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22 julho 2006

O Falcão conta-nos um clássico

"O Toino chega a casa e apressado procura a sua Gerinvázia. Dá com ela espichada no parapeito, estendendo a roupinha acabada de lavar. Sem beijos nem carícias, puxa-a para dentro e apressadamente explica-lhe:
Gerinvázia um colega lá da fábreca, ensenou-me uma manêra nova de federe, que é do melhore que ha, anda cá deprexa que já estou todo atesuado.
- Ai, Toino, caráxas, dêxa-me ao menos acabar de stender a roupa...
- Qual roupa, qual caralho, vamos é já dar a cavalada como o mê colega me disse.
- Foda-se, Toino, tanta pressa, pera aí pró menos tirar o avintal.
- Anda cá, Gerinvázia, metes-te aqui ao fundo do corredor cas saias pela cabeça queu vou lá pá outra ponta. Quando eu disser, abres bem as pernas, hem?...
- Prontos, Toino, vai lá.
- Abre as pernas, Gerinváziaaaaaaa, aí vou eu....
O Toino, com as pressas, tropeça numa dobra da passadeira de tiras, comprada na feira ao cigano Nelo (não, não é o mesmo) estatela-se e dá com a moca no soalho.
- Ai... ai... ui... - contorce-se de dor agarrado ao macambúzio, enquanto a Gerinvázia, erguendo-se lentamente e olhando para o Toino, reclama:
- Mas que filha da puta de foda é essa que só tu é que gozas?
Falcão"

27 fevereiro 2007

Comissão de festas

por Falcão


".... Vais ficar famoso, meu filha da puta. Vais para a Internet...."

Ena cum filha da puta!

Num queiram saber, que neste fim de semana é que foi mesmo do caralho!
Cumo sabeis, num sei se já o havia dito antes, este ano faço parte da comissão das festas de Santa Inácia do Vale da Penha Maior de Cima, que é, digo ser com muito orgulho, o nome da minha freguesia, aqui nas bouças, onde um homem é rijo cumo ó caralho e o pito todo coberto de pintelho.
Bem! Agora num interessa! Juntámo-nos uns quantos, uns que são da comissão fabriqueira da Igreja e outros bacanos e que somos este ano festeiros, para combinar se vinha cá a Mónica Cintra ou o Quim Barreiros. E quanto íamos gastar no fogo preso e foguetes, e já sabeis no que isto dá. Acabámos mesmo junto ao portão da minha garage, pus uma mesa cá fora debaixo dum cascarrão dum pinheiro, e uns canecos mais o verdasco.
O Toino que tem uma filha boa cumo ó caralho, foi buscar a morcela, o Martinho uma broa, o Zé um pingo de aguardente e no meio dos comes e bebes, acabámos por ficar com o assunto todo na mesma que num ficou caralho nenhum combinado nem resolvido, foda-se!
Cada um dizia a sua coisa, uns queriam a Mónica porque ele é boa como milho mais a real puta que a pariu, e outros só queriam o Quim Barreiros com o cheiro do bacalhau e a garage da vezinha, e o caralho mais velho.
Aquilo cada um dizia a sua e num deu em nada.
E depois sentado à mesa quando estava a falar cum o Toino pensando que ele estava a ouvir, o filha da puta tinha mergulhado do banco abaixo cumo podeis ver, ressonava que nem um porco, e eu que me fodesse a falar pró caralho, cuidando que ele ouvia mais o caneco e o filha daquela puta com as ventas infiadas na caruma!... O que vale é o que me ri desse caralho, que fui buscar a Kodak e bati-lhe uma chapa.
- Oh . Toino, caralho! Vais ficar famoso, meu filha da puta. Vais para a Internet.-
- Vou pra donde…hic…Falcão?- Acordou ele cum os olhos vermelhos e em soluços cumo a real puta que o há-de parir.-…Caralhos...hic...me fodam e me refodam.....Ouve…hic…vou….hic….para ..onde?....-
- Foda-se….Para a Internet! Toino! Tas a ouvir?.Internet!…-
Num me respondeu, mais o caralho! Foda-se que vem para uma reunião e apanhou um pifo que nem se lambe…olha para isto: Ressona…foda-se, vai ressonar lá pró caralho!
Mas a tarde acabou numa chacota do caralho com o ti Balbino da Horta dos Tomazes.
Eh…cum filha da grande puta, que só de me lembrar desse caralho desse velho a contar como faz qualquer gaja vir-se…heheheh!...Diz que intala as bordas da cona entre os dentes e que depois faz o resto que é nem cavacas.
- Tas a ver?- Disse ele a encher o pessoal com o sorriso fodido cumó caralho..
- Prendo-as assim, entre estes dois dentes, e depois a lingua sobe e desce, anda à roda, até que elas fique em pão. Num há uma que num venha ter ao meu barraco para provar cumo é…-
-Mas então ouve lá oh meu caralho! E num ficas com a boca alí cumo o Toino? Cheio de caruma que é cumo quem diz; atabafado de pintelhos? -
E aí é que nos fartamos de rir cum a resposta.
- Foda-se Falcão! Os pintelhos?....Cospem-se! Cospem-se…foda-se!.....
E cuspiu para o chão tudo à volta dele, cumo Deus mandava acabando depois dum só sorvo mais um caneco do meu belo verdasco, enquanto dizia:
- Ide-vos foder. Falcão…ide-vos foder….-

13 março 2026

O farfalho da filha do Toino

Já temos saudades das estórias da trupe do Nelo, Falcão das Bouças, Toino,... 
Desafiei o Xarlie para nos enviar mais episódios deles e ele enviou-nos mais um, desta vez a respeito da relação da filha do Toino com o padre da paróquia:

(Shhhiuuu) 
(Deixa-me falar baixinho)
Acho que a filha do Toino já é uma moçoila atirada ao modernaço e consta que já lhe fez uma ceifa. Só que para agradar ao Manuel Falcão , dizem que dá uso a um chinó que era do padre da freguesia, que queria cambalhotar com a cachopa quando ela lhe contou sobre os enchidos e o sofá do Falcão. 
 - Minha filha, zzzz. Rezai 1500 Avés Marias, mas se quiserdes ser absolvida, vinde partilhar a carne com o Senhor. 
Mas ela não estava para isso voltada e quando o santo homem já afrouxava o cinto, eis que ela salta do confessionário e lhe arranca da cabeça a farta que, a partir daí, passou a ser farfalheira. 
É por isso que se diz que o altíssimo escreve direito por linhas tortas . Ela ia lá pedir ao ministro do Senhor como é que resolvia a coisa e ele, Todo Poderoso, pôs-lhe a solução que tinha na cabeça do seu pastor, entre as p€rn@s da paroquiana.
Xarlie

09 março 2007

O Galo Velho

Ena cum caralho!
Foda-se que ele há coisas do caralho!
Aqui há atrasado, a minha patroa veio-me com uma barafusta por causa das galinhas mais o caralho mais velho e tanto me rabiou que lá tive de ir ver o que se passava.
Ei cum filha da puta! Mal entrei e vi logo o galo despenado, as galinhas nervosas a fugir dum lado para outro e vi o que se passava..
- Isto num é um galinheiro, caralho! Isto é um bordel. Estas putas têm falta de galo, é o que é! -
Fui ter cum a patroa e disse-lhe: - Ouve lá, cachopa, o galo está é velho mais a puta que o pariu.-
- Oh meu homem, velho estás tu, que já num dás uma para a caixa.-
E eu, Manuel Falcão, rei das bouças, calei-me a lembrar-me das belas trancadas que dei no meu barraco, por trás da casa onde tenho a garage, uns pipos de vinho e um sofá velho e onde tenho mandado abaixo o pito da filha do Toino que é boa cumó caralho. Mas mesmo assim, e até para num levantar suspeitas disse à minha patroa: - Tens razão, cachopa, tou velho, caralho! É a vida. Mas tu podias ir logo à tarde ao Povo e comprares lá um frango novo e mais uns pintos que estas galinhas também estão boas para cabidela…-
E assim foi. Mal ela se meteu na caminheta do Augusto Torto que é quem faz a carreira três vezes por dia, e acompanhada da comadre Domitília que é a mulher doToino, peguei no galo e fui pelas traseiras bater à porta da cachopa. Cum a desculpa de pedir-lhe para me ajudar a matar o galo para um petisco.
Mal me viu perguntou logo para eu entrar em casa, que estava sozinha, e apetecia-lhe um troço.
- O que traz aí? - Perguntou, mas eu nem lhe dei resposta. Cum as sedes que ando de pito, mal poisei o galo no chão junto à porta da cozinha atirei-me a ela e foi uma das fodas melhores que dei nestas últimas semanas. Ena cum homem desfaz-se todo em caralho. Que tesão, cum filha da puta e se a cachopa é boa a foder. Toda cheia de pintelheira cumo um homem cá do Norte gosta, num é cumo aí em Lisboa que rapam tudo e parecem galinhas carocas despenadas. Ehehehehe…foda-se! Esses Mouros gostam de cada coisa!
Estava já a puxar as calças para cima quando ouvimos um desassossego do caralho vindo do quintal. Foda-se que assustei-me e pensei que era o Toino que aí vinha ou o caralho, e corri meio escondido para ver o que se passava.
E então num queriam ver que eram as galinhas novitas do vizinho todas em alvoroço?
O meu galo, meio despenado, estava a aviar uma a uma e elas a disputar quem queria ir à frente, ser a primeira…
- Ena, cum caralho, que belo galo – pensei. Mas logo lembrei-me da minha patroa a dizer que eu num dava já uma para a caixa. E voltando os olhos para a filha do Toino, que limpava a pintelheira, sorri para ela e disse-lhe que com galinhas novas num há galo que seja velho!



Manuel Falcão

06 janeiro 2009

Dia de Reis em Nossa Senhora do Vale da Penha Maior de Cima.


Por Manuel Falcão


Ena cum milhão e meio de caralhos! Faço um brinde aqui no meu sofá, cum caneco deste verdasco de lavrador quinté estala!
Cumo ides, murcões e murconas? Desde o ano passado, cum filhas da puta, que num lhes punha as calças em cima, que é cumo quem diz, num os via, caralho! Já vos estavas a rir, seus trambalazanas, danados que sois prá cambolhota. Ehehehehe.
Inté já os estou a ver cumo intraste o Ano; capão ou peru, ou papar enchidos, bacalhau e arroz de polvo intornados em verdasco e pingos do alambique.
Aposto que intalastes morcelas e salpicões, cum caralho! E a broa? A bela broa molhada no azeite e o caralho quinté escorrega? E o mulherio mais os bolos...
Bem, foda-se que para entrada do ano já tem que chegue, só que ide-vos foder que as festas inda num acabaram e ainda falta os Reis.
Num sei cumo foi a vossa noite de consoada, mas a minha foi do caralho.
Podeis imaginar: O prior da Freguesia, esse caralho com quem ando há que tempos de candeias às avessas, veio aqui há atrasado, cum isso de fazer um presépio ao vivo para Natal e os Reis. Vai daí foi toda a canalha da freguesia a querer entrar. Ena cum caralho, quande soou que haveria daí a dias esta fantochada, inté andaram à lambada porque queriam todos ser São José, e num havia quem quisesse fazer de camelo ou de burro. Foda-se que chegou a hora e chegaram a olhar para minhe, mas eu sem dizer água vai, mandei-os foder, mais o caralho e vim-me de fininho Igreja fora.
Benhe! Adiante! Estava eu no meu barraco a intornar um verdasco a fazer tempo que acabasse a missa para irmos à consoada junto ao madeiro em brasa no largo da Igreja, quande a filha do Toino a quem ando a comer o pito, me veio porta adentro, toda vermelha e mal conseguindo respirar, dizer: - Ai senhor Manuel... Senhor Manuel... -
Bem! Vinha já vestida cum a roupita de Virgem Maria. A cachopa tem uma tojeira farfalhuda cumo um Homem do Norte gosta, e mandei-a logo sentar-se-me ao melhor colinho do Norte: - Diz lá o que te aflige, minha Santa... - disse-lhe eu enquanto lhe metia a mão entre as pernas.
- Ai... agora nãoe, senhor Manuel, agora nãoe... Sabe? Venho agora da Igreja e intão num é que o senhor prior disse a toda a gente da freguesia que lá estava na missa que o senhor Manuel não se deveria ter vindo embora porque é quem vai fazer de burro? Eu faço de Virgem Maria, o meu conversado faz de São José, o ti Balbino da Horta dos Tomazes faz de... -
Foda-se que interrompi-a com um estrondo do caralho! : - O quê? Esse filha da puta quer que eu faça de burro? Burro será ele mais a mãe que o há-de parir, cum filha da puta! Eu sou o Manuel Falcão, rei das bouças! -
Ena que fiquei fodido pra caralho, cum mais essa tirada do Padre, foda-se!
Mas depois... sabeis cumo é... Um home perante um pito, cumo a filha do Toino, assim rosadinha de ter vindo a fugir para me contar a novidade.
Já estais a ver.
Num pude ver a cachopa assim meio triste por num ter essa figura no presépio onde ela ia fazer um papel principal. Acabei no sofá no pinanço cum ela a dizer-lhe que sim e dizer cá pra minhe:
- Isso Manuel, que de burro, cum esse pau que Deus te deu, num estás mal. O Padre, já vou ter cum ele pra dizer-lhe que eu faço de burro e que ele pode ir pra camelo e pró caralho.-
E lá fomos de volta, estava tudo ensaiado, já havia dias, só faltava o burro que num precisava de ensaios.
Agora vai repetir-se tudo cum a chegada dos Reis, e já ando cum um filha da puta dum tesão do caralho, que num vejo a filha do Toino desde essa noite, primeiro no sofá do barraco, e depois na missa, olhando cumo burro pra ela e vendo cumo ela era boa, raio da cachopa, foda-se que me deu ali mesmo novamente vontade de pinar!
E ao cunversado deste pito, que fode cuma puta que a pariu, num lhe disse nada, mas enquanto eu fazia o papel de burro e olhava benhe pra ele ali ao lado da virgem achei que estando bem cumo S. José, teria ficado muito melhor no papel de Boi.
Ai isso é que ficava.
E quanto ao Padre, esperem que eu já o fodo, mais o caralho!
Ahhhhhh... belo verdasco, caralho!... À nossa...


Manuel Falcão.

15 julho 2008

O Murcão emigrante

Crónica por: Manuel Falcão

Eia cum filha da puta que ele há uns caralhos mais murcões có caralho!
Foda-se que num o via há que tempos mas o filha da puta continua o mesmo de sempre. Linguarudo comó caralho, foda-se! Fala, fala, fala, pinta comó caralho, e é só pito e ele o maior.
E calhou ser no dia em que esperava o Augusto Torto que é o chofér da caminheta, para lhe dar um recado quande fosse de volta ao Porto que o vi.
Estava eu na paraje que é mesmo no largo da Igreja, quande a rir-me comó caralho das cunversas da vizinha Domítilia - que é a mulher do Toino - cum a velhota tia da Chica e que é surda que nem um penedo, que o vi descer da caminheta.
Ena que o caralho mal me viu disse: - Eina, Falcão! És tu, foda-se! Tu estás bãoe, filha da puta? Entãoe, cuntinuas por aqui? Num podes perder as bouças de vista, num é?-
E eu que num me calo e nenhum filha da puta me leva o ninho atrás da orelha, disse-lhe logo:
- E tu meu caralho, que andaste a correr mundo, mas continuas cum o mesmo sotaque das bouças, meu calhau do caralho. Caralhos te fodam e refodam que continuas o mesmo trambalazana.-
Nessa mesma tarde, que era Sábado, apareceu ele mais o Ti Manel da Horta dos Tomazes, o Toino, o home da Xica Zarolha, o Balbino, o Zé Trolha, o murcão Brasileiro que vive lá à ponta cum uma gaja que alterna no Porto e que de vez em quando aparece, e mais uns dois ou três. Tudo no meu barraco voltado para o pinhal e que fica na parte de trás da minha casa, pegado cum a cozinha, e onde tenho uns pipos de verdasco, uns belos curados e um sofá onde de vez em quando mando o pito da filha do Toino abaixo...
Benhe, mas adiante. Uns trouxeram um enchido, outros umas broas, outros um bocado de presunto. Eu também preparei uns nacos cá dos meus. Estávamos todos a falar e reinar cum a cunversa e o caralho, quando o filha da puta tomou a palavra e começou a encher o peito cum o paleio sobre as estranjas; - A Suiça, - dizia o murcão, e mais isto e aquilo. Mas eu, Falcão, foda-se que num posso cum o gaijo, aviei logo por entre uns copos de verdasco: - Escuta lá, oh caralho, já tás farto de encher o pessoal cum cunversas sobre a Suíça, mas diz lá agora aqui à canalha; cumo são as Helvéticas?-
E fiquei olhando para o basbaque de copo na mão a repetir. – Elvéitcas... Elvéitcas... querçezer... Elveitcas...-
Caralho que sou mau comó caralho, e quande apanho um filha da puta na mó de baixo, num sou de dar cum o pau no chão: - Foda-se! Meu caralho! As Helvéticas, as gajas da Suíça, as Helvéticas, caralhos te fodam!... Que tiveste na Suíça mas foi o caralho! Vens para aqui encher cum cunversas e num sabes o que são as Helvéticas?! Vai-te foder, caralhos te fodam!
Bem, mas o murcão num é de dar parte fraca mesmo quande bate de fuças no chiqueiro, e toca de começar a contar que comia, que fodia, que fazia, que as gajas na Suíça eram assim e assado e cozido e torto, que já num podia ouvi-lo mais.
Interrompí: - Murcão, do caralho! Comeste gajas cumo a puta que te há-de parir! Mas... tu num conheces mais país nenhum, meu caralho! Só a Suíça? Andaste a correr mundo e só falas da Suíça?...–
Bem, falou-me na Itália e Sul de França e saltou logo para a Grécia onde disse que trabalhou mais uns tempos num Hotel mais o caralho, e começou a falar, a falar, a falar. Era sobre Atenas e do Partenon, e das estátuas dos Deuses e dos monumentos e do Olimpo e mais o caralho, e aí já, foda-se que já estava a ficar fodido e farto de ouvir, intervim: - Ouve lá, isso é tudo interessante, mas aqui só para nós, conta lá cumo são as Helénicas?-
- ... As Eléniquias... as eléniquias... querçezer... as Eléni... quias... Pois as Eléniquias... benhe...-
Comecei a rir-me. (O caralho é um fala-barato do caralho!): -Sim caralho! As Helénicas, as gajas Gregas, meu anormal, foda-se que num sabes nada, caralho! E vens para aqui encher que andas e conheces, e viajas, e conheces monumentos e foda-se que nunca ouviste falar das Helénicas?!–
Mas o murcão deu mais um golpe de rins e saiu-se cum uma lição de cunversa sobre as gajas Gregas, cumo eu, Manuel Falcão que sabe o que é comer pito, nunca tinha ouvido! Ena que nem que o filha da puta tivesse uma cartucheira de caralhos conseguia foder tanto. Que grande contador de tretas e petas, cum milhão de caralhos! Ouvi e re-ouvi até me fartar, que chegou a um ponto que já num podia ouvir mais as petas do filha da puta!
Aí para interromper a cunversa e mostrar que eu Manuel Falcão, rei das bouças também sabia dar um salto lá fora disse:
- Este Verão vou também dar uma volta ao estrangeiro, e inté quande chegaste estava à espera do vizinho Augusto, para ele levar de volta uns papéis assinados para a agência de viaje.-
- E vais adonde, Falcão?- disse ele logo, cheio de curiosidade, por entre um golo de verdasco e um naco de broa pingada de presunto.
- Eh caralho, estive a ver os prospectos sobre o Egipto, e se há coisa que gostava de ver era as pirâmides...-
Mas o murcão interrompeu logo, e cum os olhos muito abertos, avançou quase a engasgar-se tal era a vontade de contar: - As Pirâmides! Sim as Pirâmides! Ena, cum filha da puta, que essas já eu conheço, caralho! Estive também no Egipto, e se lhes contasse... Foda-se que são umas putas a foder cumo nunca vi em lado nenhum...

Manuel Falcão, rei das Bouças,
Presidente da Junta de Santa Inácia do Vale da Penha Maior de Cima.

(E fodido e refodido cum este murcão do caralho! FODA-SE!)

19 abril 2008

A vingança do Falcão

Por: Falcão

... vós, homem casado, andais em pecado mortal com a filha do Toino...

Oi, cum filhas da puta, caralhos que vos fodam... heheheheee. Estais bons, tramelgas do caralho? Cumo ides?
Bem... estes dias tenho andade fodido cumó caralho, mas agora que estou no meu barraco, ao pé do portão aberto, olhando para o pinhal, à volta duma neca de enchido bem curado na broa, e eis que me descubro de dentes ao sol de tanto rir.
Heheheeee que bem que o fodi daquela vez. Lembrais-vos?
É aquela coisa do caralho que tive cum o padre lá da freguesia quande foi da excursão, e ele me queria quilhar.
Se num vos lembrais benhe, é dar um clique na hiperligação e ficais a saber porque é que estou tão satisfeito, cum milhão de caralhos que me fodam e refodam. Eheheheheeh. E vai mais um caneco de verdasco, que eu brindo por vós enquanto num vindes cum outro caneco ao lado: - Trloc! Trloc! – Caneco cum caneco que inté estala, caralho!
Benhe, e agora que estou outra vez sentado, de goela refrescada e corpo em descanso, posso contar cumo foi. O filha da puta do prior aqui da freguesia desde aqui há atrasado que me andava a querer fazer o ninho atrás da orelha. Bem sabeis se destes uma olhadela ao texto que vos indiquei.
Mas adiante...
Veio outra vez a altura duma excursão a Fátima e o filha da puta do padre veio ter cumigo. Assim sobranceiro e o caralho: Que sou o presidente da Junta, presidente da Comissão Frabiqueira, presidente da comissão de Festas e Arraiais e presidente do Clube de Futbol e da Malha da Freguesia de Santa Inácia do Vale da Penha Maior de Cima, e que nessa qualidade de homem público cum responsabilidades, tenho de presidir às excursões e romagens religiosas.
E o filha da puta fez-me uns olhos do caralho cumo se eu Manuel Falcão, rei das bouças e perdido por pito, tivesse medo dele.
Disse-lhe logo, - Escutai senhor padre, num me venha cum sermões mais o caralho, que num me mete medo e se vos lembrais de aqui há atrasado, também tendes telhas de vidro, por isso....
Bem, murcões e murconas: O filha da puta abriu-me os olhos e disse-me quase a gritar:
- Cuidais que num sei que fostes vós a fazer a tramóia e pusestes lá aquilo? Cuidais que alguém aqui no povo acreditaria se vós fosses espalhar essa calúnia? Uma peça de roupa de mulher na sacristia? O contrário é que talvez fosse pior e se o povo viesse a saber que vós, homem casado, andais em pecado mortal com a filha do Toino, vosso vizinho-
Calou-se olhando para minhe cum os olhos cheios de fogo e abalou portão do barraco afora que nem uma sombra.
Logo logo fiquei todo fodido, e andei fodido uns dois dias ou três cumo podeis calcular, mas depois cismei, cismei e disse cá para mim: - Ah... Cum filha da grande puta que já te fodo. Num há nenhum filha da puta que faça o ninho atrás da orelha ao Falcão, o rei das bouças! Eu que me bato de varapau cum um bando de lobos, tenho lá agora que aturar isto!-
E assim foi, caralho, que só de lembrar-me me rebento a rir, ehehehehee... cum filha da grande puta (deixa-me lá emborcar mais um caneco deste verdasco que está de estalo, caralho! Ahhhh, que este é mesmo do bâoe.....)
Cumo ia dizendo, num queiram saber a cara de fodido que o padre fez pra minhe quando a Miquelina, uma cachopa da minha roda de conhecidas do Porto e que vive do pito, a troco de duas notitas de 50, se dispôs a aligeirar-se de algumas peças de roupa por altura do confessionário no exacto instante em que eu e algumas beatas entrávamos na Igreja supostamente para combinar com ele pormenores da excursão a Fátima.
Caralhos que me fodam, se agora num o fodi cum uma pinta do caralho e que ele nunca mais me faz essas cunversas de pecados e assim, por causa do pito da filha do Toino que eu ande a comer! Só queria que o visses, embasbacado e a Miquelina a vestir a blusa à pressa, cuidando que num me conhecia... heheheheh. As velhas cum cara de espanto, o padre saindo do confessionário, todo fodido cum olhar para minhe que parecia que me comia e eu, olhando para ele cum filha da puta; que te fodi, abelhudo filho da grande puta, padre do caralho! Agora calai-vos e ide-vos foder...
Sou Manuel Falcão, o rei das bouças. Tenho um barraco cum verdasco e enchidos, e um sofá onde como com gosto o pito, cum filha da puta. A mim ninguém faz o ninho atrás da orelha, nem padres nem o caralho mais velho!

Falcão; Manuel Falcão

13 maio 2007

Tou fodido com as festas da terra....


por Falcão
...ou até...a Floribela, sei lá...

Ena cum caralho!
Aqui há atrasado meti-me numa foda do caralho por causa da embrulhada de fazer parte da comissão fabriqueira da igreja e também da comissão de festas onde me cabe a função fodida de tesoureiro.
Depois dumas bebedeiras e de muita gritaria lá chegamos por fim a um acordo.
Tínhamos pensado em mandar vir o trambalasana daquele, cumo se chama,... esse que tem o nome duma empresa de transportes, e que de momento num me lembro que a minha cabeça já num é o que era.
As mulheres ficaram logo todas com a rola aos saltos, a minha patroa fez-me o pitéu preferido e na comissão onde ande sempre tudo às avessas, as coisas parecia finalmente bem encaminhado.
Só que era bom demais estar pela primeira vez tudo a correr bem: O caralho queria o dinheiro adiantado! Mas aí veio-me a prudência de homem do Norte e lembrei-me do que o meu pai já me dizia: - Filho, olha o dinheirinho que custa muito a ganhar! Dinheiro numa mão e o chibo na eioutra. Num vais em cunversas! Olha o dinheirinho! Tende-o sempre debaixo de olho e mão firme, mão firme. Dinheiro que sai já num volta...-
Ora o filha da grande puta nem queria um cheque. Dinheiro vivo adiantado por vale postal ou intão tinha que ir alguém levar o dinheiro ao escritório no Porto ou em Lisboa.
Disse: - Não! Cum o Falcão num se trabalha assim, caralho! É pé a descer do palco e o dinheiro a subir na mão-
- Então nada feito.- foi a resposta ao telefone.
Ora lá fiquei outra vez metido num sarilho do caralho. Começou cum as minhas vizinhas: a mulher do Toino mais a filha, que é boa cumo o caralho, a foder-me o juizo porque só queriam ter nas festas de cá o filha da puta porque canta muito bem com a voz doce, e carinha laroca, e mais ninguém! Bem lhes falei no Quim Barreiros, na Claudia Isabel, no Luis Filipe Reis, no Emanuel, o pequeno Saúl ou até...a Floribela e sei lá mais o quê. Eles afinal cante todos o mesmo, é quase tudo igual tanto faz ser um ou outro, caralho...! Mas elas: nada!
Foda-se! Que isto de estar numa posição em que toda a gente nos critica e manda abaixo é fodido. Logo a seguir foram os meus colegas da comissão. As patroas deles também lhes arrastaram a panela do juizo lá em casa e atiraram-se todos a mim.
Que estavam de quarentena. Que elas num lhes davam o pito, e o caralho mais velho, e até algumas que nem lhes tinham feito o almoço e outras nem lhes falavam!
Ena cum filha da puta! Um homem do Norte aguenta tudo. E eu, cum caralho, sou das bouças, enfrentei lobos cum um varapau e zagalote, passei frios do caralho nos invernos da serra e sobrevivi rijo cumo o caralho, vejo-me agora quase desprezado na minha freguesia.
Inda por cima, a filha do Toino disse-me ao ouvido que num me dava mais pintelheira para eu infiar o serrote!
Foda-se que haja alguém que me ajude, que eu Manuel Falcão, rei das bouças, estou fodido sem saber cumo sair desta embrulhada! Se pago ao tromba de lousana, fujo dum princípio sagrado que o meu pai me deixou que é nunca pagar adiantado. Mas se pago para agradar ao pessoal e ele falta ao espectáculo cum uma desculpa qualquer, caem-me todos em cima porque eu sou o tesoureiro e num devia deixar o dinheiro sair de qualquer maneira e depois exigem-me o bagulho de volta e nem querem saber de cunversas. E depois outra coisa, em minha casa então, nem lhes conto cumo anda o ambiente com a minha patroa...Cum caralho!
Acho que vou para a minha garage, o barraco que tenho na parte de trás da casa com vista para o pinhal. Abro uma chouriça e encho um caneco de verdasco tirado do pipo.
Nada cumo uma golada frescota para ajudar a pensar enquanto mastigo a broa cum chouriça
- Estou fodido, caralho...
Fodido e refodido.....
Mas uma coisa lhes garanto, Manuel Falcão eu num me chame: Enquanto eu for tesoureiro, o dinheirinho só sai cum o artista no palco!
Foda-se!
Cum homem do Norte é homem de palavra! Caralhos me fodam e refodam... -

Falcão.

15 outubro 2007

A Excursão.

Por Falcão

...ainda está para vir o primeiro, filha da grande puta, que me faça o ninho atrás da orelha!...

Ena, cum trezentos e cinquenta caralhos que me fodam e refodam! Intão num é que me fizeram ir mais uma vez na excursão que o Prior da freguesia organiza todos os anos?
Eu já num andava com vontade de ir, mas a minha patroa que quase me apanhava, aqui há atrasado, a comer o pito à filha do Toino, essa cachopa que é boa cumo o milho, e que tem uma tojeira do caralho entre as pernas – só pintelho cumo um homem do Norte gosta – a minha patroa, cumo ia dizendo, abriu-me os olhos e prontes: lá me vi duas semanas depois dentro da caminheta a caminho de Fátima.
E é do caralho cumo o padre ia à frente no meio do corredor quase ao lado do condutor a pregar e pregar e pregar. E foda-se que a cunversa dele incaixava em mim cumo se fosse um gorro, cum filha da puta!
Que éramos pecadores, e o caralho, mais a cunversa de cobiçar a mulher alheia, e do casamento e assim. Dizia que muitos pecam e em vez de se arrepender, confessar-se e fazer a penitência, voltam a cada nesga de oportunidade ao mesmo, sem mostrar qualquer intenção de se redimir! E o tromba de lousana, olhava para mim, cumo se soubesse de alguma coisa, e falava do Diabo e dos fogos do inferno mais o caralho, que inté me sentia já todo a arder, foda-se!
Num sei se ele sabe de alguma coisa, cum filha da puta que a cachopa decerto num havia de ir dizer-lhe nada, ou se anda à pesca a ver se algum cai, que isto dos padres tem que se lhe diga!
Bem! mas adiante. Parámos na Mealhada, já cum uma fome do caralho, para o tradicional leitão à moda da Bairrada que é o melhor do mundo e onde me estava a vingar dos amargos de boca num pingo de tinto espumante lá do sítio e que liga muito bem com o estaladiço do bacorrinho assado, quando vejo o padre aproximar-se de mim cum um bocado de broa com carne em cima e um copo na outra mão. Sorriu, disse qualquer coisa sobre o leitão e depois no tom de voz baixo e pousado que eles sabem fazer, que é para isso que estudam tantos anos no Seminário, saiu-se cum esta:
- Falcão, meu filho.... Não tendes nada que pese na vossa alma que me quereis contar em confissão – esse sagrado sacramento da confidência -, para vosso alívio e paz , vossa salvação e garante da vida eterna na Glória do Senhor?-
Bem cum caralho, que ia gelando, foda-se, mas sem perder a calma disse que não, que era um homem de vida recatada, bebia os meus verdascos com os amigos lá na terra mas prontes, num tinha assim pecados que ao dormir me tirassem do sono... E aí ele ao aproximar-se mais de mim disse muito baixinho que uma destas tardes, quase noite, ao passar ao largo no extremo da freguesia, tinha-lhe parecido ver uma jovem a sair à pressa das traseiras da minha casa.
Caralho! Então foi isso. Foda-se que ele viu a filha do Toino sair numa das vezes e agora anda-me a fazer o ninho, foda-se, cem mil caralhos grossos cumó caralho, me fodam e refodam, cum filha da puta que agora num me larga, caralho! Caralho! Caralho! Se eu fiquei fodido!!!...
Num lhe dei resposta e só sei que emborquei umas duas garrafas a seguir quando o padre se afastou.
Já num sei cumo acabei o dia. Andei azedo o resto do tempo, quase nem me lembro de nada nem do resto da viaje, nem da procissão nem das promessas nem da virgem nem da nota que a minha patroa me pediu para a esmola, nem de outra coisa que não fosse o dormir no regresso e o acordar a pensar cumo me havia de safar desta embrulhada. Foda-se que eu sou Manuel Falcão, o rei das bouças, e ainda está para vir o primeiro, filha da grande puta, padre ou não padre, que me faça o ninho atrás da orelha!
E a ideia veio logo no dia seguinte quande, cum uma desculpa de ir ver umas coisas para a Comissão Fabriqueira (de que eu sou o presidente) disse à minha patroa que tinha de ir ao Porto.
E num queiram saber a cara de fodido e refodido que o padre fez quando uns dias depois, pelas seis da manhã, antes da primeira missa, deu cumigo e com o sacristão a olhar para ele pela porta da sacristia a tresandar a perfume de puta, enquanto ele espetava os olhos incrédulos para os paramentos cheios de marcas de batón e para as cuecas fininhas de lingerie negra, rendilhada e de atilhos, caídas no chão...

FALCÃO.

29 maio 2007

Falcão, és o maior!

por Falcão

...Bêinhe no fundo… é que é bãoe...

Ena murcões e murconas!
Hehehee…Bem. Isto nas minhas bouças está do caralho.
Aqui há atrasado, andava meio fodido, cum filha da puta, por causa desse caralho da camioneta de transporte público, que só queria vir cantar à nossa romaria cum o dinheirinho adiantado.
Bem, cum caralho, caralhos me fodam e refodam. Que vi o caso mal parado!
Era a minha patroa, era os vizinhos, era o caralho mais velho e até a filha do Toino que tem um pito pintelhudo cumo um homem do Norte gosta, me deu sopa duas semanas.
Foda-se, que isto de ser um homem de responsabilidade e mexer em dinheiro que num lhe pertence é fodido
Mas felizmeinte que a coisa se compôs, cum um cheque visado e cum a data cum a bolinha à volta, e que foi depositado no cofre do Banco e enviado um fax cum a cópia do cheque e assinado pelo gerente. Ainda houve assim uma cunversa ao telefone cum os caralhos do escritório mas depois lá acabou por se chegar a acordo, e assim pude finalmente descansar o canastro no meu barraco, abrir um pipo novo de verdasco e encharcar uma boa fatia de broa entre os dentes cum uma rodela de morcela. Ehehehehe… que até rima, caralho! Falcão, és o maior….!
Ah… pensei. – Foda-se que esta vida tem coisas fodidas! Fodidas e bem fodidas, cum caralho. E mal entornei o copo de verdasco bebi outro e fui de mansinho para a porta da minha garage que dá para o pinhal. Espreitei e milagre de Nossa Senhora: a filha do Toino estava estendendo umas pecitas de roupa numa corda de nailon esticada entre dois pinheiros. Bem… Num sei se foi por causa de ter o assunto do arraial resolvido sem ter dado o dinheiro adiantado cumo eles queriam, ou se foi por ver a cachopa abaixar-se para apanhar uma peça do alguidar, mas deu-me de repente uma vontade de pinar…Fui devagar, olhando para trás para confirmar que ninguém estava vendo e fiz-lhe sinal.

Passado um quarto de hora lá estava ela já no meu barraco.

Ena cum filha da grande puta que a cachopa cada vez está melhor. Mas quando deitei a mão ao pito para afastar o matagal, senti um fio agarrado aos dedos.
- O que é isto caralho? Vós quereis ver que o bacalhau agora também toma teias de aranha?-
- Num é nada disso. – respondeu ela. – É algum fiozito da roupa interior que se esfarripou….- e mais num disse que logo de seguida o salpicão entrou de salmoura. E cum filha da puta que cum as saudades de pito que andava, foi um avio a duplicar. Eu, Manuel Falcão, rei das bouças, já bem em cima dos sessenta dei duas quase de seguida. Os ares da Serra fazem um homem rijo, cum catano. E depois a saudade de pito…
Inda me estou é a rir da cara de espanto da cachopa quando lhe falei que isso das teias era uma mitáfera, estava já o pito de porta às escâncaras.
- Mete-a fora?- disse ela cum cara de espanto. – Intão fora porquêan? Isso é baom é tudo dentro, senhor Neno. – que é cumo ela me chama.- Bêinhe no fundo… é que é bãoe…-
E ri-me cumo ó caralho da cachopa ser assim tão simplória, inquanto emborcava mais um caneco de verdasco, pernas esticadas em cima do sofá ainda cum o cheiro dela, satisfeito por num ter perdido mais tempo cum cunversas quando lhe aviei duas sem desenfiar.

E por falar em avios, o dinheirito foi posto a prazo até o dia em que passar para a conta do murcão mas os jurozitos ficam cá para mim. Que isso de mexer no mel sem lamber os dedos faz azia. Ai não que num faz. E depois quem pode levar a mal uma recompensa por baixo da porta depois do que passei cum estes murcões?

Manuel Falcão... És o maior, caralho!

Vai mais um caneco, que o verdasco está fresquito...

Falcão

03 julho 2009

Eleições na Freguesia, parte I

por Manuel Falcão

Ó cum filhas da puta.
Cumo ides? Benhe, agora que estou a sós cunvosco vou dizer-lhes o que me vai nei alma.
Aqui na minha parvalheira ande tudo fodido, mais o caralho.
E perguntais vós: Falcão? Porque anda tudo fodido na tua Freguesia?
Vá que já lhes respondo, cum milhão de caralhos que me refodam, que cum a puta da cunversa cum vós, dei agora um raspão cum a navalha num dedo quande estava a cortar um bocado de enchido pra mandar abaixo com o belo verdasco, mas num é por isso que ande tudo fodido aqui na Freguesia. Esperai! Ora foda-se que já fiz sangue mais a puta que me há-de parir e à puta da navalha mais o caralho! Cumo ia dizendo... Foda-se que isto dói!...
Mas cumo ia dizendo. Nãoe! Num é por isso... Cumo sabeis, sou o Presidente aqui da Junta de Freguesia da Santa Inácia do Vale da Penha Maior de Cima desde há atrasado. Fui sempre reeleito pelo porque sou um home cum a rijeza dum homem no Norte, e o povo sabe que ninguenhe me faz a ninho atrás da orelha, nem o caralho!
Mas agora veio um murcão, cum filha da puta que nunca soube desse caralho nem mais gordo nem mais magro, cum uma cunversa do caralho a fazer cismar o povo. Que num sei o quê nem mais quantos, que num tem arruamentos feitos, que a igreja num está arranjada, que ia fazer um palco fixo para os arraiais e festas do povo, e um jardim e internet sem fios grátis para a freguesia mais isto e mais num sei quantos.
Ora num é isto do caralho? Num é dum home ficar fodido?
Quer-se dizer: arruamentos estão feitos há muito e só se forem as traseiras das casas onde a canalha tem os barracos e que dão para o pinhal. O palco quande faz falta vêm os homes montar e desmontar para num ocupar o adro, e quanto à igreja que a pinte o Padre, esse filha da puta do caralho que me ande a foder cum as cunversas que ele me chega em privado por causa de eu andar a comer o pito à filha do Toino.
Mas o que me deixa mais fodido é a cunversa desse murcão quande diz num sei o quê do jardim. Ora foda-se que a Freguesia fica dentro da mata e é jardim por todo o lado, com grande filha da puta. E para que quer o Tio Balbino da Horta dos Tomazes a internet se o caralho nem computador tem e nem ler sabe? E os outros? Se num fosse eu ter na Junta um computador aqui para o serviço, nunca eles teriam visto nem ouvisto falar disto.
E o povo, que vai cum duas letras ande todo a falar baixinho e calam-se quande lhes passo à porta. Ora cum grandes filhas da puta! Mas esperai que já os vou quilhar, mas ao caralho desse murcão.
Esperai, cum catano! A mim nenhum filho da puta me faz o ninho atrás da orelha. Manuel Falcão o rei das Bouças num me chame. Cum milhão de caralhos que...
Cumo? Ah cachopa... meu tesouro... meu ainjo!
Ora murcões... ehe... benhe... Esperai que já volto que a filha do Toino está ali no sofá e cumo sabeis, quando há pito é para ser comido, e um home que perde o tempo cum o dito escrito, é certo e sabido que ao final sai fodido.
Ora tomai...

Manuel Falcão, o Rei das Bouças

30 janeiro 2009

Plagiando o Expresso ou as palavras que tive vontade de escrever mas não consegui!

Sobre Ronaldo, o Cristiano, e a febre mediática em redor do Prémio, escreveu João Pereira Coutinho: "...Mas o pior veio a seguir: páginas e debates com declarações embaraçosamente homoeróticas. São as pernas de Cristiano Ronaldo. O tronco. A elegância. Não sei se alguém falou nos mamilos mas é possível. Verdade que o futebol sempre serviu para isso: para que os homens pudessem expressar as suas pulsões homossexuais sem sentimentos de culpa. Só assim é possível explicar a paixão masculina por rapazes de calções curtos, a correrem pelo campo e, em caso de golo, a abraçarem-se e a acariciarem-se com os seus corpos suados. Com Ronaldo, Portugal voltou a relembrar a natureza gay do futebol..."
__________________________
O Nelo esclarece, já que é a sua espiçalidade:
"Nam çei perquei tanta coiza há volta de ashareim bishiçe iço das pernas do Cristianu Reinaldo.
Per izemples, éu, Gonçalo Manuel da Silva, nam asho nada ispecial as pernas do Cristianu Reinaldo, e çou uma melhér bisha cum muitos quilómatrus de broshes e inrabadelas..
Asho o Reinaldu uma melhér jóvel e açim, sheiu de dinhêro e brincus nas urelhas e Çê Erre Çetes na caza e nus carrus, e dipois?
Dá uns pantapeis numas bolas...???
Poizeu nam tratu as bolas aus pantapeis... Çó com muinto carinhu e delicadesa... Beim cu pudia mudar o meu nomi pra CristiaNelo..."


E o OrCa há que tempos que não odia...

"de Ronaldo as gâmbias musculinas
rebrilhantes pelo drible que palpita
e no povo vibram tanto as meninas
como os gajos num desvairo em alta grita

o pernaço - o torso em chama - o antebraço
o bícepe e - quem sabe? - aquele rastilho
que ao corpo dá um lance de mormaço
que não fora ele gajo lhe faria um filho

fu-tebol - fé de pé - ou fá bemol
traz a quantos por ele vibram o sinete
de fazerem de um atleta esse rissol
mordiscado em entremeio de croquete

e perdendo a tramontana pela bola
o machão nem apura que faz lei
outra inversa àquela contra a sua escola
de curtir moca de gajo como um gay..."


O Manuel Falcão (Rei das Bouças), Presidente da Junta de Freguesia da Santa Inácia do Vale da Penha Maior de Cima faz uma declaração à freguesia:

"Pois meu Orca que és poeta
comó caralho que te refoda
Deixa ser este Rei das Bouças
agora o home a dar-te a Oda
Se estás farto dessa terra,
que mais tem som de histeria
Deixai-me essa estrabaria
e vinde vós num só esgalho
Ao sítio este, de carne e broa,
E verdasco, e alegria.
Tenho espaço com fartura
no barraco; lareira boa
um sofá, onde malho inteiro
O pito farfalho que a tusa fura
Ai Orca, a pasmaceira
que da cidade dizem certeira
Vai-se logo que visitam,
o Falcão à vez primeira.
Fiquem-se pois que eu não me ralo
Durmo com a lua, acordo com o galo
Ainda o Sol no céu não brilha
Já a broa se enche num estalo
De verdasco e alegria
E tenho boa companhia
dos bacanos e o caralho
e quando quero pito farfalho
(A toda a hora me dá na moina)
Saio do barraco até ao pinhal
Assobio de sinal, à filha do Toino
Mas há ainda mulheral
A fazer da perna ofício
Não vens por isso em sacrifício
Quando chegares à Freguesia
Terás broa, enchido e pito,
E verdasco e alegria.

Vem daí, Orcaralho, foda-se que deves ser um bacano do caralho. :)"


E o OrCa ode o Falcão... mesmo preferindo outro género, com outra terminação:

"sim - ao afundar-me nas berças
sim - ao sentir o frio orvalho
sim - ao ter as moçoilas quais corças
sim - ao verdasco de agasalho
sim senhor caro Falcão
presidente da Inácia
e quem não for à sessão
deite-lhe a mão e arregace-a
pelo campo cogumelos
e grelos doces dourados
deitar-se a gente aos marmelos
e cuidar-se dos silvados
que bela a vida no campo
de gostos fortes - da broa
valha a mim fechar o tampo
da sanita de Lisboa...
Falcão ave de rapina
que voas em tal lampejo
pela minha triste sina
nem sabes quanto te invejo
Falcão amigo o convite
deixou-me aqui numa fona
ainda que algo hesite
melhor seria Falcona...
enfim és hospitaleiro
e por tanto fico grato
só toca bem o pandeiro
quem o guarda a bom recato
Rei das Bouças tu serás
nessas matas maravilha
decerto me apresentarás
desse tal Toino a filha
ah e que tenhas por certo
não fazer eu sacrifício
largo mão deste deserto
vou-me aí ao solstício
que há-de haver um enchido
ao verdasco a acompanhar
que fodido e refodido
ando eu cá farto de andar..."


São Rosas: "Quando iremos então a esse verdasco?"

OrCa:
"Olha a São também quer ir
o deboche garantindo
se a gaja desata a abrir
faz-se ali festaço lindo..."

15 novembro 2008

«A minha primeira vez» - por Florinha

"Olá!
Este assunto trouxe-me à memória a minha primeira vez. Tinha 17 anos e passava férias numa aldeia transmontana, em casa de uma coleguinha do colégio interno onde fui educada.
Pertenço a uma família onde era tradição as meninas estudarem em colégios internos. Lá conheci uma menina da minha idade cuja família possuía uma mansão em Trás-os-Montes. Um ano, por altura das férias grandes, a família da minha amiga convidou-me para passar um mês na casa deles. Os meus pais concordaram e então lá fui. A propriedade dos pais da minha amiga era enorme, com imensos empregados, alguns idosos, outros menos e dois jovens da minha idade, que eram irmãos. A Rabiça e o Tóino.
A Rabiça estava encarregue de ajudar as mulheres da quinta nos trabalhos doméstico e o Tó de ir levar e trazer as vacas do pasto.
Um pouco afastada do casarão da minha amiga, passava uma ribeira de água transparente, bordejada por arvoredo frondoso. Uma tarde em que fazia bastante calor, a minha amiga convidou-me para ir dar um passeio junto à ribeira.
Fomos por um caminho em terra, ladeado por castanheiros e nogueiras, que nos ofereciam a sua fresca sombra. Chegadas à beira da ribeira, sentámo-nos na relva verdinha que atapetava o chão. À nossa volta só se ouvia o ligeiro movimento da folhagem, embalada pela leve brisa, o quase inaudível correr manso das águas e o chilrear da passarada. Passados alguns segundos, deitámo-nos ao lado uma da outra, olhando as núvens que vagarosamente iam passando sobre as nossas cabeças e a conversa entre as duas direccionou-se para assuntos passados no colégio que foram sucedendo no decorrer do ano.
Falámos dos professores, dos que tinhamos gostado mais e menos, das colegas, das com quem tínhamos mais afinidades e menos, até que a minha amiga ficou repentinamente silenciosa. Estranhei a sua atitude e perguntei-lhe se tinha dito alguma coisa de que não tivesse gostado.
Sacudiu a cabeça e garantiu-me que não, para não ser tolinha. Mas como continuasse silenciosa, voltei a perguntar se alguma coisa a incomodava.
Então, voltando o rosto para mim, exibindo um sorriso, onde detectei uma lágrima, respondeu-me:
- Nada, nada, simplesmente saudades.
- O quê? Saudades do colégio? - e, acompanhando a frase com uma gargalhada, acrescentei:
- Por nada deste mundo iria ter saudades daquela prisão!
- Não compreendes - retorquiu a minha amiga - não é do colégio que sinto saudade.
- Ah não? De que é então?
Manteve-se em silêncio durante mais uns segundos e depois acrescentou:
- É de alguém, parvinha!
- De alguém?!
Dei de imediato um pulo e sentei-me:
- De quem? De quem? Tens um namorado? Conta-me, conta-me.
A minha amiga manteve-se impávida olhando o céu e como que ignorando a minha presença.
- Vá lá, então, tens de contar - apressei-a.
Finalmente olhou na minha direcção e perguntou:
- Se eu te contar, juras que não contas a mais ninguém?
- Parva! Achas-me capaz de trair a confidência de uma amiga?
- Juras? - Repetiu ela.
- Se achas que é preciso, sim, juro. Agora vá, conta-me tudo. Tens um namorado?
- Sim! Quer dizer, não!
- Bom, não percebo, afinal, tens um namorado, sim ou não?
- Tenho, mas não é um namorado.
- Não? Então?
- É uma namorada!
A revelação que a minha amiga acabava de me fazer deixou-me de olhos arregalados e de boca aberta. Era capaz de jurar que no meu cérebro não acontecia um único pensamento.
- Ficaste surpreendida? - Perguntou-me ela.
Gaguejei:
- Sim, claro, é evidente que sim.
- Evidente porquê? Também és das pessoas que discriminam duas pessoas do mesmo sexo que se apaixonam uma pela outra?
- Se discrimino? Sei lá. Fazes-me cada pergunta. Mas tu não és uma pessoa qualquer, és minha amiga há quase dez anos, nunca pude pensar que tu...
- Mas afinal o que é que eu tenho assim de tão extraordinário que me impeça de sentir paixão por alguém do mesmo sexo? Repara, Florzinha, não sei se já pensaste algum dia nisso, mas o amor, a paixão, não é algo que tenha a ver com diferenças entre os sexos.
- Quê? Que raio de baralhada estás para aí a dizer?
- Baralhada é o que vai dentro da tua cabeça, relativamente ao que pensas de ti e daqueles com quem partilhas a vida. E, sabes que mais? Estava convencida que eras minha amiga. Afinal, vejo que também tu és dominada pelos preconceitos retrógrados da sociedade em geral.
Dizendo isto, a minha amiga levantou-se e afastou-se, sem me voltar a olhar.
Ainda paralizada pela surpresa deixei-me ficar sentada na relva, enquanto a minha amiga se afastava por entre os arbustos.
Os pensamentos absurdos começaram a fervilhar dentro do meu espírito, tentando mentalmente compreender a atitude da minha amiga e, em simultâneo, tentar concluir quem seria a colega por quem se teria apaixonado.
Não me recordo de quanto tempo permaneci estática, sentada à beira daquela ribeira de águas cristalinas, os pensamentos em alvoroço e a curiosidade a espicaçar-me. Quando voltei à realidade, levantei-me e decidi encontrar a minha amiga, seguindo na mesma direcção que ela havia tomado.
Fui andando pelo mesmo carreiro que ela seguiu quando se afastou. Passados poucos minutos, comecei a distinguir o som não muito distante do tilintar de sininhos. Um pouco mais adiante, abria-se um verde prado cercado por arbustos silvestres e alguns choupos e olmeiros. Espalhadas pelo prado, apascentando bucolicamente, um rebanho de pachorrentas vacas leiteiras, ia pastando as verdes ervas. Com a minha chegada, a curiosidade fez com que alguns dos animais levantassem a cabeça e, olhando para mim, soltassem alguns mugidos, como que de boas-vindas.
Confesso que o quadro tão simples, calmo e natural afastou por completo as imagens suspeitadas da minha amiga nos braços de outra rapariga, que até há instantes ocupavam por completo o meu pensamento.
Parei extasiada olhando os animais, rindo até do ar intrigado com que as vacas me olhavam. Depois, ao prescrutar o espaço para lá do prado, pareceu-me reconhecer ao longe a figura da minha amiga, andando em sentido contrário ao ponto onde me encontrava. Estava longe demais para me ouvir se a chamasse. Voltei a pensar na conversa que tínhamos tido e agora, um pouco mais de cabeça fria, decidi que devia ter uma conversa com ela. Não para lhe criticar as decisões e escolhas, mas sim para lhe manifestar a minha solideriedade e também para lhe oferecer o apoio que começava agora a perceber ela estaria a necessitar.
Decidi então atravessar o prado, de forma a poder alcançar a minha amiga mais rapidamente.
Contudo, quando o comecei a fazer, notei que as vaquinhas se começaram a movimentar na minha direcção. Lentamente, mas sempre no meu sentido.
Confesso, assustei-me bastante e quase que paralisei, sem saber para onde me dirigir.
Nesse momento, um assobio estridente e ordenativo rasgou os ares. Surpreendida, olhei na direcção de onde me pareceu que o assobio tinha partido e então o meu olhar encontrou a figura esguia do Tóino, encostado ao tronco de um frondoso castanheiro, de cajado na mão, no seu posto de guardador das vacas.
Uma imensa sensação de alívio invadiu-me os sentidos, quando reconheci o Tóino, reforçada pelo facto de aquele assobio ter feito as vaquinhas mudarem automáticamente de atitude.
Sem querer dar a impressão de que já começava a ficar em pânico, dirigi-me ao Tóino, como que para o cumprimentar.
- Olá, Tóino, estás bom?
O Tóino corou com a minha presença e meio atabalhoadamente respondeu retirando a boina da cabeça:
- Estou xim, menina, obrigado.
Ri-me, ainda denotando os restos do nervoso que sentira e respondi-lhe:
- Ora Tóino, não me trates por menina, trata-me por Flor, ou Florinha, como preferires.
Tóino não respondeu, mas pareceu que ruborizara um pouco mais.
- Diz-me uma coisa, Tóino. A minha amiga passou por aqui há pouco?
Tóino abanou ligeiramente a cabeça de forma afirmativa.
- E falou contigo?
- Não, menina, atravessou pelo meio das vacas e seguiu sempre.
- Ó Tóino, já te pedi para não me tratares por menina. Não podes fazer o favor de me tratar pelo nome?
Tóino mexeu-se, demonstrando algum desconforto e limitou-se a abanar de novo a cabeça de forma afirmativa.
Aproximei-me mais dele e colocando-lhe uma mão sobre o ombro disse-lhe:
- Não precisas de me tratar com essa deferência, Tóino. Afinal, somos da mesma idade e não há nada que nos impeça de sermos amigos.
A companhia envergonhada, mas simples e simpática do Tóino, levou-me a decidir adiar o encontro e a conversa com a minha amiga. Pensei... afinal, vou-lhe dar mais algum tempo para que possamos tanto ela como eu assentar um pouco melhor as ideias. Talvez logo, quando nos encontrarmos ambas sozinhas no quarto, ou então amanhã, encontre uma oportunidade favorável para conversarmos.
Voltei a concentrar a minha atenção na pessoa do Tóino e quis saber pormenores acerca de como eram passados os seus dias ali na quinta.
Penso que o assunto de conversa lhe agradou, pois senti que se começou a sentir um pouco mais à vontade a conversar. Passado um bocado, sentei-me ao lado do tronco do castanheiro e convidei-o a sentar-se ao meu lado. Toino desfiava o nome de cada uma das vacas que guardava. Sabia o nome de todas sem excepção, o que constituiu grande admiração para mim.
- Como é que consegues saber o nome de tantas vacas sem trocar um único? Ou estás a inventar nomes como se fossem realmente esses?
Tóino soltou uma risada e retorquiu:
- A menina Flor não conhece também de cor o nome das ruas de Lisboa?
- Bom, isso é outra coisa.
- Outra coisa como?
- Então repara, Tóino. Para mim estas vacas são todas iguais, por isso estranho que não as confundas entre si.
Tóino soltou uma gargalhada ainda maior:
- Desculpe, menina Flor., Para mim, as ruas de Lisboa é que são todas iguais, uma confusão, mas as minhas vacas não. A Malhada é completamente diferente da Estrelinha e da Teimosa e da ...
- Pára, pára, acho que já entendi perfeitamente o teu ponto de vista. Realmente tens razão, apesar de não conseguir distinguir uma das outras.
Rimos ambos com satisfação e, sem querer, encostámos os ombros e a cabeça um ao outro.
Este gesto íntimo durou breves segundos, os suficientes para que uma sensação de conforto e bem estar me invadisse por completo.
Contudo, Tóino imediatamente se afastou e, muito vermelho, fez imediatamente menção de se levantar enquanto pedia desculpas.
- Que é isso agora, Tóino? Não sejas pateta. - Disse-lhe estendendo-lhe a mão e convidando-o a sentar-se de novo ao meu lado.
Tóino hesitou, manteve-se de pé sem se mover, olhando-me surpreendido.
Vá lá, Tóino, senta-te aqui e continuemos a nossa conversa que me estava a agradar bastante.
Voltou a sentar-se, ajeitou a boina e evitou olhar-me de novo, fingindo que prestava atenção ao movimento das vacas no pasto.
- Ainda não me disseste de que forma passas os teus dias aqui na quinta. Tens amigos?
- Só na aldeia. Quando lá vou aos domingos é que os vejo e conversamos. Na altura das festas vamos às outras aldeias.
Respirei fundo e pensei no contraste entre a vida de um rapaz do campo e da cidade.
De súbito, saíu-me uma pergunta intuitiva, em que não tinha pensado sequer e que não me deu tempo de suster:
- Tens namorada, Tóino?
Florinha"

16 junho 2007

Os Terrores de Santo António Uns Dias Depois


Foto: Malandrices das Caldas


Santo António, santo de pau
ao pular de carnes em fogo
Quase queima o altar
onde o prendem os devotos

É o ouvido das confissões.
De meninas em hormonas
De senhores em aflições
e ele santo: - Por quem me tomam?-

Mas diz isto muito baixinho
preparando a tal desgraça
Pensam que eu sou muito bonzinho
- 'Pera aí que isso já te passa! -

- Ele, que minutos a quer na cama,
E ela p'ra vida na cama o quer
e eu no meio desta mama
-Tenho é mais que fazer.

Deito então as mãos à obra
encho-os de beijos e manjericos
dou-lhes maçã, escondo a cobra
depois de casados, já não é comigo

Fico livre por mais um ano
Salto do altar e nada sobra
Sou perfeito, do sino badalo
que entre copos e saias dobra.

Charlie

O OrCa ainda consegue dar uma ode depois de outra:

"ao António e aos outros santarrões:

o Santo António ladino
é bicho de grande escola
ao colo traz o menino
na toga a sarapitola

santo cioso de bilhas
de que as moçoilas se ufanem
vai às fontes minhas filhas
quebrando-as mal as abanem

no mais nós somos tristonhos
mas nos santinhos que temos
fazêmo-los seres medonhos...
são santinhos como demos

danados p'rà brincadeira
namorados, garganeiros
arranjam sempre maneira
de se safarem lampeiros

vão à fonte pelas bilhas
mas tudo o mais não enjeitam
são santinhos-maravilhas
com as moças bem se ajeitam

sejam mais novas, mais velhas
por trás de moita ou postigo
mais ladinas, mais azelhas
a todas chamam um figo..."


O Nelo não pode ouvir falar em odes que quer logo pôr-se no meio (a chamada sandes de Nelo):
"Orca melhér faz um tempão
Que nam te via aparesser
Neste broshe que é da Ção
Ela como tu, uma grande melhér

Tameim és do Çanto Toino
Deçe Çanto de pau feito
Ai melhér que já nam á homes
cumo os avia tam a jeito

Mas os tempos stão mudados
Nada éi d´antigamente
Çó tu Orca, melhér çabes
cumo as coizas stão diferentes

e per iço fizeste beim
em botar a puezia
Ao menus ainda á alguéim
Que enche o Nelo de alegria

Fico intão sperando em fogo
Teu bater há minha porta
Morro çe te tardas, fofo
Meu querido home-Orca.

Nelo, broshista de çervisso"

30 julho 2007

Isto é que são umas festas do caralho!

... meta mais, senhor Manuel, meta mais....

Foda-se cum homem já num pode fazer uma bela festança sem que apareça um empata-fodas, um artolhas do caralho, cum uma merda qualquer que não faz falta nenhuma nem o caralho mais velho que o foda, mas mesmo à hora de empatar o gozo dum homem a apreciar o belo pito ao estrondo dos foguetachos.
Chiça que já é azar.
Este fim de semana, veio cá à Freguesia, trazido pela comissão das Festas que eu presido, o tal filha da puta que num queria cantar sem ter o cheque adiantado mas que eu consegui que o trambalazana viesse sem ver o guito antes de por os pés no palco cá da terra.
Foda-se cum um homem do Norte é pela palavra cumo um boi é pelos cornos!
Andava a rondar o palco a ver o pessoal todo satisfeito a cantar os refrões enquanto olhava para os pitos das bailarinas, quando nisto dei cum a filha do Toino.
Ena que a cachopa, que já passou há algum tempo dos vintes, está um mulheraça do caralho!
Num sei se já lhes contei que tem um pintelheira que parece uma encosta da Serra tapada de tojo! Hehehehe.
E é mesmo assim cum homem do Norte gosta, ao menos aqui nas bouças onde eu sou rei, porque já me contaram aqui há atrasado que ao Porto já chegou a moda de rapar o pito cumo faz essa malta lá de Lisboa, esses à beira dos Mouros.
Bom, mas adiante.
Fiz-lhe um sinal cum o canto do olho e ela olhando para minhe, esperou um pouco e ...inda que lá foi ela!
Disfarcei, dei duas voltas ao palco, emborquei uma cerveja (foda-se que num há nada que chegue ao meu pipo de verdasco, caralho) e esgueirei-me entre as sombras para o meu barraco.
Ena cum filha da puta. Que boa que ela está....mal cheguei a despi-la, desviei as alças do sutiã para ver-lhe as mamas, e afundei de trombas, a lamber que nem um porco!
Andava cum um filha da puta dum tesão que quase que lhe furava a roupita interior, caralho!
Ela também andava cum as medidas por encher já há algum tempo e pimba; Levantou saia e a aba da cueca e foi só escorregar lá para dentro. Ena cumo a cachopa fode bem, cum filha da grande puta!
Meti-lho duas vezes enquanto ela, bandeando a anca, só mostrava o branco dos olhos, cravava-me as unhas nas costas e dizia:
- Ai que bão, ai que bão. Meta mais senhor Manuel, meta mais... é tão bãoê... ai que bãoê... ai... ai... aai... aaaaiii...-
Foi nisto que bateram ao portão do barraco, mesmo na hora de estalarem uns foguetes cumo é da praxe quando se chega ao meio do espectáculo nas festas da nossa freguesia.
Tumba! Tumba! Tumba!... As chapas de ferro a zunir com a força da batida. - Oh Falcão... Tás ai? Tás aí ou num tás?-
E voltou a bater.
Tumba! Tumba! Tumba!... que parecia querer derrubar tudo, caralho!
Levantei as calças, todo fodido, e lá fui ao portão enquanto a cachopa, repanhando a roupa, meio vestida, meio despida, se escondia atrás da porta que dá para cozinha:
- O que foi, caralho? Num pode vir um homem a casa de tripas em aflição, foda-se!...-
- Épa... o povo anda todo revoltado porque falhou a luz do palco e o artista diz que sem luz num há mais espectáculo, e agora o pessoal está já de ânimos levantados. Estão a dizer que sobem ao palco e o diabo ou sete, mais o caralho! Tens de ir ali, tu é que és o presidente-
Bem, lá tive de ir e afinal quando cheguei já estava tudo resolvido, era só um disjuntor que tinha disparado. Ora foda-se, foda-se, foda-se...
Foda-se! Que fiquei cum um melão...
Num me contive e chamei de tudo ao empata-fodas!
Manuel Falcão eu não me chame, cum filha da puta que é a primeira vez que fico tão fodido por deixar uma foda a meio...

Manuel Falcão

10 março 2008

Cismas... coisas do caralho!

Por; Manuel Falcão

... foda-se que num tenho cachola para cunversas de manteiga e azeitonas...

Ehia canalha do caralho!
Cumo tendes passado? Já faz um tempão que num vinha dar uma tramela de cunversa cunvosco à roda dum caneco ou dois de verdasco.
Verdade é que já tinha saudades. Principalmente de vós, os pitos, que eu de enchido estou aviado.
Tenho no meu barraco um sofá velho e por lá está tudo decorado com salpicão, morcela, chouriça, paio e presunto, alheira, queijo da serra e o caralho mais velho, cum filha da puta, que quem vem à minha beira num se vai sem a beiça molhada no pipo e a broa benhe aviada de carne! Hehehehe... num sei se vós me entendeis, hehehehe....
Benhe! Foi assim até que conheci esta cachopa que me traz o miolo fodido; vós já sabeis quem é: A filha do Toino, que é boa, fode cumó caralho e manda uma pintelheira cumo um homem do Norte gosta; uma tojeira que mais parece uma encosta da serra carregadinha de giesta.
E o que lhes queria confiar era mesmo uma coisa que tinha a ver cum isso. Cumo sabeis, aqui há atrasado, a cachopa foi ao Porto, rapou o pito botou-se a andar de cunversa cum calmeirão do caralho aqui duma freguesia à beira, mais o caralho, que quande soube inté fiquei fodido e refodido cum uns filha da puta duns ciumes nas horas do caralho noite a dentro que nem dormia! Bom, mas as coisas arrefeceram um pouco, quersezer: eu já andava meio conformado até onte quande vi a cachopa e ela se riu para minhe.
Está diferente, pos umas linhas de louro no cabelo, e uma roupinha de cidade.
Está claro que eu Manuel Falcão, rei das bouças, num posso ver um pito e ainda mais este que andei a comer uns meses.
Ri-me para ela mais o caralho. E então num é que a cachopa veio cumigo de cunversa junto ao portão do meu barraco? - Assim aquela cunversa do caralho que num interessa, sobre o tempo e que tendes feito, há tempo que num te via e o caralho mais velho.-
Foda-se que num tenho cachola para cunversas de manteiga e azeitonas e fui logo direito ao pito.
- Num quereis entrar e refrescar-te no pipo.- Avancei logo. Ela olhou para trás para ver se ninguém estava a ver e zumba, entrou.
Nem esperei mais. Ainda antes dela abrir a boca mordi-lhe o garganil, deitei-lhe a mão às tetas, e num farelo estava de cueca em baixo em cima do sofá a arfar. Cum filha da puta que toda ela era desejo e vontade de foder.
- Ai senhor Manuel, ai ai ai.....- Arfava a matulona, cum o caralho encavado. - Ai ....ai ....ai que bãoe.....ai que bãoe..... e mexia-se, entalava o cavão, rodava o corpo e eu, Manuel Falcão, rei das bouças cum um tesão do caralho, fodia, fodia, fodia. Chupava-lhe as tetas, apertava-lhe o nalgedo e mordia-lhe o pescoço, cum milhão de caralhos, que parecia que eu ia rebentar.
Depois de aviada cum uma foda, cum filha da puta, dessas de morte e que me andava atrasada cumó caralho, saiu de mansinho.
-Senhor Manuel, - Disse em voz baixa ao sair, - Num pense que isto é para durar. Ando de cunversa cum o Alberto, e é coisa séria. Vamos casar lá para o fim do Verão....-
E sem mais dizer saiu pelo portão direito ao pinhal onde tinha estendido umas roupas numa corda por entre as árvores. Fiquei a mirar a cachopa a afastar-se e cum caralho que me subiu o tesão de novo. Foda-se que tive de fechar o portão e ir ao pipo arrefecer a chama com um caneco do bom verdasco.
E é aqui que vós me apanhais a cismar.
Primeiros:- Nunca tinha ido ao pito sem pintelho e ainda por cima cum esses desenhos que fazem agora: datoages ou tetoages ou tantoages ou lá o que é mais a puta que os há-de parir, e num sei se era de num comer o pito há muito tempo mas gostei, caralhos me fodam, que aqui há atrasado só gostava de pito com farfalho!
Segundos:- A cachopa diz que num é para durar, mas se ande de casamento marcado cum o cunversado e vem aviar o pito ao meu barraco, isso quer dizer o quê?
São destas coisas que são do caralho e que me fodem o juizo, cum um milhão e meio deles!
Sou o rei das bouças, já comi muito pito, mas isto ande a foder-me cum cismas, outra vez noite adentro, nas horas do caralho. Foda-se e refoda-se!

Manuel Falcão

07 novembro 2007

Cum caralho, eu ande fodido!

por Falcão

- .....Eu sei que você gosta de mim assim, cabeluda e assim... -

Tou aqui cum a lareira acesa, a cismar na minha vida enquanto aqueço a tomatada cum a cueca feita frigideira, cum catano.
O frio vem chegando às noites que chegam mais cedo e aqui na serra, na minha freguesia Santa Inácia do Vale da Penha Maior de Cima, que é, - digo ser com muito orgulho a melhor terra do mundo - o sol esconde-se cedo atrás das serras e faz logo um frio do caralho.
Mas num venho práqui falar do frio que faz mas de andar todo fodido, cum filha da grande puta!
Tinha acabado de pinar cum a filha do Toino, que tem um pintelheira cumo um homem do Norte gosta, e que fode cumo caralho, quande ela me saiu cum uma coisa que nunca le tinha ouvisto dizer.

- Manuel, Disse-me ela mostrando uma revista. - Eu sei que você gosta de mim assim, cabeluda e assim....mas andei a ver numas revistas umas cachopas cum biquines....-

E calou-se olhando para a minha cara de espanto e depois, voltou a olhar para o chão e continuoo: - Amanhá vou ao Porto, cum a minha Mãnhe. Ela vai a uma consulta e eu vou aqui. - E mostrou-me um anúncio onde mostravam o antes e o depois.
Inté mudei de cor e quase que deixava cair o caneco de verdasco cum que retemperava as forças depois de ter ido ao pito.
Ena que fiquei fodido cumó caralho! Ela ia tirar a pintelheira, que é uma coisa que me dá um filha da puta dum tesão quinté me dói tudo se não o afundar logo no pito! A minha pintelheira, que é dela mas é tanto minha cumo é o tesão que me dá!
Saltou-me a tampa do caneco e disse-le duas coisas que ela saiu pelas portas traseiras da minha garage sem dizer nem palavra. Mas eu que sou o rei das bouças, cum milhão e meio de caralhos, num posso ficar atrás e fui atrás dela, puxei-a para o pinhal e ai é que a filha da puta da cachopa me mandou abaixo.
Disse que eu era um velho do caralho e que ela cachopa de vintes e poucos queria fazer a sua vida e sair daquela parvalheira, e que se pinava cumigo era porque gostava de pinar mas num gostava de mim ao ponto de querer pinar cumigo para o resto da vida...

E por isso é que eu ande fodido cumó caralho! Um homem de sessenta anos, que dá numa sessão de comer o pito, duas ou três sem perder a tusa, é chamado de velho...

Foda-se que agora para aqui ando meio fodido, ou pior: fodido e meio, cum filha da grande puta!
Olho para a minha patroa que num dá uma há anos, diz que num le apetece, que nem se lembra disso e que num tem idade para essas coisas...
Só me lembro da cachopa.
Foda-se que ande fodido, Eu Falcão o rei das bouças, um homem cum uma força e um tesão do caralho, ande fodido por causa duma cachopa, cum milhão e meio de caralhos que me fodam e refodam.....


Falcão

26 janeiro 2008

Ora, ide-vos foder! Cum milhão de caralhos!

Por: Manuel Falcão

Ora então, fodam-se que é cumo quem diz que eu ande fodido e vos mando foder a todos.
Quande um home ande fodido, ande fodido!
Foda-se! Cum filha da puta!
Isto já num é o que era, cum milhão de caralhos que me refodam!
Aqui há atrasado, cumo vós sabeis, a filha do Toino, que tinha uma pintelheira boa cumo o caralho e fode cumo a real puta que a pariu, foi ao Porto, rapou o pito, e desde há uns tempos que a cachopa me anda esquiva. Já num quer vir ao meu barraco, beber um caneco de verdasco, e provar da morcela e do salpicão. Agora até ande a vestir-se com uns trapos desses da cidade, deu umas tiras de cor ao cabelo mais o caralho! Inté parece estrangeira cum filha da puta!Coisas à moderna, foda-se!
Sontredia, já na semana que finou e numa roda de copos cum os vizinhos, fiquei a saber que a cachopa ande de cunversa cum o filho do não sei quantos, lá da outra freguesia, acho que era emigrante, cum filha da grande puta, que dei por mim a remoer cum uns ciumes do caralho e fui-me embora, foda-se que num auguentei!
Eu que sou o Falcão o rei das bouças, num fodo um pito há umas semanas e tenho um tesão, cum filha da puta, que é do caralho, lá tive que ir ao Porto, a uns sítios onde num ia há muito e de que me lembrava de outros tempos.
Bem, de manhã ainda estávamos deitados, dei uma desculpa à patroa e disse-lhe que ia para tratar dum assunto da Junta. Lá fui ao Porto e meti as botas ao caminho pelas ruas que conheci bem quande fiz lá fiz uma parte dos tempos de tropa.
Há coisas do caralho! Num sei o que me deu, que isto dum home que ande fodido e cheio de tesão pode esperar-se tudo! Dei por mim a tocar à campainha duma porta que me lembrava. Veio uma senhora abrir e eu perguntei logo pela Amélia.
-Amélia?! Quais Amélia?! O que deseja o senhor? -
Bem! Eu que sou o Falcão o rei das bouças, num perco tempo cum cunversas, e vou direito ao assunto, disse logo:
-O que quero? Foda-se, sou o Falcão, e venho ao pito, caralho!-
Ai é que foi do caralho! Veio de lá um calmeirão, que sem dizer nem um ai, avança cum penso em cheio no olho, que eu até vi estrelas. Depois fecharam-me a porta na cara.
- Aqui não mora Amélia nenhuma. Isto é uma casa de família. Desapareça seu nojento filha da puta! Quer pito, vá ao pito da real puta que o há de parir- foi o que ouvi.
Bem que lhe dei uns bons murros na porta, mas foda-se que eles devem ter visto que com o Falcão num se brinca e cortaram-se.
Prontes! Vim de volta para a minha parvalheira, e agora tenho que arranjar uma história do caralho e explicar à minha patroa cumo arranjei um olho negro e inchado.
Foda-se! Que num me chegava num ver pito há semanas! Agora, depois de falar cum a patroa, é ficar em casa e fugir do falatório da freguesia nos próximos dias.
Foda-se que num pino nada, tou de olho inchado, e eu ande todo fodido e refodido, cum um milhão e meio de caralhos! Num me fodam mais, caralho, quando não ainda vos fodo! Foda-se!

Falcão, rei das bouças!

10 abril 2008

Despertar em ti

Foto: daqui


Há um dia
em que o sol
a romper o horizonte,
resume toda a eternidade
na espera desse instante
para o qual foi programado.
Esteiras de fogo estendem-se até à praia
e o dia já não existe mais,
Todo o corpo é pasto do mar
e as estrelas sabem
que são a areia do céu
perdidas em brilhos
sob o suave toque duma mão.

E das ondas que remansam,
quentes na pedra fria dos corpos,
sobe um fio do olhar...
Finam-se em gotas
os restos de lua.
E tudo sobra
Nos lábios
onde o horizonte
se afoga no sonho dos lagos...


________________________
O Falcão dá-lhe com o verdasco:
"Ouve lá ó Charlie, meu caralho! Tu andas bem, foda-se?! Mas que caralho de poesia é esta? Vá! Toma lá uma e aprende, caralho!

Aqui há atrasado,
quando ia pró pinhal
Encontrei uma cachopa
Filha do Toino. Sabeis; a tal.
Tinha farta pintelheira.
Mas é coisa do passado
Desde que dum dia foi ao Porto,
Veio de lá com o pito rapado.
Deu-me certa confusão
Logo na primeira vez
Mas depois de a papar
E tornar o pito comer
Já me dá o tal tesão
que tinha de antemão,
quando o pito era de ver.
E lá fomos pró barraco
onde tenho um belo pipo
A chouriça é por lá mato
A broa intão, nem lhes digo,
O esperar, é um castigo
e logo pimba, dei-lhe o trato.
Foi um pingo de verdasco
e dentada em gosto de fumeiro
depois da broa ter sido primeiro,
repetiu-se a rodada
e foi foda bem mandada
no sofá que era braseiro
E é disto que o Falcão gosta
Dumas fodas do caralho
E não de coisas que apostam
em lagos, luas, sol e lagos

Ora toma lá e aprende, cum filha da puta, caralhos te fodam e refodam, ó Charlie do caralho."

29 janeiro 2009

O julgamento.

Por: Manuel Falcão

.....respeito pelo Tribunal: Não admito aqui linguagem imprópria!.....

Oi cambada do caralho.
Cumo ides, foda-se? Vai um verdasco? Ahhhhh...que este está de estalo!...
Eu... ande fodido, mais o caralho! Agora num posso andar pelos montes na minha vidinha que fiquei sem a filha da puta da carta. Cumo hoije está um frio do caralho, metí-me no meu barraco de fogo aceso ao lado do pipo a marcar o dente num naco de broa cum morcela. Foda-se que tenho pena que vós num podeis estar agora à minha beira. Logo verias cumo é do caralho. É o que me vale, foda-se, que isto que me ande a tramar, aconteceu por causa do caralho do frio, cum filha da puta, que este ano quilhou-me pra caralhos.
Tinha saído da Freguesia no meu chaveco para ir ali aos lados de Mangualde buscar um calmeirão, um amigão do caralho, para a almoçarada, dessas que aqui a canalha faz de vez em quande. Depois tava já cumbinado saírmos às putas lá para o fim da tarde, pinar e pintar o sete e o caralho mais velho.
Benhe! Cheguei cedo, estava ele à beira de casa e disse-me para entrar. Tinha a mesa posta para o mata-bicho, o amigão do caralho! Mandámos uma broa abaixo cum um enchido e um tinto de arrepimpa e vai num vai, pra dar forças à viage e ainda antes de irmos para o carro, acabámos a provar uma augardente de medronho, dessa que é mesmo lá de baixo, dos Mouros, da Serra do Algarve. Eina que aquilo é mesmo bom, caralho. Foda-se que eu sou o Manuel Falcão, o rei das bouças, num há home das Serras que tenha bebido mais que eu, mas um medronho daqueles num é fácil de apanhar. Caralho que é mesmo bãoe.
Benhe...cumo tenho andado cum uma tosse fodida, bebi três ou quatro canecos bem aviados. E à conta de estar um frio daqueles da puta que o há-de parir, foi mais um ou dois para aquecer. Depois saímos para ir ter cum o resto da canalha e foi intão que se deu, caralhos me fodam..
- Ora fashavôr os seus documentos...- Era o tramabalaza do GNR para mim. E eu: - Ora foda-se, Senhor Guarda, já vamos cum atraso do caralho...- E aí o gaijo cresceu para mim e mandou-me calar e para ter tento na língua. Ora foda-se que num sou home pra me ficar e saí do carro de documentos na mão, a fazer peitos, cumo quem diz: - Toma lá ó filha da puta, agora que estou à tua beira faz-te lá homem.....-
-Importa-se de soprar, sefashavor?- disse depois de ver que estava tudo benhe cum a papelada. Comecei a rir-me quande me lembrei de como em catraio soprava preservativos para os encher e rebentar num estoiro ao pé dos velhos. Soprei e o caralho e foi aí que me fodi e acabou a almoçarada...
- Um, virgula setenta e oito!...- A tromba do gaijo resplandecia, cum filha da grande puta! – ...Sabe o que isso quer dizer?-
Foda-se que eu num sabia, e só fiquei a saber diante do juiz.
- Com que então o senhor Manuel Falcão, diz-me que já é hábito, não é assim?-
Foda-se, senhor Doutor Juiz. Eu sei beber. Sou o Manuel Falcão, presidente da Junta da Freguesia, num sou um qualquer... -
- Respeito pelo tribunal!- interrompeu ele. - Não admito aqui linguagem imprópria, excepto se assim lhe for solicitado textualmente e a título testemunhal! Continue. -
- Quersedezer..... Ena que nunca me tinha sentido tão fodido, Senhor Doutor Juiz. É que estou habituado a beber, entende? –
- Já lhe disse para moderar a linguagem...Quer dizer então que não é a primeira vez que o senhor se mete à estrada com uns copitos...É hábito, não é assim? -
- Ó Senhor Doutor Juiz! Num há dia nenhum que eu num vá à minha lavoura ou às voltas pela Serra sem levar um aconchego no bucho. Uns belos canecos de verdasco de mata-bicho cum a broa, o enchido e o caralho. Num há cumo um copito bem aviado para enrijar um home. Entende, cumo é? A gente da Serra é assim: rija comó caralho e a pinga é que dá a força a um home, e aquece ei alma....-
A juntar à cara o juiz, a cara da minha advogada. Pareciam ter cara de enterro. Ela era um pito ainda novinho, uma cachopa magrita e o caralho. Deu-me uma filha da puta duma descasca cá fora, depois do julgamento..foda-se que fiquei fodido, caralhos que me refodam.
- Ó senhor Manuel Falcão...o que lhe disse? Não o avisei insistentemente para o senhor dizer que tinha sido a primeira vez, apenas um descuido, e que não fazia do andar a conduzir com os copos, um hábito? Agora prepare-se! Prepare-se que o juiz vai dar-lhe pela tabela máxima!...Sinceramente! Não fez caso de nada do que eu lhe recomendei... -
E foi-se. Fiquei olhando por um instante para as pernas da cachopa e fiquei cismando cumo le afundava o pito e o caralho, quande o escrivão me chamou para ouvir a sentença...Nem les digo nada; a multa, a pena suspensa, a apreensão da carta...

Foda-se que o que me vale é este pipo e os enchidos cum broa, e aqui que ninguém nos ouve: o pito da filha do Toino, que é boa e fode cumó caralho, e num tarda nada, à primeira escapadela, está aqui a a aviar o salpicão no sofá do meu barraco...