20 março 2019

«A louca vida sexual das plantas...» - Nuno Sousa (texto e fotografias)

Ultimamente tenho dedicado grande parte do meu tempo à fotografia de orquídeas selvagens. É bastante mais complicada e técnica que a fotografia de aves. Tenho de andar, apanhar sol, usar flash, difusores e deitar-me no meio do mato, onde levo com todo o tipo de formigas e carraças. Mas quem corre por gosto não cansa...

Não conseguem imaginar que um olhar mais atento mostra que temos inúmeras espécies de orquídeas selvagens nos nossos campos. Não são iguais às que temos, em vasos, em casa, são mais pequenas e menos vistosas, mas para mim mais valiosas porque não foram colocadas ali, fazem parte do ambiente.

As orquídeas são uns verdadeiros "predadores sexuais" dos insetos. De forma a garantirem a continuidade da espécie através da polinização têm de arranjar forma de atrair os insetos. A evolução transformou uma das suas pétalas num labelo que se assemelha a um dado insecto fêmea, e produzem feromonas que imitam as dos insectos. Logo os machos, atraídos pelas belas formas e cheiro, convencidos que vão copular com as fêmeas acabam por copular com a orquídea. Enquanto o pobre inseto usa a orquídea como se fosse uma boneca insuflável toca nuns corpúsculos pegajosos (polinídias - duas massas amarelas no topo) ficando o pólen colado e apanhando boleia para outro exemplar.

A das fotos é uma Orquídea-vespa, especialista em enganar vespas e abelhas.

Nuno Sousa

Orquídea-vespa (Ophrys tenthredinifera)

Orquídea-vespa (Ophrys tenthredinifera)

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