09 maio 2013

Postalinho de Verona (Itália)

Não há quem não conheça a história de amor trágica de Romeu e Julieta.
Mas poucos saberão que existe na casa de Julieta («casa di Giulietta»), em Verona, uma estátua em bronze da Julieta que os turistas abraçam e cuja mama direita acariciam... para dar sorte, dizem eles (e elas).
Eu não sabia... mas fiquei a saber, graças à «visita guiada» disponibilizada pela Daisy e pelo Alfredo Moreirinhas, no seu blog «Travel With Us».
E enviaram-me este postalinho da Giulietta, com a mamoca direita bem brilhante:


Foto de Daisy Moreirinhas
Blog «Travel With Us»

Para terem uma ideia do que para ali vai, deixo-vos algumas fotos de turistas que por lá passaram e puseram fotos na internet:

2ª lição

Cravada no pénis erecto, a vagina vai sentir a corpulência da carne dura que a preenche. O formato começa a ser perceptível. As veias salientes, a glande endurecida, o sulco magnífico, o freio, o pulsar cadenciado que expande as paredes que o oprimem. A mulher pode erguer-se devagar, nunca deixando de concentrar toda a atenção na carne que abandona. A vagina vai relaxar os músculos, abrindo-se à medida que o pénis desliza para o exterior. A glande permanecerá, no entanto, dentro dela de modo a que a possa apertar. Os pequenos lábios devem sentir o sulco e apreciar toda a boleada cabeça do falo. Os músculos podem contrair e expandir repetidamente, como se a mulher estivesse a moldar, a modelar, a forma que a vai queimando. Pode rodar as ancas – num ângulo pequeno – e oscilar para a frente e para trás, com o cuidado de ter apenas a glande bem segura e presa nos pequenos lábios da vagina. Se o homem gemer e mostrar sinais de desespero, é tempo de retirar o pénis. Agarremo-lo pela base e empurremo-lo de encontro ao clítoris. Aberta com os nossos dedos, a ostra mostra a pérola. O pénis servirá então para, com força, a esmagar e bater, sem piedade. Voltemos a baixar sobre a erecção o fogo do Inferno. Devagar. Há que sentir o ferro a entranhar bem fundo. Este movimento poderá ser executado por sucção. A vagina pode ser treinada para sugar, para engolir através do vácuo, um pénis todo inteiro. Vi, na Indonésia, uma mulher a sorver com a vagina notas que pousavam sobre a mesa. Não se exige esta perícia, mas parece ser possível a sucção vaginal, se formos persistentes e o treino passar por uma imensa concentração, uma boa dose de loucura, empenho, dedicação, controlo e sobretudo prazer. Caso não ocorra, como será de prever, o deslizar do pénis para dentro de nós, profundamente, deve ser executado com os músculos vaginais tensos e contraídos. Tornar difícil o entranhar do bicho, para deslassar a pressão logo que a glande toque o colo do útero. Vamos repetir lentamente os movimentos até sentirmos que o controlo do macho começa a vacilar, principiando uma vontade doida de apressar todo o processo. É nesse momento que chega o tempo de esperar pela lição seguinte.

Camille

Mudança profunda



Nadaver.com

08 maio 2013

«Segismundo» - João

"A Marta e o Jaime são adultos. Casados e com filhos. Cruzam-se e percebem que são iguais. Que as cabeças encaixam uma na outra como peças de puzzle perdidas e reencontradas, e como os corpos obedecem às cabeças, não há esforço nem sacrifício, é tudo natural, deslizando como se não existissem entraves, como se o mundo fosse uma pista de gelo sem fim e eles patinadores, fundidos, um no outro. É essa a percepção que a Marta e o Jaime têm. O id resolve. O impulso primário é arrancarem as roupas um ao outro, mesmo que os outros estejam a ver, e derreterem-se em gotas de suor. Sem pudor. Logo ali. Se preciso for até mesmo com gente a passar ao lado. O ego diz à Marta e ao Jaime que precisam esperar que ninguém esteja a ver antes de se agarrarem, e que só depois, em absoluto segredo, se podem atirar aos braços um do outro, seja perto do chão, ou num vigésimo andar, ou debaixo de uma árvore. O superego diz-lhes que não o podem fazer, porque é moralmente errado. Porque há valores que respeitam e querem preservar, porque a vida se conduz por entre pilares que seguram as coisas nos seus sítios.
Tudo muito bem, dizem eles. Que seja, que tragam o Freud para dentro da cama deles, que se vejam os seus comportamentos à luz da complexidade dos comportamentos humanos. Não querem saber. Querem soltar o id sem rédeas, querem pingar todo o suor, querem gemer tudo quanto possam, morder os lábios, agarrar cabelos, cavalgar sem freio. Como se não houvesse amanhã. Mas sempre vem um ego que os segura. Que torna as paredes, contra as quais se querem empurrar, rugosas e dolorosas, que seca os corpos e dificulta o encaixe do puzzle. E o raio do superego ainda vem meter-se, criando a ideia de que alguma coisa, não se sabe bem o quê, não pode ser assim. Não deve ser assim. Que os pilares abanam e as coisas mudam de sítio.
E no final do dia, quando as luzes se apagam por fim, quando o corpo vai à cama e a cabeça na almofada viaja para longe, quem comanda o sonho? O id, o ego, ou o superego? Conta lá Segismundo, se não é o id o mais poderoso de todos eles, o que grita mais alto, e dá luta ao ego e ao superego, que todos os dias, minuto após minuto, tiram o ar do id e o sufocam nos brancos e nos pretos das vidas espartilhadas por limites e convenções traçados por pessoas sem rosto, amálgamas de gente que contraria o id com medo de perder o Norte. Conta lá Segismundo, se a complexidade humana é assim tão complexa, ou se somos apenas bichos simples com camadas e camadas de receios, abafando os nossos id porque ninguém nos soube ensinar de outro modo, porque foram gerações sobre gerações a injectar-nos ego e superego em doses industriais, julgando que sem isso seriamos apenas animais?"

João
Geografia das Curvas

«conversa 1971» - bagaço amarelo

Ela - Em doze anos de casamento, o meu marido ainda não percebeu como é que sou na cama.
Eu - Já lho disseste?
Ela - Não. Doze anos deviam dar para ele perceber ou adivinhar.
Eu - Isso de que os companheiros sexuais têm que adivinhar os desejos dos outros é um mito urbano. O melhor é dizeres-lhe.
Ela - Dizer-lhe, dizer-lhe... não posso fazer isso.
Eu - Porquê?
Ela - Agora é tarde demais.
Eu - Tarde demais?
Ela - Sim, se eu lhe dissesse agora algumas coisas, ele ia perguntar porque é que eu não lhe disse antes.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

concurso de punheta com 74 meninos...

Helicoptralho

É bom saber que não estamos sós na taradice:

"Toda a gente fala das imagens subliminares nos filmes da Disney, mas por cá também temos artistas a entrar na brincadeira.
Terei sido só eu a reparar nisto?! E logo num monumento nacional...
Um pouco mais de decoro, se faz favor! Há crianças a visitar o sítio..."
Esgar Acelerado

07 maio 2013

A avaliadora



HenriCartoon

Os dias de glória chegam quando menos se espera

Se não sabes o que é um «glory hole» (buraco da glória), procura na internet...


Glory Days from Nicolai Ritchitelli on Vimeo.

Eva portuguesa - «Alguns dias»

Alguns dias são mais difíceis que outros.
Alguns dias eu não consigo sequer pensar.
Alguns dias eu não consigo dormir.
Alguns dias eu não quero deixar a minha cama.
Alguns dias eu tenho vontade de desistir.
Alguns dias são bons.
Alguns dias eu choro.
Alguns dias sinto muito a tua falta.
Alguns dias tenho que fingir sorrisos.
Alguns dias começam bem.
Alguns dias eu sinto-me feliz.
Alguns dias só quero que o dia acabe bem....
(Autor desconhecido)


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«poderiam ser palavras minhas» - Susana Duarte

poderiam ser palavras minhas,
as que semeio nos bancos do tempo.
consumimos dias como consumimos noites,

e os dias foram tão breves,

e as noites, tão leves,

despidas de sono, despidos nós.

poderiam ser palavras minhas,
as que deposito na gloriosa sabedoria da lua,
milenar, pedra angular de todos os rios, navegada
por nós sobre os ângulos frios do antigo desconhecimento.

poderiam ser tuas as frases saídas das pálpebras,
onde o azul renasce, framboesa da minha boca,
com a qual colho sons e sonhos e água e sementes

com as quais me dirijo ao vento
e floresço amora-beijo-cais das colunas do desejo
e flor noturna onde te deitas e sabes. poderiam

ser flores, as palavras e o peito, crescente lunar
de uma nuvem que alcanço em ti.



Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

O tocador de bombo

Em Barcelos, fazem parte da tradição do seu artesanato as figuras que recriam bandas filarmónicas, grupos de música e dança. Algums dessas peças funcionam também como apitos.
Há uns anos, comprei numa feira de artesanato uma peça dessas, um elemento de uma banda filarmónica, mas com a língua de fora, só com a ponta vermelha e a pila de fora. Quando perguntei à autora a razão de ser daquela peça fora do comum, ela esclareceu-me:
- Depois de fazermos tantas vezes as mesmas peças, às vezes precisamos de fazer algo diferente, para espairecer.
Essa peça faz parte da minha colecção.
Agora, descobri esta, de um tocador de bombo, em que a maceta (maçaneta)... bem, apreciem:







06 maio 2013

The Rockadictos - «Un mensaje mas»

Do «Expresso» - The Rockaditos, uma banda argentina-venezuelana radicada em Miami, fez uma paródia sexual com a imagem da Presidente da Argentina Cristina Kirchner.
O grupo ilustra o videoclip da música "Mais uma mensagem" com imagens, em desenhos animados, da chefe de Estado a masturbar-se.
O vídeo, publicado em Setembro, têm gerado várias críticas e a presidência argentina pediu ao Google que o retirasse do YouTube, contudo, o motor de busca recusou.


The Rockadictos Un mensaje mas Video Oficial from Julio Maldonado on Vimeo.

Trojan - um milhão de preservativos fabricados diariamente

«conversa 1970» - bagaço amarelo

(ao telefone)

Eu - Até que enfim que te apanho. Preciso falar contigo.
Ela - Apanhaste-me na casa de banho.
Eu - Okay, desculpa. Ligo-te daqui a cinco minutos.
Ela - Não, não. Diz agora, que é o momento certo.
Eu - Não estás na casa de banho?
Ela - Estou. É na casa de banho que aproveito para fazer os meus telefonemas todos, ler revistas e livros, etc. Além disso, não saio daqui a cinco minutos, mas sim daqui a uma hora, mais ou menos.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Prazer”» de Gigi Manzarra

A minha mão percorre deslizando, a pele bronzeada pelo sol. Desenha riscos imaginários que deliciam teu corpo moreno e aquecem meu desejo de mulher. Escultura esbelta e quente, que povoa meus sonhos e os transforma em filme colorido exibido só para mim.
 Teus olhos brilham, mergulhando no fogo ardente dos meus, aumentando a labareda alta do prazer! 
O teu perfume, que conheço sem precisar te ver, acorda todos os meus sentidos, ao deixar transbordar a vontade de te possuir.
 Meu corpo estremece numa entrega total, se abandonando ao sabor louco e selvagem de sensações incontáveis que nunca serão iguais. Sou presa fácil e espontânea de um comando que vem de ti, numa voz macia e rouca, que me fala em silêncio, com a força de um grito!
Minutos de êxtase, pedacinhos soltos de sedução, que escreverão na memória, uma folha de vida para não mais esquecer. Tatuagem profunda que rasgou a minha pele, marcando para sempre meu corpo com o teu amor!

Gigi Manzarra

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

E um post bem maroto

Pra deixar uma música na cabeça de vocês.



Don’t hurt me…

Capinaremos.com

05 maio 2013

«OVOpedia -2008» - o aparelho reprodutivo feminino


16video commercial for anatomy - client : OVOpedia -2008 apparato riproduttivo femminile from MILKYEYES - donato sansone on Vimeo.

«Alcatruzes da vida» - por Rui Felício


Pegou no maço de Definitivos, tirou mais um cigarro e acendeu-o.
Como acontecia há várias noites, a insónia vencia-o e assim como as cinzas fatídicas do cigarro se pulverizavam, também as ideias se lhe esfumavam, incapaz de as encadear, de forjar um raciocinio coerente.
Ali do alto do Penedo da Saudade, os olhos espraiavam-se pelo vale do Calhabé, corriam sem se deter pelo estádio municipal, pela igreja de São José, pelo apeadeiro do comboio e quedavam-se no extremo nascente do planalto onde tinha sido plantado, numa geometria irrepreensivel, o casario do Bairro. Era ali que dormia a sua amada, lá para os lados da Rua da Guiné.
Nunca se tinham falado, mas apaixonara-se por ela desde o primeiro dia em que a viu num baile do Greco para onde tinha sido convidado por um colega de faculdade há um mês atrás.
Névoas silenciosas vindas do Mondego e do Pinhal de Marrocos começavam a cobrir lentamente, em farrapos obliquos, as casas do vale deixando aqui e ali a descoberto os fantasmagóricos picos das suas chaminés, como pontas de jazigos, numa desolação madornal de cemitério, sepultando e escondendo no seu ventre os funcionários, os operários e os camponeses que habitavam aquele plácido e húmido recanto da cidade ainda rural, planificado na bruma.
Mal adivinhava o seu pai, lá longe em Mangualde, que, com sacrificios imensos o mandara estudar em Coimbra para ser doutor, alugando-lhe um quarto numa casa perto do convento das Carmelitas e do Penedo, que o seu filho Pedro, em vez de pegar nos livros, passava as noites a esfumaçar à janela, de coração apaixonado, obstinado naquele bairro.
Ou, melhor dito, numa determinada casa daquele bairro.
Ou, para sermos mais precisos, na janela daquela casa onde dormia o seu amor.
Mal começou a romper a aurora, passou a cara por água, tentando disfarçar as olheiras profundas, penteou-se, vestiu a capa e batina, meteu dois livros debaixo do braço e saiu de casa.
Em vez de se dirigir à Universidade para ir às aulas, desceu a pé pelo Cidral, estugou o passo com a capa a ondular e dirigiu-se até à passagem de nivel. Como de outras vezes, era ali que esperava que ela passasse para ir às aulas do Liceu Feminino onde frequentava o 7º ano.
Nunca antes lhe tinha falado, mas desta vez estava resolvido a abordá-la e a declarar-lhe o seu amor.
Pouco depois, viu-a descer a rampa que vinha da Rua de Angola em direcção ao apeadeiro, acompanhada de outras colegas, numa algazarra juvenil, de gargalhadas e dichotes.
Mas o seu coração baqueou. Num amplexo apertado, um rapaz envolvia a Graça com o braço em redor dos ombros.
Afinal ela já namorava!
Desistiu de lhe dirigir a palavra.
Macambúzio, acabrunhado, com o coração a sangrar de desgosto, virou costas em direcção à paragem do Calhabé para ir apanhar o trolley para a Universidade.

Muitos anos mais tarde, o Dr. Pedro Matias, já médico em Mangualde, viu a Graça entrar-lhe no consultório, pedindo-lhe que a observasse e medicasse. Precisava de se tratar de uma gripe que a vinha apoquentando há uns dias e aproveitara uma diligência no tribunal de Mangualde para ir ao médico.
Era agora advogada em Nelas...
Reconheceu-a, falaram de Coimbra, do Bairro e do Greco.
Receitou-lhe umas aspirinas que é prescrição que nunca falha.
Só então o Pedro ficou a saber que aquele rapaz que a abraçava, naquele tenebroso dia no apeadeiro, era o irmão da Graça que se dirigia para as aulas no D. João III, acompanhando-a até ao Infanta D. Maria.

Rui Felício
Blog Encontro de Gerações
Blog Escrito e Lido

Decalcomania



Ele não apareceu e eu sabia que o funeral estava feito. Para grandes males, grandes remédios, não é Senhor Doutor?... Saquei do número de um amigo especial, daqueles muitos coloridos mesmo e aferi se estava disponível.

Em minutos estava na porta da saída e entrei no primeiro táxi que passava. Um rapazito de t-shirt e jeans acolheu-me com um largo sorriso e mais olhadelas ao espelho retrovisor do que à condução. Começou a desfiar o seu rosário de que a vida dele não era aquilo, que até cantava em casas de fado do Bairro Alto e era convidado para muitos lados e até tinha um rapaz que lhe escrevia letras e estendeu-me uma folha pautada cheia de erros ortográficos que foi logo o que me saltou aos olhinhos, com uma história de amor trágico que só me lembrava aquela de que andava a desgraçadinha no gamanço para sustentar os seus três filhinhos. Mas acenei que aquilo era mesmo fado e sorri. E ele aprumou o pescoço e começou a cantá-lo. E depois mais outro e outro até num sinal vermelho, ao sol abrasador, puxar de duas cervejas, estrategicamente guardadas numa geladeirazinha entre o assento e a sua porta. Abriu-as com um abre-cápsulas que também era porta-chaves e estendeu-me uma avisando que estava incluindo na bandeirada. Não sei se era notório que eu estava à beira de um ataque de nervos ou se era apenas o reflexo das minhas pernas sob a pequenita saia preta esvoaçante no espelho mas para mim aquele táxi era Almodovariano.

Quando finalmente cheguei ao pé do meu amigo alagou-nos a urgência dos beijos e a azáfama de despir as roupas na premência de tocar pele conhecida como o baú do sótão da avó. Línguas e mãos em desvario, dos rostos até meio do corpo, na pressa de nos absorvermos. E quando as suas coxas roçavam as minhas nádegas e os meus mamilos subiam e desciam sobre o seus, abri então os olhos e vi o seu rosto transfigurar-se no do outro, o ausente, que ali ganhava contornos de nitidez indescritível. E naquele aperto continuei a ondular aquilo que o cérebro tornava virtualmente real.

Os homens nunca devem levar as suas namoradas às praias de nudismo





Via Sweetlicious

04 maio 2013

Meninas, apreciem...


Bill Cable (1946–1998) 'Stoner' from julianen on Vimeo.

«pelo dedo mindinho do pé» - bagaço amarelo

Existem as pessoas que dizem frequentemente asneiras, as que só as dizem de vez em quando e as que quase nunca as dizem. As caralhadas estão longe de ser uma questão transversal à sociedade e, suspeito eu, são também uma questão de género.
Os homens são, em geral, mais asneirentos do que as mulheres. Nunca fiz essa conta, claro, mas estou convencido que sim. É que as mulheres, embora também as digam, fazem-no menos vezes e apenas quando estão chateadas. É preciso ser mulher para conseguir tratar bem um palavrão, de forma a dar-lhe delicadeza suficiente para a transformar num aromático voo de borboleta.
Nas mulheres, assim, as asneiras são para ser levadas a sério. Quando o vocabulário vernáculo mais pesadão ultrapassa os lábios femininos é porque alguma coisa está realmente mal. É por isso, e só por isso, que um homem não deve dizer muito asneiredo quando está acompanhado por uma mulher. Descredibiliza o palavrão. Retira-lhe substância e torna-o ordinário. É uma espécie de história do Pedro e do Lobo: se um gajo diz asneiredo a mais, chegará o dia em que quer dizê-lo porque está realmente fodido chateado com a vida e ela não o leva a sério.
Aliás, quando um homem chega a esse intenso nível obscurantista do vocabulário, é quando uma mulher começa a fazer contas e a pensar que escolheu como companheiro para a vida, não um homem, mas sim um martelo pneumático com pénis. É também quando ela, para se distanciar de tal alarvidade, passa ao nível zero de asneiredo.
É claro que uma mulher que afirma nunca ter dito nenhum palavrão na vida mente descaradamente, a não ser que nunca tenha batido com o dedo mindinho de um pé na esquina de um móvel, percalço que já aconteceu a todos os habitantes deste planeta que vivem em casas ou apartamentos. Portanto é essa a forma de fazer uma mulher entender o armazém interminável de palavrões que existe dentro de cada homem. Pelo dedo mindinho do pé. Aí, garanto eu, somos todos iguais.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Mulher deitada numa caixa dourada

Caixa em resina, da minha colecção.


Um sábado qualquer... - «Amar é…»



Um sábado qualquer...

03 maio 2013

«Vagina, essa incompreendida» - Webzine Muro

A malta amiga da Webzine Muro publicou este post que pedi para divulgar aqui:


"Cheguei hoje à conclusão que os homens têm medo da vagina, a maior parte das guerras acabam por ser devido ao medo irracional do desconhecido, neste caso, a vagina. Todas as guerras religiosas e todas as regras fanáticas das religiões acabam por se basear na máxima "epa tu tapa-me isso que eu nem sei!" Os homens, provavelmente têm receio da responsabilidade de serem pais ou assim. Quando se vai para Padre (que quer dizer mais ou menos "pai" ironicamente) conseguem fugir a essa responsabilidade, mas depois, como começam a ressacar, pegam (por trás) nos filhos dos outros Pais, e estes, quase que começam a acreditar em milagres para ver se aquilo acaba rápido. Fica assim uma dualidade entre ser crente ou descrente, mas acho que isso depende da quantidade do lubrificante não sei. Em relação às guerras islâmicas com os seus fanáticos fofinhos e explosivos... eles rebentam-se para irem para o paraíso, para terem assim imensas virgens (já mencionei isto antes em sede própria). Portanto... Pregam uma religião que censura tudo e que vê pecado em quase tudo para terem direito a um harém cheio de gajas."
Webzine Muro

Prostituição - a minha história (XI)


Retalhos

Bebe-me
que eu sirvo-te estremeções
que eu sirvo-te a dor
que eu sirvo-te rasgões
por uma gota de amor



Verão de 1997... (...) e eis-me à porta, com a mesma estranheza inicial, como se fosse a primeira vez mas soubesse o que se passa ali porque li num livro, a minha vontade refém daquele Mundo do fantástico e do dinheiro, eu prisioneira de mim. Entro e sento-me na sala, mulheres e sacos e uma caixa de pizza pelo chão. Mas onde estás tu, Joana? Do outro lado do espelho. Uma das moças, seríssima, contava os preservativos, outra experimentava vestidos demasiado curtos, com um ar satisfeito. Uma terceira moça que sempre me pareceu sofrer ligeiramente de Tourette, de vez em quando levantava-se, como se tivesse molas, e saltitava, começava a andar eléctrica de um lado para o outro da sala, mexia-se como se tivesse os braços e as pernas demasiado compridas para o resto do corpo e alguém lhe puxasse os ombros para trás, ao mesmo tempo gostava de gritar "olho do cuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu, olho do cuuuuuuuuuuuuuuuuuu", muitas vezes dizia aquilo e outros disparates com um ar de enorme satisfação e linguagem corporal adequada ao disparate, estava a ver TV e lá vinha: "olho do cuuuuuuuuuuuuuuuuuuu", vinha de uma apresentação: "olho do cuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu", falava-se em almoço ou lanche: "olho do cuuuuuuuuuuuuuuuuuuu"... Outra, uma loira, explicava que trabalhava à noite e que era tudo muito fácil e estava tudo planeado, se alguém a seguisse para casa a pensar em assaltá-la, ela tinha aquilo e tirava o "aquilo" da mala que era uma arma, semi-automática, que ela mostrava com a naturalidade e diversão de quem mostra uma pulseira. As outras moças, quando a apanhavam pelas costas, contavam que não queriam ir trabalhar com ela quando os clientes pediam duas meninas porque, nesse caso, o atendimento devia durar uma hora mas bastava o cliente ir ao wc fazer um xixi para ela se levantar cheia de pressa, fazer a cama e vestir-se; quando o cliente voltava ficava, claro está surpreendido mas ela mexia-se e falava tão depressa que os despachava para fora do quarto em segundos. Dizia alto e bom som não aceitar "fazer uma hora, só meia hora, porque uma hora não compensava financeiramente" mas quando era escolhida e lhe perguntavam, na sala, se podia ser uma hora dizia que sim, claro que sim. Ouvia-se a recepcionista ao telefone, numa voz muito fininha a parecer uma menina: "siiiiiiiimmm, eu faço tudinhooooooooo, gosto muiiiiiiiiiiitoooooo", a campainha tocava, "olho do cuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu", "apresentaçãããããão", outra queixava-se "ai, tinha as unhas a meioooooooooooo", tocava novamente a campainha e, de repente, sentavam na nossa sala, no meio de nós, um homem qualquer, no meio daquela cena, o homem com o corpo completamente imóvel, os olhos muito abertos, as pernas encolhidas como se se sentisse a ocupar muito espaço e, de vez em quando, girava o pescoço de um lado para o outro, da esquerda para a direita, como um autómato saído de um cartoon, eu imaginava em cima da cabeça dele, vários balões de texto que ilustravam o seu pensamento: "sexooo, sexoooo, mamaaaas, raboooooos...". (Continua)

Is Tropical - «Dancing Anymore»


IS TROPICAL - "Dancing Anymore" / NEW SINGLE! from Maison Kitsuné on Vimeo.

Coisas que chamam a atenção do homem numa mulher



Via Testosterona

02 maio 2013

Procuro parceria para um negócio extremamente rentável

Todos os anos, pelas Queimas das Fitas por esse país fora, muita maltinha jovem queima o grelo... e - pasmemo-nos - de forma voluntária!
No próximo domingo, lá vai a estudantada de Coimbra fazer fila, esperando várias horas, contando com os tradicionais "golpes" (passar à frente da fila, com a maior lata do mundo) que sempre fizeram parte do chico-espertismo de muita desta gente.
Pois a minha ideia é muito simples: montar uma banca à saída do penico onde as meninas masoquistas queimam o grelo, vendendo bisnagas de pomada «Halibut - especial Grelos Queimados», criada por mim especialmente para este evento.
Até posso aplicar no local (tanto geográfico como anatómico)...
Que tal?
Quem é amiga, quem é?


Teste de condução do Renault Clio - versões para homem e para mulher



«Já se esquecera...» - Maria do Rosário Pedreira

Poema de Maria do Rosário Pedreira publicado como inédito no Jornal de Letras e Artes» nº 1110, de 17 de Abril de 2013.
Obrigada pela prendinha, Dr. Diogo!


Já se esquecera a que sabia o sémen
de um estranho. E agora que voltava
sem querer às ruas vermelhas, quase se
arrependia de ter apagado tão depressa
o nojo e a indecência nos caracóis de

um menino que haveria de ser sempre
só dela. E como lhe parecia igualmente
viscoso e escorregadio o dinheiro que no
fim lhe entregavam dobrado e à pressa –
tão diferente do cartão limpinho com que

as senhoras lhe tinham pago vestidos ao
balcão, na loja que agora dava pena, assim
entaipada. Ai, se o menino soubesse que

era ainda nele e nas suas brincadeiras que
pensava quando agachada ali, durante de um
estranho, abria a boca e fechava os olhos.

Maria do Rosário Pedreira

Threesome

 Sempre considerei arriscada a prática do “ménage à trois”. O cuidado com que se devem escolher os parceiros é fundamental e prefiro o envolvimento de duas mulheres e um homem, à alternativa. A necessidade de se evitar a selecção de dois machos alfa torna complexa esta experiência. Acaba sempre por sobressair o confronto entre poderes e a mulher subalterniza-se quase inconscientemente. A presença de apenas um alfa, enfraquece de modo natural o mais dócil e, embora seja menos arriscado a escolha de dois homens submissos, ter de controlar, dominar e orientar uma dupla frágil, é cansativo e entediante.
A participação de duas mulheres é sempre mais proveitosa. Sabem exactamente onde se situam todos os pontos fulcrais dos parceiros e torna-se facílimo usufruir de ambas as faces das moedas com o máximo deleite.
Não é, de todo, uma “tarefa” fácil, mas uma principiante deve reconhecer de imediato que a posição mais cómoda que lhe permite o desfrute de alguma das inúmeras potencialidades desta prática, é a mais simples. Nestes, como em muitos outros casos, as mais primárias posições são aquelas que iniciam um percurso imenso e que permitem posteriores viagens paradisíacas.
Aconselho um macho alfa como parceiro. Nada melhor do que resistência e controlo para uma aventura tão demorada como estas devem ser.
Não vou descrever (por enquanto) as manobras possíveis e “obrigatórias” a efectuar nestas andanças, mas nada impede que refira aquela que é considerada a clássica e a mais banal.
Uma das mulheres, voltada para o homem deitado, monta-lhe o pénis, entranhando-o o mais possível. Permitirá dessa forma mover-se, ondulando, ao sabor do que lhe causará maior prazer. O movimento de vai-vem sobre o pénis não é, neste momento, o esperado. A ondulação, o rodar subtil das ancas, vai permitir uma maior atenção à companheira que, voltada para a parceira, de joelhos, levemente dobrada, expõe a vagina à língua e à boca do homem que a vai explorando ao mesmo tempo que perscruta o anûs humedecido, rodando e enfiando-lhe com suavidade o dedo encharcado em sucos ou a serpente incendiada que tem na boca.
As mulheres, assim posicionadas, podem aceder às mamas uma da outra, conseguindo, curvando-se estrategicamente (com a colaboração do macho de pernas abertas e flectidas e pés ficados no colchão, empurrando os quadris e elevando as nádegas - todos gostam!) provar a rigidez dos mamilos e a textura aveludada da pele uma da outra. O clítoris está perfeitamente alcançável, quer de uma, quer da outra, e é possível titila-los mutuamente enquanto se sente o deslizar do pénis ou a saliva quente da língua masculina, e sempre que as bocas femininas estão dispostas de modo a misturarem todas as delícias que se escondem num beijo.
Nestes casos, o homem pode e deve ser instrumentalizado. Se a atenção estiver concentrada e for prioridade entre as mulheres, o prazer masculino é exponencial e atinge-o de forma avassaladora.
Voltaremos a juntar-nos, os três, começando desde o início. Há caminhos longos a desbravar mesmo que usemos apenas um cajado.


Camille

Mãe África



Via Ela Tá de Xico

01 maio 2013

«Mesa» - João

"O homem está sentado à mesa. Mesa com duas cadeiras, frente a frente. Mas a cadeira em frente a ele está vazia. Ele está seráfico. Nenhum músculo do seu rosto apresenta tensão, não há expressão alguma, há apenas um homem sentado com as pernas perfeitamente alinhadas e joelhos a noventa graus, e as mãos sobre a mesa, abertas, de palma para baixo, sem movimento, sem corpo para agarrar, sem emoção. Apenas a madeira, inicialmente fria, agora aquecida pelo corpo que apesar de morto na superfície, irradia calor.
A cadeira em frente está vazia e em ângulo, denunciando alguém que partiu, e ao fazê-lo a afastou de rompante, sem aviso. O homem esperou-a durante três dias quando as emoções se sentiam a tantos milhares de quilómetros. Quando entrou pela porta o homem avançou resoluto em direcção ao seu corpo e abraçou-a de imediato. E ela devolveu o gesto, encostando-se a ele. Mas tinha medo. A princípio tinha medo. E então agarrou-a de novo, cruzando-lhe os braços atrás das costas, puxando-a para ele. Repetiu o nome dele várias vezes. Ao ouvido. Uma vez. Duas vezes. Várias vezes. Insistentemente. E enquanto se recolhia no colo dele, ele cheirava-lhe o cabelo e dizia “cheiras tão bem”. E esse lenço, esse lenço que ela trazia enrolado ao pescoço e que ele puxava, querendo puxá-la cada vez mais, querendo levar as mãos a todo o seu corpo sem vagar. Toda ela encostada a ele. Toda ela a perder o domínio. E a dizer o seu nome. E a afastá-lo com a mão no peito. E a querer sair dali. E ele a tocá-la de novo e ela a dizer que tinha de parar. E ele parou.
Enganaram-se durante algum tempo. Iludiram-se. Acharam que era possível não estar. Mas a ausência era cada vez mais pesada, e os sinais eram cada vez mais evidentes. Sinais de proximidade, de semelhança. De querer, de estar, de ficar. Tanto suor, tanto. Minutos, horas, quilómetros, dimensões do espaço e do tempo que se ultrapassaram para um olhar, um toque, um abraço indestrutível, apertado nos braços e colado nos corações. Queimou-se tudo, toda a terra à volta, partiram-se cidades de anos e anos, prédios vieram abaixo, todas as pedras se revolveram, não ficou nada em cima de nada. Ergueu-se, lentamente, um caos que levantou poeiras e tirou as coisas do sítio. E colocou-as noutro. Agarrados lançaram-se contra as barreiras que se ergueram no caminho. Até que pedras mais violentas embateram nas faces e fizeram sangrar. E sentaram-se. Um de cada lado da mesa quadrada. Sem palavras ela levantou-se. E ele nunca mais se moveu. Deixou a cadeira arrancada do seu lugar, tal como ela a deixou. Repousou os seus músculos, esvaziou-se, acentuou o vazio da sua ausência. Pesada. Triste. Violenta. Até que ela se voltou a sentar, e disse o nome dele. Uma vez. Duas vezes. Várias vezes. Insistentemente."

João
Geografia das Curvas

Europa... o que vai sair daqui?...



Joep Bertrams (Holanda) - PressEurop

«respostas a perguntas inexistentes (238)» - bagaço amarelo

ao Diabo e à mulher nunca falta que fazer

É uma pena que Deus não exista. Só a sua existência é que sustentaria a também existência do Diabo e, tal como acabei de ouvir numa conversa de homens envelhecidos pela solidão, ao Diabo e à mulher nunca falta que fazer. É um provérbio, como tantos outros, que explica como alguns homens jogam às escondidas com Deus.
Enquanto uma vida triste se torna feliz com uma paixão, uma vida feliz torna-se triste sem ela. Os homens que não sabem Amar escondem-se na tristeza de Deus, e empurram o seu enorme falhanço na vida para essa dupla conspiradora formada pela mulher e pelo Diabo.
Eu, se fosse um falhado no Amor, rezaria ao Diabo que me ajudasse. Nunca a Deus. É que fiquei ali a ver aqueles dois, de olhar triste espetado no chão, numa mesa de café despovoada, sem nada mais que fazer ou dizer. Se pudessem optar, diria eu, era melhor irem ter com o Diabo e, consequentemente, algumas mulheres. Sempre teriam que fazer.
Já percebi onde é que surgiu a ideia judaico-cristã do Diabo. É uma luz ao fundo do túnel para a felicidade e para o Amor. Às escondidas, é certo, mas ainda assim uma alternativa à submissão e à tristeza contínua. É por isso que ainda há homens que dizem isto...


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

DirtyInkGirls apresenta o primeiro «Kinky Harlem Shake»


DirtyInkGirls Presents the worlds first KINKY Harlem Shake Video NSFW from Dirty Girl on Vimeo.

As verdades são para se dizer

Crica para veres toda a história
Genuíno


1 página

oglaf.com

30 abril 2013

Dove - «Retratos da verdadeira beleza»



... e um video que alguém fez baseado na mesma ideia... mas para homens, com humor:

Eva portuguesa - «Domingo»

É domingo, estou no apartamento desde o meio dia e a única coisa que fiz foi receber três marcações falsas!
E, para respeitar uma delas, recusei outra...
Ou seja, há "homens" ( se é que se lhes pode aplicar este nome!) que, na sua frustração de não terem nada nem ninguém num domingo, se divertem a estragar a vida a quem abdica do seu dia de descanso para se sustentar!...
Muitos são anónimos, mas outros nem por isso.
Um dia vou publicar aqui todos os números que tenho destes engraçadinhos.


Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado

«ama-me» - Susana Duarte


ama-me, nos círculos que me desenhas
e nas ondas com que me moves.
desenha-me nuvens
nos lábios.

ama-me, e redesenha-me o corpo.
redesenha-me os dedos
com a língua
e o fogo.

descobre-me sóis, onde me deito,
e desenha-os nos teus poros,
grutas de fogo do meu leito,
onde vives a pele
e me amas.

ama-me. e desenha em mim
os futuros que as ondas
de sol levantam
nas mãos.



Susana Duarte
Blog Terra de Encanto

Adoradora e o seu ídolo

Tenho várias peças (algumas delas únicas, como esta) assinada por "P. Leroux (1/1)".
Esta estatueta em metal (que não me parece bronze), com 8,5x13,5x6cm, juntou-se agora às restantes, na minha colecção.





29 abril 2013

Nacho Vidal farmacêutico - câmara oculta

«pensamentos catatónicos (287)» - bagaço amarelo

somos únicos

Estou tentado a acreditar que é mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa. O pouco que nos separa, no entanto, é um pequeno machado capaz de destruir essa grande árvore que é a nossa união. E sim, falo de nós, pessoas comuns que procuram pelo preço mais barato dum produto no supermercado, que gostam de aquecer as mãos frias numa chávena de café fumegante, que choram, que riem ou ficam a leste das emoções uma vez por outra.
Não estou a falar do grandes conflitos entre classes e nações, como aquele que opõe israelitas a palestinianos, trabalhadores a accionistas ou direitosos a esquerdistas. Esses são os conflitos concebidos por interesses escondidos ou por ideias de como o mundo se deve organizar. São problemas fabricados e fazem parte doutra luta.
Estou a falar dos conflitos mais mesquinhos, entre duas pessoas que se Amam e que põem esse Amor em risco por causa de nada. É a mania que temos de acreditar que somos únicos, que os outros não pensam nem sentem como nós. Somos únicos, porque é por nós que passam todo esse cocktail que mistura inexplicavelmente emoção e razão.
Só nos falta perceber que, se formos por aí, somos tão únicos quanto outra pessoa qualquer.


bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»

Luís Gaspar lê «Triste forma de amar» de Cristina Miranda

"Noite após noite,

Colocaram-se nuvens no céu-da-boca.

Estudaram-se os segredos,

Enquanto sentíamos a chuva

Nas nossas línguas.
Imaginei os reflexos

Dos pirilampos que viriam

Servir-te de ponto,

Espalhando restos de luz,

Sobre a galeria de vidas que encenámos…
Conhecíamos a razão

Do pousio das palavras,

Da angústia de sentir descer 

Sobre elas o pano…

Os aplausos eram apenas o eco

De ver uma nova personagem surgir,

Sobre o horizonte da minha garganta.
Por isso decorei todos os silêncios,

Essa ante estreia de uma outra estação,

O escuro de um Inverno,

Sabendo dos reflexos de chuva

Que teria ainda de conhecer.
Tentámos fingir,

Mas não era esse o ponto forte!

O ponto alto?

Foram os obstáculos,

As sementes de tempestade

Escondidas nas nuvens

Do céu das nossas bocas,

Que fomos suportando.
Entrámos.

Eu sentei-me na primeira fila,

Para ter a absoluta certeza de que me verias,

Ainda que fosse eu, a tua única espectadora.

Não aplaudi, no fim.

Já sentia o lago de lágrimas, 

No meio de um público,

No meio de mim…
Esperei que todas as luzes se apagassem.

E, então, sim, 

Chorei, no escuro,

Para que nenhuma porção minha me visse.

E depois fugi 

Daquele lugar,

Fugi de mim,

Tropeçando nos soluços,

Chegando quase a cair,

Naquela tão triste forma de amar!"

Cristina Miranda

Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa

Vantagens da comissão de frente

Mulheres são multiuso.



Não são só de enfeite!

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