30 dezembro 2007

Públicas virtudes


Entre o arrazoado de obrigações que cimentava a sua vida ele dava-me a esmola de ter uns minutinhos comigo como julgo que nos idos da passagem do século XIX ao XX impunham os amos às criadas de dentro.

Era a hora da loira em que na frescura do momento se despia do homem que era e me apalpava as carnes a toda a brida até os olhitos lhe quererem saltar das órbitas. E dava despacho a todas as frases triviais que supunha adequadas à ocasião como amo-te e tal e coisa. Depois compunha-se, ajeitava a fralda da camisa, penteava-se a preceito e retirava da sua imagem qualquer laivo de emoção que um homem não chora nem mostra os seus sentimentos e continuava o dia imperturbável no milimétrico cumprimento do que se esperava dele.

Enfurecia-se quando eu lhe interrompia o traçado com um telefonema ou uma aparição não escalada para lhe dar um sorriso ou um aperto de mão nas partes porque tais intimidades banais despedaçavam o estatuto de putas que ele conferia a todas as mulheres salvo a sua santíssima mãe. Como seria possível antecipar, começou a latejar em mim o Não posso mais do Abrunhosa e tive de lhe dizer que, sem garantias nenhumas, talvez fosse melhor ele enveredar por uma Second Life.

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Nota encharcadinha da edi São - que bem te venhas de regresso, Maria Árvore. Mereces muitas e boas festas.

Onanismo, dissertação sobre as doenças produzidas pela masturbação

L'onanisme, dissertation sur les maladies produites par la masturbation - Dr, Samuel Tissot
médico suiço Simon-Auguste-André-David Tissot (também chamado Samuel Tissot)Há muito tempo que sabia por vários autores da importância do livro «L'onanisme, dissertation sur les maladies produites par la masturbation», do médico suiço Simon-Auguste-André-David Tissot (também chamado Samuel Tissot), publicado pela primeira vez em 1759. Nesta obra, dá uma caução científica a uma brochura anónima publicada em 1710 em Londres, intitulada «Onania; or, The Heinous Sin of Self-Pollution, and all its Frightful Consequences in Both Sexes, Considered» e que apresentava da forma mais terrífica as consequências da masturbação: preguiça, vertigens, melancolia, doenças nervosas, estupidez, impotência e morte.
O Docteur Tissot viveu entre 1728 e 1797. A sua autoridade como médico e cientista impuseram em toda a Europa o terror da masturbação... que ainda se mantém, para mal dos nossos pecados (cá está!) actualmente. Até quando?
É uma das compras mais recentes da minha colecção, que continua à espera do dia em que possa ser exibida ao público.
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guida: "«Manifesto Onanista - Depois do cristianismo. Depois do fascismo, do marxismo, do bayronismo, do simbolismo, do expressionismo, do paganismo, do modernismo, do consumismo, do dadaísmo. O fim de todos os ismos. Só nos resta o onanismo». E ainda a cegueira, Sãozita... há quem diga que provoca cegueira e, é claro, calos!"
São Rosas: "... e pêlos nas palmas das mãos... e... e... mais coisas que não me lembro... ah! Perdas de memória. Mas eles têm razão: O onanismo faz mal. As pívias é que só fazem bem."
guida:

[O Onanismo, suas causas, perigos e inconvenientes para o indivíduo, família e sociedade - remédios, Dr. H. Fournier, tradução de Dr. Narciso Alberto de Sousa (Da Faculdade de Filosofia e de Medicina da Universidade de Coimbra), Guimarães & Cª Editores, Lisboa]
"Vejam isto e se precisarem de vomitar a seguir, usem daqueles saquinhos apropriados. A São Rosas agradece."
Zezinho: "Bem... neste artigo em particular sou um especialista... Se houvesse uma mulher a quem eu pudesse penetrar sem que me viesse apenas com o simples vê-la a despir-se..."
São Rosas: "Deixa estar... pelo menos ficas com mais tempo livre para dormires e veres televisão..."
Twisted Bitch: "Isto do onanismo faz realmente mal à saúde. Porque é que as pessoas não optam antes por bater punhetas?"
António chupa-mos: "Quando era puto li um livro que se chamava «O Onanismo». Ainda bati umas pívias à pala. Um exemplo: Naquele tempo, as máquinas de costura não tinham motor e as gajas tinham de dar ao pedal. Com isso esfregavam as coxas, vinham-se e desfaleciam, ficavam coradas e gemiam. Por isso o cabrão do autor dizia que aquilo fazia mal."

com votos de um 2008 que nos encha as medidas até aos bordos...

... cá vos deixo as despedidas de 2007, aproveitando uma deixa que me deixaram nuns comentários lá mais para baixo e em jeito de preito de homenagem a essa grande São que nos tem proporcionado, a todos, momentos altos de rara felicidade e salutar brejeirice.

Senhores! Senhoras! Mas que fazeis?
Pois vasculhais sem pudor os textos meus?
Porventura e aventura cuidareis
ter eu artes de cantar da terra aos céus
com o Olimpo em orgias à mistura?

Pois nem tanto, que por cá a criatura
vai fazendo o que pode e tão somente
o que o tempo 'inda lhe deixa em vacatura
a soltar alguma graça à boa gente
sem jamais conspurcar os cortinados

mas me curvo - inda que com mil cuidados -
ao sentir-me tão erecto em vossas mentes
tão dentro de vós deliciados
o que faz crescer em mim sonhos dementes

mas se mais não posso dar que meus versículos
vasculhai, pois, sem pudor os meus textículos...

(que a Sãozinha distribui com gentil graça
mas pagando, que não se almoça de graça!...)

OrCa
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São Rosas: "OrCa, já pensaste pôr os teus textículos no seguro? "

Nelo:
"Melhér Orca...
bardas beim e eim estilo intêiro
De palavra em sheio no curasão.
Nam deishas nada pelo meio
Neim coiza piquena çair-te da mão.
Mas nota beim o que dis a Ção.
Ela é melhér e sabedoira
E çe dis que nam podes perder
o tino aos coizos pinduricalhos:
As duas bolas: eçe tesoiro,
ela teim deçerto rasão!
Ai melhér que çofredouro
nam teres onde as guardar.
Mas eis que teins aqui a mão do Nelo
Que intendeim diço cumo ningueim
Deicha cá os trés venteins
Éças bolinhas queu trabalho,
E inquanto fases ôutros verçículos
e puemas lindus caqui pôeis
Tratu éu de le-los pois
e tratar beim deçes textículos.

Nelo, melhér Bisha..."

OrCa:
"Agnus Dei em ara de sacrifício
que já dei e sei lá se mais darei
não é pois coisa assim de orifíco
nem de ser servido à mesa do rei
ao saber textura do lanífício
percebi aquilo de que não sei
lema atrás que o Nelo ab initio
apregoa em alta grita: «- ânus dei!»

honra seja a quem nada nos esconde
vénia até se a prudência nos permite
de um Nelo a perguntar «- Onde? Onde?»
mal alguém as fudengas partes cite..."

Diácona:
"Pois sou então de novo chamada
Nesta luta que aqui travo
Por um que se perde em trovas parvas
e outro que de Sodoma fez o Estado

Ambos são p´ra Deus a perda
duas almas pasto do Demo
Desse inferno, a lenha eterna
Qu´eu ao lado do Senhor não temo

Vinde a mim que sei da luz
Que o Senhor me fez na alma
a mim o Sexo não seduz

Ao meu lado sereis santos
Tereis a paz de Deus e a calma
Graças ao menino Jesus

Diácona, mulher Santa e Virgem , graças a Deus..."

Falcão:
"Pois vejo-me então em obrigação
Ao ler as Diáconas atoardas
De entrar assim de rompão
sem sequer pedir entrada

Oh senhora, cum caralhos
Pra que quer você o pito?
Não me responda em frase estafada
que é pró mijo em estado aflito

Essa parte pintelhuda
que Vosselência entre pernas tem
É de onde saiu tudo
Deus, os Santos e até você

Porque se há Paraíso
onde a Glória é eterna
Meta isto no seu juizo
fica mesmo entre as pernas

Por isso eu Rei que sou das Bouças
Falcão! Foda-se, homem e macho
Deixe-se de merdas e tretas ocas
Foda o pito, se quiser eu o despacho

Falcão, Rei das Bouças e amante de pitos farfalhudos cumo um homem do Norte gosta, cum milhão e meio de caralhos!"

crica para visitares a página John & John de d!o

29 dezembro 2007

Arder, inflamar-se, incendiar-se, abrasar-se, queimar-se.

Explicarão estas palavras os diferentes graus pelos quais pode passar um corpo combustível desde o instante em que lhe pegou fogo até que foi inteiramente consumido.

- Quando penetra o fogo num corpo combustível, e se manifesta à simples vista, diz-se que arde; quando se desenvolve a chama, inflama-se; quando levanta labareda e se propaga com rapidez e fracasso, incendeia-se; quando o corpo que deu alimento ao fogo apesar de compacto está todo repassado dele e feito brasa, abrasou-se; quando a força do fogo ou do incêndio devorou a matéria combustível e a reduziu a cinzas, queimou-se.

ROQUETE, J.I., O.F.M. 1885: 75

CISTERNA da Gotinha


Melita Toniolo não tem só um nome engraçado.

29 Fotografias de Barbara Herrera devem ser suficientes para se deleitarem com o seu olhar.

Vídeo: Israel é a terra sagrada.

Espinha e Fimose: é importante saber inglês.

Dazibao: ilustrações bem ao gosto da São.

Lembrei-me logo de ti, Mata Hary


Foto: L Ena

Baguette Magique

Outras Coisas [via]

São Pintei-lhos Senhora...

28 dezembro 2007


Bom fim de semana


Foto: Sean Kennedy Santos

Orgasmos reais ou fingidos?

Os orgasmos são um tema... aliciante.
A Guida escreveu sobre isso ainda há pouco tempo.
Chamam-lhe a pequena morte.
O sai-te (é boa, esta) Beautiful Agony colecciona desde há muito tempo videos de caras de pessoas (m/f) no momento do orgasmo.
A empresa francesa de preservativos Le Roi de la Capote lançou um video de apoio ao Dia Mundial da SIDA:

condom_orgasm.jpg
Orgasmos múltiplos

Love Machine

Máquinas de venda automática com sex toys são um sucesso em França












Outras Coisas [via]

O Amor tem razões...


Alexandre Affonso - Papagaio Cíclope em: Serei eu?


Alexandre Affonso - nadaver.com

27 dezembro 2007

Concílio dos Deuses em Dia de Pau Feito

Tiziano, Metamerfoses


(Sub-título) De uma fábula inédita de Ovídio, achada nas escavações de Pompeia e vertida em latim vulgar por Simão de Nuntua

Estava Vénus gentil junto da fonte
rapando o seu pintelho,
com todo o jeito,
pra que não ferisse das cricas o aparelho.
Tinha que dar o cu naquela noite
ao grande pai Anquises,
o qual, com ela, se não mente a fama,
passou dias felizes...
Rapava bem o cu,
pois resolvia na mente altas ideias:
— ia gerar naquela heróica foda o grande e pio Eneias.
Mas a navalha tinha o fio rombo
e a deusa, que gemia,
arrancava os pintelhos e,
peidando-se, caretas mil fazia!
Nesse entretanto, a ninfa Galateia,
acaso ali passava,
e vendo a deusa assim tão agachada,
julgou que ela cagava...
Essa ninfa travessa e petulante
era de génio mau,
e por pregar um susto à mãe do Amor
atira-lhe um calhau...
Vénus assusta-se.
A Branca mão mimosa
agita-se alvoroçada,
e no cono lhe prega
(oh! caso horrendo!)
tremenda navalhada.
Da nacarada cona,
em subtil fio,
corre purpúrea veia,
e nobre sangue do divino cono
as águas purpureia...
(É fama que quem bebe dessas águas
jamais perde o tesão e é capaz de foder noites e dias,
até no cu de um cão!)
— "Ora porra" — gritou a deusa irada,
e nisso o rosto volta...
E a ninfa, que conter-se não podia,
uma risada solta.
A travessa menina mal pensava que,
com tal brincadeira,
ia ferir a mais mimosa parte da deusa regateira...
— "Estou perdida!" - trémula murmura a pobre Galateia,
vendo o sangue correr do rosco cono da poderosa deia...
Mas era tarde!
A Cípria, furibunda,
por um momento a encara
e, após instantes, com severo acento,
nesse clamor dispara:
"Vê! Que fizeste, desastrada ninfa,
que crime cometeste!
Que castigo há no céu,
que punir possa um crime como este?!
Assim, por mais de um mês inutilizas o vaso das delícias...
E em que hei-de gastar das longas noites as horas tão propícias? Ai! Um mês sem foder!
Que atroz suplício...
Em mísero abandono,
que é que há-de fazer, por tanto tempo,
este faminto cono?...
Ó Adonis! Ó Júpiter potentes!
E tu, mavorte invicto!
E tu, Aquiles!
Acudi de pronto da minha dor ao grito!
Este vaso gentil
que eu tencionava tornar bem fresco e limpo
para recreio e divinal regalo dos deuses do Alto Olimpo.
Vede seu triste estado, oh!
Que esta vida em sangue já se me esvai!
Ó Deus, se desejais ter foda certa
vingai-vos e vingai-me!
Ó ninfa, o teu cono sempre atormente perpétuas comichões,
e não aches quem jamais nele queira vazar os seus colhões...
Em negra podridão
imundos vermes te roam sempre a crica
e à vista dela sinta-se banzeira a mais valente pica!
De eterno esquentamento flagelada,
verta fétidos jorros
que causem tédio e nojo a todo mundo,
até mesmo aos cachorros!"
Ouviu-lhe estas palavras piedosas
do Olimpo o Grão-Tonante,
que em pívia ao sacana do Cupido
comia nesse instante...
Comovido no íntimo do peito
das lástimas que ouviu,
manda ao menino que,
de pronto,
acuda à puta que o pariu...
Ei-lo que, pronto, tange
o veloz carro de concha alabastrina,
que quatro aladas porras vão tirando na esfera cristalina
Cupido que as conhece
e as rédeas bate da rápida quadriga,
co'a voz ora as alenta,
ora co'a ponta das setas as fustiga.
Já desce aos bosques onde a mãe
aflita,
em mísera agonia,
com seu sangue divino o verde musgo de púrpura tingia...
No carro a toma
e num momento chega à olímpica morada
onde a turba dos deuses,
reunida, a espera consternada!
Já Mercúrio de emplastros se a aparelha
para a venérea chaga,
feliz porque naquele curativo espera certa a paga...
Vulcano, vendo o estado da consorte, mil pragas vomitou...
Marte arranca um suspiro que as abóbadas celestes abalou...
Sorriu o furto a ciumenta Juno,
lembrando o antigo pleito,
e Palas, orgulhosa lá consigo, resmoneou:
— "Bem-feito!"
Coube a Apolo lavar dos roxos lírios o sangue que escorria,
e de tesão terrível assaltado,
conter-se mal podia!
Mas, enquanto se faz o curativo,
em seus divinos braços
Jove sustém a filha,
acalentando-a com beijos e com abraços.
Depois, subindo ao trono luminoso,
com carrancudo aspecto
e erguendo a voz troante,
fundamenta e lavra este DECRETO:
— "Suspende, ó filha,
os lamentos justos por tão atroz delito,
que no tremendo Livro do Destino
de há muito estava escrito.
Desse ultraje feroz
será vingado o teu divino cono,
e as imprecações que fulminaste
agora sanciono.
Mas ainda é pouco:
— a todas as mulheres
estenda-se o castigo
para expiar o crime
que esta infame ousou para contigo...
Para punir tão bárbaro atentado,
toda humana crica,
de hoje em diante,
lá de tempo em tempo, escorra sangue em bica...
E por memória eterna
chore sempre o cono da mulher,
com lágrimas de sangue,
o caso infando,
enquanto mundo houver...
" Amén! Amén!
com voz atroadora os deuses todos urram!
E os ecos das olímpicas abóbadas,
Amén! Amén! Sussurram...


(Bernardo Guimarães (1825-1884) in Poesia Erótica e Satírica Imago, 1992, RJ - Brasil)

Conservas


Outras Coisas [via]

São Rosas: "Aquilo come-se frio?"
Gotinha: "Nah... quentinho deve saber bem melhor!"
São Rosas: "Aquecem-se no micro-ondas?"
Dina: "São Probar?"
Twisted Bitch: "São para comer? Estão em calda de açúcar ou são pickles?"
Dina: "Conservá-las em bom estado deve ser uma preocupação de todos, digo eu. Posso imaginar a tristeza que é ter vontade de comer e verificar que a salsicha está fora de prazo... e é preciso ter lata, na maioria dos casos, digo, marcas."
São Rosas: "Lata não sei, mas osso... e têm recheio?"
Ana: "Cá para mim parecem pickles"
guida: "Eu não acredito nestas salsichas... só se lhes tocar c'um dedo"
Euzinha: "E pensar eu que ando a perder tempo a fazer doce de abóbora, quando podia estar a preparar assim umas conservas mais interessantes, enfim, para um dia de necessidade ou fome... apetites... sei lá..."

Vermelho é Cor das Festas

Alexandre Affonso - Damas sociáveis


Alexandre Affonso - nadaver.com

26 dezembro 2007

Aspecto, vista.


A vista não é mais que a acção material dos olhos sobre um objecto; o aspecto supõe no objecto diversos modos de ser visto. – Pode ver-se uma coisa de fronte, de lado, por detrás de alto a baixo, de baixo para cima; sempre é a mesma coisa que se , ainda que de diferentes modos, a que chamamos aspectos. Para julgar bem as coisas, é mister vê-las debaixo de todos os aspectos.

ROQUETE, J.I., O.F.M. 1885: 84