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Eu Criei Isso??? |
05 junho 2013
04 junho 2013
Eva portuguesa - «Gata borralheira»
Sinto-me a Gata Borralheira.
Não só hoje mas nos últimos tempos...
Sinto-me como aquela rapariga com tanta coisa linda para dar e mostrar (e não me refiro apenas ao físico) mas que se vê obrigada a esconder-se atrás de algo que não é, vivendo uma vida que não é a sua...
Não, não é mais uma choraminguice minha.
É um desabafo mas, assim como a história da gata borralheira, cheia de sonho, beleza, esperança e com um final feliz...
Simplesmente sinto que ainda não estou a viver aquela que será a minha vida...
Porque eu quero transformar-me na Cinderela, encontrar o príncipe que se vai apaixonar perdidamente por mim e me vai fazer feliz para sempre....
Nada disto é novo, certo?...
De uma forma ou de outra, numa altura ou noutra, todas as meninas sonham com o príncipe encantado; desejam ser a Cinderela; e acreditam num "e foram felizes para sempre".
Bem, nós, prostitutas, não deixamos de ser mulheres como as outras. Algumas, assim como eu, continuam inclusive a manter viva a rapariguinha que existia quando liam a história da Cinderela...
Quero encontrar o meu príncipe. Aquele que me vem buscar e me vai amar como eu sou, mesmo sendo agora a Gata Borralheira. Aquele que me vai fazer feliz para sempre. Aquele que me vai transformar na sua Cinderela e dançar comigo no palco da vida à frente de toda a gente, com orgulho, com amor.
Porque o amor, quando é verdadeiro, transforma... uma Gata Borralheira numa Cinderela; quebra um feitiço, acorda uma Branca de Neve...
Então, é isso que eu quero... ser amada. Como sou, com o meu presente, o meu passado e os meus sonhos de futuro. Ser amada com orgulho por um príncipe que queira mostrar ao mundo o quanto me ama. Ser amada por alguém que saiba o que isso quer realmente dizer. Alguém que se consiga entregar e me consiga aceitar... sem "ses"...
Quero ser amada, respeitada, protegida....
Quero ser a Cinderela...
Mas hoje, e por enquanto, continuo a ser a Gata Borralheira...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Não só hoje mas nos últimos tempos...
Sinto-me como aquela rapariga com tanta coisa linda para dar e mostrar (e não me refiro apenas ao físico) mas que se vê obrigada a esconder-se atrás de algo que não é, vivendo uma vida que não é a sua...
Não, não é mais uma choraminguice minha.
É um desabafo mas, assim como a história da gata borralheira, cheia de sonho, beleza, esperança e com um final feliz...
Simplesmente sinto que ainda não estou a viver aquela que será a minha vida...
Porque eu quero transformar-me na Cinderela, encontrar o príncipe que se vai apaixonar perdidamente por mim e me vai fazer feliz para sempre....
Nada disto é novo, certo?...
De uma forma ou de outra, numa altura ou noutra, todas as meninas sonham com o príncipe encantado; desejam ser a Cinderela; e acreditam num "e foram felizes para sempre".
Bem, nós, prostitutas, não deixamos de ser mulheres como as outras. Algumas, assim como eu, continuam inclusive a manter viva a rapariguinha que existia quando liam a história da Cinderela...
Quero encontrar o meu príncipe. Aquele que me vem buscar e me vai amar como eu sou, mesmo sendo agora a Gata Borralheira. Aquele que me vai fazer feliz para sempre. Aquele que me vai transformar na sua Cinderela e dançar comigo no palco da vida à frente de toda a gente, com orgulho, com amor.
Porque o amor, quando é verdadeiro, transforma... uma Gata Borralheira numa Cinderela; quebra um feitiço, acorda uma Branca de Neve...
Então, é isso que eu quero... ser amada. Como sou, com o meu presente, o meu passado e os meus sonhos de futuro. Ser amada com orgulho por um príncipe que queira mostrar ao mundo o quanto me ama. Ser amada por alguém que saiba o que isso quer realmente dizer. Alguém que se consiga entregar e me consiga aceitar... sem "ses"...
Quero ser amada, respeitada, protegida....
Quero ser a Cinderela...
Mas hoje, e por enquanto, continuo a ser a Gata Borralheira...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«Asas» - Susana Duarte
escrevo-te sobre os poros___________e sob a pele,
enquanto me habitas as sombras____e os recantos
luminosos____________________de noites antigas
são antigas as ruas onde passámos_________vidas
inteiras, abertas, marinheiras_____do infinito luzente
______________que nos habita o centro do corpo e
o centro_______da vida, e o centro dos olhos_____
serias a águia e o grito______a água e o parto____
se, querendo, me quisesses._____se, querendo, me
_______amasses as terras longínquas de onde sou.
serias, se quisesses, as asas todas do meu corpo.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
enquanto me habitas as sombras____e os recantos
luminosos____________________de noites antigas
são antigas as ruas onde passámos_________vidas
inteiras, abertas, marinheiras_____do infinito luzente
______________que nos habita o centro do corpo e
o centro_______da vida, e o centro dos olhos_____
serias a águia e o grito______a água e o parto____
se, querendo, me quisesses._____se, querendo, me
_______amasses as terras longínquas de onde sou.
serias, se quisesses, as asas todas do meu corpo.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
03 junho 2013
Red Light District - as raparigas das montras começam a dançar
"Às vezes as coisas não são o que parecem.
Homens, mulheres e crianças são traficados - enganados, forçados e explorados na indústria do sexo.
Campanha de sensibilização de apoio a Stop the Traffik. Visite http://www.stopthetraffik.org/"
«conversa 1982» - bagaço amarelo

Eu - Ainda bem.
Ela - Sinto-me calma e equilibrada, algo que nunca me aconteceu antes, muito por culpa dos homens que se atravessaram na minha vida.
Eu - Como te conheço há muitos anos, percebo o que dizes. Ainda bem que agora estás melhor.
Ela - Sim... a única coisa que me tira do sério, apesar de tudo, continuam a ser alguns homens que conheci.
Eu - Saudades?
Ela - Não. Raiva.
Eu - Raiva?!
Ela - Sim, quando me dou conta que perdi alguns anos da minha juventude por causa de homens que não o mereciam. Quando me ponho a pensar nisso, lá se vai a paz...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «O que é amar?» de Cristina Miranda
"É ser capaz de abraçar a tranquilidade do por de sol que me deste.
Aparto-me do corpo,
Abandonando a voz num grácil descanso.
Eu sou o teu silêncio.
Sente,
Devagar…
Como me enleio pela tua imaginação,
Como se de ti fizesse parte.
Dela,
Não te separarias por nada!
E porque a saberias fina,
Delicada,
Qual folha de papel de arroz,
Apartar-te-ias do corpo,
Abandonando a voz num não menos dócil emudecimento…
E assim,
Incorpóreos,
Existiríamos!
Seríamos de quando em vez
Movimento,
De quando em vez
Tacteio leve…
Era assim que nos víamos,
Quando no céu deste lugar
Nos contámos do que iríamos fazer,
Quando por fim nos encontrássemos!
Estamos juntos…
Acendamos a magia deste momento
E sob a luz doce que dela imana,
Vamos emocionar-nos,
Vamos tocamo-nos sem nos tocar,
Causando com que a pergunta que nos fizemos,
Se deite,
E adormeça, feliz.
Vamos ser a certeza de nos termos,
Deitando fora a distancia,
Saboreando o prazer de ver a resposta acordar
Espalhando-se por nós,
Tornando-se na nossa pele,
Tal como este por de sol que vem aquecer-nos,
Depondo no parapeito do desejo
A certeza de que o amanhã é agora
Tão certo,
Tão vivo,
Tão quente,
E tão só nosso!"
Cristina Miranda
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
Aparto-me do corpo,
Abandonando a voz num grácil descanso.
Eu sou o teu silêncio.
Sente,
Devagar…
Como me enleio pela tua imaginação,
Como se de ti fizesse parte.
Dela,
Não te separarias por nada!
E porque a saberias fina,
Delicada,
Qual folha de papel de arroz,
Apartar-te-ias do corpo,
Abandonando a voz num não menos dócil emudecimento…
E assim,
Incorpóreos,
Existiríamos!
Seríamos de quando em vez
Movimento,
De quando em vez
Tacteio leve…
Era assim que nos víamos,
Quando no céu deste lugar
Nos contámos do que iríamos fazer,
Quando por fim nos encontrássemos!
Estamos juntos…
Acendamos a magia deste momento
E sob a luz doce que dela imana,
Vamos emocionar-nos,
Vamos tocamo-nos sem nos tocar,
Causando com que a pergunta que nos fizemos,
Se deite,
E adormeça, feliz.
Vamos ser a certeza de nos termos,
Deitando fora a distancia,
Saboreando o prazer de ver a resposta acordar
Espalhando-se por nós,
Tornando-se na nossa pele,
Tal como este por de sol que vem aquecer-nos,
Depondo no parapeito do desejo
A certeza de que o amanhã é agora
Tão certo,
Tão vivo,
Tão quente,
E tão só nosso!"
Cristina Miranda
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
02 junho 2013
«A Europa suportada pela África e pela América»
Gravura de William Blake do livro «Narrative of the Five Year's Expedition Against the Revolted Negroes of Suriname» - final do século XVIII
E há esta reinterpretação recente, exposta no Museo d’Arte contemporanea DonnaREgina (M.A.D.RE), em Nápoles:
Mircea Cantor - «Europe Supported by Africa and Asia» (1992)

E há esta reinterpretação recente, exposta no Museo d’Arte contemporanea DonnaREgina (M.A.D.RE), em Nápoles:
Mircea Cantor - «Europe Supported by Africa and Asia» (1992)
Orgulho e castração
(Foto © Amelkovich, Dangerous games 02)
Orgulhava-se de ter sido o amparo de seu pai desde que sua mãe falecera com um mal ruim. Orgulhava-se da dedicação que sempre dispensou ao esposo, especialmente a partir do momento em que ele manifestou Alzheimer e acabou por ficar incontinente e acamado. Habituara-se a admirar e a viver com homens com quem não tinha relações sexuais. Habituara-se a viver castrada como se não pudesse ter orgulho em si.
01 junho 2013
«coisas que fascinam (158)» - bagaço amarelo

Acho que o Amor é um fósforo. Acende-se, queima-se e morre. Não existe, por isso, o Amor duma vida inteira. É falso. O que pode existir é uma vida inteira onde todos os dias nasce um novo Amor entre os mesmos Amantes, que o Amor é coisa para um dia. Não mais do que isso.
Dois Amantes que estiveram juntos durante um ano apaixonaram-se trezentas e sessenta e cinco vezes nesse ano. Basta terem-se apaixonado trezentas e sessenta e quatro que, lá pelo meio, é mais do que certo que tiveram um dia triste. Um dia em que, não o confessando a ninguém, duvidaram daquilo que sentiam.
A dúvida faz parte do Amor. Surge sempre naqueles dias em que nós acordamos, mas o Amor não. São dias de sonolência, esses. E no entanto, essenciais para que nos apaixonemos de novo, logo na manhã seguinte, pela mesma pessoa.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
31 maio 2013
«O Canhão» - por Quito Pereira

Antes que o preclaro António Dias, venha para aqui dizer que já pôs um penedo de Monsanto em cima da guerra, eu começo por avisar que este canhão não é um canhão. Era um homem, que tinha uma alcunha bélica – Canhão. Um militar africano, de etnia fula. Lembro-me dele, como se estivesse aqui à minha frente. Alto, quase dois metros de estatura, olhos grandes e inquietos, uma barba branca e rala e uns pés onde moravam umas botas número 48. Usava calções de Janeiro a Dezembro e nunca o vi que não fosse a rir. Um riso largo, que lhe ocupava a cara toda e uma forma muito peculiar de ver a vida. Tratava-a com desdém e dizia que era na morte que começava tudo. Talvez uma crença religiosa, que o levava a afirmar que nunca virava o peito às balas. Se lhe acertassem, era o Destino.
Como todos os homens, o Canhão tinha qualidades e defeitos. Gostava de gastronomia, por exemplo. Uma qualidade. Mas era louco por carne de macaco. Um defeito. Um clamoroso defeito. Defeito, porque não se coibia de, nas colunas militares, atirar rajadas de metralhadora para as árvores, na expectativa de ver derramados pelo chão, meia dúzia de infelizes. Era como andar a varejar azeitona num chão de oliveiras, no Alentejo. Um dia, subi ao rodado de um camião, para ficar de olhos nos olhos com ele e gritei-lhe furioso: “… ó Canhão, queres matar-nos a todos?!… Não vês que estás a denunciar a nossa posição ao inimigo…?!”. O Canhão descansou então os braços sobre o cano da arma, compôs o boné militar, deu um suspiro fundo e disse-me com os olhos no horizonte: “… mas ó furriel, aquele macaco era tão tenrinho…”. Nada a fazer…
Uma noite, ligámos a máquina do Melgueira e projetámos um filme contra a parede branca da caserna. O filme era o delírio para quem já andava meio louco. O documentário, já um tanto queimado e deteriorado de tantas vezes ser visto, mais não era que uma loira escultural, como Nosso Senhor a pôs no Mundo, a lavar um carro com uma mangueira. Lavava bem, admito. E estávamos nós a ver a esguichadela de mangueira pela centésima vez, quando entrou no abrigo o Canhão. Ao ver a preciosidade, que o mesmo é dizer, a bela “ragazza”, encostou-se a uma parede assombrado, de olhos arregalados e respiração ofegante. E riu. Riu muito e bateu palmas. A plateia acompanhava-o, metendo os dedos na boca e soltando assobios estridentes. E quando o filme acabou, depois de repetido mais dez vezes, a pedido do culto Conclave, o Canhão partiu, entusiasmado.
No dia seguinte, ao passar por ele na parada, perguntei-lhe quais tinham sido as suas impressões, sobre aquela fantástica noite de «cinema». Então, olhou para mim, voltou a rir até se engasgar e disse-me em apoteose: “ó furriel, estive toda a noite sem dormir, com a cabeça cheia de pensamentos abandalhados”. Uma qualidade…
Quito Pereira
Blog Encontro de Gerações
Prostituição - a minha história (XV)
Outono de 1999... (...) Se eu estivesse louca, pensava, ela havia de me dizer. No dia seguinte, entre chamadas, fui-lhe relatando a minha experiência e os meus pensamentos. As primeiras frases que lhe disse pareciam pesar chumbo e saírem arrastadas da minha garganta. Não conseguia interpretar bem o olhar dela mas conseguia perceber a curiosidade a crescer-lhe. Fui descontraindo no avançar da conversa e ela foi oscilando entre a estupefacção completa e a curiosidade enorme. A única prostituição de que ela tinha conhecimento era a de rua portanto imaginava que eu lhe ía relatar algo degradante, humilhante e em que as mulheres estavam completamente mal tratadas pelos proxenetas e expostas a quem quisesse ver. Colocou-me várias perguntas e fez várias exclamações revoltadas quando imaginava algo como estarmos expostas a todas as doenças, eu explicava-lhe que era com protecção, que ninguém me tinha tratado mal, que estávamos protegidas pela casa, que espreitávamos os homens antes da apresentação para vermos se não era ninguém conhecido. Depois começou a colocar-me questões práticas, quanto se ganhava, em que horário, onde... E eu percebi, percebi que ela estava a tentar convencer-se a... Percebi que não me ía dizer que eu estava louca. Percebi que é um risco contar estas coisas a uma pessoa com uma vida ainda mais complicada que a nossa, percebi que, se eu tinha do que me queixar, ela, com filhos, ainda mais teria, percebi que, maior que o risco do julgamento ou de me chamar louca, era este risco imprevisto: o de convencer alguém a alinhar na minha loucura. Mas já estava feito e ela fazia planos, já lhe tinha aberto a porta e não sabia como e se haveria de a fechar: se nós entrássemos podíamos melhorar muito a nossa vida, ela poderia dar imensas coisas aos filhos, já se considerava uma pessoa com uma liberdade sexual grande, embora não tanta, mas era apenas juntar a liberdade sexual à vida financeira, imaginava que também podíamos aprender como se faz e, depois, quando tivéssemos dinheiro suficiente, poderíamos também abrir uma casa daquelas e ganhar uma fortuna. E imaginou, imaginou, imaginou... No fim de toda a imaginação, só nos sobrou uma questão: onde? (Continua)
Creme de la creme
Quando era adolescente apaixonava-me por todas as miúdas que me pediam para lhes aplicar o bronzeador.
30 maio 2013
«Ceci n'est pas mon corps» (isto não é o meu corpo) - Dries Verhoeven
"O corpo humano começa a mostrar sinais de envelhecimento após os 20 anos de idade. A degeneração ocorre como resultado de radicais livres que atacam o corpo, os quais danificam a estrutura de ADN. As rugas são causadas por movimentos repetitivos da pele, como o acto de sorrir. O nível reduzido de elastina provoca uma maior superfície da pele (por exemplo, sob o queixo).
Os holandeses têm em média 39 anos e esta idade está a aumentar. Os modelos fotográficos profissionais mantêm-se cada vez mais jovens. Idealmente, começam as suas carreiras quando estão entre os 14 e os 19 anos de idade."
Ceci n'est pas mon corps | Dries Verhoeven from THR Visuals on Vimeo.
Os holandeses têm em média 39 anos e esta idade está a aumentar. Os modelos fotográficos profissionais mantêm-se cada vez mais jovens. Idealmente, começam as suas carreiras quando estão entre os 14 e os 19 anos de idade."
Ceci n'est pas mon corps | Dries Verhoeven from THR Visuals on Vimeo.
5ª lição
A quinta lição não é a última. Apenas se refere a uma prática, entre muitas outras, que exige treino constante e conhecimento completo dos corpos.
A vagina está predisposta a acolher qualquer pénis e desenhada de forma a proporcionar as mais perversas, deleitosas e magníficas experiências de que há memória e receber idênticos prazeres. A descida e a subida húmida e suculenta da vagina sobre o pénis é agora compassada, acelerando o ritmo de entrada e saída do pénis de acordo com o egoísmo e a urgência dos envolvidos. No entanto, a mulher não deve deixar de sentir os batimentos do órgão que tem encravado no sexo. Tem de usufruir do fogo da glande e da rigidez do corpo que a invade.
A inclinação sobre o peito masculino favorece o encontro do clítoris com os pelos púbicos do homem a que é permitido jogar com o anûs da fêmea que o cavalga. O pénis pode ser retirado, ensopado, e friccionado contra o anûs de modo a lubrificar o local interdito até ao momento.
O descontrolo masculino tem de ser previsto. Afagar, friccionar, roçar e massajar o anûs com a rigidez desesperada do pénis, não implica forçar uma entrada intempestiva (trataremos deste caso numa lição posterior). A expressão verbal do sentido (não esqueçamos que o sexo não é apenas a verbalização de onomatopeias, urros, guinchos, gemidos ou vagidos) é afrodisíaca e, ao contrário de algumas mulheres, sou de opinião que deve ser quase narrado, descrito e enunciado, toda a movimentação que se opera. - Sinto-te a latejar e a escaldar-me o corpo todo e sei que te aperto e estrangulo a vida. – Para além de vagamente poético, contrabalança a verborreia que nestes momentos somos capazes de desatar a rugir.
O sexo não tem de ser uma colecção de calões ou de pregões vociferados. O platô, quando se manifesta, é perfeitamente reconhecido.
Entranhemos o pénis, fundo, na vagina e cerremos os músculos em redor da base. Os jactos de esperma terão de rebentar o anel que aperta e o prazer é redobrado sendo redobrada a força com que são projectados na vagina. Em alternativa, mais contida, a mulher pode desembainhar o pénis e abrindo o sexo com os dedos da mão liberta, deixar que a lava embata no clítoris, friccionando o cone vulcânico de encontro ao expectante e ávido pequeno colosso. A lição está completa.
O que se vai seguir não pertence ao sumário desta aula. É bom deixar agora o improviso tomar conta do suor e do cansaço.
Camille
«Bate-papo: O Retorno» - Patife

Bate-papo
Isto é capaz de vos chocar, mas vou dizê-lo na mesma: aprecio mulheres tagarelas. A sério que sim. Relaxam-me. Gosto muito de as ver conversar. Umas com as outras, entenda-se. Isto a propósito de duas gajas bi-curiosas que engatei ontem à noite. Não sei se alguma vez vos disse que danço como o Fred Astaire, coisa que aparentemente deixa as mulheres à beira de um ataque de líbido. Engatei duas simultaneamente com os meus passos de dança, mas antes de sairmos do clube nocturno desataram as duas à conversa. Eu deixei-as falar, até porque assim conversam uma com a outra e sossegam-me os cornos. Fazem os preliminares da palratória e quando acharem que já chega de conversa vêm comigo para casa. E, acreditem, muito tagarelaram aquelas duas. Mas depois de as ter levado para casa e de as despir é que começaram no verdadeiro bate-papo.
Patife
Blog «fode, fode, patife»
29 maio 2013
A Primeira Afunda São de Sempre... (versão oficial)
interpretação livre do Livro de Gênesis e em oposição
à versão da teoria evolucionista (apresentada anteriormente)
Raim on Facebook
«A arte da foda» - João
"As mulheres sabem sempre. Foder é uma arte e as mulheres sabem sempre quem está a entrar nelas. Sabem sempre se estão a fazer amor com elas, ou se as estão a foder, mesmo quando estão a foder fazendo amor. A arte da foda não é para quem quer, é para quem pode, quem consegue, quem sente. A arte da foda não é para os grandes pénis, para os musculados, para os elegantes. A arte da foda não é para o macho comum, vulgar de Lineu. Para o bárbaro, a herança do macho que perseguia bisontes. A arte da foda é para o macho que se distancia dos raciocínios da matilha, que corre e concorre para esvaziar os tomates e a seguir partir para outra. A arte da foda é para o macho que se funde nas fêmeas, que as ama nos seus detalhes, nos pequenos odores, nos pequenos toques, nas palavras cuidadas que passam dos lábios às orelhas como brisas quentes que confortam em dias frios.
A arte da foda não é foder e partir. É amar e ficar, tapar, aconchegar. É cuidar. A arte da foda é fazer vir, com mãos quentes, com corpo quente, com olhar penetrante que fala melhor e mais fundo do que o mais prolixo dos escritores. A arte da foda é soltar os corpos sem lugares comuns nem receios, ir ao encontro do que se gosta e quer, despir a máscara com que se sai da cama de manhã assim que se acorda. A arte da foda é ignorar tudo e ceder ao prazer em qualquer lugar, passe gente ou não, haja cama, mesa ou chão. Correr riscos, ficar-se ofegante, dizer-se que não se tem juízo nenhum, que se é louco, que nunca se sentiu nada assim. A arte da foda é explodir, ficar-se mais molhado do que num dia de chuva. A arte da foda é não temer o cansaço que vem depois, é antecipá-lo e sorrir, com vontade de repetir. A arte da foda é amar. Amar foder e ser fodido amando."
João
Geografia das Curvas
A arte da foda não é foder e partir. É amar e ficar, tapar, aconchegar. É cuidar. A arte da foda é fazer vir, com mãos quentes, com corpo quente, com olhar penetrante que fala melhor e mais fundo do que o mais prolixo dos escritores. A arte da foda é soltar os corpos sem lugares comuns nem receios, ir ao encontro do que se gosta e quer, despir a máscara com que se sai da cama de manhã assim que se acorda. A arte da foda é ignorar tudo e ceder ao prazer em qualquer lugar, passe gente ou não, haja cama, mesa ou chão. Correr riscos, ficar-se ofegante, dizer-se que não se tem juízo nenhum, que se é louco, que nunca se sentiu nada assim. A arte da foda é explodir, ficar-se mais molhado do que num dia de chuva. A arte da foda é não temer o cansaço que vem depois, é antecipá-lo e sorrir, com vontade de repetir. A arte da foda é amar. Amar foder e ser fodido amando."
João
Geografia das Curvas
«conversa 1980» - bagaço amarelo

Eu - E umas férias sozinha, já pensaste nisso?
Ela - Já pensei... mas não sei se ele vai gostar da ideia...
Eu - Tu é que sabes. Eu acho que é sempre bom falar nessas coisas. Pôr tudo em cima da mesa, amigavelmente, e discutir. Já falaste com ele sobre isso?
Ela - Não consigo falar com ele sobre isso.
Eu - Tens que ganhar coragem...
Ela - Não é bem uma questão de coragem, é mais uma questão de oportunidade.
Eu - De oportunidade?! Vocês vivem juntos...
Ela - Vivemos... mas ele está sempre a jogar Playstation 3 na sala e eu a ver televisão no quarto...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Palavras para quê?
Olho nos olhos das palavras, atrevido. E elas punem-me pelo arrojo, conscientes do quanto não possuo aquilo, seja o que for, que me conceda o direito de olhá-las assim. Sorriem com desdém, fazem troça do meu atrevimento e ignoram em absoluto a minha veleidade de escriba amador e amante inferior das suas tentações demoníacas, das ilusões que estendem como um falso tapete vermelho neste branco imenso que desafia os atrevidos como eu.
Olho-as com respeito e tento usá-las a preceito mas as palavras jamais se deixam usar, rebeldes por natureza, independentes da vontade de quem se arvora capaz de as manobrar a seu bel-prazer, superiores a todas as vaidades humanas.
E a minha, ridícula aos seus olhos de fêmeas bem rodadas, de palavras muito usadas, experientes, apenas belisca ao de leve a fina cútis que as protege dos arremedos de insignificantes prosadores, elas que já serviram para descrever intensos amores ou prodígios da inteligência.
Olho nos olhos as palavras e esboço um sorriso patético, ciente da sua incomensurável superioridade que me esmaga mas não me impede de as confrontar. Absurdo, entrego-me às palavras e ofereço-lhes a rendição.
Olho-as com respeito e tento usá-las a preceito mas as palavras jamais se deixam usar, rebeldes por natureza, independentes da vontade de quem se arvora capaz de as manobrar a seu bel-prazer, superiores a todas as vaidades humanas.
E a minha, ridícula aos seus olhos de fêmeas bem rodadas, de palavras muito usadas, experientes, apenas belisca ao de leve a fina cútis que as protege dos arremedos de insignificantes prosadores, elas que já serviram para descrever intensos amores ou prodígios da inteligência.
Olho nos olhos as palavras e esboço um sorriso patético, ciente da sua incomensurável superioridade que me esmaga mas não me impede de as confrontar. Absurdo, entrego-me às palavras e ofereço-lhes a rendição.
28 maio 2013
Eva portuguesa - «A mulher do cliente»
Há pouco tempo aconteceu-me algo no mínimo curioso.
Tocou o telefone - um número identificado - e eu atendo.
Oiço uma voz de mulher dizer: "olhe, bom dia, pode-me dizer por que o meu marido comunica tantas vezes consigo?"
Como devem imaginar, fiquei momentaneamente sem resposta...
Depois pensei para mim: OK, vai haver merda... mas tens que manter a calma.
Respondi-lhe que não sabia quem era o marido.
Disse-me um nome e eu mantive (porque até era verdade) que continuava sem saber quem era a pessoa em questão.
A senhora pergunta-me se o meu nome não é Mariana, se o meu apartamento não e na alta de Lisboa (e deu a morada correcta e completa) e aí eu começo a ficar verdadeiramente preocupada, com receio que a senhora me viesse fazer um escândalo à porta de casa...
Pergunta-me porque ando eu atras do marido dela e aí, alto e pára o baile, pois isso eu não faço!
E expliquei-lhe quem era e o que fazia, e que o marido dela, para estar comigo, só se pagasse. E que eram os homens que me procuravam e não ao contrário.
Contra tudo o que eu esperava, a senhora foi realmente isso: uma senhora! Pediu-me desculpa por me estar a abordar assim, não sabia da situação e compreendia que esta era a minha profissão. Pasmei!
Se fosse ao contrário, eu não seria tão racional...
Chorou, pediu-me desculpa, perguntou-me o que havia de fazer, perguntou-me o que procurava ele... enfim, de repente já estava a ser a sua confidente... eu, a prostituta a cujos serviços o marido recorria frequentemente!
Fiquei impressionada... com a situação e, sobretudo, com a atitude correcta da mulher do meu cliente...
Foi mais uma lição de vida para mim.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Tocou o telefone - um número identificado - e eu atendo.
Oiço uma voz de mulher dizer: "olhe, bom dia, pode-me dizer por que o meu marido comunica tantas vezes consigo?"
Como devem imaginar, fiquei momentaneamente sem resposta...
Depois pensei para mim: OK, vai haver merda... mas tens que manter a calma.
Respondi-lhe que não sabia quem era o marido.
Disse-me um nome e eu mantive (porque até era verdade) que continuava sem saber quem era a pessoa em questão.
A senhora pergunta-me se o meu nome não é Mariana, se o meu apartamento não e na alta de Lisboa (e deu a morada correcta e completa) e aí eu começo a ficar verdadeiramente preocupada, com receio que a senhora me viesse fazer um escândalo à porta de casa...
Pergunta-me porque ando eu atras do marido dela e aí, alto e pára o baile, pois isso eu não faço!
E expliquei-lhe quem era e o que fazia, e que o marido dela, para estar comigo, só se pagasse. E que eram os homens que me procuravam e não ao contrário.
Contra tudo o que eu esperava, a senhora foi realmente isso: uma senhora! Pediu-me desculpa por me estar a abordar assim, não sabia da situação e compreendia que esta era a minha profissão. Pasmei!
Se fosse ao contrário, eu não seria tão racional...
Chorou, pediu-me desculpa, perguntou-me o que havia de fazer, perguntou-me o que procurava ele... enfim, de repente já estava a ser a sua confidente... eu, a prostituta a cujos serviços o marido recorria frequentemente!
Fiquei impressionada... com a situação e, sobretudo, com a atitude correcta da mulher do meu cliente...
Foi mais uma lição de vida para mim.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«Verbo» - Susana Duarte
Sobre uma foto de Michel Debruille
um dia, saberei conjugar todos os verbos
-mesmo os verbos de ser arriba
escarpada
sobranceira-
e, ao conjugá-los, saberei onde estás:
manhã orvalhada de todas as palavras
de antes, desfloradas em neblinas
onde gotas de geada quebram folhas
suaves, lentas folhas
de chuva antiga
que me acende (caminhos?)
conjugo o verbo-palavra mitigada
pelo bater de asas suave
da leve
ondulação das águas
e, ao dizer da eloquência
dos sons, procuro ainda.
procuro o abrigo das asas
rectrizes de todos os uivos,
voos lentos dos meus braços curvos.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
um dia, saberei conjugar todos os verbos
-mesmo os verbos de ser arriba
escarpada
sobranceira-
e, ao conjugá-los, saberei onde estás:
manhã orvalhada de todas as palavras
de antes, desfloradas em neblinas
onde gotas de geada quebram folhas
suaves, lentas folhas
de chuva antiga
que me acende (caminhos?)
conjugo o verbo-palavra mitigada
pelo bater de asas suave
da leve
ondulação das águas
e, ao dizer da eloquência
dos sons, procuro ainda.
procuro o abrigo das asas
rectrizes de todos os uivos,
voos lentos dos meus braços curvos.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
O feijão tímido
É das peças mais pequenas da minha colecção e uma das que eu mais gosto.
Foi-me oferecida, já há alguns anos, pelo meu amigo Tony Costa.
Os dois braços, que levantam e baixam, seguram um chapéu. As três pernas (sim, três) são também articuladas.
Se um dia a minha exposição estiver exposta ao público, o feijão tímido poderá proporcionar um excelente passatempo, se for colocado num sítio diferente em cada dia e os visitantes forem convidados a encontrá-lo.
Foi-me oferecida, já há alguns anos, pelo meu amigo Tony Costa.
Os dois braços, que levantam e baixam, seguram um chapéu. As três pernas (sim, três) são também articuladas.
Se um dia a minha exposição estiver exposta ao público, o feijão tímido poderá proporcionar um excelente passatempo, se for colocado num sítio diferente em cada dia e os visitantes forem convidados a encontrá-lo.
27 maio 2013
«Ladies Open» (em português, «mulheres, abram!»)
Há dois anos, fizemos uma reportagem do torneio de ténis feminino «Cantanhede Ladies Open».
Na altura, sugeri que organizassem também uma prova de ténis feminino «Ladies Naked». Ficaram de estudar o assunto... só que ainda não foi desta.
Mas não se perde nada, pois o cartaz do evento é extremamente apelativo...
... com esta simpática tenista a ser atacada por bolas por todos os lados...
... bolas com excelente bom gosto, diga-se de passagem...
... e com olho para a coisa!
O ténis feminino é um regalo!
Na altura, sugeri que organizassem também uma prova de ténis feminino «Ladies Naked». Ficaram de estudar o assunto... só que ainda não foi desta.
Mas não se perde nada, pois o cartaz do evento é extremamente apelativo...
... com esta simpática tenista a ser atacada por bolas por todos os lados...
... bolas com excelente bom gosto, diga-se de passagem...
... e com olho para a coisa!
O ténis feminino é um regalo!
«respostas a perguntas inexistentes (241)» - bagaço amarelo

Fiquei a pensar naquela fracção de tempo, "um dia destes", tão pequena quando comparada com a minha vontade estar com ela. Mais pequena ainda do que isso, já que nesse dia se reduziria a um jantar. Lembrei-me duma música que ouvira no carro uns minutos antes, numa rádio que só passa canções dos anos oitenta, e que dizia que "a culpa é da vontade que vive dentro de mim e só morre com a idade, a idade do meu fim".
- Um ano destes ainda havemos de nos Amar os dois! - respondi-lhe.
A partir desse momento perdi a coragem de a fitar nos olhos. Não porque me apetecesse fugir, mas sim porque passei a sentir-me um invasor. Estávamos a lanchar e ela escondera o sorriso tímido por trás duma chávena de chá fumegante. Esperei um pouco e passeei o meu olhar por todos as coisas desinteressantes daquele café de esquina até a ouvir dar sinal de vida.
- Uma vida destas ainda havemos de nos Amar os dois! - insistiu ela.
Foi a primeira vez que demos as mãos um ao outro e durante dois meses vivemos um Amor eterno.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «Requiem a um sentimento”» de Gigi Manzarra
Jogo através do vento, as dúvidas secretas do meu destino e como sombra sorrateira, procuro nelas a sina escrita do meu amor. Atravesso a ilusão da eternidade e descubro que a labareda ardente que nos consumia, não me queima mais.
Metamorfose lenta e imperceptível de um sentimento quente embalado nos braços de uma amizade morna, que o reduziu a uma pequena brasa que agora agoniza chorando dentro do meu peito.
Sopro com força a brasa incolor que ruboriza tímida, sem ter a certeza se quer acender.
No espelho da alma, a saudade me culpa o coração inconstante de vontade rebelde que não sabe amar.
Olhando o teu rosto, mergulho neste sentimento tépido e questiono o porquê da minha quente paixão ter-se esvaecido no balanço monótono do tempo.
Sobressalto o meu coração para acordá-lo, mas é tarde demais e me rendo sem luta a esse sono profundo de um sentimento morno a que o condenei!
Gigi Manzarra
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
Gigi Manzarra
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
26 maio 2013
Gustavo

A inundação começou com o seu sorriso de olhos cúmplices, avolumou-se com os gostos comuns por letras e imagens e as suas histórias cheias de descobertas nas rotinas citadinas a impregnar a minha alma de mata-borrão e foi às apalpadelas na cheia que me pareceu natural como a minha sede que após diversas tentativas de localização ele me sentasse na rocha do aparador da entrada e então ao mesmo nível, fizesse canoagem nos meus rápidos vaginais que nunca fui moça de ficar quieta.
Mas adiante que além das diárias mãos dadas também recordo os primeiros raios de sol a enfeitarem o quarto como serpentinas em cada manhã que me arrebitavam para a festa de lhe beijar cada milímetro desde as ramelas ao Everest privativo. E os finais da tarde na banheira onde largávamos as canseiras do dia para emergirmos na comunicação dos corpos, no morse de tocar os pontos de cada vértebra do pescoço e coluna em escala descendente fazendo a electricidade estática que torna urgente entrar no sistema. E a moleza do final da digestão do jantar que nos aninhava no sofá numa sôfrega sobremesa de sucção mútua que me encavalitava nas suas ancas, mãos esborrachadas nas suas nádegas, num trote seguro até ao galope final emitido em onomatopeias.
Nem me incomodava a tampa da sanita sempre levantada, um pormenor de somenos perante a sua perfeição a bailar a casa de aspirador na mão e gostava que tivesse durado o resto dos dias da minha vida.
25 maio 2013
«pensamentos catatónicos (290)» - bagaço amarelo

Sempre imaginei que as tardes de preguiça são o melhor para quem está apaixonado. Passar o tempo todo a deambular pela casa, acumulando louça suja na banca da cozinha, vendo filmes de histórias fáceis, lendo livros aos bocados e espreguiçando-me de tempos a tempos, ora na cama ora no sofá. A preguiça é excelente, mas regada com beijos espaçados é ainda melhor.
Assim, quando me apaixonei pela Cristina esperei ansiosamente pela primeira tarde de preguiça a dois. Lembro-me que acordei por volta do meio-dia com uma vontade enorme de sentir o aroma dum café quente. Ela já não estava na cama. Deambulava pela sala com ar de poucos amigos e, mal me viu entrar na cozinha, perguntou-me se eu ia passar o dia naquela ronha. Estava impaciente.
Uma semana depois já não estávamos juntos. Não se pode Amar quem não partilha a preguiça.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
69 lésbico
Caixa em resina pintada, tendo na tampa duas meninas a divertirem-se reciprocamente.
Esta peça veio dos Estados Unidos da América, já há alguns anos, para a minha colecção.
Esta peça veio dos Estados Unidos da América, já há alguns anos, para a minha colecção.
24 maio 2013
Prostituição - a minha história (XIV)
Outono de 1999... A rua estava praticamente deserta e as poucas personagens que passavam pareciam tão perdidas quanto eu. Muitas vezes os meus turnos no call center terminavam a meio da noite, tinha que esperar na rua pelo primeiro transporte da manhã para voltar a casa, dinheiro para gasolina ou táxi não chegava, o cansaço abundava, aceitava vários turnos seguidos para ganhar o suficiente para estudar. Não sei se a falta de dinheiro, por si só, me traria as memórias de um tempo em que a carteira estava sempre cheia, mas, certamente, o enorme cansaço e aquelas longas esperas no escuro pelo primeiro transporte matinal, faziam-me ruminar o desconforto, ruminar todas as coisas pequenas que não tinha e que se tornavam maiores no silêncio, ruminar até à revolta, ruminar a imbecilidade de um esforço diário que não me permitia mais do que sobreviver. Ruminar um somatório de instantes não mostra o resultado do somatório, o caminho que se constrói. O processo de percorrer as memórias de dias cheios das liberdades do dinheiro estava a ser lento, tinha começado fazia poucos meses, mas as memórias pareciam-me cada vez mais agradáveis, os detalhes menos agradáveis começavam a entrar na penumbra do pouco importante. Quando se pondera algo que se quer fazer e já se fez, a memória é mesmo assim, tem os seus caprichos, sublinha o bom e empurra o mau para um canto mais escuro e os passeios a esse canto mais escuro que sabemos bem existir tornam-se cada vez mais raros e mais curtos. Ali, sentada, à espera, pensava e pensava e pensava, tanto pensamento leva fazer o impensável! Nessa noite perguntei-me se estaria louca e não estaria a ver que o que considerava fazer era uma loucura. Como avaliar? Resolvi que, no dia seguinte, se tivesse coragem, falaria com uma grande amiga que trabalhava comigo e passava pelas mesmas dificuldades, confessar-lhe-ia o que tinha feito em tempos e o que me passava pela cabeça fazer. Se eu estivesse louca, pensava, ela havia de me dizer. (Continua)
Faz de conta que um dia
Faz de conta que um dia sentiste na pele o toque dos dedos que te escrevem agora uma prosa ficcionada, uma história construída sobre os alicerces de memórias como peças de lego num puzzle que alinhamos a dois em quartos separados, tira e põe, põe e tira, pedaços de fantasia encaixados em retalhos de vida conversada como ela também se faz.
Imagina um enredo e transforma-o num segredo que tencionas soprar, palavras confiadas ao vento que as carregue para só eu as ouvir, murmuradas lá fora na dança das folhas que se sonham páginas de um livro ainda por escrever, para só eu as ouvir e assim quase me poder sentir especial, quase protagonista.
Faz de conta, numa espécie de fogo de vista capaz de me incendiar ilusões, que um dia te despertei emoções proibidas, sensações vividas numa assoalhada clandestina da tua imaginação, como se alguém abrisse um alçapão no tecto dessa casa assombrada por fantasmas a fingir, o som distante de pessoas a rir das palavras oferecidas apenas porque sim, num dia em que fizeste de conta que pretendias ouvir contar uma história com sentimentos de brincar, beijos de encantar num guião improvisado sem um príncipe encantado que te pudesse fazer sentir na pele, faz de conta, o sopro quente da brisa de uma respiração carregada de palavras doces, clandestinas, levadas até ti pelo vento suão.
Imagina um enredo e transforma-o num segredo que tencionas soprar, palavras confiadas ao vento que as carregue para só eu as ouvir, murmuradas lá fora na dança das folhas que se sonham páginas de um livro ainda por escrever, para só eu as ouvir e assim quase me poder sentir especial, quase protagonista.
Faz de conta, numa espécie de fogo de vista capaz de me incendiar ilusões, que um dia te despertei emoções proibidas, sensações vividas numa assoalhada clandestina da tua imaginação, como se alguém abrisse um alçapão no tecto dessa casa assombrada por fantasmas a fingir, o som distante de pessoas a rir das palavras oferecidas apenas porque sim, num dia em que fizeste de conta que pretendias ouvir contar uma história com sentimentos de brincar, beijos de encantar num guião improvisado sem um príncipe encantado que te pudesse fazer sentir na pele, faz de conta, o sopro quente da brisa de uma respiração carregada de palavras doces, clandestinas, levadas até ti pelo vento suão.
Manual do abraço masculino
Aprendam como um abraço másculo deve ocorrer.

O abraço não pode durar mais que 5 segundos.
Capinaremos.com
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