20 fevereiro 2005





À sombra daquele desejo
Que mora num corpo que enlaço
E num olhar que conheço
Há um mistério suspenso.
Eu sei.
Tu sabes, também.
E quando na madrugada
Ou em tarde ensolarada
Com a pele na pele encostada
Me dizes, meu doce, meu bem;
Quando te despes aguada
Me ofereces côncava a entrada
E ajustas em mim a espalda;
Quando me susténs erguido
E me abocanhas perdida
Nesse vaivém repetido;
Quando mergulho desabrido
No teu mar cálido e fluido
E te arranco um gemido;
Quando esfuziante me abarcas
Nesse oculto incandescente
E em ti estremeço delirante.
Ele surge silenciosamente
Mas atinge-me de rompante:
Porque que coisa tão sublime
Não pode ser permanente?

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