Coitado...
13 março 2014
12 março 2014
«First kiss» (primeiro beijo)
"Pedimos a 20 desconhecidos para se beijarem"
Tatia Pilieva
(na realidade, é tudo encenado... mas a malta faz de conta que acredita)
)
Tatia Pilieva
(na realidade, é tudo encenado... mas a malta faz de conta que acredita)
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«Enquanto dormias» - João
"Não adormeças antes de mim. Foi uma ordem dada com suavidade, e perdoa-me, que tombei primeiro. Nas milhentas horas dormidas em conjunto, foram muitas aquelas em que me levaste à exaustão. Creio que preferias adormecer primeiro, comigo a observar-te, porque te querias sentir cuidada, acompanhada, que alguém vigiava o espaço à tua volta e impedia os monstros de sair debaixo da cama ou de dentro dos armários. Mas perdoa-me, porque tombei. Adormeci antes de ti. Deixei-me aconchegar no teu calor, na tua pele, e o corpo deslizou, cerraram-se as pálpebras, e não vi se os monstros queriam sair, ou se as portas dos armários rangiam.
Mas o que não sabes, é que nas nossas milhentas noites, mesmo naquelas em que adormeci antes de ti, acordei depois, durante a noite, e fiquei a olhar-te no silêncio. Por vezes nem me mexia, para não te acordar, para não tirar o teu corpo de cima do meu, e já habituado à escuridão, via a tua silhueta repousando ao lado da minha, cheirava-te, afundava-me em ti enquanto tu dormias. Isso não podias saber. Enquanto dormias, não podias saber que eu, muitas, muitas vezes, estava vigilante, e nunca vi monstros, nem ouvi as portas dos armários ranger. Era só a noite, connosco lá dentro."
João
Geografia das Curvas
Mas o que não sabes, é que nas nossas milhentas noites, mesmo naquelas em que adormeci antes de ti, acordei depois, durante a noite, e fiquei a olhar-te no silêncio. Por vezes nem me mexia, para não te acordar, para não tirar o teu corpo de cima do meu, e já habituado à escuridão, via a tua silhueta repousando ao lado da minha, cheirava-te, afundava-me em ti enquanto tu dormias. Isso não podias saber. Enquanto dormias, não podias saber que eu, muitas, muitas vezes, estava vigilante, e nunca vi monstros, nem ouvi as portas dos armários ranger. Era só a noite, connosco lá dentro."
João
Geografia das Curvas
«conversa 2054» - bagaço amarelo

Eu - Fixe. Fizeste alguma coisa para isso?
Ela - Fiz. Comecei uma dieta.
Eu - Uma dieta?!?!
Ela - Sim. À noite, como não posso ir ao frigorífico buscar pão com manteiga, fico tão tensa que tenho que fazer alguma coisa com o meu marido.
Eu - Okay, mas não lhe expliques isso assim...
Ela - Já expliquei.
Eu - Já?!
Ela - Já. Ele perguntou-me o que é que se passava...
Eu - E reagiu bem.
Ela - Acho que sim. Disse qualquer coisa do tipo: "que se foda!".
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Comem cavalos, em almôndegas
A Igreja luta imenso contra a pedofilia.
No xadrez deles, por exemplo, os bispos já não comem peões.
No xadrez deles, por exemplo, os bispos já não comem peões.
11 março 2014
a funda são mora na filosofia [V]
Social media managers deste mundo, exmos heads (ou feet) of community fa-nha-nha e afins:
sabeis tão bem quanto eu qual é a palavra da moda. No fundo, até há mais do que uma. Mas aquela que mais tem soado aos meus ouvidos é mesmo "engajamento". O que as empresas pedem aos social manager e heads of community é que criem conteúdos impactantes para provocar o engajamento. Há dias, num daqueles encontros muito contemporâneos-de-agora, de mulheres empreendedoras, lia-se num dos slides "bla bla bla engaging men". Como assim? Queremos ficar noivas dos homens? Então e as pessoas humanas de índole lesbiana?
Parece-nos que o que se pretende é engajar. A palavra não é, de todo, bonita. E se há coisa que soa mal é dizer: «oiça, temos que engajar com o cliente» - sobretudo quando isso prevê a criação dos tais conteúdos impactantes. O que todos queremos, no fundo - e n'a funda - é vender e ter lucro e tal e tal - é isso que as empresas e as marcas procuram com o tal do engajamento. E o desgraçado do social media manager - ou afins - tem que impactar conteúdos que atinjam o potencial cliente "na muje" (como diria o povo). Tudo isto me parece demasiado agressivo, confesso. No final de contas, o engajamento é uma coisa que nos deixa com os olhos negros, tal não é o impacto do conteúdo nas nossas fuças.
O engajamento deixa de ser o engagement, com direito a anel e tudo, com pedido de casamento num sítio romântico (Paris ou Roma, por exemplo), para passar a ser uma cena que envolve interesse, dinheiro e uma estratégia de Lobo Mau: "eu vou-te comer, Capuchinho"!
A minha relação com a palavra piorou no momento em que, numa apresentação oral, um futuro social-media-head-whatever falava dos tais conteúdos estratégicos para as marcas, perdão, brands, e terminava todas as frases com "e coise". E coise? E tal?
Saí da aula capaz de iniciar um movimento pela recuperação da dignidade da palavra engajamento: reduzi-la a um coise impactante parece-me muito... er, como dizer... fonhonhó?
«Ferros» - Susana Duarte
.escrever silêncios nas noites claras, perfumadas de abraços e de distâncias.
.inscrever nas noites os silêncios claros, perfumados de comboios que chegam.
. dedicar-me-ei a desenhar céus claros e linhas de caminhos de ferro. ânsias.
. só os céus de caminhos e os claros ferros da vontade, te trarão a mim.
. são aves que desenham voos na espera. dores. saudades que viajam. cegam.
__________________abraço-te na espera______________
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Relembrando os videos de apresentação da minha colecção - 1 - Caminhantes no vale da sedução
Primeiro vídeo de apresentação de «a funda São» - colecção (muito) particular de arte erótica, de Setembro de 2011, com um poema da Miss Joana Well lido pela voz de ouro de Luís Gaspar (do Estúdio Raposa).
As peças apresentadas fazem parte de um espólio com mais de 3.000 objectos e mais de 1.700 livros com a temática do erotismo e da sexualidade.
A música do genérico é «Sometime Ago», de Bill Evans (do álbum «You must believe in spring»).
A produção e a realização do video são de Joana Moura.
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
As peças apresentadas fazem parte de um espólio com mais de 3.000 objectos e mais de 1.700 livros com a temática do erotismo e da sexualidade.
A música do genérico é «Sometime Ago», de Bill Evans (do álbum «You must believe in spring»).
A produção e a realização do video são de Joana Moura.
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10 março 2014
«conversa 2052» - bagaço amarelo

Ela 2 - Achas?!
Ela 1 - Acho, por acaso acho. Tu não achas?
Ela 2 - Mais ou menos... como sou amiga dele há muitos anos nunca pensei nele como um amante, para ser sincera.
Ela 1 - Não?! Eu acho que ele é um naco.
Ela 2 - E deve ser sério. Nunca lhe conheci uma namorada...
Ela 1 - Ui! Acabei de perder todo o interesse nele.
Ela 2 - Porquê?
Ela 1 - Não gosto de automóveis em primeira mão. Prefiro-os usados.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
SPAM SPAM SPAM SPAM SPAM SPAM...
Senhoras namoradas zoeiras, por favor não façam isso. É tipo pedir para vocês emagrecerem.
09 março 2014
«Neptuno e a ninfa» - Bernard van Orley
Bernard van Orley (pintor flamengo, c.1487-1541)
Via Bernard Perroud
Homem novo

Sentei-me logo à frente dela no comboio que aquilo não era coisa que se visse todos os dias ali.Tudo roupa de marca. Chapéu e casaco da Burberrys e mala Fulda. A trincar uma maçã verde, madura mas daquelas verdes granny qualquer coisa que as gajas comem porque causa da mania das dietas. Talvez por isso fosse franzina. Bonitinha mas franzininha que devia ter pouca carne por um onde um gajo agarrar. Mas como se costuma dizer que a cavalo dado não se olha o dente deixei-me ali estar a arregalar o olho.
E não é que a gaja, gaja de dinheiro está bom de ver, me dirigiu a palavra. Primeiro a queixar-se dos dentes e depois de enfiada desatou a contar-me onde trabalhava, onde tinha estudado e mais não sei quantas coisas da sua vida que até me deixou embatucado como se fosse eu a trincar a maçã. Chegou ao ponto de me contar que sofria de uns ataques de ansiedade perante o meu ar atento e sossegado mesmo que aspirasse a consolá-la com um bracinho no ombro ou qualquer coisa mais descida na minha anatonomia que embora tenha sentimentos, que os tenho, perante uma gaja só me lembra de as levar para a cama como se isso fosse obrigatório e é uma ideia que não me deixa a cabeça enquanto elas não me saiem da frente.
Era uma moça fina que as suas mãos lisinhas não davam lugar a engano que aquelas nunca tinham lavado sequer uma loiça de pequeno-almoço. Mais a mais que nelas sobressaiam dois anéis espetados embora não tivesse aliança mas sim um relógio dourado no pulso cuja marca não tive tempo de perceber e ali tão desprotegida, enchia-me de vontade de lhe fazer companhia e dar protecção em todos os bons sentidos que a palavra possa ter.
Passados vinte minutos era a minha paragem e como ela não podia visualizar o interior da minha cabeça estendi-lhe a mão de forma cavalheiresca para me despedir perante alguma aflição dela que ainda perguntou se eu não ia até ao fim e eu lamentei a impossibilidade dizendo apenas que era aquela a minha paragem embora a mil à hora estivesse a anotar na minha cabeça qual era aquela carruagem para amanhã apanhar aquele mesmo comboio e já que não era o meu dia de ir buscar os miúdos para os levar para casa poder ir com ela até ao fim.
08 março 2014
«Fra il dire e il mare ci vorrebbe il fare» (entre o dizer e o mar, o que queria ele fazer)
Prancha original de uma revista de humor italiana, a juntar às outras da minha colecção.
Se não sabes italiano nem percebes de filosofia, aprecia os bonecos.
Visita também a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
Se não sabes italiano nem percebes de filosofia, aprecia os bonecos.
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07 março 2014
Aguarelas de Dan Gluibizzi
Dan Gluibizzi - «Long Happy summer» (2014) e «Six Happy Couples» (2012)
Via Bernard Perroud
A origem da perspectiva - Stéphane Lallemand e Albrecht Dürer
Stéphane Lallemand. A origem da perspectiva. 2007. 95 x 180 cm
Albrecht Dürer (1472 – 1528) Der Zeichner des liegenden Weibes (Os signatários da mulher deitada?). Xilogravura (de “Underweysung der messung…”, Nuremberg, 3ª edição, 1538)
06 março 2014
Belicismos
Para além da preocupação demonstrada pelos homens em relação ao tamanho do pénis, existe uma, mais esconsa e menos publicitada, mas não menos absorvente: a força com que é projectado o esperma.
Diz-me a minha vasta experiência que esta condicionante masculina não tem variantes múltiplas. Os tons cinza nesta paisagem a preto e branco, são escassos.
Pelas minhas mãos passaram orgasmos masculinos que me fizeram pensar que, se não tivesse cuidado, ficaria com estalactites em todos os compartimentos. A força, o ímpeto, o impulso, a pujança e a energia com que era expulso o esperma humilhavam qualquer fonte luminosa com ambições de chafariz. Outros tive em que o espesso líquido quente e encorpado, escorria lento pelo corpo do pénis, depois de um primeiro jacto de potência pouco significativa. Acredito que se torna mais interessante um disparo, abundante e de longo alcance. Todas as mulheres se consideram responsáveis pela quantidade e robustez da lava deste vulcão. No entanto, há fogos de artifício, elevados ao céu com a energia de foguetões da NASA, que não possuem a qualidade e o estranho e despudorado brilho do prazer do fogo preso. O deslizar lento e compacto, denso e grosso da massa leitosa que um pénis faz surgir enquanto lateja nas mãos de quem o manipula, pode ser bem mais sugestivo e capaz de despoletar manobras inolvidáveis que aproveitam esta quase seráfica forma de culminar um orgasmo.
É em nós que reside a capacidade de rentabilizar o modo como os machos se consomem na inconsciência de um orgasmo.
Não importa muito o ângulo e o alcance do míssil. O que interessa é sempre a arma que o dispara.
Alfinete de peito (sem broche)
Medalha de pénis em tecido com alfinete de ama e fitas, oferecido pelo Nelson Silva para eu trazer na lapela... até à colecção.
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05 março 2014
«Muitas vezes» - João
"Foi muitas vezes assim. Ele entrava porta dentro e sentava-se ao lado dela, e deslizava os dedos pelo cabelo, ou percorria-lhe as costas com as mãos, dava-lhe o braço, fazia-lhe carícias nas mãos. Às vezes pousava a mão sobre a coxa, ou sobre o joelho. Falava-lhe das coisas mundanas, mas as mundanas eram do mundo dele, e por isso eram importantes mesmo que banais, eram as coisas que faziam a colecção das suas horas. E ela calada. E depois o Sol ia embora, e vinha a noite, e o novo dia trazia outra porta que se abria e lá estava ele de novo, a entrar-lhe espaço dentro, e a dizer coisas, e a fazer-lhe carícias, e a juntar o corpo dele ao dela, e a olhá-la, e ela a ele, mas calada. E o Sol ia embora, e vinha a noite. O Sol foi-se embora muitas vezes, e a noite caiu, e caiu, e sempre fez por cair. E o novo dia trouxe-o sempre, na porta que se abria. E sentava-se ao lado dela. E falava, falava, falava. Dizia coisas. Contava coisas. Outras vezes dizia silêncios. E ela sem articular palavra. E um dia o Sol escondeu-se, a noite veio, e o novo dia também. E ele não veio, a porta não se abriu. Ficou do lado de fora, encostado, silencioso, de orelhas como os cães, atento. E ela, lá dentro, calada, parada. A olhar a porta. A boca disse vai, mas os olhos disseram fica. Os braços disseram desaparece, mas o corpo encerrado sob a pele gritava não fujas de mim."
João
Geografia das Curvas
João
Geografia das Curvas
«conversa 2051» - bagaço amarelo

Eu - Já. Por acaso li ontem na internet.
Ele - Eu também o li na internet e mandei-o logo à minha namorada, por email, a ver se a irritava. Ela costuma ter ciúmes da minha ex-mulher...
Eu - E ela? Irritou-se?
Ele - Nem por isso. Respondeu-me logo, passado cinco minutos. Pôs-me um bocado a pensar..
Eu - Então?
Ele - Disse-me que o melhor é separarmo-nos já, a ver se o sexo entre nós nos começa a fazer bem.
Eu - Isso anda assim tão mal?
Ele - Pelos vistos...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Postalinho de transportes rodoviários
"Ia eu a passar na Mealhada, a caminho do trabalho, quando vi este reboque inédito à beira da estrada."
PM
PM
04 março 2014
Eva portuguesa - «Abençoada»
Tenho sido, felizmente e apesar de tudo, uma pessoa abençoada.
Tenho tido a felicidade de conhecer, desde que estou neste meio, pessoas excepcionais e que me marcaram de várias e diferentes maneiras. Pessoas generosas, não só a nível material mas também em termos de entrega. Pessoas honestas, correctas, sem preconceitos nem falsos moralismos. Pessoas que, tal como eu, procuram apenas encontrar o seu pedacinho de céu, a sua quota parte de felicidade, tentando não o fazer à custa da felicidade alheia. Pessoas que realmente se preocupam comigo. Pessoas que conseguem ver para além da Eva; conseguem sentir o ser humano ,a mulher, a mãe que eu sou... Pessoas que não podendo dar aquilo que justifica a existência da Eva não deixam, contudo, de ter uma palavra de carinho, um gesto de compreensão, uma atitude de encorajamento e solidariedade. Pessoas que, muitas vezes sem se aperceberem, dão muito mais delas do que eu de mim. E não me refiro só a clientes. Falo de diversos tipos de pessoas - algumas que nem sabem que eu sou a Eva - que deus tem colocado no meu caminho.
E até as outras, aquelas que eu preferia nunca ter conhecido, encontrado ou sequer imaginado a sua existência, até essas têm sido importantes e essenciais para o meu crescimento como ser humano, como mulher e como profissional. Porque sem o mau não sabemos apreciar o bom. Sem a escuridão não sabemos o que é a luz. Sem a tristeza não valorizamos a alegria.
Estes seres, que dominam as trevas, alimentam-se da desgraça alheia, da dor que conseguem causar, do mal que tentam infligir. E com eles aprendi isso mesmo: que são assim porque não conseguem ser mais nem melhores; sendo miseráveis e infelizes, não admitem que outros possam ser felizes, possam ser seres iluminados. Com eles aprendi que o pertencerem às trevas é uma maneira de fugirem de si próprios, da sua cobardia, da sua feiura, da sua pequenez. E assim aprendi que não os devo odiar nem temer, mas sim ter pena deles e esperar que um dia consigam endireitar-se e tornar-se pessoas.
E, algures entre estes dois opostos, também me deparei com pessoas que não são boas nem más, ou que são boas mas por vezes têm atitudes más. Pessoas que de forma e por motivos diferentes me magoaram, sem contudo terem uma vontade explícita de o fazer. Uns por ignorância, outros por egoísmo ou egocentrismo, outros porque são apenas humanos... mas nunca com a necessidade mórbida e maléfica dos seres das trevas, nem sequer com esse tipo de intenção. Mas quem de nós já não o fez,certo?!... Eu fiz. Sem querer. Sem ser propositadamente. Mas fiz. Magoei pessoas que não mereciam e que a mim só me fizeram bem. E peço desculpa. Porque não queria magoar ninguém. Porque não quero magoar ninguém. Porque até aos que me odeiam (sei lá eu porquê), aos que se aproximam de mim apenas para me tentarem usar, aos gananciosos que apenas querem usufruir do pouco que tenho (seja material ou sentimental), aos que só querem envenenar-me, até a esses eu não desejo verdadeiramente mal. Porque infelizes já eles são. A esses, desejo que encontrem a paz necessária para saírem da podridão. A esses, desejo que encontrem o seu caminho. Mas longe. Muito longe de mim. Que sejam felizes algures num sítio e tempo que nunca mais se atravessem no meu caminho. E obrigado por me terem ensinado a ter este tipo de sentimento e pensamento.
Obrigado a todas as pessoas, boas ou más, conscientes disso ou não, que têm aparecido na minha vida. Uns de uma forma saudável, outros por frustrações, mas todos me têm dado algo. E com todos tenho aprendido. E obrigado aos que, mesmo sem querer, magoei e, mesmo assim, continuam a meu lado. Que me souberam perdoar.
Por tudo isto, repito: sou uma pessoa abençoada.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Tenho tido a felicidade de conhecer, desde que estou neste meio, pessoas excepcionais e que me marcaram de várias e diferentes maneiras. Pessoas generosas, não só a nível material mas também em termos de entrega. Pessoas honestas, correctas, sem preconceitos nem falsos moralismos. Pessoas que, tal como eu, procuram apenas encontrar o seu pedacinho de céu, a sua quota parte de felicidade, tentando não o fazer à custa da felicidade alheia. Pessoas que realmente se preocupam comigo. Pessoas que conseguem ver para além da Eva; conseguem sentir o ser humano ,a mulher, a mãe que eu sou... Pessoas que não podendo dar aquilo que justifica a existência da Eva não deixam, contudo, de ter uma palavra de carinho, um gesto de compreensão, uma atitude de encorajamento e solidariedade. Pessoas que, muitas vezes sem se aperceberem, dão muito mais delas do que eu de mim. E não me refiro só a clientes. Falo de diversos tipos de pessoas - algumas que nem sabem que eu sou a Eva - que deus tem colocado no meu caminho.
E até as outras, aquelas que eu preferia nunca ter conhecido, encontrado ou sequer imaginado a sua existência, até essas têm sido importantes e essenciais para o meu crescimento como ser humano, como mulher e como profissional. Porque sem o mau não sabemos apreciar o bom. Sem a escuridão não sabemos o que é a luz. Sem a tristeza não valorizamos a alegria.
Estes seres, que dominam as trevas, alimentam-se da desgraça alheia, da dor que conseguem causar, do mal que tentam infligir. E com eles aprendi isso mesmo: que são assim porque não conseguem ser mais nem melhores; sendo miseráveis e infelizes, não admitem que outros possam ser felizes, possam ser seres iluminados. Com eles aprendi que o pertencerem às trevas é uma maneira de fugirem de si próprios, da sua cobardia, da sua feiura, da sua pequenez. E assim aprendi que não os devo odiar nem temer, mas sim ter pena deles e esperar que um dia consigam endireitar-se e tornar-se pessoas.
E, algures entre estes dois opostos, também me deparei com pessoas que não são boas nem más, ou que são boas mas por vezes têm atitudes más. Pessoas que de forma e por motivos diferentes me magoaram, sem contudo terem uma vontade explícita de o fazer. Uns por ignorância, outros por egoísmo ou egocentrismo, outros porque são apenas humanos... mas nunca com a necessidade mórbida e maléfica dos seres das trevas, nem sequer com esse tipo de intenção. Mas quem de nós já não o fez,certo?!... Eu fiz. Sem querer. Sem ser propositadamente. Mas fiz. Magoei pessoas que não mereciam e que a mim só me fizeram bem. E peço desculpa. Porque não queria magoar ninguém. Porque não quero magoar ninguém. Porque até aos que me odeiam (sei lá eu porquê), aos que se aproximam de mim apenas para me tentarem usar, aos gananciosos que apenas querem usufruir do pouco que tenho (seja material ou sentimental), aos que só querem envenenar-me, até a esses eu não desejo verdadeiramente mal. Porque infelizes já eles são. A esses, desejo que encontrem a paz necessária para saírem da podridão. A esses, desejo que encontrem o seu caminho. Mas longe. Muito longe de mim. Que sejam felizes algures num sítio e tempo que nunca mais se atravessem no meu caminho. E obrigado por me terem ensinado a ter este tipo de sentimento e pensamento.
Obrigado a todas as pessoas, boas ou más, conscientes disso ou não, que têm aparecido na minha vida. Uns de uma forma saudável, outros por frustrações, mas todos me têm dado algo. E com todos tenho aprendido. E obrigado aos que, mesmo sem querer, magoei e, mesmo assim, continuam a meu lado. Que me souberam perdoar.
Por tudo isto, repito: sou uma pessoa abençoada.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«Cais» - Susana Duarte
Nascemos no cais,
partindo dele em direção às naus inscritas nas veias.
sobrevoámos os dias,
na espera sombria das vertentes dos sonhos.
mantemos ainda a espera
pelos dias da água.
sobre as marés do teu corpo,
que me salgam o ventre
e os olhos,
e a língua evidenciada
pelo rubro ardor do teu beijo,
navegaremos.
a vida toda são as gotas de sal do teu suor.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
partindo dele em direção às naus inscritas nas veias.
sobrevoámos os dias,
na espera sombria das vertentes dos sonhos.
mantemos ainda a espera
pelos dias da água.
sobre as marés do teu corpo,
que me salgam o ventre
e os olhos,
e a língua evidenciada
pelo rubro ardor do teu beijo,
navegaremos.
a vida toda são as gotas de sal do teu suor.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
«La tentazione» (a tentação)
Estatueta proveniente da Itália em barro vermelho pintado, de demónio e mulher abraçados... na minha colecção.
Visita também a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
Visita também a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
03 março 2014
«Russian Kiss» (beijo russo)
Vídeo de apoio ao movimento LGBT, que tem tido sérios problemas e os seus direitos mais básicos negados na Rússia de Vladimir Putin.
RUSSIAN KISS: ANNIE FEAT. BJARNE MELGAARD (DIR. RICHARD KERN) from Annie Melody on Vimeo.
RUSSIAN KISS: ANNIE FEAT. BJARNE MELGAARD (DIR. RICHARD KERN) from Annie Melody on Vimeo.
«conversa 2050» - bagaço amarelo

Eu - Podes.
Ela - Ando a precisar de me envolver com um homem mais novo do que eu.
Eu - Quanto mais novo do que tu?
Ela - Sei lá... preciso dum gajo que tenha aí vinte e cinco anos. Trinta no máximo, vá lá.
Eu - Tu tens quarenta e cinco, não é?
Ela - É.
Eu - Curioso...
Ela - O que é que é curioso?
Eu - Já te ouvi dizer várias vezes que os homens com quem te relacionaste quando eras mais nova eram imaturos e estúpidos a todos os níveis. Agora queres envolver-te com um?
Ela - Quero. Agora é que era bom arranjar um homem dessa idade. Já tenho experiência suficiente para o levar para a cama e não ligar nada ao que ele diz.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
02 março 2014
«La nudité toute nue» (a nudez completamente nua)
Documentário de 53 minutos do Canal+ (França).
LA NUDITÉ TOUTE NUE from LALALA PRODUCTIONS on Vimeo.
LA NUDITÉ TOUTE NUE from LALALA PRODUCTIONS on Vimeo.
Visão
Ai amiga que as coisas vão de vento em popa e ainda nem tinha dado tempo de te dar as novidades que gasto muito tempo com ele. Nem só por isso que esse teu sorriso malandreco aí espetado na cara adivinha mas porque conversamos muito sem o constrangimento de quem se conhece há pouco e não sabe o que há-de dizer, nem com os silêncios de quem se conhece há tanto que embalamos na preguiça de nada de novo haver para falar.
O melhor da festa é que ele nem vê jogos de futebol e assim sendo nem actualiza o humor de acordo com os resultados da jornada e se bem que se dedica aos emails com longas piadas picantes não é menino para se perder pelas imagens de gajas nuas e mepegues de truca-truca. Até já fixou que a minha cor favorita é o roxo e preparou-me o copinho de leite gelado do pequeno-almoço. E no resto é tudo muito táctil como se cada poro fosse importante para a leitura do desejo e eu um cd que ele guarda todo na memória antes de reproduzir. Aliás, costumamos circular atrelados pela casa e quando os meus faróis ou a sua sineta dão sinal fazemos uma paragem para descarga dos soldadinhos.
O melhor da festa é que ele nem vê jogos de futebol e assim sendo nem actualiza o humor de acordo com os resultados da jornada e se bem que se dedica aos emails com longas piadas picantes não é menino para se perder pelas imagens de gajas nuas e mepegues de truca-truca. Até já fixou que a minha cor favorita é o roxo e preparou-me o copinho de leite gelado do pequeno-almoço. E no resto é tudo muito táctil como se cada poro fosse importante para a leitura do desejo e eu um cd que ele guarda todo na memória antes de reproduzir. Aliás, costumamos circular atrelados pela casa e quando os meus faróis ou a sua sineta dão sinal fazemos uma paragem para descarga dos soldadinhos.
Acredita que quando ouço o som de dobrar da sua bengala à saída do elevador antes de meter a chave à porta sinto por mim acima aquele formigueiro do desejo preste a saciar-se mas ao mesmo tempo tão confortável por ser o efeito secundário de alguém que me vê como eu sou.
01 março 2014
Uma rapariga da tribo Yawalapiti mergulha no rio Xingu, no Parque Nacional de Xingu (Brasil)
Via mon ami Bernard Perroud
Le Nouvel Observateur - hors série - L´érotisme dans l´art
Número especial da revista francesa «Le Nouvel Observateur» de Janeiro/Fevereirode 2014, sobre o erotismo na arte.
Tinha que fazer parte da minha colecção.
Tinha que fazer parte da minha colecção.
28 fevereiro 2014
(DES)Ata-me
Quando
sorriste perturbante no teu olhar escaldante, percebi que ia ser um momento
invulgar.
Cancelaste os compromissos,
trancaste a porta do teu (luxuriante) gabinete que dá para o Secretariado, o
telemóvel em silêncio, um último anúncio à tua assessora :"Não estou para
ninguém!"
Eu sabia que a minha visita
(in)esperada te agradava e o que tinha vestido te excitava a imaginação. E não
só.
Aproximei-me da secretária de
nogueira, maciça, onde tantas vezes os processos se tinham misturado, na pressa
de fazermos amor enquanto te aguardavam para as reuniões que te afastavam de
mim.
O teu olhar percorreu-me
conhecedor e exploratório. Estava mesmo ao teu gosto: tinha-me vestido para ti.
Vestido de tecido estampado que
tinhas conseguido no Japão, de tecnologia incrível e que nunca soube definir.
(Como brincavas comigo e com a minha ignorância...)
Sempre pensei que fosse seda,
mas dizias que não...
Bota preta de verniz, cano
alto, salto médio, a fazer conjunto com a mala não muito grande, mas
deselegantemente cheia, porque dizias que eu carregava o mundo dentro da minha
mala. Como qualquer mulher que se preze.
Casaco branco, comprido de
caxemira (em Paris estava frio). A lingerie
adivinhavas. Mas o cinto de ligas era a estrear...
Pousei a mala e o casaco no
cadeirão de pele, à esquerda. Tinhas corrido os reposteiros de veludo pesado e
quente.
Abraçaste-me numa pressa que me
ia desequilibrando. Sentaste-me na secretária, abracei-te com as pernas.
Enquanto nos beijávamos interminavelmente, senti uma fita de seda a vendarem-me
os olhos.
Ataste-me os pulsos atrás das
costas e fiquei à tua mercê. Os outros sentidos apurados
pela falta de visão.
Por favor, desata-me - supliquei-te, ainda antes de me obrigares a engolir o teu sexo rígido e enorme.
Mas nessa tarde, não estavas
para me fazeres as vontades.
E sabes que adoro que me
domines...
by Luna
Postalinho da Rota dos Moinhos do Buçaco
Para um turista "normal", esta fonte na aldeia de Carvalho é bonita... e mais nada...
... mas os membros e as membranas d'a funda São têm a vista e a taradice apuradas. Então... o que é aquilo no brasão ao meio da fonte?!
Se não é o que parece, pelo menos parece que é mesmo!
... mas os membros e as membranas d'a funda São têm a vista e a taradice apuradas. Então... o que é aquilo no brasão ao meio da fonte?!
Se não é o que parece, pelo menos parece que é mesmo!
27 fevereiro 2014
«A origem da guerra» - Orlan
O contraponto à «origem do mundo», de Gustave Courbet, da exposição «Masculin / Masculin» no Museu d’Orsay, de 24 de Setembro de 2013 a 2 de Janeiro de 2014:
4 CD's de... música... chamemos-lhe assim
4 CD's com músicas que não lembrariam ao diabo.
A dar música (continuemos a chamar-lhe assim) na minha colecção.
A dar música (continuemos a chamar-lhe assim) na minha colecção.
26 fevereiro 2014
«A chuva, amor» - João
"Chove tanto amor. E o vento. O vento amor. Vejo os teus cabelos ondular e preocupo-me, penso em correr para ti e segurar-te, amor. Amparar-te. Encostar-me a ti, como contraforte, fazer força para não cair. Enterro os meus pés no chão, e a terra faz-se lama, e eu debato-me para nos segurarmos. Tanto vento, amor. Começo a escorregar na lama, vejo os pés mover-se, primeiro devagarinho, depois já a obrigar-me a dar passos atrás, como se o chão fosse passadeira rolante. E encosto-me a ti, agarro-me a ti, seguro-te, e contrario a tempestade. E os teus cabelos amor. Os teus cabelos a ondular. Choras. A chuva bate-nos na cara, o vento faz folhas e ramos voar na nossa direcção, e agita-me o casaco, arranca-mo dos braços, liberto o peso, e empurro ainda mais na tua direcção, faço ainda mais força, e já me custa fixar os pés na água e na lama que correm, e a torrente já tem pedras, e tudo me escava por baixo dos pés como o mar que leva a areia e nos enterra. Abanamos os dois ao vento, os teus cabelos a esvoaçar, eu já quase de joelhos, a forçar as tuas pernas, a tentar fixar-te no lugar. Chove tanto amor. E há tanto vento. E estamos quase a cair. Estamos quase a escorregar vertente abaixo, levados nas águas. E eu já grito. Já me perco em imprecações, e tu gemes baixinho, e tremes. Tremes tanto amor. E continuo a levar com água na cara, e continuo a levar com folhas, pedras e ramos de árvore, e continuo a segurar-te, e tu gemes baixinho e dizes-me, com os cabelos ondulantes “amor…”, e eu tento olhar-te enquanto me esforço para não ser levado, e tu repetes “amor…” e eu agarro-me à tua mão, e ainda vou a tempo de te ouvir dizer “amor… eu já não te quero”, e num momento falham-me os joelhos, e tombo por fim na lama, e não tenho tempo de nada, e vou nas águas, a gritar mudo, e vejo-te ficar mais longe, e choro compulsivamente enquanto as pedras me batem no corpo, enquanto a água me afoga, enquanto o vento me leva triste e morro devagarinho."
João
Geografia das Curvas
João
Geografia das Curvas
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