25 março 2013

Não traia seu marido

As consequências desse simples ato podem ser catastróficas!



Os polícias ketchup e mostarda formam uma bela dupla.

Capinaremos.com

24 março 2013

Porta-Curtas - «69 - Praça da Luz»

Documentário
Diretor: Carolina Markowicz, Joana Galvão
Duração: 15 min
Ano: 2007
País: Brasil
Local de Produção: SP

Sinopse: Prostitutas de idade avançada ganham a vida na Praça da Luz, em São Paulo. Relatos inusitados e surpreendentes de cinco mulheres que revelam em detalhes suas experiências em todos esses anos de profissão.

O melhor do mundo são as criancinhas


[Foto © Theo Chalmers]


Ninguém me mandou ir trec trec trec atrás da minha mãe pela Lagoa de Santo André adentro até um baixio me obrigar a ir acima e abaixo glugluglu glugluglu glugluglu que quatro anos já era idade suficiente para ter juízo mas o que interessa é que sobrevivi para contar apesar de não me sair da cabeça que é daí que vem a minha alergia ao sal na comida porque noutras movimentações de cabeça abaixo cabeça acima não sei se pelo cheiro específico da carne de cada exemplar se por gostar de chouriço não manifesto nenhum trauma.

Depois o tormento da adolescência era aguentar dias e dias a fio com o período a correr desalmadamente como se eu fosse uma fábrica de concentrado de tomate em resultado de nestas idades o sistema ainda não estar bem calibrado e um dia foi dia de Santa Maria e lá fui de charola para o Hospital com tal grau de anemia que nem me mexia ou melhor, mexia os olhinhos de espanto para ver o granel de médicos que me rodearam, miraram de alto a baixo, apalparam por tudo quanto era sítio e dada a origem, meteram as mãos com os dedos preservados em luvas exactamente onde estão a pensar e depois disso espetaram-me todos os dias com aquela agulhita ligada a um saquinho de sangue e ainda foi em boa época quando não havia a moléstia daqueles lotes já com sida incorporada.

Agora que a idade não perdoa houve um bichinho da fruta que resolveu nidificar nas minhas laranjas que nunca as insuflei para meloas nem para gáudio dos eternos meninos que nelas gostam de encostar a cabeça e lá tive de ir à faca cortar uma o que me deu um trabalhão prévio do caraças a retirar todos os espelhos para fora de casa mas continuo a pensar que o melhor do mundo não são os cães obedientes mas as pessoas que em cada dia me surpreendem com um sorriso ou um toque na pele que o calor é muito importante para activar a circulação sanguínea e me deixam descobrir um bocadinho do seu mundo diferente do meu.

Prostituição - a minha história (V)

Verão de 1997... (...) Tocaram à campainha, eu calma, estranhamente calma, espreitei pelo óculo para ver o que me calhava e... e... era um sapo! Um sorridente sapo! Um sapo com um sorriso de orelha a orelha, tão contente que quase saltitava ao perceber-me espreitar! Abri-lhe a porta. Entrou, contente, contente, agarrou-me, deu-me duas beijocas e disse-me o nome. Não sei como fomos parar à cama, não sei se tomámos banho, não me lembro. Sei que continuava com a estranha calma de quem está a ver um filme. Lembro-me do sapinho deitado em cima da cama, de barriga muito redonda para cima, de óculos na cara, sempre de sorriso feliz, feliz! Lembro-me das mãozinhas sapudas e desajeitadas que me agarravam o peito com a pontas dos dedos e o abanavam. Lembro-me de estar de quatro, ele a gemer muito, os lençóis escorregavam, terminou assim, feliz e contente. No fim, quando saí um pouco da sensação de filme, percebi: esqueci-me de usar preservativo!!! O homem, já vestido, estendia-me o dinheiro, agarrei-o na mão, deu-me duas beijocas e levei-o à porta. Fui tomar banho, vesti-me, tirei o lençol da cama, meti lençol e toalhas na roupa suja. O telefone toca, atendo, era a Glória a avisar que a hora tinha terminado. Contei o dinheiro, eram vinte cinco contos, lembro-me que pensei que era imenso dinheiro. Não ter usado preservativo ainda na minha cabeça, a cansar-me, o filme persistia e voltei a flutuar. Saí, voltei ao escritório das apresentações. Entreguei o dinheiro, sentei-me na sala e nem tive de pensar, "meninas, apresentaçããããão!", lá fui, desfile, sala, mais duas vezes quase seguidas se repetiu esta cena: "meninas, apresentaçããããããão!", "Joana, vem, rápido", chamava-me a Ana, é meia-hora no apartamento x, toma a chave, o senhor paga aqui, já vai lá ter. O autómato Joana agarrou na chave e na mala e lá foi. Porta do prédio, elevador, porta do apartamento, entro, não sei quem lá vem porque foram várias apresentações seguidas e não fixei nenhum dos homens, aliás, nem sequer os vi, tinha o olhar desligado. Batem à porta, espreito pelo óculo e...

Os 20 penteados mais incríveis de uma xana



Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/

23 março 2013

Homens, aprendam a instalar um termostato digital

«coisas que fascinam (155)» - bagaço amarelo

falta de ar

Estou parado numa estação qualquer entre Aveiro e Lisboa Santa Apolónia. Sempre que viajo de avião cedo facilmente o lugar à janela. Tirando a primeira vez que voei, ainda era bastante novo, nunca tive grande necessidade de ir a olhar para as nuvens lá fora. Já quando ando de comboio, adoro ir a ver as casas e principalmente as pessoas lá fora.
Alguns pingos de chuva, poucos, riscaram o vidro numa diagonal provocada pela velocidade da composição. Por trás deles surgem abraços e beijos entre os passageiros que acabaram de sair e aqueles que os esperavam. Acho piada. Imagino duas equipas de râguebi a correrem uma contra a outra para acabarem aos abraços e beijos. Afinal de contas, foi mais ou menos isso que aconteceu.
Depois as pessoas separam-se novamente e caminham, normalmente em grupos de dois, para o seu destino. Vejo muitas mãos dadas e ainda mais sorrisos. Sobra um abraço que ainda não se desfez. Um homem careca, de camisola vermelha, e uma mulher morena um pouco mais alta do que ele. Já tive daqueles abraços. São tão bons.
São os abraços de quem sabe que Ama e que é Amado, mas para cujo Amor o que se sabe não chega. Não é suficiente. Precisa-se do toque da mesma forma que se precisa de respirar. Por isso mesmo é que aquele abraço ainda não se desfez. É um abraço de que estava com falta de ar.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Milagre da Rosas

Anda por aí muita gente enganada com o milagre a que chamam "das Rosas"!
Já tive oportunidade de esclarecer aqui o que se passou na realidade, comigo e com a Rainha Santa Isabel:

________________
O verdadeiro milagre da Rosas

Um dia, o rei ia a cavalo pelo bosque. Encontrou a rainha, despenteada e com as roupas num desalinho. E algo parecia estar debaixo do manto:
- O que é isso que aí tens por baixo do manto, minha rainha?
- São Rosas, senhor!...
- Ah, bom!
O rei voltou para o castelo e a rainha pôde continuar o que estava a fazer com a Maria da Conceição Rosas.

Moral da história - Debaixo dos mantos havia papos-húmidos e não papos-secos...
________________

Veio-se isto a propósito da prendinha que recebi do Rafaelitolindo, uma peça em barro pintado que ilustra a lenda (falseando a realidade) e que passou a ser o único objecto não erótico da minha colecção:

Use o material adequado

Para sapatos, por exemplo, use couro.



O príncipe ficou com a morena e a ruiva mesmo.

Capinaremos.com

22 março 2013

Que fome!

"Podes vir para o pé de mim, que eu não te mordo" - disse-lhe ela com um ar sorridente e num tom quase desafiante.
"É precisamente por isso que não me aproximo mais" - retorquiu-lhe ele, encolhendo os ombros, mantendo-se à mesma distância.
Os pensamentos dele afastaram-se daquele espaço e daquele tempo e embrenharam-se noutros. A sua expressão tornou-se sombria, deixando subentender que o mundo onde o seu cérebro estava, para além de distante, não seria muito agradável, nem iluminado.
Lembrava-se de estar num espaço e num tempo onde o afastamento era nulo. Onde ambos estavam tão próximos que só a pele os mantinha afastados. Onde o toque da boca dela e dos respectivos dentes o tinham surpreendido. Onde as quase dolorosas marcas, sempre por ela negadas, eram exibidas com orgulho.
Num tempo que parecia ao mesmo tempo tão eterno e tão fugaz. Um espaço e um tempo tão afastados de si, cujo afastamento parecia tender para o infinito. Quase tão depressa quanto o seu sentimento. Sentimento que agora se aproximava de zero, contrariando toda a matemática e a lógica. Ou talvez tivesse sido a lógica contrariada desde o início. Desde aquele sistemático contestar e protelar da relação. Relação secreta, escondida. Quase inconfessável. Que muitos adivinhavam e tomavam como certa. E acertaram até certo ponto. Até ao ponto do não retorno. Um ponto que apesar de parecer de fuga apenas à vista, tinha sido de fuga inconsciente, mas definitiva. Onde a plasticidade da relação tinha sido levada longe demais, levada para lá do ponto de ruptura.
Durante meses os palavrões, as dentadas, os movimentos, os gemidos e o desejo não lhe tinham saído da cabeça. Martelavam-lhe o cérebro quase com o mesmo ritmo de passagem daqueles pensamentos recorrentes. Minuto a minuto, hora a hora, massacravam-no quase com a mesma intensidade dos momentos de prazer de que se recordava. E agora, nada.
"Estás cheio de fome?" - insistiu querendo ser agradavelmente simpática, enquanto olhava em redor para as mesas ainda repletas - "Eu tenho bastante".
"Tenho. Muita." - concluiu ele afastando-se para procurar algo onde ferrar os dentes.

Postalinho dos pinhais

"Boa noite,
Por acaso já atentaram numa pinha em formaSão?
Parece-vos algo familiar?
Pois a mim, sim…"
Luís Barreiro


Semen Up - «Lo estás haciendo muy bien»

Programa de TV "Música Golfa", 1988

Vida de ciclista



nadaver.com

21 março 2013

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
— Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

Florbela Espanca (1894-1930)


Laure Albin Guillot, 1930s

blog A Pérola

«Diário do Patife IV» - Patife

Nesta rubrica, um dia do diário de notas do Patife é aqui transcrito todos os meses sem censuras.

20 de Outubro

Do outro lado do bar do hotel está uma mulher sozinha a fumar um cigarro. Pergunto-me qual seria a sua reacção se a mandasse sugar-me a trombeta com a justificação: É só um pénis. Não te fará pior que um cigarro.

Continuo a acreditar que o sexo anal é das coisas mais sobrevalorizadas do mundo. É isso e o sabor do caviar. Mas não é por isso que deixo de os comer.

A empregada de mesa do restaurante disse-me que o prato estava quente e que era melhor começar a tirar das bordas. Acabei de lhe entregar um bilhete a dizer que para tirar das bordas, primeiro tenho de o meter.

Hoje fizeram-me um bico enquanto eu estava a guiar o carro. Registo o momento de euforia interior quando passei por Pinheiro de Fora enquanto estava com o pinheiro dentro da goela da moça. É o facto de encontrar felicidade nestas pequenas coisas que me faz acreditar ser alguém especial e o sonho húmido de qualquer psicoterapeuta. Em particular esta última.

Não sei por que raio as mulheres são tão obcecadas por sapatos e penteados. É que os homens reparam em tudo o que está precisamente ENTRE os pés e os cabelos. Escutem-me bem: Não queremos saber das extremidades para nada. A não ser da extremidade do nosso pincel.


Patife
Blog «fode, fode, patife»

Estórias de um passado-presente (V)


Era chegado o dia em que eu já não tinha como arranjar subterfúgios para escapar. Tinha-me comprometido a estar ás 16h no apartamento, e além disso, tinha de começar a resolver a bola de neve que me levou lá e que se avolumava.
Passei a noite em claro, a ler tudo o que me aparecesse pela frente que pudesse preparar-me para o que seria aquele meu dia. De manhã preguicei entre roupa, cabelos, maquilhagem, e os atavios que achava necessários... Parecia que a minha indecisão em tudo o que eram pequenas escolhas era o reflexo mais óbvio da indecisão do propósito.
Pus pés ao caminho, e tentava não pensar. Tentava a todo o custo tornar-me uma folha em branco onde não se pudesse começar a escrever com algo a condicionar o rumo do texto.
Quando cheguei, fui apresentada à "fauna" local, que no dia anterior não estava por lá. Uma miuda bonitinha, cujo nome não recordo, e exageradamente simpática, com a qual não tive tempo de conversar por mais de dez imnutos seguidos porque estava num corropio de marcações e atendimentos. Uma tipa com o maior ar de janada da história, que se abandonava a não-sei-onde numa das espreguiçadeiras da sala de espera. E a madame...
Tentava articular perguntas que me parecessem coerentes com as minhas dúvidas. E lá me foram explicando o que queriam dizer cada vez que atendiam o telefone... E entretanto, uma hora volvida, a Madame achava que eu já estava suficientemente esclarecida e pronta para ser "largada" ás feras. Perguntou-me que nome queria que me chamassem, e eu - tonta - disse-lhe o meu. E ela pergunta-me qual era o meu nome de baptismo, ao que eu lhe respondo que tinha acabado de lho dizer. "Não pode ser, podes ter problemas... ninguém usa o nome verdadeiro!". Naquele momento, numa conjunção de acasos, começa a tocar na TV "Luís Represas - Mariana". Mariana era um nome com o qual eu vivia - no papel - desde há muito tempo. Fez-me sentido. E ficou...
A campainha toca... eram "clientes dos táxis". Três amigos, e duas meninas disponíveis. Lá me apresentei, a tremelicar e meia aparvalhada. Eram emigrantes no Reino Unido, e estavam de férias. Dois deles decidiram que partilhariam a mesma menina, e o outro calhou-me a mim.
Percebeu que eu estava terrívelmente desconfortável... Percebeu que estava assustada, e tentou acalmar-me. Foi simpático - acho -, e tentou dizer-me que se precisasse de ajuda para não continuar o procurasse. Ignorei tudo. Despiu-me, beijou-me o corpo, e seguiu... Recordo-lhe o rosto e as mãos ao ponto de o poder desenhar! Mas não me recordo de mais nada. Fiquei em choque, quando terminou, e acho que nem sequer o acompanhei à porta, despedi ou coisa que o valha. Fiquei ali, recém-nascida e sem saber o que estava sequer a sentir. Refugiei-me no cigarro, e desliguei a mente.
Sei que nessa noite saí de lá com a certeza que não voltava. Não para aquele sítio...

Mimi
blog «Sometimes It Happens...»

«Makkuro Kurosuke» - por Luis Quiles


"Otro dibujo eliminado de deviantART, según ellos por sexualizar menores, que incluya personajes de Totoro no significa que la chica sea una menor, ignorantes de mierda!"

Luis Quiles

20 março 2013

Penicos de Prata - "Balofas Carnes" de António Botto

Os Penicos de Prata apareceram recentemente no programa «5 para a meia-noite».
Mas já tínhamos apresentado este grupo aqui no blog, em 27 de Dezembro de 2009.
São 4 elementos:
João Lima: guitarra portuguesa e voz
André Louro: composição, guitarra e voz
Catarina Santana: ukelele e voz
Eduardo Jordão: contrabaixo e voz

"Cordas, Falas e Falos
Músicas marotas...
sonetos com garotos e garotas..."



Fica aqui também um documentário muito interessante sobre os Penicos de Prata:



Se querem contactá-los, escrevam para Booking@seivabruta.org.

Para quem quer mais:
Penicos de Prata- "Resposta da Quinteira" - António Maria Eusébio (O Calafate)

Raciocínios de joelhos

Falar é fácil mas fazer é outra conversa,
tanto na prática da fé como na do amor
(que também parece reunir mais crentes do que praticantes).

«respostas a perguntas inexistentes (228)» - bagaço amarelo

o homem que tirava a camisa pelos amigos

Acho que me enganei, durante grande parte da minha vida, sobre essa noção comum que é ser simplesmente amigo de alguém. Talvez por causa de expressões como aquela que diz que se tira a camisa por um amigo. Lembro-me de a ouvir, por exemplo, relativamente a um homem que frequentava um café mesmo ao lado da casa onde cresci. Ouvi dizer que ele, durante a sua vida, tinha provado que era capaz de tirar a camisa pelos amigos. Ganhei-lhe respeito mesmo sem o conhecer, mas passei a estranhar a sua condição.
Era um homem só, tão encolhido quanto envelhecido, envolto numa enorme nuvem de solidão. Cheguei a pensar que eram os pequenos copos de bagaço, que bebia de forma trémula, que o mantinham vivo. Eu devia ter uns doze ou treze anos e fiquei com uma enorme curiosidade pela vida dele. Pelo pouco que sabia, para além de dar a camisa pelos amigos, tinha sido um activo revolucionário antes da Revolução de Abril e torturado várias vezes nas cadeias da PIDE.
Houve uma tarde em que eu estava a ler um livro nesse café (para quem conhece Aveiro, estou a falar do Convívio há cerca de trinta anos) e ele estava, como habitualmente, a beber alguns bagaços e a ser devorado por cigarros sôfregos, que fumava uns atrás dos outros como se quisesse antecipar a própria morte. O silêncio sepulcral dessa tarde foi invadido por gritos dum novo cliente, completamente alterado, que entrou no estabelecimento a chorar e a partir os cinzeiros de vidro que se encontravam nas mesas. Os empregados chamaram imediatamente a polícia e, em grupo, agarram-no e mantiveram-no preso numa cadeira.
Antes que a polícia chegasse, vi o homem capaz de tirar a camisa pelos amigos levantar-se, acalmar todos os presentes, e pedir para ir lá fora dar uma volta com aquele suposto tresloucado. Lá acabaram por soltá-lo e saíram os dois para a rua. Eu continuei a ler.
Já não me lembro muito bem, mas voltaram os dois, passada talvez um hora. Sentaram-se à mesma mesa a conversar. Tudo estava calmo e o café acabou por ser indemnizado pelos cinzeiros partidos. A polícia, entretanto, já tinha chegado e partido sem poder fazer nada.
Esta história seria apenas mais uma história sem importância nenhuma, não fosse eu ter conhecido pessoalmente, no mesmo café uns dez anos mais tarde, esse meu ídolo de infância. Um dia, já nem sei bem como, acabámos na mesma mesa a conversar. No princípio senti-me um miúdo imberbe perante ele, mas fiquei imediatamente à vontade quando ele me disse para o tratar por "tu". Acabei por lhe contar tudo o que sabia dele, mesmo sem o conhecer, incluindo essa coisa pela qual ele era conhecido: tirar a camisa pelos amigos.
A resposta dele surpreendeu-me tanto, mas tanto, que nunca mais a esqueci.

- Eu não tenho amigos, tiro é a camisa por todos os homens que precisarem que eu o faça, porque são homens, tal como eu. Ser amigo é muito fácil do que isso. Se uma amizade não for fácil, então não é amizade.

Fiquei de boca aberta e ele continuou.

- É assim que gostamos duma mulher, quando a nossa relação com ela é fácil, então estamos a falar de Amor.

Por um momento percebi aquela permanente aura de solidão que o acompanhava. Tinha estado apaixonado por uma mulher que já morrera e não se sentia capaz de se renovar emocionalmente. Disse-mo com um enorme hálito a bagaço, mas às vezes é esse o hálito mais sincero que se pode encontrar no mundo.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Prostituição tem idade?


 Fonte: WTSP


Sygun Liebhart, uma mulher de 71 anos de Connecticut, foi detida em um hotel, depois que a polícia encontrou um anúncio dela na seção de escorts do Backpage, um site de anúncios dos EUA.

A senhora, "tudo natural" e "seios tamanho 38DD" atendia com o nome de Lola. Quando soube do anúncio, a polícia tratou de marcar um encontro com Sygun e efetuar a sua prisão.

Há algo de errado em idosos venderem seus corpos?





Obscenatório

Há quem goste de se pavonear

Crica para veres toda a história
Homens pássaros


1 página

oglaf.com

19 março 2013

«Hotel for Women» - The Nails (1980)


HOTEL FOR WOMEN from MARC CAMPBELL on Vimeo.

Eva portuguesa - «Rezo»

[Dezembro/2012]
Rezo a um deus que nem sempre reconheço para que me venhas visitar.
Para que assim o meu Natal possa ser completo, cheio, abundante e despreocupado.
Rezo para que contribuas para a minha felicidade, com a tua meiguice, respeito e generosidade.
Porque a tua generosidade será também a minha, porque ao dares-me a mim permites que eu presenteei outros.
Rezo para continuar a ser o teu fruto proibido, o teu pecado inócuo, o teu segredo, a tua prenda de Natal.
Rezo para que continues a achar-me apetecível, única, insubstituível e assim me continues a visitar hoje, para a semana e sempre.
Rezo para que tudo te corra bem, porque mereces e porque só a vida te correndo bem, podes fazer com que a minha também seja boa.
Rezo para que continues a desejar-me, a tratares-me com meiguice, respeito e simpatia, que continues a ver-me, a ter-me fugazmente.
Rezo para que não te esqueças de mim, para que não me substituas por outra ou outras, para que não desistas de mim.
Rezo para que continues a ver em mim não só a acompanhante mas também a mulher e pessoa que sou.
Rezo para que tenhas saúde, amor, dinheiro e paz, sendo eu "apenas" o teu prazer momentâneo, a tua companhia de horas mortas que precisas de preencher.
Rezo para continuar a ser a tua "psicóloga de alcova", a tua médica sem diploma,o teu remédio sem que estejas doente.
Pois é apenas e tanto isso que quero ser: a tua outra faceta, que existe por uma hora, uma hora apenas nossa, em que dás e recebes, em que dou e recebo...
E porque rezo para que venhas, espero que o telefone toque a dizer que vens...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«não sei ser sem ti» - Susana Duarte


sauda-me a tristeza, a partir das janelas de onde, antes, brilharam estrelas de vida, ante a visão de ti e das tuas carícias. sauda-me, e eu deixo. sauda-me a saudade, e eu deixo. sauda-me a vida que tive dentro, quando contigo sonhava. e eu deixo. saudas-me tu, no abraço demorado que me deste e, todavia, me prometes. e eu deixo. sauda-me a tristeza, mas não te deixo partir. sauda-me a vida antes ...de mim própria. e eu deixo. sauda-me o brilho dos teus olhos. e eu deixo. neles vivo. neles morro. e eu deixo que a vida me preencha de vida. e eu deixo que a vida me preencha de morte. e eu deixo. mas deixo sobretudo que o sonho não morra. deixo que me vivas. deixo que me habites cada movimento das pálpebras. deixo que me sonhes. deixo que tenhas saudades de mim. mesmo quando a tristeza me habita. mesmo quando a saudade me desespera. habitas-me. não sei ser sem ti.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

«Plaisir des Dieux» - canções malandras francesas

Em França há uma tradição muito curiosa: as «chansons paillardes» (canções tradicionais libertinas, cantadas em privado, entre amigos), também conhecidas como «chansons de salles de garde». A página chansons-paillardes.net recolhe músicas, letras, publicações sobre o tema.
Um livro que comprei recentemente, «Anthologie des chansons paillardes» de Pierre Enckell, explica:
"Georges Brassens, Serge Gainsbourg,... muitos artistas marcaram a música popular e cantaram alegremente o erotismo e a sensualidade. Muitas vezes foram chamadas de «músicas de quartos de custódia», em referência aos internos dos hospitais, que supostamente as deveriam saber todas de cor, ou mesmo «canções de alunos», como se tivessem tido origem exclusivamente nas tradições perpetuadas em universidades e escolas. No entanto, as canções obscenas experimentaram uma distribuição extremamente ampla. Em todos os níveis da sociedade e em todas as ocasiões, os seus versos foram cantados ou gritados, desde há mais de um século, na cidade e no campo, nos quartéis e na vida civil, durante jantares de casamento ou viagens de autocarro. Estas «gaulesices» em verso formam, assim, um fundo cultural amplamente compartilhado, condenado a viver para sempre na memória colectiva de França. Transmitida de boca em boca, com o passar das gerações e transformações culturais, as canções deformam-se, perdem elementos ou caem gradualmente no esquecimento."
As colectâneas, estudos e gravações ajudam a preservar esta tradição.
Na minha colecção, além dos livros que já tinha, há agora 5 discos em vinil da colecção «Prazer dos Deuses»:





18 março 2013

«C'est la vie»


C'est la vie - ENGLISH SUBS from Simone Rovellini on Vimeo.

«respostas a perguntas inexistentes (227)» - bagaço amarelo

Parar

Se houve vezes em que andei na rua com muita pressa foram aquelas em que não tinha para onde ir, não tinha companhia nem tinha disponibilidade para contemplar fosse o que fosse. Quando não se tem nada, andando depressa parece que se tem tudo, pelo menos um destino e vontade de lá chegar.
Aprender a parar quando se está andar depressa demais para lugar nenhum é uma coisa que vem com o tempo. A mim, para além do tempo, foi uma mulher que mo ensinou. Foi por isso que nunca mais me esqueci dela.
Um dia pôs a mão dela no meu peito e disse-me para parar.

- Pára!

Estava simplesmente a fazer o jantar para os dois, depois de um dia em casa a ver filmes ao lado dela. Tinha descascado umas batatas para cozer e descongelado umas postas de pescada. Estava a cortar cebola e salsa para fazer o molho verde quando ela me perguntou o que é que eu estava a fazer.

- O jantar, claro.
- Eu não tenho fome. Tu tens? - disse ela.
- Não tenho, mas são horas de jantar.

Senti imediatamente o quão ridículo era o que eu tinha acabado de dizer. Estava escravo do relógio e fazia o jantar da mesma forma que andava apressadamente nas ruas sem ter para onde ir, para fingir que tinha tudo quando não tinha nada. Neste caso não a tinha a ela.
Nunca a tive, de facto, mas foi ela que me ensinou a parar.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Encanto» de Cristina Miranda

"Tinha dito,
em jeito atabalhoado
que havia arrumado a palavra.
Mas vi-te usá-la com tal cuidado
que me escondi no silêncio.
Não te zangues,
nem deixes de me olhar
como só tu fazes,
com esses olhos juvenis,
ouso dizer, de criança,
de menina de tranças…
Olhei-te
enquanto a embalavas.
De ti,
guardo o aroma
este cheiro doce que me viste roubar
do ninho onde cuidas as palavras bonitas.
Mas não me basta,
sabes que não!
Por isso corro,
escondo-me aqui,
o mais próximo de que sou capaz,
para te poder ver,
sem que me vejas.
Não te escrevo…
Não sei escrever cartas de amor,
pois que te disse que não pegaria mais nas palavras.
Maternas as tuas mãos
Maternos os teus braços
Maternos teus beijos, teus sorrisos,
Maternas até tuas lágrimas,
quando por mim choras,
querendo por tudo tirar-me do caminho,
as palavras feias em que agora pego…
Tu és tão bonita!
Comovem-se as minhas mãos,
soluçam,
embarga-se-lhes a voz
a ponto de não conseguirem responder-te!
Pudesse eu escrever uma carta de amor!…
Pudesse eu embalar-te até que adormecesses!…
Pudesse eu, e, ao aroma que guardo de ti,
juntava uma cor, um olhar,
esse teu, que sei de cor!
Traria três palavras bonitas,
dessas que alimentas
sempre que me mimas.
Pudesse eu,
e faria uma frase
para ir por depois, de novo
No parapeito do teu abraço.
Mas eu vou
devagarinho…
sem que me vejas, eu vou!
Dorme, meu anjo.
São tuas, mas vou usá-las,
fazê-las minhas,
só por um instante,
suficiente para te dar uma espécie de flor.
Quando acordares,
promete que olharás a janela
que saberás que fui eu que ta adornei
com um raminho feito de uma frase.
Voltarei sempre para cuidar dela,
Prometo-te!
Não sei escrever cartas de amor,
sabes que não,
mas esta frase é como se o fosse,
enquanto me escondi no silêncio
para te olhar,
sem que me visses,
e este:
Gosto de Ti,
cor do que sinto
sempre que estou contigo,
fica tão belo no teu regaço!"

Cristina Miranda

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Nem é legal crescer

Crianças, permaneçam crianças pelo máximo de tempo que conseguirem.



A vida de verdade é difícil, a vida de fantasia é melhor.

Capinaremos.com

17 março 2013

«Mine» - pequeno filme de Alvaro de la Herrán


Mine from Alvaro de la Herrán on Vimeo.

A pecha


Sou um gajo aberto e sem teias de aranha na cabeça que até fui capaz de mostrar o rabo na frente da distinta escadaria da Assembleia da República na época das lutas estudantis. Grandes tempos esses em que até catrapisquei a minha moça entre manifestações e imperiais fresquinhas.

Hoje já a posso laurear como minha esposa por todo o sítio e ela merece que passa os dias a mimar-me com os meus pratos favoritos em cada jantar como fazia a minha mãezinha e nunca se queixa de dores de cabeça naquelas alturas em que queremos dar vazão à folia do nosso animalzinho de estimação. E assim faz sentido gastar o dinheiro que ganho como trabalhador temporário de uma empresa que me coloca noutra para lhe carregar os dados nos computadorezecos.

Apenas uma pequenita coisa me anda a inquietar e nem sequer é a fidelidade dela que nunca me deu motivos para pensar tal nem me parece galar os outros gajos pelo canto do olho, julgo eu. É que ela tem um cuzinho mesmo bem feitinho, tão redondinho e embaloado e com umas nádegas todas rijinhas e tão lisas e macias que quando se apalpam é logo um frenesim no piçaralho que se estica todo como o gajo da gávea quando via terra. Só que ela não se demove da teimosia de que ali nem supositórios entram.

Ilusão de óptica


Sexo em link ao vivo sobre estupro


Em reportagem sobre estupro sexo é transmitido ao vivo:


Obscenatório

16 março 2013

Pequeno filme publicitário da lingerie Hope, com Juliana Paes

«respostas a perguntas inexistentes (225)» - bagaço amarelo

Fiz um chá de hortelã esta manhã. Antes de o beber, sentei-me no sofá a aquecer os dedos das mãos na chávena fumegante. Em silêncio total. A Raquel não sabe, mas por um momento apeteceu-me que ela estivesse ali ao meu lado só para encostar a cabeça no ombro dela por uns segundos.
As cortinas da sala estavam corridas e filtravam a luz do Sol que entrava, tingindo de vermelho o início do meu dia. Liguei o computador para começar a trabalhar assim que os ovos cozessem, e perdi-me numa floresta de pensamentos e associações de ideias. Desemprego, projectos pessoais e profissionais a realizar, compromissos políticos para cumprir, uma filha para educar e uma mãe que foi operada pela segunda vez em pouco tempo.
A água estava a ferver. Saí dessa floresta para ir buscar os ovos que, ao bater na panela, emitiam um som inquieto. Os meus dedos aquecidos mergulharam então na água fria com que os arrefeci. Tirei a casca a um deles e comi-o em apenas duas dentadas. Guardei os outros no frigorífico. Estalei os dedos, confusos por dois choques térmicos seguidos, e sentei-me a trabalhar. Não consegui.
Peguei no telefone e liguei à Raquel para um número cujo tarifário é, para mim, gratuito. Falámos um minutos ou dois e desliguei. Trabalhei quatro horas seguidas. As mulheres têm a mania de não perceber o quão importantes são no funcionamento na vida dum homem, na ignição dos seus pensamentos e acções. É por isso que parecem sempre tão longe, mesmo quando estão perto.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Porta-canetas que dão gritos quando se enfia... a caneta

Duas peças da sexão de brincadeiras da minha colecção.


Um sábado qualquer... - «Vinícius de Moraes 3»



Um sábado qualquer...

15 março 2013

Between letters

It may seem sad but, 
usually, 
I come before U.

Reptile Youth - «It's Easy To Lose Yourself»


Reptile Youth: It's Easy To Lose Yourself (official video) from hfn music on Vimeo.

O segredo

Desenho-te curvas, reentrâncias húmidas,
nessa tela transparente onde me revejo nua…
São tuas estas mãos que te possuem
e este corpo inteiro que te circunda
como a brisa primaveril despertando-te
do sono profundo de Inverno…

Bebo-te a seiva que me escorre fluida e morna
em cada linha da pele invisível que me veste a alma.
Conheço-te o sabor a chuva e a terra queimada,
viajei nos teus movimentos perpétuos, curvilíneos,
bailarina que ama o sol mas seduz a lua!

Numa bipolaridade secreta acaricias-me o rosto cansado
enquanto deslizo para o teu colo sereno e verdejante!

O verdadeiro «cara de caralho»!



Via Dick Art

14 março 2013

Decameron: O véu da abadessa

(...) Sabei pois que havia na Lombardia um mosteiro cuja santa piedade assegurara a sua reputação. Isabetta, uma das religiosas que lá se encontravam então, era uma jovem de sangue nobre e de grande beleza. Um dos seus parentes foi um dia visitá-la à grade do parlatório. Acompanhava-o um rapaz de boa aparência, por quem Isabetta se apaixonou. A grande beleza da freira e o desejo que brilhava nos seus olhos inspiraram o mesmo ardor ao rapaz, e ambos sofreram durante algum tempo em silêncio essa paixão. Por fim, o jovem descobriu maneira de ver a freira secretamente e isso foi-lhes tão agradável que acharam maneira de repetir tais encontros.
    A intriga continuava assim. Uma religiosa, porém, surpreendeu uma noite o apaixonado no momento em que este se despedia da amante e participou a sua descoberta a outras freiras. A primeira ideia que lhes ocorreu foi comunicarem o que se passava à superiora, Usimbalda, que era, na opinião de todos quantos a conheciam, uma boa e santa criatura. Pensando melhor, acharam, porém, que seria preferível fazer com que a abadessa a surpreendesse com o amante e assim ela não pudesse negar o facto. Calaram-se pois e combinaram umas com as outras vigiarem-na alternadamente, a fim de a apanharem em flagrante delito. Isabetta, sem desconfiar de coisa alguma, mandou certa noite chamar o amante, facto de que as freiras que a vigiavam logo se deram conta. Quando o momento lhes pareceu propício, dividiram-se em dois grupos. Umas ficaram a vigiar a porta da cela, enquanto as outras correram ao quarto da abadessa e bateram à porta. Quando a superiora respondeu, as freiras insistiram:
   - Depressa, madre, depressa. Descobrimos um homem na cela de Isabetta.

Giacinto Gaudenzi

   Ora, nessa noite, a abadessa estava precisamente acompanhada por um padre que muitas vezes dava entrada no seu quarto metido dentro de uma arca. Ouvindo todo aquele barulho e receando que as freiras, com o entusiasmo, empurrassem a porta, saltou da cama e vestiu-se o melhor que pôde mesmo às escuras. Julgando, porém, que pegava no véu que as religiosas usam na fronte e a que chamam psaltério, pegou nas ceroulas do padre. A sua precipitação era tal que, sem dar por isso, as ajeitou na cabeça em vez do psaltério e saiu, batendo com a porta e perguntando:
   - Onde está essa maldita de Deus? E seguiu as freiras que tanto ardiam em desejos de apanharem Isabetta em falta, que nem repararam que a abadessa trazia aquele estranho véu. Usimbalda chegou à porta da cela de Isabetta e, com a ajuda das irmãs, arrombou a porta. Lá dentro, as freiras encontraram os dois amantes deitados e abraçados. Estupefactos e sem saberem que atitude tomar, a freira e o jovem não se mexiam. Isabetta foi então agarrada pelas outras e conduzida ao capítulo. O rapaz, tendo ficado só, vestiu-se, e pôs-se à espera dos acontecimentos, decidido a vingar-se de todas as que lhe passassem por perto, se alguma fizesse mal a Isabetta, e depois de levar a amante para longe dali. 

   A abadessa tomou o seu lugar no capítulo, em presença de todas as freiras que não olhavam senão para a culpada, e começou  por dizer a Isabetta as piores injúrias que jamais foram ditas a uma mulher, acusando-a de desacreditar a santidade, a honra e o bom nome do mosteiro, se tal escândalo viesse a transpirar lá fora. Às ameaças seguiram-se as injúrias. envergonhada e cheia de medo, a jovem parecia consciente da sua culpa e o seu silêncio começava a inspirar piedade às companheiras. A superiora continuava a falar, quando Isabetta levantou por fim os olhos e viu o véu da abadessa e os cordões que caíam de um e de outro lado. Percebeu logo do que se tratava e disse-lhe tranquilamente: - Madre Superiora, Deus vos tenha na sua Santa Guarda! Atai o vosso toucado e depois então dizei o que quereis. 
   A abadessa, que não a entendia, disse: - Que toucado, miserável? Tens o topete de gracejar num momento destes? Achas que o teu crime dá vontade de rir? - Madre - disse Isabetta uma vez mais - peço-vos que ateis o vosso toucado. Depois dizei então o que quereis.    Várias freiras olharam então para a abadessa, e a boa senhora, que também levara as mãos à cabeça, compreendeu logo o motivo por que Isabetta falava assim. Reconhecendo o seu erro e vendo que as presentes o haviam também reconhecido, compreendeu que não podia mais ocultá-lo. Mudou então de tom e acabou por dizer que ninguém podia defender-se dos aguilhões da carne. Concluiu dizendo que cada qual devia ocultar o melhor possível o seu prazer, como até aí se tinha feito. A abadessa mandou pois soltar Isabetta e voltou para o leito, onde o padre estava à sua espera. Isabetta fez o mesmo com o amante, que ali voltou muitas vezes, apesar dos ciúmes que isso provocava. As freiras que não tinham apaixonados esforçaram-se logo por arranjar, o melhor que puderam, as suas intrigas secretas.

Decameron, Nona Jornada - Segunda Novela  (tradução de Urbano Tavares Rodrigues)

blog A Pérola

«À falta de bico» - Patife

No outro dia abri a gaveta da minha secretária antiga de madeira e encontrei uma caneta sem bico. Precisava desesperadamente de uma caneta e aquela era a única caneta em casa. E estava sem bico. Naquele momento identifiquei-me de imediato com a caneta. Ainda olhei para baixo da secretária numa vã esperança mas nem vestígios de bico. Escusado será dizer que a ideia se plantou na minha mente com tal intensidade que saí à rua pronto para arranjar um bico e emendar a situação. Claro que quando dei por mim estava a tentar arranjar um bico, não para a caneta, mas para mim. Distraio-me muito facilmente. Sentei-me então numa esplanada do Chiado a avaliar potenciais sugadoras de sardões até que uma moça ficou instantaneamente caidinha por mim. E não estou para aqui a brincar às metáforas e com os seus efeitos de transposição. Eu tinha as pernas estendidas na esplanada, ela tropeçou em mim e ficou de joelhos prostrada a meus pés. Apressei-me a ajudá-la a levantar, pedindo desculpas pelo sucedido e aludindo ao tamanho exagerado dos meus pés, claramente a ver se ela estabelecia uma ligação à teoria que indica que o tamanho dos pés de um homem é proporcional ao tamanho do seu bacamarte. Quando a estava a levantar cheguei mesmo a dizer-lhe: Sempre posso contar aos meus amigos que uma mulher sensual ficou caidinha por mim esta tarde. Ela sorriu de forma tímida enquanto olhava para os joelhos esfolados. Confesso que também eu olhei, com elevada dose de preocupação, note-se, para os seus joelhos esfolados. Mas foi a pensar que isso iria dificultar o acto de ela me mamar no Pacheco. É que sou um homem com princípios e custava-me muito imaginá-la de joelhos no soalho debaixo da minha secretária a fazer-me o bico desejado, com os joelhos naquele estado. Por isso, quando a levei para minha casa para lhe fazer um curativo, tratei de lhe meter, estrategicamente, uma almofadinha para os joelhos no chão. A caneta, essa, continua sem bico e presumo que a morrer de inveja de mim. Um dia arranjo-lhe um bico tão bom como o que nesse dia recebi.

Patife
Blog «fode, fode, patife»

Estórias de um passado-presente (IV)


Travessa Henrique Cardoso.
De telefone em punho, era guiada até à porta que havia de abrir uma parte do meu destino.
Toquei, abriu-se a porta do prédio, e tenho ideia de ter descido a uma cave. Tenho ideia, porque, de facto, não me lembro. Os pré-conceitos que tinha até então começaram a desfazer-se, mas eu não queria naquele momento percebê-lo. Era mais fácil achar que "isto não é o que parece".
Quem me recebeu - a madame (conceito que só entendi muito mais tarde) - era uma roliça figurinha, com um decote para lá de generoso e um vestido com um padrão... alegórico. Pôs-me a mão no ombro, e aproximou-me para me cumprimentar. Eu, alérgica a beijinhos e abracinhos de estranhos, fiquei meia aparvalhada e deixei-me ir. "Mas que raio?!?!?" - pensava eu.
A sessão de perguntas iniciada via telefone recomeçou. Pareceu-me interesse em perceber se eu era de facto maior de idade, e se de facto era "verde". Tentei responder, não percebendo muito bem a razão do questionário, mas, ainda assim, não me pareceu que fosse "educado" não o fazer. Seguiu-se um despejamento de informação. E aí a cabeça deu um nó. Mais uma cartinha que saia do castelo racionalizado que eu construíra.
Foram-me explicadas as "regras do jogo". Existiam taxistas que traziam turistas até ao apartamento, e que eram recompensados por isso. Existiam anúncios no jornal, mas esses "pagavam mal". Convívio normal, 40€. Convívio completo, 60€. Despachar os homens o mais depressa possível, porque se aparecesse algum "cliente dos táxis" não podia ficar à espera. E os "clientes dos táxis" pagavam melhor. Cem ou cento e vinte euros, dependendo. Com esses não se podia ter pressa, porque se gostassem de nós seriam generosos. Se fosse uma hora, o valor duplicava.
Devo ter perguntado tudo e mais qualquer coisinha. Tudo aquilo me estava a fazer curto-circuito. Estava a tentar pensar no que se passava com os "clientes" enquanto fazia contas aos euros que tinham acabado de surgir na conversa. Somava e subtraia-me enquanto tentava processar o facto de, não tardando muito, ter alguém a entrar pela porta que eventualmente quereria deitar-se comigo.
A conversa era interrompida pelo toque da campainha. Era um dos taxistas que viera falar com a C.. Lembro-me de estar encostada a uma mesa na cozinha, e, enquanto ela ia buscar qualquer coisa para lhe entregar (presumo hoje que o seu quinhão no acordo), ele dirigiu-se a mim. Tocou-me na anca, e disse-me que "um dia destes venho para estar contigo". Tremi. Tremi mais que alguma vez me lembro de ter tremido na vida. Eu era aquilo que até hoje gosto de catalogar-me como "patinho feio". E aquele homem, que na altura me pareceu asqueroso, dizia-me taxativamente que queria qualquer coisa comigo. Não era um príncipe encantado charmoso e cheiroso, como os dos relatos das meninas das revistas. Era um homem "normal", igual à maioria dos homens por quem nunca me passaria pela cabeça até à data ter qualquer tipo de envolvimento com. O que senti na altura (e confesso re-sinto agora ao lembrar) não cabe em nenhuma das dicotomias que uso para descrever sentimentos.
O meu estômago que se queixava desde que decidira sair de casa em busca do que achava que me servia naquele momento protestou com uma vêemencia tremenda. Senti-me mal, e pedi para começar no dia seguinte, com a desculpa que não tinha planeado ficar tanto tempo fora. Ficou aprazada a volta ás quatro da tarde, e até à meia-noite. Saí dali confusa, inquisitiva, a precisar desesperadamente de respostas aos trocentos pontos de interrogação que tinha dentro da cabeça. Voltaria, então, no dia seguinte... Fui para casa a perguntar-me se sim. E acho que só tive certeza, quando toquei novamente à campainha.

Mimi
blog «Sometimes It Happens...»

«Alien X» - por Luis Quiles


"Cada vez que veo Alien el octavo pasajero pienso que está lleno de simbolismo sexual. Y creo que es la película que mas veces he visto, y que nunca me canso de ver...

Este dibujo también me lo eliminaron de deviantART, según ellos por pornografía explícita :s Si quieren saber de verdad lo que es la pornografía explícita ya les pasaré unos links. Mierda de reprimidos sexuales."


Luis Quiles

13 março 2013

Playing with fire

Qualquer beijo clandestino pode revelar-se 
o cavalo de tróia de uma paixão proibida.

«conversa 1953» - bagaço amarelo

Ela - Dói-me a cabeça!
Eu - O que é andaste a fazer?
Ela - Não andei a fazer nada. Acordei com dor de cabeça e pronto.
Eu - Pensei que pudesse ser ressaca...
Ela - Só te disse que me doía a cabeça. porque é que raio partes logo do princípio que me meti nos copos?
Eu - Não parto. Apenas...
Ela - DETESTO INSINUAÇÕES DESSAS!
Eu - Tem calma!
Ela - É QUE ÉS SEMPRE ASSIM. JÁ ME LEMBRO PORQUE É NADA RESULTOU ENTRE NÓS!
Eu - Não precisas gritar, até porque não ajuda nada na dor de cabeça.
Ela - Já me passou!


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

O sanduíche da van é de que? #sandwichvan


Fonte: Gawker

Se você tem algum caso sexual com algum(a) colega de trabalho, então cuidado com as mensagens que envia para ele(a) através do e-mail corporativo.

Cuidados, por exemplo, que Melanie Anderson, uma recepcionista escocesa, não teve quando trocou mensagens bem quentes com um amigo do trabalho, que é seu namorado. Na mensagem trocavam elogios quanto à trepada que tiveram na noite anterior. Até aí, nenhuma falta tão grave assim, a não ser que alguém visse as mensagens. E acabaram vendo, por um descuido de Melaine.

Para avisar aos funcionários da empresa de que a van de sanduíches havia chegado, Melaine enviou uma mensagem de e-mail para o pessoal para informá-los sobre os sanduíches. Mas uma falta de atenção da recepcionista, respondendo aos demais funcionários, deixou escapar no final do corpo do e-mail as mensagens excitantes do casal, esquecendo de apagá-las. Os mais atentos (ou deveria dizer os mais curiosos?), indo até o final da mensagem, acabaram por saber sobre a noite de sexo dos dois, e todos ficaram sabendo o que rola entre os dois: "Eu adoro fazer amor com você, é um máximo" ou "Adorei a nossa transa ontem a noite, você estava toda molhadinha".

Com a falha de Melaine, e a sequência de equívoco dos demais que não perceberam o que havia no final da mensagem, os emails foram disparados para outras companhias petrolíferas e, consequentemente, se espalhou pela internet, virando um meme no twitter e ganhando até a hashtag #sandwichvan.

Tudo isto rendeu vergonhas ao casal, que abandonaram seus empregos, segundo noticiou um correspondente da BBC de Aberdeen.




Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/

Beleza, para que te quero?!...

Crica para veres toda a história
Inatingível


1 página

oglaf.com

12 março 2013

Arte Erótica

"Lust"

"Oral Exam"
Venham ao blog do Janus e Vejam:  Erotic Sketchbook

Eva portuguesa - «Procuras-me»

Olhas pela janela do teu escritório e observas o sol tímido mas firme que desponta neste dia frio de inverno. Sorris, perdido nas tuas divagações. Comparas-te a esse sol que, embora não tão quente nem tão imponente, teima em não se apagar. E pensas na tua vida pessoal... no que foi, no que é e no que querias que fosse...
Lembras com alguma tristeza e saudade a altura em que a tua vida sexual era como um verão escaldante, ardente, interminável... e como a tua vida sentimental acompanhava essa sofreguidão, essa paixão, esse vulcão...
Se o sexo era um dia de sol aberto com 40 graus, o romance era uma noite harmoniosa à beira mar, a ver as estrelas de mãos dadas...
Onde foi parar tudo isso?....
Não sabes. Algures pelo caminho perdeu-se...
Mas tu precisas disso!....
Precisas de voltar a sentir outro corpo a perder-se no teu, sedento, ardente, dando e recebendo como se não houvesse amanhã...
Precisas de voltar a ouvir gemidos de prazer sussurrados no teu ouvido, enquanto entras noutro corpo tão receptivo ao prazer como o teu....
E conforme estes pensamentos percorrem a tua mente, um arrepio de prazer percorre o teu corpo... o teu sexo responde, crescendo e tornando-se duro... firme...
E então procuras-me...
Procuras-me para voltares a sentir a chama do desejo.
Procuras-me para dares e receberes novamente prazer.
Procuras-me porque sabes que, mesmo por breves momentos, eu me irei entregar e serei tua.
Procuras-me, a mim, um corpo desconhecido, para nele te perderes e encontrares, sem expectativas nem ilusões.
E tornas a procurar-me...
Porque deixei de ser um corpo desconhecido e passei a ser uma segurança, um refúgio, um abrigo.
E sabes que comigo podes ser tu, sem receios, sem promessas.
E procuras-me...
Procuras-me pelo sexo, pela necessidade de saciares esse desejo animalesco que te corrói as entranhas.
Mas procuras-me também para poderes partilhar intimidade, para falares, para seres ouvido...
Procuras-me para voltares a ter o teu dia escaldante de verão e a tua noite mágica de romantismo e intimidade.
E procuras-me porque sabes que aqui, na minha cama, nos meus braços, os irás encontrar.


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«descanso» - Susana Duarte

descanso
sob as asas ocultas
nos seios

dos teus braços;

sob o sol poente
da noite

do meu ventre;
sob as águas da tua boca
e da corporalidade
do teu ser
descanso
sobre as ondas

descalças

dos poemas
que jazem nas linhas
das axilas,
onde encosto as linhas
do rosto antigo,
e me permito sonhar

cálidas
rubras
manhãs
em que acordo em ti.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

«Falo sempre em pé»

Troféu da Confraria do Príapo (Caldas da Rainha) em porcelana polida.
Autor: Paulo Óscar


O "Falo sempre em pé", símbolo da Confraria do Príapo, é uma peça cerâmica de inspiração fálica que pode ser balançada sem perder o equilíbrio. O seu autor, o ceramista Paulo Óscar, usou a porcelana polida para fazer um objecto moderno mantendo vivo o lado burlesco característico da tradicional cerâmica fálica caldense.
Este exemplar baloiça na colecção de arte erótica «a funda São».



Se quiseres ter também o teu falo sempre em pé (maravilha... só não dá jeito para andares a passear) podes comprá-lo na CaldasGiftShop. Os meus confrades da Confraria do Príapo agradecem.

11 março 2013

Luís Gaspar lê «Insegurança adulta» de Gigi Manzarra

Coloca tua mão sobre a minha cabeça, afaga meus cabelos e conta-me uma história bonita com final feliz.
 Sussurra-me no ouvido uma doce música de ninar até o sono se aproximar de mansinho.
 Afasta para bem longe o lobo mau e todos os outros vilões que teimam em atormentar a minha vida.
 Faz com que o amor desenhado no teu sorriso puro, seja a bandeira da nossa antiga história.
 Sê meu príncipe encantado, montado num cavalo branco, bramindo uma espada que brilha à luz do sol e ofusca com valentia as minhas dúvidas e medos.
 Não permitas que a sombra se esgueire pelo labirinto da claridade dos meus sentimentos. 
Defende-me de todos os males e agruras…
Defende-me principalmente de mim!

Gigi Manzarra

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

«conversa 1952» - bagaço amarelo

Ela - A tua cadela é tão linda! Posso fazer-lhe uma festinha?
Eu - Podes, mas olha que ela anda muito alterada desde que teve filhotes.
Ela - Alterada?!
Eu - Sim. De vez em quando rosna a quem tenta aproximar-se.
Ela - Ah! Eu percebo. É como eu.
Eu - Como tu?
Ela - Sim. Quando ando com as hormonas alteradas também rosno um bocado.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»