11 fevereiro 2014

Os Jogos Olímpicos sempre foram um pouco gays...

Campanha do Canadian Institute of Diversity and Inclusion (Instituto Canadiano da Diversidade e Inclusão) contra a interdição de propaganda gay na Rússia.

Eu gosto de moquecas

Todo eufórico por ter almoçado uma moqueca de peixe. Tenho a vida sexual numa lástima...

«Genciana» - Susana Duarte

queria uma palavra azul para te descrever as sílabas que, de ti, vejo sair,
como aves que exploram o infinito. trémulas, no início, inseguras da paixão;
seguras quando, eternas, se deitam na minha mão e atingem o seu devir.

eu e tu somos uma flor gamopétala.

descreves em mim linhas. voas-me nos dedos das pálpebras dos sonhos
e procuras-me, no rosto, o sorriso crescente da estranheza-encantamento;
seguras-me as mãos quando navego à procura de sílabas e de medronhos
que descasco, um a um, nas mãos que ocupo com a imagem do teu lamento
quando a vida, por breves momentos, tolheu de nós as palavras e os voos.

eu e tu somos uma flor gamopétala.

escrevemos páginas de sonhos em folhas de flores azuis e em sombras
de noites irrequietas. Sábias são as cores místicas do sonho – horizonte
onde as asas encontram as sílabas e as sílabas se tornam o teu nome…
és a palavra que nunca se esconde, a floresta de árvores sem penumbras
onde me deito, aliada das asas de um anjo como se o anjo fosse a fonte
da vida quem em mim almejas. em mim, tiras a sede e matas a fome.

eu e tu somos uma genciana azul.

do azul-maravilha e espanto, nasceu uma ilha e a terra de uma sonolência
serena, que nos transformou na etérea luz de uma sombra chinesa, onde
nos escondemos para viver a esplendorosa cor azul-onírico de palavras-sonho.

Eu, e Tu, somos o Sonho consubstanciado no encontro das marés,

e na confluência dos toques,

e nos remos.



Susana Duarte
«Pescadores de Fosforescências»
Alphabetum, Edições Literárias
Dezembro de 2012
Foto pessoal
Blog Terra de Encanto

Álbum com postais, gravuras, calendários, desenhos...

Álbum com 3 desenhos originais, 150 postais (humor, publicidade, turismo, arte, 2 com animação, etc.), 20 gravuras antigas e 60 calendários de bolso (séries).
Alguns dos postais têm animação e outros têm imagens diferentes conforme a perspectiva.
Tudo juntinho... na minha colecção.








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10 fevereiro 2014

«Unexpected» (inesperada)


Unexpected from Mia Vega on Vimeo.

«conversa 2048» - bagaço amarelo

(na casa dela)

Eu - Compraste um peixinho vermelho...
Ela - Comprei. Sempre me faz companhia, agora que vivo sozinha. Gostas?
Eu - Para ser sincero não. Peixinhos vermelhos em aquários redondos sempre me fizeram impressão.
Ela - Porquê?
Eu - Porque são atrofiantes. Não acredito que um peixinho, ali naquela coisa minúscula, possa ser feliz.
Ela - Os peixinhos vermelhos não são felizes nem são tristes. Não têm essa capacidade.
Eu - Não?!
Ela - Não. Limitam-se a comer quando lhes dão comida. De resto, não são seres pensantes.
Eu - Então que raio de companhia é que o peixe te faz?
Ela - Lembra-me o meu marido.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Tá querendo demais né, madame?!



Para essas madames de hoje em dia não tão fácil não…

Capinaremos.com

09 fevereiro 2014

«Xanastasia» - filme da Disney dobrado para... malandrice

A colecção já pode adoecer pois tem curador!

Ontem, o futuro curador (não gosto do nome para a função de coordenador... parece que é quem cura presuntos ou queijos... mas chamemos-lhe assim) da exposição da colecção na Pensão Amor, visitou e conheceu ao vivo a colecção de arte erótica «a funda São». Numa tarde de conversa à medida que íamos vendo as peças, finalizada por um brinde com uma ginjinha de Alcobaça que é um mimo, ficou evidente para mim que o Dr. Paulo Mendes Pinto é a pessoa indicada para "tomar conta" da minha colecção na Pensão Amor.
Quanto à previsão de abertura, como o espaço definitivo precisa de obras, estamos a preparar um aperitivo da exposição, num espaço disponível da Pensão Amor e que esperamos poder ter pronto antes do Verão.
Estou toda molhadinha...

O Dr. Paulo Mendes Pinto e o Farol do Zé Penicheiro
(fotomontagem - adoro fotomontar - de uma imagem amavelmente gamada à revista Sábado)

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Orelhas quentes


Àquela hora da manhã não sei que raio de impulso de nossa senhora dos aflitos me deu para largar a bica e me levantar a interpor-me entre o murro certeiro do grandalhão e a cara dele. Talvez a quase certeza de que os homens não batem a uma mulher a não ser no recato doméstico sem audiências mas adiante.

Ele agradeceu-me polidamente com um novo café e fiz das tripas coração para não lhe berrar que a mim gajo nenhum paga coisa alguma. E ele lá foi abrindo as suas asas de deputado desterrado para a capital e circundado de gente por todos os lados, com propostas de acção, de negócio e de troca de favores a abarrotar-lhe os dias. Nem lhe faltava sexo mesmo que depois lhe pedissem um emprego melhor para si ou alguém da família ou um jeitinho para despachar uma licença na câmara daquele gajo que ele até conhecia. Tanto mais que choviam gajas a colarem-se com o corpinho todo pelo prazer de depois passearem o seu estatuto pelo braço. Às vezes até gastava umas notas valentes com meninas de preço tabelado só para escolher à sua maneira o que pagava.

Recolhi os instintos de o despir e de lhe apaziguar as mágoas com muita transpiração numa confusão de sexos na boca e mãos cravadas em nádegas e até da magia de fazer crescer uma pila dentro de mim em toques sincronizados e espasmódicos de vagina porque ele não precisava de uma foda mas de um par de orelhas amorosas que lhe espantasse a solidão dos dias.

«União perfeita» - por Rui Felício


Ao principio, ela só parecia ter um defeito.
Tinha medo do escuro, só se sentia calma e descontraída quando a luz incidia no seu corpo esbelto e atraente.
Nos primeiros dias tive dificuldade em adaptar-me, porque na intimidade do nosso quarto eu gostava mais da cálida modorra da escuridão.
Para a satisfazer, contudo, comprei um candeeiro de luz mortiça que fica aceso toda a noite do lado dela e concluí que afinal aquele seu hábito, em vez de defeito, era uma virtude.
Fez-me descobrir o prazer de admirar as sombras desenhadas pela luz, que marcavam e delineavam os seus contornos apetecíveis em mil nuances que a escuridão só permitia ao tacto, nunca ao olhar.
Ela adora sentir o meu respirar junto do corpo, e eu recebo o dela na minha pele, como um bálsamo viciante, provocador, numa permuta contínua, sincopada, quase perpétua que se alimenta uma da outra, mantendo-nos unidos, à vezes insaciáveis, aumentando as sensações num ritmo crescente dos eflúvios e do sangue, em direcção ao cume da vida, ponto de encontro único dos amantes que os deuses marcaram como o clímax incontrolável do prazer.
Pergunto-me como demorei tantos anos a descobrir que a união perfeita é afinal bem mais simples do que parece.
Basta que saibamos dar a quem amamos o que temos para dar e receber em troca aquilo que nos faz falta.
Ela não prescinde do dióxido de carbono que expiro e eu estaria morto se não aspirasse o oxigénio e a energia química que aquela lindíssima planta me dá através da clorofila e da fotossíntese.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Casalinho mai'lindo...



Via Danish Principle

08 fevereiro 2014

50 anos do calendário Pirelli


50 Jahre Pirelli Kalender from V12media on Vimeo.

«Any given Sunday» - João

"O que eu gosto de estacionar o carro, à beira do mar ou do rio, num final de tarde, e dormir uma sesta, não tem explicação. Também gosto (diria, prefiro) de carícias, mimo, cuddling. Mas por ora, fiquemos em dormir uma sesta. E dei por mim num local que conheço muito bem, ao pé do rio, onde vi a água picada pela brisa e os barcos passar, o Sol a cair sobre o mar, e eu num estado de transe, a dormitar embalado pelo barulho de pessoas que passavam. Quando lá cheguei, estava já um automóvel estacionado em local recuado naquele amplo recinto, local que nada interessava para ver o rio ou as pessoas passar. E quando acordei e por fim me retirei, o carro ainda ali estava. E eu olhei, por escasso instante, para confirmar o que sabia. Lá dentro e no banco de trás uma mulher repousava (forma de expressão, suspeito), sentada ao colo do seu homem, com os cabelos caídos e ela também caindo sobre ele, num beijo que adivinho longo e numa coreografia ritmada. Sorri. Sorri com gosto cá dentro, e deixei-me levar para outros dias no intrincado das minhas sinapses."
João
Geografia das Curvas

Os cartões de telecomunicações também podem ser muito malandrecos...

... e, quando são, sujeitam-se a vir parar à minha colecção, como estes.


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Terminando o namoro



Via
Dançando sem Cesar

07 fevereiro 2014

Jim Hast - «Bridges to You»


Jim Hast - Bridges to You (Official Music Video) from mirko zlatar on Vimeo.

«Feita ao bife» - Patife

Este fim-de-semana acordei cedo. Ando um pouco enfadado da fauna nocturna e quis perceber como estava o mercado cabril logo pela fresca. A ver se ficava enfodado. E foi assim que no sábado de manhã saí para o meu campo de caça, vulgo Chiado, para ver se espingardeava alguma. Muitos refugos da noite ainda cambaleavam envoltos num aspecto deplorável, com os vestidos amarfanhados pelo saracotear do corpo durante horas a cio. Maquilhagens outrora aplicadas a rigor davam lugar a uma desfiguração própria de bobos da corte decadentes a tentar acertar o passo titubeante no regresso a casa. Eu estou aprumado e com o charme do costume, além de ter a verga cheia de lume. O que me confere ainda maior distinção. Mas o plano era estar atento às que acordam cedo, assim todas joviais e enérgicas. Sempre desconfiei das mulheres madrugadoras que se apressam a sair à rua cheias de vigor matinal. Mas tinha de ver se são boas de pinar. Uma estava a tomar café, apesar de apresentar uma vivacidade digna de nota. Falava muito mais do que lhe seria exigido àquela hora da manhã e com uma velocidade atroz. A mesma com que lhe quero espetar atrás. E assim que trocámos um olhar intenso ela sentiu que estava feita ao bife. Mas na verdade acabou foi feita pelo Patife.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

«Corpos e Almas - 2004/2013» - compilação de poemas da Helena Fonseca

A c&a (Corpos e Almas) já colabora com o blog «a funda São» quase desde o seu início, partilhando aqui connosco os poemas que tem vindo a publicar no seu blog . A Corpos Editora já tinha publicado um livro seu e agora (depois de muito trabalho ao longo de alguns anos) concluiu esta compilação de todos os poemas do blog:


Obrigada, c&a!

06 fevereiro 2014

Yoga da deusa Maha

A falta de paciência de um Croata

Há uns anos, o meu amigo Carlos Car(v)alho ofereceu-me este desenho feito num envelope dos Correios e que tem uma história muito curiosa: um senhor, imigrante da Croácia, dirigiu-se a uma estação dos Correios para receber o valor de uma transferência internacional. Aquilo demorou muito tempo e, num dado momento, ele pediu a uma funcionária uma folha branca, onde pudesse escrever. O que a senhora tinha era um envelope e ele lá foi de novo sentar-se, a rabiscar algo. Quando, depois de muito mais tempo, o chamaram ao balcão, ele tratou do seu assunto e ofereceu este desenho... "para memória".


Saiu o nº 5 (Janeiro 2014) da revista Erotika

(crica na imagem para acederes à revista online)

05 fevereiro 2014

«Menina pequena» - João

"Menina pequena, que fizeste tu? Que fiz eu? Que fizemos nós, que tínhamos o mundo todo nas nossas mãos, e a certeza de que isto é verdade, de que isto é bom, e não segurámos as mãos firmes quando correram aos nossos braços e nos forçaram os dedos para tirar o tesouro que apertavam. Menina pequena, que fizemos nós, parece que abrimos o livro antes de tempo, que mordemos a maçã antes de cair da árvore, partimos antes do disparo, fomos cheios de sede a um pote que ainda não estava no fim do arco-íris. Menina pequena, menina minha, e agora que temos as mãos tão vazias, dizem uns, ou tão cheias, dizem outros, que serve isso se as mãos, vazias ou cheias, vão sem um e sem o outro lá dentro, se os dedos não se apertam com força, ou mesmo devagarinho, mãos pousadas umas nas outras, avançando devagar, devagarinho, pela noite dentro, pela estrada fora. Minha menina pequena, pedaço inteiro da parte que falta, vulcão que me derrete e incendeia, que fizeste tu, que fiz eu. Que vais fazer tu, que vou fazer eu."
João
Geografia das Curvas

«conversa 2047» - bagaço amarelo

Eu - Queres vir até minha casa beber um copo de vinho?
Ela - Isso é uma tentativa de engate?
Eu - Não.
Ela - Então não vou.
Eu - Não me digas que se fosse para eu te tentar engatar já ias.
Ela - Claro que ia, só que ia para não me deixar engatar.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Quanto, de 1 a 10?



HenriCartoon

04 fevereiro 2014

«Emudeceram as asas dos corvos» - Susana Duarte

emudeceram as asas dos corvos,
num uníssono de esplendorosa luminescência

negra

onde as asas abandonam as curvas
e a contemplação da rubra incandescência
do fogo da saliva

e das fugas tocadas pelas nossas mãos,
e realizam os voos dos dedos, e das línguas
e dos corpos enlaçados numa vida-morte

pequena,

incandescente ela própria,
de corpos nus, e de dias, e de noites
e de sementes lançadas pelas bocas

ávidas,

subsequentes à saudade, fria noite da ausência
de um abraço onde, de novo, (me) habitas
os cílios e o ventre e a humidade das mãos,
investidas por águas de outrora,
incendiadas pelas raízes das árvores que nos foram caminhos

eternos.

Susana Duarte
Foto de Ivano Cetta
Blog Terra de Encanto

A FODA COMO ELA É (XI) - Observações Felpudas

-"Triângulo Felpudo, estamos ávidas de leitura. Grossas lombadas..."

- Quem vê cuzes, não vê caras.

- O tamanho não importa, apenas a posição e o ponto de vista.

- A simetria na Natureza: lésbica machona, homossexual amulherado.

- Nada de interessante, nem relevante, foi proferido entre cópulas. É manter-lhes a boca cheia.

- Em Espanha, há um nome para aquele indivíduo, sempre rodeado de belo mulherio, mas que nunca fode, tendo ainda de as ouvir queixando-se dos trolhas que as montam: é o Paga-Fantas. Cá, é "O Amigo". 

- Em sexo, a curiosidade exerce-se geralmente às custas da inviolabilidade anal de alguém. Se estimas tua anilha, deixa a curiosidade para cientistas e alcoviteiras.

- Pornografia é para o sexo, o que Hollywood é para a vida real.

- Quem considere a possibilidade de sexo grupal, que pense antes nos odores que irá enfrentar. E compre também umas galochas.

- Há na punheta de mamas uma certa beleza clássica, como um apelo rubensiano ao aproveitamento erótico de cada refêgo.

- Que seria a 5ª de Beethoven sem a sua monumental abertura? Eis a importância do bom minete.

- Na cama e na guerra se revelam as personalidades. 

- Lábios: a palavra central em toda a questão sexual masculina.

Koteka - Estojo de pénis da Papua - Nova Guiné

Cabaça seca com decoração, na base, de plantas entrelaçadas.
Está desde 2003 na minha colecção (e não me perguntem se já tinha sido usado).


O koteka, horim, cabaça de pénis ou bainha do pénis é uma cabaça oca e seca tradicionalmente usadas pelos nativos habitantes do sexo masculino de alguns grupos étnicos na Nova Guiné para cobrir os seus genitais. É usado sem outras roupas, preso por um pedaço de fibra ligado à base do koteka e colocado em torno do escroto. Existe um apoio secundário colocado em torno do peito ou abdómen e ligado ao corpo principal do koteka. Os homens escolhem kotekas semelhantes aos usados por outros homens de seu grupo cultural. Muitas tribos podem ser identificadas pela maneira como usam o seu koteka. Kotekas de diferentes tamanhos têm diferentes finalidades: kotekas muito curtos são usados quando se trabalha e kotekas mais longos e mais elaborados são usados em ocasiões festivas. O koteka é feito de uma cabaça especialmente cultivadas. Pesos de pedra são atados ao fundo da cabaça para esticá-la à medida que cresce. O koteka pode ser pintado e/ou ter conchas, penas ou outras decorações. O koteka serve de protecção contra os espíritos malignos.

03 fevereiro 2014

«Dakota Charms X NAZ X EMS #29»


DAKOTA CHARMS X NAZ X EMS #29 from ERIC MINH SWENSON on Vimeo.

«respostas a perguntas inexistentes (264)» - bagaço amarelo

Sentei-me na mesa do café que me pareceu mais apetecível, isto é, naquela que me tornava o mais transparente possível. Todos os clientes estavam virados para o televisor e, naquele meu canto, nenhum dos seus olhares se cruzava comigo. Até a empregada de mesa demorou algum tempo a dar pela minha presença e, quando finalmente se aproximou, pediu-me desculpa.

- Não há problema. Queria um café e uma Macieira, por favor.

Não sei se já vos aconteceu ter o cérebro divido em dois, como se um dos hemisférios estivesse em plena actividade e o outro tivesse tirado algum tempo para sonhar. Era assim que eu estava. Por um lado, sentia-me pela primeira vez capaz de perceber tudo o que me tinha acontecido, de pegar nos factos e colocá-los numa linha de pensamento como se fosse um puzzle terminado. Finalmente, pensei. Por outro lado, sentia-me numa espécie de planeta gigante onde eu era o único habitante. Podia fazer tudo o que me apetecesse e não tinha receio nenhum da solidão. Por algum motivo, sabia que mais tarde ou mais cedo aterraria ali uma nave qualquer com uma mulher por quem me ia apaixonar.
Primeiro bebi a Macieira, num só golo ansioso. Depois beberiquei o café, gozando plenamente a mistura do seu sabor com o do brandy. Apercebi-me que o meu paladar estava bastante apurado. Depois abri um livro que comecei a ler nesse preciso momento, mas propriamente, O Processo, de Franz Kafka.
Dois anos antes, tinha eu dezasseis anos, apaixonei-me com a intensidade única que aquela idade permite por uma mulher bastante mais velha do que eu. Chamava-se Cristina, tinha trinta e poucos anos e cheirava sempre ao mesmo perfume, algo que me fazia lembrar longas extensões de campos verdes. Era casada com um homem qualquer que nunca cheguei a conhecer, mas que estava emigrado no Canadá e não dava notícias de vida há bastante tempo. Assim, juntaram-se por mero acaso um jovem surpreendido pelo Amor e uma mulher já desiludida com esse mesmo Amor.
Lembro-me que estava uma chuva intensa no dia em que ela me levou àquele café para se despedir de mim. Já me tinha dito que se queria afastar, mas faltava explicar o motivo, se é que o motivo para acabar uma relação é importante. Sinceramente, não sei se é. Sei que esperava que ela me viesse com aquela conversa habitual de que as nossas idades eram incompatíveis, ou que me anunciasse que o marido dela decidira aparecer de repente. Mas não.

- Exactamente daqui a dois anos, quando tu já fores maior de idade, se eu ainda estiver apaixonada por ti venho aqui a este café e espero toda a tarde que apareças.

Era fim de tarde e ela ainda não tinha aparecido. Paguei a conta, que entretanto contava com mais duas cervejas e uma torrada, e saí. Talvez tenha sido a primeira vez que o Amor me explicou que não vem sempre para ficar. Que é um viajante como qualquer outro que só está bem onde não está.
Às vezes ainda me pergunto, no entanto, se nesse dia ela se lembrou de mim.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Atender ao público é difícil

São milhares de histórias lindas.



Boa… sorte, senhor.

Capinaremos.com

02 fevereiro 2014

O Grand Theft Auto em versão realista... e convincente

Da dona


Ela casou com um animal de estimação e amestrara-o a cumprir diligentemente todos os requisitos que aprendera em casa de seus pais. Ele ia buscar o jornal e as compras voltando de língua de fora em busca de uma festinha no lombo arqueado e ali ficava junto dela, sempre alerta para satisfazer a dona. Era o que se podia chamar um animal de companhia.

Há muito que ela abdicara dos malabarismos com o seu corpo, talvez pensando que ele já não tinha idade para brincadeiras. Ele continuava a aninhar-se junto dela na cama acompanhando-lhe a curvatura mesmo sabendo de antemão que ela adormeceria placidamente. Então como se lhe crescesse o instinto de se encostar às árvores ele juntava as coxas ao pijama que cobria as nádegas dela e aí esfregava raivosamente o pénis visualizando a caixa do rabo de cavalo negro e seios roliços do supermercado, sempre com o extremo cuidado de recolher nas mãos as provas líquidas de tal acto.

De manhã, sob o duche quente friccionava de novo o membro sem osso, esgalgando-o bem, embalado na gotas pingando nas poças a seus pés, limpava todos os resquícios desses momentos, sacudia os cabelos que teimavam em lhe crescer na cabeça e ficava pronto para as ordens do novo dia.

«CensuraSão»

01 fevereiro 2014

«Faz sexo e salva uma vida*» - Hero Condoms

* ... por cada preservativo Hero comprado, um preservativo é doado num país subdesenvolvido para ajudar a reduzir o impacto do HIV.

«Sempre, mas hoje mais» - João

"Seja esta a mão que te percorre os cabelos e infunde paz, o ombro onde te apoias e o corpo onde te encostas. Bata o meu coração ao alcance do teu ouvido, e seja a minha respiração o único ruído suave que te embala. Sejam os meus braços aqueles que te recebem, as mãos abertas para amparar, um rosto novo de sorriso aceso para te suavizar a dor. Seja o meu silêncio preenchido de compreensão e amor, das coisas que não precisam dizer-se nem escrever-se, na tranquilidade de se saber que existe, que o pensamento está todo ali, e que mais nada, e mais ninguém, faz realmente diferença. Haja um beijo terno que viaje até ao longe que é esse perto, e recaia sobre ti como pena que o vento empurra até cair com um estrondo que ninguém sente, amparada pela Terra que se preparou para a acolher. Hajas tu, sempre. Haja eu, sempre. Haja o dia que sobrevém, com as pessoas que nos querem bem, e os rostos configurados de paz, com dedos que se entrecruzam e passos alinhados, num verde que se estenda entre o aqui e o sempre."
João
Geografia das Curvas

Pacotes de açúcar da colecção de arte erótica «a funda São»


Um sábado qualquer... - «Estratégias»



Um sábado qualquer...

31 janeiro 2014

«You Can Touch My Boobies» - Rachel Bloom

Postalinho «Quem é que vende o quê?!»

Eva portuguesa - «A puta e a amante»

Estava farto da monotonia sexual que o seu relacionamento de 15 anos impusera.
Não do casamento em si, note-se! Amava realmente a sua mulher, mãe das suas 3 filhas, companheira de uma vida, a sua melhor amiga. E também a desejava. De vez em quando... sobretudo quando sentia o seu cheiro, aquele mesmo que sempre conhecera. Mas ela estava sempre cansada... sempre sem vontade... não lhe conseguia acender o desejo, por pequeno que fosse, que em tempos viveram... 

Também ela tinha sido educada como uma senhora; havia coisas que jamais lhe faria ou pediria para ela fazer...
E foi assim que, ao fim de 3 anos de casamento, foi pela primeira vez às meninas. Levado por outro amigo, entrou num mundo que o fascinava, que lhe permitia realizar todos os seus desejos, todas as suas fantasias.
Andava saciado e feliz. E até começou a apreciar mais fazer amor com a sua mulher, sabendo que sempre que quisesse teria outra à sua disposição. Uma puta, é certo, mas não menos mulher a nível sexual...
Ao fim de uma dúzia de meses de ter começado a frequentar o mundo da prostituição, entra uma nova vendedora para a empresa da qual era director. Não sendo modelo, tinha um corpo bem torneado e um ar de menina/mulher safada que a tornavam extremamente sensual e desejável. Começou a imaginar que era com ela que estava sempre que fazia sexo com uma profissional; ou que fazia amor com a sua mulher. O desejo começou a tomar conta dos seus pensamentos. Até que um dia, numa convenção de vendas, se envolveram. Passaram a ser amantes. Os encontros eram escaldantes e mais baratos do que as tarifas cobradas pelas profissionais. Pelo menos de inicio...
Mas os meses foram passando e a amante começou a tornar-se pior que a mulher: fazia exigências, cobranças, cravava-o com perguntas e por fim começou a negar sexo ou fazia-o como que por obrigação. Para além dos gastos, que se tornaram excessivos: jantares nos melhores restaurantes, fins de semana em hotéis 5*, prendas caras, viagens ao estrangeiro, etc.
O fim foi quando a menina exigiu que ele deixasse a mulher, algo que nunca pretendera fazer, e ameaçou contar tudo. Entre sms duvidosos a altas horas da manhã, chamadas anónimas e fitas à porta de sua casa, a situação tornou-se descontrolável. Maldita a hora em que arranjara uma amante!
Com grande jogo de cintura e muito sangue frio, conseguiu resolver as coisas sem comprometer o seu casamento.
E voltou para uma zona de conforto: ir às meninas. Apesar de tudo saíam bem mais baratas, não chateavam, era tratado como um rei e não corria os riscos de pôr descaradamente em causa o seu casamento.
Conclusão: entre a puta e a amante, sem dúvida que a sua escolha era a puta. No final, a amante tornara-se a pior escolha...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

O sorriso anal da Erica Fontes

Coloquei aqui, há alguns dias, uma citação da Erica Fontes no seu livro «De corpo e alma»: "Há actores que dizem, por graça, que há mais respeito pelos outros na pornografia do que na religião".
O Triângulo Felpudo o_pinou que "há várias coisas impossíveis no universo. Uma delas é mostrar-se voluntariamente ao mundo levando no cu de múltiplos caralhos, em planos apertados da zona de impacto, e pretender-se respeitável."
Nos comentários desse post cruzámos argumentos.
Entretanto a Erica Fontes, no Twitter, limitou-se a sorrir:

30 janeiro 2014

«ΓΥΜΝΑΣΤΕΣ» - meninas, aposto que irão adorar estes ginastas


ΓΥΜΝΑΣΤΕΣ from Arnaud Kartal on Vimeo.

Postalinho do êxtase de Santa Teresa

"Mais uma das peças do Musée de l'érotisme de Paris.
É a escultura/pintura/mecanismo «Teresa do pé ligeiro», baseado na escultura «O Êxtase de Santa Teresa», de Gian Lorenzo Bernini (1598-1680), que se encontra na Capela Cornaro, Igreja de Santa Maria della Vittoria, Roma.
Um beijo da
Daisy Moreirinhas"



Para quem queira saber mais um pouco desta estátua, usada em muitos estudos como representação do orgasmo, fica este video:

Postalinho oral para coelhos


29 janeiro 2014

«Ai… o laço…» - João


"De quando em vez, cruzo-me na rua com mupis (mobiliário urbano para informação) que me cativam. É o caso de uns que por aí andam que têm uma fotografia da Ana Rita Clara. Ora, a meu ver, a Ana Rita Clara tem um problema. É gira. Nem sempre, o rosto dela tem ângulos que nem sempre funcionam tão bem nas fotos (e também haverá dias em que acorda com cara de almofada como todos nós), mas quando fica bem, fica bem. É rapariga que me agrada. E que não me importo de ver em mobiliário urbano. Especialmente se for para informação. Mas, mais que isso, chamou-me a atenção o assunto. Ao que entendo, uma parceria entre a Dama de Copas e a Laço, convidando o mulherio a escolher o soutien mais adequado. Homem que é Homem atento sabe que, infelizmente, há muitas mulheres a usar soutiens de tamanho errado. Sempre me preocupei com isso. E sempre tive algum talento a adivinhar os melhores tamanhos e copas. Ora com os olhos, ora com as mãos.

Assim sendo, se quiserem ir à Dama de Copas, please do. Mas não precisam. Eu também me ofereço para vos medir as mamocas. E até incluo um sorriso. Ana Rita, se quiseres podes vir.

Entretanto, porque isto de meter fotos da ARC em lingeria é giro por causa das preocupações sociais que também tenho, a imagem abaixo tem o link para informação sobre a iniciativa, que julgo terminar no final deste mês (só para o caso de não vos parecer merecedor de atenção a generosa oferta que acima fiz). No mais, ajudar a Laço não me parece nada mal. O cancro de mama (ou qualquer outro, for that matter) não tem graça nenhuma."



João
Geografia das Curvas

Postalinho da criançada danada para a brincadeira

"Detalhe do arco central da porta principal da Sé de Lamego."
Bota Cansada


Visto mais afastado é assim:

«conversa 2046» - bagaço amarelo

Ela - Eu, que detesto homens ciumentos, logo tinha que ir dar com um...
Eu - O teu marido é ciumento?
Ela - Nem imaginas. Parece muito calminho mas depois, em casa, faz cada cena de vez em quando.
Eu - Espero que nunca tenha feito nenhuma cena por minha causa.
Ela - Por tua causa nunca fez, mas faz por causa dos meus amigos que eu acho giros.
Eu - Ah!


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Erros



Imagine a borracha…

Capinaremos.com

28 janeiro 2014

MaraBilha

«Ama-me» - Susana Duarte

ama-me
e sorri-me nas vielas escuras da noite alada
e empunha a espada de flores de sereia amada
e sorri-me nos olhos onde descrevo a sede e a vida
e abraça-me nas cores de uma asa comprida
que se estende no vento e me deixa voar

ama-me
e se me amares, saberei ser noite em noite de lua
alma branca, rosa do deserto, alma branca e nua
sereno deserto onde sou flor e tu és cavaleiro das areias
senhor de mim, senhor de flores e castelos e ameias
que me abrigam dos ventos e me deixam amar

ama-me
e dá-me a luz dos meus olhos e da minha escuridão
anterior, onde me esquecera que tinha sido branca flor
e deixei as névoas estender seus braços e sonhos e amor-amor
onde perpetuei a escuridão de uma vida –alegria anterior
e me deixei cobrir de noite, antes de me cobrir de ti

ama-me
preenche-me os olhares como uma lua cheia
e deixa-me amar em Ti



Susana Duarte
«Pescadores de Fosforescências»
Edições Alphabetum, Edições Literárias
Foto pessoal
Blog Terra de Encanto