emudeceram as asas dos corvos,
num uníssono de esplendorosa luminescência
negra
onde as asas abandonam as curvas
e a contemplação da rubra incandescência
do fogo da saliva
e das fugas tocadas pelas nossas mãos,
e realizam os voos dos dedos, e das línguas
e dos corpos enlaçados numa vida-morte
pequena,
incandescente ela própria,
de corpos nus, e de dias, e de noites
e de sementes lançadas pelas bocas
ávidas,
subsequentes à saudade, fria noite da ausência
de um abraço onde, de novo, (me) habitas
os cílios e o ventre e a humidade das mãos,
investidas por águas de outrora,
incendiadas pelas raízes das árvores que nos foram caminhos
eternos.
Susana Duarte
Foto de Ivano Cetta
Blog Terra de Encanto
14 janeiro 2014
14 selos para a minha colecção
Na minha colecção, já tinha 92 selos de vários países.
Desta vez, estes 14 selos foram uma prendinha Na Tal... do meu amigo Pinheiro.
Obrigada, meu fofinho. Se eu não fosse lésbica não me escapavas...
Desta vez, estes 14 selos foram uma prendinha Na Tal... do meu amigo Pinheiro.
Obrigada, meu fofinho. Se eu não fosse lésbica não me escapavas...
13 janeiro 2014
«respostas a perguntas inexistentes (263)» - bagaço amarelo

Era também o meu estádio de futebol' onde uma bola de futebol vazia se queixava, em frágeis e sofridos sopros, dos pontapés que levava. Lembro-me das balizas feitas com pequenos montes de pedras e de camisolas sujas. Lembro-me das mulheres que vinham à janela chamar os miúdos para o almoço ou para o lanche, algumas delas com rolos na cabeça e lábios pintados de vermelho vivo.
Lembro-me do único café que tinha o único televisor a cores da cidade, onde o meu me levava depois do jantar para beber uma Sumol de laranja, e de fazer uma pequena cidade em cima da mesa com a garrafa, o copo e o porta-guardanapos, para conduzir o meu Morgan Plus em miniatura enquanto não começava o programa dos Marretas.
Lembro-me de revelar à Dora, que vivia do outro lado da rua, um dos mais profundos e misteriosos segredos da vida, e de ela me dar um beijo como recompensa. Fez-me corar, fez-me fugir.
- O Monstro das Bolachas é azul.
- Azul escuro ou azul claro?
- Não sei bem, mas é mesmo muito azul.
Lembro-me de tudo isso nesta outonal tarde, muitos anos depois. Da janela da minha casa vejo agora outro mundo. Uma mulher, que passa as tardes a fumar numa janela cansada, dá para uma rua despovoada. As persianas dos prédios estão quase sempre fechadas, como se quisessem esconder alguma coisa. Penso nos segredos que desapareceram e das ruas que já não têm crianças.
Ainda estou, de vez em quando, com a Dora. Há dias, durante um curto café a seguir ao almoço, perguntei-lhe se se lembrava deste episódio das nossas vidas e ela abanou afirmativamente a cabeça. Deu-me um beijo igual ao de há trinta anos atrás, um beijo roubado e rápido. Fez-me corar, mas não me fez fugir. Fiquei a ver aquela cidade caótica em cima da mesa onde se amontoavam duas chávenas, um pacote de açúcar por abrir, um copo de água e um porta-guardanapos. Revelou-me outro segredo.
- Tenha saudades tuas.
- Saudades escuras ou saudades claras?
- Não sei, mas mesmo muitas saudades.
Eu também. Talvez o Amor seja isso mesmo, ter saudades de quem está ao nosso lado.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Está muito frio
Frio é psicológico :S

Dizem que esses caras bombadinhos de academia também sentem “muito frio”
Capinaremos.com
Dizem que esses caras bombadinhos de academia também sentem “muito frio”
Capinaremos.com
12 janeiro 2014
À gato
Senhor Doutor,
Tal como me recomendou, caso eu passasse estes dias fora, cá estou eu a escrever-lhe um email para o pôr a par dos acontecimentos.
Quando chegámos, eu estava a morrer de calor e de sede. Pedi-lhe que me indicasse a cozinha para poder beber água. Com aquele meu hábito de gato, abri a torneira, inclinei-me sobre o lava-louças e com a mão em concha, sorvia-a avidamente. Senti que me abraçava pela cintura e a descarga eléctrica de tal toque, fez-me baixar mais a boca sobre a água para em contrapeso, me levantar mais os glúteos. As mãos dele escorregaram pela minha saia esvoaçante e conduziram as minhas a voltar-me para um frente a frente. Penetrei aqueles olhos de avelã pela boca, num abraço que misturava indiscriminadamente cabelos, orelhas, pescoço, braços e nádegas. Ele soergueu-me as mãos para me retirar a blusa. Respondi desabotoando cada botão da sua camisa, enquanto ele se debatia com o fecho do meu sutiã, e sugeri ronronante que deixasse ficar a gravata. Num riso cúmplice, puxei o cinto para o chão e descobri o seu entusiasmo no meio de uns confortáveis slipes pretos. Colei as minhas costelas e coluna ao seu peito, dançando com as ancas e agarrei o lava-louças com ambas as mãos para, de mansinho, com a saia a cobrir-me o frio das costas, sentir que em mim desaguava a sua nascente, ora em calmas passagens, ora em bruscos sobressaltos.
Posso assegurar-lhe Senhor Doutor que a falta de vizinhança descansou-me quando vagi silabadamente Manuel João, antecipando a comemoração do Dia da Árvore e, de efeméride em efeméride, adiantámos o próximo Dia da Água toando um banho de imersão cheio de espuma, para poupar água.
11 janeiro 2014
Philosophia da Ponta
Uma frase de Erica Fontes que faz pensar
O livro «De corpo e alma», de Erica Fontes, é o 1.762º (sim, sim, milésimo setecentésimo sexagésimo segundo) livro da minha colecção. E, desta autobiografia desta actriz portuguesa de filmes porno, realço uma frase da página 208:
"Há actores que dizem, por graça,
que há mais respeito pelos outros
na pornografia do que na religião."

10 janeiro 2014
A funda São mora na filosofia [I]

Os Bombeiros Sapadores de Setúbal resolveram despir-se (mas só o tronco, vá) para criar um calendário muito especial para 2014. Tão especial que tem doze bombeiros muito bem parecidos, tonificados e visivelmente em sapador esforço e além disso ainda tem os doze meses do ano, com os dias da semana e afins. Trata-se, pois, de um calendário muito útil, que nos pode orientar em cada dia do ano, com uma sapadora precisão e sem corrermos o risco de nos distrairmos e perdermos o norte. Isto é serviço público, todos concordamos, certo?
Consta que para além de um corpo tonificado, estes bombeiros têm bom coração e quiseram que o lucro da venda dos calendários revertesse a favor de uma instituição. Pensaram na CARITAS. Consta que esta instituição negou o apoio financeiro. A questão que se coloca é: o que justifica a recusa?
Podemos pensar em vários cenários, podemos levantar hipóteses (e isto porque, de acordo com as fotografias, as mangueiras já estão erguidas). Por exemplo: o calendário tem carácter erótico e a Caritas tem carácter religioso, coisas que para muitos são opostas e que não se encontram nem no infinito. Outra hipótese: os valores defendidos pelos Pukaninos Bombeiros vão DE encontro aos valores da Caritas. Analisemos esta questão. Pode ler-se na página da Caritas que os seus valores são:
Caridade e Justiça Social
Compaixão
Espiritualidade
Gratuidade
Opção preferencial pelos mais pobres
Partilha
Subsidiariedade
Universalidade
Peguemos no gesto dos Bombeiros (ai oh pah!) e vamos verificar se estes valores se verificam. Ao querer ofertar o lucro da venda de um calendário-cheio-de-bombeiros-giros-e-de-tronco-nu à Caritas, os Pukaninos procuraram praticar:
- a caridade e justiça social, permitindo que o valor entregue em dinheiro seja usado para apoiar as acções da instituição;
- a compaixão, pelas mulheres (e pelos gays que connosco partilham o fraquinho pelo sexo masculino) que há muito se queixavam da falta de oferta de calendários deste tipo;
- a espiritualidade, pois a contemplação do belo aproxima-nos mais do(s) deus(es);
- a gratuidade, pois a oferta dos Bombeiros era de coração e não esperavam nada em troca (sobretudo um não!);
- a opção preferencial pelos mais pobres reflecte-se na escolha da instituição. não pensavam eles que iriam encontrar pobres de espírito;
- a partilha, porque ele há coisa mai'boa do que partilhar o fruto de tanto trabalho no ginásio, de dedicação à vida de bombeiro e assim? *suspiros*;
- a subsidiariedade é uma palavra muito bonita e comprida, tal como as mangueiras;
- a universalidade do belo, espelhada nas fotografias.
Perante isto, estamos já em condições de responder «os fins justificam os meios»? A resposta é claramente um SIM, desde que esses meios estejam tonificados, transpirados e sejam acompanhados de um sorriso bonito e de bons corações, como os dos Bombeiros Sapadores de Setúbal.
Entro em ti
A novidade provoca excitação e ansiedade. A vontade cresce em cada
momento. Motivando a exploração do sentimento. Este floresce sem
qualquer consentimento. E quando tomamos conhecimento, tarda o encontro.
Tarda o momento. Em que entro em ti, por não mais caber em mim de tanto
contentamento. E neste movimento, em que me atiro para dentro, saio de
mim e entro em ti, nem que seja por pouco tempo...
09 janeiro 2014
«Feita pachacha tonta» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
08 janeiro 2014
«Casca» - João
"Quando chegar ao fim, estarei estendido, distendido, jorrado no pavimento. Esbatido do Sol, farrapo de mim mesmo. Quando chegar ao fim, depois de tudo, depois de todos, entregue a mim mesmo, estarei de vestes rasgadas e pele suja, cabelo branco ralo, e ouvidos moucos, de sons despidos. No fim, no fim de tudo, zangado, verei a raiva escorrer-me pelos dedos, torneiras de mim mesmo, gotas que dão lugar a fios e por fim rios e torrentes de lama e pedras. A minha casca partir-se-á, cairá tudo por terra, serão os braços terminados em punhos cerrados e murros no chão, que abrirá fendas, fará tremer tudo em redor, e dos buracos abertos serei eu mesmo engolido.
Quando chegar ao fim, respirarei ainda. E do cinzento das nuvens que correm, far-se-á azul de novo. E talvez abra os punhos, talvez feche ainda os braços, e fechando-os sobre ti, talvez rolando um e outro num abraço, a raiva que dos dedos escorria dê lugar ao carinho que apaga a zanga. Quando chegar ao fim, talvez estendido, sim, mas de cabeça ao teu colo, sentindo os teus dedos correr-me o cabelo já gasto, a barba curta, dizendo-me ao ouvido, baixinho, sou tua, sou tão tua."
João
Geografia das Curvas
Quando chegar ao fim, respirarei ainda. E do cinzento das nuvens que correm, far-se-á azul de novo. E talvez abra os punhos, talvez feche ainda os braços, e fechando-os sobre ti, talvez rolando um e outro num abraço, a raiva que dos dedos escorria dê lugar ao carinho que apaga a zanga. Quando chegar ao fim, talvez estendido, sim, mas de cabeça ao teu colo, sentindo os teus dedos correr-me o cabelo já gasto, a barba curta, dizendo-me ao ouvido, baixinho, sou tua, sou tão tua."
João
Geografia das Curvas
«conversa 2039» - bagaço amarelo

- Os homens não sabem estar sozinhos.
Fiquei na mesma posição em que estava, deitado na areia da praia, a olhar na direcção do céu estrelado. A quietude do meu corpo contrastava com a tempestade que nascera dentro de mim, mas mantive-me assim, com a sensação de ser uma caixa com uma bomba relógio no interior. Não lhe perguntei porquê. Mais, nem sequer tentei adivinhar porquê.
- Em que é que estás a pensar? - Perguntou.
- Em nada.
- Quando uma mulher está sozinha, sente-se bem. Quando um homem se encontra na mesma situação, entra facilmente em desespero.
Na verdade eu estava a pensar em como a minha vista conseguia englobar simultaneamente estrelas tão distantes umas das outras.
- Então são as mulheres que não sabem estar sozinhas.
- Achas? - Perguntou.
- Acho.
E ela ficou na mesma posição que eu.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
07 janeiro 2014
«Roteiro» - Susana Duarte
Vou percorrer os caminhos onde alamedas guardam as noites de lã
junto ao bívio onde se decidem caminhos e guardam romãs.
( a fruta vermelha e o céu irreal, onde o óbvio e o aparente se misturam).
Na viela tortuosa onde a linheira se encima à janela das flores
irei saber de todos os mundos guardados nos dédalos das cores
(e de todas as evidências dos meus sonhos que, pensados, se fraccionam).
Na eira, debulha-se o cereal que se multiplica na mesa, no pão e na casa;
lá, habita a ave que voa no arvoredo onde dormem o ovo e a asa
(e as cores das giestas sabem de cor onde os errantes, viajam).
Estranha ladeira que percorre o chão da ave que traz no bico o algodão
com que teço as esperas num envoltório de pano bordado vivente na mão
(e as flores das romãs trazem os becos onde a noite cai e as ruas cantam).
Há um caminho onde trilhas a noite nas tessituras dos olhares pernoitados
e as ramificações dos dias são as noites do sol; onde os caminhos andados
são lábios que se beijam na ponta das estrelas que te habitam. Sabedoras de ti,
aves circulam pelas vias das flores que desabrocham na raíz do peito aqui,
onde trazes pétalas de rosas, pétalas de hibiscos, pétalas de frésias, pétalas ali,
no jardim das encruzilhadas dos jardins subterrâneos onde escondi as asas.
Na neblina, declina-se o verbo do teu ser. Nas asas da noite, o azul em ti.
A cada órbita, o sol és tu. Roteiro das bermas onde posso repousar.

Susana Duarte
poema e foto
Blog Terra de Encanto
junto ao bívio onde se decidem caminhos e guardam romãs.
( a fruta vermelha e o céu irreal, onde o óbvio e o aparente se misturam).
Na viela tortuosa onde a linheira se encima à janela das flores
irei saber de todos os mundos guardados nos dédalos das cores
(e de todas as evidências dos meus sonhos que, pensados, se fraccionam).
Na eira, debulha-se o cereal que se multiplica na mesa, no pão e na casa;
lá, habita a ave que voa no arvoredo onde dormem o ovo e a asa
(e as cores das giestas sabem de cor onde os errantes, viajam).
Estranha ladeira que percorre o chão da ave que traz no bico o algodão
com que teço as esperas num envoltório de pano bordado vivente na mão
(e as flores das romãs trazem os becos onde a noite cai e as ruas cantam).
Há um caminho onde trilhas a noite nas tessituras dos olhares pernoitados
e as ramificações dos dias são as noites do sol; onde os caminhos andados
são lábios que se beijam na ponta das estrelas que te habitam. Sabedoras de ti,
aves circulam pelas vias das flores que desabrocham na raíz do peito aqui,
onde trazes pétalas de rosas, pétalas de hibiscos, pétalas de frésias, pétalas ali,
no jardim das encruzilhadas dos jardins subterrâneos onde escondi as asas.
Na neblina, declina-se o verbo do teu ser. Nas asas da noite, o azul em ti.
A cada órbita, o sol és tu. Roteiro das bermas onde posso repousar.
Susana Duarte
poema e foto
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Chaleira do macaco contente
Encontrei esta peça na Zara Home.
É uma chaleira em faiança cuja tampa é a cabeça de um macaco e o bico é um tronco de árvore que, na posição em que se encontra, se pode confundir com uma pila.
Adoro comprar para a colecção estes objectos que supostamente não são eróticos.
É uma chaleira em faiança cuja tampa é a cabeça de um macaco e o bico é um tronco de árvore que, na posição em que se encontra, se pode confundir com uma pila.
Adoro comprar para a colecção estes objectos que supostamente não são eróticos.
06 janeiro 2014
«conversa 2038» - bagaço amarelo

Eu - A sério?!
Ela - Sim... e foi contigo.
Eu - Comigo?! Espectacular.
Ela - Sim. Eu estava no pátio a ler um livro e tu dentro de casa, de esfregona na mão, a limpar o chão de toda a minha casa.
Eu - Foi esse o sonho?
Ela - Foi.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «Adeus (Como se houvesse…)» de Eugénio de Andrade
Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos, ou se preferes,
a minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;
como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti, eu falei em
neve, e tu calavas a voz onde contigo
me perdi.
Como se a noite viesse e te levasse, eu
era só fome o que sentia; digo-te
adeus, como se não voltasse ao país
onde o teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens, e
sobre as nuvens mar perfeito, ou se
preferes, a tua boca clara singrando
largamente no meu peito.
Eugénio de Andrade
pseudónimo de José Fontinhas (Póvoa de Atalaia, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005). Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
escurecendo os teus cabelos, ou se preferes,
a minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;
como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti, eu falei em
neve, e tu calavas a voz onde contigo
me perdi.
Como se a noite viesse e te levasse, eu
era só fome o que sentia; digo-te
adeus, como se não voltasse ao país
onde o teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens, e
sobre as nuvens mar perfeito, ou se
preferes, a tua boca clara singrando
largamente no meu peito.
Eugénio de Andrade
pseudónimo de José Fontinhas (Póvoa de Atalaia, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005). Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
05 janeiro 2014
Armas da ocidental praia lusitana
Acredite Senhor Doutor que cada vez que vejo uma farda ponho-lhe logo um xis na testa. Nem sei se são altos, se são baixos, magros ou gordos, apetecíveis ou repulsivos. Eu bem sei que foram os militares que fizeram o 25 de Abril e nesses dias em que eles encheram as ruas andei de caderninho de mão a coleccionar os seus autógrafos. Mas se calhar tenho um trauma com as fardas enquanto símbolo de autoridade, não acha Senhor Doutor?...
No caso dele, o que me despertou a atenção foi ter religiosamente o «Inimigo Público» debaixo do braço, todas as sextas-feiras. Um dia, Senhor Doutor, fingi não ter isqueiro e pedi-lhe lume ali no balcão do café. Abriu a pasta atafulhada de livros e de fato de treino, à procura do dito, para acabar por o encontrar no bolsinho pequeno das calças. Conversa puxa conversa, ele gostava de ler Lobo Antunes, Adília Lopes e até Al Berto. E tinha os músculos todos no sítio, sem serem espampanantes. As calças de ganga, Senhor Doutor, são óptimas para mostrar os contornos dos volumes e as formas dos rabos. Confessou que era sargento, sempre muito caladito na messe dos oficiais às segundas feiras, a não ser que o tema fosse gajas. E tinha umas mãos longas e o cabelo curtito e espetado como o pelo macio de um gato eriçado.
Depois Senhor Doutor, medi-lhe o polegar e deixei que me arrastasse para sua casa para avaliar as munições e as armas da ocidental praia lusitana.
04 janeiro 2014
Dildo dedo
Dedo numa extremidade, pénis na outra.
Trabalho manual em madeira de oliveira.
A apontar para a minha colecção.
Trabalho manual em madeira de oliveira.
A apontar para a minha colecção.
03 janeiro 2014
Beija-me como se o mundo acabasse uns minutos depois
Todas as pessoas, com ou sem uma pila como eu, apreciam
beijos. Sim, eu vejo-os nessas marmeladas e até acabo sempre por tentar alinhar
na festa. É algo que não podem negar, essa vossa apetência pelas bocas e pelo
que elas são capazes em matéria de prazer.
Neste contexto, sinceramente não consigo perceber porque vos
escandaliza tanto que um pénis aprecie tanto essa manifestação de carinho ou de
desejo que encontram nuns lábios quentes e carnudos.
Nós, as pilas, também temos mecanismos emocionais e até são independentes
da mixórdia, nessa matéria, dos coisos agarrados a nós. Não temos é boca para
expressarmos aquilo que nos vai na alma e às tantas é por isso que, de forma
instintiva, procuramos incessantemente uma.
No entanto, raramente os coisos agarrados a nós verbalizam a
vontade que lhes dá, generosos, de conduzirem aquela boca linda e acolhedora até
nós, de partilharem connosco essa fonte inesgotável de emoção e de prazer que
parece cortar-vos a respiração.
Sim, nós invejamos a vossa emoção quando se beijam. E
queremos sentir também essa aceleração, esse remoinho de sensações que vos
deixa com um ar absolutamente deliciado e palerma quando cada beijo mais
intenso chega ao fim.
E nós, pilas, também sabemos dar valor a uma história, ou apenas
um momento especial, cuja acção conduza de forma inevitável a um final prazenteiro
e, por isso mesmo, estupidamente feliz.
serviço público, pela vossa saudinha...
Acabadinha de chegar à redacção, aqui fica a informação proveniente do Brasil:
No país onde o Ministro da Saúde diz que sexo é o melhor remédio para hipertensão, já tem gente usando a punheta como genérico.
Por cá, podemos presumir que a medida venha a acolher forte aplauso do «nosso» conselho de ministros. Aliás, como sempre percursores, já tínhamos um tal Miguel a promover o «bate-punho»...
No país onde o Ministro da Saúde diz que sexo é o melhor remédio para hipertensão, já tem gente usando a punheta como genérico.
Por cá, podemos presumir que a medida venha a acolher forte aplauso do «nosso» conselho de ministros. Aliás, como sempre percursores, já tínhamos um tal Miguel a promover o «bate-punho»...
Arrisque mais
Oportunidades podem não voltar.

É melhor dois fudidos em uma pena do que um solitário voando sozinho.
Capinaremos.com
É melhor dois fudidos em uma pena do que um solitário voando sozinho.
Capinaremos.com
02 janeiro 2014
«O naco» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
01 janeiro 2014
«Sem esforço, nem acerto» - João
"Acordei sem razão especial nem hora marcada. Rodei a cabeça na direcção do relógio e passava pouco das três da manhã. A tua perna estava lançada sobre mim, como tantas vezes acontecia. Gostavas de fazê-lo, e eu também. Talvez fosse para eu não fugir. Não sei. Não me importa. Sentindo o meu corpo mover-se, mexeste-te e mudaste de posição, de costas para mim. E eu cheguei-me a ti, encostei-me ao teu corpo, também como tantas vezes. Gostava de fazê-lo. E tu também. Por felicidade da nossa anatomia, enquanto perdia o meu nariz no teu cabelo e as nossas coxas se tocavam, perfeitamente alinhados e tu molhada, o meu caralho cresceu até entrar sozinho na tua cona. Sem esforço, nem acerto. Só compasso, naquela hora do lobo, em que afundado nos teus cabelos e tu gemendo baixinho nos permitimos vir, ficando depois assim, agarrados, apertados, alheios ao frio do mundo, até ser dia novamente e partirmos, mundanos, aos afazeres interrompidos, a espaços, por sorrisos silenciosos que ninguém sabia ao que vinham, mas eram apenas a antecipação de mais uma noite, de mais um inconfessável entre as nossas paredes."
João
Geografia das Curvas
João
Geografia das Curvas
«conversa 2037» - bagaço amarelo

Eu - Então?
Ela - Um homem com umas mãos enormes. Sempre adorei homens com mãos grandes.
Eu - Mãos grandes?! A que propósito?
Ela - Tenho mesmo que te explicar?
Eu - Tens.
Ela - olha bem para mim.
Eu - Sim...
Ela - O que é que eu tenho grande e que precisa de mãos grandes para apertar?
Eu - O nariz?
Ela - Eu tenho mãos pequenas, mas levas já duas chapadas.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
31 dezembro 2013
«Balkan Erotic Epic» - Marina Abramovic
A ideia é esta: Marina Abramovic explora neste trabalho/ instalação a forma como a sexualidade foi definida pela tradição pagã balcânica.
Marina Abramovic - Balkan Erotic Epic - from HaufenMag on Vimeo.
Marina Abramovic - Balkan Erotic Epic - from HaufenMag on Vimeo.
A FODA COMO ELA É (VII) - Formação Profissional: Escolas de Putedo
![]() |
| Ginásio do Instituto de Formação Profissional do Amor, projecto de Tomás Taveira |
Por esta altura, já todos se puseram de acordo sobre o assunto, entretanto despido das vestes garridas da controvérsia. Os préstimos ancestrais das mercenárias, mercenários, bi-trans-mercenários - puta de confusão! - do amor, deviam ser legalizados, profissionalizados e tributados, como acontece em países de civilização mais fina. Mas em momentos de cavaqueira, o "ora veja" amiúde fica-se pela tributação, dada a irresistível tendência lusitana para a torpe inveja. Avancemos um pouco no exercício conjectural.
Está, então, a prostituição regulamentada por decreto-lei, publicado em Diário da República, e quem a exerce passa factura, paga IRS e o cardápio inclui preços com IVA. O negócio organiza-se e complica-se, nascem empresas de serviços generalistas e especializados, com entrega ao domicílio, departamentos de recursos humanos, linhas de apoio ao cliente, livro de reclamações e toda a parafernália. Naturalmente, aumenta a exigência sobre as competências das horizontais, no exercício de seu mister. A saída da clandestinidade desvia parte da atenção do cliente, da situação para a qualidade do serviço. E já não chegam as dicas de calejadas, nem os work-chupe das madames para se manterem as páginas imaculadas de reclamações. Impõe-se formação sistematizada, com teoria e prática, oficialmente certificada pelo ministério competente. Não é só escachar o chispe, arregaçar prepúcios a eito, enfim passar o rato reclinada numa poltrona, tasquinhando tremoços de uma selha em plástico ao alcance da mão, enquanto o outro se alivia. A profissional de categoria conjuga na mesma pessoa a hábil, delicada gueisha com a mais devassa Messalina. Um comentário desacertado pode inutilizar um broche de valor histórico. Pelo contrário, sempre que puta de talento sabe predispor, o êxtase de seu amigo é completo. Ficai certos de que levará dali mais do que uma insistente comichão no escroto, em jeito de recordação.
Diz-se ser a mais velha das ocupações, mas será também a que sofre os piores efeitos da falta de profissionalismo. É por estas que critico putanheiro que esfregue as mãos de contente à ideia da legalização. Não estão a ver bem o filme: sem uma Escola Técnica de Putedo, encartada pelo Estado, seria o mesmo que transformar esquinas em casas de banho públicas. Muito higiénico, mas nada erótico.
«Verbo» - Susana Duarte
um dia, saberei conjugar todos os verbos
-mesmo os verbos de ser arriba
escarpada
sobranceira-
e, ao conjugá-los, saberei onde estás:
manhã orvalhada de todas as palavras
de antes, desfloradas em neblinas
onde gotas de geada quebram folhas
suaves, lentas folhas
de chuva antiga
que me acende (caminhos?)
conjugo o verbo-palavra mitigada
pelo bater de asas suave
da leve
ondulação das águas
e, ao dizer da eloquência
dos sons, procuro ainda.
procuro o abrigo das asas
rectrizes de todos os uivos,
voos lentos dos meus braços curvos.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
-mesmo os verbos de ser arriba
escarpada
sobranceira-
e, ao conjugá-los, saberei onde estás:
manhã orvalhada de todas as palavras
de antes, desfloradas em neblinas
onde gotas de geada quebram folhas
suaves, lentas folhas
de chuva antiga
que me acende (caminhos?)
conjugo o verbo-palavra mitigada
pelo bater de asas suave
da leve
ondulação das águas
e, ao dizer da eloquência
dos sons, procuro ainda.
procuro o abrigo das asas
rectrizes de todos os uivos,
voos lentos dos meus braços curvos.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Casal asiático
Peça trabalhada em madeira com mecanismo articulado.
Origem: Ásia?
A partir de agora na minha colecção.
Casal asiático from São Rosas on Vimeo.
Origem: Ásia?
A partir de agora na minha colecção.
Casal asiático from São Rosas on Vimeo.
30 dezembro 2013
«respostas a perguntas inexistentes (262)» - bagaço amarelo

- Quantos?
- Cabem todos numa só mão.
- Então fecha-a e guarda-os.
Regresso a um baloiço velho, já velho quando eu era criança, onde os dias baloiçavam numa tontura desigual. Era a Helena, que ia sempre mais alto do que eu e depois punha-se em pé. Chegava a ficar na horizontal, quando atingia a altura máxima atrás ou à frente e eu, com medo, a dizer-lhe que não me apetecia baloiçar. Quando o fiz, caí, e ela saltou lá de cima para me secar as lágrimas. Deu-me a mão para me ajudar a levantar e eu fechei-a, para guardar a sensação do toque dela.
Regresso a uma incerteza que nada sôfrega no meu copo de uísque.
- Lembras-te de mim?
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «Para atravessar…» de Sofia de Mello B. e Andresen
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sofia de Mello B. e Andresen
(Porto, 6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004)
foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sofia de Mello B. e Andresen
(Porto, 6 de Novembro de 1919 — Lisboa, 2 de Julho de 2004)
foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.
Ouçam este texto na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
29 dezembro 2013
Target

A sua presença impunha-se pelo corte de cabelo, o pólo Sacoor ou Giovanni Galli, o vinco das calças e um perfume da Boss, com o ar triunfante de quem vai pelo menos três vezes por semana ao ginásio e faz as comprinhas todas na centralidade do Corte Inglês.
Era fácil notá-lo assim alto e espadaúdo naquela vernissage de um artista plástico em ascensão de alguma forma acentuado pela voz de cama com que pronunciava com licença e obrigado ao pegar nos mini-croquetes ou tostinhas com patê, antes de os deglutir.
Entre um sumo de laranja e um moscatel de Setúbal geladinho consegui averiguar que aquele segmento percebia tanto de pintura quanto eu entendo de costura ou bordados embora a amizade mantida desde a infância com o autor o obrigassem a comparecer ali e além do mais, a sua voz continuava macia como pêlo de gato e assustadoramente quente como chocolate derretido.
Deixei-o debitar um rol de frases feitas sobre o sol, a praia, melhores sítios de férias até que alguns erros de pronúncia me perfuraram os tímpanos. Não estava no meu plano levar o corrector ortográfico para a cama mas sou obrigada a reconhecer que mesmo na pressa de apalpar a carninha toda a um gajo, colar a pele dele à minha e absorvê-lo como água de um cantil, não sujeito os meus ouviditos a fífias.
Fugi a pretexto de um amigo acabadinho de chegar porque, definitivamente Senhor Doutor, ele não era o meu target.
Era fácil notá-lo assim alto e espadaúdo naquela vernissage de um artista plástico em ascensão de alguma forma acentuado pela voz de cama com que pronunciava com licença e obrigado ao pegar nos mini-croquetes ou tostinhas com patê, antes de os deglutir.
Entre um sumo de laranja e um moscatel de Setúbal geladinho consegui averiguar que aquele segmento percebia tanto de pintura quanto eu entendo de costura ou bordados embora a amizade mantida desde a infância com o autor o obrigassem a comparecer ali e além do mais, a sua voz continuava macia como pêlo de gato e assustadoramente quente como chocolate derretido.
Deixei-o debitar um rol de frases feitas sobre o sol, a praia, melhores sítios de férias até que alguns erros de pronúncia me perfuraram os tímpanos. Não estava no meu plano levar o corrector ortográfico para a cama mas sou obrigada a reconhecer que mesmo na pressa de apalpar a carninha toda a um gajo, colar a pele dele à minha e absorvê-lo como água de um cantil, não sujeito os meus ouviditos a fífias.
Fugi a pretexto de um amigo acabadinho de chegar porque, definitivamente Senhor Doutor, ele não era o meu target.
28 dezembro 2013
«Das trocas» - João
"O cérebro avalia o valor das coisas através de comparações. Isto é algo que está bem estabelecido, não constitui surpresa nem novidade, e portanto assumo que o meu, igual a todos os outros (a uns mais que outros, concedo), também funciona assim. Comparo para perceber o valor. E, se o faço assim, sinto-me na posse de tudo quanto preciso para refutar uma ideia que em tempos me venderam, com relação às mudanças vividas nos relacionamentos amorosos: a ideia de que uma mudança numa relação não pode ser uma troca. Dito de outro modo, quiseram em tempos dizer-me que nunca corre bem deixar uma pessoa para ficar com outra. Que é melhor deixar alguém, ficar sozinho, e só mais tarde conhecer outra pessoa que nos interesse.
Não concordo – como não concordei à época – com essa visão, porque me parece inevitável que a troca ocorra. A única diferença é ser uma troca de uma presença por outra presença, ou de uma presença por uma ausência. Mas é sempre uma troca. É inevitável. É a forma como funcionamos e raramente fazemos algo para ficar pior. Não estamos desenhados para procurar o sofrimento e o dano pessoal. Estamos orientados para procurar o melhor para nós e aquilo que nos cria maior felicidade, e portanto estamos sempre a avaliar o valor das coisas, com maior ou menor perspicácia conforme os instrumentos que tempos. Mas sempre a avaliar, a comparar, a procurar. Assim, dizer a alguém que é mau mudar a vida fazendo trocas de pessoas, é desafiar a forma como os nossos cérebros funcionam. As nossas opções são sempre trocas."
João
Geografia das Curvas
Não concordo – como não concordei à época – com essa visão, porque me parece inevitável que a troca ocorra. A única diferença é ser uma troca de uma presença por outra presença, ou de uma presença por uma ausência. Mas é sempre uma troca. É inevitável. É a forma como funcionamos e raramente fazemos algo para ficar pior. Não estamos desenhados para procurar o sofrimento e o dano pessoal. Estamos orientados para procurar o melhor para nós e aquilo que nos cria maior felicidade, e portanto estamos sempre a avaliar o valor das coisas, com maior ou menor perspicácia conforme os instrumentos que tempos. Mas sempre a avaliar, a comparar, a procurar. Assim, dizer a alguém que é mau mudar a vida fazendo trocas de pessoas, é desafiar a forma como os nossos cérebros funcionam. As nossas opções são sempre trocas."
João
Geografia das Curvas
27 dezembro 2013
Amores galácticos
Ela é uma mulher tão distante, tão inacessível, que já só consigo alimentar por ela um amor plutónico.
26 dezembro 2013
«conversa 2036» - bagaço amarelo

Eu - Qual?
Ela - Sexo.
Eu - Era mau?
Ela - Era curto.
Eu - Era curto?!
Ela - Curto em tempo, curto em tempo... já ouviste falar em ejaculação precoce?
Eu - Ah! Porque é que ele nunca foi ao médico?
Ela - Já ouviste falar em estúpido orgulho de macho?
Eu - Ah!
Ela - Chegou a convencer-me que, se bebesse três ou quatro uísques antes do sexo, a coisa podia durar mais, para eu também aproveitar.
Eu - E experimentaram?
Ela - Sim. Algumas vezes.
Eu - Deu resultado?
Ela - O único resultado que deu foi ele adormecer bêbedo em cima de mim algumas vezes.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Postalinho ciclista do Vietname
"Esta bicicleta comprei-a no Vietname, especialmente, para oferecer à São Rosas.
Beijinhos"
Alfredo Moreirinhas
Beijinhos"
Alfredo Moreirinhas
25 dezembro 2013
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