Sou de paixões avassaladoras.
Mas gosto de amores calmos.
Tudo ao mesmo tempo.
Preciso de sentir as borboletas na barriga. Preciso do ombro amigo. Preciso do beijo que não pode esperar.
Preciso de ter para quem voltar.
Preciso da estabilidade e do imprevisto.
De quem me acalme e me surpreenda.
Preciso das noites e preciso dos dias.
Preciso de me sentir viva e de fazer viver.
Preciso de quem me ame e se apaixone por mim todos os dias.
Preciso de amar sem limites e de me apaixonar loucamente. Todos os dias.
Preciso de ti. E preciso de ti.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
08 abril 2014
«Despida» - Susana Duarte
Tenho os sentidos despidos de ti,
e de ti vestidos
na montanha de luas antigas,
na sáfara atravessada de rugas,
na territorialidade das névoas,
e na eternidade dos olhos.
De ti, retenho em mim a pele,
e na pele
dispo as cátedras do que sabia antes,
em dias que não sei,
em tempos e lugares onde fui outra,
em tempestades que retive na sombra
dos tecidos
do corpo.
Do corpo, despi-me na neve
e na neve das noites
enchi-me de ar,
volteei em ondas de som
e deixei-me encantar pelas nuvens
da mente.
Resido nas pontas feiticeiras
de um saber antigo
e dispo-me dos sentidos:
olhar,ainda que despida dos olhos;
sentir, ainda que sem tocar;
escutar, ainda que os ouvidos
alados
se tenham tornado viajantes
onde torres caem e mistérios
se levantam
nos dias
que sou.
Despi-me de tudo.
Prossigo em ti.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
e de ti vestidos
na montanha de luas antigas,
na sáfara atravessada de rugas,
na territorialidade das névoas,
e na eternidade dos olhos.
De ti, retenho em mim a pele,
e na pele
dispo as cátedras do que sabia antes,
em dias que não sei,
em tempos e lugares onde fui outra,
em tempestades que retive na sombra
dos tecidos
do corpo.
Do corpo, despi-me na neve
e na neve das noites
enchi-me de ar,
volteei em ondas de som
e deixei-me encantar pelas nuvens
da mente.
Resido nas pontas feiticeiras
de um saber antigo
e dispo-me dos sentidos:
olhar,ainda que despida dos olhos;
sentir, ainda que sem tocar;
escutar, ainda que os ouvidos
alados
se tenham tornado viajantes
onde torres caem e mistérios
se levantam
nos dias
que sou.
Despi-me de tudo.
Prossigo em ti.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Jardim dos Mijões
Jardim dos Mijões é uma roda em barro com vários homens nus com chapéus, da autoria de Júlia Côta (Barcelos).
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
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07 abril 2014
Trolha no tasco
"Olha lá ó garanhão das avenidas, queres as amêijoas à Bulhão Pato?"
"Não, foda-se. Como-as à canzana."
"Não, foda-se. Como-as à canzana."
«coisas que fascinam (164)» - bagaço amarelo

Acontecem coisas estranhas nos dias normais. Nenhuma dessas coisas é igual a outra, mas nunca damos por elas porque acontecem regularmente. É isso que as torna iguais, apesar de diferentes. Uma vez por outra, muito raramente, numa dessas coisas surge um pequeno rasgo de Amor, assim como um passageiro desconhecido que sai do comboio num apeadeiro qualquer à procura de aventura.
Numa estação do metro do Porto, num dia em que o céu se assemelhava a uma cinzenta aguarela infantil, uma mulher dividiu o guarda-chuva dela comigo. Ficou ali a segurá-lo, protegendo-me da água que ia caindo, como se isso fosse a coisa mais natural deste mundo. Mas não era. A normalidade depende da estatística e eu não via mais ninguém a dividir o guarda-chuva com um estranho. Esse dia foi hoje.
Ela não disse nada. Nem sequer uma palavra. Eu só disse uma. Obrigado. Depois vi-a sair em Campanhã e entrar no comboio para Braga, enquanto eu me dirigia para a linha seis onde me esperava o comboio para Aveiro. Provavelmente nunca mais a vejo. De certeza que nunca mais a esqueço.
É no comboio que escrevo estas linhas. Sentei-me à frente dum casal. Ele dormia com a cabeça pousada no ombro dela, enquanto ela olhava pela janela como se analisasse ao pormenor uma pintura qualquer. Os nossos olhares encontraram-se por uma pequena fracção de segundo, como se fossem duas borboletas num voo tonto, para logo a seguir pousarem em pontos distantes.
Ela acabou por sair na estação de Esmoriz. Primeiro afastou-lhe cuidadosamente a cabeça e pousou-a para trás, como se estivesse a mudar de sítio uma frágil peça de louça. Depois levantou-se e saiu em silêncio enquanto ele lhe pediu desculpa, ainda estremunhado. Afinal não eram um casal. Não se conheciam de lado nenhum, mas ele adormecera no ombro dela e ela deixara-se estar ali, tão quieta como uma fêmea leoa que protege uma cria de cordeiro.
Acontecem coisas estranhas nos dias normais. Uma das coisas mais estranhas que me acontece a mim é quase nunca dar por elas. Se desse, se eu fosse capaz de reparar todos os dias nas mulheres que têm a coragem de salvar o dia de um homem, tenho a certeza que os meus dias seriam diferentes. Mais estranhos e mais normais. Certamente melhores.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
06 abril 2014
«Rostos sem rosto - a prostituta» - depoimento recolhido por Luís Fernandes
“Sou prostituta, tenho 48 anos de idade, e exerço esta actividade nas ruas da Baixa há cerca de uma dezena de anos. Nasci em Miragaia, no Porto. Dei o primeiro grito numa família abastada. Muito abastada. O meu pai, hoje aposentado, era quadro superior de um banco. Estudei até ao 12.º ano num colégio católico. Não me faltou nada. Fui educada com muito amor e carinho. O problema, talvez maior, é que os meus pais são divorciados. A minha mãe é toxico-dependente e alcoólica. Depois tirei um curso de esteticista, massagista e visagista – assessora de imagem. Exerci na cidade Invicta. Casei cedo e assim me mantive durante 20 anos, até conseguir aguentar a porrada que levava do meu ex-marido e os maus tratos associados. Eu era uma mulher linda! Ainda hoje sou, apesar de estar um pouco estragada. Casei para me libertar do bloqueio da minha família, que nem um cigarro me deixava fumar. Sentia-me asfixiada pelos meus pais. Gostava do meu marido, mas depressa o meu sonho se desvaneceu. Ele comigo fazia pouco sexo, mas ia às prostitutas. Várias vezes apanhei doenças venéreas por causa disso. A nossa existência é muito cruel. Nunca pensei em enveredar por esta vida. Enquanto casada, tantas vezes me ofereceram dinheiro para eu fazer sexo mas eu nunca quis. Era o amor, sabe? Até que tive de fugir dele por não aguentar tanta pancada – pode ter a certeza de que, se calhar, como eu, a maioria das prostitutas que anda por aí foi vítima de violência doméstica.
A vida depois da vida
Então, com, mais ou menos, 38 anos respondi a um anúncio de uma revista e conheci um homem. Ele trouxe-me para Coimbra embalada na esperança de uma vida melhor. Mas quem nasce atrás do sol-posto, com a má-sorte associada, dificilmente verá o astro-rei brilhar. O fulano tinha apenas uma intenção em mente: que eu me prostituísse. E depressa estava a aprender o “bê, à, bá” da mais antiga profissão do mundo. Ele pertencia a uma rede de carne branca com ligações a França e Holanda. Para me libertar dele foi o cabo das tormentas. Mas, nessa altura, ninguém me ajudou. Cheguei a ir pedir ajuda a um vereador da Câmara Municipal, para me arranjar um trabalho, e ele respondeu que eu fosse para o Largo do Paço do Conde. Que era lá o meu lugar – que, curiosamente, é onde estou quase sempre e junta com outras mulheres. Mais tarde apareceu-me um engenheiro de uma instituição do Estado, um chefe de serviço –que ainda hoje lá exerce - que, dizendo que gostava de mim, se revelou um gigolo. Pôs-me a trabalhar na noite. Eu gostava dele, por isso me tornei sua amante. Mas o interesse dele não era o meu amor. Tinha uma forma sub-reptícia, muito subtil, de se bater aos meus ganhos, pedia prendas de grande valor. Nunca me deu nada. E eu tive de aprender à minha custa. Os homens não valem uma merda! É amá-los e fornicá-los! Que é o que faço mesmo! Dão-me prazer, um gozo danado, e ainda me pagam. Quem é aqui o utilizado? São muito estúpidos! Às vezes perguntam-me se eu tenho orgasmo. Tenho sim, filho – respondo. Tenho dois. O primeiro quando me pagas e o segundo quando te vejo a puxar as calças para ires embora.
Um pouco de amor. Please!
Sofro de esquizofrenia bipolar. Tenho de tomar medicamentos para me aguentar. Às vezes pareço zonza –sei lá quantas vezes você, ao passar por mim, assim teria pensado, que eu levava uma broa. Nada disso. Eu não me drogo. Os homens tratam-nos como coisas sem valor. Mas eu tenho sentimentos. Preciso de ser amada, ter um pouco de carinho. E não tenho. Por vezes, quando estou mais em baixo, ligo ao meu pai só para ouvir a sua voz, mas ele não me dá hipótese de continuar a conversa e corta logo: “fala-me em números! Quanto precisas?” – ele nem a minha voz quer ouvir. O meu progenitor, apesar de ter refeito a sua vida com outra mulher, vê em mim a minha mãe – que, quando nova, era muito linda -, na voz, na imagem e em tudo. Nunca superou isso. Ele todos os meses deposita cerca de 200 euros na conta do assistente social que me acompanha. É este técnico que me vai dando o dinheiro ao longo do mês. Estou a viver numa pensão da Baixa – mas não levo para lá clientes.
Escorregar no caminho
Cai-se na prostituição por três motivos. Por expiação – no sentido de expurgar a culpa. Mas que culpa? Por inspiração – há mulheres que gostam mesmo desta vida. E por omissão – entregam-se à actividade sem recalcitrar. Sem se questionarem. Deixam-se ir na corrente.
Isto é também um vício. Às vezes saio à noite para levar um agasalho a uma colega e acabo por ficar. O dinheiro cega-me, sabe? Embora não precise de muito. Por conseguinte, logo que faça 20 euros por dia, com um ou dois clientes, chega-me. Não quero mais! Outras vezes também faço isto por missão. Pode achar inverosímil, mas eu tenho prazer em dar satisfação aos homens.
Esta vida fez de mim uma psicóloga. Olho para qualquer rosto e, sem nunca o ter visto, sou capaz de descrever a pessoa. Habituei-me a ler um homem através da face. Saber ao segundo o que é que ele quer de mim. Trabalho com homens sem taras. Estes indivíduos são perigosos. Tive más experiências. Já fui violada mas não comuniquei à polícia. Ele apontou-me uma pistola, amarrou-me e levou-me para a mata. Sei quem é, mas não quero falar disso. Nem os cães violam as cadelas, porra! Trabalho com viúvos, divorciados e solteiros. Já me propuseram casamento. Outros querem que eu vá viver com eles. Na maioria das vezes, sobretudo os mais velhos, querem-me como companhia. Sou mais virada para o trabalho de acompanhante… popular. Não é acompanhante de luxo! Vêem mais em mim a mulher e menos o objecto sexual. Está a perceber?!
As pessoas da Baixa tratam-me, todos, muito bem. Com muito afecto! Sou simpática, não me drogo e não sou malcriada para ninguém. Faço aqui as compras todas. Se tenho dinheiro pago logo, se não deixam-me levar. Confiam em mim. Sabem que, apesar de ser prostituta, sou séria. Tenho dignidade. Tenho coração. Aqui, dentro do peito bate uma alma. Entende? Sabem o que eu faço. Não ando mascarada. Sabem que tenho uma filha que é médica e um rapaz que é economista – os meus rebentos sabem muito bem o que faço. Dizem que a escolha é minha, é uma opção de vida, e não têm nada a ver com isso. São uns queridos, os meus filhos, não são?
Acabei a gostar desta vida. É uma forma de libertação. O patrão não bate e a patroa não ralha.
Não espero nada da vida! Não tenho ilusões. O amor é uma utopia!"
A vida num cartão
Anda sempre acompanhada com um cartão de vacinas que ostenta no cabeçalho “Cartão Controlo do GAT-UP-REDUZ”. Este serviço está sediado no Terreiro da Erva. É com ele que vai requisitar preservativos. “São muito bons para mim e para outras como eu - enfatiza. Se não fossem estas instituições o que haveria de ser de nós? Levam-nos ao hospital para fazer exames de três em três meses. Olhe aqui a data! Fiz há dias análises ao sangue. Faço amiúde vezes rastreio contra o HIV, Hepatite, Cancro do útero e da mama, e Sífilis. A maioria dos clientes nem sabe disto. Pouca gente sabe. Mas quando a polícia nos identifica pede sempre este cartão de vacinas. Você também não sabia, pois não?”
(Todo este impressionante depoimento é real)
Luís Fernandes
Blog «Questões Nacionais»
A vida depois da vida
Então, com, mais ou menos, 38 anos respondi a um anúncio de uma revista e conheci um homem. Ele trouxe-me para Coimbra embalada na esperança de uma vida melhor. Mas quem nasce atrás do sol-posto, com a má-sorte associada, dificilmente verá o astro-rei brilhar. O fulano tinha apenas uma intenção em mente: que eu me prostituísse. E depressa estava a aprender o “bê, à, bá” da mais antiga profissão do mundo. Ele pertencia a uma rede de carne branca com ligações a França e Holanda. Para me libertar dele foi o cabo das tormentas. Mas, nessa altura, ninguém me ajudou. Cheguei a ir pedir ajuda a um vereador da Câmara Municipal, para me arranjar um trabalho, e ele respondeu que eu fosse para o Largo do Paço do Conde. Que era lá o meu lugar – que, curiosamente, é onde estou quase sempre e junta com outras mulheres. Mais tarde apareceu-me um engenheiro de uma instituição do Estado, um chefe de serviço –que ainda hoje lá exerce - que, dizendo que gostava de mim, se revelou um gigolo. Pôs-me a trabalhar na noite. Eu gostava dele, por isso me tornei sua amante. Mas o interesse dele não era o meu amor. Tinha uma forma sub-reptícia, muito subtil, de se bater aos meus ganhos, pedia prendas de grande valor. Nunca me deu nada. E eu tive de aprender à minha custa. Os homens não valem uma merda! É amá-los e fornicá-los! Que é o que faço mesmo! Dão-me prazer, um gozo danado, e ainda me pagam. Quem é aqui o utilizado? São muito estúpidos! Às vezes perguntam-me se eu tenho orgasmo. Tenho sim, filho – respondo. Tenho dois. O primeiro quando me pagas e o segundo quando te vejo a puxar as calças para ires embora.
Um pouco de amor. Please!
Sofro de esquizofrenia bipolar. Tenho de tomar medicamentos para me aguentar. Às vezes pareço zonza –sei lá quantas vezes você, ao passar por mim, assim teria pensado, que eu levava uma broa. Nada disso. Eu não me drogo. Os homens tratam-nos como coisas sem valor. Mas eu tenho sentimentos. Preciso de ser amada, ter um pouco de carinho. E não tenho. Por vezes, quando estou mais em baixo, ligo ao meu pai só para ouvir a sua voz, mas ele não me dá hipótese de continuar a conversa e corta logo: “fala-me em números! Quanto precisas?” – ele nem a minha voz quer ouvir. O meu progenitor, apesar de ter refeito a sua vida com outra mulher, vê em mim a minha mãe – que, quando nova, era muito linda -, na voz, na imagem e em tudo. Nunca superou isso. Ele todos os meses deposita cerca de 200 euros na conta do assistente social que me acompanha. É este técnico que me vai dando o dinheiro ao longo do mês. Estou a viver numa pensão da Baixa – mas não levo para lá clientes.
Escorregar no caminho
Cai-se na prostituição por três motivos. Por expiação – no sentido de expurgar a culpa. Mas que culpa? Por inspiração – há mulheres que gostam mesmo desta vida. E por omissão – entregam-se à actividade sem recalcitrar. Sem se questionarem. Deixam-se ir na corrente.
Isto é também um vício. Às vezes saio à noite para levar um agasalho a uma colega e acabo por ficar. O dinheiro cega-me, sabe? Embora não precise de muito. Por conseguinte, logo que faça 20 euros por dia, com um ou dois clientes, chega-me. Não quero mais! Outras vezes também faço isto por missão. Pode achar inverosímil, mas eu tenho prazer em dar satisfação aos homens.
Esta vida fez de mim uma psicóloga. Olho para qualquer rosto e, sem nunca o ter visto, sou capaz de descrever a pessoa. Habituei-me a ler um homem através da face. Saber ao segundo o que é que ele quer de mim. Trabalho com homens sem taras. Estes indivíduos são perigosos. Tive más experiências. Já fui violada mas não comuniquei à polícia. Ele apontou-me uma pistola, amarrou-me e levou-me para a mata. Sei quem é, mas não quero falar disso. Nem os cães violam as cadelas, porra! Trabalho com viúvos, divorciados e solteiros. Já me propuseram casamento. Outros querem que eu vá viver com eles. Na maioria das vezes, sobretudo os mais velhos, querem-me como companhia. Sou mais virada para o trabalho de acompanhante… popular. Não é acompanhante de luxo! Vêem mais em mim a mulher e menos o objecto sexual. Está a perceber?!
As pessoas da Baixa tratam-me, todos, muito bem. Com muito afecto! Sou simpática, não me drogo e não sou malcriada para ninguém. Faço aqui as compras todas. Se tenho dinheiro pago logo, se não deixam-me levar. Confiam em mim. Sabem que, apesar de ser prostituta, sou séria. Tenho dignidade. Tenho coração. Aqui, dentro do peito bate uma alma. Entende? Sabem o que eu faço. Não ando mascarada. Sabem que tenho uma filha que é médica e um rapaz que é economista – os meus rebentos sabem muito bem o que faço. Dizem que a escolha é minha, é uma opção de vida, e não têm nada a ver com isso. São uns queridos, os meus filhos, não são?
Acabei a gostar desta vida. É uma forma de libertação. O patrão não bate e a patroa não ralha.
Não espero nada da vida! Não tenho ilusões. O amor é uma utopia!"
A vida num cartão
Anda sempre acompanhada com um cartão de vacinas que ostenta no cabeçalho “Cartão Controlo do GAT-UP-REDUZ”. Este serviço está sediado no Terreiro da Erva. É com ele que vai requisitar preservativos. “São muito bons para mim e para outras como eu - enfatiza. Se não fossem estas instituições o que haveria de ser de nós? Levam-nos ao hospital para fazer exames de três em três meses. Olhe aqui a data! Fiz há dias análises ao sangue. Faço amiúde vezes rastreio contra o HIV, Hepatite, Cancro do útero e da mama, e Sífilis. A maioria dos clientes nem sabe disto. Pouca gente sabe. Mas quando a polícia nos identifica pede sempre este cartão de vacinas. Você também não sabia, pois não?”
(Todo este impressionante depoimento é real)
Luís Fernandes
Blog «Questões Nacionais»
Pilhão

Mastigava demoradamente um daqueles divinais pastéis de massa tenra do Frutalmeidas que agora estão caros que eu sei lá mas agora não vem ao caso, quando ele entrou de fato e gravata. Duvidei da sua origem terrestre por causa da patilha suplementar em cima da orelha. Mas como puxou do bolso interior de um notepad para escrevinhar algo enquanto falava e gesticulava para nenhures fiquei segura de que era português, cidadão do povo mais telemovelizado da Europa.
Pareceu-me mais humano quando alargou o nó da gravata para sorver a sopinha pela tijela antes de se bater com três pastéis e essa sensação cresceu quando percebi que me espiava os joelhos cruzados debaixo da mesa. Devia ser um homem ocupado porque sem retirar o auricular pediu-me para se sentar na minha mesa e aí tomar café e sem grandes rodeios informou-me que tinha um cliente às quatro da tarde embora como morasse ali nos prédios construídos pelo Estado Novo para as famílias com rendimentos ainda haveria tempo para fazermos uma digestão mais divertida.
Como não tinha mais nada com que ocupar o início da tarde e nutria alguma curiosidade sobre a sua movimentação desamparada de tecnologias, acedi. Descobri um homem que de um fôlego começava a carregar e a murmurar uma linguagem estranha como a de sms de gaiatos até morrer como um telemóvel. Por descarga de bateria. E só quando o preservativo já saía por si próprio e entornava nos lençóis é que ele a custo se levantava para o ir deitar no lixo.
Pareceu-me mais humano quando alargou o nó da gravata para sorver a sopinha pela tijela antes de se bater com três pastéis e essa sensação cresceu quando percebi que me espiava os joelhos cruzados debaixo da mesa. Devia ser um homem ocupado porque sem retirar o auricular pediu-me para se sentar na minha mesa e aí tomar café e sem grandes rodeios informou-me que tinha um cliente às quatro da tarde embora como morasse ali nos prédios construídos pelo Estado Novo para as famílias com rendimentos ainda haveria tempo para fazermos uma digestão mais divertida.
Como não tinha mais nada com que ocupar o início da tarde e nutria alguma curiosidade sobre a sua movimentação desamparada de tecnologias, acedi. Descobri um homem que de um fôlego começava a carregar e a murmurar uma linguagem estranha como a de sms de gaiatos até morrer como um telemóvel. Por descarga de bateria. E só quando o preservativo já saía por si próprio e entornava nos lençóis é que ele a custo se levantava para o ir deitar no lixo.
05 abril 2014
Sapo avantajado
Sapo com grande pénis, em faiança, da minha colecção.
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
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04 abril 2014
Les boules (II)
Convém saber distinguir as mais importantes “classes” de testículos antes de nos dedicarmos ao assunto que vamos ter entre mãos.
Há três “espécies” importantes e será delas que trataremos. Existem variantes, mas todas pertencem a uma destas classificações abrangentes e, reconhecendo as principais, estaremos aptas para cuidar das secundárias.
1ª – A pêra – ou os “testículos gota de azeite”, como lhes chamava a L., mais prosaica do que eu.
São testículos pendentes em que o escroto arrecada as ovaladas “jóias da coroa” que, com a aproximação do orgasmo e a inevitável contracção, sobem ligeiramente, mas sem grande notoriedade. Normalmente são eficazes, sobretudo na posição do “missionário”, porque os sentimos embater contra o períneo e tocar-nos o anûs. São testículos pesados e exigem alguma perícia se os quisermos “manobrar” com alguma eficácia.
2ª – A noz – com um escroto que embora tenha tendência para obedecer à gravidade, é mais pequeno do que o anterior. Durante o orgasmo é visível a subida os testículos que se posicionam, lateralmente, junto da base do pénis. São duas óptimas nozes, porque nos deixam um campo livre e espaçoso para nos podermos recriar. Existem homens que são capazes de controlar esta subida, oferecendo-nos um espectáculo digno de circo e muito divertido.
3ª – A maçã – São testículos com uma rugosidade que endurece bastante e que ocupam um espaço inferior ao dos anteriores. São quase redondos e a assimetria é menos notada do que nos já referidos. São os meus preferidos! Contraem-se quando se aproxima o momento de ejaculação e cabem na palma da nossa mão ou desaparecem quase por completo, subindo para o interior do corpo até à completa descarga. São os mais fáceis de “manobrar” porque, para além de parecerem os mais resistentes às nossas investidas, adquirem uma dureza consistente que os anteriores não possuem.
Proponho, antes de referir o modo de cuidar de cada uma destas “espécies”, que se investigue os que estão mais próximos e se tente incluir os vislumbrados nestes três grupos definidos, usando todos os nossos disponíveis sentidos.
Não há nada como um bom trabalho de campo para se aprender a “tratar por tu” a matéria em apreço.
Camille - ociodascerejas.blogspot.com
Camille - ociodascerejas.blogspot.com
«Quem disse, baby?» - Mamãe Coruja (índia da Amazónia)
Olás...
Quem disse que as mamães não têm tesão?
Só porque pariram
Perderam a excitação?
Quem disse que mamães não fazem amor?
Porque cantam cantiga de ninar
Debaixo do cobertor?
Quem disse que mamães não são gostosas?
Ser mamãe nem é tão complexo assim,
O Complexo de Édipo, sim.
Quem disse que mamães não transam?
Só ajudar que o ponto G alcançam
E vão até ao Z... se isto lhes dá prazer.
Quem disse que mamãe não escapole?
Para aliviar a tensão da prole...
E outras que explica Freud.
Se Freud sempre explica
Se ele disse que pode.
Ora, as mamães também (...?...)
(Para descontrair)
Mamãe Coruja
Quem disse que as mamães não têm tesão?
Só porque pariram
Perderam a excitação?
Quem disse que mamães não fazem amor?
Porque cantam cantiga de ninar
Debaixo do cobertor?
Quem disse que mamães não são gostosas?
Ser mamãe nem é tão complexo assim,
O Complexo de Édipo, sim.
Quem disse que mamães não transam?
Só ajudar que o ponto G alcançam
E vão até ao Z... se isto lhes dá prazer.
Quem disse que mamãe não escapole?
Para aliviar a tensão da prole...
E outras que explica Freud.
Se Freud sempre explica
Se ele disse que pode.
Ora, as mamães também (...?...)
(Para descontrair)
Mamãe Coruja
Isto anda a correr pelo Face-Book, mas como lhe achei uma piada do caralho, nada melhor do que partilhá-lo aqui neste Blogue, ( ou Broshe, como diz o Nelo)
Os problemas do nosso País são essencialmente agrícolas: excesso de
nabos; falta de tomates e muito grelo abandonado.
O Casamento é um relacionamento a dois, no qual uma das pessoas está
sempre certa e a outra é o marido.
A mulher está sempre ao lado do homem, para o que der e vier; Já o homem está sempre ao lado da mulher que vier e der.
Se fores chata, as tuas amigas perdoam;
Se fores agressiva, as tuas amigas perdoam;
Se fores egoísta, as tuas amigas perdoam;
Agora experimenta ser magra e linda!
Tás feita!
O amor é como a gripe, apanha-se na rua, resolve-se na cama!
A falta de sexo provoca amnésia e outras merdas que agora não me lembro...
Não procures o príncipe encantado. Procura, antes, o lobo mau: ouve-te melhor; vê-te melhor e ainda te come.
Toda a gente se queixa de assédio sexual no local de trabalho. Ou isto começa a ser verdade ou então despeço-me!
A mulher do amigo é como a bota da tropa; também marcha!
Os problemas do nosso País são essencialmente agrícolas: excesso de
nabos; falta de tomates e muito grelo abandonado.
O Casamento é um relacionamento a dois, no qual uma das pessoas está
sempre certa e a outra é o marido.
A mulher está sempre ao lado do homem, para o que der e vier; Já o homem está sempre ao lado da mulher que vier e der.
Se fores chata, as tuas amigas perdoam;
Se fores agressiva, as tuas amigas perdoam;
Se fores egoísta, as tuas amigas perdoam;
Agora experimenta ser magra e linda!
Tás feita!
O amor é como a gripe, apanha-se na rua, resolve-se na cama!
A falta de sexo provoca amnésia e outras merdas que agora não me lembro...
Não procures o príncipe encantado. Procura, antes, o lobo mau: ouve-te melhor; vê-te melhor e ainda te come.
Toda a gente se queixa de assédio sexual no local de trabalho. Ou isto começa a ser verdade ou então despeço-me!
A mulher do amigo é como a bota da tropa; também marcha!
03 abril 2014
Cantigas das feiras
A Teresa Bizarro, que já tinha oferecido cinco pérolas de José Vilhena para a minha colecção, encontrou nos seus papéis umas 'cantigas' que lhe "foram oferecidas há mais de quarenta anos, com uma letra malandreca, mas muito decentinha" e que "foram cantadas em feiras pelo norte do país há muitos anos". E explicou-me a origem:
"A história, que me foi contada pela senhora, é a seguinte:
A Letinha, filha de uma família de lavradores ricos do norte do país, nasceu cega, há mais de cem anos.
Com pouco o que ensinar a uma menina cega, os pais mandaram a pequena aprender música; como ela me contava: «quiseram ensinar-me uma coisa que se encavava debaixo dos queixos, mas eu não gostei daquela merda!»
Deu preferência à viola, que tocava muito bem, ouvi-a eu, já ela tinha mais de oitenta anos.
A Letinha cresceu, com uma ranchada de irmãos e, em determinada altura, apareceu um marmanjão que se propôs casar com ela e dar-lhe uma 'bela vida' - com o dote que os pais lhe deram, evidentemente.
Quando o dote acabou (em putas e vinho verde) e os filhos entretanto nascidos continuavam a pedir pão, ele tratou de a pôr a render: arranjou-lhe umas cantilenas mais ou menos desbragadas e, segundo ela dizia, a 'toque de muita porrada' obrigou-a a cantar e tocar pelas feiras de Trás-os-Montes, coisa que ela fez até ao dia em que acordou e o sentiu gelado na cama.
Ainda lhe perguntou: ó homem, tu mijaste-te? Mas como ele nem se mexeu, nem lhe respondeu, percebeu que o filho da puta já se tinha passado para o lado de lá...
Passou então a viver com os filhos, já todos crescidos e deixou as cantigas - mas passou-as à neta mais velha e a mim, com a história que nos contou enquanto fazia meias com cinco agulhas sem errar nas malhas!
Como vês, uma historieta singela, igual a tantas outras que se ouvem por aí, mas que me foi contada (e as cantigas cantadas, acompanhadas pela viola) em primeira mão e nunca esqueci. A Letinha morreu há cerca de quarenta anos.
A história da Letinha, foi-me contava por ela mesma, em 1971 e confirmada pela filha mais velha, com quem ela viveu nos últimos anos; as cantigas, foram-me 'cantadas' acompanhadas à viola, em dois serões inesquecíveis e, dias depois, ditadas à neta mais velha, que as dactilografou para mim. Tiveram que ser lidas depois de dactilografadas, por isso há uma parte acrescentada à mão numa delas: a Letinha tinha-se esquecido desse pedaço da cantiga...Eu preferi oferecer os 'documentos' tal como me foram entregues, acrescidos de umas manchas de um Porto de 1958 cuja garrafa se partiu sobre a caixa onde guardava estas e outras 'preciosidades'.
Só não ofereço a fotografia que tenho com a Letinha...
Exactamente por pensar que as cantigas não valem nada sem a história de vida da Letinha, é que eu a contei..."
As letras dessas cantigas das feiras passaram a fazer parte da colecção de arte erótica «a funda São»:
"A história, que me foi contada pela senhora, é a seguinte:
A Letinha, filha de uma família de lavradores ricos do norte do país, nasceu cega, há mais de cem anos.
Com pouco o que ensinar a uma menina cega, os pais mandaram a pequena aprender música; como ela me contava: «quiseram ensinar-me uma coisa que se encavava debaixo dos queixos, mas eu não gostei daquela merda!»
Deu preferência à viola, que tocava muito bem, ouvi-a eu, já ela tinha mais de oitenta anos.
A Letinha cresceu, com uma ranchada de irmãos e, em determinada altura, apareceu um marmanjão que se propôs casar com ela e dar-lhe uma 'bela vida' - com o dote que os pais lhe deram, evidentemente.
Quando o dote acabou (em putas e vinho verde) e os filhos entretanto nascidos continuavam a pedir pão, ele tratou de a pôr a render: arranjou-lhe umas cantilenas mais ou menos desbragadas e, segundo ela dizia, a 'toque de muita porrada' obrigou-a a cantar e tocar pelas feiras de Trás-os-Montes, coisa que ela fez até ao dia em que acordou e o sentiu gelado na cama.
Ainda lhe perguntou: ó homem, tu mijaste-te? Mas como ele nem se mexeu, nem lhe respondeu, percebeu que o filho da puta já se tinha passado para o lado de lá...
Passou então a viver com os filhos, já todos crescidos e deixou as cantigas - mas passou-as à neta mais velha e a mim, com a história que nos contou enquanto fazia meias com cinco agulhas sem errar nas malhas!
Como vês, uma historieta singela, igual a tantas outras que se ouvem por aí, mas que me foi contada (e as cantigas cantadas, acompanhadas pela viola) em primeira mão e nunca esqueci. A Letinha morreu há cerca de quarenta anos.
A história da Letinha, foi-me contava por ela mesma, em 1971 e confirmada pela filha mais velha, com quem ela viveu nos últimos anos; as cantigas, foram-me 'cantadas' acompanhadas à viola, em dois serões inesquecíveis e, dias depois, ditadas à neta mais velha, que as dactilografou para mim. Tiveram que ser lidas depois de dactilografadas, por isso há uma parte acrescentada à mão numa delas: a Letinha tinha-se esquecido desse pedaço da cantiga...Eu preferi oferecer os 'documentos' tal como me foram entregues, acrescidos de umas manchas de um Porto de 1958 cuja garrafa se partiu sobre a caixa onde guardava estas e outras 'preciosidades'.
Só não ofereço a fotografia que tenho com a Letinha...
Exactamente por pensar que as cantigas não valem nada sem a história de vida da Letinha, é que eu a contei..."
As letras dessas cantigas das feiras passaram a fazer parte da colecção de arte erótica «a funda São»:
02 abril 2014
«Deste frio que te traz a mim» - João
"Vem-me à memória um dia pleno de Sol, como alguns destes por entre os quais me atiro sem mover, com vento e com frio cortantes, como alguns destes por entre os quais me catapulto sem capacete. Afastaste-te de mim, de cabelos ondulantes. Caminhaste para longe, ora de braços pendentes, ora de mãos nos bolsos, de botas castanhas que num ou noutro momento pontapearam pedritas inocentes que se cruzaram contigo. Eu estava ao longe, a ver-te. Peguei no teu casaco, que tinha ficado esquecido no meio de frases curtas, e caminhei até ti. Para não teres frio. Para não ficares doente. E depois voltei para onde estava, sempre de olhar fixo em ti.
Vêm-me à memória os dias frios, gelados, como hoje, como agora. As minhas mãos sempre ficam mais quentes quando o ar corta. Escaldam. A superfície que tocam é sempre maior do que a que ocupam. Estas mãos que aquecem, que confortam, são a pele que toca a tua. É seda contra seda, num deslize de peles que se contraria quando se aperta com força, quando os dedos tentam evitar que a pele se escape, e podia ter sido hoje, como ontem, como em qualquer dia, desta memória que transforma os momentos em películas contínuas, fotogramas de desejo e risos, muitos risos, um medicamento que cura e faz esquecer as torturas dos dias pálidos.
E enquanto caminho, sozinho pela rua, com as mãos a escaldar desafiando o frio que o ar tem, invade-me um sorriso que te tem lá dentro, saboreio os teus sabores recordados, e enquanto meneio a cabeça numa espécie de discordância, pensando aquele clássico de não existires, vejo que o mundo tem muita gente, tem muitas coisas, tem de tudo para todos e para todos os gostos, e depois tem-te a ti. E isso é único."
João
Geografia das Curvas
Vêm-me à memória os dias frios, gelados, como hoje, como agora. As minhas mãos sempre ficam mais quentes quando o ar corta. Escaldam. A superfície que tocam é sempre maior do que a que ocupam. Estas mãos que aquecem, que confortam, são a pele que toca a tua. É seda contra seda, num deslize de peles que se contraria quando se aperta com força, quando os dedos tentam evitar que a pele se escape, e podia ter sido hoje, como ontem, como em qualquer dia, desta memória que transforma os momentos em películas contínuas, fotogramas de desejo e risos, muitos risos, um medicamento que cura e faz esquecer as torturas dos dias pálidos.
E enquanto caminho, sozinho pela rua, com as mãos a escaldar desafiando o frio que o ar tem, invade-me um sorriso que te tem lá dentro, saboreio os teus sabores recordados, e enquanto meneio a cabeça numa espécie de discordância, pensando aquele clássico de não existires, vejo que o mundo tem muita gente, tem muitas coisas, tem de tudo para todos e para todos os gostos, e depois tem-te a ti. E isso é único."
João
Geografia das Curvas
Grandessíssimo arraial de cona
«Os reis da Pérsia admitiam as suas mulheres nos festins; porém, quando o vinho lhes aquecia o cérebro, quando já davam rédea solta à voluptuosidade, enviavam-nas para as suas habitações particulares para não as fazerem participar nos seus apetites imoderados, e faziam-se acompanhar por outras mulheres, às quais não os ligava nenhuma obrigação de respeito. Todos os prazeres e todas as coisas agradáveis não convêm por igual a toda a espécie de gente.»
in Ensaios, Michel de Montaigne
«conversa 2058» - bagaço amarelo

Eu - Todos os homens são capazes de ter discussões com as mulheres.
Ela - O meu marido não é.
Eu - Olha que é. Pode é ter chegado à conclusão que não vale a pena discutir contigo. Aliás, pelo que eu conheço de ti, não vale mesmo a pena discutir contigo.
Ela - Não vale a pena discutir comigo?!
Eu - Não, não vale. Nunca dás o braço a torcer, mesmo que seja óbvio que não tens razão.
Ela - Mesmo que isso seja verdade, prefiro que ele discuta.
Eu - Mas para que é que ele vai discutir contigo, se sabe que não vale a pena?
Ela - Para isso mesmo, para discutir..
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
01 abril 2014
Eva portuguesa - «Lembras-te?»
Diz-me...
O que te faz estar vivo hoje?
O que faz o teu coração bater mais forte?
O que te faz sentir as gotas de chuva a escorrer pelo teu cabelo e os raios de sol a beijar a tua pele?
O que é que, neste exacto momento, te apetece fazer, sentir e agarrar?... Serei Eu?...
O que te tira o sono e te faz sonhar?... Será a recordação do Meu cheiro,do Meu toque?...
Lembras-te do que é querer desesperadamente, urgentemente?
Lembras-te de quando a vontade é tal que não pode esperar?
Lembras-te?
Ou precisas que vá aí recordar-te?
Posso recordar-te se vieres até mim...Estou cá para ti. Hoje. Todos os dias sem excepção.
Entre as 10h e a 1h da manhã.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
O que te faz estar vivo hoje?
O que faz o teu coração bater mais forte?
O que te faz sentir as gotas de chuva a escorrer pelo teu cabelo e os raios de sol a beijar a tua pele?
O que é que, neste exacto momento, te apetece fazer, sentir e agarrar?... Serei Eu?...
O que te tira o sono e te faz sonhar?... Será a recordação do Meu cheiro,do Meu toque?...
Lembras-te do que é querer desesperadamente, urgentemente?
Lembras-te de quando a vontade é tal que não pode esperar?
Lembras-te?
Ou precisas que vá aí recordar-te?
Posso recordar-te se vieres até mim...Estou cá para ti. Hoje. Todos os dias sem excepção.
Entre as 10h e a 1h da manhã.
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«Noiva-borboleta» - Susana Duarte
.a noiva-borboleta inventa voos e desenha rabiscos no papel de rascunho.
.na noite silente, acaricia os dedos finos e inscreve o azul no seu sonho.
.no dia mais longo, inventa canções e desassossegos da ternura e da dor.
.a noiva-borboleta inventou as amoras da criação e da noite e do amor.
.na noite mais longa, escreve solidão nos dedos das aves e nas asas-som.
.no dia sereno, inventa uma dança e dança uma música de um só tom.
.espera serena a presença da aurora e a paz de noites de fogo de outrora.
.a noiva-borboleta sabe das nuvens brancas da espera e do ventre da terra.
.a noiva-borboleta dança um tango sedutor, olhar das cores do mar e da serra.
.nua, a noiva-borboleta dança sob a chuva e ilumina, em si, um arco-íris.
.os seus olhos iridescentes brilham do azul que neles vive,
pescando sonhos na maré lunar.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
"Pescadores de Fosforescências"
Alphabetum Edições Literárias
Dezembro de 2012
Relembrando os videos de apresentação da minha colecção - 4 - Proibições que são hinos à vida
Quarto vídeo de apresentação de «a funda São» - colecção (muito) particular de arte erótica, de Setembro de 2011, com outro poema de Jorge Castro lido pela voz de ouro de Luís Gaspar (do Estúdio Raposa).
As peças apresentadas fazem parte de um espólio com mais de 3.000 objectos e mais de 1.700 livros com a temática do erotismo e da sexualidade.
A música do genérico é «Sometime Ago», de Bill Evans (do álbum «You must believe in spring»).
A produção e a realização do video são de Joana Moura.
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
As peças apresentadas fazem parte de um espólio com mais de 3.000 objectos e mais de 1.700 livros com a temática do erotismo e da sexualidade.
A música do genérico é «Sometime Ago», de Bill Evans (do álbum «You must believe in spring»).
A produção e a realização do video são de Joana Moura.
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
31 março 2014
«sem título, sem nada» - bagaço amarelo

Procurar o Amor, viver nessa expectativa, é uma infelicidade tão próxima da felicidade que chegamos a acreditar que vale a pena. Talvez valha. Sei lá.
O que eu sei é que há um momento em que acreditamos que não. É quando damos a mão a alguém que nos estende a sua e tudo o resto perde a importância. A árvore que nos observa do meio da avenida, o polícia que multa um carro em segunda fila ou o resultado dum jogo de futebol. Tudo se engrandece para se reduzir a nada.
Porque o Amor é o único capaz de viver do nada.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
30 março 2014
Placebo de intimidade

Apesar da tropa feita julgo que abusei nas vezes que o fiz encher. Começou-se a queixar das costas e até da pilinha. Valha a verdade que a cabecita ficava vermelha que nem um tomate, um tomate mesmo daqueles que se usam na salada e em qualquer guisado que se preze que os outros tinham aquele tradicional tom de pele mais arroxeada que a restante. Ele insistia que deixasse para lá e suponho mesmo que o intimidava quando me deitava entre as suas pernas e naquela proximidade lhe examinava o dito cujo, vira para cá, vira para lá, como quem analisa um reagente num tubo de ensaio tanto que acabava a cobri-lo com as mãos como se fossem um garruço.
Tive de conter o riso quando depois de ir ao médico me contou cabisbaixo que após tantos anos tinha de ir faca fazer uma circuncisão. Pareceu-me cruel perguntar-lhe o que é que não tinha feito na adolescência e nos anos seguintes para nunca ter dado conta e resolvi antes incentivá-lo com as vantagens do tunning da ferramenta como quem coloca um motor novo no carro que tem há anos.
Estoicamente resistiu depois com o seu faraó enfaixado e receoso de nunca mais abandonar o estado de múmia invocando uma qualquer maldição para me impedir de o acompanhar à mudança de penso apesar dos meus insistentes rogos por me estar a coarctar a oportunidade única de ver um penso ensanguentado num sexo de homem e só me permitiu voltar a ver o meu pequenino finda a fase de pousio para a primeira rodagem.
Talvez tudo continuasse pacatamente como um placebo se eu não tivesse tido a ideia peregrina de numa noite ir ter com ele à casa de banho e encontrá-lo a mergulhar as duas placas numa pouca de água com um comprimido efervescente perante o seu olhar arrepiado por me desnudar a sua cara subitamente envelhecida sem os dentes. Nunca mais me conseguiu encarar.
Tive de conter o riso quando depois de ir ao médico me contou cabisbaixo que após tantos anos tinha de ir faca fazer uma circuncisão. Pareceu-me cruel perguntar-lhe o que é que não tinha feito na adolescência e nos anos seguintes para nunca ter dado conta e resolvi antes incentivá-lo com as vantagens do tunning da ferramenta como quem coloca um motor novo no carro que tem há anos.
Estoicamente resistiu depois com o seu faraó enfaixado e receoso de nunca mais abandonar o estado de múmia invocando uma qualquer maldição para me impedir de o acompanhar à mudança de penso apesar dos meus insistentes rogos por me estar a coarctar a oportunidade única de ver um penso ensanguentado num sexo de homem e só me permitiu voltar a ver o meu pequenino finda a fase de pousio para a primeira rodagem.
Talvez tudo continuasse pacatamente como um placebo se eu não tivesse tido a ideia peregrina de numa noite ir ter com ele à casa de banho e encontrá-lo a mergulhar as duas placas numa pouca de água com um comprimido efervescente perante o seu olhar arrepiado por me desnudar a sua cara subitamente envelhecida sem os dentes. Nunca mais me conseguiu encarar.
Postalinho da Baixa de Coimbra
"O Mata-Frades está há muitas décadas no Largo da Portagem, em Coimbra, com uma folha de papel e uma pena. Dizem os estudantes que é para anotar os nomes das raparigas que chegam a Coimbra virgens e saem de lá virgens... e juram que ainda não o viram mexer um dedo!
A estátua dele está envolvida por um bonito e cuidado jardim circular...
... com um gradeamento em ferro forjado trabalhado e encimado por flores...
... muito bonitas, sendo que...
... uma delas se transfigurou e agora é um belo de um caralho com asas!"
PM
A estátua dele está envolvida por um bonito e cuidado jardim circular...
... com um gradeamento em ferro forjado trabalhado e encimado por flores...
... muito bonitas, sendo que...
... uma delas se transfigurou e agora é um belo de um caralho com asas!"
PM
29 março 2014
«Cinema em 7 Cores» - curta-metragem Porta-Curtas
Documentário
Diretor: Felipe Tostes, Rafaela Dias
Duração: 34 min
Ano: 2008
País: Brasil
Sinopse: "Cinema em 7 Cores traça um panorama histórico de como o personagem gay foi retratado nas telas grandes brasileiras, desde sua origem nas chanchadas dos anos 50 até os dias atuais. O filme investiga as origens dos preconceitos, estereótipos, assim como a importância da identificação com representações construtivas desses personagens".
Diretor: Felipe Tostes, Rafaela Dias
Duração: 34 min
Ano: 2008
País: Brasil
Sinopse: "Cinema em 7 Cores traça um panorama histórico de como o personagem gay foi retratado nas telas grandes brasileiras, desde sua origem nas chanchadas dos anos 50 até os dias atuais. O filme investiga as origens dos preconceitos, estereótipos, assim como a importância da identificação com representações construtivas desses personagens".
«Perfumes eróticos em tempo de vacas magras»... é um pouco o que é este blog, com a crise que por aí anda
Manuel da Silva Ramos é um escritor da Covilhã (a "terra dos conas da mãe", como descobriu da pior forma o Carlos Queirós, em 2010) que decidiu - e muito bem, digo eu - escrever estes contos que cruzam deliciosamente duas coisas teorica e praticamente inconciliáveis: o erotismo e a puta da política.
De todos os 1.760 livros da minha colecção, este «Perfumes eróticos em tempo de vacas magras» é um dos que recomendo a toda a gente de mente e pernas abertas (mesmo que seja apenas de forma alternada). E as ilustrações de João Pedro Lam são um regalo para o olho (salvo seja) e dão ainda mais «perfume erótico» aos vários contos deste livro. Ficam alguns exemplos:
Visita a página da colecção no Facebook (e, já agora, também a minha página pessoal)
28 março 2014
Henrique VIII, o campeão do matrimónio e do divórcio, já agora
Henrique VIII, frequentemente representado em pinturas que caberiam numa moldura quadrada, foi um dos mais marcantes monarcas da longa história da realeza britânica, tendo governado durante cerca de 38 anos. Durante esse período, para além das profundas reformas que levou a cabo, ficou famoso pela sucessão de matrimónios e pela forma como simplificou o processo de divórcio.
Assim, começou por casar com Catarina de Aragão, viúva do seu irmão Artur, mas como esta apenas lhe deu uma filha e não o tão desejado filho varão, acabou por separar-se dela e colocou-a em prisão domiciliária. Quem não achou piada a isto foi o Papa que resolveu não dar a necessária autorização para a separação do casal. Henrique não se resignou e desatou este nó gordiano ao declarar-se chefe da igreja inglesa e subtraindo-a à autoridade de Roma.
Casou em seguida com Ana Bolena que, infelizmente, também não conseguiu dar-lhe o tão desejado filho, apenas uma filha chamada Elizabeth que, quiçá amaldiçoada pelo facto de ser indesejada pelo pai, haveria de morrer virgem. Muito convenientemente, Ana foi acusada de bruxaria, incesto, adultério e conspiração contra o rei e acabou por ser executada.
No dia seguinte à execução de Ana Bolena, Henrique VIII anunciou o seu noivado com Jane Seymour, uma das aias da falecida rainha, tendo casado 10 dias depois. Jane teve sucesso onde as outras falharam, conseguindo gerar um filho à custa da própria vida, já que morreu ao dar à luz. O jovem Eduardo haveria de governar apenas durante 6 anos, morrendo com 15 anos de idade.
Como a um rei ficava mal não ter rainha, Thomas Cromwell, um dos fiéis conselheiros do rei, sugeriu o casamento de Henrique VIII com Anne de Cleves ao que este acedeu após aprovar os retratos desta que lhe foram mostrados. Contudo, os pintores terão favorecido demasiado a pobre mulher já que, ao encará-la pela primeira vez, Henrique não lhe achou piada nenhuma e retirou-se a dada altura da festa de casamento. Anne foi mais tarde declarada honorificamente irmã do rei tendo o casamento sido dissolvido. A rainha saiu desta história com vida mas a mesma sorte não teve Thomas Cromwell, que acabou por ser executado.
Enquanto Thomas Cromwell estava ocupado com a sua própria execução, o rei casava com Catherine Howard, sua prima e antiga aia de Ana Bolena. Se ao casar Henrique perdeu a cabeça e ofereceu à sua noiva todas as propriedades do malogrado Cromwell, a rainha não fez por menos e, menos de dois anos após o matrimónio, perdeu mesmo a cabeça após ser acusada de adultério.
Já bastante experiente no processo, Henrique casou no ano seguinte com Catherine Parr, uma viúva abastada que assim casava pela terceira vez, e que acabaria por ser a sua última esposa. Uma proeza se tivermos em conta a obesidade mórbida, os furúnculos recheados de pus, a gota, a ferida ulcerada numa perna e as constantes flutuações de humor de que o rei já padecia.
Contas feitas, o rei casou por 6 vezes e teve, que se saiba e desconfie, algumas dezenas de amantes. Nada mau para alguém que antes da morte do irmão estava destinado a ser Arcebispo da Cantuária.
Terá sido esta performance conjugal a servir de inspiração para a construção da armadura do rei Henrique Coitavo, perdão, Henrique Oitavo que está actualmente em exposição na Torre de Londres?
Assim, começou por casar com Catarina de Aragão, viúva do seu irmão Artur, mas como esta apenas lhe deu uma filha e não o tão desejado filho varão, acabou por separar-se dela e colocou-a em prisão domiciliária. Quem não achou piada a isto foi o Papa que resolveu não dar a necessária autorização para a separação do casal. Henrique não se resignou e desatou este nó gordiano ao declarar-se chefe da igreja inglesa e subtraindo-a à autoridade de Roma.
Casou em seguida com Ana Bolena que, infelizmente, também não conseguiu dar-lhe o tão desejado filho, apenas uma filha chamada Elizabeth que, quiçá amaldiçoada pelo facto de ser indesejada pelo pai, haveria de morrer virgem. Muito convenientemente, Ana foi acusada de bruxaria, incesto, adultério e conspiração contra o rei e acabou por ser executada.
No dia seguinte à execução de Ana Bolena, Henrique VIII anunciou o seu noivado com Jane Seymour, uma das aias da falecida rainha, tendo casado 10 dias depois. Jane teve sucesso onde as outras falharam, conseguindo gerar um filho à custa da própria vida, já que morreu ao dar à luz. O jovem Eduardo haveria de governar apenas durante 6 anos, morrendo com 15 anos de idade.
Como a um rei ficava mal não ter rainha, Thomas Cromwell, um dos fiéis conselheiros do rei, sugeriu o casamento de Henrique VIII com Anne de Cleves ao que este acedeu após aprovar os retratos desta que lhe foram mostrados. Contudo, os pintores terão favorecido demasiado a pobre mulher já que, ao encará-la pela primeira vez, Henrique não lhe achou piada nenhuma e retirou-se a dada altura da festa de casamento. Anne foi mais tarde declarada honorificamente irmã do rei tendo o casamento sido dissolvido. A rainha saiu desta história com vida mas a mesma sorte não teve Thomas Cromwell, que acabou por ser executado.
Enquanto Thomas Cromwell estava ocupado com a sua própria execução, o rei casava com Catherine Howard, sua prima e antiga aia de Ana Bolena. Se ao casar Henrique perdeu a cabeça e ofereceu à sua noiva todas as propriedades do malogrado Cromwell, a rainha não fez por menos e, menos de dois anos após o matrimónio, perdeu mesmo a cabeça após ser acusada de adultério.
Já bastante experiente no processo, Henrique casou no ano seguinte com Catherine Parr, uma viúva abastada que assim casava pela terceira vez, e que acabaria por ser a sua última esposa. Uma proeza se tivermos em conta a obesidade mórbida, os furúnculos recheados de pus, a gota, a ferida ulcerada numa perna e as constantes flutuações de humor de que o rei já padecia.
Contas feitas, o rei casou por 6 vezes e teve, que se saiba e desconfie, algumas dezenas de amantes. Nada mau para alguém que antes da morte do irmão estava destinado a ser Arcebispo da Cantuária.
Terá sido esta performance conjugal a servir de inspiração para a construção da armadura do rei Henrique Coitavo, perdão, Henrique Oitavo que está actualmente em exposição na Torre de Londres?
27 março 2014
Sãozita, desculpa este post fofinho, 'tá?
eu já vi a Música no Coração uma data de vezes. e o Do Cabaret para o Convento. mesmo assim, não estava à espera que esta irmã cantasse com tamanho tesão pela música, pelo amor e pela fé. WAY TO GO, SISTER!
sonhar
gosto de sonhar contigo
de te beijar nos meus sonhos
de sentir o teu calor
gosto de sonhar contigo
do teu corpo no meu
do sexo que fazemos
gosto de sonhar contigo
de acordar molhada de desejo
de estar tão perto de te sentir
gosto de sonhar contigo
da doce ilusão de te ter...
Corpos e Almas
Caixinhas d'«a funda São» para recolha de Banha da Cobra Cuspideira
Além dos livros e objectos que tenho vindo a comprar e dos muitos que me têm sido oferecidos pela malta amiga, dá-me um especial prazer os objectos criados por mim.
As caixas para recolha de Banha da Cobra Cuspideira são uma dessas minhas criações. O difícil foi encontrar as caixinhas adequadas mas usei caixinhas de ourivesaria. De resto, foi só fazer a impressão da tampa e criar bulas para pôr dentro de cada caixinha. O texto da bula é este:
1. O que é
A cobra cuspideira amestrada – variante sem dentes da Naja nigricollis Reinhardt – é uma serpente-de-sangue (de carne sem osso) muito robusta quando ataca mas inofensiva e frágil quando em descanso. Alonga-se e alarga a cabeça, em «capelo», sob a acção de fêmeas que passem ou com que sonhe. Não tem olhos, pelo que se julga que se orienta pelo cheiro. Tem duas bolsas, reservatórios da banha da cobra e que servem de patitas. Da sua pequena boquinha pode lançar a banha da cobra a distância considerável.
Tem uma alimentação variada (marcha tudo), embora prefira bivalves, mergulhando em tocas húmidas e escuras (mas também vem comer à mão, quando a fome aperta).
2. Como extrair a banha da cobra
Fácil! Use a boca ou qualquer orifício ou sulco do corpo ou ainda algo que esteja mais à mão, que a cobra cuspideira baba-se com grande facilidade. Proteja os seus olhos (aquilo arde... dizem!) e o seu cabelo (aquilo pega-se... dizem!). Quando a cobra cospe (em média, 4 centímetros cúbicos de banha da cobra de cada vez), é só recolher para a caixinha.
3. Composição
Contém Na, K, Ca, Zn, Mg, ácido cítrico, proteínas, frutose, fosfatos, nitrogénio não proteico, cloretos, colina e prostaglandinas. Cada dose contém cerca de 35 calorias, proteínas e gorduras... e uns bichitos de cauda comprida que por lá andam a nadar.
4. Instruções de uso
A banha da cobra cuspideira pode-se injectar, cuspir ou engolir. Dizem que também faz muito bem à pele e que é óptima para colar páginas de revistas.
5. Contra-indicações
Pode causar gravidez!
Mas o melhor ainda de tudo é tudo isto servir de pretexto para criar amizades e partilhar bons momentos. Estas caixinhas originaram uma «queixa» enviada pela minha amiga índia da Amazónia, do blog Chama a Mamãe:
"Como advogada, posso entrar com uma ação contra essa Cobra Cuspideira, alegando propaganda enganosa, com base no Código da «Consumidora». Apesar de toda essa composição, a cobra vem apresentando, em algumas pacientes, efeitos colaterais danosos, levando-as ao estágio grave de depressão, forçando-as a procurarem, em outros «produtos», Cobras de boa procedência.
Seria assim,a petição:
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz da 6ª Vara de Família da Comarca da Serra da Estrela/PT.
Cona(n), a bárbara, residente e domiciliada na Melhor Região do Mundo, no endereço Rua da Antiga Ditadura, nº Zero, vem, com o devido respeito, por meio de sua advogada abaixo identificada, apresentar CONTESTAÇÃO, considerando os fatos a seguir apresentados:
* Às vezes a Cobra cospe;
* A Cobra Cuspideira não tem vida, porque mais passa o tempo dormindo, em visível demonstração de «corpo mole»;
* A Cobra Cuspideira costuma passar doenças, ao ingeri-la, ou mesmo quando introduzida - mesmo via vaginal - por ser um «medicamento» que passa de boca em boca e de... a... (por respeito a Vossa Excelência, omiti outros lugares por onde a Cobra Cuspideira passa);
* Ao contrário do que estampa a bula, a Cobra Cuspideira não tem iniciativa. Precisa ser estimulada e pressionada para começar a fazer efeito;
* O efeito da Cobra Cuspideira dura, aproximadamente, 1 minuto, e sua dosagem só pode ser usada 15 dias após, o que já causa um certo estresse nas pacientes.
Pelas razões expostas, confia a Reclamante seja julgada totalmente PROCEDENTE a presente ação, por ser imperativo de Justiça!
Protesta pela produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente depoimento pessoal das pacientes depressivas pelo resultado insatisfeito da Cobra Cuspideira, sob pena de confissão, testemunhais e perícia, se for o caso.
Termos em que
Pede Deferimento
Chama a Mamãe!
post scriptum - ... óooo... «dêxadizêr» uma coisa aqui: tenho a pele bem limpa. Devo reconhecer que as Cobras Cuspideiras desta Região são «tratadas» à base de afrodisíacos naturais.Mas não conheço nenhuma daí, portanto, não sei o efeito quando «injetada»."
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26 março 2014
«Hmm…» - João
"Naquele quarto amplo era também ampla a cama. Alva e fofa. Tu estavas deitada de barriga para baixo, com a cabeça apoiada nos braços cruzados, e eu deitado de lado, a olhar-te. Olhaste-me com aquele ar que não sei explicar – ou prefiro não explicar -, e com um pequeno beicinho ouviu-se “hmm…”, e questionei. Sim? Já se fodia. Como? Já se fodia, querido. E enquanto isso abanavas devagarinho o rabo, ligeiramente empinado, como que a provocar. Mentira. Não era provocar. Era mesmo convite. Então repetiste, João, fode-me João. Quero que me fodas. Num movimento contínuo, deitei-me sobre ti, e deixei o meu caralho entrar na tua cona sem resistência, descruzei-te os braços e pressionei os pulsos, afastados, contra a cama. Com parte do meu peso, estavas imobilizada, enquanto eu entrava e saía de ti, e respirava os teus cabelos. Com as minhas pernas, que estavam do lado de fora, apertava as tuas que, fechadas, ficavam assim sempre mais juntas, e só o meu baixo ventre fazia como um baloiço, que ora se aconchegava na tua pele, ora ganhava balanço. E o calor, a humidade, tudo estava molhado, sentia-o nas coxas, sentia-o nas virilhas, sentia-o no pau hirto que te namorava e depois entrava fundo, no limite suportável da dor. E depois dizes-me que queres olhar-me, que não queres vir-te já, e eu mais que isso, e já abraçados de olhos nos olhos dizemos o que sentimos sem sequer falar, e deixamo-nos vir, perdidos sem sentidos, cravados um no outro, afundados em espaços que não têm palavras."
João
Geografia das Curvas
João
Geografia das Curvas
«conversa 2057» - bagaço amarelo

Eu - De baixa intensidade?!
Ela - Sim, claro. Preciso apaixonar-me por alguém, mas só um bocadinho.
Eu - É das coisas mais estranhas que já ouvi.
Ela - Quando me apaixono muito fico fragilizada. Se me apaixonar só um bocadinho, sou eu que mando na relação.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
25 março 2014
Eva portuguesa - «Apenas puta»
Senti o teu cheiro, aquele cheiro que me arrepia a pele, ainda antes de tu chegares.
Na expectativa desse encontro há tanto adiado, a minha mente divagava pelas lembranças dos nossos últimos momentos. Conseguia reviver cada gesto, cada palavra, cada lágrima, cada sorriso. Conseguia sentir o calor do teu corpo, ao mesmo tempo tão longe e tão perto. E a melancolia aproximou-se ao mesmo tempo que o nervosismo e o desejo. O ódio, a paixão que nunca devia ter existido, a crença e a desilusão gritavam dentro de mim pedindo para sair. E, para me libertar, só havia uma forma: deixar que toda essa turbulência se apoderasse de mim, do meu corpo, percorrendo cada centímetro daquilo que iria ser teu. E deixando-me ir sem pensar, senti o desejo, esse desejo tão carnal, sexual, insaciável e incurável que sempre nos uniu; enroscar-se em mim, trepando pelo meu corpo como uma cobra prestes a atacar. E essa cobra mordeu-me, fazendo com que me realizasse e te completasse através de mim, do toque dos meus dedos, do som dos meus gemidos, do meu suor que cheirava a ti. Realizei-me em mim, por ti. E, ao som do arfar da minha respiração, recordava a perfeição do nosso encaixe, a forma como os nossos corpos se completavam um ao outro, fazendo com que parecesse um só.
E depois do último tremor do orgasmo que me deste sem estares presente, comecei a cair no mar dos sentimentos. Sendo abandonada pelas sensações, entreguei-me a viver algo de mais profundo, algo doloroso. Lembrei os planos, as promessas, as ilusões, o riso fácil e espontâneo. Lembrei os momentos de perfeição, aqueles que eram só nossos. Lembrei aquele motel onde nos perdemos e achámos um no outro. E comecei a procurar as marcas físicas no meu corpo, aquelas feitas pela dor da minha alma. E apesar da desilusão, do engano, da esperança vã, da mágoa, da raiva, do sentimento de injustiça e desespero, não havia marcas na minha pele. Apenas o brilho do prazer solitário e a imensidão dos meus olhos conseguiam retratar a realidade. A minha realidade. A nossa realidade.
Porque, mais uma vez, tu não vieste. E finalmente recordei aquilo que tanto queria esquecer: para ti, assim como para os outros, eu era apenas uma puta...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Na expectativa desse encontro há tanto adiado, a minha mente divagava pelas lembranças dos nossos últimos momentos. Conseguia reviver cada gesto, cada palavra, cada lágrima, cada sorriso. Conseguia sentir o calor do teu corpo, ao mesmo tempo tão longe e tão perto. E a melancolia aproximou-se ao mesmo tempo que o nervosismo e o desejo. O ódio, a paixão que nunca devia ter existido, a crença e a desilusão gritavam dentro de mim pedindo para sair. E, para me libertar, só havia uma forma: deixar que toda essa turbulência se apoderasse de mim, do meu corpo, percorrendo cada centímetro daquilo que iria ser teu. E deixando-me ir sem pensar, senti o desejo, esse desejo tão carnal, sexual, insaciável e incurável que sempre nos uniu; enroscar-se em mim, trepando pelo meu corpo como uma cobra prestes a atacar. E essa cobra mordeu-me, fazendo com que me realizasse e te completasse através de mim, do toque dos meus dedos, do som dos meus gemidos, do meu suor que cheirava a ti. Realizei-me em mim, por ti. E, ao som do arfar da minha respiração, recordava a perfeição do nosso encaixe, a forma como os nossos corpos se completavam um ao outro, fazendo com que parecesse um só.
E depois do último tremor do orgasmo que me deste sem estares presente, comecei a cair no mar dos sentimentos. Sendo abandonada pelas sensações, entreguei-me a viver algo de mais profundo, algo doloroso. Lembrei os planos, as promessas, as ilusões, o riso fácil e espontâneo. Lembrei os momentos de perfeição, aqueles que eram só nossos. Lembrei aquele motel onde nos perdemos e achámos um no outro. E comecei a procurar as marcas físicas no meu corpo, aquelas feitas pela dor da minha alma. E apesar da desilusão, do engano, da esperança vã, da mágoa, da raiva, do sentimento de injustiça e desespero, não havia marcas na minha pele. Apenas o brilho do prazer solitário e a imensidão dos meus olhos conseguiam retratar a realidade. A minha realidade. A nossa realidade.
Porque, mais uma vez, tu não vieste. E finalmente recordei aquilo que tanto queria esquecer: para ti, assim como para os outros, eu era apenas uma puta...
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