20 junho 2013

Onan ou a arte da masturbação (III)

É tempo de dar por concluída esta que é apenas uma das formas mais básicas de te masturbares.
As variantes são inúmeras e serás tu a descobrir as potencialidades que encerram. A mão, ou as mãos, são instrumentos maleáveis e suficientemente articulados para que possas usufruir de todas as manobras de que são capazes.
É, no entanto, evidente que o aprendido seja treinado e usado com afinco. Só o empenho e a constância farão do masturbador um especialista, digno sacerdote de Onan.
A posição da mão que embala o berço pode variar. Tocar o pénis apenas com o polegar e o indicador, descobrindo lentamente a glande, acariciar a bojuda e luzidia polpa, percorrer o sulco e tocar no freio com os dedos lubrificados, viajar pelos testículos e pelos trilhos que levam ao anûs ou abraçar por completo o tronco rígido, podem ser jogos imprescindíveis para optimizar o prazer.
O rodar da mão, ou a inversão da sua habitual e mais comum posição ou mesmo a sua paragem completa (sendo, neste caso, os movimentos de entrada e saída neste túnel quente, executados pelo teu corpo), enquanto é manejado o pénis, variando velocidades e pressões, é um dos mais importantes caminhos para o orgasmo que, quando se aproxima, deve ser potenciado apertando em anel, com dois dedos da mão que fica livre, a base do pénis e, simultaneamente, empurrando com suavidade os testículos para baixo.
O subir a escaldar do esperma é sentido no interior do pénis e os jactos tornar-se-ão mais vigorosos e muitíssimo mais amplos.
Os homens mais ousados deixam que se solte, se projecte no ar e aterre no tronco, sem qualquer constrangimento. Os ainda mais audazes, acabam por provar o que lhe caiu perto da boca.
O aprendizado é longo e chega a ser penoso, mas o resultado é sempre explosivo e, reconheçamos, nenhum vulcão enfraquecido provoca o deslumbrar das multidões.
Camille

Problema em arranjar uma namorada?

Siga o manual abaixo e seus problemas terão um fim.



Não tem erro.

Capinaremos.com

19 junho 2013

«Bichos difíceis» - João

"Enquanto estou imóvel a observar um gin tónico acabado de preparar, noto as gotas que escorrem no copo, escuto as pedras de gelo que estalam, e antecipo o sabor que vou levar aos lábios. Um, como outros, sabores conhecidos que levei aos lábios, a que me habituei. Mas o sabor da ausência é amargo, de um amargo diferente de uma água tónica adocicada por um gin. Lembro-me do tempo em que achava que era difícil, senão impossível, manter uma relação de amizade com quem se amou. Que isso era insistir em existir num espaço onde se havia falhado por uma qualquer razão, que as pessoas tinham de seguir em frente com as suas vidas, noutros rumos, em linhas divergentes. Pensava assim, outrora. Hoje não. Há mais anos de vida, há outras experiências, e um outro optimismo (um pessimismo mal informado, sim, conheço a ideia) que me diz que as pessoas que se querem bem não precisam estar uma vida inteira a fingir que não existem.
Compreendo bem que os finais de alguma coisa conduzam a um muito útil luto, um momento de pacificação em que removemos energia aos electrões e os puxamos para órbitas mais próximas do núcleo, para os arrumarmos, para reduzir a excitabilidade que existe nas nossas moléculas. Faz sentido, certamente. Mas não precisa ser sempre assim. No final, morremos todos. Não fica aqui ninguém. E as vidas já são difíceis como são, não precisam que lhes adicionemos sofrimentos intencionais. Mas nós somos complicados. As nossas malhas cerebrais roubaram-nos à simplicidade do instinto que governa os animais. A nossa racionalidade, aquilo que nos separa e faz animais diferentes entre todos os outros, é também uma grande fonte de sofrimento, é uma componente da nossa personalidade que tanto nos impede de dar passos em falso quanto, no momento seguinte, nos faz chorar pelos passos que nos apeteceu dar e agora não se devem trilhar mais, por mais certos que nos pareçam ter sido. Enquanto bichos, somos difíceis. Os irracionais, que olhamos por vezes com certo desprezo, na sobranceria dos nossos cérebros mais evoluídos, fazem as vidas mais simples.
E no meio desta névoa do querer e do poder, do certo e errado, estar ou não estar, o que sobra é aquilo que significamos uns para os outros, no nosso íntimo, nos ecos da nossa solidão, o quanto nos marcámos. Na carne, e na alma. No meio de tantas pedradas e violências, com tantos motivos de dôr que as vidas nos reservam, é o quanto nos resta. Sentir e querer bem. E se alguém quiser negar isso a outro, quando se quer subtrair aos outros o direito de sentir e querer bem quem os fez ver outros mundos, estamos a ser egoístas e inseguros. E a negar que todos, nas suas vidas, estão sujeitos a isso. A ver mundos para lá do mundo."

João
Geografia das Curvas

«respostas a perguntas inexistentes (244)» - bagaço amarelo

Não sei todos chegaram a fazer isto. Eu pelo menos cheguei, no meu princípio da adolescência. Estou a falar de rasgar um bocadinho de papel duma folha do caderno de escola e escrever uma mensagem de Amor. Depois amarfanhá-la e entregá-la discretamente a uma miúda da mesma turma, a duas ou três secretárias de distância, normalmente por via aérea.
Os telemóveis acabaram com isto, cobrando alguns cêntimos para fazer exactamente o mesmo, evitado até o risco que o papel caia nas mãos erradas. Pensei nisto hoje, quando ouvi uma mãe ralhar com o filho por causa da quantidade de mensagens que ela anda a enviar a uma miúda qualquer. É uma questão de dinheiro, não de conteúdo. Estamos lixados.
Percebo perfeitamente que aquele rapaz que vi no café, corado pela vergonha que a voz alta da mãe o fazia passar, não envie papelinhos como eu fazia na idade dele. Deve ser foleiro ou, como dizem agora os miúdos, "não cria cenário" (aprendi esta com a minha filha). A tecnologia liberta-nos, mas ao mesmo tempo aprisiona-nos. Aquele rapaz não pode enviar mensagens de Amor se a mãe não lhe carregar o telemóvel. Eu podia.
A Eva, na verdade, não me ligou nada quando lhe disse que gostava dela. Pegou na bolinha de papel, olhou para mim com um certo ar de desprezo e rasgou-a em dois ou três pedaços enquanto abanava os ombros. A minha história de Amor com ela morreu ali, à nascença. Não se falou mais nisso. Os meus pais não me controlavam o saldo de folhas de papel dos meus cadernos.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

O humor como arma contra o cancro

Criada para a «Liga Contra el Cancer», do Peru, a campanha usa cuecas estampadas com objectos de uso comum. No elástico, um importante recado: “Dê uma melhor utilidade aos seus dedos. faça o auto-exame dos testículos”.







via Sweelicious

Nunca contrarie uma mulher



Via Testosterona

18 junho 2013

El Guincho - «Bombay»


EL GUINCHO | Bombay from MGdM | Marc Gómez del Moral on Vimeo.

Eva portuguesa - «Apenas mãe»

Ontem fui mãe. Só mãe. Completamente mãe.
Não que também não o seja nos outros dias, mas ontem não vivi nem pensei em mais nada.
Limitei-me a ser mimada pelo meu filho e a ter um dia só nosso, para fazermos coisas que agradassem aos dois.
Não pensei em trabalho, em dinheiro, em homens, em amores e desamores. Nem sequer pensei no sentido e rumo que dei e contínuo a dar à minha vida.
Não pensei na renda que tenho que pagar daqui a dois dias, na conta absurda da luz (200€!) cujo prazo já terminou, no aproveitamento escolar do meu filho, de ele estar apenas ao meu encargo, nem sequer na minha mãe há tantos anos morta e que tanta falta me faz...
Ontem, dia da mãe, o meu filho foi-me acordar com um ramo de rosas nas mãos e um abraço daqueles que me chega à alma.
Aquele pirralho que é a única coisa que importa na minha vida, armou-se em crescido e foi-me dando surpresas atrás umas das outras...

Primeiro aquele acordar meigo e romântico (como pode uma criança ser romântica?...). Depois já estava de dentes lavados e vestido para irmos para a piscina. A seguir levou-me à sala, onde tinha o pequeno almoço preparado para os dois. Por baixo do meu guardanapo tinha um embrulho: uma prenda feita por ele!
Fugindo às minhas mariquices de mãe babada, informou-me como ia ser o nosso dia: primeiro piscina, depois queria oferecer-me um almoço num restaurante (com o dinheiro que tinha no mealheiro), depois alugávamos um filme e comíamos pipocas.
E assim foi!...
O meu filho fez e organizou o melhor dia da mãe que eu já alguma vez tive.
E eu pude sentir-me feliz e ser apenas mãe...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«Ar» - Susana Duarte

beija-me os olhos marejados de ausências,

e ausenta-te de ti, como se na fantasmagórica

sombra que da ausência emana, pudesses voar

até onde te esperam as flores dos seios brancos

de camomilas lançadas ao vento, às nuvens, às

luzes das ondas, às bordas dos sorrisos, e às cálidas

águas dos ventres. ausenta-te de ti, e sonha-me,

navegante flávio dos meus cabelos negros, negros

das sombras que me habitam, onde tu não estás.

______________tento respirar__________________

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Camisinha de bilros (artesanato de Vila do Conde)

Tentei, durante vários anos, encontrar alguém que pudesse fazer uma «camisinha de bilros», com base num desenho que um visito me tinha enviado, de origem desconhecida e que aqui reproduzo:


Provavelmente por pruridos culturais e religiosos, nunca consegui convencer alguém de Peniche (onde as rendas de bilros são uma tradição muito acarinhada) a fazer-me este trabalho. Recentemente, uma artesã de rendas de bilros de Peniche ficou de pensar nisso e aguardo uma resposta.
Entretanto, encontrei quem me fizesse esta «camisinha» de Verão, bem arejada, noutra localidade com pergaminhos nesta arte: Vila do Conde. E apresento-vos o resultado, em fio de seda (e não algodão), de que me orgulho de passar a pertencer à minha colecção.
Até a cor (rosa, nada habitual em renda de bilros, pois o comum é o branco e o cru) foi escolhida e justificada: "Cabeças desempoeiradas passam também por outras cores".
São 18 centímetros de comprimento e 5 de diâmetro (sim, sim, para a maioria dos homens seria uma camisinha folgada e, muito provavelmente, teria que fazer-se bainha).





17 junho 2013

Anúncio da MTV - são cordas vocais, seus tarados!

«conversa 1988» - bagaço amarelo

Ela - Andamos sempre a dizer que vamos organizar um jantar com os nossos amigos de antigamente e nunca mais...
Eu - Este anos podíamos fazer uma sardinhada...
Ela - Sim, boa ideia.
Eu adoro sardinhas.
Eu - Eu também.
Ela - Ainda dizes que não nos entendemos. Estás a ver? Há uma coisa em que estamos em sintonia...
Eu - Sim, de facto. Adoro umas sardinhas com broa e pimento assado.
Ela - Com broa e pimento assado é que já não. Prefiro-as no prato com uma saladinha de tomate e alface.
Eu - Pronto... não é grave, desde que possamos escolher o mesmo vinho...
Ela - Eu não bebo vinho. No máximo bebo uma cervejinha, mas actualmente é mais água..
Eu - Isso lá é bebida para acompanhar sardinhas?!
la - Então não é?! Vamos para o campo assar umas sardinhas, levamos umas cervejas fresquinhas e a ver se não bebes...
Eu - Para o campo?! Sardinhas é na praia. Em Mira, por exemplo.
Ela - Não gosto de piqueniques na praia. É só areia!
Eu - Bem... se calhar é melhor pensar noutra coisa, sem ser uma sardinhada.
Ela - Talvez... umas fêveras de porco, por exemplo.
Eu - Não como carne vermelha, actualmente.
Ela - Bem, talvez seja melhor adiar este projecto e pensar melhor lá mais para a frente...
Eu - Talvez...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Se Deus fosse uma mulher» de Mário Benedetti

"¿Y si Dios fuera una mujer?”
Juan Gelman


E se Deus fosse uma mulher?
Indaga Juan sem pestanejar
Ora, ora se Deus fosse mulher
É possível que agnósticos e ateus
Não disséssemos não com a cabeça
E disséssemos sim com as entranhas
Talvez nos aproximássemos de sua divina nudez
Para beijar seus pés não de bronze,
Seu púbis não de pedra,
Seus peitos não de mármore,
Seus lábios não de gesso.
Se Deus fosse mulher a abraçaríamos
Para arrancá-la de sua distância
E não haveria que jurar
Até que a morte nos separe
Já que seria imortal por antonomásia
E em vez de transmitir-nos Aids ou pânico
Nos contaminaria de sua imortalidade
Se Deus fosse mulher não se instalaria
Solitária no reino dos céus
Mas nos aguardaria no saguão do inferno
Com seus braços não cerrados,
Sua rosa não de plástico,
E seu amor não de anjo
Ai meu Deus, meu Deus
Se até sempre e desde sempre
Fosses uma mulher
Que belo escândalo seria,
Que afortunada, esplêndida, impossível,
Prodigiosa blasfêmia!"

Mário Benedetti

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Enquanto isso, num universo paralelo…



Não queria viver nesse mundo não.

Capinaremos.com

16 junho 2013

A máquina que desenha pénis

Até que a morte os separe

Odiavam-se imenso e isso transparecia em todos os encontros públicos que protagonizavam. Algures, decidiram casar.

A Sereia da Caparica


Era uma vez o sofá de veludo verde e a gaiola do canário que já iam de arrasto nas marés vivas e ela olhava impotente aquele parque de campismo da Costa da Caparica onde já tinha sido tão feliz.

O seu mecânico começara por levá-la para a Cova do Vapor, a ver o mar dentro do carro e entre duas larachas ao pôr do sol desapertava a braguilha e levantava-lhe as saias e navegava por ela adentro, sempre a dar como as cavalas a saltar nas redes, até os vidros embaciarem. Outras vezes, lambia-lhe as mamocas todas dizendo que ela sabia a espuma do mar ou deixava-a literalmente sem fala investindo a sua cana de pesca nos lábios pintados de salmão como quem serve um lanchinho mas acabava sempre a chamar-lhe minha sereia.

Juntaram o dinheiro da mecânica com o de lavar e secar cabeleiras e compraram uma tenda, com avançado, candeeiro e frigorífico a gás, para se instalarem em todos os dias livres no parque de campismo, longe da chiadeira dos carris do Cacém e no meio de todas as churrascadas comunitárias em que os homens de tronco nú viravam as febras na brasa e as mulheres em fato de banho mostravam as carnes enquanto arranjavam as saladas nos alguidares plásticos comprados na feira estival do campo dos pescadores.

E agora no meio daquela tempestade, como espírito do ar ia o projecto da caravana munida de opacas paredes que impedissem à noite a projecção das suas intimidades iluminadas para os restantes campistas, transformada em espuma do mar.


«EGO TE ABSOLVO»


Via Tamburina

15 junho 2013

Moda interior para homem - nova estação


underwears from dug on Vimeo.

«conversa 1987» - bagaço amarelo

Ela - Hoje fui tão antipática com um gajo que me atendeu numa loja...
Eu - Deves ter tido razão. Por acaso sempre te achei simpática.
Ela - Normalmente sou simpática, sim. Não tenho outro remédio.
Eu - Não tens outro remédio?!
Ela - Não, porque não sou assim muito bonita. Se fosse uma mulher daquelas mesmo muito bonitas, já podia ser uma cabra com toda a gente.
Eu - Ia dizer-te que te acho bonita, mas de repente achei melhor ficar calado.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Búzia

A natureza consegue ser muito erótica.
Este búzio faz parte da minha colecção.


Um sábado qualquer... - «No lugar errado»



Um sábado qualquer...

13 junho 2013

«Mulheres bonitas não pagam» - campanha da rede de restaurantes brasileira Spoleto

«Lufoda de ar fresco» - Patife

Ouvia-a a chorar, numa mesa mais recatada do café, lamentando o fim de uma relação. Com ela, uma amiga ia emprestando palavras de moral e incentivo. Entre os soluços de uma e os conselhos de outra, percebo a amiga dizer: “Não chores, que esborrata”. Não é preciso muito mais para me criar a vontade de lhe esbodegar a rata. Por isso fui oferecer os meus préstimos. Apresentei-me, referindo que as palavras de nada servem e que as ações é que são as verdadeiras forças motrizes da mudança. Que podia estar a rebolar no lodo enfeitada com um coro de carpideiras em volta e que nada disso iria resolver os seus problemas. Que a palavra é sobrevalorizada e que para passar a ação só precisava de duas coisas: de força de vontade e de um nabo como o meu. Ainda consegui aperceber-me de uma janelinha de vontade no olhar da chorosa moçoila, que a empata fodas da amiga tratou logo de refrear: Esse seu pensamento tem uma grande lacuna. "Também essa tua amiga deve ter uma grande lacona e eu não te interrompi", pensei. Depois aventou qualquer coisa de eu me estar a aproveitar de uma mulher num estado frágil. Confesso que não estava. Sinceramente vos digo que uma mulher naquele estado jamais deveria recolher-se à sua privacidade e chorar em isolamento. Deveria era sair à rua e apanhar uma lufoda de ar fresco.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Onan ou a arte da masturbação (II)

Os movimentos descritos em Onan (I) devem ser preocupação constante do homem que deseja usufruir de todas as potencialidades que a masturbação lhe oferece. Não são apenas práticas de transição, a abandonar logo que lhe seja dada oportunidade. São, pelo contrário, excelentes métodos de controlo e, embora no início o recurso à imaginação, povoando o espaço de corpos femininos, seja permitido, o tempo e a constância vão tornar este expediente desnecessário. Ficará apenas a consciência do próprio corpo.
Neste segundo passo, tens de reproduzir o que já aprendeste.
As gotas espessas de lubrificante que te sai da glande e que espalhas com a palma da mão, devem agora servir para humedeceres o corpo do pénis. Se for insuficiente, a saliva acrescentada pode suprir esta lacuna ou um lubrificante que compras em qualquer farmácia ou loja da especialidade. Os tímidos e mais acanhados, podem usar uma pérola de creme, uma das menos espessas e densas, mais diluídas e menos viscosas, porque “há sempre um motivo para usares "NIVEA".
Sem exerceres força, faz deslizar os dedos que abraçam levemente o pénis rumo à sua base. Procura que no movimento ascendente cobrir toda a glande. Tens de retardar a vontade de exercer pressão ou de acelerar este mover demoníaco. Sê lento, suave, quase angélico de tão ameno.
Vai parando. Larga o pénis quando sentires que o desejo é insuportável. Procura o anûs e acaricia-o, rodando os dedos cremosos. Vais paulatinamente tentar enfiar um deles (o da aliança é o mais divertido) no ânus já bem lubrificado. Não forces. Basta que entres muito pouco. Sentirás um desconforto no início. Não te amedrontes, todos sentem. Com subtis oscilações do dedo verás que te habituas bem depressa. O anûs é um poço escuro de prazer contido.
Volta aos testículos. Sente-lhes a sutura, a pele enrijecida. O volume e a redondez. Baloiça-os com a palma da mão, como se estivesses a apreciar um fruto. Pesa-os, sente-lhes o volume e a rugosidade. Agora, enrola os dedos no corpo do pénis e repete os movimentos que te acabo de ensinar. Não cubras a glande, passa por ela, deixa que a tua mão quase escapar, deixa que a glande sinta o deslizar dos dedos, a palma da mão que foge do incêndio.
Mantém este mover durante largo tempo. Não te impeças de gemer de prazer de forma audível. A audição é tremendamente afrodisíaca.
Após largos, longos, compassados e lentos minutos gastos na tarefa que te dou, subitamente acelera o movimento. Esgaça o pénis com força. Sê bruto quatro, cinco, seis ou sete vezes e, de repente, larga tudo. Não faças nada durante um curto tempo. Sente apenas o desespero de quem quer mais e mais, mas se controla.
Repete depois o que já sabes.
Não provoques o orgasmo. Não ejacules. Ainda é cedo e tens muito mais para aprender.
Por agora basta. Levanta-te.
O resto do dia mergulhará em sexo. Vais sentir desconforto nos testículos, uma espécie de dor que sabe bem. Terás todos os sentidos despertos, sentirás que vais escaldar quem te tocar e esperarás por mim, para te salvar deste fervilhante Satanás.
Camille

Sabe-se como começa...

Crica para veres toda a história
Ansiedade pelo desempenho


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12 junho 2013

«Areia» - João

"E assim, de repente, não sentes nada. É falso. Porque não tens interruptores. Mas ficas sem nada. Nada aqui. Nada ali. Nada em lado algum. É o preço que pagas por ir fundo. Por ir longe. É o arremesso, que como fisga te tira o recheio e te deixa casca. O sorriso dos dias dá lugar à penumbra. Não sentes tristeza nem felicidade, ficas um ser amorfo, vagueando pelo tempo à espera de um dia voltar a sentir as picadas dos alfinetes, de um dia voltares a sentir dôr, de um dia voltares a sentir qualquer coisa que se pareça minimamente com amor.

A emoção deixou-te. O brilho abandonou-te. O calor das mãos fugiu-te. Foram-se os talentos, as graças, e as vaidades. Respiras porque é automático, porque não precisas querer para o fazer, porque o corpo se mantém vivo em alma morta. O teu olhar ficou dormente. E assim, de repente, não sentes nada. Só o negro do vazio. Só o Sol a esconder-se no horizonte, e a noite sozinha a cair. Sobre as paisagens, sobre as pessoas, sobre ti. Ficaste sem voz. Ficaste sem escrita. Ficaste sem sangue acelerado por coração vivo. Cada um sabe de si, e tu nem de ti sabes. No caminho de seres Homem fizeste-te ao deserto, e agora o deserto está em ti com toda a sua extensão, sem oásis, só areia. Grossa. Desgastante. Pesada."

João
Geografia das Curvas

«meia hora de vida» - bagaço amarelo

A primeira coisa em que pensei foi em recusar o convite. Afinal de contas, embora gostasse muito da Vienna, a impressão que eu tinha é que ela era dum meio social muito diferente do meu. Vestia-se com muito cuidado e tinha um comportamento, vá lá... bastante fino para aquilo que eram os meus padrões. Na verdade, só ficámos a falar um com o outro porque eu achei piada ao facto de conhecer uma Vienna no primeiro dia em que estive na capital da Áustria.
Eu andava de mochila às costas há algumas semanas pela Europa e, para ser sincero, com um aspecto já bastante sujo e descuidado. Numa rua qualquer ela veio falar comigo e avisou-me que não devia continuar naquela direcção por causa dum grupo de extrema direita que estava uns metros à frente. Não gostavam muito de estrangeiros e podiam tornar-se agressivos. No princípio fiquei um bocado assustado e perguntei-lhe por onde é que devia seguir, pois nem sequer fazia a mínima ideia onde estava, e ela acabou por me convidar para beber uma cerveja num sítio seguro.

- I'm Vienna! - Disse ela.
- Are you Vienna or do you live in Vienna? - perguntei.
- No, no... my name is Vienna. - sorri.

E foi assim que começou a nossa conversa. Ela era loira, tão loira e tão bem vestida quanto uma actriz de cinema consegue ser. Bastante bonita e energética. Não demorou muito a perceber que eu estava praticamente sem dinheiro e que andava a pé porque um bilhete de metro custava, já naquele ano de mil novecentos e noventa e cinco, o equivalente a seiscentos escudos. Uma brutalidade, portanto. Disse-lhe que ia apanhar um comboio às seis da manhã para Praga e, por isso, nem sequer ia dormir em lado nenhum, o que era verdade. Pagou-me duas cervejas que custaram também um balúrdio e convidou-me para uma festa na casa dela nessa mesma noite.Assim, poderia sair da festa e ir directamente para a estação de comboios.
Aceitei um papelinho com uma morada escrita à mão, pensando que nunca na vida a iria procurar, e por isso despedi-me dela com um "see you!" acreditando que, na verdade, nunca mais a veria. À noite, no entanto, e porque a solidão começou a pesar, acabei por ir dar à casa dela depois de ter conseguido comprar uma garrafa de vinho português num supermercado. Assim que entrei, perguntei por ela, pois foi um desconhecido que abriu a porta e eu não sabia mais o que dizer. Um homem alto e muito magro mandou-me entrar, ofereceu-me uma cerveja, fez-me algumas perguntas por causa da garrafa que eu lhe entreguei e apresentou-me algumas pessoas. Ele, pelos vistos, também não conhecia todos os presentes. A Vienna, entretanto, tinha ido a um sítio qualquer e não ainda não tinha chegado.
Acabei por me sentar numa cadeira que tinha outra igualzinha mesmo ao lado, onde acabei por ficar quase uma hora. A cadeira ao lado da minha estava livre e, por isso, de vez em quando alguém se sentava ali e começava a falar comigo sem mais nem menos. Alguns, que não sabiam que eu era português, falavam em alemão, ao que eu respondia sempre da mesma forma, dizendo em inglês que não estava a perceber.
Durante esse tempo reparei numa mulher que, por qualquer motivo, me interessou bastante. Não é que fosse especialmente bonita (a Vienna, por exemplo, era muito mais atraente). Foi qualquer coisa daquelas que não conseguimos explicar, mas que faz com que de repente não pensemos em mais nada senão em conhecer aquela pessoa. Como quase todos os presentes estavam a rodar pela cadeira junto à minha, decidi ficar ali sentado à espera que chegasse a vez dela. Dessa forma poderia meter conversa discretamente, com o álibi de quem nem sequer tinha sido eu a ir ter com ela.
Pois bem... acho que ela foi das únicas que não se sentou ao meu lado. Na verdade, nem sequer olhou para mim durante todo esse tempo. Comecei, de certa forma, a ficar angustiado. Como tinha que ir embora, sabia que o tempo para a conhecer estava a passar e era limitado, como se de uma ampulheta se tratasse. Quando a Vienna chegou, finalmente, percebi que elas eram uma espécie de melhores amigas. Só nesse momento é que a conheci, pois foi-me apresentada. Chamava-se Lena e era portuguesa. Pelos vistos, a Vienna tinha-me dito que tinha uma grande amiga portuguesa mas eu, distraído como sou, nem sequer tinha ouvido.
Nesse momento, e porque entretanto já tinha bebido algumas cervejas, expliquei-lhe que tinha estado a noite toda à espera que se sentasse ao meu lado, só para a poder cumprimentar. Ela, não gostando muito do rumo da conversa, afastou-se. Lembro-me que fiquei desiludido e com uma pequena dor de barriga.
Eram cerca das cinco da manhã quando peguei na mochila para me ir embora e comecei a despedir-me dos poucos que ainda estavam presentes. A Lena era uma delas e ficou surpreendida. Expliquei-lhe que tinha um encontro em Praga nessa mesma tarde e tinha que mesmo que ir. Ela, para minha surpresa, ofereceu-se para me acompanhar à estação e foi assim que tive, muito provavelmente, umas das melhores meias horas da minha vida.
Nessa meia hora de vida apaixonei-me totalmente e, antes de entrar para o comboio, procurei-lhe no fundo dos olhos aquela sensação que tinha encontrado nas suas palavras: a de que valia a pena eu mudar de planos por uma incerteza. Tive dúvidas, para ser sincero. Trocámos contactos, um beijo tímido nos lábios e eu despedi-me. Nunca mais a vi.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Uma coisa não leva à outra

Quando, no primeiro encontro, ela me impediu de beijar-lhe a nuca por picar com a barba deduzi que iria entender a erecção como uma ameaça.

Respeitando a sinalização


11 junho 2013

Mc Diguinho - «Vou Passar a Noite com Elas»

Eva portuguesa - «Obrigada»

Obrigada por marcarem e não aparecerem, fazendo-me perder dinheiro e tirando a vez a quem queira realmente estar comigo.
Obrigada por assim me prejudicarem, fazendo-me perder tempo, trabalho, sustento e a boa disposição.
Obrigada aos que se dão ao trabalho de ligar só para serem ofensivos, ordinários e nojentos.
Obrigada aos que ligam só para gozar comigo.
Obrigada aos que desligam sem aviso nem educação.
Obrigada aos que nem bom dia nem boa tarde dizem.
Obrigada aos que estão constantemente a dar toques, deixando-me assim cansada e impaciente.
Obrigada por existirem, pois assim posso melhor valorizar aqueles que realmente merecem.


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«escrever-te» - Susana Duarte




vou escrever-te nas ondas suaves dos cabelos, e dos promontórios infinitos das tuas sobrancelhas. passeio na ponta de uma pestana viajante e deslizo por sobre as veias do rosto. nesse rosto, encontro as luas de todas as sonatas escritas na solidão das águas. vou escrever-te onde sabes que estão as aves-do-paraíso e as rosas-chá que declino em palavras suaves. vou escrever-te nas leves rugas dos lábios, onde as marés me alcançam quando me toca a húmida suavidade da tua boca. é na tua boca que encontro os rios todos do corpo. é na tua boca que deslizo quando, em horas incertas, me refugio na navegação azul das lágrimas. e é por ela que me escondo nas partes incertas dos dias. vou escrever-te na navegação das línguas e no incerto movimento das costas. vou escrever-te onde sei das tuas sombras, e onde me resgatarás das minhas. na tua mão, andarei milhares de anos, de vidas incertas, anteriores a nós. procurar-te-ei em todos os recantos da vida-demanda dos desertos-corolas de flores incertas.



Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Velho caralho

Comprei esta piç... peça esculpida em madeira e pintada, numa Loja do Gato Preto, há mais de 10 anos.
Certamente de origem oriental, vista de frente é um velho simpático. Rodando-a, por trás é um belo de um caralho.



10 junho 2013

Coitadinhas das plantas...

«Amor à porta duma casa de banho» - bagaço amarelo

Conheci a única mulher com quem tive filhos na porta da casa de banho de um café. Dito assim pode parecer estranho, mas é verdade. Foi há muitos anos, no café Palácio em Aveiro. A casa de banho dos homens estava ocupada e fiquei à espera na entrada, talvez uns dois minutos. Ela estava numa mesa próxima e começámos a falar um com o outro.
Isto não é importante, mas penso muitas vezes como teria sido a minha vida se nessa noite não tivesse ido à casa de banho daquele café. Muito diferente, certamente. Não tinha passado dezasseis anos com ela e a minha filha não existia. Talvez nem tivesse filhos, mas se tivesse seriam outros.
Não acredito no destino, mas acho mesmo muito interessante a forma como a probabilística nos molda a vida. A maior parte do tempo nem pensamos nisso, mas pequenas coisas sem importância nenhuma podem mudar significativamente o rumo da nossa vida.

Estava a detestar a sensação de ver os assuntos entre nós morrer rapidamente. Eu dizia qualquer coisa e ela nunca tinha resposta. O mesmo se passava no sentido inverso. Era como se a nossa conversa fosse composta por peças de puzzles diferentes. Estava a detestar o facto, principalmente porque sabia que a Irina era mulher para se levantar e ir embora ao mínimo suspiro. É que a mim agradava-me estar perto dela, mesmo quando as conversas não passavam de meras tentativas de encontro, e aquele fim de tarde no café estava a saber-me bem.
Eu estava a folhear o mesmo jornal pela quinta ou sexta vez, apenas para justificar a minha presença ali. Assim, evitava estar a olhar para ela frente a frente, sem termos nada que dizer um ao outro. Acho que ela se apercebeu, porque a certa altura passei três ou quatro folhas sem sequer olhar para elas. Foi então que se referiu a um livro qualquer que andava a ler (não me lembro do autor nem do nome) em que duas pessoas se apaixonavam na porta da casa de banho dum café.

- Na porta da casa de banho dum café?! - Perguntei. - Foi assim que conheci a minha ex-mulher...
- Que lindo! E também decidiram fazer uma viagem os dois até um país distante?
- Não. Decidimos tomar café uns dias depois. Porque é que eu havia de fazer uma viagem com uma pessoa que eu mal conhecia?

Senti o peso do olhar desiludido da Irina por, mais uma vez, ter estragado uma conversa que estava a começar. A ela apetecia-lhe falar sobre uma surreal aventura amorosa qualquer, eu estava muito terra-a-terra nesse dia. Ela acabou, uns cinco minutos depois, por se levantar e despedir-se.

- Vou andando! - disse.

Pedi uma cerveja e fiquei ali mais uma meia hora sem fazer nada de interessante. Uma espécie de meia hora vegetativa a ter pensamentos que eu próprio não poderia descrever, como se não fosse eu a tê-los realmente e não passassem dum ruído de fundo qualquer. Do televisor, por exemplo.
Uma mulher entrou no estabelecimento e foi directamente à casa de banho. Ao abrir a porta bateu de frente num homem que ia a sair. Ficaram ali uns segundos a falar um com o outro e depois acabaram sentados ao balcão, lado a lado. Primeiro com um banco de intervalo entre eles, depois ele moveu-se para mais perto dela. Pareceu-me que era a primeira vez que estavam a falar, mas talvez já se conhecessem.
A minha coincidência desse dia foi outra. Se a Irina tivesse ficado mais algum tempo no café, talvez tivesse visto aquela cena e teríamos certamente motivo de conversa. Talvez ficássemos o dia todo um com o outro, jantássemos juntos, bebêssemos um copo num bar pouco frequentado ou fôssemos ao cinema. Não aconteceu. Acho que passei a vê-la com menos frequência desde esse dia.
Nunca consegui contar-lhe isto, principalmente porque sempre achei que ela ia pensar que eu estava a mentir.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Postalinho da Inglaterra

"São flores... e chamam-se «Jade vine flowers» (Strongylodon macrobotrys)."
Daisy e Alfredo

Luís Gaspar lê «A tua voz» de Gigi Manzarra

A tua voz é um néctar que eu bebo bem devagarzinho…
Melodia doce que me embala, levando meu pensamento por caminhos nunca desvendados. 
Não quero teu corpo, nem teu amor!
 Viajo no espaço, de olhos fechados, escutando o som doce e envolvente da tua voz, que desperta em mim todos os sentidos e me faz sonhar inarráveis loucuras.
 Penetras no mais profundo do meu mundo e ocupas todos os vazios. São minutos de prazer e imaginação, quando te ouço…
 Não preciso falar, muito menos te permitir saber o que sinto. És a fuga errada de um caminho sempre certo, a revolta calada da igual rotina, o segredo escondido na minha vontade que não podes alterar. Eu só quero a tua voz no meu pensamento, dentro da minha vida, por minutos, por horas, por tempo indefinido, o que isso importa? 
Nada deve ser mudado, nada deve ser dito!
 Te amo sem amar e te quero sem querer, misto de uma estranha paixão com sabor ao maior e mais gostoso pecado, irreal e passageiro que não merece nome, prisioneiro invisível da minha mente.
 Proibido e incógnito, te dou o direito de existir dentro de Mim, mas nunca te libertarei para fora do meu misterioso mundo, para não existir a possibilidade de sermos Nós…

Gigi Manzarra

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Perguntas idiotas

As vezes ser intolerante é extremamente necessário.



Irrefutável!

Capinaremos.com

09 junho 2013

«Fantasia» - poema de Miguel Torga

"Canto ou não canto o limoeiro
aqui ao lado?
Ele é tão delicado!
Tem um jeito tão puro
de se encostar ao muro
onde vive encostado...

Canto ou não canto as tetas de donzela
que daqui da janela
vejo no limoeiro?
Elas são tão maduras...
E tão duras...
Têm uma cor e um cheiro...
Canto! Nem serei o primeiro,
nem eu sou nenhum santo!"
Miguel Torga
in «Diário III» - Coimbra, 20 de Outubro de 1945

Mamilos são realmente muito polêmicos

Mas não para este comediante:



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Cruzeiro do Sul


© Gaivina

Só sei Senhor Doutor, que perdi o meu norte. Fiz do gajo a minha bússola dos artigos de jornal, das secções da FNAC, das salas de cinema, do périplo das lojas de roupa citadinas, com os pés a muitos nós e o corpo à temperatura da linha do Equador, magnetizada na confiança que me dava como se fora eu própria.

Hoje, soergo-me com os braços cruzados e deixo as mãos espalmarem-se nos meus ombros. Quando desço às minhas coxas sei que continuo cá, com braços e pernas para abraçar, seios e vagina para atestar que sou mulher e que perdida está a esperança de com ele navegar no mar alto de uma sensualidade tempestuosa, implantada no topo da sua gávea para avistar terras de gemidos e gíria, areias de repouso de epidermes salgadas do suor e salpicadas no baixo ventre da espuma viscosa das marés.

Recordo-me da sua face onde uma barba crespa despontava todos os dias e de como me depositou na testa um beijo antes de mergulhar sofregamente na boca daquele gajo de caracóis, gírissimo por sinal, naquela noite de copos no Portas Largas.

Hoje, enrosco-me cada noite a sopesar se o vou arquivar como Gustavo, o gajo que eu gostava de ter comido em qualquer ponto do universo, se o astrolábio não indicasse que somos gémeos.

Carência feminina



Testosterona

08 junho 2013

«Eu sou melhor amiga da minha vagina agora»


Jag känner faktiskt att jag är bättre kompis med min fitta nu (I'm better friends with my cunt now) del 1 from Max Göran on Vimeo.

E aqui, explicam como se faz:


Jag känner faktiskt att jag är bättre kompis med min fitta nu (I'm better friends with my cunt now) del 2 from Max Göran on Vimeo.

«conversa 1985» - bagaço amarelo

Ela - Isto é um jogo para ver como vai a tua vida. Faço-te cinco perguntas e tens que responder logo, está bem?
Eu - Okay...
Ela - Diz-me a marca da última cerveja que bebeste...
Eu - Sagres.
Ela - Diz-me o nome do último vinho que bebeste...
Eu - Hum... Azinhaga de Ouro. É um Douro tinto.
Ela - Diz-me qual foi o prato da tua última refeição...
Eu - Esparguete à Bolonhesa.
Ela - Diz-me a marca do último café que bebeste...
Eu - Delta.
Ela - Diz-me a marca do último preservativo que usaste...
Eu - Hum... hum... hum... epá...
Ela - Pronto, a tua vida corre bem em quase tudo. Parabéns...
Eu - Isso não é justo.
Ela - Ninguém disse que a vida era justa.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

As cassetes de fita da minha colecção


Um sábado qualquer... - «Aaaaaah… O amor!»



Um sábado qualquer...

07 junho 2013

Postalinho da Islândia

"Loja para a São Rosas em Reykyavik.
Beijo
Daisy"

«An act of love» (um acto de amor)


An Act Of Love from Riccardo Pittaluga on Vimeo.

Prostituição - a minha história (XVI)

Outono de 1999... (...) E imaginou, imaginou, imaginou... No fim de toda a imaginação, só nos sobrou uma questão: onde? Pouco tempo depois, nem dois dias, e os nossos dedos e olhos percorriam a secção do mercado de trabalho do Correio da Manhã. É inacreditável aquilo a que se pode ter acesso, apenas por se comprar um jornal. Se na primeira vez estava inocente, desta vez entendi bem o que estava a ler, é sempre surpreendente, ainda hoje fico surpreendida com o número de anúncios a angariar colaboradoras, acompanhantes, massagistas, com ou sem experiência, em tempo parcial ou completo, quase todos referindo as excelentes remunerações ou os excelentes ganhos, outros que mencionam o alto nível dos clientes, lenocínio transparente, declarado, inconsequente, o retrato mais fantástico da tolerância. Se condeno? Não, o que condeno é a hipocrisia baseada neste deixa andar. É crime? Olha-se para o lado porque, afinal, existirá de qualquer forma e até tem o seu espaço e a sua função social, tem um papel no ecossistema social como as aranhas têm no ecossistema animal. Mas é crime, então finge-se que está demasiado escondido para ser regrado, finge-se que não se vê, a luz impõe consciência, no escuro do submundo tudo vale. Escolhemos um anúncio no meio de tantos, mais ou menos ou calhas, como saber o que está por trás? Escolhe-se o que soar melhor, como se soar bem fosse relevante para a boa escolha. Já na casa onde estive me tinham alertado, diziam que eu tinha muita sorte em ter ido parar ali, que me podia ter calhado um sítio terrível, que aquele Mundo não era todo assim. Marcámos o número e a voz que atendeu fez as habituais perguntas: idade, descrição física, experiência. Deu-nos uma morada e combinou a hora a que deveríamos aparecer. Era dali a pouco tempo, é um Planeta sempre imediatista, metemo-nos no meu carro, eu já certa de voltar a ter dinheiro para a gasolina cedo a esse luxo, e fomos até ao Sheraton, a rua era ali perto, segundo nos explicaram. Anoitecia e estávamos ligeiramente perdidas, encostei e perguntámos a um homem que passava onde era aquela rua, ele perguntou-nos que número de porta queríamos porque podia ser para um lado ou para o outro, dado que era uma rua grande. Dissemos-lhe o número que procurávamos e ele estacou. Olhou para nós, surpreendido, quase de alto a baixo, como se fossemos coelhinhos a querer entrar na jaula do leão e disse-nos apenas que aquela rua talvez não fosse muito adequada para jovens como nós, talvez fosse melhor desistirmos. Hesitámos mas ele apontou o caminho e acabámos por agradecer, constrangidas e comprometidas e seguimos em frente. Estacionei. A rua era escura e o número pertencia a uma porta assustadora de um mais assustador e velho prédio. Uma porta de madeira, pesada, lúgubre, na nossa frente. Uma campainha por andar, tocámos e a porta abriu-se. As escadas ainda eram mais escuros, o escuro naquelas circunstâncias ainda parece mais escuro, mais cheio de sombras, nada de elevador e lá trepámos, degrau a degrau, pelos nossos medos acima. (Continua)

Vai subir!...



Via oh no!

Adoro as avós

Elas se preocupam somente com as coisas que realmente importam.



Viram? Alimentação é o que importa.

Capinaremos.com

06 junho 2013

O menino dança... «Electric Chapel»


Electric Chapel from kirkdify on Vimeo.

«Homenagem ao regresso do Patife» - nAnonima

Com o regresso do Patife às lides, uma admiradora dele - a nAnonima - dedicou-lhe "uma singela prova de amor escrita, roubada e adaptada do outro grande senhor, Bocage":

«Se tu visses, Patife, a minha chona»

Se tu visses, Patife, a minha chona,
Havias de louvar o meu bom gosto;
Pois seu delicado e entumescido rosto,
Às mais formosas não inveja nada:

Na sua entrada o meu dedo faz morada:
No olho o cupido as setas tem enfiado;
No clitóris faz a minha mão o seu bailado,
Nela enfim tudo encanta, tudo agrada:

Se a blogosfera visse coisa tão bonita
Talvez lhe levantasse algum pagode
A gente, que na foda se exercita!

Beleza mais completa haver não pode:
Pois mesmo quando palpita,
Parece estar dizendo: "Fode, fode!"


A nAnonima já tinha dedicado ao Patife uma adaptação do Pai Nosso:

Patife Meu que estais no Chiado,
santificado seja o Vosso Membro,
venha a mim o Vosso Leite,
seja feita a Vossa vontade
assim na cama como no sofá.
O pacheco meu de cada dia me dai hoje,
perdoai-me as minhas inabilidades
assim como eu perdoo
a quem me tem fornicado,
e não me deixeis sair da tentação,
mas livrai-me do Anal.
Amén.


... tal como esta "leve adaptação do poema de Fernando Correia Pina":

«Colchão eléctrico»

Que noite, Patifóide. Que noite memorável!
Vinte vezes me vim e tu sempre prestável,
sempre em cima de mim, o cu a dar a dar
e eu num gozo sem fim, com ganas de gritar.
Que noite, Patifóide. Foi assim como um choque
sempre a correr por mim, a cona num bitoque,
a pedir mais chinfrim, gulosa do caralho -
fogoso berbequim em ardente trabalho.
Que noite, Patifóide. Electrizante estado
de volúpia atingi até que te vieste
de cabelos em pé, ofegando ao meu lado
dizendo em confissão
com ar triste de fado -
a merda do colchão
estava mal isolado.


nAnonima
Blog «nAnonima»

(e podem visitar aqui o blog do Patife)

Onan ou a arte da masturbação (I)

Apesar de consistir numa das práticas sexuais mais espantosas e avassaladoras, há uma desvalorização deplorável da masturbação, sobretudo da masculina.
A Santa Madre Igreja tem gravíssimas culpas no cartório também em relação a mais esta magnífica actividade sexual. A ameaça de loucura, cegueira, tuberculose e pilosidade invasora da mão que embala o berço, disseminada por toda a Europa ao longo do tempo, produziu, sobretudo no século XIX, os objectos mais deploráveis, sinistros e dolorosos de que há memória, destinados a conter a libido, solitária, dos adolescentes e deu às jovens raparigas as amas tenebrosas que lhes vigiavam o sono durante toda a noite, sentadas e em sentinela, prontas a acordar a vítima se suspeitassem que os sonhos da pobre não eram impolutos e castos.
A masturbação foi arrastada para as esquinas do “desenrasca”. Tornou-se um estratagema rápido, fácil e simples de aliviar tensões e tesões. Perdeu-se a enorme potencialidade de Onan.
Lamentável.
É desconhecido o universo de prazer que a masturbação oferece.
Masturbo os homens quando os dias são difíceis ou quando mo suplicam, depois da primeira experiência, da responsabilidade das minhas mãos. A técnica não é sobrenatural e qualquer um, solitário e excitado, a pode usar sem freio e sem cuidado.
Exige controlo e conhecimento do corpo, mas a constância é a alma do sucesso.
Se ensinar a um macho isolado as boas práticas que aplico aos meus clientes e aos homens dos meus acasos, o resultado é parecido com aquele que se obtém comigo perto.
Comecemos:
O ambiente tem de ser morno, pacífico, repleto de sombra, silencioso e macio. A música ambiente não resulta nos elevadores e é lógico que destrói o que se quer vagaroso e controlado.
Despe-te e deita-te. Procura uma almofada para a cabeça e uma outra para colocares debaixo das nádegas de modo a elevares o pénis e a revelares todo o esplendor dos testículos.
Estende e abre as pernas.
Não precisas, a não ser no início desta aprendizagem, de apelar aos corpos femininos. O teu corpo vai bastar. De olhos fechados e sentidos abertos.
Deixa os teus dedos tocarem nos mamilos. Aperta-os. Sente a ligeira dor descer o ventre, a descer até ao umbigo. Regressa às vezes que quiseres, mas que seja num desses retornos o mergulho dos dedos na tua boca. Chupa-os. Saliva-os. Vais precisar deles encharcados para o passo que se segue.
Levanta as pernas. Encosta as coxas ao tronco. Com uma das mãos acaricia as nádegas. Afasta-as e abre o anûs, devagar. Não tenhas medo, não tens ninguém ao lado. Desce os dedos húmidos e aflora o botão redondo que se oferece. Roda os dedos lentamente, afaga-o, insiste nessa carícia levemente, sente a ligeira rugosidade, o atrito, o formato, o súbito prazer que é tocar-lhe.
Sobe a tua mão. Toca os testículos com o cuidado extremo de quem colhe o orvalho. Percorre com a polpa dos dedos todas as superfícies até sentires que se movem, já acordados. Podes apanhá-los agora, massajá-los devagar. A lentidão é essencial neste momento em que o teu pénis começa a latejar, tentando libertar a glande do capuz.
Desliza a palma da mão pelo corpo do teu pénis. Não o agarres. Tens de te aperceber das veias a pulsar e da ardência que é só dele, não é tua.
Volta aos movimentos anteriores, sempre que sentires que vais morrer de desespero.
Agora. Enrola os dedos no teu sexo já inteiro. Não os movas. Aperta o corpo duro até que seja mais do que sentido o coração a pulsar lá dentro. Desce agora a mão com a lentidão que te enfurece, enlouquece e dói, mas que te inunda de inconsciência boa de doer. Vais descobrir a glande. Deixa-a respirar. Podes soprar-lhe enquanto fazes resvalar a polpa de um só dedo pelas polidas suas superfícies. Contorna o sulco, arrepia-te com o aplanar do freio. Demora-te no freio, como se estivesses a tanger a corda de uma guitarra.
Deves sentir agora a glande a abrir a fenda e a fazer brotar uma linha de gotas transparentes do fluído que te vai lubrificar. Colhe uma gota e prova-a antes de espalhares por toda a glande as que te restaram, com a palma da mão e só com ela.
Passou já meia hora. É tempo de parares. A tua aprendizagem só agora teve início. Controla-te.   
Levanta-te, toma um duche frio, veste-te e sai para a rua. Por hoje não há mais nada para fazer.
Ensino-te o resto quando me disseres que cumpriste o que te disse com rigor.
Agora vou tratar de mim, que me excitaste.   
Camille

Postalinho da Islândia

"Estas gravuras do Museu de Stykkishólmur são especialmente para o Museu da São Rosas.
Temos pena de não poder levar-te as originais!...
Beijo da Daisy e abraço do Alfredo"


05 junho 2013

«Lago» - João

"Observei-te durante muito tempo. Cheguei muito antes da hora combinada e fiquei, ao longe, a observar o banco de madeira com vista para a água, onde havíamos combinado encontrar-nos. Vi-te chegar. Sentar. Olhar à volta, procurando-me. Depois fixaste o teu olhar na água e assim te detiveste, até me sentar ao teu lado. Abriste-me o teu sorriso. Foi luminoso. Foi bonito. Foi muito bonito mesmo, agora que o recordo melhor na minha memória fotográfica, onde estão os detalhes todos, alguns em fotograma que congelou o momento, outros em pequenas sequências animadas, com som, com cheiro, com tacto.

Ao caminhar em direcção a ti lembrava-me…

Sou tão tua. Acordei assim, vês, sonhando que me dizias isso. Sou tão tua. Sentada ao meu colo, de olhos fechados e cabelo caído sobre o corpo, dizendo que és tão minha. Acordei assim, pensando que tinhas a tua mão na minha face enquanto me beijavas numa escada qualquer, em jeito de despedida, como quem vai ali e já volta. Ou que juntaste as mãos perto do peito, enquanto te abraçava, como menina doce que procura um carinho. Sonhei. Pensei nas coisas que não vivi, onde não estive, o que não vi. Pensei nas coisas que nunca ouvi, que nunca disseste. Nunca escreveste. A menina e as palavras, a cansar-se, a desejar a telepatia que a poupasse de ir de A até B, verbalizando, levando aos lábios os sons que levariam tempos infindos por comparação ao pensamento. Ao sentimento. Que é tão mais rápido. Que num suspiro sai tudo. Mostra tudo. É tudo.

Deixei-me cair várias vezes sem cair. Sem levantar. Sonhando apenas. Tropeçando. Tombando. Levantando e tombando de novo. Morrendo vezes seguidas. Fazendo morrer vezes seguidas. Sonhei com lagos, sonhei com água agitada ao vento, com pressa. Sonhei com a pressa de chegar, acelerando estrada fora. Sonhei com neve. Com chuva. Com dias pequenos e escuros. Sonhei com néctares e manteiga. Com coisas pequenas que fazem pensar em vastos Impérios. Com lojas de bairro e kanimambo. Com gargalhadas sonoras perdidas de loucas. A menina não existe. Nem eu existo.

… e então sentei-me ao teu lado nesse banco, e ficámos os dois a olhar as águas do lago. As mãos tocaram-se, e disseste baixinho “quero explicar-te”. E eu, “nada”. Não expliques nada. Não é preciso. Eu entendo, eu sei."

João
Geografia das Curvas

«conversa 1983» - bagaço amarelo

Ela - Porque é que compraste a "Quero Saber"? Isso é literatura de casa de banho...
Eu - Na capa dizia que tinha tudo sobre bonsais, mas de facto não tem quase nada. Fiquei desiludido, não a torno a comprar.
Ela - Pois... quem promete tudo, normalmente não tem quase nada para dar.
Eu - Pois... sobre bonsais tem quatro ou cinco parágrafos pobrezinhos...
Ela - És homem, já devias saber que não se deve acreditar em quem promete tudo...
Eu - O que é que isso tem a ver com ser homem?!
Ela - Já alguma vez prometeste Amor total a uma mulher?!
Eu - Já...
Ela - E cumpriste?
Eu - Bem... não propriamente, mas quando prometi estava a falar a sério...
Ela - Pois...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Sexo no cinema só se não for ao vivo

Fonte: jornal Meio Norte

Seis são presos após show de sexo ao vivo em sala de cinema nos EUA

Na cidade de Syracuse, em Utah (EUA), seis pessoas foram detidas na última quinta-feira, dia 23, por fazerem um show ao vivo de sexo em uma sala de cinema.

Provavelmente o cinema não pode exibir nada ao vivo.

O mais curioso é que além da prisão dos envolvidos, um homem também foi preso por estar assistindo. Um homem. Isso quer dizer que o sexo deveria estar tão ruim que apenas um homem estava assistindo ao espetáculo. Talvez tenha sido a péssima qualidade da exibição o motivo da prisão.

Obscenatório
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