20 novembro 2013

«Envolvências» - exposição de escultura de Santos Carvalho

"O Erotismo e a espiritualidade urgem na minha escultura como uma relação Amor-Ódio.
O desbravar dos Materiais intensifica a paixão pela forma, que se vai tornando íntima e solitária.
A minha obra é uma metamorfose: que nasce, vive e morre em mim e renasce quando entra na alma de quem a observa"

Sou fã das esculturas do Santos Carvalho, mesmo tendo tido acesso às suas obras, até agora, somente em fotografia.
Mas finalmente tive oportunidade de ver alguma da sua arte ao vivo. E para uma lésbica como eu, esta exposição é um ramalhete de miminhos. Vai estar exposta até 28 de Novembro no ISCAC (Coimbra Business School), junto à Escola Agrária, em Bencanta, Coimbra.


Como é possível alguém concentrar-se a estudar contabilidade...


... com uma beleza destas do lado de lá (deles) do vidro?!


Nos meus tempos de estudante, eu não me lembro de ver nada disto quando ia ver as pautas dos exames!


Eu chamaria a esta peça «fada de Coimbra»:









«pensamentos catatónicos (298)» - bagaço amarelo

Estou na piscina dum empreendimento turístico no Algarve. Ao meu lado direito deita-se uma mulher inglesa, que sei que é de Manchester porque já a conheci, para apanhar Sol. Está assim há vários dias, como se o Sol acabasse amanhã, e varia apenas entre duas posições: ora de costas, ora de barriga para cima. Normalmente está sozinha porque o marido dela, um homem um pouco mais velho do que eu, raramente sai do apartamento. Quando sai, é para lhe dar um beijo e desaparecer de novo.
Depois dela, uma irlandesa faz mais ou menos ou mesmo. Passa os dias a ler e a apanhar Sol, com a singularidade que o faz sempre em pé. Nunca a vi deitada. É capaz de estar horas seguidas na vertical. Deve ter cerca de cinquenta anos de idade e já a ouvi várias vezes a dizer ao marido para deixar em paz.

- Leave me alone! - diz quando ele a chama por qualquer motivo.

À minha esquerda está um casal mais novo, dum país qualquer do leste. Ou russo ou ucraniano, acho eu. Ela é extremamente bonita e podia ser modelo. Passa os dias a ler deitada, de vez em quando protegida pela sombra dum guarda-sol. Pontilha os seus dias com um mergulho naquela sopa de cloro que está à minha frente e, quando o faz, o marido, que está sempre ao lado dela em silêncio, imita-a e mergulha também.
Por qualquer motivo, parece-me sempre que os homens são uma espécie de satélites das mulheres. Elas apanham Sol, eles esvoaçam à sua volta como moscas tontas.
É o meu caso.Sempre foi.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

A única utilidade do Google Glass

esperando pra comprar o meu.



Parece que essa gripe é contagiosa e tal.

Capinaremos.com

19 novembro 2013

A gente queixa-se do acordo ortográfico mas antes também a língua já era traiçoeira

Verga 
que 
verga 
não é 
verga!

São Rosas

A FODA COMO ELA É (V) - Golo do Benfica

Diz-se vulgarmente que o futebol é causa frequente de agruras para o enlevo conjugal, uma paixão que se manifesta de mão dada com o avançar da monotonia nas relações, etc. Não foi assim com este casal, cuja aventura me foi narrada por um amigo em comum.
Estavam ambos sentados no sofá da sala, diante da televisão, cumprindo a medíocre liturgia dos seus serões de Sábado. Ela passava o tempo lendo uma dessas revistas para a dona-de-casa badalhoca, célebre pelo correio dos leitores, em que pontificavam questões de grossa metafísica, tais como a possibilidade de se engravidar pelo cu. Ele assistia a um entediante Campomaiorense-Benfica, usando de uma paciência beneditina, sem qualquer interesse, não obstante ser benfiquista até debaixo de água. O marasmo espessava a atmosfera sobreaquecida da sala em que os dois vegetavam. Sem prelúdios de oratória, trejeitos físicos, nem desviando a vista da televisão, o fulano atirou casualmente: -"Vamos foder?" Em resposta recebeu um encolher de ombros, um descer de calça de fato de treino Quechua, um ás-de-copas oferecido e uma mão que desviava a cueca para o lado. Era sempre assim: entre eles, os preliminares tinham o encanto de uma repartição de finanças de província perto da hora do fecho. Montou-se o manfio na cachopa e deu início ao costumeiro martelanço, sem tirar os olhos do jogo de futebol. Juram-me que se ouviu um bocejo entre o slop! slop! de carnes. Mas eis que as papoilas saltitantes se agitaram e o Benfica marca um golo. No mesmo instante, o moço - tolo de alegria, a atenção colada ao ecrã com Araldite - retirou o malho da suave gruta e, fazendo o movimento de regresso segundo um ângulo errado, empalou com o caralho o esfíncter à cônjunge, a sangue-frio, enquanto gritava: -"Golo do Benfica!"
Não me contaram os instantes seguintes a tão bárbara invasão aos domínios do rego, mas sabe-se que as colegas de trabalho da menina, lá no call-center, estranharam que nessa segunda-feira ela se sentasse com mil cautelas e ostentasse um constante, misterioso, deliciado sorriso...

«Caminhos» - Susana Duarte

____seguirei sempre as ondas dos teus cílios____

escrevo-te a partir da noite, onde os olhos marejam
cerejas bravas, aquelas que engoli quando partiste.

escrevo-te a partir das sombras onde os cabelos gotejam
lágrimas de sol e de sal e de noite e de feitiços,
e as pálpebras refletiram as coisas todas que viste,
e eu vi; e eu, vi-as em ti: os dias da rubra
penumbra dos leitos dos amantes, ágape
dos corpos, antes que a solidão os cubra.

escrevo-te a partir da noite, onde feiticeiras volteiam
e dançam, como papoilas celebradas, renascidas,
rubras como os lábios, que me deixaste sós, ventre
desmaiado sobre a praia, onde os rumos das aves
são rotas por nascer. desmaio em traves ladeirentas,
que não consigo subir, por entre olhares sonhados:
e eu vi todas as coisas em ti- os dias da amora rubra
voltam a mim como sonho que se demora. ocupas-me

____os dias em que te escrevo, e as noites em que te sinto. ocupas tudo o que sei. como um rio que transborda. como uma maré que seguirei, como as ondas dos teus cílios.____



Susana Duarte
Foto de Ivano Cetta
Blog Terra de Encanto

«Eglise de Brou - la correction maritale»

A correcção marital.
Reprodução, num pequeno prato em estanho com 9,5 cm de diâmetro, de um casal no topo de uma coluna da igreja de Brou, em Bourg-en-Bresse (França).




18 novembro 2013

Em Glasgow sabem fazer fogo de artifício!

«coisas que fascinam (162)» - bagaço amarelo

A memória mais forte que tenho dela é o toque dos seus dedos. Foi com ela que aprendi que a compatibilidade entre duas pessoas pode ser o toque, muito mais do que a voz, a semântica ou o cheiro. Ou melhor, os toques todos. Aqueles que acontecem quando se dá a mão na fila do supermercado e se discute o preço dos chocolates, mas também os outros, que nascem e morrem no segredo duma cama.
Por causa desses toques, caminhámos em silêncio durante uma parte importante da nossa vida, unidos pelos dedos. Uma vez parámos num pequeno café em Espanha, a caminho de lugar nenhum. Lembro-me das ruas desertas, do calor intenso e do estranho sabor agridoce na boca, logo pela manhã. Era ali que eu tinha prometido levá-la, para a devolver a casa depois daquele tempo que decidimos ser o nosso. Deu-me um abraço, estendeu-me a palma da mão esquerda no ar e colou a dela à minha. Ao afastá-la, brincámos com as pontas dos nossos dedos, como se todos os toques estivessem ali guardados.
Acho que ainda estão. Eu, pelo menos, ainda os sinto.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Os noivos» de autor desconhecido

O noivo escreveu um poema para a noiva pouco antes do casamento:

Que feliz sou, meu amor!
Domingo estaremos casados,
O café da manhã na cama,
Um bom sumo e pães torrados

Com ovos bem mexidinhos
Antes de ir p’ ró trabalho
Tudo pronto bem cedinho
P’ra inda ires ao mercado

Depois regressas a casa
Rapidinho arrumas tudo
E corres pro teu trabalho
Para começares o teu turno

Tu sabes bem que, de noite
Gosto de jantar bem cedo
De te ver toda bonita
Com sorriso ledo e quedo

Pela noite mini-séries
Cineminhas dos baratos
E nada, nada de shoppings
Nem de restaurantes caros

E vais cozinhar p’ra mim
Comidinhas bem caseiras
Pois não sou dessas pessoas
Que só comem baboseiras…

Já pensaste minha querida
Que dias gloriosos?
Não te esqueças, meu amor
Qu’em breve seremos esposos!

Como resposta, a noiva escreveu um poema para o noivo:

Que sincero meu amor!
Que linguagem bem usada!
Esperas tanto de mim
Que me sinto intimidada

Não sei de ovos mexidos
Como tua mãe adorada,
Meu pão torrado se queima
De cozinha não sei nada!

Gosto muito de dormir
Até tarde, relaxada
Ir ao shopping fazer compras
de Visa, tarjeta dourada

Sair com minhas amigas,
Comprar roupa da melhor
Sapatos só exclusivos
E as lingeries p’ró amor

Pensa bem… ainda há tempo
A igreja não está paga
Eu devolvo o meu vestido
E tu o fato de gala

E domingo bem cedinho
Em vez de andar aos “AIS”,
Ponho aviso no jornal
Com letras bem garrafais:

Homem jovem e bonito
Procura escrava bem lerda
Porque a ex-futura esposa
Decidiu mandá-lo à merda!

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Sempre juntos

Sempre, mesmo.



Pô gente, a saudade melhora o relacionamento.

Capinaremos.com

17 novembro 2013

«Rumo ao futuro» - por Rui Felício


No meu gabinete de trabalho, há uma cadeira destinada a quem me vem consultar.
É confortável, pode ser manobrada para baixo, para cima, para os lados, é reclinável e está rodeada de variados instrumentos eléctricos. Parece uma cadeira de dentista, mas não é.
Ontem, uma cliente entrou, sentou-se e, depois de nos cumprimentarmos, perguntei-lhe ao que vinha.
Desencaixou a máscara, uma espécie de capacete semelhante a um grande ovo de cor creme e depositou-a em cima da minha secretária.
Pediu-me que lhe avivasse as sobrancelhas, lhe rosasse as faces, lhe repuxasse as pálpebras e lhe arrebitasse um pouco o nariz.
Agora, despojado da sua máscara craniana, o cérebro da minha cliente ficara à vista, esponjoso, ondulado, composto por aleatórios refegos sobrepostos.
Enquanto eu retocava a máscara craniana como me pedira, ia olhando constrangido, de vez em quando, para o seu cérebro nu ali ao alcance das minhas mãos, provocador...
Reparei nalguns neurónios soltos, desligados e perguntei à cliente se não queria que os soldasse.
Respondeu-me que sim e, já agora, que podia aproveitar para limpar o pó que devia estar a bloquear-lhe alguns dos circuitos cerebrais.
Deixei cair dois microscópicos pingos de solda nos neurónios afectados e testei a passagem dos impulsos eléctricos.
Liguei a pequena escova adjacente à cadeira e, delicadamente, fui limpando as poeiras entranhadas nos mais pequenos interstícios, aconselhando a cliente a não tirar a máscara muitas vezes, porque assim desprotegia o cérebro, sujeitando-o à sujidade ambiente
Devo-me ter descuidado ao fazer a limpeza do hipotálamo porque a minha cliente, de súbito, foi inundada de calores, abraçou-se a mim e incitou-me a fazer amor com ela.
Acordei hoje de manhã, confuso, com este sonho ainda bem presente.
Retive que tudo se passou na minha outra vida futura, no ano de 3152.
A minha profissão era (será) a de técnico neurológico.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Postalinho da Praia do Camilo, em Lagos

Os gatos



Ai Senhor Doutor, venho fula! Imagine que recebi uma carta do marketing da Sheba. Sim porque eu tenho um gato, o Trafaria.

E não é que aquelas almas para vender os novos Sheba de Natal com ganso e galinha me escarrapacham uma fotografia de uma rapariga junto da árvore de Natal e do seu gato, sentada no chão da sala, num lençol de cetim, com uma lareira por trás e vestindo uma coisa de seda que tanto pode ser um vestido como uma camisa de dormir?!...

É claro que se notam as formas da rapariga que está ali embasbacada a olhar o céu como se esperasse que de lá caísse um anjo, obviamente bem artilhado de sexo, para a aquecer por dentro com a sua velinha e a fazer saborear as delícias da quadra num bacalhau com todos.

Oh Senhor Doutor e porque é que eu fiquei fula?!... Ora porque aqueles gajos do marketing, e só podem ter sido gajos, pensam que as mulheres que vivem só com gatos estão sempre à espera que lhes caia um gajo em casa, de prenda. E eu, na minha humilde opinião, julgo que uma mulher que gosta de gatos se quiser um homem, ronrona-lhe ao ouvido, dá-lhe uma lambidela no pescoço enquanto lhe passa a mão pelo material e depois, é só abrir o fecho éclair e puxá-lo para casa.

Papas pouco, papas...


Objetos (espaço dedicado aos nossos amigos diários)

16 novembro 2013

Cátia Terrinca - «Que inveja tens tu das rosas»

De noite pelas campinas
Anda o sol atrás da lua
Assim vai a minha sina
Meu amor atrás da tua

Que inveja tens tu das rosas
Se és linda como elas são
A rainha das flores
Tratadas por tuas mãos

Tratadas por tuas mãos
Pelas tuas mãos tão mimosas
Se és linda como elas são
Que inveja tens tu das rosas

(tradicional do Baixo Alentejo)

O OrCa não pode ver destas coisas que ode logo (abençoado):

Bate bate chuveirinho
neste peitinho de rosas
tuas gotas são miminho
nessas roseiras mimosas

se me alegra o teu cantar
se me deres o quanto ouvi
quem me dera a mim estar
a chover assim p'ra ti


Cátia Terrinca - "Que inveja tens tu das rosas" from MPAGDP on Vimeo.

«Coração apertado» - João

"Não voei. Fiquei com os pés no chão como querias. Suponho que tivesses medo, muito medo de que algo me acontecesse. Não querias que fosse eu mais um a contar para os dias tristes. Fiquei, por isso, sentado em terra. A olhar o Sol que desaparecia todos os dias quando o silêncio finalmente se instalava. Hoje, hoje mesmo, estou de novo com os pés em terra. Precisado de mimo. Mimo ontem, mimo hoje, mimo sempre. Mesmo quando somos fodilhões, somos sedentos de mimo. Ninguém é fodilhão todas as horas do dia. E hoje não é dia disso. Hoje é dia de coração apertado. É dia de mãos na cara e um beijo. É dia de abraço. De mão no cabelo, embalo. E por isso é o Sol de novo que se põe, num céu diferente. Com o silêncio."
João
Geografia das Curvas

Mulher e burro do Nepal

Estatueta em bronze com duas peças... que se encaixam... na minha colecção.




Um sábado qualquer... - «Dúvidas»



Um sábado qualquer...

14 novembro 2013

Descobrimos uma mina de pornografia!

"Olá, São Rosas

A propósito do post no Facebook sobre o site Porn IQ, aqui fica o site que digo que é melhor: Tube Galore.
Em termos gráficos pode não ser tão lindinho como o outro (e não é) mas em termos práticos dá 10 milhões a zero. Há para todos os gostos. Já o uso há muito tempo e há pouco tempo lembrei-me de seguir cada entrada em cada letra. Como me falta tempo e a minha vida não é só isto, ainda não passei da letra C. Por isso...
Há ainda estes dois que provavelmente muita gente conhece: VoyeurWeb e VoyeurClouds. se quiseres publica também. São os dois idênticos. Aliás, o segundo é um novo site criado pelo fundador do primeiro (foi corrido entretanto, sem eu ter percebido muito bem).
Beijinhos e abraços,
Bolinha de Sabão"

Bonecas de montar japonesas «G-taste»

3 bonecas em kit coleccionáveis, provenientes do Japão para a minha colecção.


«A pentelhuda» - Patife

Foi sem estar minimamente à espera que, em pleno ano de 2013, retiro as cuecas a uma magana e sai lá de dentro o maior tufo de pentelhos que a minha memorável saga de pinanço assistiu. Olhei para aquilo e garanto que não encontrei um vestígio de ali ter estado algum dia uma pachacha. Era toda uma selva sombria e escura que escondia a razão de lhe ter arrancada as cuecas. Confesso que me senti um pouco a jogar às escondidas com a pardaleca da moça, tal o exagero da sua pentelheira. Mas o Patife é um verdadeiro garimpeiro da pachacha e, estando de pau feito, não há mata que detenha o Pacheco. É nestas alturas que penso que o meu nabo devia andar com um sinal de perigo pendurado. É que é um autêntico cabo de alta tesão. Mas continuando. Não queria colocar em risco a pranchada, até porque sabia que ela era cavaleira profissional e queria ver como é que montava este puro sangue lusitano do meu bacamarte. Por isso, encenei uma falsa calma perante a versão pentelhuda da alegoria da caverna, fiz-lhe a risca ao meio e comecei a bombar a trote. Ou era isso ou ia-lhe ao pacote. Depois dei-lhe espaço para apresentar as suas elevadas técnicas de cavalganço na minha corneta. E teve nota máxima, denotando boa postura para apanhar nas bimbas. Mas claro que no fim tive de lhe mostrar quem mandava. E com a carga de bombada que dei naquele grelo, até posso dizer que a montei a grelope.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Em louvor das deusas sensuais

Crica para veres toda a história
Unção


1 página

13 novembro 2013

«Conto de um beijo» - João

"Nem todos os contos são longos, e não preciso de muito para este. É um conto de um rapaz e uma rapariga. De um frio de rachar, que agredia os dois como espadas de samurai. Agarraram-se para uma fotografia, sorridentes. E ela, esticando-se um pouco, beijou-lhe a face fria. E tudo ficou calor, porque aquele beijo, que nenhuma fotografia capturou, foi um beijo de lábios quentes. Naquele beijo ela disse-lhe “eu amo-te”. Disse-lhe “eu quero-te”. Disse-lhe “sou tua”. Não foi um beijo de prazer passageiro. Não foi um beijo de passatempo. Naquele beijo estava toda ela. Doce. Vibrante. Mulher. Este é um conto curto. Mas não precisa de mais."
João
Geografia das Curvas

Qrònica do Nelo, Badajós melhéres, Badajós!!!!

éu cu çou uma bisha a çério, çe á coiza queu adoru mejmo éi u festivale dus çentidos...neim sehgóm duash ó trés vidas a bishanare de mainhã há nôte pra fasere neim çe quere metade...

Melhéres!
Ai cu çódadis queu tinhia de iscrevere as minhas bishiçes e coizo.
À duash ó trésh çemanas diçe-les quia a Badajós e açim per caza da  tristesa eim cas coizas per cá andóm  na nôte. Melhér quéi bisha a çério quere éi a Vian Rôze e açim e nam teim tempu a perdere. Á tantu home bom pra uma melhér ingatare e açim e tantu broshe a fasere cu neim sehgóm duash ó trés vidas a bishanare de mainhã há nôte pra fasere neim çe quere metade hihihihii (ai qué çó falare niço queu ficu logo sheio de cumishões e umidades e açim) hihihi cu çou uma gueloza…..

Beim, mazadianti …shegámos a Badajós, quéi já ali e açim, e diçe pró Alfredo pra ire comperare os caramelus pra minha Efigénia e me deichare num çítiu cu çó o nomi e açim, melhéres, deicha logu áugua na bôca: “ El Arrabadal Oriental”. Ó çeija, orienta-çe logu uma arrabadela e coizo, e prontes hihihhihihi…ai ai..

E ai cumessa logu a diferensa com as coizas per cá. Us Ispanhóis nam teiem eças coizas cuma melher apanhia a toda a ora nas nóças bandash. Querçezer, per izemples,  éu cu çou uma bisha a çério, çe á coiza queu adoru mejmo éi u festivale dus çentidus.  Cuando istôu a fasere um belu broshe, goshto de paçeare us dedus pelas bolas, ire iscurregando nu intervalho das pernas e metere um dêdu nu pacoti du parseiru. Ai … quéi uma çensaçãu cus homes inté ficóm co o pau maiore e açim de tanta tuza quiço les dá.  E asdepois cumesso a rodare o dêdu e infiar maizum pocashinho incuanto inrolo o bizugo pela bôca adrentro  e póço garantir-les cu cuando elis çe veeim, ei lêite pur todus os ladus, maish dum litru alguns delis., ó ó  palavra de bisha!
Mas iço éi eim Ispanhia, cuma melhér ingata um rapash beim prassido, co u bom aspectu e açim, e elis adoram logu cuma melhér fassa o trabalhu beim fêitu e açim.  Pur cá melhéres, a maiore parti delis, teiem
na mania cu ção mashões e açim e cuma melhér neim les podi mecher no pacoti,  mal discaiu a mãu maish pró ladu de tráz, e prontes, éi logu uma desgrassa, quéi puchareim-mi  us cabelos, impurrare a cabessa pra baicho e açim, cumo çe u fasere um broshe nam fôçe uma obra diarte. Uma virdadêira desgrassa, quereim ei vir-çe logu e prontes….aiaii... uma miséria....éi u cu les digu, u-m-a  m-i-z-é-r-i-a...Iço pra nam falare dus cu sheiróm male e açim, e neçes éu fasso a coiza pra levareim o bizugo prós fundus, perque taméim goshto diço, upa çe goshto! A despois nam çe podi despredissar um home; comas coizas andóm, ai filhos: éi tudu peiche, o cu veim há rede...
E açim fôi uma çurpreza maravilhoza cuando  discubri uma revishta o anu paçádo e cumessei a ferecuentare o ladu de lá da feronteira. Eli éi festivaish Gey, Eleissões de Mixteres Geys, muintos bares Gey e melhér quéi melhér e canda cas órmonas ós çaltos nam podi perdere us mûstes lá dus nuextrus ermanos e açim! Tenhu ido poish tenhu,  ash veses cu póço (çim perque a minha Efigénia teim o çeu feitiu poish teim, mazus carmelus e us bonsbons de chiclate cu Alfredo tráz sempre lá calóm as coizas)


Ai melhéres cu tempu foje!!!
Quera pra les contare du milhore broshe da minhia vida e açim, mazuma melhére pôi-çe a tagarerlare e açim e a dare há língoa e asdepois cuando olha já teim um textamentu .
Açim çendo fica prá semana cu veim
Inté lá e bons broshes!

«regador» - bagaço amarelo

Uma mosca bate insistentemente no vidro da janela da sala, provocando um ruído constante que corta o silêncio sepulcral daquele compartimento. É a primeira vez que Sofia, estendida no longo sofá vermelho, pensa em si mesmo em termos evolutivos. A mosca, que tendo em conta as origens unicelulares da vida até pode ser considerada um animal complexo, não consegue atravessar aquela superfície transparente, nem sequer consegue chegar à conclusão que não vale a pena insistir. Ao observá-la, Sofia dá-se conta do longo caminho que foi preciso percorrer para ser ela mesma, uma mulher estendida num sofá a pensar nas incapacidades duma mosca para atravessar um vidro.
Acredita que as moscas tentam apenas prolongar a existência da sua espécie, mesmo que nenhuma delas tenha propriamente consciência disso. Está-lhes nos genes. Voam, alimentam-se e reproduzem-se. Porque é que os Homens não são assim? Porque é que na nossa espécie há indivíduos com comportamentos que se desviam desse objetivo simples? Não sabe a resposta. Sabe apenas que não a consegue encontrar dentro daquilo a que se habituou a chamar probabilística e que está, muito provavelmente, na base desta estranha forma de ser da humanidade.
Ela própria não se entende, o que é muito mau para começar. Está ali deitada com um profundo sentimento de derrota que não consegue contextualizar em nada de concreto. Talvez apenas na sua vida toda, desde que nasceu até há poucos dias atrás. Aos trinta anos não tem família que consiga tratar como tal, pois abandonou o pai e a mãe quando tinha doze anos. Além disso nunca teve filhos, nem tão pouco um homem a que pudesse chamar seu. Não por falta de candidatos, mas sim porque nunca se interessou verdadeiramente por nenhum dos que lhe passaram pelas mãos.
Agora que pensa nisso, a única vez que esteve realmente apaixonada foi ainda na escola primária, quando um rapaz chamado Sandro se sentou ao lado dela logo no primeiro dia de aulas. Não o fez por nenhum motivo especial, mas apenas porque o professor sentou todos os alunos por ordem alfabética. Olharam um para o outro e ela cumprimentou-o com o olhar. Ele sorriu-lhe, o que foi suficiente para criar essa sua primeira paixão.
O Sandro era um rapaz diferente de todos os outros. Não jogava futebol no intervalo das aulas, nem sequer gostava de qualquer atividade física como qualquer criança da sua idade. Passava o tempo livre sozinho, com um regador de plástico na mão a deitar água a tudo o que era árvore, flor ou até erva daninha. Todos os colegas gozavam com ele, menos a Sofia, que um dia lhe declarou Amor.

- Gosto de ti! - disse.

O Sandro continuou a regar um canteiro de rosas como se nada fosse. Desde então, nunca mais nenhum homem a cativou da mesma maneira. É como se o género masculino fosse composto por indivíduos todos iguais. Tirando um pormenor ou outro, nenhum consegue elaborar uma frase de engate que se encaixe no que ela quer, o que é uma pena porque adora sexo.
Sempre que tem sexo, aliás, é porque engata um homem qualquer. Nunca nenhum homem a engatou a ela. Normalmente prefere tipos um pouco mais velhos, com um máximo de cinquenta anos, que se vistam discretamente e possuam um sentido de humor constante mas que não seja óbvio. Não gosta de homens com o cabelo muito comprido e detesta aqueles que são mais baixos do que ela.
Com estas exigências, consegue engatar em média um homem por semana, sempre num bar de hotel. Desta forma, tem a certeza que o companheiro sexual não é de Lisboa, a cidade onde vive, e por isso não a tornará a chatear tão cedo para um novo encontro. Tem uma vida sexual satisfatória e nunca se prende a ninguém, o que lhe parece muito bem.
Ontem à noite vestiu uma saia curta e uma camisola apertada que lhe realça a forma dos seios. Depois apanhou um táxi e foi beber um copo no bar dum hotel central da capital. Esteve ali uma hora e meia sem que nada acontecesse, a fumar cigarro atrás de cigarro e a meter conversa com o barman para matar o tempo, até que finalmente avistou uma presa.
Um homem de meia idade, ainda com o cabelo todo e pouca barriga sentou-se no mesmo balcão, a três bancos de distância, e pediu um vermute com limão. Trazia uma mala e desapertou o nó da gravata assim que a pousou. Ela aproximou-se dele e perguntou-lhe se lhe podia fazer companhia. Disse que uma amiga, com quem tinha combinado um encontro, lhe tinha telefonado a dizer que afinal não podia aparecer. Desculpa habitual neste tipo de encontros. Ele concordou, acenando afirmativamente com a cabeça.
Vinte minutos depois estavam no quarto 408. Ele deitou-se vestido e foi ela que o despiu. Começou por massajar-lhe o pénis durante alguns minutos e depois pôs-se em cima dele, penetrando-se devagar com aquela excitação que parecia duma estátua. Ele não se mexia, mas continuava com o falo ereto como se fosse de pedra. Na altura exata ela pediu-lhe que se viesse, o que ele conseguiu fazer com uma competência fora do normal.
Ao contrário do habitual, deitou-se ao lado dele e dormitou um pouco. Quando acordou estava já viciada no seu cheiro e na sua pele. Elogiou-lhe a capacidade sexual e perguntou-lhe como é que ele conseguia vir-se na hora h. Ela não estava nada habituada a homens assim. Normalmente, ou são demasiado rápidos ou extremamente lentos.
Ele explicou-lhe que nunca teve uma companheira regular, por isso habitou-se a ter sexo apenas quando consegue e com quem consegue. Apesar de poucas vezes, a diversidade deu-lhe experiência suficiente para controlar o momento do orgasmo.

- Nunca estiveste apaixonado? - Perguntou-lhe.
- Na escola primária houve uma miúda que me me disse que gostava de mim. Não lhe respondi porque estava entretido a regar rosas. Desde então, nunca mais consegui declarar amor a ninguém.

Agora Sofia está ali, deitada num sofá vermelho a ver uma mosca bater insistentemente no vidro da janela.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Postalinho da Praia da Rocha (Portimão)

"Olha o que encontrei hoje na praia!"
Madalena Palma

12 novembro 2013

e hoje dei um passeio...


Já temos de novo comentários no blog!

Quatro dias depois, finalmente a malta já consegue comentar.
E isto sem comentários da malta não é nada erótico!



Afunda que afundar é erótico!

QUEM SAI AOS SEUS: um momento familar de Casanova

«Mas chegou o momento que levou Lucrezia à morte de amor, precisamente no instante em que, para a poupar, me achei no dever de me retirar. Leonilda, comovida até meter dó, ajudou com uma das mãos o desfalecimento da mãe e, com a outra, pôs um lenço branco debaixo do pai, que destilava as últimas gotas

Giacomo Casanova, História da Minha Vida (vol. II, trad. Pedro Tamen)


«faltas-me.» - Susana Duarte

na insubmissa saudade que me traz névoas,
falta-me o ângulo solar do teu sorriso. habituei-me
à ausência dos lábios, nunca me habituando à ausência
do que pressinto. faltas-me.

é longa a lisura dos braços que me acolhem saudades
mansas, despidas da bruma antiga, onde habitas
todos os recantos breves das palavras que dizemos.
faltas-me no ar que me respira e vive.

faltas-me,
sobretudo, onde a noite se faz longa estrada percorrida
pela cadência agreste das silvas que entoam cantos
de coruja nos locais onde a lua interpela os amantes.
faltas-me nas ondas do cabelo, que dantes revolvias
com dedos seguros. faltas-me onde me sabes e sabes-me
onde o mundo se oculta de mim e eu, dele me escondo.

faltas-me.

na insubmissa saudade dos mares outrora atravessados
de carícias, falta-me o ângulo solar dos teus dedos. habituei-me
à ausência dos beijos, nunca me habituando à ausência do que pressinto
e sei. faltas-me. todos os dias.



Susana Duarte
Poema e foto
Blog Terra de Encanto

Lutadores gay

Estatueta em bronze com pedestal em mármore, com dois homens em luta, estando um deles a segurar no pénis do outro.
Uma luta de galos... na minha colecção.





11 novembro 2013

Victoria's Secret - «Very Sexy»


Victoria's Secret 'Very Sexy' Web Exclusive from Michael Bay Dot Com on Vimeo.

«conversa 2029» - bagaço amarelo

(ao telefone)

Ela - Eu pus fim à minha relação porque o meu marido me anulava constantemente.
Eu - Anulava?!
Ela - Sim, por exemplo, nas conversas com mais amigos ria-se sempre das coisas que eu dizia, como se eu fosse uma pateta. Era sempre assim...
Eu - Estou a ver... mas ainda andaste uns anos com ele.
Ela - Pois andei, não sei bem porquê. Ou melhor, até sei.
Eu - E porquê?
Ela - Quando estávamos só os dois, ele era fantástico.
Eu - Ah!
Ela - Nunca percebi como é que um homem tão bom a sós consegue ser tão mau quando se junta mais gente, mas acho que isso é uma coisa muito masculina.
Eu - Também há mulheres assim.
Ela - Também?!
Eu - Sim. Sei-o por experiência própria.
Ela - Lá está, nada impede uma mulher de ter algumas características masculinas.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Declaração de Amor» de António Gedeão

Excita-me a tua presença, ó Árvore – ó Árvores todas!

Desejo-te (desejo-vos) como se fosses Carne, e eu Desejo.

Como se eu fosse o vento que preside às tuas bodas,

e te cicia em redor, e te fecunda num aliciante beijo.
Ponho os olhos em ti e entretenho-me a pensar que sou mãos,

todo mãos que te envolvem o tronco e te sacodem convulsivamente.
Requebras-te com volúpia, e os teus emaranhados cabelos louçãos

fustigam o ar como látegos, com toda a força que este amor me consente.
Ó árvore minha débil! Ó prazer dos meus olhos extáticos!
Ó filtro da luz do Sol! Ó refresco dos sedentos!

Destila nos meus lábios as gotas dos teus ésteres aromáticos,

unge a minha epiderme com teus macios unguentos.
Desnuda-me a tua intimidade, ó Árvore! Diz-me a que segredos recorres
para te desenrolares em flores e em frutos num cíclico desvario.
Porque é que tudo morre à tua volta e tu não morres,

e aceitas sempre o Amor com renovado cio.
Inicia-me nos teus mistérios, ó feiticeira dos cabelos verdes!
Ensina-me a transformar um raio de Sol em suculenta carnadura,

e nesses perfumes subtis que a toda a hora perdes,
prolongando o teu ser no ar que te emoldura.
É através de ti, ó Árvore, que celebro os esponsais entre mim e a Natureza.

É através de ti que bebo a nuvem fresca e mordo a terra ardente.
É de ti que recebo as leis do Amor e da Beleza.
Amo-te, ó Árvore, apaixonadamente!

António Gedeão
Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 - Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997), português, foi um químico, professor de Físico-Química do ensino secundário no Liceu Pedro Nunes e Liceu Camões, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência, e poeta sob o pseudónimo de António Gedeão. Pedra Filosofal e Lágrima de Preta são dois dos seus mais célebres poemas.

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

A conversa

Chega um dia que todos temos que tê-la.



Anakin, seu safadão.

Capinaremos.com

10 novembro 2013

«Martin em casa e na rua - a vida como ela é»

Sinopse
"Durante dez anos, de 1951 a 1961, Nel­son Rodrigues escreveu sua coluna «A vida como ela é» para o jornal «Última Hora», de Samuel Wainer. Seis dias por sema­na, chovesse ou fizesse sol. A chuva podia ser como a do quinto ato do Rigoletto e o sol, daqueles de derreter catedrais, se­gundo ele.
Todo dia, com uma paciência chinesa e uma imaginação demoníaca, Nelson escrevia uma história diferente. E quase sempre sobre o mesmo assunto: adultério. Desse tema tão simples e tão eterno, ele extraiu quase 2 mil histórias. Os ficcionistas que fingem se levar a sé­rio precisam de toda uma aura de misté­rio para criar. Nelson dispensava esse mis­tério. Chegava cedinho à redação, acendia um cigarro e, na frente dos colegas, entre miríades de cafezinhos, escrevia «A vida como ela é». As histórias saíam de casos que lhe contavam, da sua própria obser­vação dos subúrbios cariocas ou das cabe­ludas paixões de que ele ouvira falar em criança. Mas principalmente da sua me­ditação sobre o casamento, o amor e o desejo.
O cenário dos contos de «A vida como ela é» é o Rio de Janeiro dos anos 50. Uma cidade em que casanovas de plantão e mulheres fabulosas flertavam nos ônibus e bondes; em que poucos tinham carro, mas esse era um Buick ou um Cadillac; em que os vizinhos vigiavam-se uns aos ou­tros; e em que maridos e mulheres viviam sob o mesmo teto com as primas e os cunhados, numa latente volúpia incestuo­sa. Uma cidade em que, como não havia motéis, os encontros amorosos se davam em apartamentos emprestados por amigos — donde o pecado, de tão complicado, tor­nava-se uma obsessão. E uma época em que a vida sexual, para se realizar, exigia o vestido de noiva, a noite de núpcias, a lua-de-mel. E em que o casal típico — e, de certa forma, perfeito — compunha-se do marido, da mulher e do amante."

Postalinho do Buçaco

"Fotos da mata do Buçaco e do Museu Militar"
São Rosas




Decalcomania



Ele não apareceu e eu sabia que o funeral estava feito. Para grandes males, grandes remédios, não é Senhor Doutor?... Saquei do número de um amigo especial, daqueles muitos coloridos mesmo e aferi se estava disponível.

Em minutos estava na porta da saída e entrei no primeiro táxi que passava. Um rapazito de t-shirt e jeans acolheu-me com um largo sorriso e mais olhadelas ao espelho retrovisor do que à condução. Começou a desfiar o seu rosário de que a vida dele não era aquilo, que até cantava em casas de fado do Bairro Alto e era convidado para muitos lados e até tinha um rapaz que lhe escrevia letras e estendeu-me uma folha pautada cheia de erros ortográficos que foi logo o que me saltou aos olhinhos, com uma história de amor trágico que só me lembrava aquela de que andava a desgraçadinha no gamanço para sustentar os seus três filhinhos. Mas acenei que aquilo era mesmo fado e sorri. E ele aprumou o pescoço e começou a cantá-lo. E depois mais outro e outro até num sinal vermelho, ao sol abrasador, puxar de duas cervejas, estrategicamente guardadas numa geladeirazinha entre o assento e a sua porta. Abriu-as com um abre-cápsulas que também era porta-chaves e estendeu-me uma avisando que estava incluindo na bandeirada. Não sei se era notório que eu estava à beira de um ataque de nervos ou se era apenas o reflexo das minhas pernas sob a pequenita saia preta esvoaçante no espelho mas para mim aquele táxi era Almodovariano.

Quando finalmente cheguei ao pé do meu amigo alagou-nos a urgência dos beijos e a azáfama de despir as roupas na premência de tocar pele conhecida como o baú do sótão da avó. Línguas e mãos em desvario, dos rostos até meio do corpo, na pressa de nos absorvermos. E quando as suas coxas roçavam as minhas nádegas e os meus mamilos subiam e desciam sobre o seus, abri então os olhos e vi o seu rosto transfigurar-se no do outro, o ausente, que ali ganhava contornos de nitidez indescritível. E naquele aperto continuei a ondular aquilo que o cérebro tornava virtualmente real.


No que o homem pensa?



Via Testosterona

09 novembro 2013

Artroses do ofício


Objetos (espaço dedicado aos nossos amigos diários)

France Gall & Serge Gainsbourg - «Les Sucettes»



Todos juntos agora:

Annie aime les sucettes,
Les sucettes à l'anis.
Les sucettes à l'anis
D'Annie
Donnent à ses baisers
Un goût ani-
Sé. Lorsque le sucre d'orge
Parfumé à l'anis
Coule dans la gorge d'Annie,
Elle est au paradis.

[Refrão]
Pour quelques pennies, Annie
A ses sucettes à l'anis.
Elles ont la couleur de ses grands yeux,
La couleur des jours heureux.

Annie aime les sucettes,
Les sucettes à l'anis.
Les sucettes à l'anis
D'Annie
Donnent à ses baisers
Un goût ani-
Sé. Lorsqu'elle n'a sur la langue
Que le petit bâton,
Elle prend ses jambes à son corps
Et retourne au drugstore.

[Refrão]
Lorsque le sucre d'orge
Parfumé à l'anis
Coule dans la gorge d'Annie,
Elle est au paradis.

«Enlevo» - João

"Numa fila onde me detenho, observo um casal que alguns metros à frente se abraça e beija. Vejo-me tomado por um sorriso, e sem saber exactamente porquê, bebo dessa cena e deixo-me enlevar pelos sorrisos deles, pelo beijo que partilham, pelos corpos que se aquecem. Ou, noutro momento, vejo uma mulher bonita, com umas coxas de que gosto e que me despertam memórias, e novamente sorrio. Porque não sorrir, afinal. O sorriso começa fraco, mas eis que noto que se expande, que a boca se alonga, que os dentes espreitam, e a dado instante estou quase mergulhado nas minhas ideias, nas coisas que pulam em mim, as sinapses rebeldes.
Observo um copo de Gin, vejo os barcos ondulantes, o sol nas águas azuis, eu na sombra e o gelo que derrete devagar, as gotas que escorrem no copo, e penso no outro lado da esquina, nas pernas das mesas, deixo-me embalar pelos ruídos das gentes que falam longe, da brisa que me beija os ouvidos, e sossego. Percebo que não há tempo, que o relógio é só adorno, mecânica vazia, que importa sempre chegar, nem que seja em último. Mas chegar, chegar lá, cruzar mesmo a linha, saber que se conseguiu.
Das dificuldades vamos encontrando maneiras de respirar. As portas que se fecham, ou que ficam entreabertas, dão lugar a janelas, a olhares comprometidos que se lançam a coberto de finas cortinas. O sol abafado do Verão dará lugar aos dias curtos, aos amores de Inverno, aqueles que começando no frio prometem durar, porque não foram facilidades de corpos desnudos e quentes em olhares libidinosos de Verão. Os amores de Inverno são mais fortes, porque cortaram o frio, porque brilharam nas tardes cedo escuras e não derreteram nas chuvas das madrugadas levadas solitárias nas estradas de regresso, galgando quilómetros vazios.
E, furando o nosso enlevo, o mundo diz-nos que pensemos bem em tudo, que ponderemos tudo muito bem. O mundo faz isso em relação a tudo. Às coisas grandes e às pequenas. E quanto mais se pensa mais o parafuso se enrosca em direcção ao núcleo do planeta, mais fundo vão as âncoras. As nossas cabeças são computadores paradoxais. Complexos, mas limitados. Damos nós facilmente. Quanto mais processamos, menos vemos. Quanto mais procuramos explicar, mais camadas fósseis encontramos. Tentar ver para lá do vidro fumado é incrivelmente difícil, e as cartas do jogo nunca param de cair sobre a mesa, e os dados nunca deixam de lançar-se, e sempre que um degrau se sobe, outro surge. Estar vivo é muito bom, sentir coisas e saber que são verdade é muito bom, mas bom não equivale a fácil. E parte daquilo para o que cá andamos é conseguir responder “para quê?”. “Porquê?”. No dia em que conseguirmos responder a isso, saberemos se foi justo ou desperdício. Mas, mais que tudo isso, saberemos abrir as portas, as janelas, expulsar os fumos, e viver o enlevo, como tudo, como sempre."

João
Geografia das Curvas

Alguns dos jogos de tabuleiro e de mesa da minha colecção


Um sábado qualquer... - «Novelas»



Um sábado qualquer...

08 novembro 2013

Se o JF não comentasse nem reparava que este blog faz hoje 10 anos!


"E chega hoje mais um aniversário d'a funda são, a São a fazer acrobacias desde 2003!
Parabéns por mais um ano de muito tesão e serviço púbico!"
JF

Por coincidência, hoje houve mudanças no servidor onde o domínio afundasao.com está alojado. Por isso o blog esteve inacessível durante umas horas e os comentários ainda não estão operacionais. Mas isto vai ao sítio.

2013-11-12 - 4 dias depois, os comentários finalmente voltaram a estar operacionais.