23 maio 2013

O que tem a ver um arcebispo alemão com um burro de Coimbra?

Na minha página no Facebook (que cada vez mais é onde se concentram os comentários e as partilhas, tendo já à volta de 700 "gostos"), além de divulgar o que é publicado aqui, pomos (eu e mais malta da fundiSão, mas tudo como São Rosas) conteúdos exclusivos. E, como é natural, de vez em quando surgem pérolas. Como esta, que tenho de partilhar convosco aqui.
A Carla Guerra (uma das que São Rosas no Facebook) encontrou uma imagem de uma estátua de "Konrad Von Hochstaden - Arcebispo muito flexível de Colónia 1238-1261".
Fiz umas pesquisas e descobri que esta estátua está no meio de outras, na fachada da torre da Kölner Rathaus, edifício do município da cidade de Köln (Colónia - Alemanha). Vamos fazer uma abordagem de aproximação à... coisa:








Pelo que li na internet, "a figura de um homem a puxar as calças para baixo e a mostrar o rabo tem sido uma parte da história de Colónia desde a Idade Média". Só que esta figura vai mais longe. E não é, nem por sombras, um exclusivo da cidade de Colónia. Em Portugal também há gárgulas da Idade Média com figuras de falos erectos (como esta entesoada criatura do castelo de Sabugal), rabos de fora (como o cu da Guarda, virado deliberadamente para Espanha) e, para a estocada final, gárgulas de homens a fazerem um broche a si próprios, idênticas à figura de Colónia (como uma gárgula da igreja de Nossa Senhora da Oliveira, virada para a Praça da Oliveira, bem no centro histórico da cidade de Guimarães... ou a gárgula de uma casa em Miranda do Douro, a que até chamámos «69 mirandês» quando a descobrimos mas que é, vendo bem, um auto-suficiente e invejável mestre do contorcionismo).

Então... e o burro de Coimbra? - perguntais vós, que estais atentos...

Esta alegre figura aos pés do arcebispo relembrou uma história à Teresa B., que aqui partilho, tal como apareceu na minha página do Facebook:
Teresa B. - Jasus, Maria e José! Até parece o burro do Loreto, que quando a ferramenta o atrapalhava, dava impulso e enfiava-a na boca...
São Rosas - Credo, Teresa!... Tu conheces cada burro!...
Teresa B. - Meus deuses! Eu não conheço. O feliz animal existiu antes de eu ser gente... mas a minha Tia conta muitas vezes as aventuras e desventuras desse burro que, pelos vistos, tinha muitos espectadores...
São Rosas - Não seria lenda? É que eu não acredito se ler no Facebook...
Teresa B. - Menina, a minha Tia tem muita idade, mas uma memória prodigiosa...e quando as memórias são de 'malandrices', é especialmente refinada! Parece que as senhoras, depois dos maridos saírem para os empregos, arranjavam um tempinho para, em grupo, ir ver o espectáculo do burro, que naquele tempo não havia muitas distracções...
Seria isto nos anos 40/50 e o burro estava nuns terrenos adjacentes à LUFAPO...
São Rosas - Esse burro merecia ser beatificado!
_________________________
E o OrCa ode isto tudo:

"ai, arcebispo, arcebispo,
a teus pés um tal deboche
já nem sei se és arcebispo
ou serás mais arcebroche..."

4ª lição

Após praticar com afinco a terceira lição, a mulher está quase apta a permitir que o macho conduza os movimentos de penetração. Não pode, no entanto, facilitar a aceleração que tendencialmente o homem vai impor.

A atenção deve centrar-se no entranhar do pénis na vagina. Os músculos devem comprimir o corpo do falo, apertando-o espaçadamente. O rodar ligeiro das ancas, quando o pénis está inserido por completo, possibilita a fricção do clítoris encostado aos pelos púbicos do macho e, no interior encharcado da vagina, a movimentação da glande pelas paredes que a acolhem.

A subida do pénis deve ser acompanhada pelo distender e relaxar vaginal. O homem deve sentir a brutalidade do abandono e a urgência de refúgio. A vagina é a caverna que Platão não referiu como local do mais perfeito egoísmo e insaciabilidade.

A introdução e a saída do falo devem agora variar de intensidade. A mulher reconhece facilmente o ritmo que deve aplicar, avaliando a respiração que se torna mais rápida, a frequência com que o “coração” que nos lateja dentro da vagina, o peso e o volume dos testículos e a dureza do pénis que se torna granítico quando se aproxima o apelidado platô.
Os gemidos, os ganidos, os vagidos, os murmúrios e os sussurros, são para ignorar durante esta fase, embora a audição seja afrodisíaca.

Entretenha-se a mulher a oscilar no tempo e no templo do prazer de modo eficaz e dominado até à quinta lição que se aproxima.


Camille

Vestiário masculino

E sua variação de acordo com a idade de seus utilizadores.



Eca, não quero entrar num vestiário de velhos.

Capinaremos.com

22 maio 2013

«Anda cá» - João

"Anda cá. Disseste. Anda cá, vá, e viraste-te de costas para mim ao mesmo tempo que te encostavas e deixavas o corpo ondular, mordendo lábios. Anda cá, vá, disseste, vem passar a noite comigo, vem aquecer-te junto a mim debaixo destes lençóis. Vem servir-me o teu peito para te escutar o coração bater. Vem dar-me vida, vem dar-me as tuas pernas para eu sobre elas lançar as minhas. Anda cá, vá. Avançando sobre as horas da noite, sob os pingos grossos da chuva que cai lá fora quando a madrugada se recolhe e o dia preguiçoso começa a leste. Sempre mais a leste. Anda cá, esgueirar-te, anda cá beijar-me, anda cá cansar-me os músculos. Anda cá, já, depressa, enfia-te aqui. Entra em mim. Fundo, sempre mais fundo. Agarra-me os cabelos, bate-me, morde-me. Anda cá depressa amor, que te vou cravar as unhas, que te vou massacrar, que vais sair daqui dorido, partido, sofrido.
Anda cá, sem apelo nem agravo. Utterly sim, with no recourse to appeal, ontem, antes disso, anda cá que vens tarde, que te vou comer, com requinte ou sem requinte, tanto faz, desde que depois tenhas peito com coração lá dentro, que bata para mim, desde que depois tenhas braços para me segurar, desde que me ampares, que não me deixes descontrolar, que não me abandones quando a madrugada se recolhe e o dia preguiçoso começa a leste. Porque há sempre mais leste. Mais sol. Mais dia. Somos o que somos, sem apelo nem agravo. Sempre assim, anda cá. Vem a pé. Vem como quiseres, desde que venhas. Sete, setenta, todas as vezes, vem.
Não me digas que fique quieta. Não me digas que não me mexa. Não me digas nada que não seja o meu nome, não me digas nada que não seja fode-me, ama-me, segura-me. Anda cá, disseste. Anda cá."

João
Geografia das Curvas

«conversa 1979» - bagaço amarelo

Ela - Tenho que me deixar de bananas.
Eu - Vais deixar o teu namorado?
Ela - Credo! Achas que o meu namorado é um banana?
Eu - Não é bem isso. Desculpa, saiu-me.
Ela - Estava a falar do fruto chamado banana.
Eu - Ah! E porque é que tens que deixar as bananas?
Ela - Por causa dos meus intestinos...
Eu (silêncio)
Ela - Que cara é essa?!
Eu - Preferia não saber isso...
Ela - Não saber o quê?
Eu - Que tens que te deixar de bananas por causa dos intestinos...
Ela - Mas o que é que raio estás a pensar? Não sabes que as bananas prendem os intestinos?! Estou a falar de prisão de ventre, homem.
Eu - Ah!
Ela - Ah?!?! Mas o que é que tu estavas a pensar?
Eu - Em nada de especial. Mudemos de assunto.
Ela - Temos que voltar a essa de achares que o meu namorado é um banana.
Eu - Não acho nada disso. Foi apenas a primeira hipótese que pus, tu achares que ele é um banana. Eu cá não acho nada. Nem o conheço bem...
Ela - Não acredito em ti.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Prioridades

Eu gosto do meu pénis, mas confesso que não lhe atribuo uma importância por aí além.
Bem vistas as coisas, dou mais pela falta dos polegares.

Há coisas que nunca se esquecem

Crica para veres toda a história
Tíbia


1 página

21 maio 2013

Monarchy & Dita Von Teese - «Disintegration»


Monarchy & Dita Von Teese -Disintegration from Roy Raz on Vimeo.

Eva portuguesa - «Dia da mulher»

[8 de Março de 2013]
Sim, comemoro o dia da mulher!
Sim, porque nós, putas, também somos mulheres!
E também somos seres humanos e mães e filhas e irmãs...
E porque, como toda a gente de bem, tentamos sustentar-nos e aos nossos sem fazer mal a ninguém.
E sim, também sonhamos, rimos, choramos e sangramos...
E sim, também, como todas as outras mulheres, sonhamos com o príncipe encantado e com o final das histórias de fadas "e foram felizes para sempre".
E sim, como as outras mulheres, lutamos da melhor forma que podemos com aquilo que temos, para realizarmos os nossos sonhos e objectivos.
Sim, somos frágeis, guerreiras, fortes, sonhadoras, amantes, amigas, bonitas, feias, felizes ou sós....
Somos mulheres....
E hoje é o nosso dia!
Não o estraguem por favor!...


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«Caminho» - Susana Duarte

caminho costeira
por onde passam gritos,
através das rochas, areias e granitos
e das conchas despegadas de sonhos e madrugadas.

caminho sobrevoando rios, onde
confluem ritos de primaveras floridas,
rosas-chá do deserto do vento, cantando gotas
de suor sobranceiras, caindo sobre ombros escondidos

do mar.

caminho navegando as ondas
da tua serenidade alada, seda lavrada das noites
e dos olhares marginais das borboletas. sobre as asas
caminho, e sobre o caminho, perpetuo imagens de urdiduras

de mãos que se tocam.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

A espargata

Esta pequena estatueta em bronze (20 cm de pé a pé) encontra-se com alguma facilidade mas a preços que não se coadunam com o meu salário português.
Mas desta vez não me escapou. E agora faz esta acrobacia na minha colecção.


Depois do adeus



HenriCartoon

20 maio 2013

Belo é seres quem és! - Campanha da Dove pela auto-estima

Anúncio com papel químico, feito em Portugal

Agência de Publicidade: TORKE + CC, Lisboa, Portugal
Directores de criação: André Rabanéa, Hugo Tornelo, Pedro Alegria
Directores de arte: Daniel Machado, João Pereira, Rui Pica e Rui Santos
Redacção: Nuno Trindade, Zeynep Rabanéa
Planeamento: Diogo Teixeira, Mariana Figueiredo, Frederico Ferreira
Produtor: Soraia Silva

"O Projecto Auto-estima da Dove tem vindo a trabalhar há vários anos na promoção da auto-estima das mulheres e para desmistificar o mito da beleza. Recentemente, esta missão foi estendida às crianças. De acordo com a pesquisa da marca, 6 em cada 10 meninas pararam de fazer algo de que gostam, porque se sentiram desconfortáveis com a sua aparência.
Fomos convidados para apresentar o Projecto de Auto-estima Dove em Portugal pela primeira vez para despertar as consciências entre os adultos sobre o impacto que o seu comportamento pode ter sobre a auto-estima das crianças.
Criámos o anúncio de papel químico, um anúncio de imprensa numa revista especializada para pais. O anúncio desafiou os leitores a testar a sua memória escrevendo a pior coisa que se lembravam de lhes terem chamado na sua infância. Para facilitar, também incluía uma caneta. O que eles não sabiam era que se tinha colocado um pedaço de papel químico do outro lado da página, e a palavra que escreveram no teste de memória era impressa na camisa de uma criança na página seguinte, com o texto "As palavras marcam as crianças para sempre".
Os leitores que brincaram (principalmente os pais) viram o resultado de sua acção impresso numa criança, tal como as palavras que podem "simplesmente" dizer às crianças podem ficar com elas, para a vida. Nós fomos capazes de introduzir as metas do projecto Auto-estima da Dove em Portugal de uma forma mais interactiva, através de um anúncio impresso, que realmente encarnou a principal preocupação do projecto.

«conversa 1978» - bagaço amarelo

Ela - Tenho alguns amigos que fazem uma festa sempre que me vêem, a não ser que estejam com as respectivas namoradas ou mulheres. Aí, cumprimentam-me discretamente ou nem reparam em mim. Nunca percebi porque é que há tantos homens assim...
Eu - Não há muitos, de certeza. Tu é que deves ter amigos fora do normal.
Ela - É o que eu estou a dizer. Os homens são todos igualmente fora do normal.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Sonho...» de Helena Maltez

"a noite entrou, encantada
adormeceu-me o corpo
envolveu-se nos meus sonhos
fez-me sentir-te em ti
tremer junto ao teu corpo
beijar teus lábios demoradamente
descobrir o teu gosto
com meu corpo inteiro
fomos sombras ocultas
cheias de movimento
desejos penetrantes e agitados
fomos nós num momento
da duvida que sonha a certeza
o desequilíbrio na infame consciência
a noite fez-nos sentir
o silêncio vestido de branco
a ausência irreal
em forma de sonho
viajámos juntos em sentimentos
e o teu corpo fundiu no meu
de alto a baixo
o suspiro violento
numa voraz paixão
que nos alimentou as veias
da noite que cresceu como louca,
brotavam palavras, nas entrelinhas
um intenso amo-te
no duelo de quem ama
a noite acordou-me
abandonou-me sem sonhos
tu não te encontravas lá
só a cama, branca, amarrotada…"

Helena Maltez

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Guardiões das fronteiras

Todo mundo merece relaxar.



Deve ser legal ser um coelho…

Capinaremos.com

19 maio 2013

O que eu tenho perdido por não me meter nestas andanças do futebol...

Imagem há poucochinho na SIC.
Nem sei que vos diga...
Que percebo a legenda "bicampeão"?
Que ricas medalhas!
Que o futebol assim é lindo e eu gosto?
E a t-shirt da menina a pedir para lhe Ligar...

A malta antigamente divertia-se...

69 escalado




Gordon Denman - via Danish Principle

Alzheimer


O quarto dele era muito luminoso e estava pejado de molduras com as imagens dos filhos e dos netos. Ela sentou-se na bordinha da cama de corpo e meio e ajeitou a saia a tapar mais os joelhos como rotineiramente fazia e ele logo se sentou a seu lado, com vista próxima sem ter de ajeitar os óculos para um amplo busto cujo silicone mantinha firme e quase fazia saltar os botões da blusa e uma pele quase juvenil esticada pelo botox de outros tempos.

Abriu então a sua caixinha de comprimidos e exibiu todos os que tinha. Grandes e pequenos, redondos ou cápsulas e numa variedade de cores que ia do branco ao rosa, do amarelo ao azul. Ela retirou a sua de um bolsinho da saia e com um ligeiro rubor na face abriu-a e estendeu-lha nas mãos. Com um sorriso rasgado ele elogiou os compartimentos funcionais. E ali ficaram alguns instantes agradados por ter nas mãos o cofrezinho do outro.

Ela gabou-lhe a claridade do quarto em comparação com o dela com vista para as traseiras e sol de pouca dura. Recordava-lhe a sua casa que deixara há anos, talvez em 2007, quando entrara ali no lar. Ele sorriu, emudeceu e acabou por lhe confidenciar que havia outra razão porque lhe quisera mostrar o quarto mas já não fazia a mais pálida ideia do que era.

Casar com o par ideal



Adam West, personagem da série «Family Guy»

«Falo no Beco» - evento da Confraria do Príapo

Tenho orgulho de fazer parte da Confraria da Príapo desde a sua fundação (não confundir com a funda São).
Apreciem esta reportagem da TV Caldas sobre o evento «Falo no Beco» realizado pela Confraria do Príapo no passado dia 11 de Maio, nas Caldas da Rainha:

18 maio 2013

Robin Thicke - «Blurred Lines (Dirty Version)»


Robin Thicke 'Blurred Lines' (Dirty Version) from OB MANAGEMENT on Vimeo.

«conversa 1973» - bagaço amarelo

(em minha casa)

Ela - Tu não ligas o televisor?
Eu - Não tenho a antena ligada. Só vejo filmes em dvd...
Ela - Mas não gostas mesmo de televisão?
Eu - Há canais que gostava de ter, mas é muito caro. Mas quando estou na casa da minha namorada gosto de ver algumas coisas... ainda ontem vi um filme de boches.
Ela - Também só pensas em sexo...
Eu - Boches! Eu disse boches.
Ela - Boches?!
Eu - Sim. Não sabes o que é um boche?
Ela - Se não for sexo oral com papas de Nestum na boca, não sei.
Eu - Um boche é um militar alemão nazi... estava a falar de um documentário da segunda guerra mundial.
Ela - Ah! Nunca me passou pela cabeça que um nazi pudesse ter um nome tão... sei lá... tão apetitoso.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

«Tees» de golfe

Uma das muitas coisas que gosto na minha colecção é a sua diversidade.
Estes «tees» vieram de Espanha, para a sexão de jogos da minha colecção.



Um sábado qualquer... - «Adão em depressão»



Um sábado qualquer...

17 maio 2013

"Co-adopção" - Webcedario


Webcedário no Facebook

«For Fuck's sake, use a condom» (por amor da foda, use preservativo)

Um mãos largas

A vida, essa puta. E o amor, esse chulo. E eu ávido por sustentá-los.

Gostas mais do papá ou do papá?



HenriCartoon

Prostituição - a minha história (XIII)

Verão de 1997... (...) Alternar entre o Mundo Real e o meu Mundo Paralelo era mais do que uma mudança de nome, como se o autocarro que eu apanhava fizesse um percurso num túnel entre uma dimensão e outra, as duas com cenários em cores totalmente diferentes. Mas, naquele túnel entre dois Mundos, eu não podia mudar de eu e era evidente que o eu ainda se encaixava muito dificilmente no Mundo paralelo. A questão é que começava também a ter dificuldades em encaixar no Mundo Real. Embora não sentisse mudanças internas, era como se o que vi tivesse formado uma película nas íris dos meus olhos e tudo o que eu via era visto através dessa película do que eu sabia. Era preciso ter atenção, era preciso ter cautela, ninguém se podia aperceber que alguma coisa estranha tinha entrado na minha vida, ninguém podia perceber que tinha mais dinheiro do que poderia ganhar num emprego, ninguém podia perceber que estava sexualmente mais adulta, ninguém podia perceber que eu sabia coisas, ninguém podia perceber porque ninguém me poderia perceber quando nem eu própria me percebia. Não foi um trauma mas sim o cansaço da duplicidade, o cansaço da passagem no túnel, a vontade de ser só uma que me fez parar. As aulas estavam prestes a recomeçar e a vida em que eu podia ser eu não podia ser vivida com aqueles olhos. O primeiro dia de aulas, os cadernos e livros, os Professores, os colegas, o retorno ao dia a dia do eu, estava ainda mais afastado daquele novo planeta, o túnel seria ainda mais longo. No fim do meu último dia na casa, ainda uma hesitação, a recepcionista dizia-me, satisfeita: "já viste quanto ganhaste hoje?"... Mas interrompi a hesitação com o pensamento de que era uma boa quantia para juntar ao pé de meia que acabei por fazer e ir-me embora sem olhar para trás. Até quando? Se isto fosse um livro, este seria apenas o fim do primeiro capítulo. (Continua)

Seduzir uma mulher é tão fácil!



Via Ela Tá de Xico

16 maio 2013

«Blachman» - "o corpo feminino tem sede de palavras de um homem”

«Blachman» é um programa da TV da Dinamarca em que uma mulher entra de roupão e se despe e fica sem poder dizer qualquer palavra, perante Thomas Blachman e um convidado masculino, ambos sentados num cenário vazio, todo negro, que fazem comentários sobre o seu corpo e sobre outros assuntos que lhes vêm à cabeça.
Thomas Blachman defende que está, “na verdade, a fazer um favor às mulheres, já que ‘o corpo feminino tem sede de palavras de um homem’”.
Este programa tem gerado uma grande polémica,como seria de esperar.Há quem classifique o programa como o mais machista da história e faça uma inaceitável coisificação da mulher.
O apresentador defende-se, argumentando que o programa tem um carácter revolucionário, pois pretende discutir a estética do corpo feminino sem permitir que a conversa seja “pornográfica ou politicamente incorrecta”. “Agora as mulheres podem entender o que os homens pensam sobre o corpo delas”.
No YouTube só se encontram pequenos videos promocionais e censurados, como este.
Mas encontrei na página da cadeia DR os seis primeiros episódios completos. O sexto (com o sexólogo Sten Hegeler) até está legendado em inglês. Quanto a mim, não tem nada de chocante. Mas cada um que forme a sua própria opinião:

É assim que quero




É assim que quero hoje,
teu corpo fértil, despido,
à mercê da carícia suave
das unhas vermelhas,
da boca suave,
da vulva doce...

É assim que quero!
Hoje faço o destino
na erecção do grito,
nos tremores do teu sentir,

É assim hoje.
No gemido infinito,
na carne suada
de ondas de prazer!

Vera Sousa Silva

3ª lição

A vagina já está perfeitamente adaptada à grossura e ao tamanho do pénis, encharcando-o de sucos e de fluidos quentes e facilitadores.
Os movimentos descritos nas lições anteriores, vão repetir-se compassados e persistentes. É o momento em que a mulher se inclina ligeiramente roçando os mamilos nos peitorais do macho. Este ângulo permite que o pénis toque o clítoris, friccionando-o no movimento que o faz mergulhar, curvo e pulsante, no lago apertado que o acolhe.
É o momento de dedicar atenção e cuidado aos testículos. A mão da mulher deve afagá-los como se os dedos fossem penas. Sentir-lhes a textura, os subtis movimentos, o volume, o boleado a sutura do escroto e percorrer-lhe a penugem macia que os torna aveludados. Este mover de dedos femininos é acompanhado pela descida da vagina, fazendo-a rasar a base do pénis de modo a que o clítoris embata no início do tronco latejante, permitindo, também, que os dedos formem um anel controlador e que, apertando-o, comandem a penetração que tende a ser cada vez mais acelerada, com os testículos a subirem e o arrepio brutal e animalesco de quem desespera na espera.
A forma mais eficaz de domar este impulso, é procurar rodear, anelar com delicada manobra e atenção redobrada, o início destas duas impaciências, coagindo-as a uma descida lenta e prazenteira. Os testículos obedecerão contrariados e a rigidez do pénis aumentará de forma significativa, tornando-o poderoso e fazendo-nos sentir que as paredes da vagina, que até ao momento o acolheram como um dedo de uma luva, devem agora readaptar-se a novas dimensões.
Será conveniente, em caso de masculinas emergências gemidas ou ganidas, libertar o falo e passar à quarta lição, sumariada em breve.
Camille

Lex Drewinski (Polónia) - poster «Stop Sex With Children» (Parem o sexo com crianças) - 1998


15 maio 2013

«Dos cinzentos deslizantes» - João

"Para mim a vida era simples de categorizar. Ou era branca, ou era preta. Não havia segredo. Nem truque. Nem nada além disto. Tomava-se uma posição e ficava-se nela. Como facções. Ou estávamos de um lado, ou contra ele. Branco. Preto. Como tabuleiros de xadrez. Estava errado. Com o tempo vim a entender que a vida não se faz de brancos e pretos. É como as probabilidades. As probabilidades oscilam entre zero e um, entre a impossibilidade e a certeza. Mas nunca temos a certeza de nada. Nem a certeza da certeza, nem a certeza da impossibilidade. As probabilidades são, para mim, cinzentos da matemática, assim como os dias que vivemos, entre o momento em que acordamos até à cama onde nos deitamos ao fim do dia, são os cinzentos da vida. Contas feitas, matemática esgotada, os brancos e os pretos não existem. Só existem cinzentos. Uns muito claros, que quase parecem brancos, e outros, muito escuros, que quase nos parecem pretos. E, entre eles, um infinito de gradações em que nos movemos.
Uma existência a branco e preto é conveniente a superegos muito dominantes. No domínio da moral, quando a moral nos pesa para além de um núcleo indispensável, com demasiadas excrescências, com coisas que não são inteiramente nossas, os brancos e os pretos dão jeito. São confortáveis. As coisas ou são, ou não são. Não temos de testar o nosso superego. Não o colocamos à prova. Conformamo-nos. É um aborrecimento ter de assumir que a vida tem cinzentos. Dá trabalho. Obriga-nos a olhar para dentro, a questionar aquilo em que acreditamos. Provavelmente com medo. Porque tantos anos seguidos a alimentar um superego, choca perceber que ele é, porventura, mais pesado do que precisa. Chocará perceber que deitar uma boa parte dele fora não nos torna piores, não faz de nós seres amorais, não nos retira coluna, pilares, princípios. Apenas nos torna mais adaptáveis aos imprevistos. Permite-nos deixar falar mais o id, permite-nos um ego mais solto, permite-nos inalar o cheiro da vida a plenos pulmões.
Julgo que somos ensinados, muitos de nós, a suprimir o id. É-nos dito que o id é coisa geradora de pecado, que não é suposto a vida ter piada, que apenas os domínios do ego e do superego devem ser alimentados, que o instinto, que o desejo mais primário, é fonte de perigos e contratempos. E isso gera, inevitavelmente, gente branca. E gente preta. E gente sem graça. A vida está nos cinzentos, digo-vos. É neles que apetece deslizar. É neles que está o sumo dos dias. E o truque, afinal, é meter tudo no lugar certo. Não deixar nenhum deles abafar-nos ao ponto de nos tornar tristes e frios. Soltar o id nesses cinzentos, e esquecer os brancos, esquecer os pretos. Porque não existem."

João
Geografia das Curvas

«conversa 1972» - bagaço amarelo

-Lembras-te de mim? - Perguntou-me ela.

Lembrava mas, tal como ela, também eu tinha dúvidas que ela se lembrasse de mim. As memórias são apenas a paisagem dum caminho estreito, que percorremos sós. Assim, por um momento, fiquei a olhar para o meu passado sem lhe ver o horizonte.

- Claro que lembro. Que patetice, então não me havia de lembrar? - Mas não era uma patetice.

Ela calou-se e fitou-me nos olhos, como se procurasse alguma coisa escondida em mim. Acho que sempre que perdemos alguma coisa noutra pessoa, os olhos são o primeiro sítio onde a vamos procurar. Deixei-me estar quieto, a ver o primeiro sinal de desilusão no seu rosto. O que quer que fosse que ela queria ver, não viu. Depois veio o silêncio.

- E então, que fazes? - Perguntei.
- Estou desempregada. Trabalhei muitos anos em Setúbal, em várias coisas...
- Eu também estou desempregado. Trabalhei sempre cá por cima, com alguns intervalos para trabalhos no estrangeiro...

Mas as palavras iam morrendo pouco a pouco, como que intoxicadas pelo desinteresse da banalidade. Temos os dois mais de quarenta anos e não nos víamos desde a adolescência, numa noite qualquer de Verão. Na verdade, foi essa a única noite em que a vi, e só me lembro que ficámos para trás de um grupo de vários amigos comuns que iam a uma discoteca qualquer. Passámos horas numa praia qualquer do Alentejo, onde fizemos da areia a nossa cama e do som do mar a nossa conversa.
Ela tornou a fitar-me nos olhos.

- Apaixonaste-te muitas vezes, desde então?
- Duas ou três. - respondi.
- Duas ou três?! Tens sorte.
- Sorte?! Porquê?!
- Eu já lhe perdi a conta...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

A dois

Vejo-nos nas páginas de um livro onde incógnitos nos vestimos personagens nos corpos que despimos em segredo guardado a dois.

Há puzzles que não têm solução... e até podem ter peças a mais

Crica para veres toda a história
Rata puzzle


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14 maio 2013

«The Next Day» - David Bowie a brincar com o fogo divino

Lia-se no DN no dia 8 de Maio:
"«Este vídeo foi removido porque o seu conteúdo viola os termos de utilização do YouTube». Esta era a mensagem que aparecia ao início do dia a quem tentava ver no YouTube o novo teledisco de David Bowie, para a canção The Next Day, que pouco tempo depois de ter sido disponibilizado nesta plataforma foi retirado.
Todavia, passadas umas horas os responsáveis pelo YouTube voltaram atrás nesta decisão e voltaram a disponibilizar o teledisco, estando no entanto categorizado pelo seu conteúdo explícito.
Realizado por Floria Sigismondi (a mesma que recentemente fez o vídeo da canção The Stars [Are Out Tonight]), neste novo vídeo David Bowie contracena com Marion Cotillard e Gary Oldman. O conceito parte de uma batalha entre o sagrado e o profano e o vídeo recorre a muita da iconografia cristã. No teledisco vê-se um cardeal a pagar a uma alegada prostituta e um monge a ser açoitado. Gary Oldman veste também a pele de um padre."

Eva portuguesa - «Fresquinha»

Ora vejam bem a última artimanha que os pseudo-homens arranjaram para nos tentar enganar.
Esta é fresquinha, pois acabou de acontecer.
Ligam-me de um número anónimo e um "senhor" identifica-se como sendo jornalista da revista «Íntima»,diz um nome e continua, dizendo que estão a contactar mulheres bonitas e com experiência na área para fazerem um artigo sobre o desempenho sexual do homem.
Sem me dar tempo de argumentar, pergunta se os homens costumam exagerar no tamanho que dizem ter dos seus pénis. Sem eu responder, continua, perguntando se são muitos os homens que me procuram para ter sexo anal e para me fazer sexo oral.
Farta deste ordinário e da pouca esperteza dele ao tentar passar-me a mim um atestado de estupidez, respondo: "Está a ligar
-me de um número privado para uma entrevista para um artigo com perguntas íntimas e quer que eu acredite e confie?!..."
Resposta do outro lado: tututututututututututu.

Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«pudesse eu conhecer a força dos trigais, semente» - Susana Duarte

pudesse eu conhecer a força dos trigais, semente
escondida nas névoas das casas e dos beirais das ondas...onde
sorrisos erguem muros, e muros destroem casas...pudesse eu
saber da força das papoilas, rubras-serenas-frágeis papoilas,

e as águias seriam voos lentos de olhares incautos, e os cantos,
apenas entoações das alturas da alma desabrigada de si, no

silêncio

fugaz de todas as coisas que não se dizem. pudesse eu ser silêncio,
e teria asas onde os seios erguem suaves ondulações de ar

respirado, ou naufragado, ou soturno. soturno ar desabrigado das encostas
onde apoias os olhos e serenas todas as marés violentas dos dias.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

A Madame do vestido roxo...

... e com o rabiosque à mostra.
Peça em barro vidrado com surpresa... apenas para quem não tem a minha experiência e instinto nestas andanças.
Encontrei-a, discreta e à minha espera, na Feira Sem Regras, junto ao Convento de Santa Clara a Velha, em Coimbra.
A partir de hoje, só mostra o rabiosque na minha colecção.



13 maio 2013

Dove - «Retratos da verdadeira beleza» - agora, com os testículos

Aproveitando a campanha publicitária da Dove, já vimos aqui uma variante com humor. Agora, temos aqui outra, desta vez com... as bolas:

«respostas a perguntas inexistentes (240)» - bagaço amarelo

eu tenho dois amores, dizia ele

No ensino básico, em Matemática, ensinaram-me que um mais um é igual a dois. Deram-me como exemplo qualquer coisa tão estúpida como uma peça de fruta, creio que uma banana da Madeira, e explicaram-me que uma banana mais uma banana é igual a duas bananas. Erro crasso, passei a acreditar piamente nisso.
A Matemática, ou pelo menos a Álgebra, tem esta mania estúpida de escrever a vida sem a perceber. Até pode ser que uma banana mais uma banana seja igual a duas bananas, mas certamente que uma gota de água da chuva mais outra gota de água da chuva não é igual a duas gotas de água da chuva. Basta ver chover para perceber que o resultado é uma pequena poça de água.
Para piorar a coisa, o Marco Paulo veio cantar aos portugueses, creio que no princípio dos anos oitenta, que tinha dois Amores. Quem o ouvia dava conta de uma morena e de uma loira, deduzindo assim que um Amor mais outro Amor é igual a dois Amores. Pura mentira. Um Amor mais outro Amor é quase sempre igual a menos do que dois Amores. É uma questão de tempo. Mas a equação da soma ou subtracção do Amor é inócua de sentido, porque nela faltam sempre os factores que ninguém consegue entender.
Acredito que o Amor elevado à sua máxima potência é sempre igual a um. A partir do um, quanto mais se soma, menos se tem. Mesmo que a coisa não seja óbvia à primeira. O um é um número difícil de entender neste contexto, porque por ser o primeiro dos números inteiros nos parece sempre pouco. Um comparado com cem, por exemplo, assemelha-se a uma insignificância. No entanto, quando de Amor estamos a zero, buscamos o um como se fosse tudo. E é mesmo. Só que ninguém nos ensina isso na escola.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Tilintar de orvalho» de Cristina Miranda

"Não deixamos cair Outonos
Sobre as mãos
Nem adiamos Estios
Quando habitamos juntos
Acerco-me da maior janela
Para desfrutar da mais bela paisagem
A realidade a perder de vista…
E enquanto te procuro
Ouço a voz
O tilintar do orvalho sobre os pastos
O canto das flores em correrias
Cabriolando sobre carreiros verdes
E quando te vejo
Ainda com o aroma do acordar nos ombros
Estendo os meus olhos
Até te alcançar os passos
Até te tocar de leve
Até te acompanhar
Sentindo a frescura beliscar leve as nossas frontes
E quando já de volta
Me dás o braço
Trazendo ramos de satisfação
Que vens pôr
Como serenatas
Debaixo da nossa janela
Não deixamos cair Outonos
Nem adiamos Estios
Apenas nos sentamos
Calmos
Em bancos de Primaveras"

Cristina Miranda

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

A culpa é dos homens

Sempre eles que estragam tudo.



Sem homens, todas mulheres seriam lindas.

Capinaremos.com

12 maio 2013

Californication - Cena na igreja

«Trágica história de amor» - por Rui Felício


Os belos olhos azuis melancólicos denunciavam uma tristeza indisfarçável, os lábios bem desenhados num rosto lindissimo, apenas se abriam em meios sorrisos de circunstância quando tinha que atender a algum pedido de informação ou esclarecimento que lhe fosse dirigido pelos clientes.
A Sónia era uma excelente profissional, educada, cumpridora, assidua e pontual, o que lhe granjeara a admiração e respeito dos seus superiores hierárquicos, alcandorando-a ao cargo de supervisora naquele supermercado de uma conhecida cadeia de distribuição.
Embora já passasse dos 30 anos de idade, não lhe eram conhecidos namorados passados ou recentes.
Todos os dias chegava a casa onde vivia sozinha, perto do supermercado, poucos minutos depois de acabar o trabalho. Recusava sistemáticamente convites das colegas para alguma festa e nos dias de folga trancava-se em casa entretida a ver televisão ou filmes que alugava numa loja da galeria comercial anexa ao supermercado.
Há dias entrara ao serviço, na secção de charcutaria, um novo empregado. O Tiago era um homem jovem, bonito, calado, de 35 anos, que vinha aureolado como um conhecedor profundo da área onde ficara a trabalhar. Por uma e outra vez o Tiago reparou no olhar da Sónia fixado em si, que ela, célere, afastava disfarçamente com visivel atrapalhação, quando o dele se cruzava com o dela.
As trocas de olhares passaram a ser mais frequentes nos dias seguintes, acompanhados de sorrisos imperceptiveis e cumplices.
Não havia dúvidas de que o Tiago não era indiferente à Sónia, apesar dos avisos dos colegas dele de que não deveria entusiasmar-se porque ela era uma belissima pedra preciosa mas fria como o gelo.
A verdade é que o Tiago já não conseguia dominar o pensamento que o acompanhava dia e noite.
Se estar apaixonado era sentir aquele aperto no coração, aquela constante e obsessiva imagem da Sónia na sua cabeça, a falta de apetite, os suspiros que soltava deitado sozinho na sua cama à noite a pensar nela, então ele estava perdidamente apaixonado por ela...
Na semana seguinte estariam ambos de folga no mesmo dia e ele decidiu, na véspera da folga, chamá-la à parte e pedir-lhe que aceitasse o seu convite para irem jantar os dois.
A Sónia fez questão de esclarecer que gostava muito dele, mas que preferia não aceitar o convite.
O Tiago mostrou-se surpreendido. Teria ela alguma razão para a recusa? Insistiu. Assegurou-lhe que a respeitava, que não a estava a convidar com qualquer reserva mental..
Pediu-lhe que percebesse que a sua intenção não era mais do que poderem estar juntos, conversarem sem os constrangimentos naturais do ambiente profissional. Enfim, conhecerem-se...
Ainda relutante, ela aceitou.
Naquele pacato e acolhedor restaurante, à luz suave das velas, conversaram, riram com as picarescas histórias que sempre se passam num movimentado supermercado, confirmaram que ambos viviam sozinhos, repetindo diariamente os ciclos de uma vida redonda, solitária, sem perspectivas, nem ambições. O vinho que iam bebendo desatava-lhes a pouco e pouco as inibições. Parecia conhecerem-se desde sempre!
Decidiram ir a pé para prolongarem a proximidade que a ambos tanto satisfazia. Chegados à casa da Sónia, ela abriu a porta, agradeceu-lhe aquela bela noite que jamais esqueceria, aproximou os labios e deu-lhe um beijo suave, breve, afagando-lhe carinhosamente o braço, numa despedida.
Mas em vez de se afastarem, ficaram ambos, por longos segundos, quase petrificados com as bocas perto uma da outra, sem se tocarem, aspirando o hálito quente que os enlouquecia.
Não resistiram mais. Envolveram-se num profundo beijo, longo, sôfrego, devolvendo e retribuindo o desejo que lhes queimava os corpos.
Encostaram-se à porta, que abriram bruscamente, e deram por si, sem saberem bem como, deitados na cama, arrancando as roupas, acariciando-se, prontos para levar até ao fim a loucura do amor.
O Tiago não percebia porque razão é que a Sónia se fechava, de olhos aterrorizados, sempre que ele tentava consumar aquele acto de amor que, claramente ambos desejavam, mas que ela impedia e restringia às caricias, aos beijos, aos sussurros de amor...
Deitou-se a seu lado, incrédulo, exausto.
Perguntou-lhe delicadamente porque não queria ir até ao fim. Parecia ter medo, apesar do carinho e cuidado que ele tinha tido.
A Sónia de lágrimas nos olhos confessou-lhe o seu segredo, a cruz que carregava em silêncio desde os 15 anos de idade, nunca se libertando desde então do terror e do medo do acto sexual.
Mostrou-lhe duas profundas cicatrizes que lhe atravessavam as costas em diagonal, resultado das chicotadas que o padrasto lhe desferiu com um cavalo marinho, furioso, quando ela lhe disse estar grávida e quando tentou resistir a mais uma das frequentes violações do padastro de que foi sendo vitima durante mais de um ano.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Custos inerentes


Para encher o despontar da adolescência dediquei algumas horas de leitura a uns livrinhos de origem escandinava que mostravam fotografias de diversos preservativos, DIU's e pílulas e nem umazinha de árvores e passarinhos para amostra. Neles aprendi a origem do DIU nuns ramos com a mesma configuração que se aplicavam às camelas no deserto. E fixei que mais coisa menos coisa se tem a primeira relação sexual quando disso temos vontade e não nos devemos deprimir a contrariar tal tendência.

Ora na época até tinha um namorado que me chateava constantemente a moleirinha por causa disso tal a ânsia que tinha de na prática saber como era e como não era e já que tinha terminado a leitura sugeri-lhe que combinássemos uma data. O moço encheu-se de brios e na manhã do dia aprazado até foi escanhoar a barba que não tinha. A mãe estranhou e ele orgulhoso prontamente esclareceu que ia ter a sua primeira naquele dia e se a mãezinha não se importasse podia fazer o favor de não chegar antes da hora do costume.

Todos nus como mandava o figurino dessa época lá fomos tentando ver como conseguíamos encaixar a coisa uma na outra e se não fosse pelos beijos que me arrepiavam a espinha como o sol na praia não percebia o que havia de especial na pilinha que só me fazia cócegas.

Nisto, ouvimos a chave na porta e a mãe dele entrou de braço dado com a minha pelo quarto adentro. O Carlos Tê diz que não se ama alguém que não ouve a mesma canção mas eu convenci-me que também é melhor não o fazer com quem não lê os mesmos livros.

Reflexos de mamas



Via Pornography as Art

11 maio 2013

A mim, esta massagem não relaxa nada. Antes pelo contrário!


Massage Sensuel 2 from Exo Mass on Vimeo.

«está uma noite óptima para nos pormos a caminho de lugar nenhum.» - bagaço amarelo

Não sei bem o que é me levou a dizer-lhe aquilo. Se acreditar que as coisas podem sair do nada, então diria que foi isso mesmo que aconteceu: saiu-me do nada. De qualquer maneira não acredito nisso, por isso limito-me a assumir que não sei porque é que aquelas palavras me saíram da boca.
Estávamos de férias num parque de campismo há alguns dias, algures no norte do país, ambos hesitantes em começar um romance. Era de noite. Por um lado queríamos dormir juntos, por outro tínhamos medo de o fazer. Acho que é sempre assim quando se gosta muito de alguém mas não se está apaixonado. Perguntei-me muitas vezes sobre o que devia fazer naqueles momentos em que nos abraçávamos ou encostávamos a cabeça um no outro. E agora? Beijo-a? Digo-lhe que a Amo? Nunca me decidi por nada, a não ser por lhe dizer a coisa mais absurda do mundo. Do nada.

- Está uma noite óptima para nos pormos a caminho de lugar nenhum.

Ela olhou para mim e, ao contrário do que eu tinha imaginado, concordou com a minha ideia nonsense. Obrigou-me a desmontar a tenda, a arrumar a mochila e, depois de acordar um homem que dormia ao balcão da recepção, acabámos por nos pôr a caminho através das estradas sinuosas do distrito de Bragança, onde tínhamos chegado de autocarro e à boleia de um amigo.
Caminhámos a noite toda numa conversa amena, até a Lua se cansar de nos ouvir e se ir embora sem dizer adeus. Lembro-me que acabámos por montar a tenda junto a uma curva onde havia uma fonte e, a alguns metros, uma árvore com sombra suficiente para não morrermos com aquele calor abrasador próprio do Verão transmontano. A minha tenda montava-se em três segundos. Bastava atirá-la ao ar e já estava. Foi o que fizemos e, dado o cansaço, adormecemos imediatamente os dois.
Não me costumo lembrar dos meus sonhos, mas sei que nessa tarde sonhei com ela e com as histórias que ela tinha acabado de me contar nessa viagem a pé pela Via Láctea. Era uma história qualquer sem grande romance, mas que eu tinha ouvido com a maior das atenções. Era sobre coelhos.
Ela gostava muito de animais, particularmente de coelhos. Tanto, que fazia colecção de coelhos de toda a espécie e feitio: de peluche, de louça, de plástico e até um de arame, feito por um artesão boliviano qualquer com quem tinha namorado no passado. Quando o tal artesão voltou para a Bolívia ainda estavam apaixonados,. Ele prometeu-lhe fazer um coelho tão grande quando lá chegasse, que ela havia de o ver deste lado do Atlântico. Durante muito tempo, apesar de ela não acreditar que isso fosse possível, ia à janela todos os dias para procurar o tal coelho gigante.
Pois bem, eu sonhei que tinha construído esse coelho. Era tão grande que, quando estávamos em cima dele, podíamos praticamente tocar nas nuvens. Acho que acordei no momento em que lhe perguntei se ainda se lembrava do boliviano e ela me respondeu que tinha esperança que ele, da janela de casa dele, visse aquela minha construção e se lembrasse dela.
Quando lhe contei o sonho, que ao fim e ao cabo não passava dum sonho estúpido, ela riu-se e deu-me um beijo furtivo nos lábios. Depois tirou duas maçãs dum saco de plástico, limpou-as à própria camisola e deu-me uma enquanto trincou a outra de forma a prendê-la na boca.
Esse foi o único beijo que demos, mas a verdade é que sinto que gostei realmente dela, sem nunca me ter apaixonado. É uma sensação difícil de explicar porque nunca foi clara para mim próprio. Para ela, aliás, também não. De tal forma que quando acabámos por ter uma conversa séria sobre o assunto, sobre a nossa proximidade tão pouco consumada fisicamente, ela respondeu-me que o melhor, quando estivéssemos a sentir que íamos passar uma certa barreira, era começarmos a caminhar para lugar nenhum.
Percebi-a imediatamente e, apesar da minha ideia ter vindo do nada, acabou por encontrar o seu próprio contexto.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Cara de...

Comprei esta pequena estatueta em bronze numa viagem de trabalho aos EUA, numa loja de antiguidades de New Jersey.
Por ser uma peça completamente fora do restante conteúdo daquela loja, julgo que eles não sabiam o que isto era... e é, mas agora na minha colecção.



Um sábado qualquer... - «Preocupações do Adão»



Um sábado qualquer...

10 maio 2013

Reigning Sound - «She's Bored With You»

Prostituição - a minha história (XII)

Verão de 1997... (...) Sentada à minha frente, pintava-me os lábios de um vermelho obsceno, olhava-me, satisfeita, mostrou-me o espelho para que contemplasse a maravilha: todo o esplendor da vulgaridade, um néon luminoso num cartaz pálido, o sorriso de uma palhacinha de rua e eu sorri, sorri, sorri bastante para experimentar aquela boca que, certamente, não era minha. Olhei o meu cigarro manchado daquela cor e tive vontade de fazer imensas caretas ao espelho. "Assim, vais fazer mais homens!", exclamava ela, eu tentava fazer um ar satisfeito mas o espelho devolvia-me um ar aparvalhado que, felizmente, em mim, poderiam interpretar como satisfação. Não via qualquer necessidade de "fazer mais homens", já tinha entre dois a seis atendimentos diários mas, se o diziam e de forma tão convicta, é porque devia ser verdade. Um cliente ligava a reclamar que eu não tinha aparecido para almoçar com ele, tal como tinha combinado. Aquilo não me fez qualquer sentido, de facto tinha-me convidado para almoçar, combinou hora e local mas aquele senhor de idade, uma espécie de pelicano gordo que se arrastava em vez de andar, com uma bengala na mão, que resmungava em vez de falar, não me parecia pertencer à realidade, à dimensão em que eu fazia coisas banais como almoçar acompanhada num restaurante e, quando me convidou e me explicou os detalhes da hora e local, eu devo ter abanado a cabeça para cima e para baixo, como se ele estivesse a imaginar mais um episódio daquele filme em que eu tinha de o vestir e despir e ampará-lo ao sentar-se e levantar-se porque ele já não conseguia fazer nada sozinho, não me ocorreu contrariar-lhe uma fantasia inofensiva que o estava a deixar contente, era evidente que aquilo não podia ser a sério, então como seria o absurdo de me juntar àquele personagem num sitio real do Mundo e comer? O que conversaríamos? Teria de lhe dar o comer à boca? Mas o homem telefonava a reclamar, afinal era uma pessoa real que até tinha estado num sítio do Mundo real à minha espera, afinal existia mesmo e exigia ver o meu Bilhete de Identidade porque, obviamente, se eu não tinha atendido o tão simpático convite dele era porque devia ser menor!!! Nesse dia, percebi também que ninguém naquela casa tinha dúvidas quanto à minha idade, toda a gente achava que eu era menor, a estupefacção quando mostrei a minha identificação à recepcionista e ela confirmou que eu já tinha os dezoito foi geral. E assim se passou mais um surreal dia, entre retoques de maquilhagem e sugestões de como dispensar convites para almoços e afins sem parecer não ter vontade de aceitar. (Continua)

Postalinho para masoquistas com reminiscências hippies

"Olá, São Rosas!
Não sei se estarás interessada em divulgar um dildo que estou a produzir num canteiro em minha casa, destinado a um nicho muito específico de mercado, penso eu: Masoquistas com reminiscências hippies…
Dá-lhe a divulgação que considerares mais (in) conveniente…
Citando-te (sem conotações taugomaticas):
A bagaço"
Eduagdo Magtins


Foi corno