15 setembro 2019

«plúmulas insubmissas» - Susana Duarte

soltam-se, das aves, as plúmulas

insubmissas
que descreveram margens
de rios outrora
ocultos.

desfazem-se nas madrugadas
transparentes,
sonoras como os ecos
de todas as ausências
com que me escreves
nos ossos,

doridos e insubmissos
como as plúmulas,
ocidente de todos os desejos.

soltam-se, e desfazem-se,
as plantas ocultas do voo das aves.

lá, onde o ocidente se atreve
a circunscrever oceanos,
todas as ondas não bastam

para conter a fúria
do voo.

Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
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