17 agosto 2013
16 agosto 2013
Postalinho da Ilha dos Caralhos
"Maravilhas da Natureza: Pneumatóforos.
São de um local na Quinta de Fôja, Santana, Figueira da Foz! Um dia se passares por aqui e queiras conhecer posso mostrar-te!
Por aqui conhecemos o local por Ilha dos Caralhos!
Abraço"
Mário Rui Cação
São de um local na Quinta de Fôja, Santana, Figueira da Foz! Um dia se passares por aqui e queiras conhecer posso mostrar-te!
Por aqui conhecemos o local por Ilha dos Caralhos!
Abraço"
Mário Rui Cação
15 agosto 2013
Angélica Liddell - «Love Exposure: Yoko's Corinthians 13 Speech. Beethoven - Symphony No 7»
Teatro Taborda, Lisboa
35º CITEMOR - Festival de Montemor-o-Velho
Julho de 2013
Vídeo de Hugo Barbosa e Pamela Gallo
Criação: Angélica Liddell
Interpretação: Angélica Liddell, Gumersindo Puche e Lola Jiménez
Produção executiva: Gumersindo Puche
Assistente de produção: Mamen Adeva
Iluminação: Octavio Gomez
Tradução: Maria José Vitorino
Apoios: A Escola da Noite, Escola Superior de Dança, Festival Temps d'Images, Teatro da Garagem.
ESPECTÁCULO I "LOVE EXPOSURE: YOKO'S CORINTHIANS 13 SPEECH. BEETHOVEN - SYMPHONY NO 7 " I ANGÉLICA LIDDELL from CITEMOR on Vimeo.
35º CITEMOR - Festival de Montemor-o-Velho
Julho de 2013
Vídeo de Hugo Barbosa e Pamela Gallo
Criação: Angélica Liddell
Interpretação: Angélica Liddell, Gumersindo Puche e Lola Jiménez
Produção executiva: Gumersindo Puche
Assistente de produção: Mamen Adeva
Iluminação: Octavio Gomez
Tradução: Maria José Vitorino
Apoios: A Escola da Noite, Escola Superior de Dança, Festival Temps d'Images, Teatro da Garagem.
ESPECTÁCULO I "LOVE EXPOSURE: YOKO'S CORINTHIANS 13 SPEECH. BEETHOVEN - SYMPHONY NO 7 " I ANGÉLICA LIDDELL from CITEMOR on Vimeo.
Postalinho alentejano
"Às portas de Alvito (de quem chega de Évora), junto à estrada.
(Por momentos, perde-se a concentração na condução...)"
Marco António
(Por momentos, perde-se a concentração na condução...)"
Marco António
14 agosto 2013
«A cara-metade» - João
"Que coisa é essa da cara-metade, minha gente? Deixai-vos disso, que as caras não se querem metades. Não se querem pessoas incompletas, que apenas estão inteiras quando estão juntas a alguém. Eu não quero que sejas a minha cara-metade, nem tão pouco quero eu ser a tua, por muito que saibamos ser cada um a parte que o outro quer. Ser-se cara-metade de alguém é ser-se imcompleto. E o que queremos, bem vistas as coisas, não é isso. Queremos ser um, e que o outro seja também um, e que um e outro sejam, juntos, mais que dois, criando uma união cuja cumplicidade se torna maior que a soma das parcelas.
Só está bem quem está inteiro. Uma relação não se faz de fracções. As fracções criam clastos, dão origem a relações com fissuras que abrem ou deslizam com o tempo, e nada se aguenta quando está fissurado porque as pessoas não estão inteiras. As relações fazem-se de gente inteira. Gente que é una, que está ciente de si, de quem é, capaz de sobreviver por si própria. A magia é ser capaz de sobreviver inteiro e sozinho, e querer fazê-lo com outra pessoa que também é capaz do mesmo. Não há dependência nem anulação. Um e um. Mais que dois. O amor é coisa para isso e eu não quero que sejas a minha cara-metade. Quero-te inteira."
João
Geografia das Curvas
Só está bem quem está inteiro. Uma relação não se faz de fracções. As fracções criam clastos, dão origem a relações com fissuras que abrem ou deslizam com o tempo, e nada se aguenta quando está fissurado porque as pessoas não estão inteiras. As relações fazem-se de gente inteira. Gente que é una, que está ciente de si, de quem é, capaz de sobreviver por si própria. A magia é ser capaz de sobreviver inteiro e sozinho, e querer fazê-lo com outra pessoa que também é capaz do mesmo. Não há dependência nem anulação. Um e um. Mais que dois. O amor é coisa para isso e eu não quero que sejas a minha cara-metade. Quero-te inteira."
João
Geografia das Curvas
«conversa 2009» - bagaço amarelo

Eu - Fez-se a ti, como?
Ela - Perguntou-me se eu estava bem, depois começou a dizer que eu parecia muito bem e que sempre me achou muito bonita. Já na porta do prédio, disse-me que a relação dele com a mulher não está muito bem...
Eu - Sim, é conversa de engate.
Ela - Pois, mas ele é casado e com filhos. Pior ainda, eu conheço a mulher dele.
Eu - Também só o aturas se quiseres...
Ela - Sim, isso é verdade. Agora há duas hipóteses.
Eu - Que hipóteses?
Ela - Ou corto definitivamente com o gajo e deixo de lhe dar confiança, ou então vou uma vez para a cama com ele, na casa dele, e esqueço-me das minhas cuecas bem lá no fundo dos lençóis...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
13 agosto 2013
Tax free
Realmente, se excluirmos a complicação das emoções que lhe estão associadas, o sexo é uma forma muito simples de passar tempo de qualidade.
«Foi a primavera que te trouxe» - Susana Duarte
Foi a primavera que te trouxe,
como a todas as coisas raras.
Foi a primavera que te trouxe.
Vieste com as camélias refulgentes da cor rubra
dos meus olhos quando, por entre os cílios,
antevi os dedos dos teus dedos, a salvação
escrita no peito, e a eternidade do brilho
das águas.
Foi a primavera que te trouxe,
como a todas as coisas raras.
Sobre as ondulações do peito,
escrevi todos os lexemas
que, na foz da palavra,
se ditaram
na alma.
E tu, que vieste com a primavera,
escreveste em mim todos os significados
das noites
e dos dias.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
como a todas as coisas raras.
Foi a primavera que te trouxe.
Vieste com as camélias refulgentes da cor rubra
dos meus olhos quando, por entre os cílios,
antevi os dedos dos teus dedos, a salvação
escrita no peito, e a eternidade do brilho
das águas.
Foi a primavera que te trouxe,
como a todas as coisas raras.
Sobre as ondulações do peito,
escrevi todos os lexemas
que, na foz da palavra,
se ditaram
na alma.
E tu, que vieste com a primavera,
escreveste em mim todos os significados
das noites
e dos dias.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
12 agosto 2013
no dia da morte de Urbano Tavares Rodrigues...
... os poderes estabelecidos, uma vez mais, pouco mais fizeram que silenciá-lo. E, no entanto, aí está um exemplo acabado de um escritor inconformista a quem devemos tanto da coragem das palavras e das ideias que elas nos dão como alimento.
Singela homenagem esta, a minha, mas aqui a deixo, recorrendo a um belíssimo texto de sua autoria que tem tanto a ver com tudo quanto por aqui se vai passando:
O Fim do Amor Trágico e Romântico?
Vivemos, de facto, numa época em que a noção de amor trágico e romântico, que herdámos do século dezanove, se tornou inactual, embora continue ainda a ser vivida por muitos - e até com o carácter de construção moral e estética - essa relação extremamente apaixonada, exigente e exclusiva. A reclamação da liberdade erótica não me parece que de algum modo tenda a degradar a vida, conquanto possa dessublimizá-la e do mesmo passo desmistificá-la, precisamente no propósito de a tornar mais lúcida e mais generosa. Afigura-se-me que na contestação de todas as prepotências firmadas em preconceitos, em princípios estabelecidos apriorísticamente, há sempre um nexo muito íntimo entre a reinvindicação da liberdade erótica, da liberdade no trabalho e da liberdade política. E, naturalmente, quando se dá uma explosão desta espécie, é como uma pedra que rola e que vai agregando uma série de materiais e descobrindo a sua própria composição até às zonas mais profundas da sua estrutura.
- Urbano Tavares Rodrigues, in "Ensaios de Escreviver".
A falta imensa que sempre nos fazem os espíritos lúcidos e esclarecidos...
«respostas a perguntas inexistentes (251)» - bagaço amarelo

Saiu da cama há apenas alguns minutos, depois de ter estado algumas horas naquele limbo delicioso que é vaguear entre o sono e a luz, espreguiçando-se espaçadamente como se fosse um gato sem preocupações. Por falar em gatos, o Kiko também só agora deu sinais de vida, miando desesperadamente ao pé da taça de comida vazia.
Ontem tiveram uma longa conversa os dois, Dora e o gato, que é o mesmo que dizer que ela passou toda a noite a falar consigo mesma, enquanto o felino ronronava fingindo compreensão. É motivo mais do que suficiente para ter inveja do Kiko, esta forma de viver cuja maior preocupação é o abastecimento da sua taça de comida. Quem lhe dera a ela conseguir preocupar-se apenas com o que se encontra dentro do seu frigorífico e da despensa. Não consegue, e por isso é que às vezes passa as noites em claro.
As conversas que tem com ela mesma são normalmente aquelas que não teve com quem era suposto. Nem quando era suposto. Ontem, por exemplo, teve um jantar silencioso com o marido. Nem sequer saber do que lhe queria falar, nem sequer sabe o que lhe queria ouvir. Sabe, no entanto, e com toda a certeza do mundo, que queria que as palavras de ambos se beijassem no ar. Não beijam.
É a hora do almoço e Dora não tem fome. Encosta-se à janela, de onde pode ver todo aquele formigueiro excitado que é Lisboa quando almoça. Pergunta-se quantas pessoas daquelas terão conversado com o seu Amor no jantar de ontem à noite. Não sabe a resposta. O gato também não.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «Binho» de Álvaro Santos
Acordei
e alebantei-me.
Coxei-me.
Procurei
as chabes…
Encontrei.
Meti-as
à porta.
Em caja
entrei.
Na cojinha
o bagaxo
Busquei.
Olhei à bolta,
não encontrei.
Oubi a garrafa
Tombar
no roupeiro.
AH!
Ao quarto
rumei.
E cuidadojamente
entrei.
Não hoube
berreiro.
Estranhei…
A Maria
Taba
no xubeiro.
Ah, prontos,
lá xeguei.
Reparei
num pó axim branco no ar…
Huumm…
Neboeiro?
Abri
O roupeiro
Uma mão
paxa-me o bagaxo.
Era o padeiro.
Xaí de caja,
pelas escadas
rebolei.
Boltei
para a rua.
Jiguejaguei.
À porta da padaria
numa cuscubilheira
esbarrei.
Bai
Bar
Da
Mer
Da!
Recomendei.
A padaria
contornei.
Às boltas,
às trajeiras
lá xeguei.
À janela
de xima
um calhau
atirei.
No bidro
nem xei como
lá axertei.
A padeira
à janela
bei.
Abriu
as portadas
e me biu.
No peitoril
entre os bajos
Poujou
Xenxual
o xeu xeio.
E xorriu.
Tens o bagaxo?
Perguntou ela.
Tenho xim.
Respondi.
Atão xobe,
porra!
Dixe ela.
E xubi.
Álvaro Santos
Poeta e cartunista.
(Poema concorrente a um concurso de poesia organizado pelo blogue Porosidade Etérea)
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
e alebantei-me.
Coxei-me.
Procurei
as chabes…
Encontrei.
Meti-as
à porta.
Em caja
entrei.
Na cojinha
o bagaxo
Busquei.
Olhei à bolta,
não encontrei.
Oubi a garrafa
Tombar
no roupeiro.
AH!
Ao quarto
rumei.
E cuidadojamente
entrei.
Não hoube
berreiro.
Estranhei…
A Maria
Taba
no xubeiro.
Ah, prontos,
lá xeguei.
Reparei
num pó axim branco no ar…
Huumm…
Neboeiro?
Abri
O roupeiro
Uma mão
paxa-me o bagaxo.
Era o padeiro.
Xaí de caja,
pelas escadas
rebolei.
Boltei
para a rua.
Jiguejaguei.
À porta da padaria
numa cuscubilheira
esbarrei.
Bai
Bar
Da
Mer
Da!
Recomendei.
A padaria
contornei.
Às boltas,
às trajeiras
lá xeguei.
À janela
de xima
um calhau
atirei.
No bidro
nem xei como
lá axertei.
A padeira
à janela
bei.
Abriu
as portadas
e me biu.
No peitoril
entre os bajos
Poujou
Xenxual
o xeu xeio.
E xorriu.
Tens o bagaxo?
Perguntou ela.
Tenho xim.
Respondi.
Atão xobe,
porra!
Dixe ela.
E xubi.
Álvaro Santos
Poeta e cartunista.
(Poema concorrente a um concurso de poesia organizado pelo blogue Porosidade Etérea)
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
11 agosto 2013
Escola de Verão
Cativava-me aquele olhar e pele ameríndia. Quando o apito da fábrica dava o meio-dia para todas as aldeias em redor eu já estava a empurrar o portãozito da escola primária para me refugiar sob o alpendre. Ouvia o zunido da zundapp a aproximar-se e a parar a uns metros seguros da escola.
Ele chegava em silêncio e num beijo mergulhava em mim como se nessas pálpebras cerradas apagasse a imagem do pai nas festas das vilas vizinhas, no meio do intenso cheiro a chanfana, a distribuir cervejas pelos rapazes que aceitassem a troca de ele os transformar em gargalo de Super Bock.
Eu esgrimia aquela língua na utopia de absorver aqueles músculos construídos a baldes de cimento, no calor daquele verão onde a toda a hora despontavam os fogos aqui e além. Ele encostava-me literalmente à parede e escorria por mim até a sua cabeça se enfronhar debaixo da minha saia de flores até que os meus dedos puxassem os seus cabelos para trazer de volta a sua boca molhada à minha. Desapertava-lhe as calças reforçadas a pingos de tinta e ajoelhava-me para fazer levedar a massa na minha saliva. E como sempre, era nessa altura que me pegava ao colo até à velha mesa de lanches daquele alpendre e fazia dela a cama onde se estendia sobre mim, mimando o missionário. Sem palavras, rolava-me para cima dele e fazia-me rodar até os dedos dos meus pés tocarem as pontinhas dos seus cabelos escorridos, segurando-me as nádegas tal qual como a tigela onde bebia a sopa de manhã enquanto eu debicava o croissant empinadinho até atingir o creme de doce de ovos.
Está a ouvir Senhor Doutor?... Desculpe mas eu falava do último verão em que o toquei em carne e osso, em que nos beijámos com as bocas encharcadas, já que ele resolveu trocar a plantação do quintal que até a mãe achava que era linda pelos pózinhos que lhe deram a overdose logo no inverno. E quando soube apenas desejei que ele tivesse tido a sorte de antes experimentar uma queca completa.
Taste it
Só quem não sabe apreciar uma aguardente velha a bebe por um copo e não por um balão. No sexo há formas parecidas de topar os labregos.
10 agosto 2013
Um boomerang que parece... um dildo duplo!
Numa loja de artigos do Médio Oriente, na Nazaré, encontrei este boomerang em madeira pintada à mão, que passou a fazer parte da minha colecção, na secção «objectos que supostamente não seriam eróticos»:
09 agosto 2013
Postalinho da cama com acento, em Beja
Podia ser rua da cama mas, apesar de esbatido, está lá o acento.
É na minha cidade, pois claro."
Madalena
É na minha cidade, pois claro."
Madalena
08 agosto 2013
Conversa do caralho
"A loura disse-te o quê? Que tens uma pila bonita? E depois nunca mais ligou? Deixa lá, a esta hora anda na Nike à procura de uns sapatos de pénis para te oferecer..."
«Notícias da Princesa Margarida» - poema de autor anónimo (anos 60)
A minha amiga Teresa Bizarro já me tinha oferecido cinco preciosos bilhetes postais com desenhos e quadras do José Vilhena.
Agora enviou-me esta prendinha:
"Há tempos prometi procurar umas velhas notícias da princesa Margarida, muito interessantes, para a tua colecção.
Não me esqueci, só que as malvadas tinham de aparecer quando eu não as procurasse, o que aconteceu hoje, ao arrumar livros que ainda estavam em caixas!
Como verás, são quadras que eu acho muito típicas dos anos sessenta, muito ingénuas até no uso do calão...
Beijos e queijos, boas férias!"
Teresa B.
Agora enviou-me esta prendinha:
"Há tempos prometi procurar umas velhas notícias da princesa Margarida, muito interessantes, para a tua colecção.
Não me esqueci, só que as malvadas tinham de aparecer quando eu não as procurasse, o que aconteceu hoje, ao arrumar livros que ainda estavam em caixas!
Como verás, são quadras que eu acho muito típicas dos anos sessenta, muito ingénuas até no uso do calão...
Beijos e queijos, boas férias!"
Teresa B.
Casou a filha do Rei
Jorge VI de Inglaterra.
Houve as punhetas da lei,
Salvas com armas de guerra.
Esquadrilhas de aviões
Voaram livres de orvalho
Cortejando os batalhões
De continência ao caralho.
Estavam bandeiras içadas,
Mostrando poder e luta
De todas as forças armadas
Daqueles filhos da puta.
Soaram no ar as trombetas,
Mostrando valor e poder:
Terminaram as punhetas,
Toca à ordem de foder.
Juntam-se os homens da Corte
Erguem as armas e então
Chega o Príncipe da corte
Com o caralho na mão.
Então as damas de honor
Romperam numa risota
Mas tiveram de depor
Um beijinho na pichota.
E a bela e jovem princesa,
Perfumada de tabu,
Punha creme de beleza
à volta do olho do cu.
Quase tudo preparado,
Grita a princesa, zangada:
"Tenho um pintelho encravado,
Tenho a cona avariada"
Reúne-se logo o Conselho,
Engenheiros, uma fona,
P'ra descobrir o pintelho
Mais retorcido da cona.
Agradece a Princesa
"Jamais serás um sacana;
P'lo teu gesto de nobreza,
Podes foder-m'à canzana!"
O príncipe entrou na liça
E marcou a pontaria
Mas ao meter foi fodido
Porque a princesa dizia:
"Erraste o alvo ladru,
Meteste a piça ao calhar.
Acertaste-me no cu,
Vou-te mandar fuzilar!"
"Perdoai, Senhora minha,
Tão grande ofensa real
Mas bem sabeis que não tenho
Razões p'ra Vos querer mal..."
"Estais desculpado, senhor.
Tirai do cu o cacete.
Decerto sabeis melhor
Como fazer um minete?!"
"Ora essa, Majestade,
Às Vossas ordens, Alteza."
E com grande à vontade
Lambeu a cona à princesa.
Deste minete real
Caiu esporra nas lonas
Do valente oficial
Promovido a lambe-conas.
"Já vos podeis levantar,
Molhai as goelas ardentes;
Mas tereis de vos lavar,
Tendes esporra dos dentes."
Chegou a fona final,
Veio toda a criadagem
Com bidé de ouro e cristal
Para fazer a lavagem.
Então o arauto do reino,
Numa ânsia desmedida
Grita ao povo: "Viva! Viva!
A princesa foi fodida!
E para dar à Nação
Um filho, um herdeiro,
Vamos lá foder então,
Mas cuidado c'o cagueiro..."
07 agosto 2013
«Pessoas que não passam» - João
"As palavras são uma fonte de coisas mal entendidas. E, no entanto, fazem-nos falta. Se não disseres que me amas, mas me segurares o rosto entre as tuas mãos quando me beijas, procurares o meu abraço ou dormires com a perna sobre mim como que para me segurar, parecerá que apenas me tens carinho, por muito colorido ou intenso que esse carinho seja. As palavras, as ditas e as escritas, são fontes de sarilhos, podem interpretar-se de múltiplas formas, mas fazem-nos falta. Faz-nos falta o amor, a paixão, o ser de alguém. As coisas que se dizem no escuro, ou mesmo às claras sob o sol, como querer estar, dizer que se está bem, que se tem vontade.
Mas que palavras poderiam descrever o que sentimos quando as nossas mãos se tocaram pela primeira vez, no escuro? Quando os corações bateram forte naquele abraço ao relento e ao frio? Que palavras podem usar-se quando os olhares se cruzam? E, por fim, que palavras podem segurar as lágrimas que escorrem dos teus olhos? Poupa o nosso tempo. É escasso. Estilhaça-me as vestes, rasga-mas do corpo enquanto te tento agarrar. Depois devolvo-te o carinho e arranco-te o tecido que te cobre, enrolo as meias das tuas coxas até cairem pelos pés, desaperto-te o soutien apenas com dois dedos, e puxo-te pelo pescoço para mim, para te colares, bem vês, assim ao menos não falamos. Não com a boca. Só com as mãos.
Há pessoas que não precisam de uma razão. De um motivo. Já têm duas razões fortes. Por tudo. E por nada. Há pessoas assim, que não passam, que entendem os nossos silêncios, que descodificam os nossos olhares, que sabem o que vamos pensar ainda antes de o pensarmos. Há pessoas com quem as palavras fazem pouca falta. E, ainda assim, há que as usar aqui e ali. Para que não pareça que é só carinho, ou que é coincidência, ou que o acaso pregou ali uma partida, ou duas. Se não me disseres que me amas, pensarei que é só um gosto muito grande em me ver. Se não disseres que queres foder-me, pensarei que é apenas um acidente, que tropeçaste sobre mim. Se não disseres o meu nome, pensarei que é o meu discurso, e não o meu ser. Há pessoas que não passam. Nunca. Com ou sem palavras."
João
Geografia das Curvas
Mas que palavras poderiam descrever o que sentimos quando as nossas mãos se tocaram pela primeira vez, no escuro? Quando os corações bateram forte naquele abraço ao relento e ao frio? Que palavras podem usar-se quando os olhares se cruzam? E, por fim, que palavras podem segurar as lágrimas que escorrem dos teus olhos? Poupa o nosso tempo. É escasso. Estilhaça-me as vestes, rasga-mas do corpo enquanto te tento agarrar. Depois devolvo-te o carinho e arranco-te o tecido que te cobre, enrolo as meias das tuas coxas até cairem pelos pés, desaperto-te o soutien apenas com dois dedos, e puxo-te pelo pescoço para mim, para te colares, bem vês, assim ao menos não falamos. Não com a boca. Só com as mãos.
Há pessoas que não precisam de uma razão. De um motivo. Já têm duas razões fortes. Por tudo. E por nada. Há pessoas assim, que não passam, que entendem os nossos silêncios, que descodificam os nossos olhares, que sabem o que vamos pensar ainda antes de o pensarmos. Há pessoas com quem as palavras fazem pouca falta. E, ainda assim, há que as usar aqui e ali. Para que não pareça que é só carinho, ou que é coincidência, ou que o acaso pregou ali uma partida, ou duas. Se não me disseres que me amas, pensarei que é só um gosto muito grande em me ver. Se não disseres que queres foder-me, pensarei que é apenas um acidente, que tropeçaste sobre mim. Se não disseres o meu nome, pensarei que é o meu discurso, e não o meu ser. Há pessoas que não passam. Nunca. Com ou sem palavras."
João
Geografia das Curvas
Postalinho da Rua dos Budas
"Passei na Rua Budas e havia esculturas além de pinturas rupestres.
Esta Rua é na Aldeia de Gondramaz / Miranda do Corvo / Lousã.
Abraço"
Luis Garção Nunes
Esta Rua é na Aldeia de Gondramaz / Miranda do Corvo / Lousã.
Abraço"
Luis Garção Nunes
«conversa 2007» - bagaço amarelo

Ela - Estou outra vez solteira.
Eu - A sério?!
Ela - Sim. Eu e o Daniel acabámos ontem.
Eu - Então?
Ela - Então... eu sou muita mulher para ele. Ele não aguentava comigo...
Eu - Não acho que sejas mais pesada do que ele...
Ela - Bem, vou embora.
Eu - Já?!
Ela - Sim. Estar a falar contigo ou com uma parede é a mesma coisa.
Eu - Lá estás tu.
Ela - Percebes que eu não estava a falar do meu peso, nem do peso do Daniel?!
Eu - Estavas a falar de quê?
Ela - Estava a falar da maneira de ser. Ele não aguentava com a minha maneira de ser.
Eu - Pronto, desculpa. De qualquer maneira vai dar ao mesmo.
Ela - Ao mesmo?!
Eu - Sim. Também não acho que sejas mais chata do que ele.
Ela - Às vezes pergunto-me porque é que continuo a ser tua amiga...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
«Gustav Klit» - uma versão d'o Amigo de Alex para «o beijo», de Gustav Klimt
Montagem d'O Amigo de Alex
" É um 2 em 1. Juntei o rapaz d'O Beijo com a senhora do Retrato de Adele Bloch-Bauer e fiz um up-grade à obra do Klimt"
06 agosto 2013
Mora aqui
Foto: Epentesis
É aqui que tudo começa. Aqui te peço que mores. Mora aqui. Bem aqui no meu pescoço. Percorre-o. Arrepia-me e repousa. Afunda-te bem aqui. Enrola com firmeza os meus cabelos nas tuas mãos e mergulha no meu pescoço fazendo-me submergir num mar vasto de sensações que nunca antes conheci. Aqui, neste pequeno espaço de pele habita um baú de sensibilidades que me elevam e afastam da realidade concentrando-me apenas no prazer. Gosto deste pequeno lugar. Tem charme na sua curvatura e esconde um íntimo nevrálgico. É fascinante e seduz-me e seguro-o nas minhas mãos quando beijo e abraço.
Mora aqui.
«Escrita» - Susana Duarte
e detenho as cores nos olhos de mar
derreto águas sobre o papel dos sonhos
e reajo ante a sonora invasão dos rios agitados
onde a alma se revê, renasce, escreve, habita, é.
derreto as névoas intemporais do sonho
e habito-te, na serena calada da noite,
véspera de todas as manhãs, amplitude
de todas as cores que ainda serás no peito.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Pintura de Margarida Cepêda
Lucia Casati - «Nudo erotico»
Óleo sobre tela - 2000? - 90x61cm
Como adoro a língua dos italianos (e das italianas), deixo aqui o texto explicativo original desta belíssima pintura da minha colecção:
"Lucia Casati (Emilia Romagna, 1939 – Firenza, 2004) è stata una pittrice italiana. Di origine romagnola, si iscrisse inizialmente all' Accademia delle Belle Arti di Bologna. Ottenuta una borsa di studio, si trasferì a Parigi e poi Firenze dove eserciterà la sua attività artistica fino alla morte. Nel 1967 è presente all´Esposizione Universale di Parigi. L’anno seguente viene organizzata a Venezia una sua mostra retrospettiva che si ripete nel 1970. Con questi quadri luminosi partecipa alle mostre nazionali e internazionali dove riscuote un grande successo di pubblico. I quadri in esami, possono essere considerati le finestre sulla realtà, una realtà lontana nel tempo, che l’artista comprende umanamente, la vive, la subisce, perché i suoi sentimenti vanno oltre il muro della semplice analisi del tela.
Le suoi passioni, le miserie, le speranze, egli non si ferma ad osservarle, ma le vive dal di dentro. Nella capitale francese si interessò alla pittura post-impressionista; successivamente rientrò in Italia e si stabilì a Firenze, dedicando la propria opera alla raffigurazione dei paesaggi, ritratti. Le sue opere sono conservate in importanti musei e gallerie (Antichita´ Veneziana) in Italia e all´estero."
Como adoro a língua dos italianos (e das italianas), deixo aqui o texto explicativo original desta belíssima pintura da minha colecção:
"Lucia Casati (Emilia Romagna, 1939 – Firenza, 2004) è stata una pittrice italiana. Di origine romagnola, si iscrisse inizialmente all' Accademia delle Belle Arti di Bologna. Ottenuta una borsa di studio, si trasferì a Parigi e poi Firenze dove eserciterà la sua attività artistica fino alla morte. Nel 1967 è presente all´Esposizione Universale di Parigi. L’anno seguente viene organizzata a Venezia una sua mostra retrospettiva che si ripete nel 1970. Con questi quadri luminosi partecipa alle mostre nazionali e internazionali dove riscuote un grande successo di pubblico. I quadri in esami, possono essere considerati le finestre sulla realtà, una realtà lontana nel tempo, che l’artista comprende umanamente, la vive, la subisce, perché i suoi sentimenti vanno oltre il muro della semplice analisi del tela.
Le suoi passioni, le miserie, le speranze, egli non si ferma ad osservarle, ma le vive dal di dentro. Nella capitale francese si interessò alla pittura post-impressionista; successivamente rientrò in Italia e si stabilì a Firenze, dedicando la propria opera alla raffigurazione dei paesaggi, ritratti. Le sue opere sono conservate in importanti musei e gallerie (Antichita´ Veneziana) in Italia e all´estero."
05 agosto 2013
«pensamentos catatónicos (293)» - bagaço amarelo

Fui até lá de bicicleta e, para ser sincero, nem sequer sei bem onde estou. Não sou dali, daquele subúrbio de Aveiro onde nunca estive antes, e o bêbedo sabe-o. Eles conhecem-se bem, tão bem que um copo cheio de vinho tinto aparece subitamente em cima do balcão.
Estou a escrever na minha imitação de moleskine, mas ainda nem sei bem sobre o que estou a escrever. Tenho algumas frases que talvez venham a dar alguma coisa. Ou talvez não, penso.
- A poesia é sempre erótica! - diz o bêbedo.
Eu rio-me. Desconfortável por ele estar a olhar para mim, mas rio-me.
- Quando escrevemos poesia fazemos Amor com as palavras! - insiste ele.
Continuo a rir, embora tente engolir o riso.
- Eu sou bêbedo porque nunca fui bom a fazer Amor com as palavras! - conclui.
O homem serve-lhe outro copo, que ele bebe duma só vez. Dá-me uma pancadinha nas costas e vai-se embora. Eu rio-me, mas fico a pensar no que ele disse. Também peço um copo de vinho.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Luís Gaspar lê «Adeus» de Eugénio de Andrade
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor…,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas .
Adeus.
Eugénio de Andrade
pseudónimo de José Fontinhas (Póvoa de Atalaia, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005). Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor…,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
Não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas .
Adeus.
Eugénio de Andrade
pseudónimo de José Fontinhas (Póvoa de Atalaia, 19 de Janeiro de 1923 — Porto, 13 de Junho de 2005). Apesar do seu enorme prestígio nacional e internacional, Eugénio de Andrade sempre viveu distanciado da chamada vida social, literária ou mundana, tendo o próprio justificado as suas raras aparições públicas com «essa debilidade do coração que é a amizade».
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
04 agosto 2013
"Aposto em como te consigo beijar sem te tocar com os lábios"
Cena do filme Fora de Rumo («Derailed»), de 2005, com Charles Schine (Clive Owen) e Lucinda Harris (Jennifer Aniston).
Baile de verão

Chegou o verão e com ele os bailes um pouco por todo o país real abrilhantados por artistas do panorama nacional. É neste contexto incontornável o nome de José Malhoa com uma fantástica dinâmica de palco que encanta plateias com o optimismo dançante das suas bailarinas, em Portugal e um pouco por todo o mundo.
Refira-se também o cuidado posto na sua imagem para imediata identificação do público nacional com o uso do risco ao meio à Paulo Bento e as camisas que lembram as vivendas arquitectadas com a junção de azulejos de várias nações tão populares no nosso país.
Refira-se também o cuidado posto na sua imagem para imediata identificação do público nacional com o uso do risco ao meio à Paulo Bento e as camisas que lembram as vivendas arquitectadas com a junção de azulejos de várias nações tão populares no nosso país.
José Malhoa é aliás um teórico dos bailes de verão no desenvolvimento do amor nacional fazendo na sua tese emergir o papel fundamental da igreja e do apadrinhamento das aldeias na sua génese, particularmente no seu trabalho significativamente intitulado Baile de Verão (Espacial, 2004).
Malhoa defende mesmo o casamento como corolário dos bailes de verão e uma visão optimista da sua manutenção. Ao contrário da carga erótica que geralmente se deduz a partir da expressão "ajoelhou, vai ter que rezar" o cantor consegue no tema em que a usa destacar antes o papel fulcral da igreja na difusão da alegria personificado num animado padre de óculos escuros como o galã do Martini que não pára de bailar para juntar o casal (Espacial, 2006).
Romântico por diversas naturezas, José Malhoa aventa em toda a sua obra também o papel das flores, especialmente das rosas , na resolução dos conflitos de amor, sistematizado magistralmente no verso "Por amor (...) dei-lhe duas seguidas" (Duas Rosas, Espacial, 2007)
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