03 fevereiro 2010

Madura

Tinha língua de leite
trajada de vermelho,
temperada de branco,
redemoinhos no cabelo;
eram restos do leito
e do turbilhão da noite
que via num espelho
pintado de solavanco
com dedadas do duelo,
um abstracto perfeito,
a pincel suado, já inerte.

Tinha olhos de leite,
e um deleite já velho,
maduro de tão franco
que o tempo manteve belo
mergulhado em leite quente;
ainda tinha pele de leite.

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