14 abril 2013

«Namoro de antigamente» - por Rui Felício


O Senhor Fachada era respeitado, por ser o homem mais rico da aldeia.
Era também, ao mesmo tempo, admirado e temido.
Admirado pelo carácter, pela figura imponente de possante estatura, pela respeitável barba grisalha, Temido, pelo pausado e duro tom de voz que lhe fazia sair as palavras da garganta como pedras certeiras que feriam mais o interlocutor desprevenido do que o magoaria uma evenual chibatada do pingalim que volteava na sua mão quando alguma coisa lhe desagradava.
Falava telegráficamente, nunca se sabendo quais as ideias ou sentimentos que se digladiavam na sua austera cabeça, antes de sentenciar em poucas palavras, depois de longa reflexão, o veredicto final, decisivo, irrevogável e inapelável.
O Fueiro, polícia que trabalhava em Coimbra, vivia na aldeia, perto da igreja, numa tosca casa de calhau rolado, onde a chuva se infiltrava pelo telhado velho em noites de temporal.
Depois de dias e dias de indecisão, encheu-se finalmente de coragem, montou-se na bicicleta e foi à Quinta pedir para falar com o Sr. Fachada.
Mandaram-no entrar na grande sala onde o dono da Quinta jantava, desbarretou-se e ficou de pé em frente da enorme mesa, à espera de autorização para falar.
Longos minutos depois, a um aceno imperativo do Sr. Fachada, articulou nervoso:
- Venho pedir a mão da sua neta e pedir a sua autorização para casar com ela...
O velho continuou a sorver a sopa com grande ruido, tirou o guardanapo de linho do pescoço, afiou com o canivete um pau de salgueiro, palitou os dentes com uma lentidão exasperante e mandou a criada chamar a sua neta.
A Conceição entrou pouco depois, olhou de esguelha o Fueiro e especou-se em frente ao avô.
- Então namoravas com o Sr. Fueiro e eu não sabia, disse-lhe o avô, inquisitivo, sem conseguir disfarçar um tique no nariz que era o único sinal visivel do seu incómodo.
-Eu? Nunca falei com ele! Deve estar doido! Alguma vez eu namoraria com este cepo?
O Fueiro argumentou:
- Mas eu passo ao pé do muro da Quinta todas as tardes de bicicleta e buzino-lhe várias vezes menina Conceição! Como a menina nunca me disse para eu não buzinar...
O polícia fitou o Sr. Fachada aguardando uma resposta, já este se levantava da mesa, endireitando os vincos das calças, sem nunca deixar de escarafunchar os dentes com o palito.
Já à porta, antes de sair da sala, voltou lentamente a cabeça, mirou o Fueiro que amassava o chapéu entre as mãos e ordenou à criada:
- Vai lá fora e fura a buzina da bicicleta do Sr. Fueiro!

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Trivialidades



Primeiro, Senhor Doutor, gostaria de lhe pedir o maior sigilo sobre a minha vinda aqui. Não é que não assuma o facto de o estar a consultar mas que necessidade tem toda a gente de o saber?... Uma coisa é dizer-lhe a si que é difícil aturar uma mulher como a Maria e outra, é contar os pormenores a toda a gente. Você é homem e entende-me que não fica bem comentar os defeitos de uma senhora.

Saiba o Senhor Doutor que quando alvitro que a refilisse dela se deve ao período, ela atira-me logo à cara que sou machista. Um gajo esforça-se e ela está sempre com detalhes. E depois, com aquela mania que ela tem de que a igualdade começa na cama e da porta de casa para dentro, o Senhor Doutor nem queira saber o que passo. Da última vez que lhe sugeri que estava na hora de fazer ski no Monte de Vénus completamente limpinho, não é que ela me disse que ia já fazer a marcação e de caminho arranjava também uma horinha para mim que estava farta de pêlos a meterem-se pelo nariz?... E ainda lhe digo mais; não é que um gajo está descansadinho a beber uma cervejinha e deixa a lata ou a garrafa vazia no sítio que está mais à mão e a Maria não perdoa e questiona-me logo se preciso de aumentar a graduação dos óculos para descobrir os ecopontos lá de casa, com o remoque adicional de que ambos sabemos que não são pilhões.

Sorte tinha o meu avô, Senhor Doutor, a quem a minha avó estava sempre a procurar o jeito. Agora a Maria exige-me que seja um expert na cama, um gajo bem humorado e com alguma cultura para conversar com ela e ainda quer que saiba fazer o mesmo que ela nas lides domésticas. O Senhor Doutor acha que é suposto um homem aguentar tanto?...

A diferença básica

E dizem que homens não fazem mais do que uma coisa de cada vez…



Homem super multiuso.

Capinaremos.com

13 abril 2013

Mulheres, aprendam a fazer uma salada

«respostas a perguntas inexistentes (231)» - bagaço amarelo

A Ana é uma mulher bonita. Como a conheço há alguns anos, já tinha reparado nisso muitas vezes. No entanto hoje, quando vi o seu reflexo na montra dum pronto-a-vestir, reparei duma forma diferente. Foi como se tivesse consciencializado pela primeira vez esse pensamento. Ali, do outro lado do vidro, a sua imagem misturava-se com a inquietante quietude dos manequins e ganhava vida.
Por um momento percebi o motivo pelo qual me costumo apaixonar por aí, de vez em quando, como quem bebe uma cerveja ou acende um cigarro na rua. Uma mulher faz com que todos os outros se assemelhem, por um momento que seja, a manequins. É ela quem ri, é ela quem chora, é ela a única que provoca no nosso corpo uma resposta emocional. Todos os outros são apenas bonecos que vestem uma roupa qualquer.
Ela estava a vestir o casaco e o reflexo dos nossos olhares cruzou-se por uma fracção de segundo. Vi-a sorrir. Tínhamos acabado de tomar o pequeno-almoço e eu só estava à espera de me poder despedir dela, numa despedida que fosse mais do que um simples acenar de mão ou um "até à próxima". Acabou de vestir o casaco e abracei-a.

- Com que então achas que é uma trabalheira... - disse eu enquanto abria os braços para a deixar fugir como se fosse um pássaro a fugir da gaiola.

Ela tinha comido uma torrada e bebido um sumo de laranja natural, eu tinha-me ficado por um café expresso sem açúcar. Mesmo assim demorámos mais ou menos o mesmo tempo a ingerir os pedidos. Ela ainda come e fala tão depressa como quando a conheci, há alguns anos atrás, e saímos juntos durante duas ou três semanas.
Esteve a explicar-me porque é que nunca mais saiu com ninguém. É que dá uma trabalheira envolver-se emocionalmente com um homem. É o trabalho de lhe conhecer o passado, o trabalho de enfrentar tudo aquilo vai descobrindo que não se gosta nele, o trabalho de desenhar o futuro a dois.

- Sozinha é tudo tão mais fácil! - concluiu

Ia perguntar-lhe qualquer coisa, mas desisti. Perante a prenda que era estar a vê-la a vestir o casaco, não me ia dar ao trabalho...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

«La Gaudriole - chansonnier joyeux, facétieux et grivois»

Edição revista (sem data mas provavelmente de 1849) de um cancioneiro francês publicado, pela primeira vez, em 1834.
São 545 páginas com canções "alegres, divertidas e atrevidas".
Autores: Béranger, Désaugiers, Colé, Gouffé, Festeau, Cabassol, Jacquemart, Gilles, Simon, Albert-M, Duapin, Moinaux, etc., etc.






Um sábado qualquer... - «Adão»



Um sábado qualquer...

12 abril 2013

Corações de Atum - Quando eu ganhar o totoloto

Prostituição - a minha história (VIII)

Verão de 1997... (...) Atendi o telefone novamente, disse que o cliente já tinha saído e que estava a arrumar. Tratei de mudar a cama, nervosa, apressada, bati com a perna numa esquina e... sangue no lençol, toca de mudar novamente, vesti-me e corri dali para fora. Entrei no escritório, uma confusão, um cliente em cada sala, à espera e um escondido no wc! Expliquei o que tinha acontecido e disseram-me que, quando assim fosse, para responder que era o porteiro cá em baixo que contava o tempo desde que alguém subia. Mais tarde percebi que enganavam um pouco no tempo se estavam clientes à espera de quarto. Não me lembro do resto do dia, somente que me doía a perna, que toda a gente parecia mais inteligente que eu e que estar sozinha naqueles quartos podia ser arriscado se um cliente se tornasse violento. No dia seguinte, quando cheguei, perguntaram-me se estava a atender menstruada porque um dos lençóis tinha sangue, expliquei que era sangue da minha perna. Aproveitaram para me explicar que, se estivesse menstruada, devia comprar umas esponjas especiais na farmácia que estancariam o sangue durante a relação. Aquilo não me convenceu muito e, para mais, uma das raparigas já estava, ao mesmo tempo, a explicar que era preciso cuidado, que, um dia, ficou com um pouco da esponja lá dentro sem perceber, e, só quando foi ao ginecologista porque não identificava o motivo do péssimo cheiro vaginal é que soube que aquilo lá estava. Outra das raparigas contou que lhe tinha aparecido o período a meio de um atendimento e que não reparou porque o quarto estava quase às escuras, quando acendeu a luz e viu sangue por todo o lado, ficou em pânico mas o cliente riu-se muito e disse que já tinha percebido e que adorava sangue menstrual. Nestas conversas dos entretantos é que fui descobrindo o "manual" da "acompanhante". Aprendi a expressão "fazer cabritos", descobri que era suposto gemer e fingir prazer durante o acto, sim, é verdade, tal não me tinha ocorrido numa relação em que o cliente sabe que não é por prazer mas sim porque pagou, descobri as mais diversas taras alheias e, sim, é verdade, descobri o prazer como ainda não o conhecia, os namorados da minha idade eram bonitos e apetecíveis mas os homens experientes sabiam muito bem o que faziam com o corpo de uma mulher. Ganhava dinheiro à velocidade da luz e gastava-o a igual velocidade. (Continua)

Boy is back


A Girl tinha tomado o seu primeiro de muitos cafés da manhã quando o telemóvel dá sinal de SMS. Uma palavra simples, apenas "Quickie?". "Sonofabitch", pensou ela. A resposta não tardou de volta para ele: "Fuck off". Ela sabia que ele não ia desistir. E não queria ir a correr. Pelo menos, não queria ir a correr naquele minuto, porque o coração e a excitação que começava a sentir abaixo do umbigo indicavam que não tardaria a mudar de ideias. Ele gosta de escrever SMS em inglês. Dizia que era mais directo. "I'll lick your soft  cunt like a God". Convencido. Segundo SMS dela: "Gofuckyourself". Ele não era tipo para desistir. As pernas dela começavam a fraquejar ainda mais depressa do que a vontade. "I'll make you come harder and harder", escreveu ele. "Bullshit", devolveu ela. "Just try me", sugeriu ele. Por essa altura ela queria-o ali, agora, naquele momento. "Onde, quando?", perguntou. "Olha pela janela", enviou ele. Ela olhou pela janela, e lá estava ele em baixo, com cara de gato que acabou de comer um pássaro. Ela balbuciou rapidamente uma desculpa perante o seu colega de escritório, pegou no casaco e saiu disparada. Ele abraçou-a sem dizer uma palavra. Ela disse-lhe ao ouvido: "Meu grande filho da puta". E assim as pazes foram seladas. Desceram a rua e entraram num hotel barato que já tinha a ficha deles e alguns outros vestígios de batalhas anteriores. Ele estava a abrir a porta do quarto e a desapertar a braguilha ao mesmo tempo. Ela começou a abrir o fecho da saia ainda no corredor. Ele atirou-a para cima da cama, sem cerimónia, afastou-lhe a calcinha para o lado e fez o que tinha prometido no SMS. Como um Deus. Como um "boss". Ela tomou-o na mão e sentiu-o túrgido, pulsante, urgente. "De quatro", ordenou ele, sem precisar. Quando ele entrou, ela deu um grito abafado. Duas, três, quatro estocadas com força. "Sentiste saudades minhas?", perguntou ele, arfante. "Quem pensas que és?", retorquiu-lhe ela, guturalmente. "Um gajo que te ama como um maluco e que te deseja, a cada hora, como um viciado." Uma entrada mais forte, e ela sentiu-o tão dentro que parecia que nunca mais conseguiria sair. "Agora", ordenou ele. Ela deixou-se obedecer e gritou. Os seus corpos tremeram em uníssono. Deve ter-se ouvido no outro lado do corredor. Que interessava? Eles estavam de volta. Segunda-feira. Dia do início da semana e do reinício. À noite teriam tempo de falar, como estão a fazer. Ele está a ver o texto à medida que é escrito,  enquanto vai dando os seus palpites. "Sonofabitch". "  Ela lavou-se rapidamente, compôs o cabelo, e com as pernas ainda a tremer voltou ao escritório. "Encontramo-nos à noite", disse ele simplesmente. No elevador ela verificou se se notava muito o rubor na cara. Um toque de perfume antes de entrar. Disfarçar, disfarçar.  O colega olhou para ela e, calmamente perguntou: "Ele voltou finalmente? Ainda bem. Já não aguentava o teu péssimo humor." Ela perguntou-se mentalmente o que a teria denunciado. "Who cares? Boy is back." A vida é boa e reabre hoje.

Simplicidade masculina



Dançando sem César

11 abril 2013

O centro do mundo

Jules Adolphe Chauvet, c. 1848
blog A Pérola

Utilização prática para o iPad!

Uma versão pornô de Star Wars


Fonte: Huff Post


A estrela pornô Coco Brown está fazendo treinamentos para viajar pelo espaço e se tornar a segunda mulher afroamericana e a primeira pornô a fazer tal feito.

A atriz vive na Alemanha mas está a fazer o treinamento na Holanda. Esta empreitada está tendo o suporte da empresa SpaceXC, que tentará no próximo ano realizar viagens espaciais privadas. Coco Brown pagou 100 mil dólares para ser a primeira cidadã comum a fazer esta viagem. Mesmo assim, para atravessar a superfície terrestre ela terá de passar nos testes, como o da gravidade nula.

Apesar disso tudo, Coco não será a primeira a deixar a marca do "sexo sem gravidade". Este feito foi atingindo  em 1999, por Silvia Saint e Nick Lang, numa cena de 20 segundos de sexo, do filme "The Uranos Experiment Part Two". Para fazer a cena, o casal ficou em um avião numa altitude de 11 mil pés e depois fazendo  um mergulho íngreme.

Mas Coco Brown voará muito mais alto, e certamente baterá um recorde. No entanto, o trabalho não será nada fácil, já que fazer sexo na gravidade nula requer muita perícia. E ela tem ciência disso, e diz que, se não conseguir fazer muita coisa, colocará os seios para fora e tirará uma foto com a Terra de plano de fundo.

Pagar caro e pra nem ter a certeza que vai conseguir fazer sexo, é melhor dar uma trepada em terra firme, não acham?

Obscenatório

«Andrea de óculos» - por Luis Quiles


"Diferentes versiones de algunos de mis dibujos sin la censura." [1]

Luis Quiles

09 abril 2013

TC

deu como resposta...
Raim on Facebook

Hegre-Art - «The Sushi Shoot - Behind the scenes»


The Sushi Shoot - Behind the scenes. from Hegre-Art on Vimeo.

Eva portuguesa - «Oração»

Meu Deus,
Ajuda-me a ter coragem e força para levar a bom porto esta decisão!
Ajuda-me a ter paciência para dar tempo para ver resultados desta minha jornada!
Ajuda-me a ser bem sucedida!
Protege-me neste país estranho e distante.
Guia-me por um caminho seguro e certo, onde apenas encontre alegria, paz e sucesso.
Dá-me forças para aguentar as saudades e provações.
Afasta de mim o mal, a incerteza, a insegurança, o desamor, o insucesso e a tristeza.
Traz até mim a paz, a alegria, o amor, a saúde, a recompensa e a felicidade.
Mostra-me o caminho, o meu caminho. Aquele que me conduz à realização dos meus sonhos e objectivos.
Guarda os que eu amo com um manto impenetrável feito com todo o meu amor.
Ajuda-me....
Já que me deste esta oportunidade, permite que seja feliz a vivenciá-la.
Que estes dois dias passados sejam o pior que aqui encontrarei...
Ajuda-me para que os restantes dias sejam iluminados, felizes, prósperos.
Permite que ganhe a minha vida desta forma que, bem vistas as coisas, é bem honesta.
E, se tal não for possível, peço-te: leva-me de volta para casa e para os meus. Faz com que o futuro seja tão bom como tem sido até agora, o presente...
Vela por mim, pelos que trago na coração e por todas as pessoas de bem.
Amem!


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«percorro-te caminhos» - Susana Duarte

percorro-te caminhos situados nas nervuras das veias
e subo montanhas onde os poros se revelam aves soltas

as montanhas são heras trepadeiras que voam rumo
a lugares que não sei. deusas conspiram para que as asas

quebrem

e a queda sobre as ervas madrugadoras seja a realidade
imposta às sonoridades dos meus olhos. os olhos

não te vêem e,

na queda das águas da manhã, não seguram a tristeza.
amar-te é a queda das folhas sobre gotas orvalhadas
de uma montanha longínqua. e as sobras das neves.
percorro-te. sonho-te. sinto-te onde não te vejo. estranho

as auroras

pálidas do desejo de ser água. percorro-te. sonho-te.
sinto-te onde não te vejo. as danças pagãs pararam

nas portas das montanhas cobertas de gotas orvalhadas

pela tua longa ausência. sei-te onde não estás. percorro-te
marés e encontro-te nas portas da noite. de olhos fechados.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Frango à... paneleiro?!

Fui a uma feira do queijo no mercado do Calhabé (em Coimbra) e encontrei lá esta... peça em barro, que decidi logo que deveria comprar para a «sexão - o que não era suposto ser erótico» da minha colecção:


Do que eu não estava à espera, era da inscrição que a peça tinha no rebordo lateral:


«Frango à paneleiro»?!
O senhor que me vendeu esclareceu-me: "Isto é feito numa olaria perto de Miranda do Corvo. O frango enfia-se ali, põem-se batatinhas à volta e põe-se a assar no forno. A gordura do frango escorre para as batatas".
Como eu já tinha concluído há muito tempo, a tarada não sou eu. E lá veio aquilo para a minha colecção, pelas mãos do meu secretário.

08 abril 2013

Sessão Miss Reef 2012 - Cachagua


SESION MISS REEF 2012 CACHAGUA from VIA DE ESCAPE on Vimeo.

«casamento» - bagaço amarelo

Já não me lembro porque é que disse aquilo à minha mulher. Talvez o elevador do hotel me tenha dado a sensação de que o mundo não ouviria, que aquilo ficaria um segredo entre nós. Sei lá, que talvez aquela ideia absurda nem sequer ousasse sair dali, daquele pequeno compartimento que mais não faz do que transportar pessoas de um andar para outro. Sei que ela nem sequer respondeu e o silêncio que se fez a seguir foi, talvez, o silêncio mais pesado que senti na minha vida inteira.

-Talvez me venha a arrepender de ter casado contigo.

Admito que a minha primeira preocupação foi ter estragado, eventualmente, a noite de núpcias. Não que naquela altura andasse propriamente com a libido no máximo, mas sempre tinha tido essa ilusão de ter sexo num hotel caro com uma mulher vestida de noiva.
Na verdade, eu tinha casado com ela porque estava completamente apaixonado e porque tínhamos uma vida sexual bastante boa. Casei, portanto, sem a mínima dúvida sobre o que estava a fazer. Mas depois, durante o casamento, e por causa dum pequeno gesto que não me saiu mais do pensamento, pensei que talvez me pudesse arrepender.
Tinha chegado a hora de irmos falar com todos os convidados, um por um, mesa por mesa, e eu abracei-a como sempre tinha feito durante os anos de namoro. Ela tirou o meu braço dos ombros e cruzou-o com o dela. Em vez de irmos abraçados, fomos apenas de braço dado.

- Há convidados respeitáveis. - disse – Portemo-nos como pessoas casadas.

Foi a primeira vez que pensei que não conhecia totalmente a mulher a quem tinha acabado de prometer passar o resto da minha com ela. Talvez houvesse uma mulher antes do casamento e outra depois do casamento, como muitos amigos meus já casados, alguns até já divorciados, me tinham avisado. Por um segundo não a reconheci nem no seu comportamento, nem sequer no seu timbre de voz.
Ela sentou-se num dos sofás da suite do hotel. Numa das paredes estava pendurado um quadro para o qual eu não conseguia deixar de olhar. Era uma pintura assumidamente abstracta mas que, pelo menos para mim, se assemelhava como figurativa. Um borrão que desde o primeiro momento me parecera um bando de pássaros a levantar voo numa floresta densa, talvez por ter havido um disparo duma arma.

- Nem sequer vais olhar para mim? - Perguntou.
- Estou a contar fazer mais do que olhar. - respondi sem tirar os olhos do quadro.

Ela não se riu. Pelos visto, o segredo que eu lhe contara no elevador tinha passado para o nosso quarto de hotel, talvez até para a nossa vida. Achei melhor enfrentar a situação que eu próprio tinha criado, em vez de contorná-la como era meu hábito.

- Estou com medo de não saber com quem casei.

Enfrentei-a olhos nos olhos. Ela tinha uma expressão nova, como se de repente se tivesse transformado numa estátua zangada. Eu próprio me assustei e decidi mudar de estratégia. Lancei-lhe um anzol, algo a que ela pudesse responder facilmente, para ver se aquele momento de tensão acabava. Dizendo-lhe o que sentia duma forma mais suave do que a realidade.

- Não sei o que se passou comigo. Fiquei com medo que tu mudes. Na verdade fiquei com medo de te perder de repente. Nem sei bem porquê.

A estátua voltou a ser pessoa. Aproximou-se, segredou-me que eu era um tolinho e fizemos Amor. A paz tinha voltado. No entanto, cinco minutos depois de ter casado, já me sentia preso a algo maior que o próprio casamento.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «No mármore..» de Carlos Drummond de Andrade

"No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.

Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.

Tu a levaste contigo."

Carlos Drummond de Andrade

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Não há idades para brincar

A brincadeira tem que continuar.



Por que será que o vibrador tem perninhas e bracinhos?

Capinaremos.com

07 abril 2013

Loira com um par de talentos

Senhor Multiópticas


Usar teledisco ou videoclip define logo a idade de quem o diz e por esta ordem de ideias ele era velho até já com direito a toque rectal.

Mas até conseguíamos ouvir as mesmas músicas desde que a escolha pendesse para os lados dos fados e como ele continuava a picar o ponto lá seguia a orquestração. Prometia invariavelmente da próxima aguentar mais como se cada pranchada fosse uma partida de xadrez cronometrada. E com a mesma frieza era capaz de me beijar apenas com os lábios como se o resto do corpo fosse um acessório dispensável para a ocasião. Quando o encostava à parede com o peso do meu corpo, uma mão entre o pescoço e a nuca, outra a cravar-se-lhe nas nádegas e as ancas a dançarem-me ostensivamente de encontro aos seus galões masculinos ele chupava-me a boca com o cu de galinha dos lábios em riste e esforçadamente lá fazia cinco dedos borboletarem-me pelo traseiro como se temesse o voyerismo das paredes ou a culpa da luxúria escorresse desalmadamente por si e lhe congelasse os movimentos.

Até que lhe podia fazer um desconto de acordo com a idade mas temo que não existam dioptrias para corrigir a ignorância de não se saber dar a alguém.

Mamilo-cabide



Via Pornography as art

06 abril 2013

Homens, aprendam a fazer um candeeiro de uma garrafa de whisky

«respostas a perguntas inexistentes (230)» - bagaço amarelo

Lembrei-me hoje duma história que uma vez um quase amigo me contou. Digo quase amigo sem querer ser irónico. É que era isso que ele era de facto. Nunca falei com ele a não ser num dos cafés de Aveiro que eu frequentava quando era novo, e por isso sempre o considerei uma companhia de circunstância. Enfim, um quase amigo.
Bem, mas a história que ele me contou, há já muito anos, tinha a ver com um pesadelo de que ele nunca mais se esquecera. Estava a morrer de sede e desidratação no meio dum deserto qualquer, deitado sobre a areia quente que lhe queimava a pele. Em desespero, mesmo sendo ateu, pôs-se a pedir a Deus que o ajudasse e fizesse chover, o que veio a acontecer. Só que choveu tanto que ele acordou desse pesadelo quando estava prestes a morrer afogado.
Lembro-me que não tive nenhuma reacção quando ele me contou isto. Devo ter dito apenas qualquer coisa como "fixe!" e pedido mais duas cervejas, uma para mim, outra para ele. A verdade é que nunca mais me esqueci da história. Isto é, não é que me lembre dela todos os dias, mas de vez em quando lá me vem à cabeça como se tivesse sido contada ontem e, normalmente, por causa de situações que têm a ver com mulheres, Amores e desAmores.
Hoje, como comecei por dizer, foi um desses dias e contei-a a um velho amigo que encontrei no Porto por acaso. Eu já tinha andado a pé uns sete ou oito quilómetros e estava ansioso por uma cerveja quando o vi, pelo que o convidei imediatamente para entrar no café mais próximo. Fiquei calado a saborear e decidi dar-lhe espaço para dizer o que quisesse.

- Então, como vai a vida? - Perguntei.

Foi como se ele estivesse à espera que alguém lhe fizesse esta pergunta há anos. Começou a falar ininterruptamente e eu fui ouvindo enquanto dava goles na minha Sagres preta. A certa altura disse-me que se tinha casado e divorciado, no espaço de três meses, com uma mulher alemã que conheceu durante o Verão numa praia qualquer. Apaixonou-se muito por ela, mas como ela fazia tudo o que ele queria fartou-se num instante e pediu-lhe o divórcio. Eu fiquei sem saber o que dizer, mas para preencher o silêncio que entretanto, e de forma inesperada, surgiu, contei-lhe este pesadelo do meu quase amigo.

- Fixe! - disse ele.

E pediu duas cervejas. Uma para mim, outra para ele.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Adivinhem lá o que é esta... porra!

Encontrei esta... coisa na internet. Alguém consegue adivinhar o que é e para que serve, sem fazer a batota de espreitar a segunda imagem e a explicação a seguir?



Apresento-vos «The Body Back Buddy Trigger Point Massager», um aparelho para massajar as costas.
Seria certamente uma óptima aquisição para «objectos que é suposto não serem eróticos», uma das «sexões» da minha colecção de arte erótica que tem várias invenções do caralho...

Um sábado qualquer... - «Nos bastidores da ressurreição 2»



Um sábado qualquer...

05 abril 2013

Cartinha do Jorge Castro a propósito do bloqueio do meu acesso ao Facebook


O bloqueio foi «só» por 24 horas, mas antes de ser levantado já eu tinha esta mensagem na caixa de correio, que me dá ânimo para continuar:

"Notavelmente, os facebooks a que vamos aderindo porque sim, são a melhor prova viva da existência de mentecaptos que querem regular e mandar no mundo. Nenhuma nudez, explícita, implícita, solstícia ou cardinalícia tem pecado. É nudez. Ponto.
Imagem de diarioliberdade.org
Nus somos nós. Todos. Assim nascemos. Talvez exceptuando o caso daquele gajo cujos pais, tendo deixado cair no acto o preservativo - vulgo camisa de Vénus - e, de seguida, uma palhinha, com a qual tentaram apanhá-lo, fizeram o pimpolho nascer de camisa e chapéu de palha... Mas esse não consta na História das nações.
Nus! Assim devíamos estar todos nos momentos cruciais das nossas vidas. Nus, na Assembleia da República - já imaginaste os efeitos? Nus no 25 de Abril e no Natal. Nos vivas à República e no pagamento do IRS! No IMI como no restaurante! Nus, simplesmente, como a Godiva da fábula e nus numa nova Alice no País das Maravilhas...
Carais, estou tão farto destes merdas todas, minha cara! Da hipocrisia, da castração do sonho, do moralismo merdoso e bafiento do olha-para-o-que-eu-digo-não-olhes-para-o-que-eu-faço!
Queres saber uma coisa? Quando é que a malta se encontra, por aí, para dizer caralho em voz alta e confirmar que isso é coisa tão natural como o respirar?
Abraço."
Jorge Castro

O amor é tramado e parte

Tece uma trama que nos enreda, quase sem darmos por isso. Sabemos que algo nos começa a toldar os movimentos e a razão. A embaraçar os momentos e o coração. A entrelaçar os sentimentos e a emoção. Só nos apercebemos quando é tarde. Quando estamos enredados. E nunca entediados.
Por mais experientes que sejamos, somos surpreendidos pelo poder deste atropelamento. Que nos assalta. Que nos esmaga. Que nos arrebata. Por mais que tentemos manter os pés no chão. Por mais que queiramos resistir. Por mais que a razão nos tente dizer que não. Que não vai dar. Que não vai resultar. Que dá demasiado que pensar.
Pensamos ter o controlo. Pensamos conseguir superar. Pensamos que sim. Que já passou. Que já lá vai. Que o amor partiu. Para não voltar, não voltamos. Voltamos as costas. Voltamos a mudar de rumo. Rumamos a outro porto. Partimos, enquanto o próprio amor parte, deixando cacos à sua partida.
No entanto, parece que todos os caminhos vão dar a Roma. Num ou noutro sentido...

http://sodoperfido.blogspot.pt/2012/11/o-amor-e-tramado-e-parte.html

Prostituição - a minha história (VII)


Dos elefantes no peito 

Que tudo me doa assim, intensamente. Antes
a dor que o cinzento em todas as coisas; 
que mordam o ódio, a dor, a verdade, entredentes
e que possam sair na fúria cega das palavras. 
Serena-me mas nunca me acalmes. Por mais que tentes
 eu agarro a violência, a chama, a paixão e as lágrimas;
 na selva do peito hão-de ecoar como centenas de elefantes
 em corrida, o forte estrondo da liberdade pelas florestas.






Verão de 1997... (...) Ele olhava-me, deitado na cama, depois de me despir da cintura para cima e de me deitar sobre o próprio corpo. Olhava-me nos olhos, directamente, quase magoava. Estava nos seus trintas e tinha lindos olhos azuis, vou chamar-lhe o "Arquitecto". Falava: "entravam na sala e cumprimentavam-me, eram jovens, simpáticas e bonitas. Mas a tua suavidade, Joana, deslumbrou-me. Nunca tinha experimentado uma situação destas mas em boa hora o fiz, estava em casa, o tempo passava, eu trabalhava, mais uma tarde como as outras e algo aqui dentro me dizia que procurasse algo diferente e encontrei. O que fazes aqui, num sítio destes? Não tens medo?". E o tempo passou, beijou-me e começou a percorrer-me com as mãos. O telefone do quarto começou a tocar, balbuciei que devia ter terminado o tempo, ele olhou para o relógio e disse que ainda faltavam quinze minutos, que estava atento. Tentou penetrar-me mas o telefone, insistente, insistente e eu a ficar nervosa... Tive que atender, levantei-me e a recepcionista reclamava por eu nunca mais atender, reclamava que o tempo já tinha passado, disse-lhe que me ia arranjar. Ele voltou a beijar-me e voltámos à cama, continua a percorrer-me com as mãos, tiro o preservativo da bolsa e meto-lho, começa a penetrar e o telefone volta a tocar furiosamente, fico nervosa e levanto-me novamente para atender, a recepcionista a reclamar. Ele levanta-se, furioso, eu cada vez mais nervosa, agarra-me num braço e tenta levar-me para a cama, aflita expliquei-lhe que tinha mesmo de ir embora, ele responde muito zangado que tinha visto o tempo e que o estavam a enganar, que tinha pago muito dinheiro, que eu não julgasse que ele ganhava aquilo numa hora, parou, olhou-me, disse-me que não estava zangado comigo mas com quem me obrigava a proceder assim, o telefone novamente a tocar, vestiu-se, dirigiu-se à porta, nem a fechou ao sair, nem um adeus... (Continua)

Girl loses Boy


Depois do primeiro encontro, o Boy desapareceu. Completamente. Sem telefonar, sem responder a mensagens, sem ir ao bar. Como se um disco voador o tivesse levado.

A Girl nem queria acreditar, tão típico tinha sido. Não era a primeira vez que lhe acontecia, o que pensava não ser um “one-night-stand” que se transformava num. Mas desta vez não estava mesmo à espera.

“Fuck, just plain fuck!”, praguejava para si mesma.

Durante semanas, não ouviu falar do Boy. Foi por essa altura que teve que viajar em trabalho até à Dinamarca e conheceu, no regresso, Marti, o dinamarquês de longos, finos e hábeis dedos. Marti foi um oásis delicioso mas temporário na vida da Girl, enquanto lá no fundo, a memória do Boy permanecia.

Marti ficou uma semana em Portugal, uma semana em que a Girl aproveitou para dar a conhecer ao seu salvador temporário alguns dos locais onde já tinha sido feliz.

Na véspera de Marti voltar para a Dinamarca, ambos sabiam que o que havia entre eles era o suficiente para recordarem com saudade aquela semana, mas não para que a Girl apanhasse o próximo avião para Oslo, ou que o rapaz dos longos dedos deixasse partir o dele e se estabelecesse por cá.

Ainda assim, quiseram dar um ao outro uma última noite inolvidável. Os dedos de Marti continuavam a fazer magia e a sua resistência parecia a de um corredor de longa distância. A Girl ouviu-se a si própria gemer, sentiu o corpo tremer em vagas de prazer até que o prazer se transformou em dor de tanta intensidade. Marti era um mestre na arte de induzir orgasmos nela.

A Girl pediu-lhe:
“I want you to give me something to remind me of this night for a long, long time.”

Marti olhou para ela com o ar de abandono de que ela tanto gostava e disse-lhe:
“You can keep some of my hair.”

Ela assentiu, pegou na tesoura, cortou-lhe uma madeixa loura e guardou-a. Marti ficou com uma falha de cabelo, como se tivesse ido a um péssimo cabeleireiro. A Girl pegou num espelho, mostrou-o a Marti e ambos riram com a cumplicidade de dois adolescentes que tivessem acabado de fazer uma grande partida.

E quando a Girl em seguida ofereceu a Marti o seu último êxtase em conjunto, sentiu que lhe estava a entregar também um pouco do coração. Não, não amava Marti. O feitiço do Boy ainda estava presente, mesmo depois das semanas de ausência e sem saber se alguma vez ele regressaria.

Mas Marti tinha significado o seu regresso à vida, tinha despertado os seus sentidos como poucos amantes o haviam feito no passado e ia partir. Na urgência do orgasmo final, julgou antever uma lágrima nos olhos de Marti.

E nesse momento, apenas nesse momento, pensou em deixar tudo para trás e ir com ele. Mas não foi por aí que a história continuou e Marti viajou sózinho, para Oslo, na manhã seguinte.

Ela ficou apenas com o cabelo dele e as marcas da última noite em conjunto, que continuou a sentir no corpo e na alma durante muitos dias.

Sempre termina igual

Esse post é dedicado a todos leitores delicados.



Opa, rolou um apertão no peitinho...

Capinaremos.com

04 abril 2013

soker-men - «la culona»

«Adeus» - Patife

(Em forma de Bocandrade)

Já gastámos as palavras todas, meus amores,
e o que nos ficou não chega
para afastar o cio destas quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o riso das lágrimas,
gastámos as mãos na ânsia de nos escrevermos,
gastámos o relógio e o século dos dias
com palavras que nos suspendiam.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tinha tanto para vos dar,
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais vos dava mais tinha para vos dar.

Mas isso era no tempo dos grandes enredos,
era no tempo em que as palavras refulgiam,
era no tempo em que os meus olhos
vos guiavam para um mundo onírico.
Hoje são apenas uns olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meus amores,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
que todas as chonas estremeciam
só de murmurar o meu nome
no silêncio da sua emoção.

Não tenho já nada para dar.
Dentro de mim
nada há para continuar.
O passado é tão bonito como um papo.
Mas já vos disse: as palavras estão gastas.

Adeus.


Patife
Blog «fode, fode, patife»

«Neste mundo só não fode quem não pode» - cartinha da Teresa B.

A propósito do meu lenço dos namorados, recebi esta cartinha:

"Dizem que quem não tem que fazer faz colheres... eu resolvi passar a limpo estes versos malcriadões mas muito ingénuos, que andavam escondidos num álbum de fotografias há uns 30 e tal anos, imagina!
Aqueles esconderijos que arranjamos quando os filhos são pequenitos e não queremos que vejam certas coisas...
Se não me desse na telha de hoje tirar uma foto para mudar o facebook, lá ficaria a folha até ao juízo final...
Uma beijoca"
Teresa B.

Neste mundo só não fode quem não pode

I
Nesta vida o foder
É forma e condição
E são tantos os que fodem
Como os que fodidos são
II
No grande mundo da foda
A natureza faz lei
E a cona é a rainha
Da qual o caralho é rei
III
Fode-se aqui e ali
Acolá e em toda a parte
Fode-se de mil maneiras
À bruta e até com arte
IV
A ordem do dia é foder
Fode-se por aí a rodo
E se eu não tiver com quem…
Eu até me fodo todo
V
Fode-se a rir e a sério
Devagar e de repente
O foder na vida é tudo
Pois do foder nasce a gente
VI
Noutras coisas não se fala:
Foder e sempre foder
Qualquer um por uma foda
Até deixa de comer
VII
Fode-se à luz e às escuras
À sombra, ao sol e acordado
Com custo e até com ternura
E também de rabo alçado
VIII
Com camisa ou sem camisa
Seja vestido ou nu,
O que a gente quer é vir-se
Seja na cona ou no cu
IX
O general, o Major,
O capitão, o tenente,
O Furriel e o cabo,
Tudo fode, minha gente…
X
Fode o patrão e a criada,
Fode a senhora também;
Sem caralho, cona ou cu
É que não fode ninguém
XI
Fode aquele, fode aquela,
Fodes tu e fodo eu
Quem não fode está fodido,
Não tem vida, já morreu
XII
Fode o gago, fode o coxo
Fode o careca e o peludo
Fode o surdo e o marreco,
O foder na vida é tudo
XIII
Fode o rico, fode o pobre
Fode o escravo e o senhor
Fode o branco, fode o preto,
Seja de que raça for
XIV
Fodeu Adão e Camões
Colombo e Vasco da Gama
Fode-se em pé ou deitado,
Seja no chão ou na cama
XV
Fode o esperto e o palerma
Fode o nobre e o plebeu
Neste mundo tudo fode
Se o tesão não perdeu
XVI
Fode o cavalo e o burro
Fode qualquer animal
Fode o pato, fode a mosca,
Todos fodem bem ou mal
XVII
Fode o gato e a gata,
O pardal e o peru
A galinha não tem cona,
Mas sabe levar no cu
XVIII
Fode o padre e o bispo
O cardeal e o sacristão
Até o papa nos fode
E esse sem ter tesão
XIX
Fode qualquer protestante,
Fode o cristão e o ateu
A religião fode-nos hoje
Como sempre nos fodeu
XX
Quando Cristo subiu ao Céu
Disse a todos os mortais
Fodam-se vocês na terra
Que a mim não fodem mais
XXI
A musa assim me inspirou
Num momento de tesão
Peguei na pena e escrevi
Os versos que aqui estão
XXII
À rapaziada da foda,
Descrevê-la fica bem
Já que todos aí fodem,
Fodam-se vocês também.

(autor anónimo)

« Bizarre» - por Luis Quiles


"El ser humano es capaz de hacer cosas realmente absurdas y a la vez inspiradoras."

Luis Quiles

03 abril 2013

Postalinho de Pinhal de Frades (Seixal)

"A minha amiga Sandra, que mora em Pinhal de Frades (Seixal), descobriu que já deram o teu nome a uma rua.
Aos poucos, aos poucos, a fama vai chegando e o reconhecimento também!"
madr


A minha página no Facebook está bloqueada por 24 horas

Ontem à noite tive a informação que a minha página no facebook estará bloqueada durante um dia (até às 20h00 de hoje). E o Facebook informou o motivo, que foi eu ter publicado um link para um artigo da Playboy brasileira: «10 atrizes pornôs mais inteligentes que você».
É verdade que os «donos» do Facebook avisam:
Para "que o Facebook seja um ambiente seguro e respeitoso", "não é permitido conteúdo com nudez ou outro conteúdo sexualmente explícito". "As imagens não podem ter um conteúdo demasiado sexual, sugerir nudez, mostrar áreas do corpo ou decotes em excesso, ou focarem-se, sem necessidade, em partes do corpo".
"Removemos tudo o que viole os Termos do Facebook (p. ex. pornografia, discursos que incentivem o ódio, ameaças, violência gráfica, conteúdo agressivo e spam). Se vires algo no Facebook que viole os nossos termos, utiliza a ligação de denúncia que se encontra ao lado do conteúdo em questão para enviar uma denúncia."
"Nudez e pornografia - O Facebook tem uma política rigorosa que proíbe a partilha de conteúdo pornográfico e qualquer conteúdo sexualmente explícito onde esteja envolvido um menor. Também impomos limites à nudez. Pretendemos respeitar o direito que as pessoas têm de partilhar conteúdo pessoal importante, quer se trate de fotos de uma escultura como o David de Michelangelo ou fotos de família de uma mãe a amamentar". Como se isto presta a malandrices e já deu muita polémica, eles tratam de esclarecer: "O Facebook permite fotos de mães a amamentar? Sim. Concordamos que a amamentação é um ato natural e belo e gostamos de saber que é importante para as mães partilhar as suas experiências com outros no Facebook. A grande maioria destas fotos cumprem as nossas políticas e não tomaremos quaisquer medidas". Mas cuidado! "As fotos que mostram um seio completamente exposto em que um bebé não está ativamente a mamar violam a Declaração de Direitos e Responsabilidades do Facebook. Estas políticas baseiam-se nos mesmos padrões que se aplicam à televisão e imprensa escrita".
Um... um... "um seio completamente exposto em que um bebé não está ativamente a mamar"?! Os tipos que escreveram estas normas são uns tarados!
E tentam lavar as mãos: "É importante ter em conta que as fotos sobre as quais agimos são quase exclusivamente apontadas por outros utilizadores que reclamam sobre a partilha destas no Facebook."
Alertam ainda que "as imagens dirigidas a utilizadores com menos de 18 anos têm de ser adequadas para essa faixa etária". Ora, a minha página no facebook está - e sempre esteve - reservada a maiores de 18 anos:


A cruzada contra o que pode pôr em causa a segurança e o respeito do Facebook, segundo os próprios, leva-os a distinguir o que é aceitável ou não, em alguns casos com exemplos de imagens. Um exemplo do que consideram aceitável são os "anúncios e histórias patrocinadas que promovem produtos ou serviços de saúde sexual, como contraceptivos, lubrificantes, gel ou recursos de saúde sexual", os quais "podem ser permitidos e devem estar direcionados a usuários com idade superior ao permitido para atividade sexual na região de destino ou, se aplicável, com idade para avaliar os serviços de saúde sexual nesta região". Exemplos? Eles dão-nos:
Aceitáveis:
«Camisinhas grátis no centro de saúde estudantil local.»
«Pratique sexo seguro com nossa marca de camisinhas.»
Inaceitáveis:
«Camisinhas melhoram seu prazer.»
Perceberam a diferença? O prazer põe em causa a segurança do Facebook e o respeito que se pretende para quem por lá anda.

Mas quem tem conta no Facebook tem que se reger pelas suas regras, dirão. É verdade. E então preparem-se para, por exemplo, as vossas mensagens privadas serem também controladas e violadas, sendo que os seus conteúdos podem também ser apagados. Um exemplo? A Maria Jesus Trindade, que também tem a conta bloqueada, enviou-me numa mensagem privada no Facebook esta foto, que circula por todo o lado, da Angela Merkel quando era jovem, com duas amigas:


Independentemente de eu considerar esta foto perfeitamente natural e respeitosa (para com a chanceler da Alemanha e para nós próprios, pois até não assusta), preferi não a divulgar na minha página no facebook, precisamente por saber as normas da casa e o risco que correria.
Pois ontem, quando fui ver a mensagem, a imagem tinha sido apagada, por violar os princípios do Facebook.
Violação não é erótico, senhores do Facebook. E vocês é que violaram a minha privacidade.

«um mundo de palhaços» - bagaço amarelo


Que me lembre, usei gravata duas vezes na vida. A primeira foi quando me casei e, entretanto, já estou divorciado. A segunda foi quando fui a um jantar duma grande empresa para a qual ia começar a trabalhar e, entretanto, já estou desempregado.
Nunca me dei bem com gravatas, é verdade, nem sequer com camisas, que são essenciais para poder andar de gravata. Dá tudo demasiado trabalho a passar a ferro e, além do mais, a gravata não serve para nada. Pelo menos era o que eu pensava, até ver este anúncio dos anos 70 da Van Heusen.
Afinal, as gravatas servem para mostrar às mulheres que este mundo é dos homens (show her it's a man's world) e que elas se devem ajoelhar perante eles mesmo quando lhes levam o pequeno-almoço à cama.
Às vezes a publicidade não pensa nem um bocadinho nos efeitos que pode ter, e tem de facto, na sociedade. Este é um caso gritante, até porque a gravata da Van Heusen é tão foleirona que podia ser usada por um palhaço de circo, com calças curtas, sapatos grandes e nariz vermelho. Ninguém estranharia e, nesse caso, poderíamos dizer que este é um mundo de palhaços. Talvez seja verdade.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Mulher, já lavou a minha cueca hoje?


Se você acha correto que o seu lugar de mulher é se submetendo ao marido, fazendo as tarefas domésticas, que o seu lugar é cuidar do lar, então, você tem que conhecer as Mulheres Diante do Trono, este movimento cristão bizarro que condena a mulher libertária.

Siga os dizeres da Pra. Ângela Valadão:

"Os pais estão criando suas filhas não para o lar, não para serem esposas, não para serem mães, mas criando pra sua carreira profissional. Então as mães se alegram 'ah, minha filha passou em primeiro lugar no vestibular; ah ela passou no concurso...' e a menina...eu já ouvi pais, pais maduros e irmãos nossos, líderes, dizendo assim: 'minha filha não vai namorar até formar, até terminar a faculdade'. Aí, o que acontece, passa a fase mais linda da menina, passa os momentos mais bonitos, a menina estuda, é excelente, mas não sabe cozinhar, não sabe pregar o botão numa camisa, não sabe passar uma camisa, não sabe organizar...nunca arrumou uma cozinha. Então, ela não está sendo preparada para o lar, ela está sendo preparada para competir com o homem no mercado..."

Confira o vídeo completo desse encontro de mulheres conservadoras cagando as palavras mais fedorentas sobre as mulheres:



Obscenatório (o retorno)

Como é o sexo para homens e mulheres



Testosterona

02 abril 2013

os pais...

e as manifestações da frustração infantil...
Raim on Facebook

Excerto de «As Luzes de Leonor», de Maria Teresa Horta

"Leonor olha-se atenta, permitindo que as mãos passeiem, indecisas, por sítios até aí interditos, reconhecíveis apenas pelo tacto esquivo; lugares que os dedos têm evitado e agora descobrem, desvendam, com uma curiosidade sôfrega, prestes a ceder ao insistente desejo. Com acanhamento afasta devagar as virilhas que mal desviadas logo cedem a entreabrir-se, deitando-se ela tremendo na cama estreita, a perceber espantada que, apesar do inverno antecipado no frio de Outubro, o seu corpo escalda, queima, palpita, estremece, e pela primeira vez lhe escapa.
Instintivamente acaricia o velo de cedro penumbroso, bosque arruivado a ensombrar-lhe o cimo das coxas; curva-se de novo e, admirada, vai tão longe quanto pode na abordagem tímida dos lábios de anil da molhada boca do seu ventre. A separá-los: penetrando, afagando-os, a sentir nos dedos uma humidade lenta, um orvalho dolente, uma resina turva.
Ali, onde há sucos e gosto sem ferida.
Ali onde há fenda, há céu, há mar.
Mato de se perder na busca da vertigem, no assombro da ousadia do acto; gosto e travo a rosa insatisfeita, odor de chuva, de cardo, de almíscar. Perfume de nardo a desatar-lhe os nervos, enquanto persegue o improvável mapa do delírio: mais acima a mina, e logo abaixo o poço.
Modorra de papoila a florescer no alto, a entumescer ao tacto.
Prazer diverso e gozo que a muda, e ela transgride, voa, cresce. E tanto no clítoris como na vulva, o bordado a cheio vai-se enredando, matizando, vai-se demorando nas caprichosas cores, nos desenhos, nas misteriosas linhas de agulha onde se enleia. Veia que o fogo entorna, toma e incendeia. Na procura do êxtase.
E Leonor ondeia.
Rola enovelada em cima do leito onde se distende, roda e cede a galgar o parapeito de si própria, deixando a razão apagada à cabeceira.
Rodopia.
Resvala.
Mãos descendo e subindo, indo e vindo, na descoberta dos desvãos, do topo, dos secretos recantos de segredo, em todos os lugares e tempos que o orgasmo guarda.
Entorna.
Grita e explode.
Gemendo sob o pulso que lhe amordaça a fala pelo próprio avesso. Assim leve, assim solta, assim livre, Leonor corre, voa, nada, desvenda.
E finalmente foge.
Consigo mesma."

in "As Luzes de Leonor", de Maria Teresa Horta

Eva portuguesa - «Partida»

[Janeiro de 2013]
Preparo tudo para ir embora: passaporte, malas, deixar as despesas pagas, ter quem me fique com a cadelinha e, mais importante que tudo, deixar o meu filho bem entregue.
Preparo as coisas práticas que, apesar do trabalho que envolvem, são bem mais fáceis de resolver que os assuntos do coração.
Vou para fora trabalhar durante quase um mês, na esperança de conseguir amealhar um pé de meia que me permita fazer face ao que me pode faltar ganhar cá.
Vou partir em busca de mais e melhor trabalho, com a consciência de que assim é preciso...
Parto com o coração pequenino de receio do que irei encontrar, de saudades e preocupação pelos que cá deixo.
Parto também com a esperança de uma realidade melhor... certamente que irei encontrá-la...
Ainda faltam quinze dias para a minha partida mas a ansiedade (boa e má) já é tanta que me tira o sono....
Sim, será apenas um mês ou menos, mas é em tudo uma situação nova, desconhecida e ousada para mim. Irá ser como espero?... Irei ser bem sucedida?... Valerá a pena o risco?... 

Meu deus, ajuda-me a fazer o que devo!
Por um lado, agradeço a oportunidade e possibilidade de tentar encontrar noutro país aquilo que actualmente não consigo ter cá. Mas por outro, penso no sacrifício que é preciso fazer, eu e todos os que fazem parte do meu dia-a-dia, para conseguir um presente e uma perspectiva de futuro; para ter uma segurança de que nada me faltará nem ao meu filhote.
E é com esta confusão de sentimentos e pensamentos que vou preparando a minha partida...
Parto no início do mês de Fevereiro, para ficar longe três semanas...
Parto para um sonho de uma vida melhor. Não é por isso que todos o fazem?...
E, quando regressar, espero vir com um sorriso iluminado e com uma rede de segurança que confirme que valeu a pena ter partido...
E, enquanto lá estiver, rezarei por mim lá longe, pela concretização do que me faz viajar e também rezarei por tudo e todos que cá deixo, para que continuem abençoados...
E agradeço aos que, por amizade e amor, tornam possível esta minha partida.


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«Espraiamento» - Susana Duarte

Não quero ir para além do mar… Quero ficar na areia, onde posso dormir.

Não posso desviar-me do caminho da praia. Encontro, nela, asas perdidas.

Sabes de mim? Resido nos olhos da areia que se descola da ave.

Resido nos seixos que se escondem na rebentação das ondas.
Descubro caminhos erguidos nas dunas.

E nelas enceto viagens de mim em mim.

________De mim em ti._____________

Derreto pedras no calor das costas.

Mostras-me o caminho das areias…

Movo-me nos teus braços.

Navego-te, nas tuas pernas.

Deito-me.
Algaço.

Susana Duarte
"Pescadores de Fosforências"
ISBN: 978-989-8590-02-2
Edição: dezembro 2012
Editora: Alphabetum - Edições Literárias
Blog Terra de Encanto