14 dezembro 2014

Sindicato de putas

Se fosse criado um sindicato das putas poderia o mesmo ser acusado de contactos privilegiados?



Olha... rachou...

A gaja de ontem era tão boa e tão inacessível que era claramente um momento de "ou vai ou racha". Foi racha.

Patife
@FF_Patife no Twitter

13 dezembro 2014

Dedos sensuais

Olás...


Quando te escrevo, ainda tímida, palavras e frases, no teclado do notebook, o corpo logo se contrai.
E, como nas torturas,  a minha carne se trai.
Nem muito esforço faço, porém, porque meus poros já respondem ao tato dos meus dedos no teclado. 
Sei descrever-te o meu gemido, o que sinto. E sem muito esforço.
A distância da tela... sequer atrapalha. Fagulhas de fogo refletem, enquanto os dedos nas teclas tocam. 
Tudo, então, se torna real.  Mas é por fragmentos de segundos. 
O restante  é surreal, porque não te toco com os dedos que tocam os teclados...
Até te beijo, e sentes o beijo. Sei que sentes, porque correspondes, também, com os dedos no teclado do notebook
Nem vês que te olho, quando meus dedos tocam as teclas. 
Mas sabes que te sinto, como o toque dos dedos na tela... que revela, todo nosso desejo de amor.
 É assim que amam os cegos, que não se querem olhar. Amam apenas pelos toques dos dedos, no teclado  do notebook
A paixão e o tesão estão nos dedos das mãos,  que tocam-te, mesmo sem te tocar.
Já te amei assim, tantas vezes. 
Quando nossas vozes sucumbiram... 
Os dedos disseram por nós.
E, como na letra daquela canção,
Un jour tu verras,
On se rencontrera.



Mamãe Coruja

«Subitamente, esta tarde, uma ostra especial» - por Rui Felício


Na sua resignada e imutável sina, ela protege nas profundezas submarinas, com a sua pétrea e disforme carapaça, as liquidas entranhas afrodisíacas que só abre a quem a saiba seduzir.
Era impensável que nesta tosca sepultura o mais delicado e delicioso prazer se acoitasse fazendo estremecer as sensações que as papilas gustativas transmitem a todo o corpo, num frémito de desejo inigualável.
Ela reserva ainda, por vezes, a mais divina, a mais brilhante pérola criada naquele obscuro esconderijo, juntando ao toque, ao gosto, ao cheiro, também o olhar, completando na amálgama dos sentidos o mais orgástico e pleno prazer humano.
Tal como a mulher que amamos, a ostra abre-se e entrega-se só a quem quer.
Só se quer.
Só quando quer...

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Sátiro com pénis erecto

Estatueta que veio do Chipre para a minha colecção.

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Um sábado qualquer... - «Antes de Cristo 3»



Um sábado qualquer...

12 dezembro 2014

Postalinho de Helsínquia (3)

"Hotel Sokos Aleksanteri."
JCI


O Bartolomeu, até a Finlândia ode:

Na Finlândia, meus senhores
É como manda o figurino
Há para todos os sabores
É só "push" e sai do fino

Sai pró cabelo e prá ratola
Só convém não trocar de mão
Até dá para a peidola
Lava tudo com satisfação

E para os menos hábeis
Nestas lides das lavagens
Fornecem finlandezas ágeis
Em levar o cliente às nuvens

Vêm todas sorridentes
Alegres e brincalhonas.
Até lhes lavam os dentes
Esfregando com as bordas das conas.

Deixam um tipo bem limpinho
De fungos e de carteira
Esfolam-lhe bem o corpinho
Com uma arte certeira

Push, push com jeitinho
e com muita dedica São
Que não falte o dinheirinho
é o que pede o patrão

Paradoxos


Gerações de gajos a entalarem a pila no fecho das calças e nem assim o velcro conseguiu impor-se.

Sharkinho
@sharkinho no Twitter

E o que o Sharkinho decerto não quereria era ser odido pelo Bartolomeu... mas foi:

Para que o velcro se impusesse
ao fecho éclair, tão velhinho
Era preciso que cada um tivesse
Um mangalho mais fofinho

Como um ursinho de peluche
Confortável na sua toca
Que só saísse pró duche
Ou para lhe fazerem uma bomboca

Mas o bicho é caprichoso
e o que o faz entalar
É o carácter oficioso
Com que se põe a pular

Pula feito um saltitão
Sem reconhecer o dono
Quando lhe salta na mão
Julgando tratar-se de um cono

Por isso, paga com o corpo
Levando forte entalão
Mas mesmo assim, àquele porco
Nunca lhe falta o tesão

Ora então, está bom de ver
Que de fecho não se trata
A questão está em saber
Quando é mão e não é rata.

«Sapatos» - João

"Eu gosto de sapatos de mulher. E se ficasse por aqui, com aquela frase, todo o género de coisas kinky seria pensado a meu respeito. Pensariam que eu gosto de calçar sapatos de mulher, ou pensariam que me excito só de olhar para eles, que me venho neles ou os uso como copo. Não. Tenham tento. A minha cabeça é extremamente pornográfica, o sexo é uma constante do meu raciocínio, mas mesmo eu sou selectivo nos pratos que como. Eu gosto de sapatos de mulher, sim, mas nos pés de uma mulher. Gosto de as ver bonitas, com sapatos bonitos, que as façam sentir-se confiantes e muito sexy, e neste tanto os saltos têm de ser altos. O contorno das pernas altera-se, a postura altera-se, e não é igual foder – contra a parede – uma mulher com saltos altos ou descalça. Também é por isto que acho as sabrinas uma coisa deprimente. Um sinal de desistência da vida, uma maneira de dizer que hoje não me sinto sexy, hoje não quero ser fodida à bruta contra esta janela, hoje não quero que me enfies o caralho bem fundo e me faças doer um bocadinho. É como os fatos de treino num homem. O princípio é quase o mesmo. Um homem de fato (ou pelo menos bem arranjado) está a dizer a uma mulher que vai fodê-la de um modo muito executivo, hoje fodo-te com classe, hoje agarro nesta gravata e amarro-te, tenho tanta confiança em mim que te vou fazer vir massajando-te a cona como dedos que deslizam num tecido caro, vou tocar-te com a mesma destreza com que coloco uns botões de punho. Um fato de treino não; diz que hoje fico sentado aqui a comer amendoins e a ver o canal de desporto. Eu gosto de sapatos de mulher, com salto alto. E não é pelas tais razões kinky. É pelo que faz por vós, pela confiança que vos dá, e pela tesão que daí resulta. E se me vier neles, é porque pingou. Ao menos que não sejam de camurça, que dá mais trabalho limpar."
João
Geografia das Curvas

«Fé»- Shut up, Cláudia!




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11 dezembro 2014

Compassion Crew - «Masters Of The Gentlemanly Art»


Compassion Crew - Masters Of The Gentlemanly Art from simon landrein on Vimeo.

Postalinho do Japão

"Boa noite.
Em Tóquio, uma das boas alternativas ao tradicional sushi é o KFC... e algumas pizzas..."
Jorge Prendas



Filmes pornográficos em Super 8

«Viva! French Porno in Color» e «Babe - Covered with cum».
Não sendo uma "especialidade" da minha colecção, estes filmes Super 8 juntam-se a outros em VHS e DVD da minha colecção.

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De varas...

Após a orquestra só pensava: se esta está habituada a soprar numa tuba não deve ter grandes dificuldades em abocanhar-me o trombone.

Patife
@FF_Patife no Twitter

10 dezembro 2014

As Mãos!

Olás...


(De  um  post"Vem", de Lou Alma, nasceu este comentário, de uma cabeça sem muita noção, "As Mãos!". Tomara que as mãos não sejam levadas à cabeça, ao lerem esse trecho, até porque o ato é bem praticado nas horas vagas e solitárias de muitos e muitos, imaginação afora):

"As Mãos.

Vem cá
Vem. Cair, comigo.
Vem, mas que seja logo.
Vem. Quase não te espero.
Cair, na cama, na areia 
Mesmo no lodo.
Se não vens me phoder... 
Uso-me e me phodo!  


Mamãe Coruja


O Bartolomeu, quando vê uma palavra começada por "ph", começa logo a oder:

"Vou aí
Vou. Cair contigo.
Vou, agora, vou mais logo
Vou num gemido, num ai,
Meter-te a língua no umbigo
Deixar o teu corpo em fogo.

Vou. Sei que estás à espera
Caída nua, na tua cama
O teu tesão é uma fera
Que já se espoja na lama

Vou, enfernizar o teu ser
Atear a tua lareira
Vou-te dar a conhecer
O jorro da minha mangueira

E se não te for Phoder
Por ter perdido o tesão
Então lá terá de ser...
Em vez de mim, irá o João!"

«O que sempre soube das mulheres mas tive à mesma de perguntar» - Rui Zink

Tratam-nos mal, mas querem que as tra­temos bem. Apai­xonam-se por se­rial-kil­lers e de­pois queixam-se de que nem um pos­ta­linho. Es­crevem que se de­su­nham. Fingem acre­ditar nas nossas men­tiras desde que te­nhamos graça a pregá-las. Aceitam-nos e to­leram-nos porque se acham su­pe­ri­ores. São su­pe­ri­ores. Não têm o gene da violência, em­bora seja me­lhor não as pro­vo­carmos. Per­doam fa­cil­mente, mas nunca es­quecem. Bebem ci­cuta ao pe­queno-almoço e des­tilam mel ao jantar. Têm uma ca­pa­ci­dade de en­trega que até dói. São óptimas mães até que os fi­lhos fazem 10 anos, de­pois perdem o norte. Pelam-se por jogos eróticos, mas com o sexo já de­pende. Têm dias. Têm noites. Con­se­guem ser tão cal­cu­listas e mal­dosas como qual­quer homem, só que com muito mais nível. In­ven­taram o telemóvel ao vo­lante. São co­ra­josas e quando se lhes mete uma coisa na cabeça levam tudo à frente. Fazem-se de parvas porque o se­guro morreu de velho e estão muito es­cal­dadas. Fazem-se de ino­centes e (mi­lagre!) por esse acto de von­tade tornam-se mesmo ino­centes. Nunca perdem a ca­pa­ci­dade de se des­lum­brarem. Riem quando estão tristes, choram quando estão fe­lizes. Não com­pre­endem nada. Com­pre­endem tudo. Sabem que o corpo é pas­sa­geiro. Sabem que na vi­agem há que tratar bem o pas­sa­geiro e que o amor é um bom fio con­dutor. Não são de con­fiança, mas até a mais in­fiel das mu­lheres é mais leal que o mais fiel dos ho­mens. São tra­madas. Comem-nos as papas na cabeça,mas de­pois levam-nos a co­lher à boca. A única coisa em nós que é para elas um mistério é a jan­ta­rada de amigos – elas quando jogam é para ga­nhar. E é tudo. Ah, não, há ainda mais uma coisa. Acre­ditam no Amor com A grande mas, para nossa sorte, con­tentam-se com pouco.

Rui Zink

Postalinho de Sangalhos (1)

"Arte contemporânea africana, parte da colecção Berardo no Underground Museum das Caves Aliança."
Daisy Moreirinhas

Convite duplo


09 dezembro 2014

SOKO - «We might be dead by tomorrow»

O perigo das "normas"... também na pornografia

Comentário feito na minha página do Facebook, a respeito das proibições feitas recentemente no Reino Unido a determinadas cenas nos filmes pornográficos:

"Pornografia da pior é aceitar para todos o que a indústria/ mercado/ tradição impõe e muitas vezes acaba por exigir. 
Infelizmente o estabelecimento de regras «injustas» vem em muitos casos provocar o debate e a reflexão sobre o que nos é muitas vezes incutido pela «normalidade» incutida via indústria/ mercado/ tradição. 
Nem o mainstream nem o underground se devem impor como norma em temáticas que derivam dos «sapatos que cada um calça». 
Se não estivermos atentos acabamos por ser todos um produto do mercado e dos produtos que existem para consumo."
Paulo Freitas

O João Barreto gosta de o pinar:
"Ora vejamos:
Artigo 1º: nenhum vergalho exibido deverá medir mais do que 12 cms, medidos em estado de máxima excitação conforme artigo 5º supra.
Ratio legis: não causar vergonha irrecuperável e consequente depressão suicidária nos rapazes menos dotados.
Artigo 2º: Em situação de orgasmos fingidos, nenhuma gaja deverá emitir sons guturais exprimindo satisfação que excedam os 26 Db.
Ratio legis: respeitar a lei do ruído, deste modo não incomodando os vizinhos quando do visionamento de filmes porno.
Artigo 3º: Qualquer cena de sexo em grupo deverá integrar, no mínimo, um terço de participantes do sexo feminino, sem prejuízo da participação de transsexuais a regulamentar por portaria do ministro da tutela.
§ único: nos fimes classificados como "male gay porn", é admitida uma proporção inferior, desde que haja uma cena não inferior a 1,35 minutos em que uma "barmaid" em topless distribui refrescos aos participantes
Ratio legis: respeitar as quotas europeias de participação de mulheres"

Luta interina


Não tem sido fácil a um gajo da minha idade conviver com uma líbido em permanente crise da adolescência.

Sharkinho
@sharkinho no Twitter

«onde tu não pertences» - Susana Duarte

vou agora.
vou com as nuvens,
devolvendo ao ar o ar
que respiro.

vou com as nuvens.
sou do ar
e das auroras

onde tu não pertences.
vou agora.
desfaço o raiar
da manhã onde tu
já não habitas.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Quem está por cima?

«Who's on top?»... estatueta em metal de Tom Maso (Holanda).
Ambos estão... na minha colecção.

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08 dezembro 2014

«All you need is hand» - PornHub

O Pornhub, um dos maiores sites de pornografia do mundo, instalou um outdoor em plena Times Square, New York, que desapareceu depois de alguns dias.



Um vídeo com pessoas a cantar a versão parodiada da música «All you need is love», dos Beatles, circula entretanto na rede:

«pensamentos catatónicos (316)» - bagaço amarelo

O fim de qualquer Amor é uma despensa.
A minha máquina de café avariou-se. Preocupa-me metê-la no lixo, tanto por causa do seu valor comercial como pela ligação emocional que lhe tenho (sim, é possível ter uma ligação emocional com um objeto). Arrumo-a na despensa, onde todas essas preocupações vão morrendo devagar e, muito provavelmente, levo-a para o lixo daqui a um ano ou dois. Nessa altura já não me vai custar nada, porque entretanto deixou de fazer parte da minha vida.
Uma despensa não serve apenas para guardar aquilo que já não usamos ou só usamos de vez em quando. Serve, mais do que tudo, para aliviar. Pelo menos no meu caso.
Mal ou bem, vou tendo a minha casa mais ou menos arrumada, com as garrafas no sítio das garrafas, os livros no sítio dos livros, os discos no sítio dos discos e as panelas no sítio das panelas. É uma preocupação constante manter as coisas assim. A despensa é o sítio das despreocupações. É lá que está atirado tudo aquilo que não me preocupa, mas já preocupou.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Cantada falha



Capinaremos.com

07 dezembro 2014

De Zero a Ove

Luís Gaspar lê «Natureza» de Otília Martel


Ó espírito de inquietos e cândidos sonhos
que buscas na intemperança e volúpia do desejo
o calor da alma pressentida no júbilo da razão.

Deitas-te na terra húmida entre musgo verde e
adormeces na tempestade que o céu serenou.

Na terra orvalhada em chão de prata
onde o amor lavra e a chuva perdura
em palavras amenas que o coração dita
embarcas no sonho e na magia
que a neve da frieza em rocha dura não matou.

Não iludas o que aprouvera dos teus sonhos.

Falsa a magia do momento.
Na natureza nunca nasce a mesma água de parecida fonte.

Otília Martel
(Este poema foi retirado do livro “Olhos de Vida”, Edi. Monocromia e apresentado em Outubro de 2014)
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Uma boca



A minha boca é um túmulo de esperma.

Até este considerando nunca tinha pensado no meu estômago como um crematório.


Jesus Cristo e Betty Page


06 dezembro 2014

A hora que ninguém desconfia

«Soldado, Açoriano e homossexual» - por Rui Felício

Histórias da tropa

Numa altura em que tanto se discutem os direitos dos homossexuais, catalogando-se de homofóbicos todos quantos se atrevam a questionar as balizas e especificidades desses direitos, lembrei-me de um soldado que conheci na tropa, numa altura em que se ouvia falar num célebre artº 16º do RDM que não permitia a incorporação militar de homossexuais.

Soldado, Açoriano e homossexual

Terminado o C.O.M. em Mafra preenchi um papel onde indicava três quartéis onde preferia ser colocado depois da promoção a oficial.
Escolhi naturalmente Coimbra e em alternativa Aveiro ou Leiria. Simpáticos como eram os Senhores da Guerra mandaram-me para a Companhia Disciplinar de Penamacor. Era um quartel onde assentavam praça os mancebos refractários e aqueles que, não o sendo, tinham sido condenados por algum Tribunal civil antes da sua incorporação militar. Os oficiais milicianos ali colocados para darem instrução militar àqueles recrutas eram escolhidos dentre aqueles que, por algum motivo mesmo pouco importante, já tinham sido anteriormente convidados da pide, ali tendo deixado o seu registo.
Esta última parte não estava escrita em lado nenhum, mas as coincidências das histórias de cada um dos quatro aspirantes ali colocados tornavam evidente que a escolha não tinha sido casual. Estiveram lá comigo o Sá Carneiro (sobrinho do então “perigoso” líder da ala liberal ), o Zé Mota, parente do Magalhães Mota, deputado também da mesma ala liberal e o António Moreira, que tinha sido preso em Famalicão sob a acusação de ser comunista. Este último acabou por morrer em combate na Guiné...
Fiquei desanimado quando recebi a guia de marcha, não só por ser longe e sem meios de transporte capazes, mas principalmente por me dizerem que se tratava de um quartel de “presidiários”.
Hoje, porém, considero que o meu melhor tempo de tropa foram os três meses que ali estive. Só havia um pelotão de trinta recrutas e os aspirantes instrutores eram quatro. Logo dividimos pelos quatro as tarefas da instrução, o que significava que dando cada um, duas horas de aulas ou exercícios, ficávamos com o resto do dia livre.
Para além disso conheci, no meio daqueles soldados, verdadeiras figuras inesquecíveis e que muito enriqueceram o meu conhecimento da vida: ladrões, proxenetas, burlões, vigaristas ...
Lembro-me do simpatiquíssimo Cristo que obteve esse alcunha por ter o vício de roubar as caixas de esmolas e os santinhos das igrejas. Do Houdini que assim se auto designava por fazer desaparecer, num relâmpago, tudo o que de valor lhe passasse por perto. Do Clark Gable que engatava miúdas com o seu ar de galã e as punha a render em Lisboa em seu proveito.
Do Maestro que uma vez foi chamado pelo autarca de Penamacor porque o cofre da Câmara se tinha encravado. Em menos de cinco minutos, só com o ouvido a escutar os imperceptíveis estalidos das rodas dentadas do segredo, e um pequeno arame na mão, abriu a porta do cofre de par em par.
Recordo-me ainda, com alguma pena, do Velhinho já com 43 anos de idade e mais de 20 de tropa que, fugia e voltava a ser preso, de cada vez que lhe davam licença para ir a casa buscar a sua roupa civil para depois ser passado à disponibilidade. Disse-me que o fazia propositadamente, porque com aquela idade já não sabia encontrar modo de vida que lhe proporcionasse cama, mesa e roupa lavada.


Deixo para o fim o soldado nº 42 (Elias, de seu nome... ). Era visivelmente maricas. E tinha um jeitão para passar a ferro, coser botões e arrumar meticulosamente o quarto onde eu e o Sá Carneiro dormíamos.
Natural dos Açores, foi parar a Penamacor porque tinha sido condenado por um Tribunal açoriano, enquanto civil.
Costumava travestir-se de mulher provocante e sensual e, de conluio com um seu parceiro angariador de clientes, ambos abordavam os passageiros mais velhos dos aviões que faziam escala nos Açores, entre a Europa e os EUA, propondo-lhes, enquanto durava a paragem do avião, uns momentos de sexo com a “rapariga”, a troco de um punhado de dólares.
Nunca cheguei a perceber se os velhos americanos chegavam a ter tempo de descobrir o engano, mas isso pouco importava porque o pagamento era antecipado e o “travesti” era atraente...
De facto, o rapaz (!) não tinha pêlos no corpo, tinha uma carinha de menina e, segundo dizia, usava cabeleira e seios postiços que facilmente enganavam o mais pintado.
No quartel de Penamacor, atendendo ao seu visível jeito para as lides femininas, foi por nós escolhido como “impedido” no serviço de quartos dos oficiais. O que lhe conferia alguns privilégios na dureza da instrução militar.
À noite, era preciso “enxotá-lo” para sair do nosso quarto, dizendo-lhe que já não precisávamos dele. Mas, teimoso, sempre argumentava que não se ausentaria sem ter a certeza que “os nossos aspirantes” ficavam bem deitadinhos e confortáveis nas suas camas...
Quase que nos obrigava a despirmo-nos e enfiarmo-nos debaixo dos lençóis para então, sim, fechar a luz e sair para a sua caserna.
Chamávamos-lhe, em vez de Elias, o número quarenta e duas...

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Pedra com cristais com formas fálicas

Uma pedra que entra na sexão «o que não era suposto ser erótico» da minha colecção.

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Um sábado qualquer... - «Antes de Cristo 2»



Um sábado qualquer...

05 dezembro 2014

Homenagem

O gigante e a anoa


O raio da tedesca tinha uma senisga tão pequena que o meu Pacheco mais parecia um gigante num conto de fodas.

Patife
@FF_Patife no Twitter

«Malucos» - João

"O corropio parou. Os putos estão todos a dormir, finalmente, e nós encontramos a paz que por vezes parece faltar. São muitos, são os que temos a correr à nossa volta, a reduzir-nos a paciência, mas agora estão quietos, todos enfiados em mundos de brincadeira nos seus sonhos, e nós finalmente sós. Cansados, é certo, mas sós. Tarde, escuro, um sofá, e nós em cima dele, agarrados, como sempre, como gostamos. E tu mexes esse teu corpo contra o meu, e eu de nariz mergulhado no teu cabelo a tentar adivinhar o fruto que lhe dá cheiro, e começas a ronronar, João…, faz-me sentir aquela dor, e eu percebo, e eu sei, e os putos estão todos finalmente a dormir, e o sofá é nosso, e na cama não se fode, na cama repousam-se os cacos do dia, a foda, o nosso amor, é incerto no local, é imprevisto, é aqui, ali e acolá, e a noite avança, trepa sobre nós, e antes do cansaço vencer já estamos despidos e encaixados, já deslizo entre as tuas pernas e vejo-te morder o lábio, respiramos ofegantes, e ficamos por ali, deitados, a saborear o termo-nos vindo um com o outro, e antes que o frio vença, cubro-te com uma manta macia, tapamo -nos aquecidos, e acabamos por ficar por ali, deixando a cama vazia, preferindo o aperto do sofá. Talvez eu acorde a meio da noite caindo ao chão. Mas com sorte, talvez tu caias também, em cima de mim, e voltemos a dançar a nossa dança. Talvez pela manhã te prepare o pequeno-almoço. Talvez pela manhã digamos que somos um pouco malucos, que o corropio é imenso. Mas que malucos ou não, conseguimos."
João
Geografia das Curvas

«A conversar é que a gente se... fode?!»- Shut up, Cláudia!




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04 dezembro 2014

Cantiga malandreca de índia da Amazónia




Enviado pela Mamãe

Postalinho(s) do Aeroporto de Oslo

Nem tudo num aeroporto tem muita bagagem, nem tudo levanta e aponta ao céu. Em pleno terminal, esta... escultura - chamemos-lhe assim - é a tal excepção que confirma a regra de que há sempre para toda a regra há uma excepção. A... obra é do artista do artista Per Inge Bjørlo e insere-se numa série de várias, a que o autor chamou "Alexis". E da coleção - num documento oficial do aeroporto - que «com a sua presença sensual e retirada calma, as esculturas pretendem dar um sinal da mais comum experiência humana.» Ficam aqui 4 postalinhos de fotografias tiradas lá, desse exemplar da série "Alexis", no Aeroporto de Oslo. 





Carta de condução

Uma carta de condução das antigas... com surpresa no interior.
Uma das muitas brincadeiras da minha colecção.

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Postalinho da Aberta Nova


Esta malta gosta de oder por tudo e por mamada:

Bartolomeu:
A Berta foi para a fábrica
desejosa de trabalhar.
Ao chegar lavou a crica
Pró encarregado mamar.

A Berta é um portento
agarrada à ferramenta
E nunca perde um momento
Mesmo quando já não aguenta.

A Berta ainda é nova
Portanto, é sempre a abrir
Só pára ao ir prá cova
Mesmo assim, há-de-se ir, a vir.

Ó Berta, tu és tão Nova
Tão Aberta junto à praia
Dá-me da cona uma prova
Prometo não te sujar a saia

E do cu, dá-me um momento
De fantástico e puro devaneio
Para to meter todo lá dentro
Mesmo que só me peças meio

Vamos Berta, caga na fábrica
Vamos curtir pró areal
Esta vida é tão sádica
E foder não nos faz mal!

João Barreto:
A mãe da Berta que é velha,
no seu tempo, deu que falar.
Entre a alface e a segurelha
era sempre a aviar.

Marchava o ti Zé das coives,
Mai'lo mangano da venda,
E até à prima do Esteves,
lhe foi a provar a fenda.

Mas um dia abriu a fábrica,
e acabou-se a reinação,
Quando quer olear a crica
tem de fazê-lo tudo à mão.

Mamãe:
O Bartolo e o Barreto,
Vejam só o que não podem:
Bem querem comer a Berta,
Mas só rimam e não fodem.

O de cima quer uma prova
Da cona da Berta, aberta.
E ele, todo jeitosinho,
Não quer sujar sua perna.

Quer o cu da menina
E nem sabe o pau curvar,
Se vê uma cova aberta,
Corre para longe de lá.

O outro, de nome Barreto
É mais discreto nas facetas,
Se não tem uma cona à boca,
Com a mão bate punheta.

Vou-me embora, antes que apanhe
Do Bartolo e do Barreto.
Mas me escondo com a São.
Menina que vive no arreto.