Capadócia
"Capadócia, Turquia, com as suas formações geológicas únicas, resultado de fenómenos vulcânicos e da erosão."
Rosa Amélia M.
Rosa Amélia M.
13 dezembro 2013
«Free the nipple!» (libertem o mamilo)
Movimento «Free the nipple» pela liberdade de as mulheres praticarem topless... da mesma forma como os homens.
FREE THE NIPPLE (Uncensored) Teaser! from FREE THE NIPPLE on Vimeo.
FREE THE NIPPLE (Uncensored) Teaser! from FREE THE NIPPLE on Vimeo.
12 dezembro 2013
O Jardim Separado
"Escrevo para foder os contrafortes da mente, escrevo a fêmea que submerge da legião profunda e entra, rasgando todos os encalços nas labaredas húmidas do mundo. Fodo e escrevo, os caminhos ardentes do solstício uterino que permanece ininterrupto, a cada eclodir, as bocas ressonâncias, nos sexos que possuo encostados ao cio, aos lábios grandes, ligando- me as frases aos gemeres incompletos dos ventres que balouçam entre os faróis, demolindo, biografias, sítios, e os incêndios que alvejam de dentro das palavras pénias, expostas, grossas, fálicas, e que cadenciam as fodas laboriosamente, que eu amo e que me libertam o corpo dos trilhos machos."
do livro O Jardim Separado.
Luísa Demétrio Raposo
do livro O Jardim Separado.
Luísa Demétrio Raposo
11 dezembro 2013
«Finitude» - João
"Somos confrontados, a espaços, com a finitude. A primeira vez que me recordo de dar conta que era finito, que a minha vida caminhava, inexoravelmente, para um conjunto de tábuas, foi aos oito anos. Não sei porquê. Podia ter sido antes, ou depois. Mas alguma coisa, de que eu não me recordo, criou em mim a percepção de que a vida era finita. De que todos morriam. E eu também. Lembro-me, com razoável nitidez, de estar deitado na cama a olhar para o tecto e a tentar imaginar a inexistência. A tentar imaginar o que seria eu – que me sentia tão vivo – deitado e imóvel, morto, sem pensar, sem olhar, sem sentir, sem respirar, sem estar. A minha mente de oito anos não conseguiu encaixar essa ideia tanto quanto a de trinta e sete recusa. A minha atitude perante a morte é hoje diferente, mas creio que aquilo que se consegue com a idade não é tanto o ser capaz de fazer aquilo que tentei com oito anos e não sentir algum pavor, mas sim desenvolver técnicas de evitar pensar na morte dessa forma, ou pelo menos relativizar a noção de morte.
Não sei, também, se a morte é temida pelo fim ou pelo processo. Estar morto poupa-nos a uma série de incómodos (e ecoa na minha mente, agora mesmo “a um morto nada se recusa, e eu quero por força ir de burro”) e se, na ausência de outros valores, nos dedicarmos a uma vida hedonista, poder-se-á conviver com a morte de forma desassombrada. Estamos cá, tiramos o máximo prazer que podemos das coisas, e depois passamos à inexistência. Mas o processo é lixado. A transição vida/morte não é sempre como um desligar de botão. Quando é uma transição prolongada, o suficiente para se sentir dor ou ter a percepção de que a vida está a momentos de terminar, o pavor instala-se, e é por isso que questiono se o que nos assusta, verdadeiramente, é o fim (estar morto), ou o processo (estar a morrer).
Afastando-nos do hedonismo, temos outras respostas noutras vias espirituais. A minha matriz católica – que mantenho, com dificuldades aqui e ali – alivia-me tanto o fim quanto o processo, no tanto em que o fim não é verdadeiramente o fim, e o processo pode contribuir para um fim melhor. I.e., a morte não é senão a inexistência física, mantendo-se a nossa existência incorpórea num plano não terrestre (o céu, o purgatório, ou o inferno), e o processo, porque o catolicismo associa o sofrimento à purificação, pode acelerar ou garantir o acesso ao céu, evitando o purgatório. Diga-se, ainda, que por via do catolicismo, a existência incorpórea no céu, no purgatório ou no inferno, não são uma decisão divina unilateral, mas sim uma pena auto-imposta quando às nossas almas é dada ver a nossa vida com os olhos do Criador. Outras religiões terão diferentes visões da morte, mas desconheço-as.
Os detractores das religiões dirão, prontamente, que tudo isto é uma forma elegante de resolver a morte. Uma prática de auto-engano. Uma ilusão que permite aos meninos de oito anos – e aos de trinta e sete – pensar na sua finitude sem desesperar. Sinto, para mim, que não o é, embora funcione. A noção de que o divino nos espera e de que a nossa existência se expande muito para lá da existência terrena é, obviamente, confortável. Até certo ponto, pelo menos. Colide, é certo, com o hedonismo que apetece. Mas mesmo isso é discutível. O Deus castigador do antigo testamento, que pertence a um determinado contexto, deu lugar a um Deus de amor inesgotável, que sempre nos recebe quando a Ele nos dirigimos. Mas não pareça este um texto dedicado à religião. A católica ou outra qualquer. Apenas aqui cheguei por causa das cerejas. Das palavras.
O que me levou a escrever foi a finitude que nos espreita e às vezes se mostra. Os nossos corações sempre se assustam quando a finitude espreita os nossos. Este ano já me assustei. Já me assustei comigo, já me assustei com a família, já me assustei com o coração. As nossas vidas não são as de borboletas. São vidas longas o suficiente para muitos chegarem ao ponto de já nem querer saber, e esperar a morte com muita paz senão até com desejo. Mas às vezes os sobressaltos acontecem muito, muito antes de tempo. Quando o tempo ainda não é o da pacificação, não é o do desejo da ausência que inibe o desconforto. Às vezes os sobressaltos acontecem numa altura em que tudo quanto queremos é mimo. Muito mimo. Alturas em que os corpos se querem próximos, não para o galope, mas para as carícias que fluem pela ponta dos dedos, suavemente, sobre a pele."
João
Geografia das Curvas
Não sei, também, se a morte é temida pelo fim ou pelo processo. Estar morto poupa-nos a uma série de incómodos (e ecoa na minha mente, agora mesmo “a um morto nada se recusa, e eu quero por força ir de burro”) e se, na ausência de outros valores, nos dedicarmos a uma vida hedonista, poder-se-á conviver com a morte de forma desassombrada. Estamos cá, tiramos o máximo prazer que podemos das coisas, e depois passamos à inexistência. Mas o processo é lixado. A transição vida/morte não é sempre como um desligar de botão. Quando é uma transição prolongada, o suficiente para se sentir dor ou ter a percepção de que a vida está a momentos de terminar, o pavor instala-se, e é por isso que questiono se o que nos assusta, verdadeiramente, é o fim (estar morto), ou o processo (estar a morrer).
Afastando-nos do hedonismo, temos outras respostas noutras vias espirituais. A minha matriz católica – que mantenho, com dificuldades aqui e ali – alivia-me tanto o fim quanto o processo, no tanto em que o fim não é verdadeiramente o fim, e o processo pode contribuir para um fim melhor. I.e., a morte não é senão a inexistência física, mantendo-se a nossa existência incorpórea num plano não terrestre (o céu, o purgatório, ou o inferno), e o processo, porque o catolicismo associa o sofrimento à purificação, pode acelerar ou garantir o acesso ao céu, evitando o purgatório. Diga-se, ainda, que por via do catolicismo, a existência incorpórea no céu, no purgatório ou no inferno, não são uma decisão divina unilateral, mas sim uma pena auto-imposta quando às nossas almas é dada ver a nossa vida com os olhos do Criador. Outras religiões terão diferentes visões da morte, mas desconheço-as.
Os detractores das religiões dirão, prontamente, que tudo isto é uma forma elegante de resolver a morte. Uma prática de auto-engano. Uma ilusão que permite aos meninos de oito anos – e aos de trinta e sete – pensar na sua finitude sem desesperar. Sinto, para mim, que não o é, embora funcione. A noção de que o divino nos espera e de que a nossa existência se expande muito para lá da existência terrena é, obviamente, confortável. Até certo ponto, pelo menos. Colide, é certo, com o hedonismo que apetece. Mas mesmo isso é discutível. O Deus castigador do antigo testamento, que pertence a um determinado contexto, deu lugar a um Deus de amor inesgotável, que sempre nos recebe quando a Ele nos dirigimos. Mas não pareça este um texto dedicado à religião. A católica ou outra qualquer. Apenas aqui cheguei por causa das cerejas. Das palavras.
O que me levou a escrever foi a finitude que nos espreita e às vezes se mostra. Os nossos corações sempre se assustam quando a finitude espreita os nossos. Este ano já me assustei. Já me assustei comigo, já me assustei com a família, já me assustei com o coração. As nossas vidas não são as de borboletas. São vidas longas o suficiente para muitos chegarem ao ponto de já nem querer saber, e esperar a morte com muita paz senão até com desejo. Mas às vezes os sobressaltos acontecem muito, muito antes de tempo. Quando o tempo ainda não é o da pacificação, não é o do desejo da ausência que inibe o desconforto. Às vezes os sobressaltos acontecem numa altura em que tudo quanto queremos é mimo. Muito mimo. Alturas em que os corpos se querem próximos, não para o galope, mas para as carícias que fluem pela ponta dos dedos, suavemente, sobre a pele."
João
Geografia das Curvas
Mestre Shark - Faço Domicílios
O 69 é um número muito sobrevalorizado. A malta acha piada ao conceito em teoria mas depois queixa-se imenso de falta de coordenação e assim.
«conversa 2033» - bagaço amarelo

Eu - Fixe. Vou precisar de ti, então.
Ela - Porquê?
Eu - Porque as paredes da minha casa estão um nojo e vou ter que as pintar, coisa em que não tenho grande experiência.
Ela - Sabe-me sempre bem conversar contigo de vez em quando.
Eu - Porquê?
Ela - Porque me apercebo sempre do motivo pelo qual as coisas nunca resultaram entre nós.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Postalinho de Halong Bay, no Vietnam
"Quando os chineses invadiram Halong, o povo pediu protecção ao Grande Dragão. Então, ele vomitou e criou mais de 3000 ilhotas que os protegeram como uma barreira. São assim as lendas...
No caso desta ilhota, não sei o que isto me faz lembrar mas tu, Sãozinha, deves saber!
Beijos do
Alfredo"
No caso desta ilhota, não sei o que isto me faz lembrar mas tu, Sãozinha, deves saber!
Beijos do
Alfredo"
10 dezembro 2013
Pro Infirmis «Because who is perfect?» (porque quem é perfeito?)
"Manequins com deficiências provocarão olhares espantados dos transeuntes numa rua de Zurique. Entre os manequins perfeitos, haverá figuras com escoliose ou doença dos ossos frágeis a modelar as últimas modas. Um vai ter membros encurtados, outra uma coluna deformada...
A campanha foi concebida para o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência pela Pro Infirmis, uma organização para pessoas com deficiência. Intitulada «Porque quem é perfeito? Aproxime-se», que se destina a provocar a reflexão sobre a aceitação das pessoas com deficiência. O Diretor Alain Gsponer capturou a campanha como um curta-metragem."
É uma causa pela qual vale a pena lutar.
A campanha foi concebida para o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência pela Pro Infirmis, uma organização para pessoas com deficiência. Intitulada «Porque quem é perfeito? Aproxime-se», que se destina a provocar a reflexão sobre a aceitação das pessoas com deficiência. O Diretor Alain Gsponer capturou a campanha como um curta-metragem."
É uma causa pela qual vale a pena lutar.
«This Misterie of Fucking» : Manual do Sexo de 1680
"Parei na livraria Martin's, o meu livreiro, onde vi um livro Francês, e pensei comprá-lo à minha mulher para que o pudesse traduzir, chamado «Lesccolle des filles». Ao folheá-lo, foi o livro mais picante, mais lascivo que vi...Tive vergonha de o ler"
- The diary of Samuel Pepys, Monday, January 1, 1668
O livro é uma surpreendente e moderna exploração da sexualidade, escrito na forma de diálogo entre uma adolescente e a sua mais experiente prima. Originalmente escrito em Francês, traduzido e publicado em Inglês em 1680 como The School Of Venus.
«redescobre-me» - Susana Duarte
redescobre-me os braços, estendidos sobre a noite, e derrama sobre mim a infinitude do teu abraço
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Acessórios de peças de teatro da Tuna Meliches nos Encontra-a-Funda (encontros do blog «a funda São»)
A Tuna Meliches é, desde sempre, o grupo sargento (não há oficial) do blog «a funda São».
E, ao longo de 10 anos e 19 encontros (Encontra-a-Funda) já por diversas vezes apresentaram as suas músicas e diversas peças de teatro.
Alguns desses acessórios fazem parte da colecção.
Acessório usado pelo "fodaz Ribeiro, preto na cara, enorme no mangalho" na peça de teatro da Tuna Meliches baseada no poema «Ribeirada» de Bocage e apresentada no 5º Encontra-a-Funda (encontro do blog «a funda São») no Porto - 23 a 25-06-2006.
Trabalho da Celeste Rafael.
Traje usado pelo "de Vénus o filho, o deus Priapo" na mesma peça de teatro.
Trabalho da Lurdes e do Antonino Silva.
Acessório da vulva das cabrinhas que os pastores... apascentavam no presépio, na peça de teatro «Auto na tal» da Tuna Meliches apresentada no 6º Encontra-a-Funda (encontro do blog «a funda São») em Setúbal - 18 a 19-11-2006.
Trabalho da TriMargarida.
Roupa e acessórios do Gil Vicentezão, narrador da edição especial da peça de teatro «Auto das Danações» de Jorge Castro.
Em 2006, num passeio de barco no Sado por ocasião do 6º Encontra-a-Funda (encontro do blog «a funda São»), o coleccionador sugeriu ao Jorge Castro (OrCa) que escrevesse uma peça de teatro, à moda de Gil Vicente mas com personagens dos tempos modernos. Passados menos de 3 meses, o OrCa tinha pronto o «Auto das Danações - versalhada em um acto, que o tempo não está para desperdícios que não atem nem desatem», que foi levado à cena pela Tuna Meliches, em Caria, na Quinta do Panasco, no 7º Encontra-a-Funda - 23 e 24-06-2007.
Trabalho de Celeste Rafael e Paulo Moura.
E, ao longo de 10 anos e 19 encontros (Encontra-a-Funda) já por diversas vezes apresentaram as suas músicas e diversas peças de teatro.
Alguns desses acessórios fazem parte da colecção.
Acessório usado pelo "fodaz Ribeiro, preto na cara, enorme no mangalho" na peça de teatro da Tuna Meliches baseada no poema «Ribeirada» de Bocage e apresentada no 5º Encontra-a-Funda (encontro do blog «a funda São») no Porto - 23 a 25-06-2006.
Trabalho da Celeste Rafael.
Traje usado pelo "de Vénus o filho, o deus Priapo" na mesma peça de teatro.
Trabalho da Lurdes e do Antonino Silva.
Acessório da vulva das cabrinhas que os pastores... apascentavam no presépio, na peça de teatro «Auto na tal» da Tuna Meliches apresentada no 6º Encontra-a-Funda (encontro do blog «a funda São») em Setúbal - 18 a 19-11-2006.
Trabalho da TriMargarida.
Roupa e acessórios do Gil Vicentezão, narrador da edição especial da peça de teatro «Auto das Danações» de Jorge Castro.
Em 2006, num passeio de barco no Sado por ocasião do 6º Encontra-a-Funda (encontro do blog «a funda São»), o coleccionador sugeriu ao Jorge Castro (OrCa) que escrevesse uma peça de teatro, à moda de Gil Vicente mas com personagens dos tempos modernos. Passados menos de 3 meses, o OrCa tinha pronto o «Auto das Danações - versalhada em um acto, que o tempo não está para desperdícios que não atem nem desatem», que foi levado à cena pela Tuna Meliches, em Caria, na Quinta do Panasco, no 7º Encontra-a-Funda - 23 e 24-06-2007.
Trabalho de Celeste Rafael e Paulo Moura.
09 dezembro 2013
«respostas a perguntas inexistentes (259)» - bagaço amarelo

Alguns amigos meus, com base num pensamento a que arrisco chamar mais conservador, criticaram-me ou avisaram-me, sempre com as melhores das intenções, que não é através de encontros com desconhecidas que se deve conhecer uma mulher. Ainda hoje discordo, até porque se se conhece uma mulher, é porque até então ela era desconhecida, seja numa saída à noite, numa inscrição num workshop de dança ou outra coisa qualquer. Eu queria conhecer pessoas. A internet é apenas um (mais um) meio para o fazer.
Apesar da minha actual relação ter sido uma das maiores coincidências da minha vida, creio que mesmo a maior, acabou por ser essa a via para a relação mais longa que já tive com uma mulher depois de me ter divorciado. Por isso, e independentemente da coisa continuar a resultar por muito mais tempo ou não, não me arrependo.
Hoje, daquilo que mais me lembro dos meus encontros, é sobre como nos apresentamos ao outro e o que realmente somos. Nunca corresponde, ou quase nunca. Talvez por isso os ingleses lhes chamem blind date (encontro às cegas). Muitas vezes fui ter com mulheres que nunca tinha visto, nem sequer em fotografia, mas das quais fazia uma ideia. Aliás, fazemos sempre uma ideia sobre como são os outros, seja alguém com quem conversamos na net, seja um locutor de rádio ou outra coisa qualquer.
Entre esta distância que separa a forma como nos vemos e aquilo que realmente somos, existe também a variável do que somos e do que queríamos ser, variável essa que pode ser muito cruel. Acho que foi por isso mesmo que na primeira vez que vi a Anabela ela estava a chorar. É assim que me lembro dela hoje, sete anos depois. A chorar.
Saí de Aveiro num fim de tarde em direcção a Coimbra para tomar um café com ela. Nunca a tinha visto, mas a descrição dela, feita por ela mesma, revelava uma mulher morena de um metro e sessenta e cinco, magra, lábios grossos, tímida e que se escondia frequentemente nos seus longos cabelos negros.
A primeira conclusão a que cheguei é que é que se atrasava bastante, porque apesar de termos combinado às oito da noite num café central, às nove ainda não tinha vislumbrado ninguém que se assemelhasse a tal apresentação. Foi nesse momento que uma "outra" mulher, loira, de cabelo curto e certamente com mais de cem quilos, se sentou na minha mesa a chorar. Estava ao meu lado, em segredo, desde o princípio, a ganhar coragem para se revelar.
Pediu-me mil desculpas por me ter feito andar tanto em busca do inexistente. A sua descrição baseara-se na minha assumida admiração pela Mayra Andrade.
- E o que é que bebes? - Perguntei como que querendo fugir àquela pequena explosão do meu dia.
- Não estás zangado?
- Estou zangado com o mundo. Contigo, obviamente que não.
- Tu também não és bem o que eu estava à espera... - concluiu.
Eu não era o que a Anabela estava à espera. A Anabela não era o que eu estava à espera. Depois mandámos vir vinho, bebida que nos acompanhou numa conversa até às três da manhã, já no seu pequeno apartamento. Dentro daquilo que não éramos, ficámos amigos até hoje. Estava aqui a pensar na quantidade de vezes que dei de caras com mulheres que correspondiam fisicamente ao que diziam, mas com quem não fui capaz de dividir um copo desse néctar da amizade que é o tinto maduro.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «Cinco horas» de Mário de Sá-Carneiro
Minha mesa no Café,
Quero-lhe tanto… A garrida
Toda de pedra brunida
Que linda e que fresca é!
Um sifão verde no meio
E, ao seu lado, a fosforeira
Diante ao meu copo cheio
Duma bebida ligeira.
(Eu bani sempre os licores
Que acho pouco ornamentais:
Os xaropes têm cores
Mais vivas e mais brutais).
Sobre ela posso escrever
Os meus versos prateados,
Com estranheza dos criados
Que me olham sem perceber.
Sobre ela descanso os braços
Numa atitude alheada,
Buscando pelo ar os traços
Da minha vida passada.
Ou acendendo cigarros,
— Pois há um ano que fumo
- Imaginário presumo
Os meus enredos bizarros.
(E se acaso em minha frente
Uma linda mulher brilha,
O fumo da cigarrilha
Vai beijá-la, claramente…).
Um novo freguês que entra
E novo actor no tablado,
Que o meu olhar fatigado
Nele outro enredo concentra.
E o carmim daquela boca
Que ao fundo descubro, triste,
Na minha ideia persiste
E nunca mais se desloca.
Cinge tais futilidades
A minha recordação,
E destes vislumbres são
As minhas maiores saudades…
(Que história d’Oiro tão bela
Na minha vida abortou:
Eu fui herói de novela
Que autor nenhum empregou…).
Nos Cafés espero a vida
Que nunca vem ter comigo:
— Não me faz nenhum castigo,
Que o tempo passa em corrida.
Passar tempo é o meu fito,
Ideal que só me resta:
Pra mim não há melhor festa,
Nem mais nada acho bonito.
— Cafés da minha preguiça,
Sois hoje — que galardão!
— Todo o meu campo de acção
E toda a minha cobiça.
Mário de Sá-Carneiro
(Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
Quero-lhe tanto… A garrida
Toda de pedra brunida
Que linda e que fresca é!
Um sifão verde no meio
E, ao seu lado, a fosforeira
Diante ao meu copo cheio
Duma bebida ligeira.
(Eu bani sempre os licores
Que acho pouco ornamentais:
Os xaropes têm cores
Mais vivas e mais brutais).
Sobre ela posso escrever
Os meus versos prateados,
Com estranheza dos criados
Que me olham sem perceber.
Sobre ela descanso os braços
Numa atitude alheada,
Buscando pelo ar os traços
Da minha vida passada.
Ou acendendo cigarros,
— Pois há um ano que fumo
- Imaginário presumo
Os meus enredos bizarros.
(E se acaso em minha frente
Uma linda mulher brilha,
O fumo da cigarrilha
Vai beijá-la, claramente…).
Um novo freguês que entra
E novo actor no tablado,
Que o meu olhar fatigado
Nele outro enredo concentra.
E o carmim daquela boca
Que ao fundo descubro, triste,
Na minha ideia persiste
E nunca mais se desloca.
Cinge tais futilidades
A minha recordação,
E destes vislumbres são
As minhas maiores saudades…
(Que história d’Oiro tão bela
Na minha vida abortou:
Eu fui herói de novela
Que autor nenhum empregou…).
Nos Cafés espero a vida
Que nunca vem ter comigo:
— Não me faz nenhum castigo,
Que o tempo passa em corrida.
Passar tempo é o meu fito,
Ideal que só me resta:
Pra mim não há melhor festa,
Nem mais nada acho bonito.
— Cafés da minha preguiça,
Sois hoje — que galardão!
— Todo o meu campo de acção
E toda a minha cobiça.
Mário de Sá-Carneiro
(Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
08 dezembro 2013
«Charizard» - curta-metragem Porta-Curtas
Drama
Prémio Porta Curtas
Director: Leonardo Mouramateus
Elenco: Daniel Pizamiglio, Geane Albuquerque, Luiz Otávio Queiroz, Marcel Cozzolino
Duração: 15 min
Ano: 2012
Brasil
Sinopse: A semana em que Virna resolveu se separar do namorado para ficar comigo, foi a mesma semana em que me ofereceram um emprego temporário de caseiro. Um ensaio sobre o corpo e a juventude ao som pulsante de música electrónica.
Prémio Porta Curtas
Director: Leonardo Mouramateus
Elenco: Daniel Pizamiglio, Geane Albuquerque, Luiz Otávio Queiroz, Marcel Cozzolino
Duração: 15 min
Ano: 2012
Brasil
Sinopse: A semana em que Virna resolveu se separar do namorado para ficar comigo, foi a mesma semana em que me ofereceram um emprego temporário de caseiro. Um ensaio sobre o corpo e a juventude ao som pulsante de música electrónica.
«O Humberto dos adágios» - por Rui Felício
O Café Samambaia estava cheio. Os clientes habituais e mais a malta vinda de vários lados de Coimbra e do resto do País que se aprestava, sob a batuta do Rafael, para mais uma jornada de convívio esgotavam todos os lugares do espaçoso café. Lá dentro e cá fora na ampla esplanada, nenhuma mesa livre.
Aquela bela mulher, curvilínea, irrepreensivelmente vestida, desconhecida de todos, atraía os olhares dos homens, uns de forma disfarçada, outros de maneira ostensiva.
Caminhando por entre as mesas, a Marília tentava descobrir, sem êxito, um lugar para se sentar. Fixou os olhos negros, amendoados, numa mesa, lá ao fundo onde se encontrava o Humberto sozinho, absorto na leitura do Diário de Coimbra.
- Desculpe-me estar a incomodá-lo, mas não consigo encontrar nenhuma mesa livre. Importa-se que me sente à sua?
O Humberto levantou os olhos do jornal, espantou-se pela beleza daquela mulher, puxou uma cadeira e convidou-a a sentar-se, indiferente aos sorrisos da malta que seguia a cena:
- Faça favor! Guardado está o bocado para quem o há-de comer!
A Marília sorriu, sentou-se e agradeceu:
- É muito simpático. Reparei que foi o único homem que, educadamente, não me comeu com os olhos enquanto eu procurava lugar.
- Estava a ler, e enquanto se cava na vinha não se cava no bacelo - esclareceu o Humberto com um sorriso.
- Você, além de simpático, educado e atraente, é muito engraçado. Está sempre a citar provérbios, disse a Marília com uma gargalhada. E vê-se que é um homem polido e de boas maneiras.
- Polidez pouco custa e muito vale, respondeu-lhe o Humberto pousando delicadamente a mão na mão dela.
A Marília gostou daquele toque fugidio e carinhoso e retribuiu, pegando-lhe na mão e olhando-o melancolicamente.
O Humberto quebrou o silêncio:
- O que está feito, feito está...
- Como se chama? Gostaria de o conhecer melhor, atirou a Marília...
- Humberto é o meu nome. Mas é pelo voo que se conhece a ave.
- Julgo que devíamos voar nas asas da fantasia, incentivou ela, sentindo as caricias que os dedos dele faziam nos seus.
O Humberto alongou-se na sua resposta:
- Barco parado não faz viagem. Podemos encontrar-nos logo à noite, se quiser...
- Hoje não posso. Mas podemos ver-nos amanhã, disse ela.
- Claro que sim. Há mais marés que marinheiros!
. . . . . . . . . . . .
No dia seguinte jantaram, à luz das velas, num restaurante do Parque Verde e apanharam um táxi para casa dela ali para os lados de Montes Claros.Na sala, beberam um copo, dançaram ao som suave de uma música romântica, sob a ténue e cálida luz de um candeeiro de mesa e uma hora mais tarde beijavam-se sofregamente.
Já deitados, as carícias trocadas, o calor dos corpos nus, os sussurros, endoideciam a Marília que, descontrolada, lhe pedia que fosse até ao fim.
O Humberto disse-lhe em voz rouca:
- Devagar se vai ao longe, minha querida... e, não te esqueças, que grão a grão enche a galinha o papo.
Mas a Marília já não podia esperar mais e o Humberto, embora se esforçasse muito, não estava a conseguir.
- Não é por muito madrugar que amanhece mais cedo - justificou-se o Humberto, com alguma vergonha.
Ela fez tudo o que pôde para o ajudar mas ele derrapava, gemia, e nada!
Já irritada, ao fim de duas horas de esforços infrutíferos, gritou-lhe:
- Então?!
O Humberto, deixou-se cair para o lado, exausto, e só foi capaz de dizer:
- Roma e Pavia não se fizeram num dia!
Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido
Enchidos

O seu paleio de encher chouriços não seria das coisa mais saborosas. Que não era. Mas afiambrar-lhe a farinheira até sentir o odor dos fumados sempre era uma petisqueira que a vida também se atesta com estes pequenos nadas.
Só estranhava que nas nossas matanças do porco apenas no final ele soltasse um grunhido abafado como se o gato lhe tivesse comido a língua e sugeri uma receita mais apimentada de uma dúzia de vocábulos de calão para estas ocasiões. Ele tentar articular palavras, tentou. Enunciou florinha, gatinha e outras alegorias terminadas em inha que só diminuíam a minha vontadinha. Cheguei a pensar que era tamanho o afluxo sanguíneo aquela parte do corpo que mais se assemelha a um enchido que isso o impedia de movimentar as cordas vocais ou lhe falhava a energia para fazer a ligação à região demarcada da fala no cérebro.
Até que um dia ele conseguiu pronunciar putinha e fê-lo de uma forma tão mimosamente infantil que me arrepiei julgando-me parte de um acto de pedofilia. Que não era suposto. Do meu rosto deve ter transparecido o calafrio e ele avançou um pujante minha vaquinha que é daquelas coisas que se eu tivesse três estômagos regurgitava logo ali.
De maneira que o convidei para uma pausa, um lanchinho de leite quente com bolachinhas, para lhe afirmar que se tinha características de menina mimada, que tinha, equilibrava a travessa sendo perversa na cama.
Só estranhava que nas nossas matanças do porco apenas no final ele soltasse um grunhido abafado como se o gato lhe tivesse comido a língua e sugeri uma receita mais apimentada de uma dúzia de vocábulos de calão para estas ocasiões. Ele tentar articular palavras, tentou. Enunciou florinha, gatinha e outras alegorias terminadas em inha que só diminuíam a minha vontadinha. Cheguei a pensar que era tamanho o afluxo sanguíneo aquela parte do corpo que mais se assemelha a um enchido que isso o impedia de movimentar as cordas vocais ou lhe falhava a energia para fazer a ligação à região demarcada da fala no cérebro.
Até que um dia ele conseguiu pronunciar putinha e fê-lo de uma forma tão mimosamente infantil que me arrepiei julgando-me parte de um acto de pedofilia. Que não era suposto. Do meu rosto deve ter transparecido o calafrio e ele avançou um pujante minha vaquinha que é daquelas coisas que se eu tivesse três estômagos regurgitava logo ali.
De maneira que o convidei para uma pausa, um lanchinho de leite quente com bolachinhas, para lhe afirmar que se tinha características de menina mimada, que tinha, equilibrava a travessa sendo perversa na cama.
(Foto © Maria Flores,2006, Write on me the words you cant tell)
07 dezembro 2013
«Entre nós» - João
"Sabes o que te vai acontecer? Perguntei eu. Tens alguma ideia? E ela olhou-me, profundamente, e disse-me que sim. Respondi-lhe que não. Que não tinha verdadeiramente ideia do que ia acontecer-lhe. Em absoluto rigor, nem eu, embora soubesse que ia ser longo. Combinámos uma palavra para parar, se fosse necessário. A cadeira era austera. Madeira escura. Estava sentado nessa cadeira e tu despida, deitada sobre as minhas pernas. Enquanto uma das minhas mãos te ia dando umas palmadas nas nádegas, a outra passeava-se pelas coxas e pela tua cona, onde os dedos se deixaram entrar. Massajei o teu clítoris e fiz-te vir. Pediste que não, que não o fizesse, mas fiz-te vir. Não logo, não depressa. Estavas ali para ser castigada. Fui lendo os teus sinais, a tua respiração, os teus músculos, e criei um crescendo até ao momento em que te deixei rebentar.
Não podias fugir. Vir-te-ias quando eu quisesse, e não à tua vontade. Faria de ti o que quisesse. Deitei mão a corda grossa, para não te marcar muito, e prendi-te à cama pelos tornozelos e pelas mãos. As pernas abertas e os braços estendidos. Estavas à minha mercê. Comecei por, quase timidamente, beijar-te as pernas. Os joelhos. Avancei para as coxas, no seu interior. Beijei-te a barriga, e detive-me a lamber e a trincar, ever so slightly, os teus mamilos que à minha chegada estavam já duros, erectos. Não podias ver nada do que te fazia, porque os teus olhos estavam vendados. Assim que avancei sobre ti, uma perna minha tocou a tua cona e ficou molhada. Estavas quase a pingar. Encharcada mesmo. Trinquei suavemente os teus ombros, beijei-te o pescoço, e por fim os lábios. Mas então avancei sobre ti e enfiei-te o caralho na boca. Como se a tua boca fosse uma cona. Agarrei-te o cabelo e segurei-te a cabeça. E, enquanto isso, com uma mão livre, ora te esfreguei a cona, ora lhe bati, com umas palmadas certeiras, e perguntei-te se te querias vir, se querias que te fodesse a cona, que lhe enfiasse o caralho. Fizeste-me sinal que sim. Querias ser castigada. Deixei-te a boca, que beijei, e entrei em ti sem dificuldade. Por esta altura já o lençol que cobria a cama estava molhado, e tudo quanto precisava fazer era escorregar para dentro de ti. Em pouco tempo estarias a debater-te com as cordas, esticando-te, vindo-te. E eu também.
Depois, mais tarde, deitado, avançaste sobre mim. Começaste por esfregar a tua cona no meu caralho, duro, pulsante, sem o deixares entrar dentro de ti. Deslizaste para a frente e para trás, deixando-o totalmente molhado. Sentaste-te sobre a minha cara. Obrigaste-me a lamber-te. Como se fosse isso um grande sacrifício. Lambi-te a cona longamente. A língua castigou-te o clitóris e aventurou-se entre os pequenos lábios. Percebeste que estavas quase a vir-te, e saíste de cima da minha boca. Regressaste ao caralho, sobre o qual te sentaste. Deixaste-o entrar. Consegui vê-lo desaparecer dentro de ti. E ondulando a bacia criaste um movimento rítmico que em poucos instantes nos fez vir de novo. Caíste ao meu lado.
No final, éramos farrapos. Todo aquele espaço tresandava a sexo, e nós totalmente rebentados, mas sorridentes, felizes, deitados lado a lado, com a mão dada, e frases de descompressão. Que não existes, que isto só pode ser proibido, provavelmente ilegal numa série de países, que não existe nada igual. A dado instante disseste “nem sei se fodemos ou fizemos amor”. Perguntei: “e isso, entre nós, tem alguma diferença?”."
João
Geografia das Curvas
Não podias fugir. Vir-te-ias quando eu quisesse, e não à tua vontade. Faria de ti o que quisesse. Deitei mão a corda grossa, para não te marcar muito, e prendi-te à cama pelos tornozelos e pelas mãos. As pernas abertas e os braços estendidos. Estavas à minha mercê. Comecei por, quase timidamente, beijar-te as pernas. Os joelhos. Avancei para as coxas, no seu interior. Beijei-te a barriga, e detive-me a lamber e a trincar, ever so slightly, os teus mamilos que à minha chegada estavam já duros, erectos. Não podias ver nada do que te fazia, porque os teus olhos estavam vendados. Assim que avancei sobre ti, uma perna minha tocou a tua cona e ficou molhada. Estavas quase a pingar. Encharcada mesmo. Trinquei suavemente os teus ombros, beijei-te o pescoço, e por fim os lábios. Mas então avancei sobre ti e enfiei-te o caralho na boca. Como se a tua boca fosse uma cona. Agarrei-te o cabelo e segurei-te a cabeça. E, enquanto isso, com uma mão livre, ora te esfreguei a cona, ora lhe bati, com umas palmadas certeiras, e perguntei-te se te querias vir, se querias que te fodesse a cona, que lhe enfiasse o caralho. Fizeste-me sinal que sim. Querias ser castigada. Deixei-te a boca, que beijei, e entrei em ti sem dificuldade. Por esta altura já o lençol que cobria a cama estava molhado, e tudo quanto precisava fazer era escorregar para dentro de ti. Em pouco tempo estarias a debater-te com as cordas, esticando-te, vindo-te. E eu também.
Depois, mais tarde, deitado, avançaste sobre mim. Começaste por esfregar a tua cona no meu caralho, duro, pulsante, sem o deixares entrar dentro de ti. Deslizaste para a frente e para trás, deixando-o totalmente molhado. Sentaste-te sobre a minha cara. Obrigaste-me a lamber-te. Como se fosse isso um grande sacrifício. Lambi-te a cona longamente. A língua castigou-te o clitóris e aventurou-se entre os pequenos lábios. Percebeste que estavas quase a vir-te, e saíste de cima da minha boca. Regressaste ao caralho, sobre o qual te sentaste. Deixaste-o entrar. Consegui vê-lo desaparecer dentro de ti. E ondulando a bacia criaste um movimento rítmico que em poucos instantes nos fez vir de novo. Caíste ao meu lado.
No final, éramos farrapos. Todo aquele espaço tresandava a sexo, e nós totalmente rebentados, mas sorridentes, felizes, deitados lado a lado, com a mão dada, e frases de descompressão. Que não existes, que isto só pode ser proibido, provavelmente ilegal numa série de países, que não existe nada igual. A dado instante disseste “nem sei se fodemos ou fizemos amor”. Perguntei: “e isso, entre nós, tem alguma diferença?”."
João
Geografia das Curvas
Deuses do Nepal e suas consortes
Duas pequenas estatuetas do Nepal, em bronze, representando um deus oriental (numa delas com uma lança) com a sua consorte, num enlace amoroso e uma mulher nua deitada de bruços, a seus pés.
Vieram do Nepal para a minha colecção.
Vieram do Nepal para a minha colecção.
06 dezembro 2013
«Meter a pata na poça» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
05 dezembro 2013
O tocador de pífaro
Figura de Barcelos em barro pintado com apito, em que o músico tem a língua de fora, com a ponta vermelha. Na mão direita leva uma bengala e a mão esquerda segura o falo, fora das calças.
Em Barcelos, fazem parte da tradição do seu artesanato as figuras que recriam bandas filarmónicas, grupos de música e dança. Algumas dessas peças funcionam também como apitos. Há uns anos, comprei numa feira de artesanato esta peça, um elemento de uma banda filarmónica, mas com a língua de fora, só com a ponta vermelha e a pila de fora. Quando perguntei à autora a razão de ser daquela peça fora do comum, ela esclareceu-me: "Depois de fazermos tantas vezes as mesmas peças, às vezes precisamos de fazer algo diferente, para espairecer".
Tal como a peça Tocador de bombo, faz parte da minha colecção.
Em Barcelos, fazem parte da tradição do seu artesanato as figuras que recriam bandas filarmónicas, grupos de música e dança. Algumas dessas peças funcionam também como apitos. Há uns anos, comprei numa feira de artesanato esta peça, um elemento de uma banda filarmónica, mas com a língua de fora, só com a ponta vermelha e a pila de fora. Quando perguntei à autora a razão de ser daquela peça fora do comum, ela esclareceu-me: "Depois de fazermos tantas vezes as mesmas peças, às vezes precisamos de fazer algo diferente, para espairecer".
Tal como a peça Tocador de bombo, faz parte da minha colecção.
04 dezembro 2013
«Agora, agora mesmo» - João
"Queres que te fale do que me apetecia agora? Agora mesmo? Era não fazer falta. E de nada precisar. Era poder desligar tudo à minha volta, apenas por um tempo. Curto, que mais que isso é luxo. Mas por um pouco, uns dias, ser como inexistente, gente que ninguém procura nem procura ninguém. Que não precisa comer. Que não precisa beber. De certo modo, como um morto, mas vivo. Poder dizer “fui”, poder dizer “fodei-vos”, ou poder nem dizer nada, apenas ir. Fechar portas. Fechar janelas. Deitar-me e dormir. Agora, agora mesmo, quero deitar-me e dormir. Adormecer num sofá, ou numa cama. Em algum sítio. E acordar mais tarde, devagar, sem relógios, sem tempo a pressionar. Acordar num zigzag entre a realidade ténue e a sonolência. Ter sensações vagas, reconhecer o espaço, saber que estou entre paredes amigas, que os lençóis que me cobrem a nudez são macios, que o colchão que me separa do chão é abraço.
Agora, agora mesmo, era isso. E numa volta na cama, enquanto me espreguiçasse, seria muito natural que te quisesse sentir a pele. Sem a surpresa de ali estares. Só a doçura da tua pele, a textura, o cheiro que é teu. Com calma, com muita calma. Era natural que colocasses a tua mão sobre a minha, quando nos encostássemos. Quando me chegasse a ti, tu sabes, em conchinha. A minha mão era capaz de repousar sobre a tua barriga, ou talvez mesmo tocar-te as mamas, e tu irias até ela, entrelaçarias os teus dedos nos meus, e agitarias o corpo muito suavemente. Aconchegar-te-ias, reduzindo o ar entre os corpos, o espaço vazio entre as nossas epidermes. E era mesmo só isso, agora, agora mesmo."
João
Geografia das Curvas
Agora, agora mesmo, era isso. E numa volta na cama, enquanto me espreguiçasse, seria muito natural que te quisesse sentir a pele. Sem a surpresa de ali estares. Só a doçura da tua pele, a textura, o cheiro que é teu. Com calma, com muita calma. Era natural que colocasses a tua mão sobre a minha, quando nos encostássemos. Quando me chegasse a ti, tu sabes, em conchinha. A minha mão era capaz de repousar sobre a tua barriga, ou talvez mesmo tocar-te as mamas, e tu irias até ela, entrelaçarias os teus dedos nos meus, e agitarias o corpo muito suavemente. Aconchegar-te-ias, reduzindo o ar entre os corpos, o espaço vazio entre as nossas epidermes. E era mesmo só isso, agora, agora mesmo."
João
Geografia das Curvas
«nome» - bagaço amarelo


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
03 dezembro 2013
Cinco aberturas exemplares
"Chamo-me Arlete, sou
psicopedagoga e gosto de levar no cu. Esta é a minha história."
in E tudo das ventas levou
"Hans Mathuäus envernizava a
casota de sua cadela, quando vislumbrou a sua vizinha recém-chegada ao bairro tomando
o sol numa espreguiçadeira e massajando o clítoris enquanto sorvia um Toddy
quentinho. Hans pensou com os seus botões que havia muito tempo não tomava ele
próprio um Toddy quentinho."
in Bem-Hurras
"Estava Cunegundes em pelota
no seu apartamento, quando a campainha soou e recebeu a visita inesperada de
catorze canalizadores senegaleses, sem nada por baixo das jardineiras."
in De costas no castelo
"Escolhe o comprimido
vermelho e num piscar de olhos serás devolvido ao conforto do teu quarto, onde
há pouco quatro anões halterofilistas te seviciavam as partes baixas. Mas opta
pelo azul e Meretrix não te dará descanso até que os tenhas como passas."
in Meretrix
"Este é o conto de uma criança muito especial, que
tinha o dom de foder tudo em que tocava, uma espécie de Midas do orgasmo. O seu
nome era Eduardo."
in Eduardo Mãos de Gaita
«talvez os braços sobre o ventre» - Susana Duarte
talvez os braços sobre o ventre,
ou a serena mansidão da espera intermitente.
escolho os braços,
e deixo de parte a antiguidade dos sonhos.
escolho os braços.
talvez os olhos claros sobre os dedos,
ou a interioridade do ventre
sobre os interstícios dos corpos.
escolho os braços
e a noite clara.
talvez sejas o sonho dissipado na névoa
das manhãs de outrora.
ou a memória viva
da pele
sobre a pele.
escolho os braços,
e deixo de parte a espera.
espreito o dia, como um espreita-marés
que, sobre os flancos, olha as margens
e navega sereno sobre os braços.
antes os braços com que me passeias
sobre o ventre, que os interstícios infindos
de corpos sem flanco.

Susana Duarte
Fotografia de Ivano Cetta, em Lisboa
Blog Terra de Encanto
ou a serena mansidão da espera intermitente.
escolho os braços,
e deixo de parte a antiguidade dos sonhos.
escolho os braços.
talvez os olhos claros sobre os dedos,
ou a interioridade do ventre
sobre os interstícios dos corpos.
escolho os braços
e a noite clara.
talvez sejas o sonho dissipado na névoa
das manhãs de outrora.
ou a memória viva
da pele
sobre a pele.
escolho os braços,
e deixo de parte a espera.
espreito o dia, como um espreita-marés
que, sobre os flancos, olha as margens
e navega sereno sobre os braços.
antes os braços com que me passeias
sobre o ventre, que os interstícios infindos
de corpos sem flanco.

Susana Duarte
Fotografia de Ivano Cetta, em Lisboa
Blog Terra de Encanto
Duas estatuetas em barro vermelho não pintado, em estilo grego
Numa das estatuetas, um homem aproxima-se de uma mulher e mete-lhe a mão por dentro da túnica, enquanto ela passa um braço à volta do pescoço dele.
Na outra, um homem com cálices em ambas as mãos e com o falo erecto.
Provenientes do Chipre, fazem parte da minha colecção.
Na outra, um homem com cálices em ambas as mãos e com o falo erecto.
Provenientes do Chipre, fazem parte da minha colecção.
02 dezembro 2013
«a primeira vez» - bagaço amarelo

O que eu estou a dizer é que é muito mais importante o que nós fazemos com a nossa inteligência do que a nossa inteligência propriamente dita. Um homem que agride constantemente a mulher é estúpido, um homem que controla todos os movimentos da mulher é estúpido, um homem que manda calar a mulher também é estúpido. Por muito inteligente que se ache, claro.
Já sei que me vão dizer que também se passa o inverso. Obrigado, eu sei. Só que também sei que tenho quarenta e dois anos e nunca li no jornal que dezenas de homens foram assassinados pelas suas suas companheiras em Portugal, enquanto sobre mulheres mortas leio constantemente. Este ano foram trinta e três, num país do tamanho de um berlinde.
A violência doméstica não tem solução, se calhar porque a estupidez parece ser uma característica biológica e não cultural. Pelo menos nalguns casos. Por isso é que a coisa tem que passar pela primeira vez. E isto é um pedido que faço a todas as mulheres: a primeira vez que ele vos levantar a mão, a primeira que ele vos ameaçar, a primeira vez que ele fechar a porta de casa e esconder a chave ou a primeira vez que ele vos ofender, a única solução é dizer-lhe adeus.
A estupidez funciona muito melhor quando está sozinha.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «Como eu não possuo» de Mário de Sá-Carneiro
Olho em volta de mim. Todos possuem -
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.
Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh’alma pára e não os sente!
Quero sentir. Não sei… perco-me todo…
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo pra ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.
Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse – ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!…
Castrado d’alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo…
- Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?.
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor…
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos d’harmonia e cor!…
Desejo errado… Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim – ó ânsia! – eu a teria.
Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo d’êxtases dourados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante…
De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
E que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.
Mário de Sá-Carneiro
(Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.
Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh’alma pára e não os sente!
Quero sentir. Não sei… perco-me todo…
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo pra ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.
Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse – ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!…
Castrado d’alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo…
- Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?.
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor…
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos d’harmonia e cor!…
Desejo errado… Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim – ó ânsia! – eu a teria.
Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo d’êxtases dourados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante…
De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
E que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.
Mário de Sá-Carneiro
(Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
Homens e mulheres
A MILF natureza os fez de uma forma interessante.

Você me entende, você me completa.
Capinaremos.com
Você me entende, você me completa.
Capinaremos.com
01 dezembro 2013
«Lady Christiny» - curta-metragem Porta-Curtas
Documentário
Director: Alexandre Lino
Elenco: Dona Diva, Kátia Queiroz, Lady Christiny
Duração: 12 minutos
Ano: 2005
País: Brasil
Sinopse: Celso Marques era cantor, casado e pai de dois filhos. Até se apaixonar por um fã. Sua esposa, Célia, aceita e apoia o romance, desde que o rapaz morasse com eles - Célia, Celso e os filhos.
Director: Alexandre Lino
Elenco: Dona Diva, Kátia Queiroz, Lady Christiny
Duração: 12 minutos
Ano: 2005
País: Brasil
Sinopse: Celso Marques era cantor, casado e pai de dois filhos. Até se apaixonar por um fã. Sua esposa, Célia, aceita e apoia o romance, desde que o rapaz morasse com eles - Célia, Celso e os filhos.
Bem passado s.f.f.

O Senhor Doutor bem sabe que eu demorei anos a ensinar ao orgasmo o caminho do clítoris para a vagina. Uma canseira de concentração e um gigantesco gastar de palavras para convencer os jovenzinhos dessa época que eles tinham feito tudo bem que caramba, eu não estava ali para traumatizar ninguém e era apenas eu que só ia lá de língua. A mesma língua gratificante que me uniu ao holandês que gritava muitos vivas ao Benfica por na sua terra tal expressão se referir à actividade física que mais gostava de praticar.
Tomei o desembaraço como lema e quem não tem cão, caça com gato que não vem daí mal ao mundo e por isso me recordo bastas vezes daquele meu apaixonado que nunca me viu o rosto e porém as suas mãos liam-me melhor o corpo mesmo por entre bátegas de suor usando-as tão constantemente em todos os meus pontos que era um ver se te avias nos múltiplos.
E agora voltei a si, Senhor Doutor, por causa do motoqueiro. Desde o início que eram grandes corridas de velocidade que as rapidinhas entre uma coisa que se apanha do chão e o caixote ou enquanto se espalha a base frente ao espelho da casa de banho têm a graça do desejo incontrolável sobretudo, nas situações mais improváveis. Após o acidente ficámos ensimesmados com a perspectiva de encostarmos o corpinho às boxes mas passados que estão uns meses ele já fica sentado como se a cadeira fosse um cavalo de raça e com a maravilha dos comprimidinhos azuis ergue-se num trote por mim adentro certinho que nem um fuso e o carrocel só pára quando eu tombo de cansaço no seu ombro petiscando-lhe o pescoço com beijinhos. Porque a carne bem passada até faz melhor à saúde, não é Senhor Doutor?...
30 novembro 2013
«Mulheres fodilhonas» - João
"Por intermédio de um conhecido, cheguei à leitura de um artigo sobre um livro em que se afirma que as mulheres gostam tanto de sexo quanto os homens, e que, em rigor, gostam muito de foder. Não vejo aí nada de espectacular, nada que deva admirar um homem (que se considere) bem informado. O que esse texto me fez pensar, e merecer esta breve nota, é que os homens continuam assustados com as mulheres que gostam de foder. A mulher não tem sequer período refractário, pode foder até ficar dorida, até ficar em carne viva. Não precisa parar entre orgasmos. E creio que isso nos assusta. A nossa sociedade desenvolveu-se sobre uma mulher sexualmente amorfa, cujo desejo é limitado e orientado apenas para o companheiro. A mulher em que fomos ensinados a acreditar não tem fantasias, não tem desejos descontrolados de se vir como se não houvesse amanhã. Isso é obviamente mentira. Se somos feitos da mesma matéria, diferenças óbvias à parte, se nós gostamos de foder, as mulheres também.
Talvez o homem se assuste com a mulher fodilhona porque, sem período refractário e capaz de foder até não poder mais, pode saltar não de nenúfar em nenúfar mas sim de pénis em pénis. Temos medo de ficar para trás. No fundinho da nossa mente está o receio de não ter pedalada, de não ter pénis que chegue para manter feliz a fêmea que nos fode. Ora, homens, não é isso. Temos de ter muito mais trabalho, sim. Mas isso não se mede no tamanho do pénis, na grossura, ou nas horas consecutivas durante as quais conseguimos manter uma erecção firme. Acredito muito (mas muito) que é mais importante fugir ao eterno frango assado – nada de mal nele, mas não sempre! -, aceitar que o desejo não tem hora nem local certos, que há muito sítio para foder, muita loucura para viver, e que isso exige libertar o cérebro. O corpo vai atrás. O momento em que não temos medo de uma mulher que quer foder, é o momento em que fodemos à altura dela."
João
Geografia das Curvas
Talvez o homem se assuste com a mulher fodilhona porque, sem período refractário e capaz de foder até não poder mais, pode saltar não de nenúfar em nenúfar mas sim de pénis em pénis. Temos medo de ficar para trás. No fundinho da nossa mente está o receio de não ter pedalada, de não ter pénis que chegue para manter feliz a fêmea que nos fode. Ora, homens, não é isso. Temos de ter muito mais trabalho, sim. Mas isso não se mede no tamanho do pénis, na grossura, ou nas horas consecutivas durante as quais conseguimos manter uma erecção firme. Acredito muito (mas muito) que é mais importante fugir ao eterno frango assado – nada de mal nele, mas não sempre! -, aceitar que o desejo não tem hora nem local certos, que há muito sítio para foder, muita loucura para viver, e que isso exige libertar o cérebro. O corpo vai atrás. O momento em que não temos medo de uma mulher que quer foder, é o momento em que fodemos à altura dela."
João
Geografia das Curvas
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