15 junho 2014
14 junho 2014
A parede de pichotas a dançar a «Dança da Fada do Açúcar» de Tchaikovsky
Uma prendinha boa da Joyce Craveiro:
"estas coisas fazem-me pensar em ti"
E aqui, um documentário sobre esta parede:
"estas coisas fazem-me pensar em ti"
E aqui, um documentário sobre esta parede:
Estatueta em madeira de duas aves a acasalarem
Trabalho artesanal em raiz de torga, da minha colecção.
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
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13 junho 2014
29 de Maio de 2014 no Museu d'Orsay - Deborah de Robertis exibe a vulva junto ao quadro «a origem do mundo» de Gustave Courbet
Deborah de Robertis: “Se ignorarmos o contexto, podemos encarar esta performance como um acto exibicionista. Mas o que eu fiz não é um acto impulsivo. É pensado. Mostrando o meu sexo diante deste quadro, nesta sala, neste museu, recriou-se um novo quadro”.
Penso que esta foi uma forma de mostrar o que é evidente: a sociedade convive mal com a sua sexualidade... afinal, com a sua própria natureza. E revela também a hipocrisia da sociedade actual, que tolera uma representação realista de uma vulva mas já censura a exibição de uma dita cuja.
Pergunto: que mal ela fez? Que mal causou com isto? A quem?
Une artiste expose son sexe sous «L'origine du... por quoi2news
A Jackie relembrou este episódio, numa visita a este museu:
A propósito do quadro de Gustave Courbet, que anda tão badalado esta semana, tenho uma história muito gira para contar.
Estavámos na livraria do Musée d'Orsay, em Maio de 2002 (na altura o meu filho tinha 5 anos), e estava a ver umas gravuras... De repente, aparece esta gravura do Gustave Courbet, que tem por título "a origem do mundo".
E ele, apontando para a parte mais escura, diz muito alto (em Português... imaginem se fosse em Francês...):
- Mamã, o que é isto?!
Controlando a minha vontade de rir, respondi:
- É o sexo de uma mulher, uma lila (que é a palavra fofinha que se usa cá em casa).
Ao que ele responde, com um ar muito mais aliviado:
- Ai que susto!! pensei que era esturricado!
E aí sim, não consegui controlar o ataque de riso que me deu de seguida e estava a ver que éramos expulsos do museu naquele dia.
Era bom que as pessoas ainda vissem o sexo como as crianças, como algo natural e que se preocupassem mais com o que é anormal, como os incêndios.
Penso que esta foi uma forma de mostrar o que é evidente: a sociedade convive mal com a sua sexualidade... afinal, com a sua própria natureza. E revela também a hipocrisia da sociedade actual, que tolera uma representação realista de uma vulva mas já censura a exibição de uma dita cuja.
Pergunto: que mal ela fez? Que mal causou com isto? A quem?
Une artiste expose son sexe sous «L'origine du... por quoi2news
A Jackie relembrou este episódio, numa visita a este museu:
A propósito do quadro de Gustave Courbet, que anda tão badalado esta semana, tenho uma história muito gira para contar.
Estavámos na livraria do Musée d'Orsay, em Maio de 2002 (na altura o meu filho tinha 5 anos), e estava a ver umas gravuras... De repente, aparece esta gravura do Gustave Courbet, que tem por título "a origem do mundo".
E ele, apontando para a parte mais escura, diz muito alto (em Português... imaginem se fosse em Francês...):
- Mamã, o que é isto?!
Controlando a minha vontade de rir, respondi:
- É o sexo de uma mulher, uma lila (que é a palavra fofinha que se usa cá em casa).
Ao que ele responde, com um ar muito mais aliviado:
- Ai que susto!! pensei que era esturricado!
E aí sim, não consegui controlar o ataque de riso que me deu de seguida e estava a ver que éramos expulsos do museu naquele dia.
Era bom que as pessoas ainda vissem o sexo como as crianças, como algo natural e que se preocupassem mais com o que é anormal, como os incêndios.
12 junho 2014
Abençoado clítoris!
"Dada a natureza bárbara da excisão do clitóris ou mutilação genital feminina (MGF), a Clitoraid é uma organização privada sem fins lucrativos cujo objectivo é ajudar todas as vítimas de MGF que querem ter o seu clítoris reconstruído. Actualmente concentra os seus esforços em Burkina Faso, na África Ocidental, onde há milhões de mulheres genitalmente mutiladas.
Desde 2006, a Clitoraid tem vindo a treinar vários médicos e a ajudar na prestação de cirurgia de reparação do clítoris para muitas mulheres em todo o mundo que viajaram para a França ou para os Estados Unidos para o seu tratamento e reparação cirúrgica. Todas as nossas pacientes relataram melhorias após a cirurgia, e cerca de 60 por cento delas têm experimentado o orgasmo - algo que elas achavam que nunca lhes iria acontecer."
Desde 2006, a Clitoraid tem vindo a treinar vários médicos e a ajudar na prestação de cirurgia de reparação do clítoris para muitas mulheres em todo o mundo que viajaram para a França ou para os Estados Unidos para o seu tratamento e reparação cirúrgica. Todas as nossas pacientes relataram melhorias após a cirurgia, e cerca de 60 por cento delas têm experimentado o orgasmo - algo que elas achavam que nunca lhes iria acontecer."
Mulher nua e sátiro escondido
Estatueta de P. Leroux com mulher nua de bruços. Abrindo a parte superior, descobre-se um sátiro de falo erecto.
10 x 7 x 7 cm.
A partir de agora, junta-se a outras peças deste autor, na minha colecção.
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10 x 7 x 7 cm.
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11 junho 2014
«conversa 2079» - bagaço amarelo

(numa esplanada)
Eu - Estás com ar pensativo...
Ela - Sim, estava aqui a olhar para as pessoas...
Eu - E?
Ela - E não percebo porque é que os homens engordam à frente e as mulheres engordam atrás...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
«Gosto de ti» - João
"Gosto de ti como quem gosta de cidades, com as suas ruas e becos, escadarias e sombras, lugares onde parar e ficar, com pontes e recantos. Gosto de ti como quem gosta do campo, com rios e prados, árvores de sombra e caminhos ondulantes. Gosto de ti como a brisa que agita cabelos e roupas leves, e transporta no ar uma palavra, um verbo preso. Gosto de ti como quem gosta do calor que contraria o frio do outro lado dos lençóis. Gosto de ti como o gel que escorre na pele suave debaixo de um chuveiro quente. Gosto de ti como quem se embrulha numa toalha turca e assim fica, na nudez que espera o toque. Gosto de ti como o dia e a noite, como a tesão que não demora, os risos felizes, os elevadores que sobem enquanto dançamos xadrez num metro quadrado num rápido xeque-mate. Gosto de ti como os cabelos que se acariciam num sofá, numa preguiça quente que deixa tudo lá fora a rodar sem nós. Gosto de ti como tu gostas de mim."
João
Geografia das Curvas
João
Geografia das Curvas
10 junho 2014
Eva portuguesa - «P»
P... de puta, psicóloga, padre. Tudo coisas que nós somos/fazemos. Porque nos procuram não só pelo sexo. Mas também e sobretudo por isso.P... de professora, padeiro e policia. Porque todos somos policias. Infelizmente, tendemos a ser policias dos outros; criticando, julgando e condenando as suas atitudes, as suas formas de ser e estar. Mas devíamos mesmo era ser policias de nós mesmos; da nossa consciência, das nossas atitudes.P... de parva, de palavra e de paixão. Palavra, uma ferramenta tão simples mas tão poderosa... capaz de ferir mais do que a mais pesada das pedras... Algo que devia ser utilizado com sabedoria e cautela mas que usamos ao desbarato, sem medir a sua força, a sua capacidade destruidora. Limitamo-nos a lançar assim para o ar, a deixar que nos saia livre e impunemente da boca, como se sofrêssemos de uma diarreia verbal.
Paixão. Ah! A paixão... fugimos dela, perseguimo-la, somos seus donos e seus escravos, seus causadores e suas vítimas. Paixão... aquele sentimento que nos consome, que vem do mais profundo de nós e nos queima por dentro, atormenta e delicia. Que nos tira o sono e a fome, nos dá forças desconhecidas e nos rouba a vida quase que num sopro. Paixão.. .talvez o mais fugaz e intenso sentimento que o ser humano pode viver... Como uma onda gigante, leva tudo à sua frente, sem misericórdia nem compaixão. E que,assim como se formou do nada, ao nada retorna repentinamente.P...de poligamia, perfeição e promessa. Promessas que fazemos e não cumprimos. Promessas que nos são lançadas e constantemente defraudadas. Promessas que nos dão esperança e nos deixam na merda. Perfeição... a nossa busca constante, a nossa luta diária. A procura do inalcançável, a fantasia do irreal, a crença dos audazes, o credo dos inteligentes. Perfeição... o que nos faz crescer, melhorar, avançar. O balão lançado no ar que vemos mas não conseguimos agarrar. Mas continuamos a persegui-lo... porque assim o dita a nossa natureza. Porque só assim evoluímos. Porque não conseguimos deixar de o fazer. Ou simplesmente porque sim.P... uma letra... tanto que existe dentro dela...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Paixão. Ah! A paixão... fugimos dela, perseguimo-la, somos seus donos e seus escravos, seus causadores e suas vítimas. Paixão... aquele sentimento que nos consome, que vem do mais profundo de nós e nos queima por dentro, atormenta e delicia. Que nos tira o sono e a fome, nos dá forças desconhecidas e nos rouba a vida quase que num sopro. Paixão.. .talvez o mais fugaz e intenso sentimento que o ser humano pode viver... Como uma onda gigante, leva tudo à sua frente, sem misericórdia nem compaixão. E que,assim como se formou do nada, ao nada retorna repentinamente.P...de poligamia, perfeição e promessa. Promessas que fazemos e não cumprimos. Promessas que nos são lançadas e constantemente defraudadas. Promessas que nos dão esperança e nos deixam na merda. Perfeição... a nossa busca constante, a nossa luta diária. A procura do inalcançável, a fantasia do irreal, a crença dos audazes, o credo dos inteligentes. Perfeição... o que nos faz crescer, melhorar, avançar. O balão lançado no ar que vemos mas não conseguimos agarrar. Mas continuamos a persegui-lo... porque assim o dita a nossa natureza. Porque só assim evoluímos. Porque não conseguimos deixar de o fazer. Ou simplesmente porque sim.P... uma letra... tanto que existe dentro dela...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«Opus» - Susana Duarte
obra,
sabedoria prenhe de gazelas
sobre folhas caídas do peito
obra imperfeita, perfeita, inacabada e acabada
mantida nas pálpebras,
sobre o chão de folhas
da alma:
inverno nú, ave rasteira à terra
____ave entre as pernas da noite_____
obra acabada. solidão imperfeita:
olhos de água, rasos de auroras
nunca mais acontecidas.
flores do meu dorso,
em alvoradas desmedidas.
alvas estrelas de som, em noites imperfeitas
que, na hora de todas as quimeras,
se apoderam de todas as luzes do ventre
e me tolhem da quieta mansidão do sono.
hibiscos rosa. claridade do sonho:
habitas-me todas as utopias.
desagrega-me. agrega-me à areia do teu corpo.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
sabedoria prenhe de gazelas
sobre folhas caídas do peito
obra imperfeita, perfeita, inacabada e acabada
mantida nas pálpebras,
sobre o chão de folhas
da alma:
inverno nú, ave rasteira à terra
____ave entre as pernas da noite_____
obra acabada. solidão imperfeita:
olhos de água, rasos de auroras
nunca mais acontecidas.
flores do meu dorso,
em alvoradas desmedidas.
alvas estrelas de som, em noites imperfeitas
que, na hora de todas as quimeras,
se apoderam de todas as luzes do ventre
e me tolhem da quieta mansidão do sono.
hibiscos rosa. claridade do sonho:
habitas-me todas as utopias.
desagrega-me. agrega-me à areia do teu corpo.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Revista «Le nouveau Marianne» nº 892 - Les Français, la politique et le sexe (os franceses, a política e o sexo)
Revista francesa de política com um artigo de capa sobre os franceses, a política e o sexo (páginas 20 a 29).
A partir de agora, junta-se a muitos outros exemplares de números especiais de revistas internacionais da minha colecção.
O detalhe das pilas políticas da capa:
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O detalhe das pilas políticas da capa:
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09 junho 2014
Luís Gaspar lê «Cantos/II» de António Barahona
O início és tu: magra e fecunda deitada
sobre as folhas do Outono o ritmo
perfeito do amor no gesto esguio, na
glíptica cabeça, te concede a qualidade
de divina nua ascenderes dentro da noite
Corto a pedra onde modelo para
sempre a tua posição: desenho de
luz inquietante, sombra de animal
na montanha culta de agilidade e insónia
E penso na paisagem que habitas:
roupa de perfume nas cadeiras, o
urso polar, brinquedos, crianças,
solidão aérea de ausência tanta e a
presença da casa, alva barca
calada no mar ou na doca plana
Dás tudo ao homem que o homem quer:
irmã necessária, tépida e exacta, inclinada
sobre o filho és mãe numa hora, nos meus braços
oculta, filha fugidia Oh descantado
assombro da beleza inúmera, mulher, minha
esposa toda a vida
António Barahona
Escritor português, de nome completo António Manuel Baptista Barahona da Fonseca, nasceu em 1939, em Lisboa. Partindo da escrita surrealista - António Barahona da Fonseca integrou o grupo do Café Gelo. Após se ter convertido ao islamismo adoptou o nome Muhammad Abdur Rashid Barahona, com que passou a assinar alguns dos seus trabalhos.
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
sobre as folhas do Outono o ritmo
perfeito do amor no gesto esguio, na
glíptica cabeça, te concede a qualidade
de divina nua ascenderes dentro da noite
Corto a pedra onde modelo para
sempre a tua posição: desenho de
luz inquietante, sombra de animal
na montanha culta de agilidade e insónia
E penso na paisagem que habitas:
roupa de perfume nas cadeiras, o
urso polar, brinquedos, crianças,
solidão aérea de ausência tanta e a
presença da casa, alva barca
calada no mar ou na doca plana
Dás tudo ao homem que o homem quer:
irmã necessária, tépida e exacta, inclinada
sobre o filho és mãe numa hora, nos meus braços
oculta, filha fugidia Oh descantado
assombro da beleza inúmera, mulher, minha
esposa toda a vida
António Barahona
Escritor português, de nome completo António Manuel Baptista Barahona da Fonseca, nasceu em 1939, em Lisboa. Partindo da escrita surrealista - António Barahona da Fonseca integrou o grupo do Café Gelo. Após se ter convertido ao islamismo adoptou o nome Muhammad Abdur Rashid Barahona, com que passou a assinar alguns dos seus trabalhos.
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
«conversa 2078» - bagaço amarelo

Eu - O que é que tem ser uma mulher como tu?
Ela - Gosto de dormir na diagonal da cama e de ocupar o colchão todo. Durmo mal se sinto alguém a mexer ao meu lado...
Eu - Podes sempre ter duas camas. Uma para ti, outra para ele.
Ela - O meu ex-marido dormia no chão.
Eu - E ele aceitava isso? Se tu é que estavas mal, ias tu para o chão.
Ela - Eu gosto de dormir na diagonal da cama, não na diagonal do chão.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
08 junho 2014
Restauração
Faltou-me o adesivo. Largo, de preferência, para tapar bem aquela boca. Toda a acção era precedida de uma pergunta. Pode ser aqui ou ali?…Quer assim ou assado?… Prefere frito ou cozido?… Gosta com molho ou sem?… Colocou-me na condição de cliente insatisfeita e compeliu-me a vestir e sair porta fora.
Não faltam na gíria sinónimos gastronómicos para as relações sexuais e contudo, estranho que se faça do acto em si uma prática de restauração e hotelaria, como se comprasse um serviço com direito a nome na factura e tudo.
07 junho 2014
Cachimbo com mulher nua atada a um cavalo a galope
Recipiente (fornilho) de cachimbo, em porcelana.
Peça que deverá ser dos anos 20 do Séc. XX, a partir de agora na minha colecção.
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Peça que deverá ser dos anos 20 do Séc. XX, a partir de agora na minha colecção.
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06 junho 2014
A Noite de Eleições é Decadente e Depravada
Dedicado a Hunter S. Thompson, pai do jornalismo gonzo.
Quando, na passada noite de
eleições para o parlamento europeu, Paulo Portas se preparava para subir ao
palanque, soubemos que uma avalanche de bosta se segurava por um pintelho à
escarpada ravina que conduz decência abaixo. Depois, o dilúvio castanho,
irrevogável. Tudo nele era um monumento à verdade, e tão verdadeiras,
autênticas as suas palavras como o são o branco dos seus dentes, o seu
bronzeado e o seu cabelo.
O momento fazia-se atroz,
historicamente relevante, mas outro incidente dramático clamava pela minha
atenção. Atrás de cada assento na plateia, postara-se um anão trajado de
templário, com a missão de urdir os braços e cabeças dos militantes na altura
certa do aplauso, ou aceno concordante. Como rebuçadinho, recebiam uma ocasional
punheta, ou amasso de clíto, trabalhados por mãozitas marotas braguilhas
adentro, ou debaixo de austeras saias. Os notáveis, e alguns jornalistas da
TVI, abafavam grunhidos, como leões-marinhos em jejum. Acabava Nuno Melo de
bolsar um Black Label, quando decidi
fugir daquele festival de sodomia moral colectiva.
Que se passará no Hotel Altis?
Que incríveis, luxuriantes e exóticas delícias se esconderão no famoso elevador
socialista? Um táxi, dez minutos de xenofobia primária e um ananás depois,
chegava a esse digno albergue. Para minha surpresa, não havia ninguém; uma
esquálida cabra vadia mastigava a sua solidão num descampado próximo. Indaguei
pela trupe socialista junto de uma mercenária do amor, que ali desperdiçava os
seus propósitos comerciais. Nada. Fumámos um charro, ouvimos os grilos fazerem
cri-cri, olhámos as estrelas no firmamento. Chupou-me o caralho e - efeitos do
THC - pensei na bela causa fracturante da cabeça de lista do Bloco de Esquerda,
naquela altura, certamente, carpindo mágoas com um vibrador multicultural. Um
desperdício, uma pena. Asseava-me com um toalhete, quando passou diante de mim
a correr Ana Gomes, ou Marinho Pinto disfarçado de gaja, nunca saberei ao
certo...
A sede do Partido Comunista era
perto e uma súbita esperança de bifanas com minis arrastou-me até à Soeiro
Pereira Gomes; esse edifício de mármores glasnósticos e escadarias lisnávicas. Encontrei
pura alegria funcionária entre as hostes proletárias, que saltavam ordeiramente
na vertical, de tal sorte que os seus movimentos desenhavam um vector que se
lhes houvesse metido no cu; tudo ao som de uma histérica melodia, tocada em
flauta de merda. O camarada-mor já havia discursado e os ânimos eram
naturalmente pândegos; não obstante, nada de refrescos. Esgueirei-me por uma
porta lateral, esperançoso de conseguir um Singapore
Sling algures, mas acabei por me achar no meio do Bacanal do Comité Central
- sempre com um olho posto na propaganda esta gente... rima e tudo. Uma Festa do Avante, mas de nudistas hirsutíssimos,
com barbas nas mais estranhas partes do corpo. Pela primeira vez, vi uma Cona
Guevara, aparição que, estou certo, me acompanhará no que resta da minha miserável
existência. O ritual punho erguido promovia o fist-fucking indiscriminado, remetendo instantaneamente o
observador à inclinação comunista para permanecer de pé em cerimónias oficiais.
Por outro lado, tinham razões para festejar, deixá-los meter malho em foice
alheia!
Saí à rua, não sem roubar o Singapore Sling de Odete Santos, à custa
de um combate com volumes do Das Kapital
e um leve traumatismo craniano. Em poucas palavras, foi assim a noite de eleições:
uma intolerável exibição de decadência e depravação no coração democrático da
República Portuguesa.
05 junho 2014
Céu e inferno
Óleo e gouache sobre cartolina, de Charrier.
51 x 65 cm
A partir de agora, na minha colecção.
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51 x 65 cm
A partir de agora, na minha colecção.
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04 junho 2014
«conversa 2077» - bagaço amarelo

Eu - É normal isso, principalmente nas mulheres.
Ela - É que os problemas da vida afectam-me muito. São as contas por pagar, é o emprego de merda que eu tenho, é a nossa casa que precisa de obras urgentes...
Eu - E isso não o afecta a ele também?
Ela - Afecta, mas ao contrário. Ele diz que quanto pior está a vida, mais importante é o sexo...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
«Deixa a roupa assim» - João
"Não faças a cama. Deixa a roupa assim, por enquanto, por agora, assim amarrotada, manchada, campo de batalha aberta, como que pestilenta aos outros narizes, mas muito nossa, do nosso cheiro. Deixa a roupa assim, não faças a cama, esquece por ora o nosso hábito das coisas em ordem, e deixa tudo assim, neste caos, neste mar de lençois mal amanhados. Porque depois eu venho, depois tu voltas, e no final destas horas voltamos ao mesmo, tu vais ficar nua, e eu nú também, talvez da roupa, mas de nós mesmos por certo, despidos, lavados na alegria do reencontro, de voar para casa para nos agarrarmos. Numa parede, num sofá, contra um vidro, na água quente de uma banheira, sobre a mesa, à janela no luar, rolar pelo chão. Não faças a cama, vamos lá lutar de novo, no fim, depois de todos os cantos e recantos, prometendo repousar para num suspiro soltarmos de novo os animais, a fúria, as bestas enjauladas que rosnam, que com garras cravam e sangram, e dizeres as tuas coisas, e eu as minhas, e no dia seguinte, nova madrugada, novamente o Sol, e a nossa cama desfeita, e nós desfeitos, mas o Sol vai erguer-se à mesma, e nós, nós vamos arrastar-nos para fora da cama, e tudo vai recomeçar. Não faças a cama. Deixa a roupa assim."
João
Geografia das Curvas
João
Geografia das Curvas
03 junho 2014
Eva portuguesa - «Mulher»
Uma verdadeira mulher...
Entende-te.
E quando não entende, aceita-te.
Mas, acima de tudo, respeita-te.
Uma verdadeira mulher
Não provoca... já é provocante.
Não se precipita... sabe o momento certo.
Não insinua... mostra-se subtilmente.
Não é esperta... é inteligente.
Não vê... observa.
Não anda... caminha.
Não julga... analisa.
Não prende... dá liberdade.
Porquê?
Porque sabe o que quer.
Quando quer.
E como quer.
E o verdadeiro homem...
Sabe reconhecer uma Mulher!...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Entende-te.
E quando não entende, aceita-te.
Mas, acima de tudo, respeita-te.
Uma verdadeira mulher
Não provoca... já é provocante.
Não se precipita... sabe o momento certo.
Não insinua... mostra-se subtilmente.
Não é esperta... é inteligente.
Não vê... observa.
Não anda... caminha.
Não julga... analisa.
Não prende... dá liberdade.
Porquê?
Porque sabe o que quer.
Quando quer.
E como quer.
E o verdadeiro homem...
Sabe reconhecer uma Mulher!...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«Genciana» - Susana Duarte
queria uma palavra azul para te descrever as sílabas que, de ti, vejo sair,
como aves que exploram o infinito. trémulas, no início, inseguras da paixão;
seguras quando, eternas, se deitam na minha mão e atingem o seu devir.
descreves em mim linhas. voas-me nos dedos das pálpebras dos sonhos
e procuras-me, no rosto, o sorriso crescente da estranheza-encantamento;
seguras-me as mãos quando navego à procura de sílabas e de medronhos
que descasco, um a um, nas mãos que ocupo com a imagem do teu lamento
quando a vida, por breves momentos, tolheu de nós as palavras e os voos.
escrevemos páginas de sonhos em folhas de flores azuis e em sombras
de noites irrequietas. Sábias são as cores místicas do sonho – horizonte
onde as asas encontram as sílabas e as sílabas se tornam o teu nome…
és a palavra que nunca se esconde, a floresta de árvores sem penumbras
onde me deito, aliada das asas de um anjo como se o anjo fosse a fonte
da vida quem em mim almejas. em mim, tiras a sede e matas a fome.
do azul-maravilha e espanto, nasceu uma ilha e a terra de uma sonolência
serena, que nos transformou na etérea luz de uma sombra chinesa, onde
nos escondemos para viver a esplendorosa cor azul-onírico de palavras-sonho.
«Pescadores de Fosforescências»
Alphabetum Edições Literárias
Dezembro de 2012
ISBN: 978-989-8590-02-2
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
como aves que exploram o infinito. trémulas, no início, inseguras da paixão;
seguras quando, eternas, se deitam na minha mão e atingem o seu devir.
eu e tu somos uma flor gamopétala.
descreves em mim linhas. voas-me nos dedos das pálpebras dos sonhos
e procuras-me, no rosto, o sorriso crescente da estranheza-encantamento;
seguras-me as mãos quando navego à procura de sílabas e de medronhos
que descasco, um a um, nas mãos que ocupo com a imagem do teu lamento
quando a vida, por breves momentos, tolheu de nós as palavras e os voos.
eu e tu somos uma flor gamopétala.
escrevemos páginas de sonhos em folhas de flores azuis e em sombras
de noites irrequietas. Sábias são as cores místicas do sonho – horizonte
onde as asas encontram as sílabas e as sílabas se tornam o teu nome…
és a palavra que nunca se esconde, a floresta de árvores sem penumbras
onde me deito, aliada das asas de um anjo como se o anjo fosse a fonte
da vida quem em mim almejas. em mim, tiras a sede e matas a fome.
eu e tu somos uma genciana azul.
do azul-maravilha e espanto, nasceu uma ilha e a terra de uma sonolência
serena, que nos transformou na etérea luz de uma sombra chinesa, onde
nos escondemos para viver a esplendorosa cor azul-onírico de palavras-sonho.
Eu, e Tu, somos o Sonho consubstanciado no encontro das marés,
e na confluência dos toques,
e nos remos.
«Pescadores de Fosforescências»
Alphabetum Edições Literárias
Dezembro de 2012
ISBN: 978-989-8590-02-2
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
6 pequenos falos em barro
Conjunto de seis pequenos falos acariciados por mãos, em diferentes posições.
Da autoria da Milena Miguel, do Atelier S. Miguel, de quem tenho diferentes peças preciosas na minha colecção, estas miniaturas complementam um conjunto feito há dois anos.
A Milena e o Fernando Miguel são um casal com quem criei uma relação de proximidade e cumplicidade que me deixa toda molhadinha.
Da autoria da Milena Miguel, do Atelier S. Miguel, de quem tenho diferentes peças preciosas na minha colecção, estas miniaturas complementam um conjunto feito há dois anos.
A Milena e o Fernando Miguel são um casal com quem criei uma relação de proximidade e cumplicidade que me deixa toda molhadinha.
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02 junho 2014
«Não chegámos a ir à Islândia!» - bagaço amarelo

O livro chama-se Gente Independente e é de um escritor islandês. Sei isso porque uma das poucas coisas de que me lembro é que tu o conhecias. Eu não, apesar de ser eu quem o andava a ler.
- Estás a gostar? - perguntaste.
- Sim.
- Porque é que andas a ler um autor islandês?
- Porque me ofereceram este livro. Só isso.
Deste-me um abraço e afogaste a tua vontade de rir no meu peito, como se te quisesses aninhar na minha camisola de lã grossa. Achavas que era estúpido andar a ler um livro sem me informar sobre o autor. Depois respiraste fundo.
- Um dia vamos os dois à Islândia! - decidiste.
- Está bem.
Encontrei-te muitos anos depois, numa altura em que já não te aninhavas em mim. Demos dois beijos na face e perguntámos um ao outro como estávamos. Bem, respondemos abanando os ombros. De um Amor de Verão pode não sobrar quase nada, a não ser a memória de que foi bom.
- Quando duas pessoas marcam uma viagem para data incerta, para um futuro qualquer, é uma forma de prometerem que querem ficar juntas até lá...
- Não chegámos a ir à Islândia! - respondi.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
01 junho 2014
31 maio 2014
Casal da Indonésia
Pequenas estatuetas em madeira da minha colecção.
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30 maio 2014
O desconhecido
Olás...
Acostumei-me, desde cedo, com as palavras. Elas afloravam, facilmente, antes de colocá-las em papel. Mas para tudo há um enredo, mesmo nos versos, contos, cantos, piadas, ou historinhas.
Há sempre uma ação que resulta na reação de criar. Sou assim. Por isso, fácil alguém me conhecer pelas palavras escritas: são retratos de momentos, de circunstâncias que vivi. Outros, em imagens do futuro vividas no presente. É complexo, bem sei. Paradoxal.
Mas não queiram julgar-me por elas, as palavras. Aquilo que foi criado em algum momento, perdeu-se no tempo... e a personagem é outra. Como esta, de agora, "esculpida" em um determinado cenário, no diálogo com um desconhecido.
"Conversas com um internauta"
Quem és tu, que ousas me encarar na mágica poesia?
Adivinhas, por acaso, o que tenho em meu coração?
Nos versos, que nascem com paixão?
Se poeta fosses, como algum dia eu fui,
Sairias de tuas trevas e sentarias comigo, à meia luz.
Ser poeta é para os bravos, não para os fracos!
Criar poesias não é coisa vã. Não vão!
Não falas? Nada dizes? De nenhum gesto és capaz?
Então, deixa-me sair, criar meus versos,
Porque neles me vejo, nua,
E neles disperso.
Meus versos têm sons de orgasmos.
E cheiros inconfundíveis.
São versos que não rimam,
Rimar, para quê?
Gozar ou fazer poesias contigo,
Seria o clímax do prazer
Mas sozinha, arrefeço.
Sem meus versos... logo vou adormecer.
Mamãe Coruja
29 maio 2014
Todos de pé, sem medos!
Para um pénis, ostentar uma erecção sem constrangimentos já seria uma grande conquista no domínio da liberdade de expressão.
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