09 abril 2012
«o segredo da rua» - bagaço amarelo

É verdade que o Amor começa sempre por ser um segredo só daquele que Ama. Pelo menos, quando me apaixonei por ela, só eu é que o sabia. Mais ninguém. Às vezes até me convenço que chegou mesmo a ser um segredo de ninguém, porque me apaixonei antes de eu próprio o ter percebido. Foi nessa altura que lhe comecei a chamar o segredo da rua. A ela. Mais ninguém.
Era uma rua qualquer de Aveiro onde eu a esperava todos os fins de tarde, só para a ver passar por um momento, e onde os sorrisos sedutores que eu ensaiara durante o dia inteiro me asfixiavam nesse preciso momento. Era um segredo só meu, esse Amor e essa asfixia contínua do tempo.
E a minha mãe a perguntar-me se eu estava doente e eu a responder que não, o meu amigo Paulo a perguntar-me se eu estava bem e eu a responder que sim, a minha amiga Luísa a perguntar-me se eu estava apaixonado e eu a abanar os ombros. Assim, todos os dias a mentir-me a mim mesmo através dos outros para não tocar na verdade que era um segredo só meu.
Passaram-se mais de vinte anos desde esse tempo até a poder ver de novo, por uma mera coincidência, num café do Porto, num encontro combinado às cegas através do email com uma leitora deste blogue (os que aqui costumam vir já conhecem a história). Lembro-me de a ter reconhecido com o mesmo sabor do vinho de hoje e de, por um momento, tudo isso ter sido um segredo cósmico só meu.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
08 abril 2012
Cena do filme brasileiro «De Pernas Pro Ar»
Alice, depois de sair do seu anterior emprego, passa a trabalhar numa SexShop com Marcela e muitas mudanças na sua vida começam a acontecer. Nesta cena, Alice vai assistir a um jogo de futebol do seu filho...
A pita
Ele chamava-me e eu ia logo ter com ele, trôpega e a abanar-me toda. Eu era a sua pitinha intensamente motivada para lhe ir comer à mão. Fosse qual fosse o dia ou a hora que ele aparecesse lá ia eu estender o pescoço às suas carícias de dedos e sentia-me recompensada por ele apreciar a fofura da minha pele e por entre tantas possíveis candidatas me ter escolhido a mim.
Nada como as suas mãos a avaliar-me os contornos do pescoço e as curvas do lombo com a mestria de gestos que tinha acumulado ao longo dos anos. E era uma autêntica ascensão aos céus quando com ambas as mãos me erguia à sua frente, olhos nos olhos, a fazer subir o desejo de que fosse mais qualquer coisinha na coisinha.
Um dia levou-me ao colo para outro lugar mais aconchegado, bucólico até com a palha acamada no chão e desapertou lentamente o cinto das calças como se fosse a contagem decrescente para o lançamento de um foguetão e depois, de sopetão, puxou-me contra si, virou-me de costas para ele e entrou por mim a dentro com o estretor de um tremor de terra que me abanasse todas as entranhas que até desfaleci logo ali. E hoje que descanso no paraíso dos aviários a fazer meia com a pomba do espírito santo ainda não lhe perdoei ter-me depenado toda antes de me deitar numa cama de cebolas e tinto do mais rasca no meio do seu forno de lenha para depois se deliciar a comer-me à dentada.
Nada como as suas mãos a avaliar-me os contornos do pescoço e as curvas do lombo com a mestria de gestos que tinha acumulado ao longo dos anos. E era uma autêntica ascensão aos céus quando com ambas as mãos me erguia à sua frente, olhos nos olhos, a fazer subir o desejo de que fosse mais qualquer coisinha na coisinha.
Um dia levou-me ao colo para outro lugar mais aconchegado, bucólico até com a palha acamada no chão e desapertou lentamente o cinto das calças como se fosse a contagem decrescente para o lançamento de um foguetão e depois, de sopetão, puxou-me contra si, virou-me de costas para ele e entrou por mim a dentro com o estretor de um tremor de terra que me abanasse todas as entranhas que até desfaleci logo ali. E hoje que descanso no paraíso dos aviários a fazer meia com a pomba do espírito santo ainda não lhe perdoei ter-me depenado toda antes de me deitar numa cama de cebolas e tinto do mais rasca no meio do seu forno de lenha para depois se deliciar a comer-me à dentada.
[Foto © Bernardo Coelho, 2008, Queria uma sandes de presunto por favor]
Doutor Ivan
Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)
07 abril 2012
Caixa de chocolates «Les Tétons de la reine Margot»
Esta caixa metálica de chocolates (vazia, aviso já antes que me cravem) ainda não tinha chegado de França para a minha colecção e eu já tinha feito pesquisas sobre a razão de ser da frase na caixa, que achei muito curiosa: «as mamas da rainha Margot»?!
Fiquei a saber que estes chocolates são da casa Francis Miot, de Uzos, perto da cidade de Pau (em francês, Pô) e foi-lhes atribuído o prémio Ruban Bleu no 46º Salão Intersuc de Paris, em 2001.
A caixa tem uma ilustração deliciosa na tampa...
... e um poema na parte interior da tampa:
Mas quem foi a rainha Margot e porquê esta especialidade inspirada na sua anatomia?
Marguerite de Valois (a rainha Margot), filha de Henrique II e de Catarina de Médicis, nasceu em 1553 em Saint-Germain-en-Laye e morreu em Paris em 1615. Foi rainha de França e de Navarra. Foi irmã de três reis de França: Francisco II, Carlos IX e Henrique III. A sua mãe tentou casá-la sucessivamente com D. Carlos, dilho de Filipe II de Espanha e depois com o rei de Portugal, D. Sebastião. Finalmente convenceu a filha a casar com o seu primo Henrique de Navarra, futuro Henrique IV.
Dizem aqui que a rainha Margot teve numerosos amantes e escandalizava a população com as suas festas sumptuosas. Henrique de Navarra sentir-se-ia traído pela sua esposa e ter-se-ia consolado em numerosas aventuras amorosas.
Entretanto, nesta página de conselhos de beleza para mulheres, dão uma receita inspirada na rainha Margot, que faria da sedução um activo valioso. "A rainha Margot, primeira esposa do rei Henrique IV, era muito bonita, mesmo sendo muito corpulenta. Ela dispendia imenso tempo, tanto a arranjar-se como com os seus amantes. Ela cuidava muito do seu rosto e nunca se esqueceu de cuidar dos seus grandes seios, que brotavam do seu corpete. Para a sua firmeza, ela aplicava regularmente o que ela chamou «Le soin de mes mamelles» (o cuidado das minhas mamocas):
• Derrete 2 colheres de sopa de lanolina em banho-maria;
• Mistura 2 colheres de sopa de óleo de damasco + 1 colher de chá de óleo de margarida + 1 colher de sopa de água de flor de laranjeira e, finalmente, meia colher de chá de bórax.
• Bate para misturar bem e despeja numa panela.
Todos os dias, após a tua higiene pessoal, usa este tratamento: massagea os teus seios com movimentos circulares, até que o creme tenha completamente penetrado na pele. Este creme é excelente para o tónus muscular. É ideal para áreas que tendem a amolecer como o peito, pescoço e braços".
Et voilà!
Fiquei a saber que estes chocolates são da casa Francis Miot, de Uzos, perto da cidade de Pau (em francês, Pô) e foi-lhes atribuído o prémio Ruban Bleu no 46º Salão Intersuc de Paris, em 2001.
A caixa tem uma ilustração deliciosa na tampa...
... e um poema na parte interior da tampa:
Mas quem foi a rainha Margot e porquê esta especialidade inspirada na sua anatomia?
Marguerite de Valois (a rainha Margot), filha de Henrique II e de Catarina de Médicis, nasceu em 1553 em Saint-Germain-en-Laye e morreu em Paris em 1615. Foi rainha de França e de Navarra. Foi irmã de três reis de França: Francisco II, Carlos IX e Henrique III. A sua mãe tentou casá-la sucessivamente com D. Carlos, dilho de Filipe II de Espanha e depois com o rei de Portugal, D. Sebastião. Finalmente convenceu a filha a casar com o seu primo Henrique de Navarra, futuro Henrique IV.
Dizem aqui que a rainha Margot teve numerosos amantes e escandalizava a população com as suas festas sumptuosas. Henrique de Navarra sentir-se-ia traído pela sua esposa e ter-se-ia consolado em numerosas aventuras amorosas.
Entretanto, nesta página de conselhos de beleza para mulheres, dão uma receita inspirada na rainha Margot, que faria da sedução um activo valioso. "A rainha Margot, primeira esposa do rei Henrique IV, era muito bonita, mesmo sendo muito corpulenta. Ela dispendia imenso tempo, tanto a arranjar-se como com os seus amantes. Ela cuidava muito do seu rosto e nunca se esqueceu de cuidar dos seus grandes seios, que brotavam do seu corpete. Para a sua firmeza, ela aplicava regularmente o que ela chamou «Le soin de mes mamelles» (o cuidado das minhas mamocas):
• Derrete 2 colheres de sopa de lanolina em banho-maria;
• Mistura 2 colheres de sopa de óleo de damasco + 1 colher de chá de óleo de margarida + 1 colher de sopa de água de flor de laranjeira e, finalmente, meia colher de chá de bórax.
• Bate para misturar bem e despeja numa panela.
Todos os dias, após a tua higiene pessoal, usa este tratamento: massagea os teus seios com movimentos circulares, até que o creme tenha completamente penetrado na pele. Este creme é excelente para o tónus muscular. É ideal para áreas que tendem a amolecer como o peito, pescoço e braços".
Et voilà!
06 abril 2012
«Bocavid Mourão-Ferreira» - Patife

Noite Apressada
Era uma queca apressada
depois de um dia tão lento.
Era uma pachacha encarnada
aberta nesse momento.
Era uma boca fechada
sob a mordaça de um lenço.
Era afinal quase nada,
mas o nabo era imenso!
Imensa, a meita perdida
no meio do chavascal;
imensa, a picha da vida
no seu movimento imperial;
imensa, na despedida,
a estucada final.
Era uma chona emproada
pronta a receber este portento.
Era a minha picha enfiada
pronta a dar um aviamento.
Era uma chona assaltada,
por um bacamarte sedento
Era afinal quase nada,
mas o nabo era imenso!
Imensa, a boca decidida
mais parecia uma catedral;
imensa, a voz diluída
com a pressão nabal
imensa, foi toda mordida,
numa brochada fatal!
Patife
Blog «fode, fode, patife»
«Zapping Sobre As Madrugadas Idênticas» - bagaço amarelo

Posso apaixonar-me por uma mulher e todos os dias dizer para mim mesmo que tenho sorte em tê-la encontrado. Mais sorte ainda por ela se ter apaixonado por mim da mesma forma que eu apaixonei por ela. Só que a sorte nunca chega para aguentar um Amor de pé, e é por isso que todos os dias, na mulher que eu Amo, procuro as razões desse Amor. Encontro-as em tudo: no corpo, no cheiro, no olhar, nas lágrimas, no ombro, nos pés, na voz, no sono, no sexo e até no adeus. Depois espanto-me por ver tanto daquilo que à partida me parecia invisível.
Conheci a Eugénia por sorte há uns anos, num pequeno passeio que fiz a Braga. Desde então, tenho encontrado em cada livro seu mais uma razão para a ter conhecido. O Zapping Sobre As Madrugadas Idênticas pode ser comprado nestes sítios. Por acaso ou por opção.
"Ver a verdade não é possuir a verdade. Ver a tristeza é possuir a tristeza. Só a reconhecemos porque temos espaço disponível para a sustentar e porque já fomos tristes, já fomos felizes, já fomos contentes, já fomos e sentimos. Já agimos em função desses estados e sabemos que para conseguirmos expulsá-los temos que os reconhecer."
in Zapping Sobre As Madrugadas Idênticas, Eugénia Brito, edição de autor, 2011
Prémio Literário Cidade de Almada 2010
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
05 abril 2012
«Querido Diário...» - por Rui Felício

Naqueles tempos de liceu, fazer um diário, foi moda a que grande parte dos adolescentes aderiu.
Não primavam pela imparcialidade nem pela objectividade. Eram mais um repositório anotado ao fim de cada dia, no recato do quarto, antes de dormir, que espelhava episódios vistos sob perspectivas próprias e individuais, raramente validadas inteiramente pelos factos.
Nele ficavam guardados sentimentos, desejos, sonhos, vontades próprias de jovens que tinham atingido a puberdade e começavam a descobrir a vida e as sensações próprias da idade.
Muitos desses episódios ocorriam no caminho que as alunas faziam desde o liceu feminino até ao bairro, no fim das aulas, acompanhadas em grupo pelos rapazes do liceu masculino, que desciam a ladeira do Cidral ou a dos Loios, em louca correria, a tempo de se integrarem no grupo das raparigas que, disfarçadamente, atrasavam a saída do liceu, para darem tempo a que eles aparecessem e as acompanhassem, num namoro virtual e platónico pleno de risinhos e de frases soltas que só os duplos sentidos permitiam desvendar.
Anos mais tarde, tive acesso aos diários da Rita e do Pedro:
Diário da Rita
Coimbra, 09 de Março de 1960
Estou muito feliz hoje! Amo o Pedro há muito tempo, sem que ele até agora tivesse demonstrado se também gostava de mim. Ele é muito tímido, talvez seja por isso.
Mas hoje fiquei com a certeza que ele também me ama. Ao atravessarmos a passagem de nível tropecei , cambaleei e caí para cima dele. O Pedro amparou-me, segurou-me nos braços, para eu não me estatelar na linha. Ficámos abraçados durante um bocado, olhámo-nos nos olhos, apaixonados.
Ele fez uma caricia na minha cara que me arrepiou toda e que ainda agora sinto.
Depois o resto da malta começou a gozar connosco a dizer que já eramos namorados. Corei, envergonhada, mas o Pedro foi um querido. Começou a correr atrás dos outros para me defender.
Foi o dia mais feliz da minha vida!
-------------------------------
Diário do Pedro
Coimbra, 09 de Março de 1960
Odiei este dia!
E agora a malta não se cala, na rua e no Café do Silva, sempre a chatearem-me dizendo que eu gosto da Rita. E que nós até já namoramos!
Deus me livre! Eu gosto é da Luisa, mas essa não me liga nenhuma.
Já reparei há muito tempo que a Rita gosta de mim. Tenho feito tudo para ela desistir. Mas hoje as coisas complicaram-se.
Estávamos todos a atravessar a linha do apeadeiro e ela tropeçou e caiu para cima de mim. Olhámos um para o outro durantes uns segundos mas eu desviei os olhos. Não me apetecia nada suportar o olhar arremelgado que ela me deitava.
Reparei que ela tinha colado na cara um resto da chiclete que estava a mascar antes de cair. Estendi a mão, tirei-o e deitei-o fora.
Ela deve estar a pensar que o que lhe fiz foi uma caricia, mas só foi por simples cortesia.
Como se não bastasse, a malta ria-se às gargalhadas e gritava que já havia mais um namoro no bairro. Corri atrás deles para dar um estalo no primeiro que conseguisse agarrar, para fazê-los parar com aquela cantilena que já me irritava.
Foi um dia horrível este. Talvez amanhã a Luisa me dê uma alegria.
Rui Felício
Blog Encontro de Gerações

04 abril 2012
«respostas a perguntas inexistentes (195)» - bagaço amarelo

Quantas vezes um homem pergunta a si mesmo se ainda é Amado por quem Ama? Muitas. Tantas que às vezes perde a noção e começa a perguntá-lo em voz alta.
O problema do Amor é que não vai lá com conversa. Ninguém se convence que é Amado pela via verbal, mesmo que finja que sim. O amor precisa de pele, de carne e de cheiro. Enfim, precisa do corpo. Um bom vendedor pode conseguir vender um pente a um careca, mas não consegue convencer ninguém da sua paixão. A não ser, claro, que ela exista mesmo. Esse é o problema do Amor, embora também seja a sua maior vantagem.
Todas as mulheres o sabem, os homens é que nem por isso. Um homem que pergunta muitas vezes a uma mulher se ela o Ama é por norma um homem inseguro, uma mulher que faz o mesmo a um homem é uma mulher que gosta de ouvir repetidamente aquilo que já sabe. É segura de si, portanto. Nos dias que correm só gosto do Amor que respira silêncio, que é no toque desse silêncio que sinto a sua certeza.
Outra coisa que as mulheres sabem e os homens não, é que é sempre através das palavras que o Amor decide mentir. Nunca através dos gestos. Talvez seja por isso, aliás, que é contraproducente um homem exagerar na pergunta "Ainda me Amas?". Pode parecer que se está a querer convencer a si mesmo de qualquer coisa. E as mulheres sabem-no.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
03 abril 2012
A olhar para um palácio
O ambiente já estava um nadinha tenso por causa do tema da conversa na altura em que o mais atrasado chegou. Outro dos presentes ruminava a intranquilidade própria de quem sente a testa mais pesada, ainda que em sentido figurado, e partilhava com os restantes convivas a sua dúvida metódica acerca do comportamento suspeito da sua esposa alegadamente infiel. E o rapaz parecia mesmo desorientado, nervos à flor da pele, cada vez mais próximo da verdade que todos em seu redor já haviam bebido das suas conjecturas mais uns emails comprometedores que cuidara de imprimir.
A malta acabou por ler e poucas dúvidas restavam e toda a gente se limitava a fazer que sim ou que não com a cabeça, tentando ao máximo não arriscar qualquer frase que pudesse ser mal interpretada.
Mas o recém chegado não tinha a plena consciência do que estava em causa e aligeirou.
Foi o caos aquilo que libertou quando o macho ferido no seu orgulho lhe perguntou o que achava e o outro, na boa, sorrindo lhe respondeu:
- Mano, eu dessas cenas não percebo um boi.
A malta acabou por ler e poucas dúvidas restavam e toda a gente se limitava a fazer que sim ou que não com a cabeça, tentando ao máximo não arriscar qualquer frase que pudesse ser mal interpretada.
Mas o recém chegado não tinha a plena consciência do que estava em causa e aligeirou.
Foi o caos aquilo que libertou quando o macho ferido no seu orgulho lhe perguntou o que achava e o outro, na boa, sorrindo lhe respondeu:
- Mano, eu dessas cenas não percebo um boi.
Eva portuguesa - «Dúvida»
Não sei que faça...
Está um dia lindo,o sol chama-me a pedir para me aquecer, o mar sussurra o meu nome chamando-me para nele me banhar...
Mas precisava de trabalhar...
A questão é que, se vou até à praia, cedendo aos desejos do meu corpo e da minha alma, posso perder trabalho que tanta falta me está a fazer; por outro lado, se não vou e passo o dia no apartamento fechada, "mofando" e não aparece ninguém, vou-me sentir furiosa no final do dia, deprimida e cansada de nada ter feito, amaldiçoando-me mais uma vez por ter deixado a minha vida em suspenso, em prol da da Eva...
Mas é que normalmente e ultimamente é isso que acontece: se saio, aparece trabalho, que acabo por perder; se fico, nada acontece, a não ser mais um dia de desilusão e desânimo...
Sim, eu sei, parece partida do Universo, ou então é pura coincidência... ou então é mesmo paranóia minha...
Mas a verdade é que estou na dúvida... vou ou fico?...
Se ficar, terei trabalho?...
Se for, perderei trabalho?...
Gaita!
Continuo na dúvida...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Está um dia lindo,o sol chama-me a pedir para me aquecer, o mar sussurra o meu nome chamando-me para nele me banhar...
Mas precisava de trabalhar...
A questão é que, se vou até à praia, cedendo aos desejos do meu corpo e da minha alma, posso perder trabalho que tanta falta me está a fazer; por outro lado, se não vou e passo o dia no apartamento fechada, "mofando" e não aparece ninguém, vou-me sentir furiosa no final do dia, deprimida e cansada de nada ter feito, amaldiçoando-me mais uma vez por ter deixado a minha vida em suspenso, em prol da da Eva...
Mas é que normalmente e ultimamente é isso que acontece: se saio, aparece trabalho, que acabo por perder; se fico, nada acontece, a não ser mais um dia de desilusão e desânimo...
Sim, eu sei, parece partida do Universo, ou então é pura coincidência... ou então é mesmo paranóia minha...
Mas a verdade é que estou na dúvida... vou ou fico?...
Se ficar, terei trabalho?...
Se for, perderei trabalho?...
Gaita!
Continuo na dúvida...
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Noz com a casca escavada
Não sei se já vos tinha dito que as peças da minha colecção que eu prefiro são, regra geral, as mais pequenas e discretas.
É o caso desta pequena noz num suporte em madeira, proveniente do Japão, a que foi previamente retirado o miolo e em que alguém escavou, com uma minúcia extrema, dois casais praticando algo que lhes deve saber muito bem.
É o caso desta pequena noz num suporte em madeira, proveniente do Japão, a que foi previamente retirado o miolo e em que alguém escavou, com uma minúcia extrema, dois casais praticando algo que lhes deve saber muito bem.
02 abril 2012
Fico melhor de perfil
Sempre achei discriminatória a aversão mais ou menos consensual ao nu integral na sua face masculina. Por algum motivo que me escapa as fotos de coisos agarrados connosco à mostra parecem chocar as (os?) mais sensíveis e eu, santa paciência, só vos digo que as pilas só chocam se ficarem destravadas. Ou se marrarem contra elas, o que me parece ser o caso e já justifica a reacção.
Mas sabemos bem que esta aparente indignação que vai mantendo em aberto uma forma de censura mais do que evidente não passa de (mais) um sacudir do capote a água benta da hipocrisia.
Nem se atrevam a presumir que estou aqui a fazer a apologia da multiplicação das pilas em fotografia, pois não me posso assumir uma pila fotogénica e não aprecio pilas, ponto. Aqui o que está em causa é a tendência irritante para proibir, para banir tudo quanto fuja a determinado padrão e por isso se torna de imediato numa ameaça potencial, num insulto virtual, numa enorme maçada.
Eu sou uma pila recatada, sem ilusões de vir a forrar as paredes de salões de cabeleireiro por esse mundo fora, quando o mundo cair em si e perceber que as pilas fazem parte do conjunto tanto quanto os dedos ou mesmo os seios que aqui e além se vão deixando a descoberto para vender uma mercadoria qualquer. Por isso não reclamo para mim essa liberdade de exposição ao olhar transeunte, até porque nem me acho elegante numa dinâmica badalo.
Contudo, acho que as pilas devem ter uma palavra a dizer quando a sua natureza é serem servidas ao natural, sem o condimento da opacidade a que estamos condenadas fora do circuito clandestino das imagens proibidas ou dos compartimentos fechados onde é permitida a respectiva exibição.
Eu ergo de imediato a voz da minha indignação, mesmo arriscando a que o coiso agarrado a mim não consiga interpretar o meu gesto como uma forma de luta e não como um estado de alerta. Porque é disso mesmo que se trata, de um estado de alerta perante a censura às imagens dos membros meus iguais (ou parecidos, mais pequenos na sua maioria, como é fácil de comprovar...).
Hoje cortam-nos da fotografia, amanhã sabe-se lá onde irão cortar!
«coisas que fascinam (139)» - bagaço amarelo

Dei, sem querer, um pontapé ao meu gato. Ele tem a mania de se enrolar nos meus pés mesmo quando estou com pressa. Costumo andar com muito cuidado por causa disso mas hoje, entre o armário da louça e a máquina de café, esqueci-me de o fazer por um momento e pontapeei-o. Miou de dor e fugiu para debaixo do armário, onde o fui buscar para o manter nos meu braços durante os cinco minutos que me restavam antes de sair para o emprego.
Fiquei ali com ele ao colo, a espreitar pela janela da cozinha enquanto lhe sentia o ronronar a regressar lentamente. Sei que esse ronronar é o barómetro da sua felicidade e, por isso, quando o percebi no seu melhor estado pousei-o no chão e dei-lhe uma dose de comida húmida. Um pequeno luxo para um gato triste, portanto. Comeu tudo duma vez e voltou à sua actividade normal de atravessar as minhas pernas enquanto ando.
Nunca tinha percebido esta proximidade entre espécies. A dele e a minha, quero eu dizer. Ainda há poucos dias levei um pontapé da vida daqueles que doem a sério. Quando cheguei a casa deixei-me estar nos braços da Raquel uns momentos e depois digeri um bombom de cereja e um uísque bushmills que ela me deu. Um pequeno luxo para um homem triste, portanto.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
As fantasias sexuais nunca acontecem na vida real
Ora aqui está uma questão interessante. A Manitoba Telecom Services, empresa de telecomunicações do Canadá, lançou uma campanha para promover o seu serviço Amour de aluguer online de videos porno. A campanha alerta os espectadores que "As fantasias acontecem, mas somente em Amour TV Adulto".
01 abril 2012
Minha camisa, meu bem
Como habitualmente, ao início da manhã, muita gente dormitava no comboio, com os assentos aveludados feitos beliche e um ombro amigo ou as janelas a servir de almofada, embalada na música clássica que se desprende das paredes e no ronronar da carruagem, a ganhar os minutinhos que a distância da residência ao local de trabalho retira.Comecei a abrir a mala para sacar o meu livro até um joelho bater no meu e me desviar desse louvável intento para deparar no lugar fronteiro com um apetitoso espécimen masculino, agasalhado num blusão de malha e cabedal que tapava os bolsos das calças e zonas limítrofes, fazendo o meu olhar descer até às potentes botas Thimberland. A temperatura ambiente propiciou que corresse o fecho do blusão e reparei naquele pescoço acetinado que descia para a pequena abertura da transparência da camisa, desvendando uma pele lisa de tons quentes e as minhas vistas lavadas imprimiram na tela da massa cinzenta os meus dedos leitores a palmilhar aquele tronco macio, a contornar-lhe os bordos do umbigo, a desfolharem a fivela do cinto, a desembarcarem cada botão da braguilha até à paleta de quadrados dos boxers e a dela erguer um tronco mais acastanhado que a restante pele, encimado por uma tetina arroxeada, luxuriante como o veludo dos andores da Páscoa.
Bem sei Senhor Doutor, que as t-shirt's não necessitam de ferro se estendidas bem esticadinhas e contudo, apetecia-me desenvolver uma campanha a favor da sensualidade das camisas.
I'm just a jealous guy
Ricardo - Vida e obra de mim mesmo
(crica na imagem para abrir aumentada numa nova janela)
31 março 2012
Apelo recebido por e-mail: Cão desaparecido!
"Vamos ajudar!
Geralmente não alinho nestes pedidos mas neste caso não custa cooperar.
O cachorrinho chama-se Zarolho.
Desapareceu no início do mês no Bairro Norton de Matos, em Coimbra.
Segue foto..."
Geralmente não alinho nestes pedidos mas neste caso não custa cooperar.
O cachorrinho chama-se Zarolho.
Desapareceu no início do mês no Bairro Norton de Matos, em Coimbra.
Segue foto..."

30 março 2012
«BILFa-mos!» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
«conversa 1883» - bagaço amarelo

Eu - É uma mulher que quando dorme não se enrola nos lençóis de tal maneira que eu fico ao frio. São difíceis de encontrar, mulheres boas destas...
Ela - Que coincidência, o meu marido queixa-se que eu faço isso. Será que sou má na cama?
Eu - Deves ser péssima.
Ela - Nunca ajudas nada.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
29 março 2012
Traição
Sem saber mais o que pensar, Ana encolheu-se na cama e tapou-se completamente, decidida a desaparecer para sempre. Esgotada e vazia, foi surpreendida pelo peso reconfortante dos pesados cobertores e suspirou sem querer, sentido-se subitamente repousada e em paz: um dia, um dia qualquer, se lhe arrombassem a porta de casa e entrassem à sua procura, só encontrariam um corpo morto, mirrado e seco encolhido dentro da sua cama. Quando esse dia chegasse, um dia qualquer, já não a encontrariam dentro daquele corpo traído.
Totalmente beautiful
Quem nunca?

Me fez lembrar aquela música:
Por exemplo, os cachorro,
Que come a própria mãe,
Sua irmã e suas tias.
Capinaremos.com
Me fez lembrar aquela música:
Por exemplo, os cachorro,
Que come a própria mãe,
Sua irmã e suas tias.
Capinaremos.com
28 março 2012
A Minha Primeira Vez

Sempre soube que seria apenas uma questão de tempo. Já tinha estado algumas vezes com casais, mas a oportunidade de estar a sós com uma mulher nunca se tinha verdadeiramente apresentado. Ou se calhar até já tinha, mas eu retraí-me – não havia atracção suficiente, ou predisposição, ou fosse o que fosse.
Naquela noite as coisas passaram-se de uma forma bem diferente. Eu estava com amigos, quando ela entrou pelo restaurante, puxou de uma cadeira e pôs-se a conversar com uma das minhas amigas. Não consegui tirar os olhos dela; a sua presença era impossível de ignorar – deve ter perto de 1,80m de altura, com uma pele luzidia, da cor dos grãos de café torrados. Apesar daquela altura, consegue ser feminina e tudo nela respira sensualidade: os olhos de felino, os lábios cheios e bem desenhados, as maçãs do rosto esculpidas, a testa alta com sobrancelhas definidas, o cabelo espesso e ondulado, a cair-lhe nos ombros. Pareceu-me exalar um aroma quente de madeiras exóticas. Eu estava hipnotizada.
Quando ela se levantou para se ir embora, eu não resisti e comentei em voz alta, em tom de brincadeira “Eu não gosto de mulheres, mas se gostasse, ia atrás dela!”. Eu sei; Um piropo foleiro, mas ela olhou-me por cima do ombro, sorriu um sorriso largo, revelando uns dentes magníficos e, pegando na cadeira onde estava sentada, levou-a para outra mesa com um outro grupo de pessoas, e sentou-se nela, virada para mim. Passámos as duas horas seguintes a avaliarmo-nos mutuamente.
Senti-me responsável por ter atirado os dados daquela forma. Às vezes meto-me em situações e depois não sei como sair delas, mas naquela noite, a trocar olhares e sorrisos cúmplices com aquela mulher, eu não queria sair daquela situação. Queria enterrar-me mais. O grupo com que eu estava a jantar deixou de existir, enquanto eu me imaginava a acariciar aquele corpo com seios generosos, a beijar aqueles lábios carnudos, imaginava aquele cheiro a sândalo a impregnar-se na minha pele, o meu suor a misturar-se com o dela.
Quando algumas horas mais tarde nos encontrámos a sós, no meu apartamento, tudo se passou de uma forma mais intensa do que eu tinha imaginado. Sentia-me uma menina, inexperiente, insegura, complexada…é verdade que nós, mulheres, gostamos de nos comparar com outras. O que iria ela achar do meu corpo? Será que ia gostar dos meus seios, do meu rabo, do meu cheiro?
Começou por despir-me devagar enquanto estávamos de pé no hall de entrada com as luzes acesas. Tirou-me os brincos e beijou-me as orelhas. Depois tirou-me o colar e beijou-me o pescoço, muitas vezes, sempre devagar, uns beijos quentes e generosos com um pouco de roçar de dentes. “Cheiras bem”, disse-me. Eu estava de pé, imóvel, sentia a cabeça a andar à roda, os ouvidos ainda a zumbir da música ensurdecedora do clube onde tínhamos estado. Ela parecia estar perfeitamente calma, controlada. Sabia exactamente o que estava a fazer. Beijou-me o colo até o fim do decote, sempre a inspirar profundamente para me cheirar. Encontrou o fecho lateral do vestido e levantou o meu braço para poder abri-lo mas deteve-se primeiro a beijar-me o sovaco, a parte interior do braço, tirou-me uma pulseira e beijou-me o pulso e os dedos das mãos, chupando neles levemente. Virou então a atenção para o fecho do meu vestido e abriu-o devagar, beijando a pele que ia expondo. Depois baixou-se à minha frente e pôs as mãos debaixo do meu vestido. Tirou-me as meias presas às coxas, uma de cada vez, com muito cuidado e quando a pele ficou nua e exposta, beijou-me as pernas, dedicando mais tempo à parte de trás dos joelhos. Eu sentia já o meu mel a escorrer de dentro de mim. Ambas tremíamos levemente de antecipação. Assim, agachada aos meus pés, olhou para mim e sorriu aquele sorriso magnífico e disse-me “Agora tens de me ajudar”. Foi como se me despertasse de um transe, e descalcei então os meus sapatos, as meias e tudo o resto. Despi-me completamente à sua frente enquanto ela me observava; deixei de ter medo do que ela pudesse pensar dos meus seios ou do meu rabo. Depois peguei-lhe pela mão e levei-a até ao meu quarto, onde a despi devagar, enquanto a ia beijando, tendo o cuidado de lhe prestar tanta atenção quanto ela me tinha prestado a mim. Não sabia onde estava nem para onde ia mas sabia que não havia forma de voltar atrás.
Nunca tinha feito amor daquela forma. A sua pele era firme e macia ao mesmo tempo, sem quaisquer pêlos; o corpo musculado mas extremamente feminino, com uns seios redondos de mamilos duros a apontar para cima. O sexo dela, muito diferente do meu, tinha mais carne e abria-se para mim como uma anémona e libertava um aroma a especiarias e mar, um misto de doce e salgado que me baralhava os sentidos.
O que foi feito, dito e sentido naquela noite, ficará para sempre gravado na minha memória. É demasiado íntimo e especial para o descrever em pormenor. Fizemos amor incessantemente até o sol estar já bem alto no dia seguinte. Finalmente adormecemos entrelaçadas uma na outra e eu sonhei. Sonhei com paisagens de desertos com intermináveis dunas ondulantes que se transformavam em corpos ofegantes de prazer; sonhei com praias cujas ondas rebentavam e desapareciam numa enorme fenda que parecia um sexo de mulher; sonhei com florestas de árvores de troncos escuros e polidos, como o corpo desta mulher. Quando acordei, ela já se tinha ido embora e deixara-me um recado escrito num guardanapo que dizia numa caligrafia solta: “Vou a pensar em ti”, e um número de telefone.
«conversa 1882» - bagaço amarelo

Eu - Eu?!
Ela - Sim. És homem, por isso sabes o que eles gostam mais de ver numa mulher.
Eu - Mas os homens não são todos iguais. Uns gostam mais dumas coisas, outros doutras...
Ela - Os homens não são todos iguais?!
Eu - Não, claro que não.
Ela - Oh! não. Nesse caso estou lixada.
Eu - Lixada porquê?
Ela - Não me apetece andar a investigar homem a homem.
Eu - Só tens que investigar aquele de que gostas.
Ela - Eu não gosto de nenhum.
Eu - Não gostas de nenhum?! Então queres engatar quem?
Ela - Um qualquer que não seja muito feio, só para quebrar a monotonia de viver sozinha.
Eu - Um qualquer que não seja muito feio?! Se é assim só tens é que ser bonita e consegues o que quiseres.
Ela - E sou?
Eu - És.
Ela - Lá está, acabaste por admitir o que eu queria.
Eu - O quê?
Ela - Os homens são todos iguais.
Eu - Ok... mas há uns mais iguais que outros.
Ela - Sim, sim... há mas é uns com mais testosterona, outros com menos...
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
27 março 2012
A posta que é deixá-los ir
Multiplicam-se no meu leque de conhecimentos os casos de homens portugueses que se atracam a brasileiras, deixando para trás família, emprego e o que mais houver como se o mundo fosse acabar amanhã.
Claro que a primeira reacção das pessoas à proliferação destas relações transatlânticas é a de rotularem as brasileiras de predadoras, acabando a coisa num crescendo que quase as remete à condição de feiticeiras daquelas que as mulheres traídas da geração anterior à minha afirmavam meterem qualquer coisa na sopa dos seus homens agora roubados pela bruxaria tropical.
Sempre achei as portuguesas as melhores mulheres do Mundo e arredores e disso tenho dado conta aqui. Essa minha crença não me cegou, contudo, aos detalhes de somenos importância que vão aos poucos estigmatizando (dito assim até parece que acredito na cena) as brasileiras com a associação de ideias mais óbvia: bundinha e fio dental.
Sim, tal como as muitas alegadas vítimas dessas desfazedoras de lares com sotaque prestei a esses pormenores a atenção suficiente para que a simples alusão a esse grupo específico de fêmeas me cole um sorriso no rosto de forma espontânea.
Contudo, isso nunca me pareceu tão ameaçador quanto isso porque qualquer observador mais atento conclui que as portuguesas só não se batem de igual para igual na exposição solar dos glúteos.
É portanto apenas uma questão de dimensão dos tecidos.
Assim sendo, esta diáspora de cônjuges fascinados pela paixão ao ritmo do samba permanece para mim envolta em mistério e vejo-me forçado a pensar a coisa mais além do que um fio dental possa representar. É aqui que entram em cena os mecanismos mais elementares da masculinidade lusitana, de entre os quais se destaca o descomplicómetro instalado junto aos disjuntores da complexa maquinaria de controlo do desejo que partilhamos com as nossas moças. Esse extraordinário equipamento de série no macho comum português está na origem de muitos indicadores que são erradamente confundidos com insensibilidade mas na verdade não passam de naturais divergências entre nós, que temos o aparelho, e elas que desejam tanto ou mais mas estão antes equipadas com uma espécie de retardador de abertura como os dos cofres nos bancos.
Maço-vos com esta breve abordagem à engenharia dos sistemas porque só aí consigo encontrar a fonte do tal fascínio que enlouquece tantos bons maridos e pais com desvarios tropicais que se consta serem doença sem cura conhecida.
As brasileiras, sem dúvida montes de femininas, parecem possuir um equipamento idêntico ao nosso e o que isso implica de diferente no estabelecimento de sólidas e tórridas relações diplomáticas está à vista.
As portuguesas, de caras as melhores do Mundo e arredores, são tesouros de valor incalculável e sabem-no e mantêm essa fortuna fora do alcance dos piratas em que nos tornamos quando o tal descomplicómetro dispara.
Já as brasucas, sem dúvida montes de uma data de coisas, são muito mais despachadas e generosas na entrega do ouro ao bandido que, quase por imperativo moral, privilegia o lucro fácil e regressa sempre ao local do crime o que, toda a gente sabe, é receita garantida para se deixar apanhar.
Perante este problema como o pintam é possível teorizar o que se queira e inventar pretextos ou desculpas mais ou menos elaboradas na maquilhagem da sua pretensa validade factual, nem que seja para armar ao pingarelho do alto da cátedra que deitou o olhar de esguelha às imagens do Carnaval do Rio mas nunca ousaria sequer sambar.
Porém, isso para mim é complicado demais quando o assunto envolve esses eternos alvos da cobiça (e da inveja, e do despeito, e da censura) e o meu equipamento de série prova funcionar na perfeição quando encaminha o raciocínio para uma simples questão aritmética: por cada patrício que se deixa embeiçar por uma irmã de além-mar há uma portuguesa desamparada, até mesmo revoltada, e isso pode ser o mote para anular perante as brasileiras a tal aparente desvantagem.
Nessas circunstâncias, juro pela minha perna de pau, fica muito mais permeável à abordagem.
Um pedido de casamento pouco habitual...
Pela indicação dada pela mascote, Christina aceitou o pedido de Alicia, e nem o facto de uma ser adepta dos Senators e a outra dos Leafs foi obstáculo.
Ao ver este vídeo e a fantástica reacção do público ao perceber que se trata de um pedido de casamento, eu pergunto: onde estão a imoralidade e a degradação desta cena? Peço desculpa aos mais sensíveis mas, ao ver este vídeo, só consigo ver dois seres humanos naquele que será seguramente um dos momentos mais felizes das suas vidas.
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