21 agosto 2012

Taça em porcelana com imagem erótica escondida na parte de baixo

Tenho um gosto especial por objectos que têm segredos, como esta pequena taça (12,4 x 12,4cm) da época de Napoleão III (1808 – 1873), recebida de fresco para a minha colecção.

A taça tem uma imagem bucólica de um senhor à pesca com uma senhora a assistir:


Em baixo, a legenda "Nos bons Pêcheurs! Une Pêche miraculeuse!" ("Nossos bons pescadores! Uma pesca milagrosa!"):



Virando a taça, a parte de baixo é branca, sem nada à vista...


... a não ser que se passe levemente com um lápis, o que revela uma imagem (tecnicamente está muito bem feito, pois a imagem aparece em falhas do vidro da superfície da porcelana), que é a saia da senhora a ser levantada pelo anzol da cana de pesca, mostrando o rabo ao pescador... e a nós:



Na parte inferior da imagem, revela-se também uma assinatura ("??acke"):

20 agosto 2012

Apontamento de viagem – no castelo de Sabugal


o castelo de Sabugal
o das cinco quinas feito
ostenta ao maralhal
gárgula de belo efeito

e se à coitada o tempo
cabeça maior roubou
outra de bravo contento
o mesmo tempo deixou

entesoada escultura
ali está empedernida
sem cabeça a criatura
aos céus traz a outra erguida




Como coelhos (não, não ando a comer coelhos!)

«respostas a perguntas inexistentes (209)» - bagaço amarelo

Paralisia "distancial"

O meu Amor pela Raquel sofre de Paralisia "distancial". O que é isso? À medida que a distância entre nós aumenta, eu vou-me sentido mais limitado nos movimentos. Por exemplo, estou em casa e dou por mim com a cabeça aninhada entre as mãos, sem vontade sequer de pegar no copo de uísque à minha frente que já enchi há mais de vinte minutos. Ao lado do copo tenho o telefone mas, apesar da vontade, não lhe telefono mais. Já o fiz hoje umas dez vezes, sempre para lhe dizer o mesmo. Que a Amo.
Se eu me visse assim, sozinho em casa sem vontade de nada, dava-me um pancadinha nas costas e convidava-me para sair, beber um copo por aí e dar dois dedos de conversa comigo mesmo. É o que faço às vezes. Foi o que fiz ontem. No princípio as pernas pareciam com pouca vontade de andar, mas depois lá acabaram por ceder.
Acabei num café dos subúrbios com um televisor bêbado aos gritos para mim e mais três homens também sozinhos, cada um na sua mesa, cada um com a sua bebida. Eu a beber Bushmills, outro a beber cerveja de garrafa, outro cerveja de pressão e outro um licor qualquer. Todos me pareceram homens exageradamente sós. Eu também, apesar de saber que não o sou.
A minha Paralisia "distancial" acabou aí, nesse preciso momento, pouco antes da empregada começar a varrer o chão e nos expulsar delicadamente a todos. Levantei-me com energia, paguei os dois uísques sem gelo e fui dar uma volta a pé pela cidade de Aveiro, já quase deserta de vida. É bom sentirmo-nos sós sabendo que não o estamos, pensei. É bom perceber que por trás de cada história de solidão há sempre uma mulher.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Pessoas sem coração

Deixam buracos quando passam.



Pelo menos deixam nosso coração.

Capinaremos.com

19 agosto 2012

Campanha contra a pornografia infantil

PREC



De joelhos e mãos no colchão, com os mamilos debruçados quase a roçar o lençol, abanei as ancas antes da corrida e lancei-me sobre a presa já nimbada de aguadilha. Os caracóis aloirados faziam-me cócegas no nariz mas aquelas almôndegas fofas apelavam a umas lambidelas vagarosas antes de escalar o tronco em arremessos de língua e piscadelas cúmplices de pálpebras semicerradas.

Ao começar a engoli-lo abriram-se-me as válvulas palpitantes que o outro, o moreno giraço, se empenhava em transformar num escorrega em assertivos gestos de língua e dedos. E enquanto enfunava a vela daquele belo exemplar louro em chupões cadenciados e amassos de dedos nas bases redondas o garanhão moreno puxou-me pela cintura e resvalou para dentro de mim o seu metrónomo equilibrando-se com as mãos alapadas nas minhas nádegas.

E assim, solidariamente partilhada por um louro e um moreno, todos irmanados no mesmo ritmo, senti que finalmente marchava num processo revolucionário em curso.



Eri Johnson



Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

18 agosto 2012

Homens, aprendam a evitar que o espelho da casa de banho embacie

«conversa 1906» - bagaço amarelo

Ela - O meu marido ainda me pergunta, no fim de cada vez que fazemos sexo, se eu o acho bom na cama.
Eu - Há quanto tempo é que são casados?
Ela - Vinte e dois anos...
Eu - E é bom na cama ou não?
Ela - Sei lá. Há vinte e dois anos que não vou para a cama com outro. Nem comparar posso...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Baralho de cartas «Le Florentin»



Estas cartas são um mimo. Quem colecciona cartas diz (e com razão) que estas «Le Florentin» são das mais bonitas que existem (e eu concordo). E tenho um destes baralhos na minha colecção. Quando vo-lo poderei mostrar ao vivo?...

Na página deste video, apresentam o autor e explicam as ilustrações de cada carta, em cada momento do video (em inglês, mas se há coisa que a malta que aqui vem domina, são as línguas):

"Paul-Émile Bécat (born 2 February 1885 -- died 1 January 1960 in Paris) was a French painter, printmaker and engraver, and was awarded first prize in the Prix de Rome in 1920. He was a student of Gabriel Ferrier and François Flameng and exhibitioned at the Salon de Paris in 1913. Returning from his travels to the Congo, Gabon, and the Sudan, he specialised from 1933 in the technique of drypoint in his erotic works. Today he is best known for his portraits of French writers, and for his erotic works.
This is a Bécat's erotic limited edition of a deck of playing cards. Titled 'Le Florentin', the deck is copyrighted 1955 by Éditions Philibert, Paris.
Credit: mydelineatedlife.blogspot.com

0:00 Frontispiece card
0:10 Joker 1: Giant jester of the Duke of Mantua, whose main duty was to keep an eye on the 'collection' of dwarves given to his master by the other princes of Europe.
0:19 Joker 2: A lady, personifying the Florentine festivities.

0:29 Ace of Diamonds: The Adventuresses
0:38 Ace of Clubs: Allegory of gold
0:48 Ace of Hearts: Allegory of Love
0:58 Ace of Spades: The poisoners

1:06 King of Clubs: The powerful Duke Leonardo, famous for his wealth and his patronage of the arts
1:26 King of Diamonds: Allegory of the soldiers
1:45 King of Hearts: King Francis I
2:04 King of Spades: Bluebeard and his wives

2:23 Queen of Clubs: Protecting and encouraging the arts
2:42 Queen of Diamonds: 'La Belle Ferronnière', favorite of King Francis I
3:01 Queen of Hearts: The lady and the rose, recurrent them of the Renaissance
3:20 Queen of Spades: Lucrecia Borgia

3:39 Jack of Clubs: Leonardo da Vinci, surrounded by the beauties he made immortal
3:58 Jack of Diamonds: The messenger of love
4:17 Jack of Hearts: The lovers of Verona
4:36 Jack of Spades: Machiavelli
4:55 The backside of all the cards


Music by Edward Ka-Spel,'Film of the Book (The Forgotten Version)'"

Um sábado qualquer... - «Livrinho de Deus»






Um sábado qualquer...

16 agosto 2012

"A donzela que não podia ouvir falar de foder"



Era uma vez uma donzela muito orgulhosa e rebelde. Se ela ouvisse alguém "falar de foder" ou algo semelhante, ficava com um ar muito ofendido. Era a única filha de um bom homem, um rico camponês que não tinha nenhum servo em casa porque a jovem não suportava ouvir aquele tipo de conversa típica de servos. Ela “...nunca poderia suportar / que um servo falasse de foder / de caralho, colhões ou coisa semelhante” (Fabliaux, 1997: 63).

Um belo dia, um jovem velhaco de nome David chegou àquela aldeia e ouviu falar da filha que odiava os homens. Decidiu então confirmar a curiosa estória, oferecendo os seus préstimos: disse que sabia lavrar, semear, debulhar o trigo e peneirar. O camponês agradeceu, mas respondeu que tinha uma filha que sentia tanta náusea das coisas obscenas que os homens conversam que não poderia aceitar a sua oferta. David fingiu ser um homem temente a Deus e clamou pelo Espírito Santo. Ao ouvir as suas palavras, a filha do rico camponês pediu ao pai que contratasse o rapaz, pois ele compartilhava das suas ideias.

Houve então uma grande festa para comemorar a contratação do “servo beato”. Quando chegou a hora de dormir, o bronco camponês perguntou à filha onde David descansaria: “Senhor, se isso vos agrada / ele pode dormir comigo / ele parece ser de confiança / e ter estado em casas nobres” (Fabliaux, 1997: 67).

O ingénuo pai concordou. A donzela era muito graciosa e bela, e o servo, matreiro, logo colocou a sua mão direita nos alvos seios da moça, depois no seu ventre e no seu sexo, sempre perguntando à donzela o que era aquilo que tocava: “David desceu a mão / direto à fenda, sob o ventre / onde o pau entra no corpo / e sentiu os pêlos que despontavam / ainda macios e suaves (...)”. E perguntou:

Por boa fé, senhora, disse David (...)
o que é isto no meio do prado esta fossa suave e plena? Disse ela: é a minha fonte que ainda não brotou. E o que é isto aqui ao lado /  disse David, nesta guarita? É o tocador de trompa que a guarda responde a jovem, verdadeiramente se um bicho entrasse no meu prado para beber na fonte clara o vigia tocava logo o corno para lhe fazer vergonha e medo. (Fabliaux, 1997: 68)

A seguir, a jovem virgem decidiu ousar e passou a tomar a iniciativa, apalpando igualmente o servo beato. O poema compara o pénis a um potro e os testículos a dois marechais. A donzela pede então que o belo potro do jovem paste no seu prado. David teme que o “tocador de trompa” da moça – provavelmente uma metáfora ao clitóris – faça barulho, isto é, que a jovem grite de dor e prazer. Ela responde: “Se ele disser mal / batê-lo-ão os marechais. / David responde: Muito bem dito.”

E assim a jovem virgem e falsa púdica “foi derrubada quatro vezes”, “...e se o tocador de corno troou / foi batido pelos dois gémeos / Com esta palavra termina o fabliau.” (Fabliaux, 1997: 70)


FABLIAUX, Erótica Medieval Francesa, Lisboa: Editorial Teorema, 1997

blog A Pérola

«Bem-vinda à Foda dos Milhões» - Patife

Chamem-lhe cliché ou o que quiserem. Mas é um facto que existe toda uma comunidade de sardaniscas que pede para ser tratada por puta na cama, de forma a aumentar a intensidade do orgasmo. Quero deixar aqui o meu apreço à auto-confiança destas moçoilas. É preciso ter um ego bem solidificado para se darem desta maneira. Já muitas me pediram para as chamar de putas a meia-foda, umas só o conseguem fazer um nano-segundo exacto antes de se virem, outras gritam para toda a vizinhança ouvir que são umas putalhonas e outras apenas sussurram para não ficarem muito conotadas com o pedido. Mas todas elas têm um ponto comum: ganharam o meu respeito. É preciso ser-se muito pouco puta para pedir para se ser tratada assim. Experimentem lá chamar puta às meretrizes profissionais e vão ver o que vos acontece. Quero pois manifestar o meu louvor a esta comunidade que se quer crescente, quase tão crescente como se põe o meu nabo sempre que uma me pede para ser chamada de puta na cama. Isto a propósito da estouvada de coração grande cujo quadro de referências era mais delicado que uma porcelana chinesa. Tratei-a por puta e até sou capaz de jurar que nesse momento ouvi o coração a partir-se. Quando lhe dei as boas-vindas aqui à foda dos milhões devia ter de pronto avisado que na cama sou uma carta fora do baralho comum. É que assim era previsível que ela se iria tornar uma carta fora do caralho. Com a fúria enquanto ia saindo de minha casa deixou muitas coisas partidas. Além do coração. Que esse à partida já estava fadado. Quanto ao resto do corpo, já estava fodido.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Uma moeda por seus pensamentos

Eles não valem um centavo, meu amigo.





Que unicórnio gordo.

Capinaremos.com

15 agosto 2012

Anúncio da Playboy... muito bem observado!

E o Sérgio ainda observou melhor:
"A julgar pela Playboy Tuga, agora na cabeça do gajo deveria haver um boné, e dos grandes..."

«pensamentos catatónicos (272)» - bagaço amarelo

O Amor corre sempre bem ou mal. Nunca corre mais ou menos. Quando corre mais ou menos é porque está a definhar, se é que ainda não está morto. Essa é a sua maior desvantagem, ao mesmo tempo que também é a maior vantagem. Estar mais ou menos é a única forma de nunca se sofrer, mas é também um atalho para que se morra sem ter dado pela vida.
Pensei nisto agora mesmo, depois de ter visto a Ana como é costume, de braços cruzados num dos cantos da sala. Parece que está à espera que a vida lhe traga alguma coisa. Mas eu até sei que não está. Quando a cumprimentei e lhe perguntei como anda, ela respondeu isso mesmo: que vai andando. Não estiquei mais a conversa. Deixei de o fazer há uns tempos, quando ela me disse que detesta conversas de circunstância e me deixou especado a olhar para uma parede branca, a pensar no mal lhe teria feito. Acho que lhe disse que estava bonita. Só isso. Ela não ligou e afastou-se.
Por essa altura a Ana deixou-se derrotar por um Amor acabado, que é como quem diz, ela acabou com esse Amor. Parecia um náufrago em alto mar que não queria ser salvo. Ainda parece. A história é a do costume: o marido deixou-a e ela ficou mal. Depois, para não andar mal, decidiu que ia estar mais ou menos para sempre.
De vez em quando encontro-a por aí, como hoje, numa festa organizada por amigos comuns. Estou à espera de lhe poder dizer, numa oportunidade qualquer, que é uma sorte podermos sofrer por Amor. Sofrer por Amor é a única forma de saber o que é Amar. É a única forma de agarrar a vida e deixarmos de andar mais ou menos. Para isso só preciso que ela passe a gostar de conversas de circunstância, porque o Amor é uma circunstância da vida.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

A última invenção de Thomas Edison





Via Old Erotic Art

14 agosto 2012

Olimpíadas... likes

Raim on Facebook

Antiguidade clássica 3

Eva portuguesa - «Sedução»

É estranha esta sensação de desejo contido e emergente que as férias me provocam...
Talvez por estar sem fazer sexo, talvez por estar mais atenta à família, talvez por deixar que a preguiça se apodere de mim...
Mas parece que tudo o que me rodeia desperta em mim de forma ainda mais premente a minha sexualidade, a minha sensualidade.
Sinto mais conscientemente cada pedacinho do meu corpo, cada sensação vivida, cada gemido contido...
Espreguiço-me languidamente ao sol, sentindo o calor tomar conta de mim, suportando a delícia deste beijo quente e sensual.
Sinto uma gota de suor começar a escorrer-me pela nuca, provocando-me arrepios de prazer... e vai descendo pela minha coluna como se de uma língua se tratasse... perde-se naquele sulco onde se iniciam as minhas nádegas, onde tudo pode começar ou acabar.
Levanto-me, ciente deste estado semi-hipnótico em que me encontro e mergulho nas águas translúcidas desta piscina natural, como se mergulhasse nos braços de um amante...e passo a sentir-me livre, aninhada, refrescada, quente, sedenta, desejosa, ardente...
Dirijo-me à cascata que enche este lago e deixo que a água jorre sobre mim qual sémen de um desejo há muito controlado... e sinto-a em cada pedaço de mim... nos meus seios erectos, ansiosos por serem chupados, na minha boca sedenta por outra, no meu sexo inundado de vontade de ser possuído, nas minhas pernas firmes, abertas, esperando encontrar a fraqueza de um desejo a ser satisfeito, a escorrer pelos meus longos cabelos como uma manifestação de carinho e chegando finalmente às minhas nádegas, ao esconderijo no meio delas, fazendo-me ofegar por sentir encostado a mim um sexo duro, rígido, exigente e tão ardente como o desejo que me consome....
Será a envolvência com a natureza a causa deste meu desassossego?...
Será o toque leve da aragem que me arrepia e me faz voltar aos meus instintos mais básicos, mas também mais profundos?...
Será o silêncio e a paz deste verde que me rodeia que me faz querer entrar em contacto de uma forma tão primitiva com a natureza e com a minha própria essência como mulher?...
Vejo este pôr do sol único e transformo-me num animal sedento, faminto de sexo... sereia de dia, pantera à noite...será o verde dos meus olhos que se perde neste verde que me acolhe?...
Tudo aqui me seduz: os cheiros, as cores, as texturas, os sabores... a liberdade de não ter horários, os banhos nocturnos, o sossego que me desassossega... o silêncio que me sussurra, a vastidão que se perde num horizonte sem fim, a vida num estado mais simples, mais prático, mais livre...
Sim, nas férias sinto-me uma sedutora e uma seduzida... que fica por e para realizar mais tarde...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Anel em prata com casalinho no bem bom...

Já não tenho dedos que cheguem para todos os anéis da minha colecção.



13 agosto 2012

A beleza extrema dos machos

«respostas a perguntas inexistentes (207)» - bagaço amarelo

salvaste-me a noite

Tenho uma amiga de quem gosto muito mas que, por viver longe dela, só vejo muito raramente. Eu divido a minha vida entre Aveiro e Porto, ela divide a dela entre Castelo Branco e a Covilhã. A forma como nos conhecemos foi muito estranha, e levou-me a perguntar várias vezes o que é nos pode interessar ou não numa pessoa. Duma coisa tenho a certeza: há pessoas de quem gostamos muito, outras de quem não gostamos nada. Nunca na vida chegamos a saber o motivo.
Conheci-a há já muitos anos num pequeno bar em Bruges, na Bélgica, durante um fim de semana que ali passei sozinho. Mal entrei, sentei-me no único lugar ao balcão disponível e ela estava ao meu lado direito. Não me lembro de quem estava ao meu lado esquerdo porque, por qualquer motivo, ela me prendeu a atenção desde o primeiro momento. Depois de a ter visto a dar alguns goles numa cerveja tão grande quanto a que entretanto eu pedi, e sem lhe ter ouvido uma única palavra, perguntei-lhe se ela era portuguesa. Ela sorriu e respondeu que sim.
Passámos o fim de tarde e a noite toda a passear por aquela belíssima cidade medieval, entrando de vez em quando num bar à sorte para beber qualquer coisa. Ela mostrou-me um caderno que tinha onde pedia a todas as pessoas que conhecia que fizessem um retrato dela. Não tinha que ser um desenho aproximado. Podia ser um texto, um rabisco ou qualquer outra coisa que, para quem o fizesse, a definisse a ela como pessoa. Folheei todas as páginas e, como ela era uma pessoa que viajava muito, tinha textos em alemão, inglês, italiano e espanhol. Também tinha muitos desenhos, totalmente diferentes uns dos outros.
O interessante daquele caderno é que demonstrava os vários ângulos sob os quais ela tinha sido vista por pessoas diferentes, e acabámos a falar sobre isso mesmo. Ela tinha a teoria que nós somos o que os outros pensam de nós, e que aquele caderno acabaria por dar um puzzle sobre ela mesma. Um trabalho que a ajudaria a conhecer-se melhor a ela própria.
No fim da noite, e já no último bar, ela pediu-me para também lhe fazer um desenho. Com o que o meu estado parcialmente sóbrio me permitiu, desenhei-a duas vezes como se se estivesse a ver a um espelho. Por baixo escrevi que nós também temos o direito de pensar alguma coisa sobre nós mesmos.
Para ser sincero, já não me lembrava desse desenho. Lembrava-me apenas do abraço prolongado que demos quando me despedi dela em frente ao hotel onde estava alojada, e do percurso solitário que depois fiz até à minha pensão barata no perímetro urbano da cidade. Há uns dias fui jantar com ela, numa pequena pizzaria em Viseu, e ela mostrou-mo. Disse-me que nessa noite, apesar de ter vontade, não me convidou para subir ao quarto dela porque tinha lá o marido à espera.
O marido era um holandês viajado, homem de negócios, que lhe controlava totalmente a vida. Ela sentia-se extremamente só e, quando ele tinha reuniões, ela aproveitava para sair e ver pessoas. Como era, e ainda é, muito bonita, sempre lhe foi fácil acabar a conversar com um estranho qualquer. O caderno, confessou-mo nesse jantar, era o resultado dessas saídas.
Nessa noite em que a deixei no Hotel, e porque já era demasiado tarde, ele ralhou violentamente com ela. Foi também a primeira vez que ela lhe respondeu e ameaçou divorciar-se, o que veio a acontecer uns meses depois. Uma das coisas que ela lhe disse nessa discussão é que ele devia ver-se ao espelho, para perceber que não era apenas aquilo que os seus colegas de negócios lhe diziam, mas era também um homem violento, inseguro e sem o mínimo de respeito por quem gostava dele. Depois chorou.
Lembro-me que fui passar esse fim de semana a Brugges precisamente para estar sozinho, mas cinco minutos depois de sair à rua já estava extremamente arrependido. Queria estar com alguém porque me sentia só. Acho que vivi uma época assim, em que nunca estava bem como estava a não ser que alguém me surpreendesse. Não sabia, pelo menos da forma que sei hoje, o que é Amar e estar continuamente apaixonado. Era esse o meu problema.
Ela acabou a pizza dela uns cinco minutos depois de mim, cruzou os talheres e pediu dois cafés.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Vai entender as mulheres

Eu sinceramente já desisti.




Já sofri com a traição do sonho.

Capinaremos.com

12 agosto 2012

Fawnya está a pingar

O Fotógrafo


Olhe Senhor Doutor, conhecemo-nos na net, num site de fotografia. Conversa puxa conversa, email para cá, email para lá e foi inevitável acabarmos a analisar a profundidade de campo das nossas camas. Aliás, em termos sexuais tudo corria bem e até o sabor da sua língua a vinho, ou uísque, ou cerveja era um fotograma que me excitava. Era mais comum encontrar cerveja no frigorífico que um bife.

Era comum ficarmos deitados na cama com o Sexy Hot’s a encher o televisor toda a noite para dar ao negativo a quantidade certa de luz. Nos dias em que ele estava muito cansado eu aplicava o polarizador de o deitar e absorvia-o todo na solene volúpia de beber a emulsão após o que ele me brindava com a sua língua transformada em papel fotográfico de pin-hole, ou então, digamos que, com tecnologia digital.

O lado Kodachrome da nossa relação também se espelhava no facto de espreitarmos os nossos vizinhos a uma distância focal segura. Usámos o filtro colorido da sua irmã para criarmos uma perspectiva mais ampla que a monotonia do enrolanço a dois. Nas bombas de gasolina, enquanto eu enchia o depósito ou calibrava os pneus, ele procurava aberturas de diafragama correctas para saias primaveris.

A bodega foi que o meu código DX não me permitiu ler os seus gostos por bondage e na sua primeira tentiva de me atar com corda natural levantei o joelho à altura dos seus ossos íliacos e danifiquei-lhe temporariamente o fotómetro.

Disfunção erétil existencial



Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

11 agosto 2012

Homens, aprendam a abrir bagagem fechada a cadeado

«respostas a perguntas inexistentes (208)» - bagaço amarelo

taras e manias

Todos nós temos uma mania qualquer. Beber um uísque sempre depois de jantar, por exemplo, ou conduzir com o braço do lado de fora da janela do automóvel. Na verdade há manias para todos os gostos e feitios e, de uma forma natural, acabamos todos por conhecer aquelas que são dos nossos amigos mais próximos. Nunca tinha pensado nisto desta forma até conhecer a Wong, uma empregada dum pequeno restaurante perto de Mong Kok, em Hong Kong. Foi ela que me explicou que, para fazer um bom trabalho no dia-a-dia, tentava conhecer todas as manias dos seus clientes habituais e, mesmo dos clientes que não conhecia de lado nenhum, tentava percebê-las o mais depressa possível.
Acho que ficou surpreendida pelo meu súbito interesse naquele tema, e por isso explicou-me que tinha sido assim que tinha conquistado um dos seus melhores clientes. Um homem qualquer de meia idade que tinha a mania de comer de faca e garfo (como é sabido, os chineses comem com pauzinhos). Ele só lhe disse isso uma vez e, quando lá voltou muito tempo depois, ela ainda se lembrava dele e trocou imediatamente os pauzinhos pelos seus talheres preferidos. A partir desse dia, ele passou a ir lá quase todos os dias.
Fixei a Wong nos olhos, o que admito que me dava um prazer enorme, já que as mulheres asiáticas, na minha opinião, independentemente de serem mais ou menos bonitas, têm sempre uns olhos que vale a pena contemplar como se estivéssemos a olhar para uma paisagem de perder a respiração. Fixei-a nos olhos e disse-lhe que estava a pensar se aquilo era respeito pelo próximo ou servilismo exagerado. Ela amuou, e os seus olhos grandes fizeram questão de me repreender. Por isso mudei de assunto.
Fiquei com a impressão de que, a partir desse dia, ela ficou um pouco mais distante de mim. Sempre simpática, mas com uma distância que me incomodava, já que tinha sido a primeira chinesa com quem eu tinha feito amizade e me tinha sentido realmente bem. Por isso, alguns dias antes do meu regresso a Portugal, comprei dois pastéis de nata (que lá se chamam Portuguese Egg Tarts) e uma garrafa de vinho do Porto numa das melhores garrafeiras que já vi na minha vida. Depois telefonei-lhe e convidei-a para ir beber um copo comigo ao fim da noite. Antes ainda de decidir qual o primeiro bar a que íamos, sentámo-nos num dos bancos da praça da alimentação do Festival Walk, ofereci-lhe a garrafa e comemos cada um o seu pastel. Aproveitei esse momento doce para lhe pedir desculpa por, mesmo sem querer, a ter ofendido. Ela sorriu mas não disse nada.
Estranhamente, ainda hoje acho que essa foi uma das melhores noites da minha vida. Caminhámos por toda a cidade, quase sempre em silêncio, comigo a contemplar a imponência dos edifícios que ali se erguem como velhos que recusam morrer, e com ela sempre ao meu lado como que a perceber os meus pensamentos. Os meus pensamentos eram de que me estava a apaixonar por uma mulher impossível, que vivia a mais de dez mil quilómetros de distância de mim, e que por isso tinha que controlar muito bem as minhas emoções. Acabámos sentados junto ao mar, no lado continental, sentados num muro qualquer a olhar para a ilha, e senti-a abraçar o meu braço direito e pousar nele a cabeça. Perdi a noção do tempo.
Recordei e ainda recordo, como já disse, essa noite do ano de mil novecentos e noventa e nove como uma das melhores da minha vida. Esta semana, por email e já sem a pressão de qualquer envolvimento emocional, disse-lhe isso mesmo. Ela respondeu-me que se lembra que eu tenho a mania de catalogar tudo: os melhores filmes da minha vida, as melhores músicas da minha vida, as melhores paisagens da minha vida, as melhores cidades da minha vida, etc. Enfim, as melhores noites da minha vida também.
Treze anos depois voltámos assim ao tema das manias, e perguntei-lhe se ela era capaz de me explicar o que é que a tinha ofendido na minha observação sobre o servilismo exagerado. Demorou alguns dias a responder-me, de tal forma que cheguei a pensar que tivesse amuado de novo, e quando me respondeu disse-me que se se lembra das minhas manias é porque eu sou importante para ela. Quem gosta de alguém faz tudo o que pode para que esse alguém se sinta bem, explicou-me, e não quer ser confundido com um escravo por causa disso. Simples, não é? Perguntou.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Um sábado qualquer... - «Criações inusitadas»






Um sábado qualquer...

09 agosto 2012

Wild about that thing



blog A Pérola

«Partir ou não partir, eis a questão» - Patife

Diziam dela que tinha o maior coração do mundo. Daí não ter percebido o porquê de ter ficado interessada num traste sem coração como o Patife. Fiquei um dia enfiado em casa a tentar perceber isto. Já o Pacheco ficou um dia enfiado dentro dela. Os amigos dela pediram-me insistentemente que não o fizesse e que não lhe partisse o coração. Efectivamente, não lhe parti o coração. De resto, parti aquilo tudo.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Os filhos explicam aos pais

Essas crianças de hoje em dia não são fáceis…





Então filho, me explica o que é goatse.

Capinaremos.com

08 agosto 2012

As nossas louras dos dois pares falam de bumbum guloso, religiosidade e trabalhar em Shopping

«conversa 1905» - bagaço amarelo

Ela - Queres ir beber um copo?
Eu - Não.
Ela - Não?!
Eu - Não, desculpa lá. Tive um dia mesmo mau e só me apetece ir para casa, beber um uísque a ler qualquer coisa, e deitar-me...
Ela - Ah! Se estás mal disposto também não quero sair contigo. Normalmente és um chato quando estás assim...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Vamos lá por partes...



Via Mikitrix

07 agosto 2012

Antiguidade clássica 2

Eva portuguesa - «Férias»

Férias...
Um período de descanso, uma rotina, o reviver da família, um retiro, uma fuga ou uma introspecção...
Este ano precisava de tirar férias, sobretudo da Eva.
Precisava de ser apenas mulher e mãe.
Nos últimos tempos aconteceram demasiadas coisas na vida da Eva, que tornaram a sua existência exaustiva... a promessa de uma vida melhor que nunca aconteceu mas aconteceu a outra colega, a ilusão de um príncipe que mostrou ser um sapo, o medo constante de não existirem clientes, a cirurgia e consequente paragem para recuperação, as ilusões, as desilusões, os sonhos, os pesadelos... enfim, acima de tudo o cansaço de uma vida dupla, que por vezes nem é tão rentável como deveria...
Férias...
Este ano para viver em família, na paz e silêncio do nosso Alentejo.
Um tempo para entrar bem dentro da minha alma e analisar todas as vertentes do meu ser...
Descobrir de forma clara e inequívoca o que me amedronta, o que me faz feliz, analisar os meus sonhos e descobrir como evitar as desilusões.
Perceber o que fazer para tornar melhor esta vida e a convivência entre mim e a Eva.
Analisar o que devo fazer para me tornar melhor pessoa, melhor mãe, melhor profissional, melhor amante.
Separar o que me faz bem e o que me faz mal.
Distinguir quem devo manter na minha vida e de quem me devo afastar.
Férias...
Este ano uma introspecção, uma viagem ao centro de mim mesma...
Um período de análise e decisões...
O delinear de uma estratégia que me permita obter mais e melhores resultados...
Uma limpeza do que me tem feito mal, uma abertura ao bem e felicidade...
E, nisto tudo, a certeza de que a Eva e eu somos uma só pessoa. E que, como tal, a felicidade da Eva é a minha e vice versa. E quem faz bem à Eva está a fazê-lo a mim.E os homens da Eva são os meus.
Assim, a aceitação de uma verdade que é, enquanto for uma prostituta de luxo, a minha realidade: as minhas férias são também as da Eva; eu sou também a Eva.
E isto é inevitável e saudável, pois permite-me a aceitação de mim como um todo.
Permite-me analisar todos os aspectos da minha vida com a mesma visão e viver comigo própria com maior honestidade e sem receios nem medos nem preconceitos.
Sim, esta é a minha maior e melhor conclusão de uma viagem sincera e dolorosa ao meu âmago: eu sou eu num todo; a Eva também sou eu e eu também sou a Eva. E é impossível tirar férias de mim mesma. E também não quero. Porque foi a Eva que, com o seu trabalho, me proporcionou estas férias. É ela que, em último caso, me sustenta, a mim e ao meu filho.
E assim decido abraçar esta parte de mim mesma e agradecer-lhe por existir na minha vida: a Eva,que sou eu!...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

Livro «Vies des dames galantes» do séc. XIX

«Vies des dames galantes par le Seigneur de Brantôme» sobre edição de 1710.
Edições Garnier et Frères, sem data (séc. XIX).
Composto por 7 discursos.
Chegadinho de fresco à minha colecção.


06 agosto 2012

Kate Upton consegue fazer tanta coisa... mas mesmo tanta...

«quase ninguém» - bagaço amarelo

O problema que temos com o nosso governo é o mesmo problema dos casais que, de facto, não o são. Falta de Amor. O nosso governo devia gostar de nós tal como nós gostamos dele (afinal de contas, por muito que espingardeemos, somos nós que o elegemos ), mas não gosta. Diz que sim, mas passa a vida na cama com outros.
O nosso governo é uma merda, e aqui já nem aceito discutir e peço aos direitosos invertebrados que me poupem ao contraditório. É uma merda. Ponto. Para além de se deitar com outros, gasta com eles o nosso dinheiro todo. Depois engasga-se para nos explicar o que fez. Primeiro promete devolver daqui a uns anos, depois diz que afinal não dá, por fim acaba a pedir ainda mais dinheiro e agredi-nos antes de tornar a sair. É um caso nítido de violência doméstica em que a vítima não é capaz de se salvar a si mesma.
A maior parte dos portugueses vota constantemente à direita por um motivo muito simples: a maior parte dos portugueses é uma cambada de mal amados que só vive bem com o mal dos outros. É a lógica do "se eu estou mal, tu pior estarás". Vai-se nivelando tudo por baixo até não haver mais por onde cair.
Ao contrário do que possa parecer, a Política e a Economia são as coisas mais simples do mundo. É por isso, por ser tão simples, que meia dúzia de gajos do mundo da finança se deitam com os do nosso governo e nos conseguem roubar descaradamente, todos os dias e todas as horas. O que é mais complexo, pelo menos para os portugueses, é o Amor. Ninguém, ou quase ninguém, sabe o que é isso por cá.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Amor na selva




Peço a todos os elefantes que estão lendo esta tira respondam também nos comentários

Capinaremos.com

05 agosto 2012

"Dormiste bem, Mari Graciolli?"


Bom dia, Mari Graciolli from Papo de Homem on Vimeo.

Em caracolafilia



Não o posso esmifrar no meio do grupo que ainda tenho um niquito de sentido das conveniências e não vou pular por cima das travessas de caracóis e com risco de derrubar as muitas canecas expostas para lhe saltar para o colo e aterrar as minhas nádegas nas suas coxas, umbigo contra umbigo, para lhe chupar aqueles lábios húmidos como se faz ao molho nas cascas e me apetece, mas torno óbvio que ando a catrapiscá-lo.

Acendo-lhe o cigarro e faço concha nas suas mãos. Com a cumplicidade espetada no sorriso chego-lhe mais um alfinete para que nada lhe falte para poder picar. Antecipo-me a pedir mais cerveja incluindo-o logo com a justificação de que importa ter a língua molhada e até lhe empurro o molho picante para o caso de querer dar um ar exótico ao petisco.

O molho que me delicia é descobrir nele alguém a quem os anos não embaciaram o brilho maroto de quem em criança partia pratos com pressão de ar ou encardia os calções a rolar pela terra. E tal como os garotos se pelam por isso, alegra-se no convívio com os amigos acreditando que o melhor que de si pode dar aos outros são as suas ideias e o seu carinho. E até os seus caracóis rebeldes são afinidade que me transporta a um tempo em que uns azulejos azuis setecentistas nas paredes e um piano na sala davam o cenário de conto de fadas ao mundo em que me sentia uma princesa.

Se recordar é viver também só sentimos falta daquilo que conhecemos pelo que se ele volta a passar o polegar pelo canto dos meus lábios para limpar a espuma, faço dele prato principal.

Churros do conhecimento



Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)

03 agosto 2012

Coelhinhas da Playboy



HenriCartoon

Luís Gaspar lê «Tocar-me te» de Alzira Guedes

"dedos devorando pressa e tempo

urgência desejo, arfar, corrida
negação da paz esta guerra
fúria que exige ser combatida.
fechar os olhos ter-te onde o desejo queima mais perto
fonte generosa, drink indigesto
testa em brasa, beber-te
toco o orgasmo e esgoto o cio
apalpo o meu seio, ardente de frio
invento beijos, flagelo hemisférios
provoco-me, então, o doce arrepio
vibramos os dois, em camas diferentes,
no vazio do nosso leito

combato alguns dos teus medos, ainda sinto o teu coração correr
qual cavalo, no meu peito entre o lençol de algodão

e agora já calmos, os teus nos meus dedos.
masturbação."
Alzira Guedes

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Fruta 95 - Gado registado

... Era uma vez...





Meninas WTF

02 agosto 2012

Como se saboreia a banana


blog A Pérola

«Bokespeare» - Patife

Hoje logo pela manhã encontrei uma paixão proibida de um tempo passado. Ela era de uma nobre família fortemente católica e na altura só a queriam ver a ser cortejada de forma séria por alguém que fosse à igreja todos os domingos. E eu era apenas um maltrapilho ateu com um grande nabo. Dado o reencontro e a impossibilidade da paixão antiga, foi inevitável lembrar-me de Shakespeare. Por isso sentei-me numa esplanada do Chiado a comer um croissant enquanto pensava que se o Bocage e o William Shakespeare fossem um só, podiam ter criado autênticas tragédias porco-românticas capazes de elevar a dramaturgia para patamares incalculáveis. E se o Bocage e o William Shakespeare fossem um só, teriam certamente criado coisinhas dramáticas lindas assim:

Um fodão na casa dos Capuletos

Se minha mão profana seu relicário,       ROMEU (a Julieta)
em remissão aceito o que serei,
mas o meu falo é peregrino e solitário,
e com ele pinar-te-ei.

Ofendeis vossa mão, bom peregrino,      JULIETA
que se mostrou afoita e ardente.
Com a mão já tenho grande ensino
Na vulva quero o teu beijo quente

Os devotos não te deixam louca?           ROMEU
Não, só servem para outras orações.     JULIETA
Deixai, então, ó santa! que esta boca     ROMEU
te deixe a cona aos trambolhões.

Aos saltos, a chona exalta o suco.          JULIETA
Então põe a greta a jeito, pois                ROMEU
o meu nabo já está maluco.


Patife
Blog «fode, fode, patife»