10 abril 2005

Cabo Espichel

Naquele vento telúrico do Cabo Espichel, muito agarrado a mim, ele desabou o peso de suster a família e os problemas da mãe e dos irmãos e do cão. Mergulhei naqueles olhos negros fundos para sossegar o menino assustado que lá morava esforçando-me a esticar muito os braços, para lhe desenhar círculos no cabelo.
Puxei-o para as arcadas do velho convento e deixei que me encostasse à parede para sentir todo o peso e calor do seu corpo almofadado num blusão. Os seus beijos lânguidos e demorados faziam-me desejar desnudar o seu peito para descobrir os pelitos e lambê-los em sentido contrário até atingir o pescoço. Mas o caraças da t-shirt não ajudava nada e não era a hora mais indicada para lhe lembrar que uma camisa é muito mais fácil de abrir.
Vai daí e vendo a noite a baixar no horizonte, reclamei do vento e sugeri o quentinho do Opel. Entrámos no automóvel e em uníssono reclinámos os assentos. Ele abriu de par em par as molas dos meus casacos e fez os meus mamilos saltar do sutiã magenta para os seus lábios enquanto os meus dedos se debatiam com a fivela do cinto. Os vidros começavam a embaciar quando desabotoei o último botão dos boxers da Disney e os dedos esguios daquele moreno escorregavam em mim como folhas num escorrega aquático. Desci a minha língua ao seu umbigo, contornando a pirâmide que guardava na minha mão esquerda, para percorrer para baixo e para cima o vale entre os dois montinhos e voltar para abocanhar a cereja no topo do bolo.

Depois foi o ranger das molas numa desfilada de valquírias, presa na intensidade daqueles olhos pretos, até libertar um grito acompanhado de uma chuva de estrelinhas nos olhinhos como se tivesse fumado um charro. E continuaram os planos longos até eu me convencer que ecologicamente, eu não alinho em vícios.

Ex-libris eroticis

Os Manos Metralhas enviaram-me este miminho de ex-libris erótico.
Isto faz-me lembrar que ainda não tenho o meu ex-libris para pôr nos livros da minha colecção.
Ai, se o Luís Louro respondesse ao convite que o Luís Graça lhe fez... hmmm...

09 abril 2005

Desafio para 13 de Abril - Dia Internacional do Beijo

Diz o Ferralho que dia 13 é o dia internacional do Beijo. Propõe que marquemos uma chuva de beijos mesmo para esse dia.
O desafio do Ferralho: "A minha ideia era, assim, uma coisa abrangente; em grande! Que usando todas as artes e de todas as artes onde há beijos, chovam beijos na Funda São: os primeiros beijos, os beijos dos outros, os concursos de beijos, os beijos que fizeram história, os beijos mais claros e os mais negros, os beijos que sonhamos. Enfim, pensar no assunto! Que comece a caça ao Beijo."
E dá já uma (por agora):

Todos os beijos deviam ter alma
Beijos que voam, que gritam
Mas há beijos tão rotundamente mudos
Tão tristes, tão nulos
O sabor dos beijos não se explica
É dúbio o que um beijo é, exactamente
Um beijo nunca é o que pode estar a ser
Nunca, de um qualquer beijo
Se diz o que foi, completamente
Mas seja um beijo como queira ser
Em surdina ou segredando
Diz sempre um beijo por si
O beijo que ele próprio é


A Encandescente rebeija [eu não disse rabeja, que seria matéria para cuneto]:

Num beijo respiro
Num beijo morro
Expiro
Num beijo a tua alma inspiro
E num beijo ressuscito.
Um beijo sabe ao que dou
Um beijo é o que quero
um beijo é o que sou.
E em surdina ou segredado
Quando beijo fica claro
Aquilo que o beijo é!

O Vizinho idolatra-me [e sabe que eu gosto... hmmm....]:

Sempre que te peço um beijo
Em locais mais escondidos
Cara feia é o que vejo
Não sorris nem dás gemidos

Mas se em vez de t'os pedir
Os roubo sem dizer nada
Tuas pernas vejo abrir
E sinto-te logo molhada

Por isso já aprendi
Que os beijos que mais gostas
São os que descem por ti
Até ao fundo das costas

Um beijo alfacinha do ajcm:

Dia em que te num beijo
num será de marabilhas.
Atrabesso logo o Teijo
e bou almoçar a Cacilhas.


Uma vez que nada foi dito quanto ao sítio a beijar, o Fernando vem-se com um soneto que canta o melhor dos beijos:

Os teu lábios tão húmidos... Desejo
senti-los outra vez na minha pele,
carnudos e mais doces do que mel
afogueando-me o pau quando o arejo.

Penso na tua boca e todo arquejo...
Preciso urgentemente de papel
pois sinto humedecer-se-me o pincel
enquanto lembro o teu mais quente beijo.

Recordo, minha linda, a noite calma
em que, depois de ouvirmos Jorge Palma,
fomos os dois p'ra Sintra andar de coche.

Osculaste-me então num sítio louco
que eu, maravilhado, fiquei rouco
de tanto gritar: – Oh, que belo broche!
[eu sei que parece mais um brocheto, mas enfim...]

O OnanistÉlico continua a entaramelar a língua nos nossos sentidos:

Que vejo num beijo, vestindo-me em ti?
Nu.
Despindo-me na tua boca com a carícia gulosa do teu sorver, sabes-me-te-nos.
Prazer de ter-te decorada de mim, beijos que te beijam, que nos vestem num só.

Eu tenho que zelar pelas infraestruturas do blog. Ou não me chame São Rosas:

Com esses vossos beijos tão molhados
Empapam e pingam os cortinados
Atire uma pedra quem não peque
Mas... paguem a conta do Cinq à Sec!


O OrCa tardou mas odeu:

Beijos?
Onde? Como? Quando?...
Ainda venho a tempo ou já findaram?
Beijos mil?
Só mais um, se me deixarem
E serão mil e um os que beijaram

Tu, aí, chega cá p'ra que beije
Esses lábios tão belos
Sensuais
P'ra que sacie esta fome
Este desejo
De beijar teus outros lábios
Tão iguais
Quanto daria eu p'ra ter o gosto
De provar esses teus gostos
Desiguais
Pois beijarei os lábios belos do teu rosto
Mas de rastos beijarei os outros mais.


E tu, onde estás que não te beijo?...

Que trazes tu aí no teu regaço?...


(questão colocada pelo Guilherme V.)

Salão Erótico de Lisboa - será que nos deixam entrar?

O meu Coneto

Já mandei para o Erótico Salão
preenchendo o respectivo formulário
com a devoção devida a relicário
o meu pedido de credenciação

Se referi querer 'screver prà Funda São
presumo que ninguém vá ser otário
e entrar na loucura ou em desvário
de dizer sem temor: 'Agora não!'

Sendo assim, no fim de Junho lá 'starei
pena na mão e olhos bem abertos
com a postura digna de um rei

São quatro dias de folia, eu bem sei
mas é trabalho, disso estejam certos
4 de Julho vão ver que me esfalfei

Foi o que se pôde arranjar. Ainda estou em choque. Na TVI dava um programa de traições, em vários canais política. No 18, a Monica Covet sodomizava mocinhos.

08 abril 2005

À flor da pele

foto: Reinhardt Otto

Tenho tantos poemas de amor na pele
À flor da pele
Que só a minha pele não chega
E tenho de os escrever na tua.
Tenho tanta paixão dentro
Que o meu corpo não a comporta
Porque é só um corpo
Por isso no teu a derramo
Dividindo-a por dois.
Tenho tantas palavras por dizer
Que a voz se me embarga
As palavras se atropelam
Por isso te beijo
As digo na tua boca
As guardo em ti.
Para que sendo dois
Digas as palavras
Quando me atropelarem
Quando a voz se me embargar
Quando me sufocarem a mim.

Encandescente
Para mais delícias: Erotismo na Cidade

Porque será?...

O Dupont, do blog Vilacondense, apresenta-nos o rei dos cornudos...
... uma página especializada em pornografia com bonecos Lego...
... e indica um sítio onde se questiona:
- Porque será que as sex-shops nunca mostram bonecas (M/F) insufláveis... insufladas?
A resposta está lá e é evidente.

(esta é a Houston... em plástico)

Sarah Silverman - Jesus Is Magic

"Eu estava a lamber geleia do pénis do meu namorado quando..."
... o que terá acontecido?´
Aprecia este sketch (em português sketch) de stand-up comedy (em português comédia tomada de pé) de Sarah Silverman (em português Sara Homem de Prata):
"Jesus is Magic"

Questão de casa de banho

Ó Manela, tu nem me fales!... Os homens são inconfundíveis naquele resmungar de chega para lá porque estamos a ocupar espaço na casa de banho deles. Mesmo que tenham o dobro do nosso tamanho e sobretudo, da nossa largura, nunca é o rabo descomunal deles que está a impedir a passagem entre o lavatório e a sanita, não!... Nós é que temos sempre a triste ideia de estar na casa de banho quando eles lá querem estar.

Ai Manela e aquele arrepio que lhes salta dos olhos quando lhe vemos a pilinha enquanto estão a urinar ou a lavá-la no lavatório ou no bidé, como se a virilidade se esvaísse pelas nossas vistinhas...

E nem pensar em fazer da casa de banho um local de alegre convívio como os romanos eloquentemente faziam nas suas casas de banho públicas que isso é mesmo um crime de lesa-pátria. Não os imaginas logo Manela, a balbuciar e a grunhir até rebentarem no fatal «Não vês que me estás a incomodar?...». Isto já para não falar da maior das blasfémias: a sugestão do duche conjunto contra o dogma de juntos na banheira só para quecas. Ficam irritadíssimos por nos passarem o champô, por nos emprestarem o chuveiro ou, simplesmente, por estarmos a ocupar um espaço que para eles, já mal lhes chega .

Ó Manela, na minha opinião só te posso dizer que a maioria dos homens apresenta um defeito de fabrico: falta-lhes o chip de partilha de espaços.

07 abril 2005

Descobre a semelhança


O Cambralenta acha que é difícil escolher entre estes dois papinhos...

Rabosódia de cunetos e conetos

Já estou a ver a publicidade à funda São na televiSão:

"Um coneto p'ra ti...
um cuneto p'ra mim...
olá, olá...
e a pila sorri!"
Agora a sério .
O OrCa vai levar este blog à fodência. Diz o Fernando:
"No jantar blogueiro de 2 de Abril referi ao OrCa que entre os meus sonetos tenho um escrito há quase quatro anos a que chamei Coneto. Tenho resistido a publicá-lo no meu blogue e o OrCa aconselhou a publicá-lo aqui.
Pois cá chegado vejo que o OrCa escreveu um Cuneto. Esta merda está mal. Apesar de a palavra ser diferente soa ao mesmo, pelo que vou cobrar direitos de autor pela homofonia (não confundir com homofodia)."


Ao abrigo do direito de resposta [quero com este eufemismo dizer que fiquei acagaçadinha de medo] aqui fica o belíssimo [não é graxa... ou melhor, também é] Coneto do Fernando:


Eu canto a bela cona, a cona ardente,
a cona que é em fodas viciada,
a cona que só espera ser regada
por torrentes de esporra espessa e quente.

Eu canto aquela cona tão fremente,
a cona que ambiciona ser esfregada,
que sonha ser fendida e esfodaçada
por mim, por ti, por ele e toda a gente.

Ó cona que não páras de pingar,
buraco fundo, húmido, obscuro,
deusa que não me canso de cantar;

jamais te deixarei morrer à míngua,
que à falta de caralho grosso e duro
bem saciada serás a dedo e língua.

O OrCa apela ao direito de resposta à resposta para oder o coneto com mais um cuneto [é fodido, Noé? Mas é erótico]:


Fernando, Fernando, ode lá tu c'o coneto
Que em mim gerou tão intensa inspiração
É verdade! Foi ele! Mas cuneto não é coneto
'Inda que ambos nos celebrem a função

O coneto é de lábios, humidades
E atravessa entre as pernas quando ode
Que o cuneto vai mais de rotundidades
E se dá de apertar é um quem-m'acode!...

'Inda assim bem fizeste em teres-te vindo
Ó Fernando, mergulhar na Funda São
A trazer-nos esse teu coneto lindo
Que dará muito trabalho a muita mão!...

Se o OrCa ode, O Fernando pode:
- Não posso deixar de exercer o meu direito de resposta ao direito de resposta ao direito de resposta ao direi... já me perdi, foda-se!
Pois o caro OrCa argumenta que coneto e cuneto são diferentes, tentanto esquivar-se ao justo pagamento de direitos de autor homofónicos. Pois para mim são o mesmo, e o OrCa, mais dia menos dia, pagará direitos sim e homofódicos. Passo a explicar:



Ó OrCa, que és cetáceo inspirado,
não posso perdoar o teu delito:
em que difere papar traseiro ou pito
se ambos são acepipe refinado?

Quando esganam caralho é tão bonito
ver as bordas deixarem-no esgaçado...
E se os dois dão prazer ilimitado
eu como qualquer um. Não sou esquisito.

Por isso aqui prometo, meu amigo,
que um dia sofrerás duro castigo
(eu de pé, tu dobrado na poltrona).

Se pra mim são iguais, tanto melhor,
porque não deve haver prazer maior
do que comer o cu a uma OrCona.

Ao abrigo do abrigo do abrigo... o OrCa ode:


Fernando, Fernandinho, tu nem tentes
Que não ode um cetáceo quem quiser
E se tu ficares de pé será melhor
Que acauteles o posterior quando te sentes

Pois ao quereres ter o OrCa assim dobrado
Tu não topas deste corpo que é tão belo
O ingente bacamarte, desmesurado
Que dobrado ‘inda é pior que se singelo

E dobrado, retorcido, perturbante
E hiante com a fúria de altos mares
Em se vendo ameaçado é retumbante
E “amanda” cus e pitos pelos ares

Mas odamos, caro amigo, a preceito
Ou por trás, ou pela frente, ou de outro lado
Tu conetas, eu cuneto, tudo a eito
O que importa é passar um bom bocado!

O Fernando lá se vem com o direito de resposta restante:

Podemos ficar nisto a vida toda
fodendo-nos a torto e a direito...
Como tu, já nasci insatisfeito:
não me basta uma só sessão de foda.

O teu talento não me incomoda,
e aceito até que é falta de respeito
querer comer assim de qualquer jeito
um gajo que até sabe bem da poda.

Ninguém como tu ode, ó OrCa linda,
e se eu coneto bem, tu bem cunetas,
pois não temos carência de tesão.

Por mim dou a disputa como finda.
Vamos mas é deixar-nos destas tretas
e comer o cuzinho à funda São.

Ai eu sou atacada e fico-me sem me vir? Nem piçar! Eu não me chame São Rosas se não vos oder também:
Que bom! Que bom! Vou pôr-me a (vosso) pau
mas temo que possa ficar à míngua
caso a vossa ginástica de língua
carências vos causar no pirilau.

Em mim terão ninho que vos aloje
mas saberei também ser muito má
se em vez de um bom ménage à trois
forem os dois jogar ao «fode e foge».

Venham-se a mim os dois porque sou funda
e mais um batalhão, que a bunda abunda
num método de senha numerada.

Não deixemos o corpo andar à toa
odamos até que o orgasmo doa
antes de sermos pó, cinzas e nada.


O Fernando não quer que a gaja seja a última a vir-se:

Minha linda, querida e funda São,
gostei da referência à Florbela,
e mesmo que não odas mais do que ela
só tu é que me enches de tesão.

Tu exprimes com encanto e emoção
a gana de foder – grande cadela! –,
a ânsia de levar na cona e vê-la
ressumando langonha pelo chão.

Quisera eu ter caralho resistente
que se aguentasse em pé eternamente
pra poder consolar-te, minha porca...

Mas saciar o teu esfaimado pito
e ofertar-te um orgasmo infinito,
só com a ajuda do amigo OrCa.

E o OrCa também não (São ambos uns cavalheiros, ai não, conão São):

Não que faça questão de ter de mim
A palavra derradeira na função
Mas sabeis bem que a vida é assim
Nem sempre o vento nos sopra de feição

Vem ao caso que neste fim de semana
Estive longe destas artes do rimanço...
Não importa, já que o corpo pede cama
Mas a cama é do melhor para o afundanço

Apaziguados então que todos estamos
E espantado como estou do poetar fixe
Estou contigo, Fernando, à São vamos
E faremos desta São a sanduíche!

sequiosa

foto de Sarci

sinto a boca sequiosa
de paladares conhecidos
sinto desejo de tocar
a tua pele doce e macia
de a percorrer num beijo
de a saborear lentamente
não consigo controlar
a minha língua em fúria
em cada volta que dá
é o teu corpo que procura
sinto vontade de me refrescar
nos teus espasmos de prazer
de sorver o teu néctar
que acalma a minha sede

06 abril 2005

Outra Porta de Ti




De tanto te querer na pele quis sempre tudo
No desejo que em mim trazes acerado
Dá-me o gozo de um afago tão carnudo
Almejo querer-te esse presente abobadado

Vibro em mim neste gosto antecipado
De ser libertado num aperto mais cerrado
Perco-me em ti num amplo gesto incendiado
Pela magia de outro portão escancarado

Em húmidas doses de gozo e de ternura
Inebrio-me no teu botão desabrochado
Alço-te firme, em esplendor, o desejado
E abandono-me à vertigem do achado

Ferralho

O Ferrénis pensava que aqui se livrava de ser odido pelo resto do maralhal:

Há aqui um amar forte e profundo
Aqui, sim, mesmo aqui, cá deste lado
Um amar tão concreto e tão rotundo
Que presumo ser um amor bem entalado

Ah, quem negue ao amor descobrir rumos
É decerto alma vil de mau contento
Jamais tendo a experiência desses sumos
Que vêm tão de nós, de cá de dentro

E interessa que assim seja pois enquanto
Se penetra pela porta mais acima
Se não houver o sumo, haverá pranto
Ou então... tentem comprar vaselina...
OrCa

Bem haja abóbada divina, sistina da minha capela onde me verto em acções e ora pela diviSão
que das partes tenho sentido,
e se parto não quebro no encosto que é meu!
Teu também, nosso afinal, final encurvado num abraçar-te a dois, recto prazer duma porta não, fechadura que abro com a meiga chave, ranger que bebo com satisfaSão.
OnanistÉlico

Como resume a Maria Árvore,
Vós sois tão poeróticos