16 março 2011

Mudança de hora - um postalinho do Katano

Até agora, a petição «Não à mudança de hora» tem (apenas) 135 assinaturas.
Será que de mais de 10 milhões de portugueses, só 134 pensam, como eu, que a mudança de hora não se justifica economicamente e, em termos de saúde e bem estar das pessoas, é prejudicial nos períodos após cada uma das duas mudanças de hora anuais?!

O Katano, homem de causas e estratega nas horas vagas, enviou-me este postalinho:

"Uma vez que se aproxima o dia em que mudamos para a hora de Verão, é uma excelente janela de oportunidade para divulgar a causa e angariar assinaturas para a petição, dando-lhe mais força.
Para maior alcance proponho:
1 - Que todos publiquem um artigo no seu(s) respectivo(s) blogue(s) com o mesmo título que deverá ser algo como "Mudança de hora", uma vez que muita gente irá procurar isso no Google durante a semana ANTES do 27/3. Em todos esses artigos, com mais ou menos texto, coloca-se um link "Não à mudança de hora" que direcciona para a petição. Com isto teremos o Google a ajudar a causa.
2 - Criar uma página e um evento no Facebook "Não à mudança de hora" e convidar todos os nossos amigos a aderir. Ao mesmo tempo, ir partilhando os conteúdos que forem sendo publicados nesse evento e/ou nessa página.
Alguém tem um vídeo ou um link para um artigo de saúde que fale nisso?
Beijoca na passaroca
Katano"

Toma aí um artigo sobre a saúde e a mudança de hora.



Página da Petição


E sabeis o que penso da mudança de hora? Sabeis, sabeis?

O julgamento


Perdera a noção do tempo desde que tinha sido arrastado durante a noite, a caminho do seu carro. Não tivera sequer tempo de abrir a porta quando nos vidros se desenhavam as sombras de quem vinha correndo por trás para o apanhar, encapuçar e arrastar, debatendo-se. Havia sido capturado em escassos segundos, atirado para dentro de um carro que não o seu e levado estrada fora sem conseguir sequer saber quem o tinha como refém. Não havia uma palavra, nenhum som que denunciasse os autores, apenas uma sensação estranha de uma força macia. Uma força que não conseguira contrariar, mas músculos que não eram de todo de betão, gestos que não eram brutos. Apenas firmes, e sobretudo muito determinados.
Perdera a noção do tempo dentro daquele quadrado. Estimava que não seriam mais do que dois metros de lado, com uma porta e um estreito beliche. Parecia-lhe mais um quarto de arrumos do que uma cela. Quando a porta se abriu, entraram vultos de rompante, todos de negro, que se precipitaram sobre ele e o vendaram, e depois arrastaram de novo para uma cadeira à qual prenderam. Era inútil debater-se. Se os músculos continuavam a não ser de betão, se os gestos não eram brutos, eram de qualquer modo numerosos, e pela simples matemática sabia que nada havia a conseguir-se em lutar contra aquilo. Se alguma oportunidade surgisse, agarrá-la-ia. Mas naquele cenário era melhor manter-se quieto, e tentar descobrir o que estava a acontecer-lhe. Se várias horas ou já mais do que um dia, não sabia dizer. Não tinha tido luz que lhe dissesse como tinha o Sol corrido desde a sua captura, e da chegada ao pequeno quarto escuro não se lembrava. Teria sido forçado a um sono profundo de uma qualquer forma, mas nem isso habitava as suas memórias recentes.
O corredor devia ser longo, embora com muitas esquinas, porque a cadeira onde o tinham amarrado era empurrada há já alguns minutos, e tinham ido contra as paredes algumas vezes. Estava convencido de que apenas para o castigar, a não ser que o corredor fosse tão estreito que não se conseguisse fazer uma curva sem embater nos rodapés. Mas se assim era, empurravam-no sem doçura, nem para ele nem para os rodapés. Podia ser, talvez, um canal para a fúria. Deixar no material as marcas que (ainda?) não tinham deixado nele. Finalmente detiveram-se. Ouviu o rodar de uma chave e o chiar de uma porta a abrir-se. Com isso veio outro som, o de gente a agitar-se em cadeiras, a densidade do ar parecia outra, como se tivesse vindo de um espaço profundo para um outro onde o ar circulava. Foi empurrado de novo, vendado, numa distância que lhe pareceu bastante mais curta. Notou que lhe travaram a cadeira porque lhe parecia bastante fixa, já não oscilava. O ruído que tinha escutado cessara. O silêncio era quase dominador, sobrando apenas o barulho de alguém que se afastava e era, claramente, uma mulher. Só podia ser uma mulher, porque aquele som era o de saltos que se moviam sobre madeira. Mas não tinha ouvido saltos em momento algum, só podia ser alguém que já ali estava no local onde a cadeira seria imobilizada. Distinguiu claramente esses passos a descer, ou a subir, um pequeno lanço de escadas. Nota-se bem, porque o som ecoa mais. Tinha ficado alguém perto dele, imóvel, porque sentiu uma mão tocar-lhe a nuca e puxar o laço que fixava a venda, que caiu sobre o colo. No escuro há muito tempo, sabia lá ele quanto, custou-lhe recuperar uma visão precisa do espaço à sua volta. Cerrou os olhos incomodado pela luz e foi, lentamente, tentando mantê-los abertos, crescendo nele o assombro à medida que completava a imagem perante a qual estava presente.
Agora que podia ver, tentava entender. Estava sentado, preso a uma cadeira de rodas para conveniência dos seus captores, exactamente no centro de um grande palco de um anfiteatro. À frente dele, os seus captores. Os prováveis autores morais da sua captura. E podia agora precisar. As captoras. Todo o anfiteatro estava ocupado por mulheres. Mulheres que ele tinha conhecido e de quem tinha sido amigo, todas aquelas a quem tinha em algum momento feito algum tipo de elogio ou dirigido um cumprimento, todas as que o tinham lido, naqueles seus farrapos de escrita, todas as que tinham sido fotografadas por ele, todas as que tinham visto as suas fotografias como meras espectadoras, todas as que o tinham ouvido falar. Apinhavam-se em lugares que pareciam poucos para tantas mulheres. Como podiam ser tantas assim? Não tinha ideia. Não podia ter ideia do número. Era assombroso.
Uma delas, talvez aquela que tinha caminhado de saltos sobre a madeira, momentos antes, estava em pé, junto a uma coxia, e iniciou as hostilidades. Disse o nome dele, que não reproduzimos, e declarou-lhe algo como “estás aqui para ser julgado. Para ouvires todos os crimes de que te acusamos. Todas nós te diremos o que nos fizeste, e no final conhecerás a tua pena”. Era de ficar assustado. E ficou. Uma a uma foram tomando a palavra e descrevendo aquilo que, para elas, eram crimes pelos quais precisava pagar. “Por todas as vezes em que me disseste que estava sexy e não me tocaste, não te chegaste a mim e não respiraste junto ao meu ouvido”. “Certa altura vesti, de propósito, meias pretas opacas para ti, com um vestido de morte, e tu não mo subiste, não passaste as tuas mãos pelas minhas pernas, não me arrancaste as meias nem me fodeste ali mesmo, apesar de estarmos sozinhos”. “Como foste capaz de tocar-me as costas, quando nos aproximavamos para um beijo de cumprimento, e não perceber que sempre que o fazias eu me chegava mais perto e que tremia com o teu toque?”. “Como foste tão estúpido ao ponto de não perceber que quando eu me despia para ti, quando abria as minhas pernas para veres melhor, era um convite a que me penetrasses, depressa e em força?”.
Foram horas a ouvir acusações. Estas e outras. Algumas muito parecidas com as anteriores, outras muito díspares. O incómodo era crescente. A primeira a falar tomou, de novo, a palavra. O rol de acusações parecia estar terminado. A primeira a falar disse, então: “Acusamos-te! Consideramos-te culpado de nos teres feito sentir mulheres. És culpado de ter cativado as nossas atenções, de teres entrado nos nossos quartos escuros. És culpado de ter tocado os nossos corpos e ter arrepiado as nossas peles. És culpado pelo humedecimento inconsequente das nossas genitálias. Culpamos-te pelos arrepios na nuca, pelos arrepios nas raízes dos cabelos, pelas despesas que fizemos em roupa para te atraír. Culpamos-te pelas massagens que nos fizeste sem ir mais longe, quando em nós tudo era já fantasia. Culpamos-te por nunca nos teres fodido, deixando-nos fodidas por não nos foderes. Culpamos-te por tudo isto e por todas as outras coisas que não ousamos sequer admitir. És culpado. E não tens direito a apelo. Como pena, expulsamos-te dos espaços onde entraste”.
Fez-se silêncio. Sepulcral. Assustador. E não aconteceu nada. Deixaram-no sentado, amarrado a uma cadeira com fita adesiva nos punhos e nos tornozelos, enquanto deixavam vagos os seus lugares no anfiteatro. A pena era, afinal, esta. A de conhecer os seus crimes e ser ignorado a seguir. O degredo.

Lágrimas Alheias II

Será um simples abraço suficiente para amaciar a contundência daquilo que tens por dor, que semi-encerra o discernimento e a felicidade que te habituaste a viver?
A escolha de percorrer o nosso próprio trilho, decididamente não olvida a observação que, com auxílio, possa ser feita ao espaço que circunda as nossas vidas.
Recorda (como me habituaste a recordar) que a sinuosidade de um caminho é imediatamente subvertida pela presença de quem - mão na mão - o percorre connosco.
Poderá haver algo mais, uma palavra ou uma acção que agidas no âmago, dêem calor.
Dar-tas-ei sempre...

Shooting Well #2

Para quem prefira, a versão original da #1 já publicada. Foram estas as tonalidades da Miss Joana Well.

Hífen pelo meio




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15 março 2011

Contos de BaR...

... descobrir-lhe os clítoris que existem numa mulher sob todos os poros da pele...

Há quanto tempo não me trespassava aquela sensação adolescente.
Vocês sabem, é já tão clássica...
Vê-se um homem sentado diante de uma senhora que está, ou que chega, com o seu acompanhante. Costuma ser um tipo que conhecemos mais ou menos bem, ou se calhar nem por isso. Às vezes é a tal pessoa do bom dia no café da manhã ou o caixa do Banco onde vamos (ou temos de ir) amiude e que chegou há pouco ou outro ser qualquer que emerge das coisas indiferentes das grandes cidades e que naquela ocasião, sem saber-se bem porquê, nos vê naquele Bar e resolve sentar-se connosco à volta de uns "Scotch-on-the-Rocks".
- Olá, por aqui?! Então que tal?.... Está à espera de alguém, ou podemos...?-
- Não, façam favor… é um prazer… sou Carlos e você… é? Ah, muito prazer…mas sentem-se. O que querem tomar?.-
Uns sorrisos e umas coisas de circunstância, -Sabe, moro aqui próximo, e você? Se não me engano é para estes lados, não é? -
Depois vem a segunda rodada, a língua solta-se e a conversa trepa. Uma hora mais tarde, já o terceiro está na agonia da calote polar a descongelar dentro dos copos altos e a pedir uma urgente acção Escocesa contra o aquecimento global. Copos renovados, gelo até ao cimo e um pires de frutos secos e pipocas com sal.
- É pá, você sabe lá o que me aconteceu há dias lá no Banco? – continuaria o tipo se fosse bancário, mas calhou ser da repartição de Finanças onde tivera que deslocar-me nesse mesmo dia: - ... Já era a quarta vez que aquela senhora me tinha telefonado no espaço de uma hora, a perguntar por mim e eu a mandar sempre a dizer que não estava. Você conhece o género, não se lhe pode dar trela e o chefe da repartição é novo, quer mostrar serviço e põe o pessoal a bulir que nem uns mouros. Mas o sacana do Filipe ou não sabia ou fez que não sabia - sabe como é essa coisa agora do desempenho - descaiu-se e lá tive que ir e…-
Falava ininterruptamente, quase sem dar espaço para réplica enquanto passeava o olhos por entre as outras mesas, retornando o olhar para os interlocutores para regressar novamente para o balcão e os outros frequentadores, enquanto entre dentes uns cajus mastigados rodavam entre dentes e sons.
Foi aí que de repente senti o toque suave a subir pela ponta das calças, o dedo grande a levantar o tecido enquanto a parte interior do pé subia levemente dois ou três centímetros pela nudez da minha perna.
- … Já viu o que é, ter que estar com o telefone encostado ao ouvido e mexer no teclado? Bem, foi uma barracada… Acabei por nem fazer uma coisa nem outra…-
Olhei de soslaio para ela, que se fingia de distraída pelos trabalhos em tinta da china, elaborados no registo sensual, com que o dono do “Copus” tinha decidido decorar as paredes do estabelecimento. Descalcei o meu sapato e os dedos, subitamente acordados para o espaço, procuraram os seus. O tagarela tinha-se calado e mastigava uns cajus enquanto despia uma tipa que tinha acabado de entrar e que ficara junto ao balcão. Olhou para mim e piscou o olho: - Boa, no linguajar de qualquer gajo.
Agora o pé dela estava exactamente no meio das minhas pernas. Não resisti e, súbita mas discretamente, desci ambas as mãos sob a mesa, segurei-lhe por instantes o pé, acariciando-o, enquanto a mirava sentindo-lhe a feminilidade toda imersa em mim.
- Sabe, amigo - voltou-se ele, subitamente de regresso ao argumento… Desculpe, não fixei o seu nome...
- Carlos, respondi quase a engasgar-me…
- Ah sim, Carlos, já me tinha dito, mas eu… Epá, naquele dia saí de lá era quase meia noite, tá a ver? E depois não é só isso,…-
O pé ora carregava um pouco sobre a dureza da erecção para regressar depois às leves passagens de veludo onde o toque, de tão leve, era terrível e excitantemente quase apenas sugerido. Um deslize entre margens de músculos e sonhos, nascentes de aves loucas de tantos fogos incendiadas…
Fechei os olhos durante uns breves segundos em que a conversa sobre IRS, taxas e multas soaram a cento e cinquenta mil anos-luz e voltei a abri-los para encarar dois olhos fascinados, felinos e terríveis no seu sorrir a sobressair do copo. Imaginava-a nua, os meus dentes a percorrer-lhe o pescoço e ombros, a língua a passear-se pelo poema dos seus peitos, os dedos a desbravar e a descobrir-lhe os clítoris que existem numa mulher sob todos os poros da pele e fundi-la finalmente, num abraço, num único instante interminável e profundo de sexo intenso...

Um estremecer surdo e interior percorreu-me todo o corpo. Apertei a bebida, mordi o lábio e olhei para o tecto em tijolo que caiu sobre mim em milhões de estrelas quando as pálbebras em cortinas fechadas se abriram para o mais profundo infinito interior. Deixei-os ficar assim durante mais uns segundos, os mesmos que duraram o Big Bang: dizem que foi menos de um quarto de um milionésimo de segundo, mas eles sabem lá o que é um segundo quando apenas existe a Eternidade e não há ainda mundo a girar à volta dum sol, aprisionado no tempo que depois de dividido por essa ínfima expressão da matéria - o Homem - em milhares de milhões de bocados, dá para fazer os Segundos de toda a História do Universo.
- Você parece estar com sono - interrompeu o tagarela.
Abri os olhos para o copo que se aguentara na mão e bebi um golo lento, respirando profundamente depois.
- Não é nada - respondi - de vez em quando sabe bem fecharmos os olhos e olharmos para… o infinito, não sei se me entende.
- Oh, se entendo… - respondeu, dando pelo levantar do indicador e a expressão do rosto a indicação nítida de que iria dissertar sobre o tema.
- Querido… adiantou-se ela evitando ter que interrompê-lo, enquanto ao rodar o corpo na direcção do companheiro acabava de fechar as pernas, acabando assim de rejeitar o pé que eu lhe acabara de colocar sobre o púbis.
- Desculpa , mas precisava de ir-me embora.-
Olhou-me uma fracção de segundo, regressando depois para ele.
- Sabes como amanhã tenho que estar lá cedo…

Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos - um livro chamado Joana

Postalinho recebido de fresco, à moda de press release:

- Estou sim, boa tarde.
- Sim, gostaria de fazer uma marcação com a Miss Well. Ela está?
- É a própria. E para que horas seria?
- Para as 16, se lhe for possível...
- Concerteza, cá o espero.

Nos últimos anos foi assim. Miss Joana Well fazia do sexo pago a sua profissão. Sempre a desejar e a intuir algures no tempo evoluir o suficiente na escrita poética para que pudesse fazer dessa conduta a sua vida, nunca desistiu de se aperfeiçoar utilizando como temas os mais variados acontecimentos da sua vida e das que a rodeavam.
Hoje, uma vez dissociada em corpo daquilo que manteve no personagem, Miss Joana Shag Well é um heterónimo com uma experiência de vida carregada de peculiaridades e emoções e que acaba de ver o seu primeiro livro editado.
Joana Well, a autora que reveste socialmente e literariamente o corpo de alguém que reluta em desistir, é a Marioneta que se expõe nas redes sociais, no blog que lhe serviu estes anos de terapia, ou apenas de equilíbrio profilático, para que o seu primeiro livro «Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos» deixasse um dia de ser um singelo sonho para se revestir da mais bendita realidade que lhe dá hoje o ponto de partida para uma carreira que se augura gratificante.

"Aqueles dedos que me arrastam. Vejo as mulheres
atravessadas pela noite, pelas ruas, pelo desejo alheio
sem nome nem afecto. A dignidade, a humilhação, o
medo, a coragem; o escuro, a luz do candeeiro; a
transpiração e os seus cheiros; os mendigos, os
monstros, os homens; o frio e o calor; a decisão e a
indecisão; homem bom, homem mau, homem nada;
ser, não ser; agora também fui aqui e também soube
chamar com a sensualidade, seduzir sem desejo o
desejo de quem não queria ter em mim.
(...)
Vou. Desta vez sou tu. Qualquer tu que me seja dado a
ser. Tenho fios nas pernas, nos braços, nos dedos, no
rosto, na boca; sou uma marioneta. Não me arrastam,
penduram-me. Algumas vezes, cortam-me. Chamam-se palavras."

«Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos» é um livro sob a autoria de "Joana Well", editado pela Apenas e que pode ser encomendado no website da Editora: http://apenas-livros.com/pagina/apenas_de_cordel?id=419

E só custa € 4.00.
Recomenda São!

Uma lágrima

Toda eu sou uma lágrima
extravasando do interior
e escorrendo pelo meu corpo

diluindo-se vagarosamente
completando um ciclo vagamente
disperso até me fazer soluçar

uma lágrima salgada
caminhando por entre os sulcos
que me deixam as mágoas

toda eu sou lágrimas
transbordando das margens
à procura de um rumo...

Poesia de Paula Raposo

«Abreijo»

Pequena escultura (8 cm de diâmetro e 6 cm de altura) escavada à mão em pedra-sabão e assinada por baixo ("Nelij"?).
A partir de agora, estes dois abreijoqueiros ficam bem aconchegadinhos na minha colecção.



14 março 2011

Pinguços São eles!

Um destes dias estava eu em repouso, que aproveito para meditar (para me deitar...), quando me ocorreu outra vez a falta de dignidade com que se tratam os assuntos com pila.
Nem mesmo os mais interessados, os coisos agarrados a nós, se revelam capazes de pugnarem pela dignificação do símbolo da sua masculinidade e alinham em paródias sem jeito nenhum.
Em causa está, por exemplo, a delicada questão da sacudidela depois de um chichi. Dizem eles que por mais que se sacuda, a última gota é sempre das cuecas.
Tá mal.

Das duas uma, ou assumem que não sabem sacudir em condições ou deixam-nos (as pilas) ganhar uma reputação de pinguços que é tão injusta quanto involuntária.
É uma questão prática: nós pilas não possuímos os meios para procedermos a uma sacudidela e isso deveria ser óbvio para os coisos agarrados a nós. Mas não é. E por isso nos deixam nesta figura ridícula, com a pinga a manchar-nos a reputação quando são eles, os coisos, que com a "pinga" nem conseguem apontar a mira para uma abertura de sanita onde até com um canhão de água seria difícil não acertar...

O ponto de vista de uma vagina

Monogamia

Nem sabes tu meu Amor... como repugno a ideia de conspurcar o sentimento que te tenho com apenas o toque de outra pele feminina no meu corpo. Jamais deixaria que outro peito - por via de umas quaisquer mãos - batesse por ignição ou mera sugestão minha. Seria definitivamente um irremediável sentimento de violação que não pretendo conhecer.
Conheço sim o toque do teu corpo, o bater do teu peito em uníssono com as palavras ternas que proferes a todas as ocasiões do dia. São perfeitas badaladas.
Conheço sim o eriçar da tua pele quando se junta aos meus dedos; aos meus lábios quando procuram o berço percorrendo cada centímetro numa cegueira de luz.
Conheço o som soluçado do teu êxtase e o esquecer momentâneo da respiração enquanto contorces o corpo em taquicardia de prazer.
É só o que preciso de conhecer. É só o que quero viver.

x - Évelyne Louvre-Blondeau



le blog d'Évelyne Louvre-Blondeau

13 março 2011

Sexo com narrativa?!

«Indecisão» - por Rui Felício


Não sei se me quero deixar levar por este desejo novo e inesperado que me surpreende, não sei se quero viver até sorver esta quimera que parece dizer-me: “venho questionar as tuas certezas demasiadamente ancoradas”.
Como recusá-lo? Negá-lo é demasiado fácil e demasiado difícil ao mesmo tempo...
Recusa-se um copo de champanhe? Sim, parece que às vezes devemos afastá-lo, com o argumento de que se quer evitar a dor de cabeça ou a indisposição que se lhe pode seguir. Se o recusar, resta-me o prazer de admirar a textura do vidro, a observação do liquido efervescente, a contemplação da sua cor subtil, a captação das exalações capitosas que dele emanam. Sem nunca tocar nem provar o divino néctar, terei roçado, apenas virtualmente, o suave deleite que me invade como um maléfico mas gostoso veneno. Mas, incompleto, sabe-me a frustração...
O meu lado cartesiano diz-me: São futilidades! Reage! Esquece!
O meu lado físico, carnal, incapaz de resistir à tentação, responde-lhe: Descartes, deixa que o corpo se entregue a este convite tão sedutor. Em plenitude!
Suspiro, sim suspiro. Suspiro de impaciência porque o recuso, mas suspiro também de esperança no meu ardente desejo de concretizá-lo.
Estranho esta vontade meio etérea, meio real, que emergiu de repente de nenhum lado, ou, melhor dito, de nenhum lugar preciso. E no entanto, eu já antes conheci este desejo muito físico, muito desconcertante, sem nunca o saciar.
Conheço a dor e o tormento da indecisão. É normal quando se é jovem. Na juventude, ela explica-se pela natural timidez, pela inexperiência e pelo receio da novidade. Nesse tempo, o desejo fica guardado como um segredo. A sete chaves...
São vontades originadas pela pura atracção, pela presença muito carnal, ou mesmo e unicamente, em resultado da sua simples existência.
Mas agora, com esta idade, é diferente. Parece que acedo a um desejo já de uma nova geração, aceso por partículas ou electrões, ou mesmo por um pensamento subliminar ou telepático, sendo eu, ainda para mais, precisamente de uma outra, mais antiga e mais conservadora geração.
Deste desejo, deste tempo forte, como em música, conheço-lhe a mecânica e o desenrolar, e sobretudo, o desânimo por não ser tangível a sua causa motivadora.
Para não sofrer, aceito a realidade com racionalismo, com uma capa de distanciamento e frieza, antes que a fraqueza se instale, como nas pausas da música que antecedem a apoteose.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Maria Marioneta

No número trinta e seis fica a casa das janelas amarelas. A casa das janelas amarelas tem cortinas de um verde bonito, um verde todos os dias ferido pelos raios de Sol, todos os dias o banho da lua lhe serena o ardor. Através das cortinas de tecido grosso, vejo que espreitam os olhos do sono pesado e da marioneta. São azuis, os olhos e atiram aquele verde bonito, no corredor do olhar, para todos os cantos da rua. Sai de casa a marioneta e não sabe quanto do sono lá fica. Chama-se Maria e vai tomar café muito quente com adoçante à pastelaria do senhor Manuel, não quer engordar porque à noite quer continuar a tentar retirar amor do sexo com o amante, se engordar mais até se pode esquecer de continuar a gemer, pode começar a procurar o abraço que lhe tape o corpo dos olhos do homem em vez de procurar o que lhe disfarça o vazio. Paga com o dinheiro que lhe dão em troca de ter os dias todos iguais, chama-se horário de trabalho. Paga e só pensa no café; quando os dias são todos iguais, gostam de se distrair do tédio engolindo os pensamentos das cabeças; Maria não sabe se é feliz, muito poucas vezes pensou nisso, talvez só tenha pensado por alto e deduzido que a felicidade é uma espécie de história que se lê na escola. Maria mora no número trinta e seis, na casa das janelas amarelas com verdes cortinas sonhadas e compradas numa altura qualquer antes do sono lhe oferecer fios de marioneta.

Medicina alternativa

crica para visitares a página John & John de d!o

12 março 2011

Um mau negócio


O Casimiro, homem pacato de origem humilde e tido por pessoa de bem na sua aldeia saloia do final do Séc. XIX, era casado com uma das mais belas mulheres da região.
Um dia, um forasteiro abastado oriundo de Espanha e proprietário de terras e de casas na zona, cruzou-se com o casal no adro da igreja e não lhe passou despercebido o encanto de Genoveva.
Ciente do seu poder sobre a população local e conhecedor da condição financeira do casal não hesitou em dirigir-se a Casimiro para lhe propor, com arrogância, a quantia de 20 reis em troca de uma noite com Genoveva.
Casimiro, lançou-se de imediato ao fulano e desancou-o sem piedade até o deixar prostrado no chão. Depois terá deitado a mão ao ancinho de Gusmão, um seu vizinho e amigo, encostando-o à garganta do mariola a quem exigiu que se retratasse sem demora.
O outro de imediato gritou o arrependimento e retirou a oferta, julgando assim obter o perdão.
Casimiro deixou tombar todo o peso do corpo sobre o ancinho e matou-o ali mesmo.
Quando o agarraram e o confrontaram com o facto de ter matado o ricalhaço apesar de este ter pedido desculpas em público pelo seu acto indigno, Casimiro esclareceu que a sua ira fora provocada não pela proposta em si, que entendia a cobiça de qualquer homem perante o encanto da sua mulher, mas pelo insultuoso valor da parca quantia oferecida...

Abençoado descuido!


Great Downblouse
Enviado por Tiresias11. - Assista mais vídeos picantes.

Aquece

Não deixes arrefecer,
aproveita a imaginação
no vento frio,
(que nos gela)
aquece comigo a noite.

Deixa que a madrugada
regresse a casa,
o calor se faça sentir
como a memória
-agora ausente-
do que fomos;
nas entranhas
os únicos sobreviventes.

Este poema é de 2009 e está num dos meus blogs onde já não escrevo... http://porticomosmeusolhos.blogspot.com/

Poesia de Paula Raposo

WC...


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11 março 2011

A Lavagem

– E agora, José?
O nomeado olhou desconfiado a mulher que o nomeara e, sem se mexer, replicou:
– Agora o quê?
– Nada – respondeu a mulher, arqueando ligeiramente as sobrancelhas. – Queres mais alguma coisa? – perguntou, servil.
José flectiu e esticou os braços como se fizesse uma flexão, olhou para as mãos abertas espalmadas no lençol e para os ombros nus da mulher. Apreciou-lhe o contorno do pescoço, estudou-lhe o rosto vistoso, fixou-se nos olhos amendoados, tanto na forma como na cor e respondeu: – Não, porquê?
– Não queres mais nada? – insistiu a mulher.
– Não – repetiu José, enfastiado com a insistência.
– É que se saísses de cima de mim eu ia-me lavar – disse a mulher, com o tom mais suave e cordial que conseguiu.
– Ah… – Surpreendido mas sem se mexer, José soltou uma gargalhada e continuou a rir. – É que eu estou tão habituado a foder e a não sair de cima que até me esqueço – confessou com inusitada franqueza.
A mulher sorriu, um sorriso forçado mas bem disfarçado, e não respondeu: não sabia o quê. José flectiu o braço esquerdo, rodou o tronco e as pernas e caiu de costas na cama, ainda a rir.
Em silêncio, a mulher levantou-se e foi-se lavar. “É pena que o país não se lave assim, com esta facilidade”, suspirou para si sentindo a água quente escorrendo-lhe purificadora por todo o corpo.
No quarto, o homem ainda lançava gargalhadas e “porreiros” como se tivesse dito alguma coisa com graça e a mulher, ouvindo-o enquanto se esfregava com exagerada energia, decidiu ir no dia 12 à manifestação. “Que te lixes, José!... Vou e vou ser mais uma gota para ver se te lavamos de vez.”

A minha não podia ser mini

Eu palavra de honra que gostava de ter à minha frente o cabrão que entendeu espalhar a noção de que só as gajas ou os gajos com demasiadas costelas femininas podem vestir saias...

Eu sou a única criança que recusei tentar salvar...

Toda eu me adio, indetermino, guardo-me para amanhã ou mais tarde. Deixo-me de lado na gaveta dos pensamentos, digo que ainda falta muito para o futuro e prometo voltar a mim mais tarde. Mas o futuro é amanhã, lá chegarei sem dar por ele e sem dar por mim; lá chegarei nada. O tempo é, no meu mundo, um amante tão fiel quanto uma prostituta, a traição é evidente mas olhamos para o lado e sonhamos que somos os únicos a agradar-lhe. Isto, do tempo, é o que passo a vida a explicar-lhes, que um dia podem descobrir que o preço disto tudo é ter apenas um inequívoco tarde demais à laia de futuro. Mas nada me explico, quando me falo viro a cara para o lado e volto a ser a amante cega do tempo. Deve ser assim que os tolos se descobrem tolos, de repente acordam absurdos. E, de capa nos ombros e mão estendida para tentar salvar o mundo, toda sou absurda: eu sou a única criança que recusei tentar salvar. Há quem se procure no mundo e nos outros. Eu também. Mas, por vezes, acima de tudo, procuro-me aqui; só quando sei o que tenho, sei o que tenho para dar.

Vida de princesa é uma tristeza


Que seca!...


1 página

oglaf.com

10 março 2011

Six Feet Under

Quando era pequeno (embora isto seja apenas força de expressão) e ainda não conhecia a gíria típica dos meandros em que me movimento apanhei um cagaço que nunca mais esqueci.
Pois estava eu numa das primeiras viagens exploratórias que o coiso agarrado a mim vai organizando, ainda cheio de medo de tudo e mais alguma coisa, a pensar no sentido da vida, quando ouvi uma voz distante que pedia: enterra-o todo, enterra-o todo!

Até hoje estou agradecido ao coiso agarrado a mim por não ter cedido à coveira...

Shooting Well #1




Suponho que muita gente esperava - muita, vá, duas ou três - que estas imagens viessem cá parar. Com a devida autorização, publicar-se-ão as poucas fotografias que resultaram da sessão com a Miss Joana Well. E porquê poucas? Porque é assim mesmo. Dispara-se muito, mas poucas são as que mais nos agradam. E isso acontece muito mais com a fotografia digital, em que fotografar é simples. Com película... o filme era outro. Literalmente.

Há um defeito muito óbvio neste enquadramento, que eu espero que alguém acuse nos comentários. ;-)

Os meus agradecimentos à MJW pela disponibilidade em aturar-me.

Estava a correr tão bem...

Ancilla Tilia, modelo fetiche, colunista da FHM e «vegetariana mais sexy de 2008» faz um strip-tease para a campanha contra maus tratos a animais da Wakker Dier.
Para compreenderem esta campanha, vejam os outros videos aqui... nada eróticos, aviso já.

Colinho

09 março 2011

Música de Intervenção

O OrCa descobriu estas pérolas de Vítor Rua (que foi guitarrista dos GNR): "Isto sim, parece-me um caso de «música alternativa», ainda não ouvida nos «merdia»... Aprecio particularmente a vestimenta intimista do artista".
São várias, mas deixo-vos aqui «Ide Pró Caralho!!!» e «Eu Quero Foder o Sistema!!!»



Resposta

O Amor, esse, leste nas linhas de mãos que procuravam mais do que tinham;
O Amor, esse, sentiste na história que o príncipe contou, e que a princesa encantou;
O mundo, criado na redoma própria da vida, romantizada pela utopia da vontade ambiciosa, tornou-se próprio; pessoal e único.
Tornou-se engenho completo; máquina do tempo e eternidade apaixonada.
As noites esperam-me para cumprir funções que transcendem os mortais;
Para cumprir aquilo que a vontade desconhecia.
O Amor é eterno desde que as almas nasceram;
Desde as primeiras vidas que viveram.
A solidão é passado por força da coragem.
Existiu antes do (re)encontro.
A arte não é do Amor;
Esse já existia antes, apenas desconhecia em que porta entrar.
A arte é da essência que deixou este Amor morar.

Bom proveito...


Foto: Shark

Postalinho do Miúdo

Já não bastava o Miúdo das Vozes da Rádio deixar todo o mulherio a deitar fumo pela roupa interior e ainda me manda este postalinho, no rescaldo do Carnaval:

"Apesar de não me interessar pelo Carnaval, confesso que ontem vi coisas lindas, na noite portuense. Disfarces para todos os gostos. Gostei muito de uma cabeça de cavalo, bem como de uns cogumelos, na Casa de Ló. No Piolho, vi uns M&M's engraçados, uma cartas de um baralho, algumas freiras sensuais e, principalmente, muitos disfarçados de bêbedos. Mas nunca preferi o óbvio... Basta andar atento pelas ruas da cidade para perceber que também elas têm direito a disfarces (foi inevitável pensar na São Rosas...)
Miúdo"


Consoante...


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Quem manda?



HenriCartoon

08 março 2011

Acordo ortográfico

O acordo ortográfico causa-me arrepios. E não são aqueles bons que nos percorrem o corpo, num misto de prazer. Custa-me ver palavras sem pês e cês e acentos e sei lá mais o quê!
Tal como deixei ali algures nos comentários, erecto e erecção perdem o "c". E eu fico a imaginar que não vou voltar a ter a deliciosa sensação de boca cheia ao dizer estas palavras! E a qualidade da erecção continuará a mesma, depois de levar este corte?
O acto sexual nunca mais será igual, quando passar a um mero ato. Não se esqueçam da corda ao lado da cama, para atarem e desatarem. O que quiserem, não a acto.
O acordo ortográfico é fodido. Mas, em tempos, creio que foi phodido...

Está quase prontinho para sair do forno


Dá-me um gozo enorme este blog. Entre muitas outras coisas, permite-me conhecer pessoas fora de série quando, na minha «vida real», dificilmente teria essa oportunidade.
Fico especialmente molhadinha quando consigo ajudar alguém a divulgar a sua arte e criatividade.
Há alguns anos, recomendei a Encandescente à malta das Edições Polvo. Eles gostaram tanto que publicaram 4 livros dela (que pena, entretanto, a Encandescente ter deixado de aparecer; quando posso, continuo a gostar de ler poesia dela para os meus amigos).
Há poucos meses, sugeri à Fernanda Frazão, da Apenas Livros, que lesse os textos da Miss Joana Well. Ela gostou e o resultado - o livro «Brinquedo de Estranhos, Marioneta de Sonhos» - vai estar disponível, muito em breve, na colecção de livros de cordel da Apenas.
Eu, que já tive o privilégio de o ler, posso dizer-vos que está um mimo.
Quando for publicado, digo-vos.
Viva a Miss Joana Well! Viva!
Viva a Apenas Livros! Viva!

Nome

Pronuncio o teu nome
na nota de música
através da pauta
incansável,
orgíaca,
no concerto inacabado
da tua Poesia.

Este poema foi escrito em 2008 e consta no meu blog http://quandoamor.blogspot.com/

Poesia de Paula Raposo

Os bustos da República

Tinham que me copiar a pose!
E, graças ao Carlos Car(v)alho, agora este bloco de selos dos correios de 2010 faz parte da minha colecção.

07 março 2011

Viva o Carnaval



HenriCartoon

Não Fica Bem...

Se há coisa que não posso perdoar ao coiso agarrado a mim é que ele exerça a sua (má) influência e me imponha comportamentos que contrariam a minha forma natural de ser e de estar.
Quero com isto dizer que não tenho nada a ver com os amuos, com os estados de espírito dele, e por isso não consigo aceitar que ele use a mente para me condicionar de forma prepotente e que deixa pouca margem de manobra para uma relação equilibrada.

Eu até nem vejo bola, tirando no pico do Verão, quando (penduri)calha, de soslaio, para aproveitar a liberdade que às vezes me dá o coiso agarrado a mim, porque raio tenho que murchar como uma flor arrancada de um jardim de cada vez que perde o Benfica???

Teste para mentes poluídas



via Sweetlicious

Indiferença

O indiferente age com desdém;
O que tem desprezo pelos demais;
O que prefere a desconsideração, apatia e insensibilidade no trato com os restantes semelhantes;
Os que praticam acções desenhadas com frieza;
É o sono da alma, o adormecimento da personalidade.

É pior a indiferença de um dito benemérito envolto em supostas responsabilidades sociais, que os gritos estridentes de pessoas de quem nada se espera;
É o péssimo pecado para com um semelhante, pior que odiá-los, vestir o lobo com pele de cordeiro e atraiçoá-lo com indiferença, a essência da desumanidade;
É o perpétuo adeus;

E os que advogam a Liberdade?
Será que falam daquela que os permite dizer o pensam sem se preocuparem com o limiar da interferência na Liberdade do próximo? Ou andar livremente na rua? E no seio dessa Liberdade qual a reacção interior quando passam pelos semáforos? E pelos vãos das escadas, o que fazem perante o que vêem, se é que sequer olham.

E os que proclamam a Igualdade?
Será aquela Igualdade que coloca no mesmo patamar dos restantes aqueles que sem condições para o trabalho, vivem cada dia sem preverem comida ou dormida quente para dali a umas horas? Ou será a Igualdade daqueles que convergidos pela contingência política de um sistema implementado, não encontram alternativas senão prostituírem-se de todas as formas conhecidas e mesmo as mais subtis, para poderem sobreviver?

E os que preconizam a Fraternidade?
É aquela em que uma pessoa com condições de vida, seja em que medida forem, ajuda o seu semelhante a somar dividendos ficando de consciência tranquila quanto à beneficência que praticou?

Não serão estes conceitos hipócritas quando não efectivamente trabalhados em conjunto?

Contudo existem claramente uns poucos que somam estes conceitos à Tolerância, seguem-nos diariamente, e juntos conseguem fazer alguma diferença nos protocolos sociais e morais implementados.
São poucos, são quase nenhuns, e menos ainda os que se expõem...


belle vie - Évelyne Louvre-Blondeau



le blog d'Évelyne Louvre-Blondeau

06 março 2011

«Voltei»

Anúncio da cadeia de televisão Sky no Brasil, com Gisele Bundchen.

O porquê das coisas

O porquê das coisas
do existir, até da pedra ou do ser
não é para mim
eu sei apenas que as coisas são assim
e que as posso, assim, apenas viver.
Eu nunca entenderei cada acontecer
ou como amanhece e logo o anoitecer
vem, em cada início se supõe um fim,
o amor é um lago, a vida e um jardim;
o amor! Como poderia eu entender
o que nem bem sei descrever?

«Cirurgia plástica» - por Rui Felício


O Carvalho era um rapagão, bonito, másculo...
Os músculos espalhavam-se salientes e bem desenhados por todo o corpo. Trespassava as miúdas nos bares, nas esplanadas, na praia, com os seus olhos azuis.
Nas redondezas, não havia mulher, casada ou não, que já não se tivesse rendido aos seus encantos e dormido com ele pelo menos uma vez.
Todas diziam que, além de bonito, era um verdadeiro macho na cama.
Um dia, foi alargar os seus horizontes, pegou no carro e dirigiu-se a Madrid.
Perto de Talavera de La Reina, vencido pelo sono, adormeceu ao volante e sofreu um grave acidente. A carne das suas nádegas foi completamente arrancada e destruída pelo acidente.
Socorrido no Hospital espanhol mais perto, esteve internado uns quinze dias. Fizeram-lhe um transplante de tecido adiposo para lhe reconstruírem as nádegas.
Regressado a Portugal, todos lhe notavam uma radical transformação. Com trejeitos efeminados, o seu olhar já só é dirigido para homens. Não quis mais saber das mulheres que conhecia. Nem dessas, nem de outras...
Um seu amigo, encheu-se de coragem, e disse-lhe:
- Francamente, Carvalho! Tu que eras um garanhão dos diabos, agora ficaste maricas?
O Carvalho, sem se ofender, ajeitando a melena, respondeu-lhe:
- Que mal tem isso? O cu nem é meu...

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

Parto difícil... mas com sucesso

crica para visitares a página John & John de d!o

04 março 2011

Sabiam que a Voyager 1 entrou na Heliopausa?


De acordo com uma pequena notícia na edição de Fevereiro da Sciences & Avenir, a sonda Voyager 1, lançada há 33 anos atrás, terá entrado na Heliopausa (não confundir com fenómenos fisiológicos próprios do ser humano), a zona limiar do Sistema Solar na qual o efeito do vento solar deixa de se fazer sentir, prevendo-se que lá para 2014, tenha finalmente cruzado esta fronteira. A uma razoável distância de 17.400 milhões de Kms de distância do Sol, viajando a uma velocidade de cerca de 61.452 Km/h, a sonda Voyager 1 é actualmente o objecto de fabrico humano mais distante do planeta Terra, tanto que os sinais de rádio enviados pela sonda demoram cerca de 16h a chegar à terra, e isto tendo em conta que as ondas de rádio viajam à velocidade da luz.


A Voyager 1 é uma de várias sondas enviadas para explorar o espaço exterior, a par das sondas Pioneer 10 e 11 (lançadas em 1972 e 73 respectivamente), e da Voyager 2, (lançada com a Voyager 1 em 1977).
Para além de toda a parafernália de sensores e instrumentos científicos, as sondas transportam também informações acerca da raça humana, para o caso de algum dia serem encontradas por uma raça extra-terrestre mais avançada. Ao fim e ao cabo, são uma espécie de prospecto turístico muito particular para alienígenas, se bem que há quiçá um certo excesso de informação.
O que causará mais estranheza é a forma como a raça humana é apresentada. Por exemplo, na placa de alumínio anodizado que viaja na Pioneer 10, o homem e a mulher são apresentados como duas criaturas completamente desnudadas, em pose convidativa a dizer olá (isto em vez de usarem uma bela de uma vestimenta própria de um Domingo-de-ir-à-missa) e, como se pode ver em rodapé, a dar informações sobre a localização do planeta Terra no Sistema Solar que, um pouco mais acima, é situado relativamente a alguns pulsares cuja frequência única é também mencionada
Sinceramente, não sei se será boa estratégia de relações púbicas... - perdão!- públicas darmo-nos a conhecer em poses mais libertinas, tal como dar a conhecer a referência à nossa localização ou contactos, embora esta estratégia não seja actualmente nada de extraordinário. É prática corrente, por exemplo, nos anúncios classificados de convívio do Correio da Manhã. Mas preocupa-me o que poderão pensar os alienígenas desta peregrina ideia de incluirmos uma foto nossa exibindo ostensivamente as nossas partes pudendas num cartão de visita...
Se a isso juntarmos os grafismos que, no “Golden Disc” das Voyager explicam como se processa a reprodução humana, começamos aqui a ver um padrão preocupante... Depois admirem-se que haja relatos de abduções de seres humanos por alienígenas, para encontros imediatos de elevada proximidade, como aliás tem sucessivamente denunciado o profeta extraterrestre de Arganil.

Ouvi Dizer

“Não é certo que ela me torne a falar, aliás, o mais provável é que ela nunca mais me venha a dirigir a palavra. Parece-me que isso é o que vai acontecer. Havia de fazer alguma coisa. Não é isso que quero. “Eu tinha tantos planos p’ra depois”. Ah! Acontecer! Fazer as coisas acontecer. Procurar que os meus desejos se realizem. Levantar-me e ir atrás dela. Falar-lhe. Dizer-lhe qualquer coisa. Podia mandar-lhe um sms ou um mail. Fazer uma chamada. Olha, voltou-se para trás. Sorri, estúpido, sorri! Vai ter com ela e fala-lhe. Ah... Acho que aquele dedo esticado quer dizer que nunca mais me vai falar. Bolas! Se calhar avancei depressa demais. Fecha o sorriso, já chega, ela não se riu para ti. “Na pressa de chegar até nós.” Levanta-te. Vai lá. Fala-lhe. Diz-lhe qualquer coisa que a faça reconsiderar. A tua unha do dedo médio está muito bem pintada. Não. Outra coisa. Desculpa. Sim. Pede-lhe desculpa.”
– Ana!
“Desculpa”
– O que é?
– Fica-te bem essa cor de verniz das unhas – “AAAAAAAHHHH!!! Não era isto…”
– O quê?!
– O verniz…
– Não é verniz, é gel!... Vês?
– Ah… Gel?!... E os outros dedos?
– Tu só vais ver este mas as outras unhas estão iguais, parvo! Adeus.
– Ah… Eu depois mando-te um mail…
– Não, não mandes, não te incomodes, escreve antes uma história.

Cronologia do amor

Ama-me como se fosse eu o chão
onde o sol tomou a luz pelos raios
para entrar de ventre na terra.
Ama-me sem o desejo, sem a paixão
sem todos esses artifícios da sedução
ou os demorados, arrebatados ensaios
de peles e carnes loucas em guerra.
Não me ames como uma lua qualquer
que, desejando, nunca poderás ter;
ama-me por mais do que agora ser,
como se nem fosses um amante jovem,
como se tivéssemos um enorme ontem.
Ama-me, então,
na solenidade das rugas, do cabelo branco
de quem à morte já deu o flanco;
ama-me breve e demorada,
ama-me a manhã, a noite, a madrugada,
ama-me como quem jurou dar a mão
e, nas ancas, o amor terno, já de ancião
nunca se deixará de nós esquecer.

E se Justin Bieber fosse em versão feminina?

reflexão matinal romântica, com meia de leite e torradas

- Só tenho olhos para ti, amor! O resto pertence a tanta gente... 

CONSTRUCTIVOS (2011)




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03 março 2011

Encontros Imediatos

Olhem, até tou sem fala. E eu já nem sou muito falador, de resto.
Mas contou-me uma pila minha amiga (às vezes os coisos agarrados a nós mijam em urinóis contíguos) que estava muito bem na sua vidinha quando de repente uma espécie de borracha a cobriu da cabeça aos pés, perdão, à base.
Quase deixou de respirar, disse-me a pila, que aquilo não tinha orifício nenhum para além daquele por onde a enfiaram.
E o pior, meus amigos, e o pior foi quando essa pila minha amiga, em pânico, tentou perceber pela conversa do coiso agarrado a ela de que se tratava e percebeu que aquela borracha esquisita não era de origem terrestre: era de Vénus!

Quando lhe tiraram aquilo de cima, um alívio, acabou por perceber (aterrorizada) pela expressão do coiso agarrado a ela que não seria a última vez que a substância alienígena manteria contacto.

Eu gosto de ser uma pila de vanguarda, com horizontes amplos e assim. Mas uma coisa pode o coiso agarrado a mim ter como certa. Se algum dia a tal borracha espacial tentar sufocar-me ele que nem pense que me obriga, como fizeram à pila minha amiga, a ainda por cima me meter em maiores apertos...

Porno a sair fresquinho (ou melhor, quentinho) da padaria!

A Didas preparou mais uma fornada de porno para toda a família:





Pornos na padaria anteriores.

Blog Farinha Amparo

Como se faz uma dobragem em filmes pornográficos

Eu, se fosse a vocês, não via isto!



Eu avisei!

Mamada

02 março 2011

Fácil ou difícil?

“Não gosto de mulheres fáceis. Mas gostas de mulheres?”

Mas afinal o que é isto da “mulher difícil”? Eu explico. É muito simples. Uma mulher difícil é uma mulher que estando interessada, finge não estar, para assim conquistar o interesse do interessado. Ou seja, diz que não quando pretende dizer sim e sim no lugar do não. Não tem nada que enganar. Mas também pode ser uma mulher que não estando realmente interessada, por insistência ou cansaço, possa passar a estar. Isto é: tenha uma certa tendência para mudar de opinião. Eu nestas não me fiava. Mas gostos há-os para tudo, e uma grande parte dos homens, por razões que desconheço, e embora nada indique que tais características de personalidade indiciem melhores performances sexuais, prefere para foder estas “mulheres difíceis”, o que, contas feitas, sugere que as tais “difíceis” tenham mais saída que as “fáceis”.

Mulheres fáceis… é tão elementar que nem valia a pena falar disso… quando estão interessadas, dizem que sim à primeira. Quando não estão, não há nada a fazer. Embora nada indique que ao nível do desempenho sexual sejam inferiores às “difíceis”, os homens não lhes acham muita graça porque sofrem desta deficiência de quererem exactamente aquilo que fazem crer que querem.

Para além destas, ainda há, como a estatística aqui ao lado demonstra, as “mulheres de outro género”… um caso a respeito do qual ainda estou a meditar… Mas pelo menos já sei o que dizer quando algum cavalheiro se sair com uma destas: “Não gosto de mulheres fáceis”.

O Shark foi à bola...


Foto: Shark

Palavras Turvas

A azáfama diária turva as águas da percepção e da sensibilidade. É o cansaço, o dobrar lombar em resignação a uma lista de tarefas sem espaço livre. Por vezes não são ditas as palavras certas, sequer qualquer palavra. Apenas vocábulos escuros com pouco sentido. O discernimento e a análise do outro ficam de lado e só mais tarde se percebe que não se olhou, que não se sentiu como habituámos a sentir.
Não, nada se alterou. O teu ser é o brilho, o lago do meu olhar.
Apenas num dia se manifestou a diferença do que realmente importa, do que de facto é apanágio da vida que te dou.

2 pontos



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Cavaco e a mudança de sexo



HenriCartoon

01 março 2011

questão pertinente

Acham que dar preservativos a um/a adolescente quer dizer que o/a estamos a incentivar a fazer sexo?

Sonhar-me

Sou mais voo do que asas,
mais canto do que pássaro,
mais amor do que peito;
sou tão pouca, eu nunca chego,
tudo em mim tão incompleto
mas, ao sonhar-me, eu sossego
porque sei do que é perfeito
que é mais frágil e efémero,
como um espantoso castelo de cartas
parece sempre chamar o vento;
assim, sou tão pouca mas um dia espero
sonhar-me na eternidade de todas as palavras.

Metade

Em cada abraço
nos damos mais e mais;
em cada carícia
retomamos outro tempo
(que não tivemos),
e vivemos um sonho.

É desse sonho que parte
metade de mim
e outra metade de ti,
porque de metades
se pode reconstruir
um todo:
este todo que somos.

Poesia de Paula Raposo

Desenho original de humor a tinta da china e aguarela - Del Principe

Adoro ter na minha colecção estes desenhos originais que foram publicados em revistas de humor.
Neste caso, nem precisa de palavras. Mas pode imaginar-se o que o senhor estará a pensar...