Segundo afirmam alguns sites, o tabloide americano National Enquirer, cujo site não é possível acessar, publicou fotos de um suposto filme pornô que Angelina Jolie teria feito em 1999, aos 24 anos de idade. Porém não foram revelados o nome do filme nem o vídeo, apenas algumas fotos de algumas cenas. Será mesmo a Angelina Jolie? Parece que não foram apenas algumas atrizes brasileiras que começaram a carreira na pornochanchada.
11 março 2013
10 março 2013
«Os Teus Peitinhos, Menina» - Vitorino e Janita Salomé
Os teus peitinhos, menina,
São duas rosas de cheiro;
Só lhes toca no botão
Quem as alcance primeiro.
Quem as alcance primeiro
É que lhes toca o botão;
Ai quem me dera, menina,
Ter duas rosas na mão.
[instrumental]
Os teus peitinhos, menina,
São duas rosas de cheiro;
Só lhes toca no botão
Quem as alcance primeiro.
Quem as alcance primeiro
É que lhes toca o botão;
Ai quem me dera, menina,
Ter duas rosas na mão.
[instrumental]
Texto: António Lobo Antunes
Música: Janita Salomé
Arranjo: Filipe Raposo
Versão original: Janita Salomé e Vitorino Salomé (in CD "Moda Impura", PMT - Primetime, 2012)
São duas rosas de cheiro;
Só lhes toca no botão
Quem as alcance primeiro.
Quem as alcance primeiro
É que lhes toca o botão;
Ai quem me dera, menina,
Ter duas rosas na mão.
[instrumental]
Os teus peitinhos, menina,
São duas rosas de cheiro;
Só lhes toca no botão
Quem as alcance primeiro.
Quem as alcance primeiro
É que lhes toca o botão;
Ai quem me dera, menina,
Ter duas rosas na mão.
[instrumental]
Texto: António Lobo Antunes
Música: Janita Salomé
Arranjo: Filipe Raposo
Versão original: Janita Salomé e Vitorino Salomé (in CD "Moda Impura", PMT - Primetime, 2012)
Ripa na rapaqueca*
Ele apresenta o onze inicial com os dedos no baixo ventre a abrirem o fecho das calças e a posicionarem o goleador num esquema táctico de 5-5-1. Ela faz saltar uma mama para fora do decote e apresenta-a no terreno de jogo. Bem jogado. Ele desaperta os botões da camisa e mostra-se de peito feito em campo. Passa a bola. Ela atira com a blusa num remate ao nariz do adversário e em meneios de ancas faz escorregar a saia pelas pernas abaixo. Ele sacode a perna para libertar-se das calças e chuta-as com as meias para canto. Vai fazer a cobrança. Aproxima-se da grande área. Cheira o relvado e gira a bolinha nos lábios entre os postes das pernas dela. Excelente visão de jogo. Ela apoia-se nas omoplatas dele e desliza para o contra-ataque avançando de língua em riste para o ponta de lança. Apito na boca. Vamos embora rapaziada. Sobreposição de campos e grande versatilidade em foras de jogo sucessivos. Ela passa a bola e ele domina o terreno de jogo. Vamos embora. Vai que não é para ganhar na secretaria. Só falta marcar. A bola começa a subir. Encosta à zona de penalty. Pontapé vai ser levantado e sai uma paradinha. Aguentar a pedalada. Vai lá uma trivela ou um efeitozinho para suar a camisola. Coração da área...e é golo, golo, golo, golo, golooooooooooooooo.
E agora vou ali buscar um rebuçadinho do doutor Bayard que estes relatos dos vizinhos que não correm as persianas deixam-me rouca.
E agora vou ali buscar um rebuçadinho do doutor Bayard que estes relatos dos vizinhos que não correm as persianas deixam-me rouca.
* ripa na rapaqueca tem copyright de Jorge Perestrelo
Prostituição - A minha história (IV)
Verão de 1997... (...) Com o conforto de, a qualquer momento, ser possível mudar de ideias, abriram-me a porta e entrei. Desta vez fui encaminhada para a sala onde as "meninas" esperavam pelos desfiles, apresentações era o nome que se dava ao desfile. Julgo que fui a primeira a chegar e fiquei para ali sentada, aparvalhada, a ver qualquer coisa idiota na televisão. Uma a uma, as "meninas" foram chegando, olhavam para mim de soslaio e balbuciavam um "olá", ainda me senti mais aparvalhada. Lembro-me de uma morena de lindos olhos azuis, nos seus vintes e muitos, uma morena novita, vinte e poucos, uma nos seus dezanove com ar de asiática, uma mulata que não tinha mais de vinte e dois anos, também muito bonita. Mais tarde chegaram as mais velhas, uma trintinha e outra que já devia estar nos quarenta. Deviam ser mais mas só me lembro destas. Conversavam acerca da vida delas e de clientes, eu escutava atenta mas a tentar parecer distraída. Encomendou-se pizza e perguntaram-me se também dividia com elas. A Ana e a Glória disseram-me para inventar um nome e, como eu só escolhia nomes de "meninas" que já lá estavam, elas determinaram que eu seria a "Joana". E assim ficou. A Glória levou-me a ver os apartamentos onde as meninas atendiam os clientes, dois num prédio um pouco mais abaixo, do outro lado da estrada e um no fim da avenida que era uma cave. Explicou-me onde estavam as toalhas e os lençóis, onde deitava a roupa suja no fim, que cada apartamento tinha um telefone que só recebia chamadas para a recepcionista nos avisar quando terminava o tempo, que devia fechar a porta do quarto porque alguns clientes gemiam muito alto, que devia tentar sempre passar pelas traseiras da avenida porque os empregados da bomba de gasolina contavam quantas vezes passávamos e gozavam connosco, explicou-me que podia comprar os preservativos à casa ou trazer os meus. Devia tomar sempre banho antes e dar também uma toalha ao cliente para que ele tomasse banho. No fim, tirava o lençol da cama e colocava um lavado. Eu tinha a sensação de estar separada de mim, como se estivesse a ver um filme. Disse-me que, ao fim da noite, a roupa suja era recolhida e levada à lavandaria por ela e pela moça mais velha da casa que já não tinha muitos clientes e assim ganhava um extra por ajudar. Voltámos ao escritório das apresentações e comprei preservativos à casa, não me lembro quanto custou mas a casa vendia-os caríssimos! A Ana veio à sala onde esperávamos e disse-me que iria ter um cliente, deu-me uma chave, disse-me que era na cave, se tinha percebido bem o que a Glória me tinha explicado, que o cliente iria lá ter, que tratasse bem o senhor, que o senhor gostava de "novidades", que o senhor era simpático e mais umas quantas recomendações. Não fiquei nervosa, nem me atrapalhei apesar de sentir os olhos postos em mim, ainda estava com aquela sensação de estar fora do corpo a ver um filme, de chave e mala na mão, saí, fui pelas traseiras como recomendado, entrei no prédio, desci à cave e abri a porta. Entrei, a música tocava "Killing me softly with this song", engraçado os detalhes que a memória escolhe guardar. Explorei o apartamento sozinha, era confortável e com pouca luz. Tocaram à campainha, eu calma, estranhamente calma, espreitei pelo óculo para ver o que me calhava...
Sexo de arranhar o céu
Fonte: ABC.es
Para que ficar subindo pelas paredes seco por sexo nas alturas? Basta subir até o 68º pavimento do The Shard, o maior arranha-céus da Europa, localizado em Londres, com um total de 87 andares.
O idealizador do The Shard parece não ter tido outra intenção senão incentivar o sexo com o seu arranha-céu: um banheiro com janelão no no 68º andar, e no 69º uma excitante vista panorâmica para Londres, que pode ser vista até de cabeça para baixo, se é que me entende.
É o que se pode imaginar depois que a segurança do edifício encontrou uma calcinha preta dentro do banheiro masculino. Desconfia-se de que, após uma festa privada ocorrida no prédio, um casal, que corria por todos os lados do andar, tenha aproveitado para curtir fortes emoções nas alturas, e a dona da calcinha acabou deixando seu pertence para trás.
Por enquanto somente convidados das festas têm acesso, mas a preocupação maior é quando os andares estiverem abertos ao público, no dia 1º de fevereiro. A situação poderá fugir do controle, alertam os responsáveis pela segurança.
Para ter acesso aos andares mais altos o visitante pagará de 25 libras (aproximadamente R$ 90). O que acaba saindo mais barato do que muitos motéis, que não oferecem a emoção que o The Shark proporciona.
Há ainda outro mirante 360º no andar 72º. Quem quiser bater o recorde da mulher da calcinha preta, basta tentar a sorte no dia 1º de fevereiro. Há quem diga que cura até medo de altura.
Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/
09 março 2013
«conversa 1951» - bagaço amarelo

Eu - Tenho uma tese que diz que há mais mulheres a deixar homens.
Ela - Explica.
Eu - O Amor é essencialmente uma questão biológica, embora também seja cultural. Do ponto de vista biológico, ou seja, reprodutivo, está nos genes do homem disparar o esperma por todo o lado. Por outro lado, as mulheres têm a tendência para escolher o macho mais forte.
Ela - E?
Eu - E enquanto os homens mijam mais fora do penico mas sem trocar de companheira, as mulheres, quando trocam de companheiro, trocam mesmo.
Ela - Isso não é sempre assim.
Eu - Claro que não. É o que nos está nos genes. Só isso. Não fui eu que inventei. Apenas li isto em qualquer lado...
Ela - Mas não é bem verdade.
Eu - Porquê?
Ela - Há sempre um homem mais forte do que o nosso marido. Por aí estávamos sempre a trocar de gajo...
Eu - Mais forte não quer dizer mais musculado ou mais alto, quer dizer mais compatível. As feromonas, no fundo, é que decidem isso.
Ela - Quer dizer que para ti os homossexuais são doentes?
Eu - Claro que não. Os homossexuais são pessoas que vêem o sexo da mesma forma que eu, que sou heterossexual. Vêem-no como um acto de prazer e de paixão. Uma escolha, portanto.
Ela - Hum... está tudo bem. O que eu queria, no fundo, era saber que as mulheres são capazes de deixar os homens na boa. Estou a pensar deixar o meu marido.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Precaução... proveniente da Tailândia
Tenho muitos porta-chaves na minha colecção. Mas acho que estes São os que fizeram a viagem maior até cá chegarem.
Mais duas entre tantas prendinhas que já me ofereceu o casal Moreirinhas, Daisy e Alfredo, desta vez de uma sua viagem à Tailândia.
Se queres "viajar" pelo mundo, recomendo-te uma visita ao blog deles, «Travel With Us».
Mais duas entre tantas prendinhas que já me ofereceu o casal Moreirinhas, Daisy e Alfredo, desta vez de uma sua viagem à Tailândia.
Se queres "viajar" pelo mundo, recomendo-te uma visita ao blog deles, «Travel With Us».
Um sábado qualquer... - «Por que chute no saco dói tanto?»
Além de ter muitas terminações nervosas, o saco escrotal, ao contrário de todo o corpo humano, não possui uma grossa camada de pele para proteger seus órgãos internos. Isso faz com que eles fiquem muito sensíveis a pancadas, sem falar dos chutes. Ok, mas essa é a explicação científica, e a religiosa? E é para isso que o ”Um Sábado Qualquer” existe! Senhores e senhores, com vocês a resposta religiosa que muitos queriam saber:

Um sábado qualquer...
Um sábado qualquer...
08 março 2013
Doa a quem doar
Um tribunal alemão acabou com o sigilo para dadores de esperma. Ordenou ao médico responsável pela inseminação artificial que divulgasse os dados do doador de esperma que acabou por ser o pai biológico de Sarah. Esta jovem de 21 anos pediu para saber quem era o pai biológico ao que o tribunal acedeu, declarando que o interesse da requerente, de saber sobre a sua origem, coloca-se acima do direito do acusado ou do doador ao sigilo dos dados da doação.
Isto abre a porta a que os doadores tenham deveres de paternidade, podendo surgir-lhes mais tarde crianças a quem terão que pagar pensões de alimentos e novos herdeiros a incluir nos respectivos testamentos.
Isto abre a porta a que os doadores tenham deveres de paternidade, podendo surgir-lhes mais tarde crianças a quem terão que pagar pensões de alimentos e novos herdeiros a incluir nos respectivos testamentos.
Barraco online
Durante o exibicionismo sensual online que fazia no site Fapducams, uma mulher interrompe o seu show e começa a discutir com a filha. Todo o barraco foi registrado por Max Landis, usuário que assistia ao espetáculo ao vivo. Enquanto assistia à discussão, Max gravava com sua câmera e postava comentários na rede social Reddit.
Confira o vídeo:
Obscenatório
Menina do Sol

Traças-me o corpo com essa invisível capa de cetim,
abraçando-me num sopro fresco de inverno pálido
que descreve telhados de neve e ramos despidos.
Mas o teu hálito escalda-me o ventre em labaredas,
libertando esse vapor quente e macio que derrete
as pequenas estalactites que nascem em cada braço de ferro:
o portão do parque ou o arco sobre o caminho prateado,
noutra época verde de folhas de plátanos imponentes
que abrigavam rolas e esquilos, rebentos de morango e alecrim.
Procuro as horas, os dias e os meses, ininterruptamente
como se os devorasse à velocidade dos meus passos nus,
que correm sobre o asfalto de gelo escorregadio...
Mas o minuto demora-se nas quedas que me golpeiam os joelhos e as mãos...
O rosto aninha-se-me nos braços cruzados ao peito quase dormente,
enquanto imagino o regresso dos campos verdejantes
com os roseirais e as laranjeiras selvagens
saciando-se junto da nascente de água morna e cristalina
que despertara da estação mais fria do ano.
07 março 2013
O balouço de Fragonard
Les hasards heureux de l'escarpolette, 1767, de Jean-Honoré Fragonard
Como balouça pelos ares no espaço
entre arvoredo que tremula e saias
que lânguidas esvoaçam indiscretas!
Que pernas se entrevêem, e que mais
não se vê o que indiscreto se reclina
no gozo de escondido se mostrar!
Que olhar e que sapato pelos ares,
na luz difusa como névoa ardente
do palpitar de entranhas na folhagem!
Como um jardim se emprenha de volúpia,
torcendo-se nos ramos e nos gestos,
nos dedos que se afilam, e nas sombras!
Que roupas se demoram e constrangem
o sexo e os seios que avolumam presos,
e adivinhados na malícia tensa!
Que estátuas e que muros se balouçam
nessa vertigem de que as cordas são
tão córnea a graça de um feliz marido!
Como balouça, como adeja, como
é galanteio o gesto com que, obsceno,
o amante se deleita olhando apenas!
Como ele a despe e como ela resiste
no olhar que pousa enviesado e arguto
sabendo quantas rendas a rasgar!
Como do mundo nada importa mais!
Jorge de Sena, Metamorfoses, Lisboa, Moraes Editores, 1963
blog A Pérola
«Trabalhar por cona própria» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
Estórias de um passado-presente (III)
A decisão estava tomada. Passei sei lá quantas horas de volta de blogs, entrevistas, sites, classificados... Como sempre na minha vida, achei que estava a munir-me de informação que me permitia racionalizar o que se passaria doravante. Boy, I was wrong!!!!
Depois de andar durante dias a ler os anúncios que pediam "acompanhantes", "colaboradoras", "massagistas", no Correio da Manhã, reuni dois ou três que me pareciam adequados. O que acabou por ser o escolhido rezava qualquer coisa como: "Acompanhante, iniciante, casa antiga com clientes estrangeiros". "Estrangeiros restringe o risco de encontrar alguém conhecido. E eu falo inglês fluentemente, não deve haver problema". Liguei. A voz do outro lado tinha um sotaque açucarado de terras de Vera Cruz... Fez-me meia dúzia de perguntas que não recordo. Debitou-me uma morada e um número de telefone e disse-me que aparecesse a meio da tarde, porque segundo ela seria a melhor hora para conversar com calma. Engoli em seco não sei quantas vezes enquanto me vestia e maquilhava para sair. Devo ter mudado de roupa umas dez ou doze vezes, porque não conseguia estabelecer qual seria o figurino mais adequado à "entrevista". Meti-me nos transportes e fui... com o estômago embrulhado com que fico sempre que me sinto ansiosa... Pelo caminho, de phones nos ouvidos, tentava perceber se os alguéns que me olhavam percebiam o ponto de interrogação que tinha dentro da cabeça... até hoje não sei a resposta.
Mimi
blog «Sometimes It Happens...»
«Naruto hentai» - por Luis Quiles

"Naruto Uzumaki contra el Sharingan de los Uchiha.
Es un dibujo estúpido e inofensivo, aún así también me lo han eliminado de DeviantART. Putos conservadores de mierda con doble moral."
Luis Quiles
06 março 2013
A Mara
Senti no ar o aroma inconfundível de um "Rare Rosam", de "Histoires de Parfums". Só alguém muito peculiar faria tal escolha. Pele morena, ar latino, cabelos longos e negros e olhos a condizer. Falava animadamente num grupo, no lobby do hotel onde decorria o congresso. O encantador sotaque, soube-o depois, correspondia à sua proveniência de Santiago do Chile.
Depois de ter aceite o meu convite para falarmos sobre perfumes e sobre a poesia de Neruda, percebi que eu e Mara tínhamos gostos comuns em muitas outras áreas. Partilhávamos uma paixão pelos mesmos costureiros, pelas mesmas músicas, pelas mesmas viagens.
E partilhámos a paixão pela pele dela, quando finalmente continuamos a conversa no quarto. Suave como uma pétala de rosa e cheirando como uma ("Rare Rosam" parecia feito a pensar nela). O cuidado com que tinha tratado daquela pele nos seus vinte e oito anos, era evidente na pureza sem manchas das curvas perfeitas que tinha à minha frente, nua, no lençol.
Quando a massagei entre as coxas, sentia-a a arrepiar-se. Quando os meus dedos subiram um pouco mais, abriu-se para mim, aguardando que a humidade da minha língua se misturasse com a que fluía de dentro de si.
Mara gozou em vagas sucessivas, ainda antes de eu aplicar nela o meu Lelo Soraya. Nessa altura pela primeira vez, a ouvi gritar, abandonando a inibição de quem passa as primeiras horas com alguém que havia conhecido poucas tempo antes entre duas flutes de Veuve Cliquot.
Entregue depois às suas mãos e à sua boca, percebi que o seu conhecimento dos pontos eróticos do corpo feminino era enciclopédico. Não me ouvi a mim própria gritar, mas ela depois afiançou-me que sim, que tinha tido que colocar um dedo nos meus lábios para evitar criar alarme no hotel.
Tomámos um longo banho, falámos sobre poetas chilenos e europeus e saímos as duas, com uma proximidade cúmplice. Ela, cheirando como uma rosa rara. Eu, flutuando presa ao seu aroma.
E quando sentadas a olhar para a lua nocturna, ela me recitou o Bella de Neruda:
Bella, mi bella,
tu voz, tu piel, tus uñas
bella, mi bella,
tu ser, tu luz, tu sombra,
bella,
todo eso es mío, bella,
todo eso es mío, mía,
cuando andas o reposas,
cuando cantas o duermes,
cuando sufres o sueñas,
siempre,
cuando estás cerca o lejos,
siempre,
era mía, mi bella,
tu voz, tu piel, tus uñas
bella, mi bella,
tu ser, tu luz, tu sombra,
bella,
todo eso es mío, bella,
todo eso es mío, mía,
cuando andas o reposas,
cuando cantas o duermes,
cuando sufres o sueñas,
siempre,
cuando estás cerca o lejos,
siempre,
era mía, mi bella,
siempre.
não consegui evitar, e chorei, chorei longamente.
«pensamentos catatónicos (284)» - bagaço amarelo

Dizem que por trás dum grande homem há sempre uma grande mulher. Não sei até que ponto isto é verdade, mas também admito que desconfio que a minha definição de grande homem não corresponde à do senso comum. O que eu sei é que, de facto, me farto de ver mulheres escondidas pela pequenez dos homens.
Hoje de manhã tinha um encontro marcado com uma ex-colega de escola. Uma mulher que eu não vejo há mais de vinte anos e de quem, por vários motivos, tenho saudades. Encontrámo-nos aqui, na internet, através duma rede social, assim como quem se cruza na rua e diz "Ah! Já não te via há tanto tempo!". Marcámos um café para hoje e ela não apareceu porque, ao contrário do que estava previsto, o marido dela estava em casa e ele, segundo o que me disse numa rápida conversa telefónica, não gosta que ela saia sozinha para ir ter com um homem.
Não disse nada. Saí na mesma, comprei o jornal e fui tomar um café sozinho a outro sítio qualquer em Matosinhos. Uma rapariga com uns doze ou treze anos estacionou a bicicleta no passeio. Longos cabelos ao vento e um sorriso enorme estampado na cara. Veio ter comigo assim que dobrei o jornal e o coloquei sobre a mesa.
- Olá! O meu pai pediu-me para lhe comprar o jornal. Se me venderes esse por cinquenta cêntimos, eu fico com o resto para mim. Pode ser?
Dei-lhe o jornal para a mão. Claro que não lhe cobrei os cinquenta cêntimos. Ela já me tinha pago com aquela demonstração de que nem tudo está perdido. Espero que daqui a uns anos não esteja a telefonar a um amigo para lhe explicar que não pode sair de casa por causa do marido.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Facebook se desculpa por deletar foto de apoio ao casamento gay
Matéria reproduzida de Diário de Pernambuco
Imagem publicada em página com 295 mil seguidoras recebeu comentários homofóbicos e ameaças de denúncia. Crédito: @gaymarriageusa / Reprodução
Segundo matéria do portal The Guardian, um porta-voz do Facebook pediu desculpas, nesta quarta-feira, pela remoção indevida de uma foto de campanha em favor da legalização do casamento gay. A maior rede social do mundo também se retratou por bloquear o acesso do criador da página Gay Marriage USA, que tem 295 mil curtir.
Murray Lipp recebeu uma notificação de que a imagem de um casal de homens se casando (acima) fora considerada “ofensiva”. A imagem do bispo de uma pequena igreja pentecostal casando com o seu marido nesta quarta-feira levou a uma série de comentários. A imagem foi removida, e junto com ela os posts contra a campanha de legalização do casamento gay. A mensagem enviada a Lipp alertava-o que ficaria sete dias sem poder postar no Facebook, por causa da infração “das políticas e dos padrões da comunidade”.
“Alguém por favor me explique como pode ser aceitável (o casamento) quando um homem e outro homem/uma mulher e outra mulher não podem conceber um filho? É nosso propósito na vida conceber filhos”, dizia um dos comentários da foto, antes de ela ser deletada. “Tenho nojo do estilo de vida deles. É nojento e completamente vil”, lia outro.
Procurado pelo jornal britânico, o Facebook manifestou-se sobre a remoção da imagem e o bloqueio do acesso de Lipp como um engano: “O conteúdo da foto em questão não violava nossos termos, mas foi removida por um erro”.
Lipp diz que vem sofrendo sanções do Facebook há algum tempo, por causa das fotos e dos conteúdos que publica. Na imagem deletada, assim como em outras postagens, comentários homofóbicos ameaçam denunciar os conteúdos da Gay Marriage USA para que o Facebook os remova.
“Nem uma única vez o Facebook me contatou para que eu pudesse responder, (a rede social) simplesmente me bloqueia toda vez, e a cada um o tempo é mais longo. É totalmente injusto que eu tenha que ser punido pela homofobia de outra pessoa”, reclama o criador da página de apoio ao casamento gay nos Estados Unidos.
Segundo o porta-voz da maior rede social do mundo, o procedimento correto seria eliminar os comentários homofóbicos, em vez da foto. “Normalmente esses comentários são revisados separadamente e removidos quando necessário. Neste caso, a fotografia em si foi removida por engano, apesar de não haver nada na imagem que infrinja nossas regras. Pedimos desculpas pelo erro”, declarou.
Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/
Sombras
Foto: Mona Kuhn
Não precisas de tocar. Podes apenas sentir desejo de o fazer. Deixar que as mãos desenhem no ar as formas do corpo ou do rosto. Recolher de cada traço o molde para que baste apenas fechar os olhos e sentir tudo o que more no desejo. Fazer com as mãos como fazemos com os olhos. Entrar na alma um do outro sem que a pele se toque. Gosto que formes sombras no meu corpo e no meu rosto. Que me beijes sem me tocar. Que guardes todas as formas e cheiros nas pontas dos teus dedos. Assim, quando a luz muda e o tempo estagna redesenhamos os momentos criados na memória das mãos mais maravilhosas que me tocaram o rosto.
05 março 2013
Desenhos do Janus
Às vezes, as obras mais bonitas não precisam de cor.
![]() |
| "Angel Dreams" |
![]() |
| "Entwine" |
Vejam mais no blog do Janus aqui.
Eva portuguesa - «Dinheiro»
Palavra maldita que nos move, nos faz parar e desesperar...
Um mal necessário quando é pouco, um bem excepcional quando existe em abundância.
Por ele rimos, choramos, lutamos, trabalhamos, fazemos escolhas de vida, enganamos, traímos e até fingimos amar...
Sei que nao é bonito dizer isto, mas é a realidade.
O dinheiro molda- nos, transforma-nos, escraviza-nos. Determina o tipo de vida que podemos ter. Decide aquilo que podemos fazer. Em último caso torna- nos a todos prostitutas...
Mas eu já o sou mesmo... por isso não preciso fingir. Faço o que faco por dinheiro. E no tipo de relações que estabeleço com os meus clientes, melhores ou não tão boas;, no final o que interessa é mesmo o dinheiro que me dão. Se conseguir, paralelamente a isso, uma relação mais íntima com algum, é um bónus! Pois, mesmo com um cliente que me faça sentir bem, se não houver dinheiro, não há encontro.
Mas também tento retribuir o que me é dado da melhor forma que posso: tento ser uma boa amante, uma excelente companhia e oferecer um serviço único que prima pela qualidade.
A minha vida, quando não estou com o meu filho, é quase exclusivamente trabalho. Raros são os dias que tiro, mesmo para mim, sem ser mãe ou a Eva.
Trabalho (ou tento), sempre que posso, 13 h por dia, 7 dias por semana.
E mereço ser recompensada por isso.
Diz o ditado: "Quem madruga, Deus ajuda". Ora, depois de uma semana menos boa, deixo o meu filho entregue aos cuidados de alguém de muita confiança e dedico esta semana inteira, bem como o fim de semana, a trabalhar, trabalhar, trabalhar, tentando compensar o que não consegui realizar na semana anterior.
Espero ter retorno neste acto de boa vontade, disponibilidade e esperança. Mais uma vez, por causa do dinheiro...
Assim, estarei desde hoje, 12/11, atá domingo, dia 18/11, a trabalhar diariamente das 11h à 1h da manhã.
E, para que as possibilidades de concretização sejam maiores e melhores, terei comigo uma colega do Porto, também ela linda, quente e sensual, para fazermos dupla com ou sem show lésbico. Um duo que certamente vos irá fascinar. Eu, loura de olhos verdes, ela morena de olhos azuis, ambas com curvas deliciosas e perigosas, ambas desejosas de agradar...
De mim, já sabem, podem ver as fotos no site Momentos de Prazer, onde estou como Mariana Portuguesa.
Ela anuncia no site Apartado X e é a Margarida.
E, no meio desta vontade e necessidade de ganhar dinheiro, existe também outra subjacente que é a de agradar e ser agradada, de dar e se possível ter prazer...
Porque o dinheiro é o " mal" que nos move, mas não é tudo....
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
Um mal necessário quando é pouco, um bem excepcional quando existe em abundância.
Por ele rimos, choramos, lutamos, trabalhamos, fazemos escolhas de vida, enganamos, traímos e até fingimos amar...
Sei que nao é bonito dizer isto, mas é a realidade.
O dinheiro molda- nos, transforma-nos, escraviza-nos. Determina o tipo de vida que podemos ter. Decide aquilo que podemos fazer. Em último caso torna- nos a todos prostitutas...
Mas eu já o sou mesmo... por isso não preciso fingir. Faço o que faco por dinheiro. E no tipo de relações que estabeleço com os meus clientes, melhores ou não tão boas;, no final o que interessa é mesmo o dinheiro que me dão. Se conseguir, paralelamente a isso, uma relação mais íntima com algum, é um bónus! Pois, mesmo com um cliente que me faça sentir bem, se não houver dinheiro, não há encontro.
Mas também tento retribuir o que me é dado da melhor forma que posso: tento ser uma boa amante, uma excelente companhia e oferecer um serviço único que prima pela qualidade.
A minha vida, quando não estou com o meu filho, é quase exclusivamente trabalho. Raros são os dias que tiro, mesmo para mim, sem ser mãe ou a Eva.
Trabalho (ou tento), sempre que posso, 13 h por dia, 7 dias por semana.
E mereço ser recompensada por isso.
Diz o ditado: "Quem madruga, Deus ajuda". Ora, depois de uma semana menos boa, deixo o meu filho entregue aos cuidados de alguém de muita confiança e dedico esta semana inteira, bem como o fim de semana, a trabalhar, trabalhar, trabalhar, tentando compensar o que não consegui realizar na semana anterior.
Espero ter retorno neste acto de boa vontade, disponibilidade e esperança. Mais uma vez, por causa do dinheiro...
Assim, estarei desde hoje, 12/11, atá domingo, dia 18/11, a trabalhar diariamente das 11h à 1h da manhã.
E, para que as possibilidades de concretização sejam maiores e melhores, terei comigo uma colega do Porto, também ela linda, quente e sensual, para fazermos dupla com ou sem show lésbico. Um duo que certamente vos irá fascinar. Eu, loura de olhos verdes, ela morena de olhos azuis, ambas com curvas deliciosas e perigosas, ambas desejosas de agradar...
De mim, já sabem, podem ver as fotos no site Momentos de Prazer, onde estou como Mariana Portuguesa.
Ela anuncia no site Apartado X e é a Margarida.
E, no meio desta vontade e necessidade de ganhar dinheiro, existe também outra subjacente que é a de agradar e ser agradada, de dar e se possível ter prazer...
Porque o dinheiro é o " mal" que nos move, mas não é tudo....
Eva
blog Eva portuguesa - porque o prazer não é pecado
«dormiria sob a luz dos teus olhos» - Susana Duarte
dormiria sob a luz dos teus olhos,
em ti, anoitecendo
e, em ti, caminhando
por sobre diagramas de linhas cruzadas
anoitecidas
desencontradas
e, talvez,
apenas...
linhas de vidas cruzadas, amibívios
de escolhas e soturnas melodias
anoiteceria em ti, onde as luzes
calam as sombras
e a vida
se refaz, rarefeita que era,
sublime sombra de ténues olhares,
onde anoiteci
em teus olhos, adormeço e sinto
as formas das tuas mãos
que se desenham
e me desenham
e nos projetam lá, onde os olhos sobrevoam
as águas
das nossas línguas
e o suor das nossas mãos
adormeci em ti, e em ti
soube da noite clara e eterna,
ao som das gotas e da chuva que, de teus braços,
desce
iluminando os poros
e dizendo-me quem sou.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
em ti, anoitecendo
e, em ti, caminhando
por sobre diagramas de linhas cruzadas
anoitecidas
desencontradas
e, talvez,
apenas...
linhas de vidas cruzadas, amibívios
de escolhas e soturnas melodias
anoiteceria em ti, onde as luzes
calam as sombras
e a vida
se refaz, rarefeita que era,
sublime sombra de ténues olhares,
onde anoiteci
em teus olhos, adormeço e sinto
as formas das tuas mãos
que se desenham
e me desenham
e nos projetam lá, onde os olhos sobrevoam
as águas
das nossas línguas
e o suor das nossas mãos
adormeci em ti, e em ti
soube da noite clara e eterna,
ao som das gotas e da chuva que, de teus braços,
desce
iluminando os poros
e dizendo-me quem sou.
Susana Duarte
Blog Terra de Encanto
Homem com pila...levadiça
Estatueta de África em madeira, com 44,5 cm de altura.
Representa um homem em cima de umas grandes pernas. O seu pénis é articulado. Sobe e desce... cumprimentando quem visita a minha colecção.
Representa um homem em cima de umas grandes pernas. O seu pénis é articulado. Sobe e desce... cumprimentando quem visita a minha colecção.
04 março 2013
Luís Gaspar lê «Era bom…» de Carlos Drummond de Andrade
"Era bom alisar seu traseiro marmóreo
e nele soletrar meu destino completo:
paixão, volúpia, dor, vida e morte beijando-se
em alvos esponsais numa curva infinita.
Era amargo sentir em seu frio traseiro
a cor do outro final, a esférica renúncia
a toda aspiração de amá-la de outra forma.
Só a bunda existia, o resto era miragem."
Carlos Drummond de Andrade
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
e nele soletrar meu destino completo:
paixão, volúpia, dor, vida e morte beijando-se
em alvos esponsais numa curva infinita.
Era amargo sentir em seu frio traseiro
a cor do outro final, a esférica renúncia
a toda aspiração de amá-la de outra forma.
Só a bunda existia, o resto era miragem."
Carlos Drummond de Andrade
Ouçam este poema na voz d'ouro de Luís Gaspar, no Estúdio Raposa
«coisas que fascinam (154)» - bagaço amarelo

Este não é um mundo de Amor.
Hoje sentei-me, logo de manhã, numa mesa do café onde habitualmente ingiro a minha única dose diária de cafeína. A empregada, sempre com aquele avental vermelho que lhe desenha as formas, veio trazer-ma a sorrir. É simpática e bonita, e foi com ela que me apercebi que já não vejo ninguém a sorrir há algum tempo. Foi um estalo na forma como eu próprio me tenho olhado ao espelho todas as manhãs quando lavo a cara. Sem sorrir. Sei que são sempre mulheres a dar-me estaladas destas.
À minha frente, à distância de uma mesa vazia, uma outra mulher mais velha aninhara a sua cabeça na palma da mão. A sua quietude assemelhava-se em tudo a uma estátua que olhava para o horizonte, e eu acompanhei instintivamente o percurso desse olhar. Ia dar a uma máquina de tabaco com um autocolante a avisar que fumar mata prematuramente. A vida também, pensei.
O avental vermelho, com dois seios comprimidos e um doce cheiro a perfume de mulher bonita, debruçou-se sobre a minha mesa para a limpar. Vi uma mão fina passar um pano húmido sobre a superfície negra e depois a chávena de café pousar delicadamente como se fosse uma nave extraterrestre. Por um dia que seja, às vezes apetece-me Amar uma mulher eternamente.
- Oh dona Laura! Que olhar tão triste é esse? Vá para casa ter com o seu homem, que está à sua espera... - disse enquanto se virava para a mulher-estátua, ficando de costas para mim.
- O meu marido?! - respondeu - Este mundo não é um mundo de Amor...
Um rabo pode ser uma escultura perfeita. E eu sorri. Tem piada, há muitos dias que não me vejo a sorrir ao espelho, mas hoje sorri-me a um rabo, de mãos nas ancas como quem manda no mundo. Peguei na chávena de café e abracei-a com uma das mãos, para as aquecer.
- Pois não! - Tornou a dizer o avental - Não é um mundo de Amor. Por isso é que nos temos que apaixonar, para fazer o nosso próprio mundo.
E eu, por dois minutos, apaixonei-me para sempre.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
Quem disse que não existe mais homofobia?
No passado dia 12 de Janeiro, duas mulheres sofreram um grande constrangimento no restaurante Victor, no bairro da Lapa, Rio de Janeiro. As duas foram expulsas por um homem que segurou no ombro de uma delas e mandou que elas saíssem, dizendo que aqui não era permitido. Não se sabe ainda se o homem é cliente ou funcionário do estabelecimento.
Confira a notícia no Jornal O Globo.
Há quem diga que homofobia é coisa do passado, que hoje em dia não há mais nada disso. Engana-se completamente quem pensa assim. Casos assim acontecem com bastante frequência. Há ainda casos mais graves, em que o uso da violência contra homossexuais é praticado sem a menor pena.
O GGB (Grupo Gay da Bahia) divulgou um relatório com os dados de crimes de assassinato contra gays. O relatório, intitulado Relatório Anual de Assassinato de Homossexuais, registrou 338 assassinatos no Brasil no ano de 2012. Segundo a organização, em 2011 o número de crimes foi menor, resultando em 266 mortes. Percebe-se um aumento considerável de um ano a outro. Com estes índices o Brasil está ocupando a primeira colocação no ranking mundial de assassinatos homofóbicos e transfóbicos. Maiores detalhes sobre o relatório poderão ser obtidos no site do GGB.
Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/
Obscenatório
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03 março 2013
Umbigo de quebrar proibições
O Rossio era o centro de Lisboa e os nossos catorze anos o umbigo de quebrar proibições. Éramos oito, tudo aos pares como convinha para uma correcta iniciação no mundo do adultos, dispostos a avançar pelos Restauradores para entrar de peito feito no Condes aproveitando a classificação abaixo dos dezoito daquele filme que entrava na categoria dos que os nossos pais tinham corrido a ver após o 25 de Abril.
Previamente acordámos uma distribuição dos lugares na fila, um macho e uma fêmea alternadamente, calhando-me do lado esquerdo o meu louro e ainda a sala não tinha escurecido completamente já a sua mão me desabotoava o botão da camisa para estender os seus dedos sobre as minhas mamas e catapultá-las para fora dos elásticos do soutien a fim de lhe encher a palma com cócegas de mamilo a espevitar-se. E aproveitando o tempo dos anúncios que enchiam ainda o grande ecrã virámos as caras um para o outro para um encontrão de bocas húmidas e línguas feitas esfregonas do céu da boca e zonas adjacentes.
Nos primeiros minutos colámos os olhos à película ansiosos pela descoberta das imagens animadas que as revistas não proporcionavam mantendo as mãos numa rotina automática de elevador no sexo do outro e vimos gajas, gajas e mamas, gajas emplumadas e em reduzidos trajes brilhantes, mamas às bolinhas ou aos losangos pelo efeito das luzes, gajas rodopiando em varões aos quais encostavam as mamas e gajos completamente vestidos nos bastidores a controlar os apetrechos técnicos do espectáculo. E cientes que o Crazy Horse de Paris não era o almejado corpo a corpo contentámos-nos com os nossos em beijos e amassos protegidos pelo escurinho do cinema.
Prostituição - A minha história (III)
Verão de 1997... (...) Estava um fim de tarde quente, fui para casa e jantei desligada do Mundo, acho que só acordei passadas horas, sentada na mesa de um bar, quando me apanhei a olhar os homens de forma diferente, a cabeça a tentar imaginar como seria deitar-me com cada um que passava... Antes desta visita tinha algumas ideias criadas pelo meu imaginário cor-de-rosa de quem seriam as tais acompanhantes/prostitutas de luxo e nada tinham a ver com as normais rapariguinhas fechadas na sala de um escritório, entre desfiles; imaginava-as mulheres impecavelmente arranjadas, com um porte intimidante, conhecidíssimas e respeitadas nos locais mais distintos que quisessem frequentar, imaginavas-as deslumbrantes e capazes de dobrar um homem, à sua passagem, apenas com um olhar. O que eu vi foram raparigas jovens, bonitas, sim, mas com um aspecto absolutamente normal. Durante três dias a minha cabeça moeu o "e se...", durante três dias a minha cabeça imaginou o "e se...", nesses três dias o "e se..." juntou-se a contas de Matemática: x clientes num dia dá um valor y, valor y em sete dias soma um valor z, z valor em quatro semanas perfaz w. W era um valor impensável, durante três dias o "e se" foi-se tornando menos distante. Pensava nas raparigas, tão iguais a mim, com um ar tão normal no que estavam a fazer, e se elas o conseguiam, raparigas assim como eu, se calhar também eu o conseguiria... Na Segunda-Feira, às 11h da manhã, estava a tocar à campainha duas vezes, como me tinham explicado na entrevista. Este "e se..." que não consegui deixar de moer na minha cabeça foi o prólogo do livro da história da minha vida, as contas de Matemática foram a assinatura do contracto. Com o conforto de, a qualquer momento, ser possível mudar de ideias, abriram-me a porta e entrei...
Um empurrãozinho na bunda
O Metrô Rio te dá um empurrãozinho, na bunda, para fazer a sua viagem tranquilamente. Topa?
E aí, é obsceno pra você?
Obscenatório
http://obscenatorio.blogspot.com.br/
02 março 2013
«conversa 1950» - bagaço amarelo

Ela - Não tenho saído muito. À noite apetece-me mais ficar em casa, no quentinho, a beber qualquer coisa e a ver televisão.
Eu - Eu também tenho saído cada vez menos. Ando com menos vontade e também com menos dinheiro.
Ela - Quando eu digo que saio menos, quero dizer que já não saio há uns três ou quatro meses.
Eu - Ah! Eu quero dizer que já não saio há uma semana...
Ela - Pois, eu sabia que não podíamos ser assim tão próximos um do outro.
Eu - Porque é que dizes isso assim? Até parece que...
Ela - Porque a última vez que saí contigo tivemos uma discussão que deixou bem claro porque é que não podemos ser assim tão amigos.
Eu - Tivemos?!
Ela - Tivemos. Já nem te lembras, não é?
Eu - Para ser sincero... não, não me lembro. Se calhar não lhe dei a mesma importância que tu.
Ela - Ou então sais muito e tens muitas discussões. Eu não tenho assim tantas.
bagaço amarelo
Blog «Não compreendo as mulheres»
01 março 2013
Fazes-me falta
Ainda mais neste tempo tão frio e cinzento, faz-me falta o regresso da tua Primavera.
O desassossego que provocavas com a tua presença, contrasta com o desassossego que a tua ausência provoca.
Apesar do que dizem, a necessidade de apaziguamento agudiza-se com o passar do tempo. Dizem que o tempo tudo cura, enquanto eu o vejo passear-se em câmara lenta. Enquanto sinto o meu coração cozer em lume brando.
Não somos estranhos um ao outro. Apenas estranhamos a alteração do sentimento forte que nutríamos um pelo outro.
Agora, fruto do desencanto e do afastamento, encaramo-lo de forma fugidia.
E neste estranho reconhecimento, conhecemos que nada volta atrás. Que nada volta a ser como era. Porque já nem nos lembramos exactamente como era. Apenas recordamos o que imaginamos que foi.
Os apetites outrora insaciáveis, ficaram saciados de um momento para o outro. É possível ver o instante em que a linha quebrou. Em que deixou de ser recta, de declive positivo, para passar a ser quebrada, ziguezagueando sem levar a lado algum.
A paixão ardente não se transformou no amor quente que ambos procurávamos um no outro. No amor quente que todos merecemos e necessitamos. Procuramo-lo e, quiçá, encontramo-lo noutro sujeito. Então tentamos não ser apenas um verbo de encher. Ou talvez sejamos, se ainda não estivermos definitivamente curados deste sentimento que jaz escondido nos nossos peitos. E não o revelamos. Nem o podemos revelar, ou deixaria de ser um segredo bem guardado. E muito menos o podemos confessar um ao outro, para não corrermos o risco de percorrer o mesmo calvário que nos trouxe até aqui.
Anonimamente confesso que o percorreria de bom grado, se caminhasses a meu lado e me ajudasses a levantar de cada vez que caísse. Nunca te empurraria, ainda que fosse capaz.
O desassossego que provocavas com a tua presença, contrasta com o desassossego que a tua ausência provoca.
Apesar do que dizem, a necessidade de apaziguamento agudiza-se com o passar do tempo. Dizem que o tempo tudo cura, enquanto eu o vejo passear-se em câmara lenta. Enquanto sinto o meu coração cozer em lume brando.
Não somos estranhos um ao outro. Apenas estranhamos a alteração do sentimento forte que nutríamos um pelo outro.
Agora, fruto do desencanto e do afastamento, encaramo-lo de forma fugidia.
E neste estranho reconhecimento, conhecemos que nada volta atrás. Que nada volta a ser como era. Porque já nem nos lembramos exactamente como era. Apenas recordamos o que imaginamos que foi.
Os apetites outrora insaciáveis, ficaram saciados de um momento para o outro. É possível ver o instante em que a linha quebrou. Em que deixou de ser recta, de declive positivo, para passar a ser quebrada, ziguezagueando sem levar a lado algum.
A paixão ardente não se transformou no amor quente que ambos procurávamos um no outro. No amor quente que todos merecemos e necessitamos. Procuramo-lo e, quiçá, encontramo-lo noutro sujeito. Então tentamos não ser apenas um verbo de encher. Ou talvez sejamos, se ainda não estivermos definitivamente curados deste sentimento que jaz escondido nos nossos peitos. E não o revelamos. Nem o podemos revelar, ou deixaria de ser um segredo bem guardado. E muito menos o podemos confessar um ao outro, para não corrermos o risco de percorrer o mesmo calvário que nos trouxe até aqui.
Anonimamente confesso que o percorreria de bom grado, se caminhasses a meu lado e me ajudasses a levantar de cada vez que caísse. Nunca te empurraria, ainda que fosse capaz.
É fácil uma mulher evitar o estupro?
Todo dia vemos nos noticiários sobre casos de estupros no mundo inteiro. Um dos mais recentes é o da estudante indiana, de 23 anos, estuprada por 6 homens e arremessada do ônibus em que estava. A jovem acabou morrendo no hospital. O acontecimento se deu no dia 16 de dezembro de 2012. Dos 6 homens envolvidos, 5 foram condenados. O pai da vítima esperam que sejam levados ao enforcamento. O sexto rapaz tem 17 anos e será julgado em uma corte própria para menores de idade.
Um crime brutal, mas que é uma prática ainda muito comum em todas as partes do mundo. Contudo, tão medonho quanto a ação de estupro, são as afirmações de algumas "autoridades" tentando colocar uma carga de culpa na vítima, dizendo que em muitos casos o estupro poderia ser evitado. É repugnante ler este tipo de coisa, mas há quem tente inverter o papel da mulher estuprada tachando-a de responsável por ser abusada. Declarações absurdas, como a do guru indiano Asharam, que afirmou que parte da culpa foi da jovem, que poderia ter evitado o crime se tivesse "caído sobre os pés dos agressores e evocado o nome de Deus".
Também tão abominável quanto à afirmação do bispo, o juiz Derek Johnson, que atua em um tribunal superior de Los Angeles, afirmou que em muitos casos a culpa é da mulher, levando em consideração sua experiência em casos de estupros, tendo um conhecimento do perfil da vítima. Para o juiz, se a vítima não luta contra o agressor, quando a vítima não quer ter a relação sexual, "o corpo se fecha". Com tal afirmação, ele acabou recebendo uma advertência da Comissão de Desempenho Judicial da Califórnia.
Porém, é importante entendermos que a justiça considera importante o depoimento da vítima, a sua palavra torna-se primordial pela falta de provas. Em casos em que esta não consegue comprovações materiais de que foi estuprada, as suas declarações ao tribunal tornam-se importante para se fazer o julgamento. Alguns juízes passam a investigar a conduta da vítima, tentando descobrir se a mesma possui uma conduta moralmente aceitável, sendo alguns casos considerados que a vítima deu motivo à violência (como alguém pode dar motivo para ser estuprada?). Isto dependerá da formação cultural do magistrado. Quanto mais conservador e pregador da moral e dos bons costumes, o juiz poderá declarar que a vítima teve uma conduta que levou ao agressor praticar a sua ação (ainda assim, como isso é possível?).
Os valores machistas ainda estão pesadamente impregnados na nossa sociedade, seja na Justiça, seja no Senado, seja na Polícia, seja na Mídia, e até mesmo, e principalmente, no cotidiano de nossas ações, ainda que muitas vezes possamos negar esse comportamento. O estupro é um crime imperdoável, e que deveria ter uma maior atenção da nossa sociedade, sem a participação da Igreja no que refere à discussão política do assunto.
Obscenatório
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Morcego

Sucumbo assim que escurece
e o violeta esmorece
na penumbra de um crepúsculo que desistiu de ser
e se abandona à opacidade de um mar negro, espesso, impenetrável...
É quando regresso ao meu estado original...
Refugio-me num dos ramos daquele plátano velho,
sem folhas, mas forte e imponente,
capaz de aguentar a fúria repentina
de uma tempestade de vento mais violenta...
As raízes colaram-se ao asfalto,
às placas que seguram o chão que pisas
e alimentam a lava subterrânea...
É a árvore da vida que me suporta o peso mortal!
A pele despiu-se da luz aparente
que me aquecia a alma
e retornou à toca de onde brotou doente...
Cega, escura,
sigo-te pelo ruído dos passos,
sinto-te a respiração mais ofegante,
rodopio-te sem me conseguires ver...
É tudo tão fugaz, efémero...
Ao mais leve pestanejar desapareço,
mas tatuei-te o corpo com as minhas impressões digitais,
com a minha saliva, com o fogo que me lavra o ventre...
Despertas a represa de água quente
que ecoa na minha fonte,
libertando-me desta clausura
que me sufoca em estilhaços de vidro!
28 fevereiro 2013
«Bico d´obra» - Patife

Patife
Blog «fode, fode, patife»
Estórias de um passado-presente (II)
Março de 2007
..
Dezoito anos e seis meses, ainda abananada por uma maternidade demasiado precoce, não fui capaz de desistir daquilo que eu entendia como "ser eu". E "Eu" gostava de música, de livros às dezenas, de comer coisas estranhas e em sítios "cool", de ser adulta desde muito cedo - com direito a charutos e whisky que deixavam meio confusos os que me rodeavam, para meu gáudio. De teatros, espectáculos, telas e partituras... Gostava de ir onde me desse na telha, com quem me desse na telha, porque sempre até então tinha tido liberdade e euros no bolso que mo permitiam. Nunca liguei grandemente ás calças X ou casaco Y (esses gostos adquiri-os mais tarde...). Gastava, portanto, as minhas mesadas em tralhas inúteis à maioria das miúdas da minha idade. Afinal, os livros - em conjunto com os grandes óculos que sempre usei - não eram "fixes". Sabia mais depressa a capital do Sri Lanka que o nome do último "it boy" da TV. E isso fazia de mim uma freak...
É imensamente mais fácil camuflar-se o que comigo se passou naquele Março quando se vive numa "ilha". - "Afinal, se ninguém nota, não existe, certo?" - E, confrontada com um cataclismo, resolvi não resignar-me. Achei que podia solucionar os meus problemas como as moças que davam entrevistas à Sábado, Visão e que tais. Era novinha, não era assim muito feia, sabia falar e conversar sobre tudo e um queijo. E era isso que se lia na altura... a maneira cor-de-rosa como as meninas falavam na imprensa dos encontros com príncipes encantados que lhes pagavam uma pipa de massa para serem "acompanhados" por elas. O lado físico, "animal", da coisa, era "menor". "Se elas podem, porque não eu?!?". Lancei-me à procura de respostas para as minhas perguntas: como, quando, quanto. Deparei-me com os blogs e sites pessoais das referidas acima. E comecei a juntar os pontos...
Mimi
blog «Sometimes It Happens...»
«The addicted» - por Luis Quiles

"Este es el último dibujo que me han eliminado de deviantART (por ahora). Parece que tienen algún tipo de trauma con los genitales, y leyendo sus normas queda claro que solo valen para quien y cuando ellos quieren."
Luis Quiles
27 fevereiro 2013
A linha
Foto: Claas Michalik
As mãos. São sempre as mãos que começam o frenesim incessante percorrendo o corpo. Não param. Umas vezes mais suaves, outras mais firmes e enérgicas parecem querer aquecer e fazer fluir o sangue. Os olhos passeiam pelas pálpebras cerradas. O cabelo sente o toque profundo dos dedos. Segue-se o arrepio na pele. Todo o corpo reage sempre daquela mesma forma. O apelo ouve-se em todas as células. Depois vêm os lábios. Tão quentes e húmidos a emoldurar uma língua ávida de sussurros. Os beijos moram no pescoço, nos ombros, nos seios e na cintura. Toda a pele reclama aquele gesto. Lábios nos lábios trocam beijos, segredos, afetos e desejo. Tudo se mistura até que os olhos se abrem e entram na alma um do outro vagueando e navegando por todos os cantos. Cada olhar é uma descoberta. Uma dádiva. Os lençóis moldam-se aos corpos banhados em fluidos que se confundem mas que se distinguem nas pontas dos dedos. A luz muda e emudece o mundo. O tempo habita onde os paralelos se cruzam. Bem para além do horizonte. A linha que, cúmplice, lhes serve de leito.
«respostas a perguntas inexistentes (224)» - bagaço amarelo

O que eu vos vou contar a seguir terá, a meu ver, um grande interesse para alguns de vocês e nenhuma importância para outros. Na verdade, é normal que seja assim. Uma das poucas coisas que aprendi na minha vida é que é assim que podemos encontrar os nossos melhores amigos. Dizendo o que realmente nos vai na alma e perceber quanto é que isso pode interessar aos outros.
Eu estou convencido que há um processo filosófico em tudo aquilo que fazemos, desde as acções mais corriqueiras e quotidianas até às opções que se fazem para uma vida inteira. Por exemplo, acho que há filosofia na forma como um homem apanha o autocarro todos os dias para ir para o emprego, da mesma forma que há no acto de decidir casar com alguém.
Posso estar errado, mas tenho reparado com admiração na forma como a minha companheira alterou a sua vida em função da cadela que adoptámos recentemente. Levanta-se todos os dias mais cedo para a levar a passear, enquanto eu fico a roncar mais uns minutos. Não imaginam a admiração que eu tenho pelo que ela faz, mesmo que resmungue por dentro quando acordo por momentos com a confusão de a sentir a vestir-se e ter um cão aos pulos e a arfar dentro do quarto.
Aquilo que a Raquel fez é, de facto, uma opção filosófica É verdade que também tem uma carga emocional muito grande, mas acredito que esse seja o denominador comum em tudo aquilo que fazemos. Ela considera, mesmo que não o diga, que está a contribuir para um mundo melhor dando a oportunidade a um cão de ter uma vida também melhor, e faz realmente por isso.
Mas o que eu vos queria mesmo contar tem a ver, precisamente, com a razão pela qual me tornei bastante próximo duma mulher, já há uns anos atrás, e de quem cheguei a ser íntimo por algum tempo. Mulher essa, aliás, com quem ainda hoje mantenho um contacto mais ou menos regular para, como se diz na gíria, pôr a conversa em dia.
Houve uma fase na minha vida em que, apesar de me sentir bastante só, tinha uma vontade enorme de estar sozinho. Estar sozinho e sentir solidão são coisas completamente diferentes, como devem saber. Por isso mesmo o que eu queria, ou pensava que queria, era apaixonar-me seriamente por uma mulher para, de vez em quando, afastar-me dela e poder gozar esse momento na sua total plenitude.
Nos comboios, por exemplo, preferia viajar sozinho do que com alguém ao meu lado. Arranjei então um método para que isso pudesse acontecer o maior número possível de vezes. Quando eu entrava no comboio e já não havia grupos vazios de cadeiras, procurava sentar-me ao lado de alguém que não tivesse tirado o casaco. A razão era muito simples. Quem não tira o casaco é porque vai fazer uma viagem curta e, assim, sairia antes de mim, havendo consecutivamente uma maior probabilidade de eu fazer parte da viagem sozinho.
Lembro-me que uma vez entrei na estação de Aveiro e, tendo em conta o meu método, sentei-me ao lado de um homem que levava uma gabardina apertada e um guarda-chuva na mão. Pensei que ele fosse sair numa das estações seguintes, mas a verdade é que foi assim até à última estação de todas, no Porto, a mesma em que eu saí. A partir daí tornei a cruzar-me com o homem, sempre totalmente vestido e em viagens de comboio, mas nunca mais me sentei ao pé dele.
Uma noite contei esta história no café, entre um grupo de amigos, e ninguém me deu importância nenhuma. Um deles, já com três ou quatro cervejas bebidas, perguntou-me mesmo porque é que raio eu estava a contar esta história que não tinha interesse nenhum.
No entanto, uma mulher de quem eu nem sequer era grande amigo quis continuar a conversa, e explicou-me que também tinha um método para se sentar nas viagens de comboio. Disse-me ela que gostava de escolher cadeiras que estavam ocupadas por coisas. Há passageiros (já reparei nisso com alguma irritação) que, provavelmente também para irem sozinhos, sentam-se num sítio qualquer e depois ocupam as cadeiras ao lado com malas ou casacos. A Guida, assim se chama ela, disse-me que sempre que reparava numa coisa dessas, aproximava-se e pedia muito delicadamente para desocuparem a cadeira, para ela se sentar.
Nessa noite ficámos grandes amigos, penso eu que pelo simples facto de sermos capazes de ter uma conversa sobre o método que usávamos para nos sentarmos num comboio. Pode parecer-vos estranho, mas para mim isto faz todo o sentido. Foi sempre assim que acabei por fazer amigos ou até encontrar namoradas, através do que considero ser uma compatibilidade semântica entre pessoas.
Este blogue acaba por ser um bocado isso. Não tem um fio condutor. Às vezes invento aquilo que escrevo, outra vezes não. Às vezes sinto-me feliz, outras vezes triste. Muitas vezes, quase sempre, o que eu queria era poder contar-vos cara a cara aquilo que escrevo, embora às vezes também prefira estar sozinho e simplesmente escrever. De qualquer maneira, é disto que eu acho que falamos quando falamos de Amor, de amizade e mais do que vocês quiserem...
bagaço amarelo
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